Ressurgimento
1 Recomeço
É fácil aceitar o que desde criança te ensinaram que é errado. Difícil é, quando adulto, entender que te ensinaram errado o que desde pequeno você suspeitou que fosse correto.
O mar de almas gelado, frio e comprometido é imenso. Rodeados de pecados, tão manuseáveis quanto doses de induções, infusões, transições e transmutações. O homem tem uma mente de "ventilador"; girando para lados opostos, sem saber aonde vai... vou?! Hipócritas apontam-me o dedo e julgam-me, mas mal veem essa terra que os engole, que os suga. Dizem ainda, que, se afundarmos Nela, vamos para as Trevas. Poucos são os que sabem que o Inferno é um caos de mutualidade. Na Terra nós vemos isso, calamidade! Aos vultos do tempo, joguei-me. Sou meu próprio paradigma; culto ao culto de paralisia, monotonia, indescritível sensação de estagnação. Pacata vida, insaciável fome de derrota. Sem baixaria, continuo totalmente inexistente. Minha especialidade, sem sementes. Sou minha própria árvore. Somos catástrofe na pele do cordeiro. Lobos em movimento? Isso é coisa do passado, afinal somos tudo e todos. No atual mundo imaginário, cabeça dos outros, somos pesadelos: ofensivos e pesados. Em cada palavra escrita por nós, meu ser habita, e o teu também. Dessa forma, torno-me eterno e tu te tornas além! O que escrevo vira tudo, e o que escreves torna-se compasso em nosso próprio mundo. Horas, dias, meses e anos, tudo passa perante o tempo. Entretanto, nada possui mais tempo que o próprio, em uma ampulheta controladora de estereótipos. Ele define tudo, até mesmo quando tudo isso irá acabar. Seria o tempo o incrível e poderoso Deus? Bobagem. Deus é tudo, e já que eu escrevo sobre tudo, eu sou Deus. Lembre-se de que todos nós fazemos poesia. Somos aquele a quem os poderosos temem em quantidade. Armas, somos quase armas nucleares. Atômicos. O português não importa, pois ainda somos arsenais de linguagem. Veja só, que loucura! Nós fazemos uma cabeça e, de uma em uma, fazemos milhares. De milhares em milhares, formamos uma sociedade. Nascido no céu, criado no inferno. Entre o errado e frente ao certo, prefiro ter os dois ao meu lado. Não ser Judas e também não ser sem teto. Eu sou sombra e também sou luz, só mais um guerreiro, vivido no deserto. De caos e de mistérios, sou o soldado criado na sombra do inferno. Ignorado por demônios, conversei com anjos, conciliei acordos e aconselhei guerras. Afogado no ódio de águas sagradas, visto como o cão de mordaça e amarra, me vi pensar que nossa Terra não era um bom lugar. E cá estou, enterrado na Própria, vivendo como o ser que cava sua própria corja, cova. O mundo é um bom lugar para se recomeçar.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
Fale com o autor