Resutoran, Koran To Ai
12 Festa - Parte I
Byakuya e Tsumi foram os primeiros a chegarem à festa. Eles foram recebidos por um rapaz vestido em trajes finos: um smolking na cor marrom escuro, sapatos sociais da mesma cor. Era bem alto, com certeza tinha mais de um metro e noventa, um físico digno de um atleta, seus cabelos eram prateados e estavam levemente arrepiados para cima por causa do gel de cabelo.
– Boa noite! Meu nome é Kensei Muguruma e sou o gerente responsável esta noite. — ele os recepcionou. – Me acompanhem, por favor.
Os dois o cumprimentaram e seguiram-no. O local era enorme, além da decoração que deixava qualquer um de boca aberta. Tinha um ar todo elegante, lustres de cristal, as mesas para os convidados estavam muito bem decoradas, cada uma possuía um vaso de rosas colombianas. Os garçons e garçonetes todos bem vestidos e simpáticos, além de mostrar suas ótimas habilidades, mesmo oferecer um simples aperitivo transparecia elegância.
O gerente levou o casal para a mesa reservada a eles.
– Deixarei os senhores mais a vontade. Com licença — então fez uma leve reverência e deixou o salão, iria recepcionar os outros convidados.
Tsumi não tinha o costume de ir a festas de negócios, já estivera em inúmeros jantares e reuniões, mas uma festa daquele porte era a primeira vez. Até a pouco tempo atrás, ela era mecânica e não tinha que se preocupar como devia se vestir ou se portar. Acabou achando engraçado como as coisas mudaram, além daquele fato também estava namorando o homem que detestava até algumas semanas atrás.
Byakuya era um homem orgulhoso e autoritário, por anos não se permitiu levar-se por mulher alguma, sempre impassível. Além de ele já ter uma personalidade naturalmente mais séria, aprendeu da pior maneira que não poderia confiar nas pessoas facilmente.
Assim que estavam acomodados, Byakuya observou Tsumi momentaneamente, achando-a tão bonita e graciosa e então se perguntou como pudera ter sido tão grosseiro com ela, uma vez que ele mesmo teve um começo de vida conturbado. Ele precisou trabalhar e se empenhar muito para vencer na vida e enriquecer. Pensar nisso o fez se lembrar de seu passado.
Lembrou-se de quando ainda era bem jovem, mal tinha completado doze anos e já tinha que trabalhar duro para poder alimentar Rukia. Eles perderam os pais cedo, a mãe morreu de tuberculose e o pai morreu alguns anos depois atropelado. Byakuya já teve se mostrar responsável e determinado, e precisou lutar para sobreviverem já que nenhum parente se prontificou a cuidar deles.
Naquela época, eles conseguiram um pequeno cômodo para se abrigarem, não pertencia a ninguém, um lugar abandonado. Como Byakuya era orgulhoso demais para pedir esmola, ele costumava pegar as sobras das barracas de frutas e legumes que tinha por perto. Ou ainda quando tinha sorte conseguia fazer pequenos trabalhos para obter uns trocados. Byakuya mostrou-se um bom administrador já aos doze anos, mesmo ganhando trocados e alimentando-se de sobras ainda conseguia guardar dinheiro para depois de quase meio ano conseguir ir até o mercado central e comprar frutas frescas e vender de porta em porta na vizinhança.
Rukia sempre tentava ajudar o irmão, porém, ele não deixava, dizia que aquilo era obrigação dele. Mas ela também não conseguia ficar parada vendo o irmão se matando de trabalhar enquanto ela ficava esperando naquele quarto. Mesmo sendo um espaço bem pequeno, Rukia deixava tudo limpo e organizado. Byakuya sempre deixava, mesmo que pouco, um dinheiro para que ela pudesse comer alguma coisa caso sentisse fome. Apesar de sempre sentir o estômago reclamar, Rukia guardava esse dinheiro para comprar ingredientes para fazer doces, assim poderia vender e ajudar naquela luta para sobreviver.
Como ambos trabalhavam desde cedo não tiveram tempo para frequentar a escola normalmente como as outras crianças. Mas assim que tiveram a oportunidade voltaram aos estudos, contudo, se formaram mais tarde. Byakuya estava com vinte e dois anos quando terminou o colegial e Rukia com dezenove. Um pouco antes de se formarem, eles conseguiram alugar um pequeno apartamento, não tinha mais que trinta metros quadrados, mas era melhor do que ficar dentro de um cômodo e sem banheiro. Embora tivessem dinheiro para comprar algo melhor, ficaram com aquele pequeno apartamento, Byakuya tinha outros planos para o dinheiro que juntaram.
Com o dinheiro daqueles anos todos vendendo frutas, legumes e doces, Byakuya e Rukia começaram a fazer faculdade de administração. Mesmo não sendo do feitio de Byakuya, ele acabou por fazer amizade com um rapaz do curso de gastronomia: Hisagi Shuuhei, que estava em seu último ano. Depois de muito conversar com o rapaz, Byakuya acabou decidindo que iria abrir um restaurante francês e convidou Hisagi para ser o cozinheiro. Sem pestanejar, o rapaz aceitou.
Depois que começou aquela vida de empresário, Byakuya não teve mais tempo de pensar em outra coisa que não fosse negócios. Então quando cometeu aquela gafe com Tsumi não sabia como agir, e acabou por piorar a situação, mas do jeito que era orgulhoso não poderia simplesmente pedir desculpas. E eles se odiaram por meses, até o dia em que o casal Matsumoto e Gin por coincidência (ou não), os fizeram trabalhar juntos, quando foram padrinhos de seu casamento e para terminar a noite, aprisionados no banheiro, acabaram se beijando.
A partir daquele dia, Byakuya começou a mudar de maneira gradativa e quando percebeu Tsumi já ocupava sua mente. Entendeu que precisava se desculpar devidamente com ela, mas não era apenas aquilo que o incomodava, ele sentia que precisava ser perdoado e tinha receio da reação dela. Ele não havia percebido que já estava começando a se interessar por ela, uma mulher que o enfrentara sem se importar com o status dele, pelo contrário, que o odiava ainda mais intensamente por ele ser rico. Ela tinha uma personalidade tão forte quanto a dele e não se dobrava a ninguém. Mas ele só percebeu que havia se interessado realmente por Tsumi quando não a viu sentada na mesa do restaurante, e não poderia mais vê-la. Foi então que se deu conta o que aquela mulher representava em sua vida. E estava disposto a mudar sua vida dali para frente. Queria ela ao seu lado.
Tsumi, que estava sentada ao lado de Byakuya, notou que ele estava pensativo. E como se compartilhasse dos mesmos pensamentos, ela comentou:
– O tempo passa e as coisas mudam. Nunca imaginei que um dia estaríamos juntos.
Byakuya a encarou e acabou sorrindo de maneira discreta e quase imperceptível. O empresário ia falar alguma coisa, porém Hisagi e Sayuri chegaram acompanhados do gerente Kensei.
Curiosamente Kensei era tio de Hisagi. Os dois tinham muito contato quando o cozinheiro era adolescente, mas depois que o rapaz entrou para a faculdade de Gastronomia, não se viam com muita frequência.
– Pelo visto meu sobrinho está bem! Está forte, saudável, com um bom emprego e parece que finalmente arrumou uma namorada que preste!
Kensei dissera aquilo de um modo animado e distraído, até esquecendo que estava trabalhando.
– Tio!
Hisagi chamou a atenção de Kensei e o último comentário de seu tio, o fez perceber que realmente ele era o único que não notava que a Yui era uma víbora.
– Ora, vai dizer que eu tô mentindo? Você tem o dedo podre pra escolher namorada, mas parece que acertou dessa vez.
Kensei era o tipo que conseguia “ler” uma pessoa rapidamente e reconheceu Sayuri como uma boa garota.
Hisagi não tinha argumentos, afinal nenhum de seus relacionamentos anteriores dera certo. O que mais durou foi com Yui, mas não poderia dizer que fosse um relacionamento bom, já que o único que amava de verdade era ele.
– Tio, você não tem que voltar recepcionar os outros convidados? — Hisagi tentou uma indireta, talvez desse certo.
– Sei que o que você quer de verdade é se livrar do seu tio, mas é verdade. Tenho mesmo! – despediu-se deles apenas com um aceno de mão, mas não seria a última vez que o veriam naquela noite.
Hisagi e Sayuri se sentaram à mesa. Byakuya e Tsumi estavam sentados um do lado do outro. A irmã mais velha foi a primeira a começar a falar, e queria dizer algo que já estava pensando desde a noite anterior.
– Byakuya, o que você acha de ter a Sayuri na equipe de confeitaria?
O jovem empresário vinha pensando no assunto, já que no shopping Tsumi dissera que Sayuri era uma ótima confeiteira, além de fazer pratos deliciosos, porém não poderia simplesmente colocar a garota na cozinha, ela não tinha experiência e ele não sabia o quão boa ela era na cozinha. Por outro lado, não poderia negar o pedido, afinal era sua namorada que estava pedindo. Além disso, Hisagi também elogiara Sayuri.
Tsumi notou como Byakuya estava pensativo, talvez não tivesse sido a melhor hora para falar sobre aquilo, mas não saberia quando iria ter uma oportunidade e seria bom para Sayuri poder seguir a carreira da mãe.
– A Sayuri faz cada delícia, ela com certeza puxou nossa mãe! E a dona Sachiko até tem uma famosa doceria na França — Tsumi fez questão de falar.
Ela já estava se acostumando a lidar com Byakuya, ele queria motivos para acreditar que ela era tão boa quanto diziam, afinal de contas, a opinião de irmã e do namorado não poderiam ser muito reais. E mesmo Rukia que sempre a elogiava era amiga de muito tempo e nada exigente com comida.
– E qual o nome da doceria? — Hisagi perguntou interessado, antes mesmo que Byakuya pudesse questionar.
– “Sucrèe Parfait”* – Sayuri respondeu.
Sayuri sempre teve orgulho do trabalho da mãe, já que quando pequena sempre ficava ao lado dela, ajudando a fazer os doces, e quando tornou-se uma adolescente fez um curso para ser uma garçonete fina. Porém, quando seus pais se separaram, cada um tomou um rumo diferente: o pai permaneceu no Japão e atualmente trabalhava como gerente geral de uma concessionária famosa. E a mãe, optou por ir para a França e abrir uma loja de doces.
– Então vocês não se veem faz tempo, não é? – Hisagi lembrou-se que nunca vira os pais das duas em casa.
– Nossos pais são separados. Papai é gerente em uma concessionária, só que ele está em outra cidade agora. E a mamãe se mudou pra França faz quase cinco anos – Sayuri comentou.
A irmã mais velha não quis se intrometer no assunto do divórcio naquela época e, como ela já era maior de idade, resolveu que iria morar sozinha. Mas Sayuri ainda estava com dezessete e precisou decidir se ficava no Japão com o pai, Makoto, ou se iria para França com a mãe, Sachiko. Tsumi não queria se separar da irmã, elas eram muito unidas, então ela convenceu a caçula a morar junto com ela. Desde a separação dos pais, elas os viam muito pouco. Viam mais o pai, porque era mais perto, porém ele era muito ocupado. Elas também tinham um irmão mais velho, que já havia saído de casa antes dos pais se divorciarem e iria casar no próximo ano.
Byakuya escutava aquelas informações com atenção, afinal, ainda não sabia muito sobre Tsumi. E saber que Sayuri ajudava a mãe, que atualmente tinha uma confeitaria na França, já era algo positivo. E se não lhe falhava a memória, já ouvira falar da tal “Sucrèe Parfait”, só não se lembrava aonde.
– Para provar que não estou falando nenhuma bobagem, a Sayuri fará o jantar de domingo. O que acham? – Tsumi dizia empolgada, com um sorriso encantador nos lábios, então virou-se para o namorado e continuou a falar. – Se você aprovar, irão contratá-la na hora. O que me diz?
– Eu acho uma excelente ideia! — interpôs Rukia, chegando à mesa acompanhada de Ichigo.
Eles tinham acabado de chegar e ouviram um pedaço da conversa. Como os quatro estavam muito entretidos, não notaram o casal chegando.
– Ainda não tive tempo de falar, mas Ukitake, que é um dos nossos confeiteiros pediu as contas e ficará apenas até semana que vem – a jovem gerente ia mesmo pedir para contratar um novo confeiteiro. – Porém, chamando Sayuri para ficar na cozinha, a ala de garçons ia sofrer desfalque.
– Garçom é mais fácil de achar do que um confeiteiro — disse Byakuya. – Eu aceito o jantar. Mas não será o suficiente para provar que Sayuri é capaz de dar conta do serviço. Farei o seguinte: após o jantar, se eu achar que ela é capaz, ela passará a próxima semana com o cheff Ukitake e ele dirá se ela é qualificada para substituí-lo.
Byakuya realmente não se importava em colocar a garota no lugar do Ukitake, que era um verdadeiro mestre quando se tratava de doces, porém, não poderia simplesmente dizer sim. Primeiro Sayuri teria que provar suas habilidades.
Sayuri não sabia o que devia dizer. Até era verdade que gostaria de ir para cozinha, mas não sabia se tinha tanto talento como os outros diziam, mas sentia que devia tentar.
– Eu aceito. Tenho certeza que você vai aprovar! – a garota acabou falando sem querer, às vezes, acontecia de dizer ou fazer as coisas por puro impulso.
Byakuya encarou a irmã de Tsumi e ainda com um semblante sério acabou por sorrir de maneira discreta.
Parecia que o assunto havia encerrado naquele momento, teriam de esperar até domingo à noite para ver o que o chefe iria dizer e pessoa mais exigente que ele não poderia existir.
Sayuri notou que Ichigo havia saído dali, onde ele poderia ter ido?
– Rukia, cadê o Ichigo?
– Ele foi ao banheiro... – respondeu ela um pouco sem jeito. – O pneu do meu carro furou e ele teve que trocar no caminho, se sujou todo.
Parecia que o destino aprontava com aqueles dois, se não era Ichigo que se sentia embaraçado por alguma coisa que dava errado em seus planos, era a vez de Rukia.
– Ah tá... – Sayuri não pareceu ligar muito para a situação, como se fosse algo que pudesse acontecer com qualquer pessoa, o que de fato poderia.
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Ichigo estava no banheiro lavando as mãos. Ele não estava assim tão sujo, apenas um pouco suado, mas era inevitável, visto que trocar um pneu não era nada fácil. E para não sujar a roupa, ele tirou a camisa e o smolking antes de começar a mexer no carro. Depois para colocá-los de volta teve ajuda de Rukia. A lembrança dela colocando a camisa para ele, abotoando cada botão e depois colocando o paletó fez o rosto do Morango ficar vermelho.
Com custo, ele conseguiu remover toda aquela sujeira das mãos e jogar uma água no rosto. Repassou o desodorante que havia colocado dentro do smolking, caso precisasse. Saiu do banheiro depois de quase dez minutos e foi reencontrar o pessoal na mesa.
Quando Ichigo caminhava pelo salão, viu um casal e sentiu um calafrio percorrer a espinha. Viu a mulher que era o pesadelo das vidas de Sayuri e Hisagi: Yui. E ela estava acompanhada de um homem que parecia um psicopata em sua feição.
O nome do sujeito era Szayel Aporro Granz. Assim como Byakuya, ele devia ter uns trinta anos. Cabelos curtos cor de rosa, olhos cor de mel. Embora não precisasse, usava óculos, pois queria parecer uma pessoa mais intelectual. Era alto e tinha um andar elegante. Não era segredo que Szayel era narcisista e egocêntrico. A razão pela qual ele estava com Yui era só para mostrar que poderia andar com uma mulher linda como ela.
A loira estava trajada com o mesmo modelo de vestido de Tsumi, só os acessórios eram diferentes, enquanto Tsumi usava um conjunto de diamantes, Yui estava com um colar de pérolas e brincos que combinavam. Ela não pareceu notar a presença do Morango, na realidade, provavelmente nem lembrava mais dele.
– Fiquei tão feliz que você me convidou para essa festa! – exclamou Yui, sorrindo graciosamente para Szayel.
Era um sonho para ela estar em um lugar com tantos magnatas. Estava esperançosa de que conseguiria fisgar alguém melhor aquele arrogante do Szayel, pois já imaginava que ele a dispensaria no fim da festa.
Szayel apenas sorriu de canto, não ligava para o que Yui falava. Aliás, acharia melhor se ela não falasse nada e que ficasse com a boca fechada.
– Vamos, querida, vou te apresentar para algumas pessoas... – Szayel disse com uma voz branda, tentando não deixar transparecer seu desprazer.
Para alívio de Ichigo, Yui realmente não o reconheceu. O que ele menos queria era confusão naquela festa de gente importante e que isso trouxesse encrenca para Rukia. Mas ele pensou que havia outras pessoas ali que caso vissem Yui poderiam fazer o maior escândalo. Apreensivo com isso, ele passou pelo casal e foi andando de volta até a mesa na qual os amigos estavam.
– Desculpe a demora — disse Ichigo e sentou-se ao lado de Rukia.
– Sem problema — disse ela.
Rukia não sabia como se desculpar com o Morango, mas pensaria naquilo depois da festa.
Aos poucos aquele grande salão começou a encher de convidados, alguns Byakuya jamais havia visto, mas a maioria ele conhecia. E vinha a parte que o jovem empresário mais detestava: ter de conversar com todos eles, manter as aparências. Então ele se levantou de sua cadeira e pediu para que Tsumi o acompanhasse.
Hisagi estava curioso, não era sempre que se era convidado para uma festa de negócios. Ele podia até ser amigo de longa data de Byakuya, mas nunca havia acontecido de ele o convidar para aquele tipo de evento, de empresários.
– Ainda não sei porque o Kuchiki me chamou — disse ele.
– Conhecendo ele, provavelmente ele só vai dizer quando chegar a hora.
Sayuri convivera pouco com Byakuya, mas sabia que ele tinha uma personalidade difícil, não precisava de muito tempo para descobrir aquilo.
– Por isso ainda não perguntei.
Hisagi sorriu e sem falar nada, depositou um beijo na bochecha de Sayuri. Estava muito feliz em tê-la ao seu lado. A garota corou, mesmo já estando acostumada àquilo, Hisagi sempre demonstrava carinho e afeto por ela, mesmo em lugares públicos.
– A Yui está na festa.
Ichigo aproveitou que o casal à sua frente parecia distraído para cochichar aquela informação com Rukia. Achava que devia contar. Talvez ela tivesse alguma ideia para manter Sayuri e Tsumi longe de Yui.
– O que? Como assim?
A surpresa foi tamanha que Rukia acabou exclamando alto demais, chamando atenção.
– Aconteceu alguma coisa? – Sayuri perguntou, vendo a expressão de surpresa de sua amiga.
Rukia sabia que não era uma boa ideia falar que Yui estava na festa, ainda que elas se encontrarem fosse uma questão de tempo, mas tinha que dar um jeito de ao menos tentar. Achou também que seria uma boa ideia contar para Hisagi que a loira estava na festa, assim ele poderia ajudar a distrair Sayuri. Rukia rezava para que Tsumi não a encontrasse no meio do salão.
– Não aconteceu nada. Escuta, Sayuri, você tá com o batom borrado, melhor ir ao banheiro.
Rukia inventou uma desculpa para tirar sua amiga da mesa, pelo menos para conseguir conversar melhor com Ichigo e Hisagi.
Sayuri encarou à amiga um pouco desconfiava, mas resolveu ir ao banheiro mesmo assim.
Antes que Sayuri entrasse no banheiro, sentiu alguém tocar seu ombro, fazendo-a virar para trás. A morena surpreendeu-se quando viu quem era: Grimmjow.
– É você mesmo? — disse ele. – Não imaginava encontrar você por aqui. E nem te reconheci. Tá gatinha, hein!
Grimmjow falava de maneira descontraída, era verdade que não tinha reconhecido Sayuri, ela maquiada e vestida daquela maneira elegante era uma novidade para ele.
– Grimmjow!
Sayuri piscou algumas vezes e encarou o amigo, de todos os lugares improváveis, aquela festa seria o último que ela pensaria em encontrá-lo. Tamanha foi sua surpresa que ela nem ligou para o elogio vindo do amigo.
Grimmjow estava com o mesmo penteado de sempre, porém, vestia um elegante smoking preto.
– O que você tá fazendo aqui? — ela perguntou.
– Recentemente virei um tipo de secretário de um cara chamado Sousuke Aizen. Não sei se você ouviu falar dele...
– Não, nem sei quem é.
Embora Sayuri e Grimmjow fossem amigos, ela não sabia muito sobre ele. Conversavam sempre de outras coisas que não a vida do badboy. Sabia que ele trabalhava em vários lugares, fazendo bicos, mas aquela informação era nova.
– Foi o que eu imaginei. Ele é um magnata, dono do de uma rede de hotéis. Mas me conta o que você tá fazendo aqui?
Grimmjow também estava curioso.
– Na verdade, só estou acompanhando o Hisagi. O chefe o intimou a vir – respondeu descontraída. – Mas a gente ainda não sabe o motivo.
– Por falar no trouxa... Cês tão namorando desde quando?
– Não fala assim dele!
Sayuri ficou um pouco brava pela forma como o amigo chamou seu namorado, mas voltou à feição descontraída logo em seguida.
– Já faz umas duas semanas.
– Não é porque vocês estão namorando que ele vai deixar de ser trouxa. Ele é burro também.
Grimmjow ainda lembrava que havia levado uns socos de Hisagi. Não que aquilo o incomodasse, estava costumado a entrar em brigas.
– Ele só estava sendo iludido pela Yui – e a morena voltou a defender o cozinheiro.
– Por isso mesmo ele é trouxa e burro! Você mesma encheu meu saco por causa dele.
– Ah, mas...
Sayuri não teve como rebater as palavras de Grimmjow. Hisagi fora manipulado por Yui facilmente e, pelo que ela soube de Rukia, a loira não fora a única a conseguir tal feito.
Grimmjow notou que Hisagi se aproximava deles. Mesmo de relance, notou que ele parecia incomodado com o fato de eles estarem conversando. Uma vez que Sayuri e ele eram amigos próximos aquilo poderia incomodar Hisagi. Pensou então que seria divertido tirar onda com a cara do moreno, seria até uma boa vingança pelos socos que levou à toa.
– Qualquer dia passa lá em casa. Faz tempo que você não vai lá. “Tô” até sentindo sua falta... – Grimmjow falou mais alto do que o normal, assim Hisagi iria escutar.
Sayuri estranhou aquele último comentário, jamais em toda sua vida ouviu Grimmjow dizer que sentia falta dela, era normal ele dizer algo como “Você não tem nada melhor pra fazer do que vir aqui encher o saco?”.
– Qualquer dia eu passo lá... – a garota acabou por responder um pouco confusa, mas queria mesmo conversar com o amigo. Apesar de estranho, era para ele que Sayuri contava seus problemas e ele sempre vinha com alguma solução, mesmo que fosse algo insano.
– Bom, eu vou indo. Tenho que encontrar meu chefe. E fala pro Hisagi tomar cuidado ou alguém rouba você dele nessa festa.
Grimmjow sorriu maliciosamente. Ele não tinha a menor intenção de fazer qualquer coisa com Sayuri, mas queria ver Hisagi se morder de ciúmes e sabia que não seria difícil conseguir isso. A festa ia ser longa e ele iria se aproveitar daquilo.
– Até daqui a pouco... – ele colocou a mão no ombro de Sayuri enquanto saía.
Poucos segundos depois, Hisagi chegou até sua namorada e, como Grimmjow suspeitava, ele estava com ciúmes.
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O casal Byakuya e Tsumi andava pelo salão, cumprimentando os convidados.
– Fazia tempo que não nos víamos, senhor Kuchiki – um homem alto e loiro o cumprimentava. – E quem é essa bela dama?
– Ikehara Tsumi, minha namorada — respondeu o jovem empresário, com seu semblante sério.
– Isso é ótimo. Achei que você fosse morrer solteiro! — o homem riu.
Yasuo era um homem com seus cinquenta e tantos anos, dono de uma rede de hipermercados, a famosa Nikim, que tinha mais de duzentas unidades em todo o Japão.
Tsumi acabou soltando um leve riso. Ela jamais imaginara que um dia estaria ao lado de Byakuya e saber que outras pessoas achavam que ele seria iria morrer solteiro a fez rir.
– Pelo visto, ela achava o mesmo – Yasuo sorriu, depois voltou a encarar Byakuya. – Eu estava mesmo querendo falar com você, então acho que nos encontramos em uma boa hora.
– E o que seria?
A expressão de Byakuya ainda era a mesma, séria. Ele não era o tipo que puxava conversa ou que esbanjava simpatia, mas mesmo assim as pessoas gostavam de fazer negócios com ele.
– Nós fizemos um bom negócio ano passado, gostaria que pudéssemos trabalhar juntos de novo. Só que dessa vez em algo mais duradouro.
– Imagino que o senhor queira ser o nosso principal fornecedor, correto?
– Como sempre, o senhor se mostra um rapaz astuto. Exatamente, essa é minha proposta. Atualmente, sou o que tem os melhores produtos com os melhores preços E o seu restaurante é o que mais vem crescendo dentro do ramo da Gastronomia, por isso estou te fazendo essa proposta.
– E de quanto seria o seu desconto? — Byakuya parecia interessado.
– Se fechar comigo agora, o desconto será de 40%.
O jovem empresário julgou aquela uma excelente oferta, mas ficou desconfiado. Se Nikim fosse tudo aquilo que ele dizia, Yasuo não teria motivos para dar um desconto tão grande por seus produtos. Foi então que ele lembrou que o nome da empresa fora citado há algumas semanas, em uma das reuniões que ele tivera com Rukia, e que não havia sido coisas boas.
– Como o senhor mesmo disse, seus produtos são excelentes, então por que está querendo vendê-los para mim com um desconto tão grande?
– Imaginei que fosse me perguntar isso... – Yasuo ainda sorria, ele já fizera dezenas de milhares de contratos. – Quero ampliar meu território e você é um empresário confiável. Sabe do que eu estou falando.
– Ainda assim é um desconto grande. O senhor quer ampliar seu território ou talvez o esteja perdendo?
Byakuya sabia que geralmente quando alguém fazia aquele tipo de oferta era porque os negócios não iam bem, então a opção era baratear o produto para não perder mercado.
– Pelo que sei apareceu um bom concorrente para o senhor.
– Concorrência não representa perigo para mim e também não tenho do que me esconder. Mas imagino o porquê de sua desconfiança, eu no seu lugar pensaria o mesmo. Então se te interessa minha proposta que tal agendarmos uma reunião? Na próxima quinta, o que acha?
– De acordo — disse Byakuya, encarando o empresário, analisando a expressão dele. Fechar negócio parecia uma boa escolha, ainda que ele não confiasse muito naquele homem. – Rukia entrará em contato com o senhor para agendar o horário.
– Ótimo, fico no aguardo. Agora se me derem licença... – Yasuo sorriu e saiu andando.
Ao longo de sua peregrinação comercial com os outros empresários, Byakuya ficou surpreso com Tsumi. Ela não esboçava a menor reação enquanto ele tratava de seus negócios. Ele achou que ela fosse ficar fazendo perguntas, mas não vinha nada, nem um comentário sequer. Pelo pouco que ele sabia de Tsumi, deduziu que ela apenas não queria se intrometer em assuntos que não eram de sua conta, afinal de contas eram os negócios dele e não os dela.
E ele estava certo. Tsumi não queria se intrometer, embora tivesse boas informações sobre alguns daqueles empresários. Talvez fosse bom compartilhar aquilo com Byakuya, mas aquele não era o momento adequado.
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Ichigo e Rukia também deixaram a mesa. Assim como seu irmão, era tarefa da morena conversar com os convidados, já que como gerente ela tinha autonomia para fechar negócios também.
Rukia exibia elegância ao andar e também ao conversar com as outras pessoas, enquanto Ichigo tomava cuidado com cada palavra que fosse falar ou em cada passo que fosse dar, não queria passar vergonha na frente de Rukia e muito menos fazê-la passar vergonha.
Repentinamente uma jovem os abordou.
– Nossa, Rukia, como você está linda!
A jovem em questão se chamava Yume. Ela era filha de um empresário importante e mantinha contanto frequente com Rukia.
– E esse gato, é seu namorado?
– Bem...
Rukia não soube o que responder. Não eram namorados, mas não era muito comum trazer amigos como acompanhantes para aquele tipo de festas. As pessoas estavam acostumadas a vê-la acompanhada de Byakuya, por isso ela estar com outra pessoa deve ter despertado a atenção de Yume.
– Ai, que pergunta idiota, né? É claro que é! E então... O que você faz? Seu pai é dono de que?
Yume ficou curiosa para saber quem Ichigo era.
– Meu pai é dono de uma clinica médica.
– Nossa, que legal!
O Morango disse a verdade. Isshin tinha uma clínica, mas era uma pequena, não tinha lugar para muitos pacientes e nem muitos equipamentos, era tudo bem simples. Yume, porém, imaginou um hospital imenso com vários médicos, como filha de um magnata era normal para ela pensar assim.
– Você achou um grande rapaz, Rukia! Eu também quero me casar com alguém assim!
– A clínica do meu pai não é...
Ichigo não conseguia se explicar, Yume acabava interrompendo e dizia coisas desconexas. Rukia achou melhor tirá-lo do embaraço.
– Yume, precisamos ir. Ainda temos outros convidados para cumprimentar. A gente se fala depois, tá bom?
Rukia conseguiu uma brecha para dispensar a garota.
– Eu te ligo pra gente sair, precisamos colocar a conversa em dia!
– Claro, claro... Até mais!
Dito isso, Rukia saiu andando rapidamente e puxou o Morango pela mão para que a acompanhasse.
– Sempre que eu estou em alguma festa, ela também está. – Rukia soltou um suspiro. – Ela fica inventando coisas na cabeça dela e não tem santo que a faça voltar para realidade.
– Percebi... — Ichigo achou mesmo Yume uma garota estranha, o nome combinava com ela.
– Mas não se preocupe. Você não disse nenhuma mentira.
Rukia sorriu. E ela não se importava que Ichigo não fosse um cara rico, até porque ela crescera em circunstâncias bem mais modestas que ele.
– Os senhores estão servidos? – uma garçonete se aproximou do casal e ofereceu vinho.
– Eu aceito. – Rukia pegou uma das várias taças na bandeja da garçonete. – Obrigada!
Ichigo tratou de imitar Rukia, mesmo que ele não tivesse o costume de consumir bebida alcoólica. Às vezes, ele até bebia cerveja ou vinho, mas era raro, em festas mais sofisticadas ele buscava tomar só água e nas festas que costumava ir se entupia de refrigerante.
– Tem certeza que a tal da Yume não vai sair por aí falando absurdos sobre mim? Eu não quero que isso prejudique sua imagem.
– Claro que não! Não se preocupe. Amanhã ela não vai nem se lembrar daquela conversa. Confie em mim.
Rukia já estava acostumado a lidar com Yume.
– Se você diz... então tá bom. – Ichigo deu um gole de seu vinho, praticamente esvaziando a taça. – Esse é doce...
– Meu irmão fala que se fosse para o vinho ser doce seria melhor tomar suco de uva — ela sorria enquanto falava. – Mas eu gosto mais dos doces do que daqueles amargos.
– Eu não sou muito entendido em vinhos, mas gostei desse.
– A maioria das pessoas não entende, mas se finge de especialista. Às vezes, eu tenho que bancar uma dessas pessoas para não fazer meu irmão passar vergonha.
Rukia não era exatamente o tipo de garota refinada. Ele fizera aulas de etiqueta e moda, mas só para não bancar a “pobre” na frente dos outros empresários. Já que o mundo dos negócios exigia boa aparência.
– Aquele cara, por exemplo — discretamente ela apontou para um homem alto e de cabelos castanhos –, ele não entende nada de vinhos, mas finge que entende. E ele também não entende muito de pedras preciosas, que é com o que ele trabalha.
Ichigo ouvia com atenção tudo que ela contava e jamais teria imaginado nem metade daquilo. Ficou admirado com a maturidade de Rukia. Ela tinha quase a mesma idade que ele, mas já contava com uma experiência notável naquele mundo dos negócios.
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Kisuke Urahara e Yoruichi Shihouim — os anfitriões daquela festa — andavam pelo salão distribuindo sorrisos e cumprimentando os convidados, quando avistaram Byakuya Kuchiki acompanhado de uma bela mulher.
Aproveitando que o empresário ainda não tinha notado sua presença, Yoruichi o cutucou no ombro e exclamou:
– Até que enfim o senhor ranzinza arranjou uma namorada!
Mas Byakuya não esboçou a menor reação. Ele já imaginava que quando encontrasse Yoruichi ela iria fazer alguma brincadeirinha sem graça.
– Como sempre você não tem senso de humor, senhor Kuchiki! – Kisuke comentou dentro de um sorriso zombeteiro. – Não vai nos apresentar sua namorada?
Byakuya tinha uma relação complicada com aquela dupla. Gostava deles por serem amigos verdadeiros, mas, ao mesmo tempo, não os suportava. Kisuke sempre contando piadas e Yoruichi abusando da liberdade que tinha por conhecê-lo há muitos anos para fazer brincadeiras com ele.
– Eu me chamo Tsumi Ikehara. Muito prazer... – sem esperar pelas palavras de Byakuya, ela se apresentou.
– Você é filha da Sachiko e do Makoto? – Kisuke perguntou curioso.
– Sou sim. – Tsumi estranhou a pergunta. – Vocês conhecem meus pais?
– Sim, nós os conhecemos em Lisboa, quando eu e Yoruichi viajávamos em nossa lua de mel. Não é mesmo, querida?
Yoruichi assentiu e comentou:
– Faz anos que não nos falamos. Eles estão bem?
– Eles hoje não estão mais juntos, mas estão bem, sim.
O quarteto ficou conversando um bom tempo, tanto sobre os pais de Tsumi como de outras coisas.
Mesmo sem demonstrar, Byakuya escutou a tudo com atenção, era bom saber mais sobre a vida de sua namorada. No começo, ele achou que aquela festa seria um tédio como todas as outras, mas até que estava sendo interessante.
– Ah, é! Você convidou o Shuuhei? – Yoruichi perguntou a Byakuya.
– Sim — ele respondeu seco.
– E onde ele está? — ela rebateu com um ar impaciente.
– Eu vou lá chamá-lo — adiantou-se Tsumi, como quem tivesse lido a mente de Byakuya. – Ele deve estar na mesa com a minha irmã.
Tsumi se encaminhava de volta à mesa, mas avistou Sayuri e Hisagi próximos à área dos banheiros. Parecia que os dois discutiam e, conforme ela se aproximou, sentiu que o clima entre eles não era dos mais agradáveis.
– Posso saber por que aquele cara passou a mão em você?
– O Grimmjow? Você está imaginando coisas. Ele só tocou no meu ombro!
Preocupada com aquilo e imaginando que Byakuya iria surtar se ela se demorasse, Tsumi resolveu interromper a aparente discussão antes que Hisagi protestasse.
– Ei, Shuuhei! O Byakuya está te chamando – anunciou ela.
Sayuri se surpreendeu com a repentina aparição da irmã, mas logo soltou um suspiro de alívio e disse:
– Eu vou ao banheiro.
Então ela adentrou o banheiro feminino sem olhar para trás.
Sem alternativa, Hisagi acompanhou Tsumi sem conseguir disfarçar seu aborrecimento. Depois que ele soubesse o que Byakuya queria, iria levar Sayuri embora daquela festa, antes que o badboy tentasse dar em cima dela.
Hisagi não tinha como saber que com tantos casais reunidos ali e sendo que a festa ainda estava longe de seu auge, o mais provável era que a permanência dele e de Sayuri no evento ainda se prolongaria bastante e até o final da noite ele ainda teria muitas surpresas.
Continua...
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