Ressentimento
9 Capítulo 9 - Pensando no Futuro
Uma silhueta feminina estava parada na frente de Kyle.
— Quem... Quem é você? – perguntou o garoto confuso.
— Não sei, você ainda não me conhece. Mas tenho certeza que te farei feliz. Por um tempo.
— Como assim?
Em seguida ela sumia e gemidos de prazer – que incomodavam verdadeiramente o rapaz – envolviam a atmosfera daquela estranha sala.
No quarto
Kyle abriu os olhos, estava ofegante e parecia assustado.
— Ah! – disse Kyle acordando. – Esse sonho de novo...
Sentou-se na cama e enxugou o suor que escorria pela testa. Estava com sede. Muita sede. Sem pestanejar, desceu e foi beber um pouco de água. Abriu a geladeira, mas logo foi interrompido por uma voz.
— Amigo – disse a sombra.
— Ah... – suspirou. – Sempre aparecendo desse jeito. Porque não aparece na minha frente?
— Assim é mais fácil. De outro jeito você poderia tomar um susto.
— Como se importasse... – respondeu mal-humorado.
— Bem, está pronto para o próximo passo?
— Não sei – disse Kyle, hesitante. – Você fica meses, até anos, sem aparecer. Estou começando a achar que sou esquizofrênico...
— Besteira – respondeu a sombra num tom agressivo. – Se eu fosse apenas uma alucinação como eu poderia fazer isso?
Ela levantou a mão e, em consequência, Kyle voou para cima. Algo apertava sua garganta com uma força descomunal. Mas não tardou para a sombra descer a mão, e com isso, o rapaz.
— Viu do que sou capaz?
— Vi... – engasgou-se Kyle. – E porque você não faz isso logo com ele?
— Porque eu não tenho uma ligação direta com ele, como com você.
Kyle manteve-se no chão. Muita coisa passava por sua cabeça. Não sabia mais o que fazer, estava perdendo a vontade de vingar-se.
— Pronto para o próximo passo?
— Pronto – respondeu Kyle mecanicamente.
— Bom. Vá para a floresta e colete a mesma erva que usou no aborto de sua mãe. Use-a na criança. Três raízes já são o bastante.
— Certo. Vou lá agora mesmo.
Na trilha da floresta
Kyle caminhava lentamente por uma trilha. Ela o levaria para a clareira onde Thor fora enterrado. Enquanto andava, ele pensava na vida. Já tinha quase 22 anos, não tinha namorada, escolaridade completa e futuro.
Não tinha mais o mesmo sentimento de vingança que antigamente. Não visitava mais o túmulo do cachorro. Não tinha mais vontade de fazer mal a ninguém. Tinha apenas uma vontade: ser alguém e sair desta vida.
Chegou à clareira e pegou as ervas. Iria matar esta criança, mas seria como um favor, não uma vingança.
Em casa, hora da morte do bebê
— NÃO! – gritava Mary. – DE NOVO NÃO!
Kyle se mantinha parado na cozinha, ouvindo sua mãe chorar e gritar. Jack estava no trabalho. Ele subiu lentamente as escadas e viu a cena de doer o coração.
Mary estava agarrada ao bebê de seis meses. A cama da criança estava toda ensanguentada, Susie tinha vomitado sangue. Não saberiam o motivo da morte, esta erva era praticamente invisível.
Foi na direção de Mary e abraçou-a. Pela primeira vez estava com pena dela. Não iria mais machucá-la. Iria ser alguém na vida.
Um ano depois
Kyle caminhava por um corredor escolar. Estava vestido com sua roupa de formatura. Era o dia mais feliz de sua vida.
Entrou na fila de alunos, todos falavam animadamente. Haviam pessoas de todas as idades, aliás, era um supletivo, um adiantamento.
KYLE RICH
Chamaram seu nome. Ele subiu naquela plataforma. Aplausos e mais aplausos. No meio da multidão alguém se destacava. Era sua mãe. Jack não estava presente, mas Kyle não se incomodou, assim era melhor. Pegou seu diploma e desceu do palco.
Uma hora depois
— Filhão. Que orgulho – dizia Mary, que já tinha o rosto enrugado e cansado. – Formado e trabalhando, logo poderá morar sozinho.
— Para com isso, mãe – reclamou Kyle, desviando-se de outro abraço dela. – Vamos para casa. Amanhã tenho que acordar cedo.
— Tudo bem.
E os dois saíram disfarçadamente da festa de formatura. Kyle trabalhava atualmente em uma loja de roupas, como vendedor. De alguma forma, ele pressentia que o dia seguinte seria mais importante que esse.
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