Ressurrecto

3 O Visitante


Notas iniciais
Espero que gostem! ❤️

— Isso não é possível — falei, me recostando na cadeira —. Ele está morto. Eu vi Voldemort morrer!

— Todos vimos, Sr. Potter — A professora respondeu com um pequeno tremor à menção daquele nome, um ar inconfundível de cansaço em sua expressão —. Ainda assim, dois nascidos trouxas foram mortos nos últimos três dias por homens vestidos como Comensais da Morte, segundo testemunhas. Ao que parece, Hermione seria a terceira.

Senti meu coração afundar no peito. Se eu tivesse demorado mais alguns minutos, teria encontrado seu corpo estendido no chão, ao invés de trazê-la com vida

— Quem lhe enviou este bilhete? — perguntei.

— Ele foi encontrado ao lado de um dos corpos — ela respondeu, a voz inflexível.

— Como a notícia dessas mortes não está nos jornais? — perguntei, com a imagem de Hermione presa em minha mente.

— Mas está — a diretora respondeu sucintamente, apontando para um jornal aberto em um canto da mesa, que eu não havia notado anteriormente.

Uma bruxa de aparência confiante me encarava, sorridente, acima de uma coluna que discorria sobre o sucesso da nova peça de teatro (Adoráveis Bruxinhas, roteiro pela aparentemente aclamada Louisa May) que estreara há poucos dias. Ao lado, ocupando apenas uma pequena parte da folha, a notícia sobre a morte de uma jovem bruxa por estrunchamento alertava contra o perigo de aparatar sem muita habilidade para tal. O jornal do dia anterior, que estava embaixo do primeiro, noticiava a morte de um bruxo de meia idade que havia caído da vassoura.

Levantei os olhos para seu rosto, as sobrancelhas levantadas em uma pergunta silenciosa. A professora se inclinava sobre a mesa, em minha direção.

— O Ministério pediu aos jornais para omitirem o que as testemunhas oculares disseram e publicar explicações mais plausíveis para os acontecimentos — ela disse —. Não foi preciso muita insistência. Ninguém quer acreditar que ele voltou.

— Então a senhora acredita? — perguntei rapidamente.

A professora McGonagall apenas balançou a cabeça, negando.

— Então o que pode estar acontecendo? — continuei.

— Eu tenho uma hipótese, Harry, mas vamos aguardar que a Srta. Granger acorde e os outros se reúnam a nós — explicou —. Shackebolt trará os Weasley amanhã.

Então Rony também viria. Não tinha certeza de que Hermione ficaria feliz com essa notícia.

— Mais uma coisa antes que possa ir — ela acrescentou —. Papoula não pôde deixar de notar o fato de que você falou sobre o efeito da maldição lançada contra a Srta. Granger, mas não mencionou a fórmula usada. Pode me contar qual foi?

Sectumsempra — respondi, percebendo que ela desconfiava de algo. Ela certamente sabia que foi o criador do feitiço.

A diretora assentiu, parecendo distante, mas nada disse.

— O senhor está dispensado, Sr. Potter. Tenha uma boa noite.

Também lhe desejei uma boa noite e me retirei, mas ao invés de trilhar o caminho de volta ao meu quarto, fui à enfermaria.

Hermione parecia um pouco menos pálida que antes, provavelmente por efeito da Poção Para Repor Sangue que Madame Pomfrey estava lhe administrando periodicamente. Já não havia mais qualquer resquício de sangue e também estava em roupas novas: vestia agora um pijama amarelo claro de botões, limpo e confortável.

Sentei-me em uma cadeira acolchoada ao lado de sua cama, lembrando-me da última vez em que a vi ali, naquele mesmo local, sob condições semelhantes: no segundo ano ela havia sido petrificada pelo basilisco e ficara internada por vários dias.

Segurei sua mão, como fiz naquela noite, quando acabei encontrando a pista que nos permitiu descobrir o monstro. Sua pele estava fria, mesmo com o ar de verão ainda circulando pelo ambiente. Uma pontada de tristeza me invadiu, repentinamente.

— Queria que você estivesse acordada — falei, pressionando levemente seus dedos entre os meus.

Olhando seu rosto, atento à qualquer mudança, assisti a lua trilhar seu caminho no céu, emitindo um brilho prateado que se espreitava pelas frestas da janela e repousava na pele de Hermione.

*

Abri os olhos para uma luz ofuscante que invadia o local. Olhei ao redor, avaliando-o, e me deparei com um lugar mais que muito conhecido: a Ala Hospitalar de Hogwarts. A julgar pela cantoria dos pássaros empoleirados na janela, ainda era manhã.

Harry estava ali ao lado, sentado em uma cadeira que não parecia muito confortável, apesar de acolchoada, a cabeça meio torta apoiada em uma mão enquanto a outra segurava frouxamente a minha sobre a cama.

Uma enxurrada de dolorosas memórias inundou meu cérebro. Soltei a mão de Harry, que se mexeu na cadeira, mudando de posição. Joguei o cobertor para o lado para verificar minha barriga, temerosa, sob a blusa do pijama — minhas roupas haviam sido trocadas.

Uma cicatriz rosada e irregular marcava a pele quase que de um lado a outro. Toquei-a, receosa, lembrando do que ocorrera na véspera, o alívio inundando meu peito. De súbito, senti o calor da pele de Harry irradiar por meu corpo assim que seus dedos acompanharam os meus trilhando a marca grosseira. Em contraste, senti um frio se espalhar por meu estômago.

— Finalmente, Bela Adormecida — brinquei, feliz por compartilhar uma piada que ele entenderia. Todas as vezes que mencionava algo do mundo trouxa entre os nossos amigos, eles apenas me encaravam, sem compreender.

Harry sorriu costumeiramente, os cantos de seus lábios se erguendo levemente. Sem que eu esperasse, ele me abraçou.

— Que bom que você está bem — ele disse, a voz embargada —. Você perdeu tanto sangue e não queria acordar… eu tive medo.

— Eu estou bem, agora — garanti, devolvendo o abraço, pousando o queixo em seu ombro. Me sentia segura e reconfortada.

— Ah, que bom que acordou, Srta. Granger! — Madame Pomfrey disse, entrando no local e nos obrigando a desfazer o abraço —. Potter passou a noite inteira ao seu lado, querida, por mais que eu garantisse que estava tudo bem. Esse garoto salvou sua vida. Se ele não tivesse fechado o corte antes de te trazer, você não estaria aqui para contar a história.

Harry olhou para baixo, parecendo constrangido. Nunca foi fácil para ele receber elogios por um ato heróico.

— Tenho certeza disso, Madame Pomfrey — respondi sinceramente, olhando para ele —. Harry tem esse hábito.

Ele sorriu, ainda envergonhado, negando com a cabeça.

— Bem, você deve estar faminta! — ela exclamou, colocando a bandeja sobre a mesa de cabeceira, onde magicamente surgiu um glorioso café da manhã: suco de abóbora, ovos, bacon, presunto, queijo, pãezinhos de minuto, croissant, além de uma pilha de tortinhas a um canto.

Meu estômago roncou audivelmente, desperto pelo cheiro maravilhoso que emana dali.

— Sr. Potter, o café da manhã já está sendo servido para os professores e alguns convidados no Salão Principal, a diretora pediu que fique à vontade para se juntar a eles — disse a enfermeira —. Creio que a Srta. Granger está bem o bastante para ficar sem acompanhante por alguns instantes. Além do mais, ela precisa de um momento para se lavar e trocar — completou, me lançando um olhar sugestivo.

— É claro — ele respondeu, se colocando de pé —. Até mais, Mione.

Me despedi com um sorriso, que ele prontamente retribuiu. Instantes depois que Harry saiu, no entanto, me deparei com algo que me fez lamentar amargamente sua ausência: uma figura surgiu na porta da entrada, com um buquê de flores um tanto murchas, um sorriso meio torto no rosto e uma mão no bolso.

— Oi, Mione.

Rony Weasley havia decidido me visitar.

Notas finais
O capítulo 4 está em andamento e sai na próxima segunda. ❤️ O que será que a Hermione vai achar dessa visita? Me contem nos comentários!