Ele é mais um que formou suas palavras.

"E pra que?" perguntam os velhos.

"Pra que?" perguntam as crianças.

"Pra que?" perguntaram os jovens.

"Por que?" perguntaram seus pais.

E todos disseram "Não entendo!"

Ele também não entende. Mas entende que não entende.

Ele sabe que coisas não são compreendidas verdadeiramente.

A vida é uma análise planejada. Um consentimento, um contrato.

Viva de acordo, sorria de acordo, vista-se de acordo. Seja feliz como todos.

"Pra que?" ele perguntara uma vez.

E ninguém soube o "porquê?" e nem "pra que?".

Mas ele sabia que talvez nunca se soubesse.

Embora a própria vida fosse uma análise aos olhos de todos,

Nunca lhe pareceu assim.

O sentido e a razão escorriam como lava dos seus olhos,

Que eram duas piscinas fundas.

Por isso ele não dormia,

O calor o matava, e no sol se congelava.

Nos sonhos paralisava,

Palavreava.

Como a vida numa peça,

A plateia vazia, com a voz baixa.

Assim como na vida,

Suas palavras não diziam quase nada.

Como sonhos que são só o reflexo do tempo do qual ainda não pensamos sobre.

São todas as horas que não são,

Não somos.

Notas finais
Sempre que quiserem/precisarem, estou por aí!