Retratos da família Inuzuka Aburame.
11 Capítulo 11- Feliz aniversário, Shino
Notas iniciais
Kiba estava ansioso. Era vinte e três de janeiro, aniversário de Shino e ele desejava que fosse um dia inesquecível para o professor. Com isso em mente, preparou uma surpresa, apesar do marido não ser fã de festas, quanto mais sendo ele o homenageado.
Para bolar uma surpresa a altura do Alpha, o Ômega contou com a ajuda de seus “casca de bala. ” Isso mesmo, Sora e Himeko se tornaram seus aliados no planejamento do evento. Os três iniciaram os preparativos há três semanas, e pasmem, o assistente social conseguiu fechar o próprio bocão e fazer com que sua filha também mantivesse o segredo. Agora com tudo organizado, era só relaxar e esperar o aniversariante.
— Himeko… — mesmo que estivesse enchendo os balões, o Inuzuka estava atento a cada passo dado pela guria. — Nada de doces até segunda ordem!
A Espertinha havia se esquivado de ajudar na decoração da sala, optando por uma função, digamos, mais estratégica como arrumar a mesa dos doces. Sua justificativa, era de que o artista da família era Sora, não ela. Dessa forma o espaço ficaria muito melhor se fosse deixado nas mãos do menino. Kiba não julgou, pois, igualmente não possuía aptidões artísticas, algo que descobriu com seu sogro, seu filho havia herdado da avó paterna, que era tida como uma artesã de mão cheia. Na verdade, o pequeno Ômega não decepcionou na tarefa que lhe foi atribuída. Joaninhas, borboletas coloridas, flores de vários tipos e tamanhos. Tudo feito com capricho e pintado à mão, e apesar de os tons favoritos de Shino serem os mais neutros, o assistente social tinha certeza que o professor amaria a decoração pensada e arquitetada pelo filhote.
— Kiba-tousan, você acha que o touchan vai gostar? — inseguro, o garoto quis saber.
— Seu pai vai amar, pequerrucho! — Kiba beijou o garoto, que estava a poucos meses de completar dez anos e estava quase o alcançando em estatura, por meio de sua natureza amável e delicada, tornava-se mais evidente, para aqueles com a capacidade de enxergar além das aparências, a casta à qual ele pertencia.
— Tousan, onde coloco esses balões? — Kiba riu. Como aqueles gêmeos podiam ser tão diferentes? Até o timbre de voz de sua princesinha se destacava perante ao do irmão. Agitada e impulsiva, há um minuto Himeko estava roubando guloseimas da mesa e agora estava em cima da cadeira segurando um cacho de balões que ele havia acabado de amarrar. Era inegável, aquela era sua cria.
— Coloque acima do painel com as flores, princesa. — Kiba sugeriu. — Agora, o ponto alto da surpresa para o touchan!
Convidou as crianças para o sofá com ele. Dentro da caixa bem embalada que estava sobre o móvel, se achava o presente que Himeko e Sora prepararam para o outro pai. Um álbum de fotos criado por ambos. Os gêmeos pensaram nesse presente como uma substituição para o antigo álbum dos Inuzuka Aburame, que estava ficando sem espaço para agregar novas fotos. A palavra "substituição" causava um aperto no peito do Inuzuka ao usá-la. Pra ele, e o Ômega tinha certeza que não seria diferente para seu marido, seria impossível substituir o antigo álbum de fotografias da família e tudo que a peça simbolizava para os dois, mas o assistente social compreendia o anseio dos filhotes em participar na criação de um novo registro de memórias.
— Vamos dar ao papai somente quando estivermos os quatro sozinhos, tá bom?
A caixa foi colocada sobre a mesa que o trio preparou para os presentes que o Alpha receberia à noite. Satisfeitos e orgulhosos, os shifters cruzaram os braços e admiraram o trabalho em equipe.
— Tudo está ok, crianças. Vamos nos arrumar, pois está quase na hora dos convidados e do touchan chegarem.
À medida que o tempo passava, os convidados começaram a chegar. Torune, Fū e Ito. Seu sogro, sua mãe, e sua irmã; Naruto, Sasuke e Naoko. Por último chegaram Hinata, Ino e o capitão Yamato. Os amigos que trabalhavam com Shino viriam mais tarde para despistar. No interior da Sala, todos estavam animados para celebrar o aniversário do professor mais foda de Konoha, e ao ouvirem-no abrir o portão, ficaram alertas. Com todos em silêncio e as luzes apagadas, quando a porta da frente foi aberta, o homenageado foi surpreendido por aplausos e um grito coletivo de, “surpresa! ”
Kiba foi o primeiro a abraçar Shino quando o marido pisou no genkan e Sora e Himeko rapidamente se infiltraram dentro do aperto do casal
— Parabéns, marido!
— Feliz aniversário, touchan! — os pequenos desejaram em uníssono.
Sob frases entoadas pelos convidados que diziam o quanto ele era um homem sortudo por ter ao seu lado aqueles três shifters extraordinários, Shino apenas ajustou os óculos na ponta do nariz. Mantendo Kiba e os filhos perto de si, não proferiu nenhuma palavra, pois o Alpha tinha certeza de que o vínculo que os unia se expressaria por si!
Cena extra 1.
A celebração foi perfeita, como o desejo do Inuzuka. Os convidados e seus parentes se divertiram horrores. O Ômega, como sempre, aproveitou a reunião para ostentar, ops! Mostrar as fotos de sua linda família, principalmente para os colegas de trabalho de seu marido. No final da noite, depois que todos retornaram às suas casas, Shino, ele, Sora e Himeko permaneceram na sala de casa. Arrumações? Eles deixariam para o dia seguinte.
Sem cerimônias, as crianças se encarregaram de abrir os presentes que o touchan havia ganhado, mesmo sob protestos do Inuzuka.
— Foi uma festa fantástica, né, marido? — Kiba parecia ter sido homenageado do dia, tamanha excitação.
Olhando os gêmeos, fazendo uma algazarra tremenda a cada embrulho que desfaziam e constatando a felicidade de Kiba a seu lado, Shino foi sincero:
—Sim.
Satisfeito com aquela resposta, Kiba abriu um sorrisão. Se seu marido não tivesse gostado da surpresa, jamais conseguiria esconder dele tal sentimento. Ciente disso e percebendo que os filhotes estavam desatentos quanto a presença dos dois, o Ômega puxou o Alpha pela gola da camisa e beijou-lhe os lábios lenta e carinhosamente.
Sora e Himeko trocaram olhares cúmplices por alguns instantes após escutarem os estalos dos lábios do casal. Malvados, os gêmeos saltaram sobre os pais sentados no sofá e começaram a cantarolar um barulhento coro de: Eca, eca, eca…
Cena extra 2
Shino sempre foi atento e observador de detalhes. Portanto, não foi surpresa que no começo do mês, ao notar uma leve desordem junto às roupas de cama, ele tenha encontrado uma caixa diferente escondida sob os lençóis. Movido por uma curiosidade atípica, a puxou para fora e ao abri-la, encontrou uma lista de coisas a serem organizadas para o dia vinte e três de janeiro, além de um álbum de fotos em produção. O Alpha não gostava de festas de aniversário, mas Kiba e as crianças adoravam. Decidido a manter segredo sobre sua descoberta, e honrar o carinho dos shifters, colocou a caixa de volta onde havia a encontrado.
Ao longo dos dias que antecederam sua festa, Shino treinou suas reações e se preparou para parecer realmente surpreso no momento oportuno. No dia em questão, acordou com um selinho de Kiba em seus lábios. Tomou café da manhã normalmente com o Ômega e os filhos, em seguida saiu antes deles para o trabalho, seguindo dessa forma sua rotina. No trabalho, recebeu cumprimentos de seus colegas e homenagens de seus alunos. Quando chegou a hora para a qual havia se preparado há semanas, ao entrar em casa e ouvir, "surpresa," sentiu-se verdadeiramente emocionado diante da atmosfera que encontrou no ambiente...
— Te achei! — Kiba interrompeu seus pensamentos ao entrar sorrateiro na varanda. — As crianças já estão dormindo. Por que não vem descansar também?
Shino seguiu silencioso observando as estrelas, somente minutos depois ele falou com um certo embargo na voz.
— Os dois estão crescendo tão depressa.
Kiba o conhecia melhor que ninguém, e sabia o que ele pensava ao dizer aquilo. Desde que Sora e Himeko lhes deram o novo álbum de fotografias da família, o Alpha não conseguia organizar os sentimentos em seu interior.
— Mas ainda vai demorar até eles serem adultos, marido. — Kiba soou emocionado.
Naquele instante, ambos recordavam de quando, ainda na adolescência, se deram conta de que era hora de ter seu próprio registro de memórias fotográficas. Quando eles entenderam que o amor que sentiam um pelo outro transcendia o amor fraternal.
— Não há o que temer. Sempre que a saudade bater, podemos revisitar nosso antigo acervo.
Se apegando às sábias palavras proferidas pelo Ômega naquele momento, o Alpha o trouxe mais para perto de si.
—Como sempre, você tem razão.
Embora seu coração ainda desejasse que tempo a partir dali passasse menos apressado, o Aburame sentiu estar na hora de terminar um ciclo de sua vida para iniciar, junto às três pessoas que mais amava no mundo, uma nova história.

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