Respostas Absurdas
2 Capítulo 2 - Orações Atendidas
Notas iniciais
Perdão a demora para postar esse capítulo, tentarei não atrasar tanto os próximos. Boa leitura!
Laís não acreditava que seu irmão havia morrido.
Não queria acreditar. Fez questão de ir reconhecer o cadáver, não que tivesse opção. O policial informou que ela era chamada ao necrotério.Já na viatura, conjecturava todas as maneiras possíveis da polícia ter se enganado em relação a Renato. Só faria sentido se fosse isso. Seu irmão era jovem, com toda uma vida pela frente. Não fazia sentido que estivesse morto. Era um obvio engano.Ela não percebeu quando que sua mão agarrou o terço pendurado no pescoço com uma força incomum para uma jovem tão magra. Os versos da bíblia, a tantos anos ensinados pela sua falecida mãe, adormecidos por toda a sua adolescência, até agora, renasciam involuntários em seu coração, e em seus lábios.Sem dar-se conta, recitava os manuscritos sagrados, em fervor oratório. Não faria sentido seu irmão estar morto.Chegando necrotério, duas coisas se confirmam.Suas orações não foram ouvidas.Seu irmão estava morto.Ver o estado que seu querido irmão se encontrava a fez perder o chão. Se tivesse tomado café da manhã, ele teria sido o expelido para fora de seu corpo. Toda a sua estabilidade emocional desmoronou, frágil como um castelo de areia na tempestade. O mundo se deformava diante de si. Perdendo o brilho, as cores, os sons. Agora, via tudo em escalas de cinza. Cinza e mudo.Cruel demais.Seu pescoço foi rasgado. Três cortes imprecisos desciam de forma violenta, partindo da garganta, se alargando no peito e na barriga, expondo seu estomago e seu pulmão. Seu intestino escorria corpo afora, apesar dos esforços da perícia para costurá-lo. Seu baço também estava exposto. Os cortes terminavam logo acima da virilha. O braço direito aparentava ter sido mastigado por alguma fera carnívora. A carne estava triturada, rompida, rasgada, ossos quebrados saltando para além da pele. Fendas em sua traqueia formavam um caminho de horror e carnificina até as axilas. Onde um dia esteve sua perna esquerda, agora havia apenas um toco deformado. Alguns dedos lhe faltavam no pé direito, que agora estava ligado a uma carne sem pele. O rosto apesar de inchado, com uma expressão de terror eterno gravada em seus últimos momentos estava reconhecível. Infelizmente. Era Renato. Era seu irmão. Foi levada para a delegacia logo depois do reconhecimento de cadáver.— Algum animal selvagem? — Perguntou ao delegado. Ela precisava de respostas. Qualquer coisa. Algo tinha de fazer sentido.O delegado pigarreou.— Um rasgo daqueles? — Disse analisando as fotos, com expressão de nojo — Não tem ursos no Rio, moça.Ela fica confusa aquela afirmação. — Para criar um rasgo daqueles? Só se fosse um urso — explicou. — E até onde eu saiba, não tem urso por aqui.— Uma pessoa fez aquilo? — Ela não podia acreditar nisso. Podia aceitar seres humanos terríveis, cruéis e sádicos, mas, em uma noite? Deixar o corpo do irmão daquele jeito? Não. Era humanamente impossível. Aquilo era obra de uma besta. O delegado, um senhor bigodudo na casa dos cinquenta anos, um policial caricato de novela, limpou o suor da testa.— Entenda — começou a explicar. — seu irmão, não é o primeiro milionário que encontramos destruído. É o primeiro que conseguimos encontrar ainda tão inteiro.A palavra "inteiro" fez Laís sentir uma forte vontade de esmurrar o homem. — Achamos alguns em estado semelhante ao Renato no ano retrasado, outro em Copacabana tempos atrás. Eu sei que é difícil para você ouvir isso, mas normalmente, gente muito jovem que fica rico muito fácil tende a se meter com as pessoas erradas. E as pessoas erradas não gostam quando se metem com elas. Transformam os ricaços em exemplos para que os pobretões e outros endinheirados não se metam a besta também. Por isso costumam ter as mortes mais cruéis. E sobre o seu irmão, olha, Renato Monteiro não era exatamente conhecido como o homem mais ponderado de Ipanema. O delegado podia até parecer insensível, mas o que ele dizia fazia sentido. Coisas assim já tinham ocorrido em Belo Horizonte, por que seria diferente no Rio de Janeiro? — Então existem precedentes — começou ela, ainda não estava satisfeita. — Já sabem por onde começar a investigar?O delegado tinha uma pasta em mãos.— Nós já isolamos o local da praia onde o corpo foi achado. Para a nossa sorte, o encontramos rápido. Um oficial com um cão de patrulha estava fazendo uma ronda de madrugada por causa de uma outra ocorrência e encontrou seu irmão na volta para casa. O maldito cachorro achou na verdade. Surtou como se tivesse sido picado na orelha e saiu correndo para a praia. Ainda bem que cães tem visão noturna e o policial fazendo a ronda tinha uma lanterna. Os postes de luz da rua estavam apagados quase todos. Tiramos fotos assim que chegamos, usamos os faróis do carro para iluminar. Infelizmente a areia da praia não é um negócio estável, com pouca luz então, não sei o quanto as fotos vão ser uteis.— Isso quer dizer que...? — Não temos rastro para seguir.
— Estou ouvindo direito? — Disse indignada. —Meu irmão foi tratado como um porco para o abate e vocês não tem rastro? Como aquela chacina não deixou rastros?— Eu acabei de explicar — respondeu ranzinzaO delegado retira as fotos da pasta. De fato, as imagens não eram muito precisas. A única luz focando no local do crime vinha dos faróis das viaturas. Viu pouca coisa. A areia, manchada de vermelho, pedaços do seu irmão na calçada, prédios ao fundo. A escuridão da noite impedia uma melhor visão deles, mas aquele cenário lhe era familiar de algum modo. Bem, os prédios de Ipanema eram todos muito iguais. Latas de cerveja perto da carcaça de Renato, indicando que ele havia feito o que ela pediu para não fazer. Haviam poucas pegadas na areia. Mas todas eram de policiais. Haviam também algumas menores, mais difíceis de identificar por foto. A única que se destacava era uma que tinha metade do tamanho de uma mão humana, mas ao comparar com as outras, era provavelmente só mais uma pegada do cão farejador que foi mencionado.— Sem testemunhas — continuou o delegado. — sem digitais, por incrível que pareça. Esse povo perigoso sabe muito bem o que faz. Aqui não temos aquele equipamento chique de CSI, o que dificulta muito a nossa vida. Não temos para onde ir.— Quer dizer que não vão fazer nada!? — Gritou a pergunta, quase rasgando a garganta de ódio.— Vamos fazer o que pudermos — afirmou o delegado tentando acalentá-la.Sem ter mais como argumentar, Laís foi acompanhada até a porta da delegacia, para ser levada de volta ao hotel. Vendo-a entrar no veículo que a levaria embora, o delegado adicionou sem que a moça pudesse ouvi-lo.— O que pode não ser o bastante. Retornou ao hotel, coberta de luto, angústia e tristeza. O percurso até o seu quarto foi uma marcha fúnebre. Composta pelos cânticos dos sussurros maldosos de funcionários e hospedes. As notícias voam, como estudante de jornalismo, ela conhecia como poucos as verdades contidas nessa frase. Agora, a morte de Renato era notícia de primeira página, amanhã, seria apenas fofoca, em uma semana, uma lembrança banal. Mais um morto no Rio de Janeiro.Só. O dono do hotel morreu, mas isso não afetara o trabalho do faxineiro, ou o descanso do hospede. Somente os sócios e gerentes se importariam, porque ausente ou não, Renato ainda era dono de tudo aquilo. Mas para ela, isso não importava. Ela só queria ir para o quarto e dormir. Se dormisse, talvez acordasse desse pesadelo. Não comeu, também não assistiu ao início dos jogos olímpicos. Apenas encarou o teto o dia inteiro, depois, a noite inteira.O que levaria alguém a fazer aquela atrocidade com seu irmão? Ela o amava, mas sabia que ele não era perfeito. Tomou muitas decisões polemicas, tinha problemas com álcool. Quando estava bêbado falava e fazia coisas dignas de um verdadeiro babaca. Era egocêntrico, megalomaníaco e pelo que leu em alguns blogs de fofoca na internet, não tinha o perfil de namorado fiel. O delegado disse que ele se meteu com quem não deve. E o pior era que ela realmente acreditava em algo desse tipo. Era do feitio de seu irmão fazer alguma coisa inconsequente desse tipo. Não seria a primeira vez. Mas com certeza era a última.Dessa vez não foi à polícia que interrompeu seu sono. Mas sim o toque do celular. Era um dos acionistas da empresa.— Senhorita Laís? — Disse ele quando ela o atendeu.Laís não prestou realmente atenção ao que ele dizia. Era um monte de eufemismos em relação ao seu irmão, e sobre o quanto ele e a empresa sentiam muito pelo ocorrido. Iria aguentar muito eufemismo por um bom tempo. Estava prestes a dispensar o engravatado e desligar o aparelho quando ouviu uma notícia que lhe abalou.— Seu irmão — falou. — Deixou tudo que era dele para você. Você é a dona do hotel agora.Ela não respondeu. Ficou segurando o celular ao lado do ouvido, mas não respondeu. Ele desligou, ou a ligação caiu, não importa. O aparelho escorregou da sua mão, caindo no colchão. No mesmo dia, Laís perdeu o irmão e ganhou um negócio milionário. Nada daquilo fazia sentido. Ela tinha perguntas sérias, e ganhava apenas respostas absurdas.Não podia culpar a empresa, ela sabia que tomariam todas as providencias para o funeral, fariam uma homenagem linda em respeito a Renato e teriam um período de luto. Mas os negócios não podiam parar. Então, por isso, no mesmo dia em que o patrão morreu, eles já procuravam a sucessora. Tentariam de todas as formas se aproximar dela, ganhar seu afeto, sua amizade. Os mais ousados tentariam seduzi-la. Mas isso tudo, apesar de parecer absurdo, fazia sentido. Então, algumas respostas absurdas faziam sentido no meio de toda aquela tristeza. Mas ela não queria pensar em nada disso. Queria dormir.Não conseguia mais pregar o olho, então ligou a TV no programa mais chato que conseguia pensar. Um documentário sobre o sistema solar. Deu certo, antes que o homem terminasse de dissertar sobre mercúrio, ela já estava prestes a adormecer. Mas antes de cair nos braços de Morfeu, Laís agarrou o terço que ainda lhe enfeitava o pescoço, e fez algo que a anos não fazia. Ela rezou. Pela alma do irmão, e rezou por justiça.Dormiu. Dormiu e sonhou com os eufemismos e respostas absurdas.Uma semana se passou desde a tragédia. A polícia ainda não havia liberado o cadáver. Queriam que os peritos retirassem todas as informações que podiam dele. Outro absurdo. Retirar respostas de um morto. Pelo visto, a vida era repleta de absurdos, e só agora ela conseguia enxergar além dos muros da conveniência e da ilusão da normalidade. Ou era isso que ela achava.Com a ausência de um corpo, não era possível realizar um velório real, mas assim como ela tinha previsto, os sócios da empresa organizaram uma rica homenagem ao seu irmão, no saguão do hotel. Um funeral improvisado. Hospedes, sócios, acionistas e advogados da firma foram convidados para prestar suas últimas homenagens a Renato. Um monte de falsos é claro, a maioria era indiferente ao chefe ausente ou se ressentia dele.Mesmo assim, o saguão foi deslumbrantemente redecorado para a ocasião. Com fotos em preto e branco de seu avô ainda moço, e algumas outras fotografias penduradas nas paredes, retratando vários momentos da vida de Renato. Laís estava em muitas dessas fotos. No centro, um altar com uma imensa fotografia de seu irmão. Usando um terno e um sorriso cheio de vida. Foi o dia em que recebeu a herança de seu avô. Haviam velas ao redor do altar, Laís pensou que estavam a um passo de se apagarem, mas quando Natalia se ajoelhou em frente a ele, as velas piscaram e voltaram a brilhar intensas. Natalia estava inconsolável.Não parou de chorar a tarde inteira. Já havia desmaiado duas vezes, e tentou agarrar uma das fotos. Laís não gostava de Natalia, mas se tinha alguém que entendia o que ela sentia, era ela.— Desculpe — lamentava em prantos a loira, derramando rios de lagrimas diante a imagem do namorado morto — Porque isso teve de acontecer... não era para ser assim!! Eu falhei com você, não falhei!?Nunca se entenderam, mas sabia que Renato era uma das únicas coisas realmente constantes na mente volúvel de Natalia. Por isso sentiu que devia lhe oferecer algum consolo.Se abaixou ao lado daquela que já foi sua cunhada, repousou a mão sobre seu ombro e olhou fundo em seus olhos. Não sabia o que dizer, na verdade não havia o que dizer. Havia apenas o abraço, a solidariedade. As duas ó amavam apesar de seus vários defeitos. Isso não era absurdo. Laís sentiu um forte calor no peito, talvez fosse aquele calor natural que Natalia parecia exalar, ou então era o calor de sentir-se compreendida. Não importava. Agora, só importava aquele momento.— Eu vou sentir tanta falta dele — disse a chorosa Natalia.— Eu sei — entendeu Laís. — Eu sei. Eu também vou.— Não era para isso ter acontecido — começou a antiga cunhada, parecia tentar se justificar. — Eu queria, eu tentei... — Natalia estava se culpando pelo que aconteceu ao namorado. Laís já leu sobre casos assim nos livros da faculdade, é muito comum pessoas se culparem por algo que não tinham como controlar.— Não havia nada o que ser feito — falou a mais jovem, involuntariamente, afagando o rosto no ombro da mulher. — Por nenhuma de nósNatalia não pareceu se convencer, mas naquele instante, deixou-se ser consolada. Percebeu que Laís sofria mais que qualquer um com a morte do seu irmão.
Afastaram-se da multidão, as duas. Conversaram sobre o cotidiano, uma tentativa falha de esquecer a dor, mesmo que por meros segundos.Subitamente, Natalia soluçou forte. Tomou um susto. Parecia ter visto um fantasma. Algo apavorante. Se levantou em um pulo.— Desculpe — disse tremula. — Eu... — abriu um falso sorriso fraco. — Preciso comer alguma coisa — disse olhando para a mesa de degustação. — Quer algo?Laís nega. Não estava com fome, pelo menos não agora.Antes de se afastar, Natalia olhou nos olhos de Laís, aqueles melancólicos olhos esmeralda, agora, mais enigmáticos que nunca.— Se precisar de algo — falou ela. — sabe aonde eu moro.Dito isso, rumou fugidia em direção a mesa de degustação.Segundos após Natalia partir, outra pessoa sentou ao seu lado. Uma amiga.— Dona Larissa — cumprimentou Laís ao ver a mulher.Larissa fez um gesto de negação ao ouvir aquilo.— Minha mãe era dona — repetiu as mesmas palavras ditas no saguão. — Me chame só de Larissa.— Desculpe, eu esqueci de novo — Laís tentava sorrir, mas seus lábios eram uma linha frágil, fina e pálida.— Não se desculpe — Consolou a grega. — Pelo menos hoje, Laís, você não deve nada a ninguémLaís bufou insatisfeita.— Queria me sentir assim — disse a jovem. — Mas agora que o meu irmão morreu — olhou ao redor, para todos os sócios e acionistas presentes. — todo mundo aqui no hotel, e, na empresa já estão me olhando diferente. Esperam algo de mim. Até semana passada, eu era apenas a irmã mais ausente do chefe ausente. Hoje, eles me chamam de senhorita Laís, ou senhorita Monteiro.— Sabe o que dizem na Inglaterra? — Perguntou Larissa.Laís sabia.— O rei está morto. — Disse a jovem. — Vida longa ao rei.— Nesse caso — complementou Larissa. — vida longa a rainha.— Eu nunca quis isso — admitiu Laís. — Fugi para Minas Gerais justamente para não ter que lidar com essa dor de cabeça. Mas pelo visto, o destino gosta de pregar peças cruéis. Tenho em minhas mãos, tudo que eu não queria. — Entendo o que você está sentindo — falou a grega acalentadora, com suas mãos repousadas nas de Laís. —— Eu já perdi algumas irmãs ao longo dos anos. Algumas foram assassinadas também.Laís sentiu o peito fisgar.— Eu sinto muito.—Não precisa — disse Larissa. — foi a muitos anos — havia um sorriso realmente gentil em seu rosto. — Se você realmente está irritada com tudo isso, você pode demitir todas essas pessoas agora sabia?— É. Eu sei — Laís olha para suas mãos. E sentiu um peso enorme sobre elas. — Eu agora tenho o poder de tirar o emprego de mais de 500 pessoas. Com tantos desempregados nos dias de hoje, o poder de dar e retirar empregos parece até coisa de cinema. É um fardo violento para se carregar.— Não fique pensando assim, ou vai acabar com cabelos brancos. — Larissa se levantou. — Eu vou atrás de Natalia. Ela também deve estar precisando de algum consolo. — antes de ir, ela pisca para Laís — Outra dica; se realmente não quer nada disso, pode vender a sua parte da empresa. Qualquer sócio do seu irmão ficaria mais do que feliz em te livrar desse fardo. Ou, se quiser causar um pouco do bom e velho caos, pode vender para alguém de fora.Então, assim como Natalia, ela se afastou. Ficou sentada por alguns minutos, mas a fome também bateu sua porta. Decidiu que comeria algo e depois iria embora desse réquiem de falsidade.O senhor Minear estava na mesa, devorando alguns petiscos. Ao seu lado, estava Knuser Kraniet. Em contraste com Minear, Knuser era enorme. Não importa aonde estivesse, o local sempre parecia pequeno com Knuser por perto. Sua cabeça quase tocava o teto. Além de alto, era gigante de forte. Seus braços tinham mais carne que Laís no corpo inteiro. Alguns rasgos eram visíveis no terno. Tinha uma selvagem juba dourada, com olhos azuis claros. Sempre com uma expressão impassível no rosto. Era um homem de temperamento frio. Tão frio, que Laís se arrepiava perto dele. Ele era um dos mais prestigiosos advogados da firma. Assim como Minear, era dinamarquês. Minear, com seus olhos de marinheiro, avistou a menina antes desta se aproximar.— Senhorita Laís — começou o pequeno ao se aproximar, também estava cheio de farpas na língua. — É lastimável o que aconteceu com Renato— Muito obrigado pelas suas condolências — disse Laís educada.Knuser ofereceu para apertar a mão da menina. Seu aperto era frio, e sua mão era do tamanho de sua cabeça.— Meus pêsames — disse o enorme homem com sua voz retumbante. — A notícia abalou a todos.—Eu sei, principalmente a mim, acreditem— Se tiver alguma coisa que possamos fazer por você, — começou Minear. — não hesite em nos procurar. Vamos ficar bastante tempo na cidade.— Eu agradeço imensamente pela oferta, mas vou ficar só até o corpo do meu irmão ser liberado, e as investigações sobre o assassinato forem concluídas. Quero voltar para Minas— Sim, eu entendo — falou o pequeno barbudo. — Mesmo em outra cidade, espero que a senhorita não se desligue totalmente de nós. Afinal, agora tudo isso é seu. É dona do hotel e acionista majoritária da empresa— Estarão melhor sem mim — começou Laís. — Eu não sou boa para administrar um negócio desse tamanho — Bem, para ser honesto — falou Knuser entre dentes. — Seu irmão também não era nenhum gênio em administração.Minear cutuca com força o companheiro em advertência.Laís não tinha o que adicionar, sabia que o irmão não era nenhum bastião de responsabilidade.— Eu sei, mas ele pelo menos tinha alguma vontade de ter ligação com tudo isso. Eu sou apenas uma aspirante a jornalista. Não tenho como limpar a bagunça dele.— Bem, não iremos julgar sua decisão. Mas gostaríamos que se lembrasse de seu avô. — Disse Minear. — Ele ergueu esse magnifico hotel com nada além de um empréstimo de um bêbado e um sonho. Era o tesouro dele. Tenho certeza que ele gostaria de ver esse tesouro nas mãos de alguém de sua família. Realmente não tem interesse em herdar o Castelo senhorita?Laís pensava que sua decisão de abandonar tudo e voltar para Minas era absoluta. Mas agora, não tinha tanta certeza. Realmente, seu avô amava aquele lugar. Teria ela coragem de abandonar seu sonho nas mãos de estranhos?— Desculpe, senhor Minear — disse ela sentindo uma poderosa dor de cabeça se aproximando. — Eu tenho que pensar sobre isso— Sim, compreendo — disse Minear. — Não queremos que se force a nada.Prestes a se afastar, uma lembrança atravessa seus pensamentos.—Aquele seu amigo? — Perguntou ela. — Angeliofóros. Ele não veio?Knuser grunhiu e Minear deu uma risada discreta.— Messenger é do tipo que some quando quer e volta quando dá na telha. Deve estar na praia perturbando as moças. Acho que não recebeu a notícia do falecimento do dono do hotel.— Ou simplesmente não se importa — adicionou Knuser. — o que é mais provável.Minear pisou em seu pé. O grandalhão sentiu.Satisfeita com a resposta, Laís se afasta em direção as escadas. Querendo apenas seu quarto e sua cama. Porém, um último encontro indesejado foi ao seu encalço. Antes que pudesse dizer adeus a toda aquela farsa, ouviu seu nome ser chamado por uma voz familiar. Se virou em direção ao chamado, dando de cara com o delegado. O homem reparou que havia sido ouvido e por isso se aproximou a passos largos para entregar a notícia de uma vez. Havia um pesar em seus olhos que Laís não demorou a perceber.— Senhorita Monteiro — disse com a voz arrastada.— Delegado — falou seca. — O senhor foi convidado?— Não — falou tentando disfarçar a rouquidão. — na verdade eu nem sabia que estava tendo uma cerimônia. Eu vim com notícias do caso de seu irmãoUm fiapo de esperança brilha no coração de Laís. Uma notícia boa enfim?— Pois então diga-me, por favor — implorou ela.Por segundos o homem parecia até envergonhado, mas não demorou para recobrar a compostura.— Infelizmente — começou em tom fúnebre. — as investigações se encontram, interrompidas por tempo indeterminadoAquele fiapo de esperança morreu antes de ter a chance de se tornar uma linha.— Como assim? — Laís ouviu, mas não acreditou — Eu acho que não ouvi direito.— Entenda que...— Por favor — ela o cortou, sem paciência para cortesias. — vá direto ao ponto. Estou tendo de entender muita coisa hojeEle resolveu que seria melhor não subestimar a jovem.— Primeiro, nós não temos rastros a seguir. Isso já foi dito. O assassino não deixou digitais ou rastros na areia. Nada que possamos usar para iniciar uma busca. Nem um cheiro sequer aqueles malditos cães farejadores conseguiram.— E segundo? — Perguntou inquisitiva — Você não falaria primeiro se não houvesse um segundo— E segundo — ele buscava palavras na memória. — É época de olimpíadas — admitiu — o comissário decidiu que não faria bem para a reputação da cidade, se a notícia de que o assassinato de um dos mais conhecidos jovens empresários da cena atual aconteceu em uma das áreas de maior circulação turística do estado. Poderia...— Afetar os ganhos em cima dos turistas — ela havia entendido o pensamento do comissário. — os gringos ficariam assustados com o ocorrido e iriam todos embora. Se os turistas forem embora, os comerciantes da área ficam sem o lucro periódico dos jogos olímpicos. Isso sem mencionar que seria uma mancha no currículo de vocês, um atestado de total incompetência da sua delegacia...Laís conhecia alguns empresários figurões de Ipanema, muitos de vista, outros, só ouviu falar. Já até pensava quem poderia ter subornado o comissário para que as investigações encontrassem um fim.— Eu ia dizer — recomeçou o delegado. — que uma notícia dessas espalharia pânico geral.— Nós dois sabemos o que você ia dizer — ralhou Laís, com verdadeira ojeriza. — As investigações vão retornar — Garantiu ele. — Após as olimpíadas. Quando o número de turistas na região diminuir— Tem noção de quanto tempo isso irá demorar? — Perguntou retórica. — A porcaria do comissário, por acaso, não sabe que até lá o assassino já pode ter escapado? Na verdade, enquanto eu converso com você, ele já pode estar pegando um ônibus para São Paulo! E você e seu patético departamento estão preocupados com a circulação de turistas!? Em uma cidade que não consegue nem dar conta da circulação de seus próprios habitantes!!? — A maioria dos convidados já havia parado os seus afazeres para prestar atenção em Laís gritando com o oficial. — Me perdoe, senhor delegado, se eu acredito que os senhores estão com as prioridades muito equivocadas!!Ele não respondeu.— Senhor, se não se importa, eu vou para a minha suíte, pois eu preciso dormir. — Disse ela cheia de raiva e indignação — Mas eu garanto, não é a última vez que o senhor vai ouvir falar de mim — um sorriso cínico se formou em sua face. — Espere uma ligação dos meus advogados. O senhor e o comissário.Tendo feito sua declaração, ela deu as costas ao homem e subiu as escadas. Sem paciência para esperar elevadores.Outra vez, não conseguia dormir. Leu mais de duzentas páginas no dicionário que ganhou no aeroporto, ligou no mesmo documentário chato de astronomia, novamente, já estava prestes a dormir antes do homem na televisão terminar de falar sobre mercúrio. Ela agarrou o terço da mãe, e uma vez mais, buscou consolo no divino. Embora a cada dia, se tornasse mais difícil encontrá-lo.No dia seguinte, de novo, recebeu visitas e ligações. Dispensou todas elas e chamou Knuser, o enorme advogado.— Vai mesmo processar a delegacia? — Perguntou com seu vozeirão.— Sim — Respondeu ela sem floreios.— Esse processo vai ser demorado — avisou ele. — demorado e caro— Não estou preocupada — Respondeu sem farpas na língua. — Sou jovem e sou rica. Tenho tempo e dinheiro.O homenzarrão suspira mortificado com essa afirmação.— Esse pensamento é muito perigoso, senhorita — disse enquanto abria a pasta com os papeis de processo. Ver alguém com físico de lutador de MMA usando óculos e terno era uma cena cômica.— Pensamento perigoso? — Laís não entendeu aquela afirmação. Ele confirmou organizando os documentos na mesa.— Era o mesmo pensamento do seu irmão. "Sou jovem e sou rico, o que pode me afetar? " Ainda mais no Brasil, onde o sistema legal ainda tem muito que evoluir se me permite dizer.Ela começava a entender o pensamento dele.— O jovem Renato era muito promissor no início de sua carreira. Tinha um certo potencial. Eu via no olhar do seu irmão o mesmo brilho que eu via no seu avô nos primeiros anos dele. Mas não tardou para aquele brilho esmorecer. Seu avô deixou tudo para ele, o Castelo já estava erguido. Não importava realmente se Renato comparecia as reuniões ou se participava da administração. No fim do mês teriam milhares de reais na conta dele de qualquer jeito. Era uma galinha dos ovos de ouro. Então veio o pensamento, "sou jovem e sou rico, não vou perder tempo trabalhando. Vou curtir a vida". Ele se apaixonou pela vida na gandaia de tal forma, que nós o víamos apenas nas reuniões anuais de início de semestre e na festa da firma. Muitos empresários jovens, não, digo mais, muitos reis jovens dos tempos de outrora encontraram sua ruína com pensamentos assim. Se apegando a farra, esquecendo do trabalho. Não quero ofendê-la, mas eu gostaria que a senhorita não fosse levada por esse raciocínio.
Havia uma certa melancolia no tom de Knuser. Laís reparou como sua voz soou mais pesada quando ele começou a discursar sobre reis antigos.— Desde que eu vim para o Brasil eu estou acompanhando a sua família. Advoguei para seu falecido avô, para seu irmão e agora para você. Ele terminou de organizar os papeis.— É só assinar aqui, e tudo será arranjado. — Obrigada Knuser — respondeu ela. — Me deu muito o que pensar— Não agradeça. O que faço, faço pela empresaO advogado saiu de seu quarto, a deixando sozinha com os papeis do processo.Ela ficou o resto do dia só. Não assinou nada, mas também não abriu mão dos documentos. Novamente antes de dormir, ela agarrou o terço, mas não lembrou de palavras para rezar.— Então você vai desistir de processar a delegacia? — Perguntou dona Larissa.Tentando se distrair, resolveu passar a tarde na piscina do hotel. Larissa aparentemente teve a mesma ideia. Para uma menina miúda como Laís, ficar de biquíni ao lado de uma mulher desenvolvida como Larissa chegava a ser constrangedor.As duas passaram a manhã inteira conversando sobre futilidades, até que em algum momento Larissa entrou nesse assunto.— Não sei — respondeu ela. — Por um lado, eles bem que merecem. Vão simplesmente deixar a morte do meu irmão de lado como se ele não fosse ninguém. Mas o que o Knuser disse faz sentido. Eu não posso processá-los só por vingança. Na verdade, posso. Mas isso ia mover todo o setor judiciário da empresa, tempo e recursos desperdiçados em uma revanche sem sentido. O que eu ganharia processando policiais? Dinheiro? Eu tinha mais dinheiro que aquela delegacia antes do meu irmão morrer, imagina agora! — Você tem direito se quer minha opinião. Em menos de dois anos, você estaria demolindo as casas de todos eles e construindo subsidiarias onde elas ficavam. — E eu só terminaria esse processo em dois anos, justamente porque eu tenho dinheiro. Se fosse um morador da comunidade processando a delegacia, não seria tão simples a ponto de encerrar em dois anos.— Sim, mas, o mundo é assim mesmo. — Disse a grega. — Você esmaga quem tem de esmagar, e tenta lucrar com isso. Pega o que quer para que ninguém pegue antes. Se não você é esquecido e some. — Isso é muito cruel se quer saber — disse Laís. — Muito mesmoUm rapaz apareceu trazendo algumas bebidas. Era um funcionário. Assim que entrou na área da piscina, começou a babar encima da grega. Mesmo Laís sendo a dona do local onde trabalhava, ele preferiu servir Larissa primeiro. De novo, isso a deixou constrangida. O domínio que ela parecia exercer sobre as pessoas, principalmente homens, ao redor dela. — Não ligue para isso — disse a mulher que aparentemente havia percebido os seus pensamentos. — homens são assim mesmo, caçam a maior bunda como cães no cio. Eu os prefiro assim na minha opinião. São mais fáceis de manipular. Muito melhor do que idiotas apaixonados se quer saber. Tão focados num único alvo se é que me entende, que esquecem toda a diversão ao redor — ela tomou um gole da bebida e acenou para o rapaz. — Mas voltando aquele assunto, o mundo dos negócios é realmente cruel — afirmou. — Na verdade, é uma grande guerra. Apenas trocamos espadas, arcos, revolveres e canhões por papel e caneta. Soldados por advogados, generais por acionistas e etc. — A cada dia que passa, eu relembro porque eu larguei tudo e fui para Minas.— Jornalismo, não é? Não acho que o mundo das notícias seria menos cruel. Na verdade, se você foi embora para fugir da crueldade do mundo, eu tenho péssimas novidades. — Eu sei. Mas pelo menos eu queria enfrentar toda essa crueldade de um jeito que eu entendo. Eu não queria isso — ergueu a mão em direção ao hotel. — meu avô queria isso. Meu irmão queria. Não eu.— Se você realmente não quer ser César, pode vender as chaves do reino— Essa ideia não me parece tão absurda — respondeu Laís cruzando os braços. — Mas para quem? Eu não posso entregar o patrimônio do meu avô para qualquer um.— Eu compraria — disse Larissa descontraída. — pelo triplo do que me oferecerLaís caiu da cadeira, estupefata.Larissa achou a cena cômica.— Está bem? — Perguntou a estrangeira risonha.— Só levei um baita susto com a sua piada — falou Laís voltando para o assento. — Ah menina... — falou a mulher com um sorriso complacente. — Eu não estava brincandoAntes de dormir, se agarrou ao terço. Ela pensava no que Larissa disse, e no que Knuser disse. Percebeu duas coisas. Primeira; não tinha raiva dos policiais, e sim do assassino. Segundo; realmente cogitava vender tudo para Larissa.— Tem alguém aí encima? — Perguntou olhando pela a janela, sem esperar resposta.Acordou cedo, o sol havia acabado de nascer, o brilho da manhã já invadia o quarto por entre as cortinas. Mesmo tão cedo, já ouvia o movimento do hotel. Nos corredores, com os funcionários se locomovendo de um lado para o outro, e nas suítes. Com os hospedes fazendo barulhos de comemoração e de vaia por causa das olimpíadas.Reparou que dormiu com o terço da mãe embrulhado em suas mãos. Não o largara a noite inteira.— Tem alguém me ouvindo? — Perguntou, vislumbrando a luz do sol recém-nascido. Desejava respostas, mas não espera por elas. — Isso é um castigo? — Perguntou sentando-se sobre a cama. — Meu irmão não era um homem perfeito, mas não merecia isso. Isso é para me punir? Me tirar meu último familiar, é punição por eu ter lhe negligenciado por tantos anos? — Não sabia mais o que fazer. Os homens não lhe dariam justiça, e não estava tão convicta de que o divino lhe daria algo. Ela se afundou em desespero, pois não tinha respostas. Não era tola, sabia que sua mãe não rezava esperando ser respondida, sabia que suas perguntas se perdiam no ar, sabia que a justiça havia falhado com ela. Ela desejava respostas, desejava justiça, desejava vingança.Novamente juntou suas mãos em oração. Um gesto automático, que passou a ser rotineiro por conta dos últimos acontecimentos. Quando reencontrou sua fé. Uma vez mais, ela rezou. Uma última vez. Seus lábios pediam justiça, mas não era isso que ela queria. Não.Seus lábios pediam justiça, mas o coração...O coração. O coração, que era tudo que realmente importava em uma oração, pedia vingança. Retribuição. Nêmesis.Queria retaliar o assassino, devolver na mesma moeda o crime que ele havia cometido.Sua boca parou de mentir, e, apenas uma vez, a palavra vingança foi dita em alto e bom tom em meio a sua prece. Palavras ditas em meio a uma frase de sentenças perigosas.Eu daria qualquer coisa por vingança.Este foi um pedido feito em oração.A porta bateu.Ela ouviu, mas pensou ter sido apenas impressão.A porta bateu de novo.Não era impressão. Era outro indivíduo que havia esquecido da existência de uma campainha.— Já vai!! — Gritou em resposta.As batidas se calam.Se trocou, fez as higienes matinais e atendeu quem lhe chamava. Esperava uma boa desculpa para essa inconveniência logo de manhã.Levou um susto, era a última pessoa que ela esperava ver.— Não acredito — lamentou com a mão no rosto. — Você não.Aqueles sapatos "Wings" e a pena no chapéu eram inconfundíveis.— Vim atender suas orações minha cara — disse ele com seus gestos espalhafatosos. — Mas que fique claro que eu só vou lhe ajudar porque eu gostei de você naquele dia no aeroporto. Essas ainda são minhas férias afinal de contas — o bolso do blazer começou a tremer. — Só um minutinho Ele puxa o celular, ri de alguma coisa, escreve meia dúzia de palavras, guarda o aparelho e volta sua atenção para a Laís.— Esse pessoal do trabalho — disse entrando sem ser convidado. — Nossa, seu quarto é lindo — Disse perplexo com a riqueza da suíte da menina. — Em outros tempos, rainha ou não, você me daria o melhor quarto. Ou melhor, a melhor torre do castelo. Sempre quis um castelo luxuoso desses com o meu nome. Qualquer um deles, tenho muitos. É só escolher e batizar — Ele percebeu que estava distraído e voltou suas atenções para Laís. — Onde eu estava? Pois bem, porque eu gostei de você, e, porque você ofereceu qualquer coisa. Lembrando que qualquer coisa pode ser muita coisa.Laís não entendia absolutamente nada. Angeliofóros falava e falava, mas não dizia nada. Nada que fizesse sentido pelo menos.— Você me ouviu rezando? — Perguntou indignada, foi a única coisa que conseguiu entender dessa conversa maluca. — Isso é extremamente rude, sabia?Ele não pareceu levar a acusação a sério.— Não mais rude que rezar a Cristo por vingança, eu garanto. Ele não é muito dessa vibe — Disse parando em frente à janela. — Ele curte mais aquele lance de perdoar os irmãos e dar a outra face.— Eu vou chamar o segurança — disse direta.Angeliofóros achou graça.— Deuses, como diriam os franceses mesmo? Dejavu? É a mesma coisa que me disse no aeroporto, mas espera, você vai...Ela já estava com o dedo no botão do interfone.— Espere, espere, pelo menos me ouça!! — Pediu exasperado.Laís não terminou de apertar a sequência de números. Lembrou que apesar de louco, aquele homem era amigo do senhor Minear. — Você tem dois minutos.— Você é bem difícil viu, lembra uma irmã minha. — O tempo está passando. — Tudo bem. Eu estava lá com nossos amigos dinamarqueses em comum, jogando cartas e vencendo honestamente.Ela duvidava. Duvidava forte.— E quando eu estava prestes a jogar a minha melhor mão na mesa, eu escuto orações desesperadas de uma jovem endinheirada.Algo nessa história não faz sentido.— Se você estava com o senhor Minear e o senhor Knuser, como ouviu minhas orações?— Trapaceando.— Como?Ele bufou.— Sério, você não quer saber. Bem, eu imagino que você vá perceber cedo ou tarde. O que importa, é que eu ouvi e....— E como você veio parar na minha porta, tão rápido? O quarto do senhor Minear é no fim do corredor.— O que importa, é, eu ouvi e decidi te ajudar.Ela volta a apertar os botões do interfone.— Com licença — falou ao aparelho. — Os seguranças estão ocupados no momento? Um esquisito entrou no meu quarto e está falando palavras sem sentido. Acho que ele é louco — Espere senhorita!! — Gritou ele. — Eu estou — o celular no bolso volta a tremer. Ele pega e repete o mesmo procedimento da outra vez. — Dessa vez foi família e não trabalho. — Explicou ele. — Como eu estava dizendo, eu vou lhe dar o que pede. Não será de graça é claro, mas o pagamento, eu imagino que a senhorita não vá ter problema em me fornecer. — E você sabe o que quero?— Mas é claro, está escrito no seu rosto. Deseja vingança. Vingança contra o assassino do seu irmão não é mesmo?Aquilo era verdade. A verdade em seu coração, que ousou dizer apenas uma vez em voz alta em meio a sua prece.— Você é o que por acaso? —Falou guardando o interfone. — Um investigador? Ou um aproveitador?— Que coincidência, o Renato também pensou que eu era um aproveitador quando nos conhecemos. — Conhecia meu irmão?— Provavelmente — respondeu. — Sobre a pergunta anterior, eu já trabalhei com; turismo, etiqueta, magica, comunicação, ginastica, diplomacia e até com correio. E sim, eu trabalhei com investigação. No meu país eu sou uma tremenda celebridade, você só não me reconheceu ainda — agora que ela ouviu o bastante para prestar atenção, seu sotaque era igual ao de Larissa. Só que o dele era infinitamente mais pesado. — Eu creio que não tem ninguém melhor que eu para resolver o caso. E digo mais, vou resolver em um dia. Ainda hoje vai ter sua vendeta.Laís não ousava mentir para si mesma. Estava tentada a embarcar naquela loucura. O que tinha a perder? Apesar daquele homem ser claramente insano, duvidava que fosse perigoso. Afinal de contas, ele era amigo de Knuser e Minear. No máximo perderia tempo em uma busca inútil. Serviria para uma distração. — Tudo bem — aceitou ela. — mas com uma condição. Eu irei acompanhar tudo de perto.Ele revirou os olhos ocultos pelos óculos escuros.— Tudo bem, desnecessário, mas eu aceito.— O que você quer? Preciso saber disso pelo menos. Você falou que não seria de graça. É dinheiro que você quer?Ele nega com a cabeça.— Você vai perceber o que quero. Pode ter certeza disso. Agora, para começarmos, que tal irmos visitar seu irmão?
Notas finais
Se gostou por favor continue acompanhando o crescimento deste universo, comente e recomende para que possa chegar a ainda mais pessoas! Muito obrigado por ler até aqui.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor