Retidão

1 Capítulo Único


Notas iniciais
AVISO: Esta fanfic, apesar de trabalhar com a padres, Igreja, dogmas do Catolicismo e afins, ela não possui nenhuma intenção de injuriar a imagem da igreja católica, os padres e o Catolicismo em si. Esta fanfic também trabalha com psicopatia e violência, mas sem nenhuma intenção de apologia e romantização de tais temas. Primeiramente, desculpa por postar a fanfic só agora, devido as provas da faculdade (que passei ♥). Segundo, e aí, gente, tudo bem?! Espero que sim e aqui estou, cumprindo mais uma fic do Desafio da Semana. Mais explicações nas notas finais e boa leitura ^^

Padre Garcia é o padre preferido de boa parte dos frequentadores da igreja Santa Terezinha, localizada no famoso e tão cantado bairro do Jaçanã, na periferia da Zona Norte de São Paulo, SP. Exemplo de retidão, temor à Deus, louvor à Cristo e fervor ao Espírito Santo, diziam as boas línguas — estas que também reparavam no modo de andar leve, rosto sempre sereno e voz acolhedora de homem tão jovem.

No confessionário da igreja, faltando poucos minutos para o local fechar, um homem confessava seus pecares para o sacerdote:

— Padre, confesso que eu tenho pensamentos impuros com uma colega do meu serviço, mesmo amando muito a minha esposa e está cada vez mais difícil resistir a outra. Ontem, após o serviço, ela se declarou pra mim e eu fugi, porque não consegui falar pra ela que sou casado. Que é que eu faço?

O Padre, baseado em passagens bíblicas, aconselhou o rapaz com palavras duras, porém sinceras ao confortar a mente agitada do rapaz, que agradeceu o vigário chorando de alívio e saiu.

Igreja fechada, de banho tomado, vestido com um elegante terno preto e uma maleta preta, Padre Garcia seguiu sua rotina de dar uma caminhada pelo bairro, para admirar o quão maravilhoso é esse mundo que Deus criou.

Durante a caminhada, passando por uma praça pequena, Garcia avistou um carrinho de bebê. Aproximou-se do objeto e lá viu um bebê encantador, a inocência simbolizada no ser humano. Em seguida, deu uma olhada ao redor do local e percebeu duas mulheres conversando, provavelmente a mãe da criança mais uma amiga. Depois, acarinhou o rosto do bebê, deu-lhe um tenro beijo na testa, abençoou a criança e com um sorriso no rosto, retirou uma minipistola do bolso da calça, atirou na cabeça do bebê para, por fim, sair de cena de forma sorrateira; somente algum tempo depois a mãe, desesperada, chorava a vida perdida do filho de apenas um mês de vida.

Um tempo curto depois, Garcia estava deitado no parapeito de um prédio da região. Mirou o rifle para longas distâncias em um casal homossexual, que andava tranquilamente na rua de mãos dadas, e matou os dois com um tiro na cabeça cada, de forma rápida e certeira. Após terminar o ato, Garcia colocou o rifle de volta à maleta, levantou-se e passou a caminhar de volta para o interior do prédio. No local, moravam familiares do homem, por isso tinha acesso livre ao local.

De volta a rua escura e vazia, afinal eram 23:20h e todo o comércio ali estava fechado, Garcia passou por uma mulher. Retirou a minipistola do bolso, atirou na cabeça da mulher e 100 metros depois atirou na cabeça de um homem que também apenas teve a triste coincidência de cruzar seu caminho com o de Garcia.

Vinte minutos depois, já de volta à igreja e dentro da saleta de recreação do coral, com TV e vários quitutes, Padre Garcia assistia ao principal noticiário noturno, com o apresentador informando o seguinte ocorrido:

— Cinco pessoas morreram no bairro do Jaçanã, São Paulo, capital, todas com um tiro na cabeça. Uma das vítimas era um recém-nascido de apenas um mês...

Após o anúncio, o noticiário passou uma reportagem sobre o “Matador das Onze”, o matador em série que aterrorizava o bairro há um mês e, até aquele momento, fez 25 vítimas. Todos mortos da mesma maneira: um tiro letal na cabeça.

O pároco riu durante a reportagem inteira e depois do término dela, desligou a televisão, fez suas atividades noturnas, cantarolou hinários cristãos durante o banho, enxugou-se após o banho, trocou de roupa e dormiu tranquilamente para encarar mais um dia de retidão, servidão e amor em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

“(...) Posso ter nascido doente, mas adoro isso (...)”

(Take Me To Church — Hozier)

Notas finais
"Tia minkly, se o clipe da fic e a música da fic é sobre homofobia, por que carambolas você fez uma fic de terror?" Caso você seja um leitor novo, ou só tenha lido uma fanfic minha mais puxada para o fluffy puro, saiba que tia minkly sempre critica a homofobia nas suas fanfics e fics, então consequente eu tenho vários escritos que contém crítica à homofobia. Portanto, ela saiu uma fic de terror justamente para sair dessa minha peculiar "zona de conforto", por assim dizer. Além disso, justamente por reconhecer meu privilégio como pessoa heterossexual em uma sociedade extremamente heteronormativa, eu pesquiso sobre a homofobia e o quanto ela é uma realidade terrível para pessoas ALGBTTTQIP+ também de vigiar, somado também ao fato de vigiar ainda mais a minha escrita, quando trabalho com yaoi, shounen-ai, slash, yuri, shoujo-ai e femmslash, para não escrever algo que possa ofender ou oprimir esta minoria. Concluindo, optei pelo terror também por este tema não exigir tanto de mim, já o desafio veio no meio da semana de provas na faculdade. Espero que tenham gostado da fic e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!