Retrato das coisas que se acham na minha cabeça
11 Ouro no esgoto
Era a juventude daqueles tempos baby.
Eu queimava meus cigarros agarrado numa garrafa de vodka barata,você balançava seus cachos tortos pra qualquer um que te desse carona.A vida era fácil nas telas dos filmes,mas era difícil no óleo dos quadros.Sempre cismando em nos pintar no frio das cores do sul,no desértico de vento e chão batido.Aquelas estradas que somem no horizonte,aquelas que a gente nunca soube onde dava,mas hoje entende que caminho era aquele.Tudo isso só pra acabarmos todos aqui.Sujos.Maltrapilhos.No meio das prostitutas e da ralé.O que achar disso, ãn?O que você acha disso?E se você acha que as luzes não bastam,Se o neon dos prédios é estranho demais,A sarjeta tá lotada.E na madrugada o centro pulsa de gente.É nessa hora que a gente vê o ser humano acordado,selvagem,perigoso.É na luz da luz,luz fluorescente dos apartamentos,nos cubículos dos banheiros dos bares,Na ascendência dos decadentes.É só assim que eu vejo.É assim que o mundo só realmente é.
Fale com o autor