Retalhos

5 Esse poema não é meu


Fita métrica do amor

Como se mede uma pessoa? Os

tamanhos variam conforme o grau de

envolvimento. Ela é enorme pra você quando

fala do que leu e viveu, quando trata você

com carinho e respeito, quando olha nos

olhos e sorri destravado. É pequena pra você

quando só pensa em si mesmo, quando se

comporta de uma maneira pouco gentil,

quando fracassa justamente no momento em

que teria que demonstrar o que há de mais

importante entre duas pessoas: a amizade.

Uma pessoa é gigante pra você

quando se interessa pela sua vida, quando

busca alternativas para o seu crescimento,

quando sonha junto. É pequena quando

desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa,

quando compreende, quando se coloca no

lugar do outro, quando age não de acordo

com o que esperam dela, mas de acordo com

o que espera de si mesma. Uma pessoa é

pequena quando se deixa reger por

comportamentos clichês.

Uma mesma pessoa pode aparentar

grandeza ou miudeza dentro de um

relacionamento, pode crescer ou decrescer

num espaço de poucas semanas: será ela

que mudou ou será que o amor é traiçoeiro

nas suas medições? Uma decepção pode

diminuir o tamanho de um amor que parecia

ser grande. Uma ausência pode aumentar o

tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade:

as pessoas se agigantam e se encolhem aos

nossos olhos. Nosso julgamento é feito não

através de centímetros e metros, mas de

ações e reações, de expectativas e

frustrações. Uma pessoa é única ao estender

a mão, e ao recolhê-la inesperadamente, se

orna mais uma. O egoísmo unifica os

insignificantes.

Não é a altura, nem o peso, nem os

músculos que tornam uma pessoa grande. É

a sua sensibilidade sem tamanho.

MEDEIROS, Martha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.