Era a juventude daqueles tempos baby.

Eu queimava meus cigarros agarrado numa garrafa de vodka barata,

você balançava seus cachos tortos pra qualquer um que te desse carona.

A vida era fácil nas telas dos filmes,

mas era difícil no óleo dos quadros.

Sempre cismando em nos pintar no frio das cores do sul,

no desértico de vento e chão batido.

Aquelas estradas que somem no horizonte,

aquelas que a gente nunca soube onde dava,

mas hoje entende que caminho era aquele.

Tudo isso só pra acabarmos todos aqui.

Sujos.

Maltrapilhos.

No meio das prostitutas e da ralé.

O que achar disso, ãn?

O que você acha disso?

E se você acha que as luzes não bastam,

Se o neon dos prédios é estranho demais,

A sarjeta tá lotada.

E na madrugada o centro pulsa de gente.

É nessa hora que a gente vê o ser humano acordado,

selvagem,

perigoso.

É na luz da luz,

luz fluorescente dos apartamentos,

nos cubículos dos banheiros dos bares,

Na ascendência dos decadentes.

É só assim que eu vejo.

É assim que o mundo só realmente é.