Restantes
1 A Teoria do Pássaro
Notas iniciais
Os cabelos negros dela balançavam loucamente de acordo com a direção que o vento perseguia. Seus olhos expressavam cansaço e esforço, porém também expressavam orgulho. Orgulho de si mesma, afinal ela era assim. O biquíni que usava me permitia observar os traços de seu tronco, que a propósito eram esbeltos e definidos. Suas costelas se destacavam no corpo e seus braços, longos e finos, se apoiavam no chão. Ela olhou para mim.
— O que é que tanto me observa?
— Nada. — respondi. — Estava apenas pensando.
— Pensando no quê? — ela se aproximou.
— Em você. — seus olhos sorriram, e nossos narizes se encostaram. Estávamos diante de múltiplas emoções e corações mutuados, onde os fracos não têm vez e ainda assim, os fortes precisam lutar para permanecer naquele lugar que os remexe, os machuca, os destrói, mas os conforta.
— Você acredita na teoria do pássaro? — ela me perguntou.
— Que teoria é essa?
— A teoria de que todos somos pássaros e fomos feitos para voar. — Ela começou a se afastar e voltar à sua posição inicial. — Às vezes com um bando que são como nós, às vezes sozinhos. Loucura, não?
— Acho que decidir se eles vão conosco ou não é uma escolha pessoal. — falei.
— E qual seria a sua? — rebateu.
— Por quê você se interessa? — perguntei, olhando no fundo de seus olhos.
— Gostaria de saber se sua resposta coincide com a minha. — ela disse.
— Acho que ainda iremos descobrir.- finalizei.
Ela assentiu com a cabeça e voltou a observar o mar.
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