Resquícios
2 Cegos, surdos e mudos.
Às vezes eu sinto como se estivesse me afogando, como se o ar estivesse sendo tirado de meus pulmões e eu não possa respirar. Eu sinto que estou afogando em mim mesma, nas mentiras contadas no dia-a-dia, nos sorrisos dados durante a tarde, e nas lágrimas seguradas durante a noite.
Tem dias que sinto que estou presa por grossas correntes e estas me impedem de me levantar, impendem que eu tente ser feliz, mas eu sei a verdade. As correntes que me prendem são criadas por meu cérebro e pelas pessoas que vivem ao meu redor e não conseguem ver.
“Eu sou tão covarde!” Grito para mim mesma. Não consigo viver e tão pouco consigo morrer, é como viver no limbo, cercada de coisas irreais.
Nada pode me ajudar.
“Isso é apenas drama.”
Ninguém vê. Todos sãocegos, surdos e mudos.
E eu sou apenas o nada, apenas a carcaça de uma pessoa, os últimos resquícios de uma vida.
É como eu me sinto todos os dias.
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