Respiro Me
18 Respirare
Notas iniciais
E como eu ando bipolar, estou quase chorando por estar finalizando o meu bebê. É, meu povo, esse é oficialmente o ÚLTIMO capítulo de Respiro Me *chora*
O epílogo, eu posto no DOMINGO que vem ;)
E se você estiver lendo e o final não for o que você queria, POR FAVOR, apenas peço que leia o capítulo todo. Tenho certeza que, de uma maneira ou outra, vocês irão gostar (:
Deixem carregar:
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Enjoy it.
No capítulo anterior...
– Isso não é certo, Bella. – sussurrei, observando o reflexo dos edifícios no Grande Canal à luz do luar.
– O que não é certo? – perguntou no mesmo tom, caminhando para a minha frente, sem soltar minhas mãos, e me encarando, embora eu pudesse ler em seus olhos a leve percepção do assunto.
– Isso não é certo. – referi a nós, àquele lugar, àquela situação, torcendo por uma resposta sua à minha dúvida. – Precisamos voltar e resolver isso.
Capítulo 18 – Respirare
POV Bella
É difícil quando você cai em si e percebe que tudo o que fez foi um engano. Talvez esse engano seja o maior desastre de sua vida, talvez ele seja a sina para um destino sem felicidade, talvez seja a ponta do iceberg para te levar a um precipício.
Mas talvez ele seja o engano vindo para um bem maior. Sim. Aquele engano que o faz remoer todas as suas atitudes para, no futuro, ver que foi a decisão correta. A decisão da maturidade, do renascimento. Ou segundo uma definição propícia, da revivência – caráter ou qualidade de revivente, aquele que revive.
Eu havia feito minha escolha, Edward também. E após passarmos a madrugada no trem de volta para casa, acreditávamos que aquela seria a decisão correta. Não a mais correta para todos, não a mais correta agora. Mas a mais correta para nós dois.
Nós iríamos fugir. Fugir das obrigações, fugir dos julgamentos, fugir do presente que nos aprisionava. E antes iríamos acertar nossas últimas responsabilidades.
O trem havia chegado a Milão há alguns minutos, e Edward e eu não havíamos trocado uma palavra sequer desde a nossa decisão ainda em Veneza. Os prós e os contras pairavam sobre nossas cabeças, e eu poderia afirmar com a mais absoluta das certezas que ele estava tão submerso quanto eu. Era como se minha mente não pertencesse mais a mim mesma, fluindo entre pensamentos com Damon e meus filhos a todo instante.
Os dedos de Edward entrelaçados aos meus me dava uma segurança que eu jamais poderia contestar. O calor de sua pele fria contra a minha era o paradoxo perfeito para complementar aquela escolha. Nunca fomos um casal convencional, e os obstáculos que permeavam nossas vidas eram as provas de tudo isso.
O sol nascia tímido através do horizonte, enquanto saíamos da estação de trem rumo a uma rua vasta e tranquila da costa. O mar à direita de toda a rua litorânea era a paisagem perfeita para uma calmaria que parecia não existir em minha alma, o céu em contrastes de cores, ainda parcialmente escuro e respingado com algumas estrelas.
Ao lado esquerdo, exatamente de frente ao mar, havia uma imensa plantação de girassóis, movendo-se lentamente para o nascer do dia. Seria impossível dizer onde a flora terminava – e mesmo que fosse possível, eu me negaria diante de tanta perfeição.
A brisa tocou meus cabelos, trazendo o aroma da água salgada e da vida ali contida, e Edward abaixou os olhos em minha direção, oferecendo-me um de seus belos e acolhedores sorrisos tortos. O ocre em suas íris me aquecia. Seus dedos desvencilharam-se dos meus, e ele colocou meu rosto entre suas mãos.
– Você tem certeza, Bella? – Sua voz não passava de um doce murmúrio, fazendo-me aproximar meu corpo do seu e deslizar meus braços em volta de seu pescoço.
– Eu não estaria aqui se tivesse alguma dúvida. – Sorri, sendo retribuída com sua risada leve e contagiante.
Meus lábios tocaram sua bochecha em um beijo estalado antes que sua boca capturasse a minha deliciosamente, fazendo-me suspirar. O contato de sua pele nunca seria suficiente, era como se cada poro implorasse por mais, deixando-me ansiosa, fervorosa, a ponto de embolar meus dedos em seus cabelos em infinitos nós.
E, cada vez mais, eu estava certa da minha escolha.
– Então é isso? – Perguntei, mordendo os lábios enquanto me desvencilhava de seu abraço e pegava sua mão.
– É isso. – ele assentiu, beijando minha testa e, em seguida, minha mão.
E seu olhar me desarmou. Havia um pouco de hesitação ali – talvez a mesma quantidade de hesitação que havia em meu olhar, mas não poderíamos oscilar mais. Era hora de jogar os dados e esperar pela sorte. Eu iria para casa enfrentar Damon e Edward falaria com Charlize. Em duas horas, reencontraríamo-nos nesse mesmo lugar.
Então, eu me afastei. E antes que o sorriso perfeito de Edward pudesse me distrair, transformei-me na fênix e voei em direção a minha casa.
O fogo correndo em minhas penas me proporcionava uma sensação de plenitude – uma calmaria temporária capaz de amenizar o temor que me consumia. Eu estaria mentindo se dissesse que não sentia medo do que estava por vir.
Eu estaria mentindo se dissesse que parte de mim não queria fazer aquilo.
Mas eu seria feliz sem Damon? Com minhas crianças eu poderia me resolver, aliás, pais e mães se divorciam todos os dias e ainda continuam a criar seus filhos da melhor forma possível. Mas e quanto a mim? Damon foi o homem que me apresentou o amor de verdade, aquele amor sincero que nasce de repente no meio de uma amizade. Eu seria capaz de viver sem o calor de sua pele, seus hipnotizantes olhos azuis e aquele sorriso que me fazia delirar?
O fato de eu não ter uma resposta imediata foi o primeiro passo da minha hesitação.
Ao aterrissar com maestria no gramado do jardim, permitindo a mim mesma fitar a bela casa que eu dividia com aquelas pessoas que tanto amava – e que apesar de estarmos ali há pouco tempo, já havia me fornecido tantas memórias a se guardar.
Eu poderia ouvir o suave ressonar de Matthew e Alyssa no segundo andar, e poderia ouvir Damon cochilando tranquilamente em nosso quarto. E a julgar pela respiração abafada, com certeza estaria debruçado entre os travesseiros em seu hábito adquirido desde sempre. Em manhãs preguiçosas como aquela, ele me puxava com um de seus braços até me arrastar para debaixo dele. Eu quase podia sentir seu cheiro quente e acolhedor.
E com aquele pensamento foi impossível não me recordar de uma manhã parecida, mas de tantos anos atrás. A primeira manhã da minha nova vida.
Um grande par de olhos azuis foi a primeira coisa que consegui enxergar por entre minha vista, ganhando foco conforme minha mente se ajustava ao momento. Minhas pálpebras se moveram em uma velocidade inumana, piscando centenas de vezes em um único segundo, tentando ajustar-se à claridade que se infiltrava através de longas cortinas pretas.
E eu senti uma presença ao meu lado, e só então percebi que estava deitada em uma cama. Olhei para cima outra vez e vi a face preocupada de Damon.
Minha cabeça estava um turbilhão, tentei pensar em minha última lembrança e a única imagem que eu conseguia me recordar era de eu estar em um táxi, a caminho da faculdade onde encontraria Elena, e de ele capotar diante de um barranco.
Arfei em susto, e os braços de Damon me rodearam.
– Finalmente! – ele sussurrou, apertando-me contra o seu peito, enquanto eu o puxava contra mim, escondendo o rosto em sua jaqueta.
Minha respiração saía em arquejos e meu cérebro parecia querer explodir. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo naquele instante. Eu conseguia sentir meus neurônios realizando cada sinapse, o sangue correndo por minhas artérias, e eu poderia calcular cada batida do meu coração e sincronizá-la com as badaladas do relógio ao final da rua.
E mesmo não sabendo o que se passava comigo, mesmo não podendo dizer o que diabos estava acontecendo, eu me sentia segura. Pela primeira vez desde muito tempo, eu me sentia protegida, eu me sentia amada, realizada e com cada ferimento finalmente suturado.
– Damon... – Minha voz saiu em um sussurro, estremecido, assustado. E ele apenas me apertou mais em seus braços.
– Shh... – ele murmurou calmamente, deslizando seus dedos por entre os meus cabelos – Você está bem agora, tudo vai ficar bem.
E eu acreditava naquelas palavras. Eu sabia que realmente iria ficar bem. Porque pela primeira vez, desde que Edward fora embora, eu me sentia curada de todo o sofrimento que havia me enclausurado por tantos meses.
Eu amava Damon.
– Eu amo o Damon. – murmurei para mim mesma, ciente de cada sílaba dita.
E eu não o amava porque ele era esse homem incrível que me curou, eu o amava porque... Por quê?
Eu não conseguia explicar o motivo, eu não sabia. Eu apenas sentia meu coração se encher de amor apenas ao mencioná-lo.
Fui tão cega a ponto de deixar esse amor se esconder assim que vi Edward, e eu o enxergava agora. Eu amava Edward, isso é óbvio, mas era um amor de adolescência. Como eu nunca entendi isso?
Estar com Edward era como estar com a antiga Bella, aquela garota ingênua de Forks. Mas estar com Damon era estar com a verdadeira Bella, a Bella que cresceu, que amadureceu, viveu e aprendeu com cada erro. Edward me trazia a paixão do impossível, mas Damon me trazia a paixão real, a paixão que me consumia, que trazia perigo, desejo, vontade. A paixão que me fazia querer viver.
Meu coração pertencia a ele. Edward o perdeu a partir do momento em que partiu e não retornou mais. E agora eu sabia exatamente qual decisão tomar.
Eu apenas me transformei novamente em fênix e voei. O céu clareava vagarosamente, apagando uma estrela ou outra conforme o sol saía por detrás do mar e as cores alaranjadas começavam a se esgueirar por entre as nuvens que anunciavam um dia nublado por vir. E voei até o ponto de encontro que marquei com Edward, torcendo para que ele não houvesse acabado tudo entre Charlize.
Chegar ao lugar marcado não foi a parte mais difícil daquele instante, mas sim me transformar de volta em vampira e constatar o que estava por vir. Respirei fundo, alinhando a calça jeans e a camiseta em meu corpo, erguendo o olhar e avistando as mechas acobreadas do cabelo de Edward iluminadas pelo sol que surgia aos poucos do horizonte.
Meu lado direito era coberto pela imensidão da plantação de girassóis, ansiosos pelo dia que brotava. Meu lado esquerdo era dominado pelo mar que nascia azul conforme o dia. E meus pés tocavam o asfalto da enorme e remota via. Apenas eu e Edward ali. Minhas mãos tremiam e, engolindo qualquer medo ou hesitação em minha garganta, caminhei vagarosamente em sua direção.
Edward estava de costas para mim e eu pude notar que ele encarava uma fotografia entre seus dedos. Ele sabia da minha presença ali, mas, esgueirando-me através de seus ombros, percebi a razão de ele estar tão absorto – na imagem, ele, Wendy e Charlize sorriam verdadeiramente felizes e agradecidos, empoleirados na cama do casal.
Meu coração se apertou.
– Você formou uma família linda. – sussurrei, engolindo o caroço em minha garganta.
Pude ter o vislumbre de um doce sorriso brincar em seus lábios, enquanto ele assentia e, finalmente, fitava meus olhos. E eu me perguntei se alguém poderia transpassar tantos sentimentos em conflitos através deles.
– Eu tenho muito orgulho dessa família. – murmurou em consentimento, voltando a encarar a imagem.
Eu também a olhei, caminhando calmamente até estar de frente a Edward. Ele me fitou curioso enquanto eu colocava minhas mãos em frente a esposa e filha, tapando as duas da feliz paisagem.
– Você se imagina sem elas? – perguntei em um baixo murmúrio, olhando-o suspirar e fechar as pálpebras. E, então, ele meneou a cabeça, abaixando o rosto para me proibir de ver a confusão em cada linha de seu rosto. Mas seria impossível não perceber o que pairava no ar.
– Eu não consigo viver sem a Charlize. – ele me encarou com as íris douradas em uma súplica – Mas também amo você, Bella.
– Eu sei. – Senti meus olhos se afundarem em lágrimas contidas, embaçando minha visão. – Eu também te amo, mas... Eu simplesmente não consigo viver sem o Damon.
Para ouvir: James Morrison feat. Nelly Furtado – Broken Strings
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E Edward apenas me abraçou, puxou meu corpo para os seus braços enquanto eu escondia meu rosto em seu pescoço frio. O choro arrebentava minha alma de dentro para fora – eu tentava ser forte, consegui conter algumas lágrimas, mas me doía apenas em pensar que se Edward também pudesse chorar, ele estaria chorando.
Não sei quantos minutos ficamos assim, apenas reclusos um ao outro, sentindo nossas peles, abraçando-nos como fazíamos na época em que eu era apenas uma humana. Apenas me dei conta de que ainda estava agarrada a Edward quando ele beijou minha testa e sussurrou que tinha algo que me pertencia.
Os dois segundos em que ele vasculhou o bolso de sua calça, permitiu-me secar as lágrimas das maçãs do meu rosto e encará-lo novamente, curiosa. Sorri em surpresa ao ver meu tão antigo anel.
– Eu pensei que tinha o perdido!
– Essa coisa horrível? – Edward brincou com um leve sorriso, fazendo-me rir levemente. – Eu roubei antes de partir, para me lembrar de você.
Ele pegou minha mão, abrindo meus dedos delicadamente para colocar o anel em minha palma. Seus olhos voltaram a me fitar, sérios, nostálgicos. Arrependidos.
– Passei anos querendo te ver outra vez, poder te devolver isso; sempre me apeguei a isso como se fosse minha vida. – suspirou, aproximando-se de mim – Para mim, era a única forma de ter você por perto. Eu me apegava a esse anel, a sua lembrança, ao seu amor...
– E se eu dissesse que fiz o mesmo com a carta que você deixou? – sorri, levemente culpada, levemente compreendida. E senti meu coração se esvaziar, como se todo o remorso estivesse, finalmente, indo embora.
Edward olhou no fundo dos meus olhos, deslizando uma de suas mãos pelos meus cabelos em uma carícia, embromando seus dedos em minha nuca enquanto minhas mãos faziam o mesmo. Ele encostou sua testa a minha, inspirando meu cheiro, inspirando minha alma.
– Me perdoe por mudar todo o nosso destino.
– Talvez seríamos felizes se você tivesse ficado ou voltado antes, se eu não conhecesse Damon e você não conhecesse Charlize. – murmurei, sentindo nossos narizes roçarem – Talvez teríamos tido o nosso felizes para sempre.
– Eu acho que teríamos tido o nosso felizes para sempre – ele concordou, sorrindo com culpa.
– E agora é hora de continuarmos a nossa eternidade com as pessoas que escolhemos, com as nossas verdadeiras almas gêmeas. – Olhei em seus olhos dourados, delirando com sua pele uma última vez. – É a hora de fazermos nosso próprio felizes para sempre.
E, então, Edward beijou minha testa.
– Você sabe que eu sempre vou te amar, não sabe?
– Cada dia menos. – sorri, recebendo seu sorriso torto que tanto enchia meu peito.
– Cada dia um pouco menos.
Mas eu não resisti a minha reação seguinte, eu precisava de uma última confirmação, de uma última certeza, de uma última despedida. E, com esse pensamento, deslizei meus lábios pelos seus em um beijo doce, nostálgico, saudoso – seu sabor de mel e hortelã preenchendo cada um dos meus poros. Nosso último beijo.
Com um suspiro, nossos lábios se descolaram, e eu fitei Edward como outro homem pela primeira vez.
Sorrimos um para o outro, afastando-nos em caminhos opostos como o destino seria responsável de nos guiar dali adiante. E eu dei as costas para o passado, enfim sorrindo, enfim livre, enfim em paz, andando pela rua em direção a minha verdadeira vida.
– Bella?
A voz de Edward me fez sobressaltar, e me virei para encará-lo novamente.
– Seja feliz para sempre. – ele murmurou, sorrindo, já na metade de seu caminho.
Eu apenas sorri de volta, sussurrando-lhe a sorte de volta.
– Seja feliz para sempre, Edward.
Assim, eu pude deixar minha alma se lavar em sua própria redenção. Eu havia feito a escolha certa, sem um amor rasgado, remendado, amado pelas beiradas. Agora eu iria adiante e encontraria a paz que me esperava no amor inteiro, no amor só meu e de mais ninguém.
E, embora um pedaço do meu coração tenha ficado ali, dentro do coração de Edward, eu me sentia feliz. Aquele pedaço iria se perder um dia; e eu não sentiria mais culpa por isso. Desta vez as coisas não haviam sido acabadas de repente, não haviam sido deixadas pela metade, inacabadas, desarrumadas, feridas, indefinidas.
Desta vez eu seguiria em frente. Mas não pela metade – e sim inteiramente.
E, naquele momento, o sol enfim nasceu.
No caminho para casa, tentei colocar minha mente em ordem. Meu coração não pesava mais, no entanto, minha consciência ainda me repreendia pelo dia anterior e pela briga que tive com Damon antes de ir embora. Eu apenas rezava para que eu pudesse me redimir e voltar para os seus braços – porque sem eles ao meu redor, eu não sabia se seria capaz de sobreviver.
A casa estava silenciosa, mas eu ainda podia ouvir minhas crianças dormirem em seus quartos e um cheirinho de café vindo da cozinha, embora não havia ninguém ali. Entrei pela porta dos fundos, subindo as escadas que davam para o andar de cima com o máximo de calma que meus nervos me permitiam, direcionando-me ao quarto dos meus pequenos.
Primeiro fui ao de Alyssa, que ressonava como um anjinho em sua cama – os lisos e negros cabelos espalhados no travesseiro cor de rosa, e um livro que contava a história de Robin Hood entreaberto sobre a escrivaninha. Com certeza meu marido havia lido uma de suas histórias preferidas a nossa menina, que sempre preferiu aventuras a contos de fadas.
Eu havia acabado de dar um suave beijinho em sua testa quando ouvi sua delicada voz me chamando.
– Sim, querida? – Sorri, acariciando seus cabelos.
– Mamãe, você está feliz. – ela falou com convicção, olhando-me com aqueles olhinhos tão azuis quanto o oceano.
– Claro que estou, meu amor. – respondi, meio confusa com sua frase repentina.
– Não, mamãe, eu sei que você está feliz. – murmurou, com um brilho escapando de suas íris, deslumbrando-me. – Eu vi.
Eu apenas a olhei surpresa, admirada, completamente embevecida. Minha pequena menina...
– Você é especial, filha. – sussurrei, encostando seu narizinho ao meu – A verdade é seu dom.
Ao dizer isso, ela me abraçou – um abraço forte, cheio de carinho, cheio de carência, cheio de expectativas. E eu sorri junto ao meu bebê, admirando sua capacidade de fazer todos a sua volta enxergarem a verdade assim como ela.
E quando seus olhinhos começaram a pesar e a fecharem com um bocejo, dei um suave beijinho em sua bochechinha gorducha antes de rumar ao quarto do meu pequeno Matt. Os cabelinhos negros, maiores do que de costume, também se espalhavam nos lençóis. Sorri, tirando-os de seu rostinho lindo e impecável, beijando sua testa enquanto o cobria melhor.
Para ouvir: One Republic feat. Sara Bareilles – Come Home
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E, criando coragem para enfrentar o desconhecido, respirei fundo, caminhando lentamente até a biblioteca ao lado – de onde vinha o aroma de Damon.
Dito e feito. Lá estava ele, sentado de costas à enorme mesa de carvalho, provavelmente lendo alguns de seus projetos de engenharia civil. O ambiente era iluminado apenas por uma lareira no canto leste e a pouca luz solar que invadia as frestas das cortinas.
Fechei a porta em um suave clic, aproximando-me de meu marido. Pude ver os músculos de suas costas se retesarem, ao passo em que ele se virava para colocar os papéis sobre a mesa e caminhar até a janela.
– Você demorou. – ele sussurrou, e sua voz não demonstrava qualquer tipo de ressentimento ou ego ferido; ele estava apenas preocupado. Uma de suas grandes qualidades sempre fora a honestidade.
– Me desculpe, Damon. – murmurei, andando até ele, que girou seu corpo para me encarar.
Os olhos azuis eram calmos e tenros, acalentando-me. Ele sorriu de lado, esticando sua mão. E eu não me contive em aceitar seu toque, tendo meus dedos delicadamente envolvidos pelos seus antes de ele beijar a aliança que abraçava meu anelar.
– Você sabe que não precisa se desculpar, querida.
– Eu preciso sim, amor. – falei, abaixando a cabeça ao tentar encontrar as palavras certas – Eu não devia ter brigado com você e saído daquela forma, ter feito o que fiz com Edward e...
E ele não me deixou explicar, puxando-me para seus braços e tocando seus lábios fervorosamente aos meus. Suas mãos deslizaram rumo aos meus quadris enquanto eu tentava raciocinar rápido o bastante para trazê-lo mais perto de mim, enganchando meus dedos em sua nuca e movendo meus lábios contra os seus.
– Você não precisa dizer nada, amor; eu confio em você. – sussurrou contra a minha boca, deslizando suas mãos para os meus cabelos em um carinho sedutor – Se você voltou para mim é porque tem certeza agora.
– E eu tenho! – sorri, vendo seu sorriso espelhar o meu e chegar aos seus olhos – Eu tenho certeza que amo você, e apenas você, Damon Salvatore.
O azul em seus olhos me redimiu enquanto ele me jogava contra a parede e dava um delicioso e estalado beijo em minha boca.
– Pulamos essa parte chata e vamos ao sexo de reconciliação!
Minha risada foi alta, seguida pela dele, que acariciava meu rosto.
– Eu te amo. – sussurrei outra vez, sorrindo ao ver a felicidade em seu olhar.
– E quem não me ama? – inquiriu, todo cheio de si. – Sou Damon Salvatore, baby!
– Seu metido! – Soquei seu braço enquanto falava entre risos.
– Aliás – ele pegou minha mão outra vez, beijando minha testa de forma doce antes de me fitar profundamente –, eu também te amo.
E com os nossos lábios ocupados demais para qualquer outra coisa, senti-me plena em saber que não precisávamos de qualquer conversa. Ele sabia o que Edward significava para mim, ele sabia que um passado não era apagado de uma hora para outra – ele me entendia, havia passado o mesmo com Katherine e, depois, Rose. Ele sabia que o tempo era o melhor remédio para curar feridas passadas; não havia mais um ferimento aberto para ser lembrado durante os próximos quinze anos. Desta vez, o ferimento havia sido suturado.
Além do mais, com Damon as coisas nunca eram usuais, eram sempre do jeito Damon de ser. E eu adorava aquilo, porque sabíamos que era para sempre.
E assim seria.
POV Edward
Eu me sentia pleno. Pela primeira vez em quinze anos, eu me experimentava como uma pessoa livre, sem remorsos, sem temores, sem qualquer martírio alimentando-se da minha alma como um parasita.
Agora eu conseguia enxergar verdadeiramente.
Eu amava a Bella, ela sempre seria parte do meu ser. No entanto, o poder que Charlize tinha sobre mim era potencialmente maior, era vital, era mortal. Eu nunca me permiti amá-la totalmente – na verdade, eu nunca me permiti perceber que a amava totalmente. Eu sempre tive o péssimo hábito de compará-la a Bella, de assimilar e assemelhar pequenas coisas que ela fazia.
Mas agora era como se eu pudesse sentir meu peito seguir o ritmo das batidas imaginárias do meu coração, era como se eu pudesse sentir todo o efeito que Charlize tinha sobre meu corpo, minha mente, minha alma. Ela era minha. Minha esposa, minha mulher, minha doce e delicada mestiça.
Eu a amava. Eu fodidamente a amava.
E aquilo me fazia feliz.
– Edward! – ela riu, correndo atrás de mim pelas florestas de Vancouver.
Depois que nos conhecemos – durante minha luta com Victoria, quando a rastreei até o Rio de Janeiro – eu convidei Charlize para conhecer minha família. Uma cordialidade, já que ela era uma nômade vinda da África do Sul, em busca de alguém que possuísse uma dieta semelhante à dela. O vegetarianismo sempre foi algo natural vindo dela, embora ela não soubesse quem fossem seus pais e havia sido criada por uma senhora que a encontrou quando criança.
Na época, residíamos no Canadá, e minha família ficou encantada com a incomum espécie da loura, e ela foi praticamente adotada por nós após alguns meses de convivência. A pequena Alice a adorava, e até Rosalie fora-lhe cordial desde sempre.
Ainda sentíamos falta de Bella e, embora não tratássemos Charlize como uma substituição, seu espírito jovial sempre incorporou nossa família como uma peça perdida. E eu, particularmente, apreciava nossas longas conversas e brincadeiras durante as caçadas. Ela me contagiava.
– Você é uma lesma! – provoquei, obrigando minhas pernas a pararem assim que cheguei à beira de um lago.
– Ah, sai da frente! – ela gritou, mas era tarde demais. Seu descontrole a fez colidir com meu corpo, jogando a nós dois na água gelada de outono.
Começamos a rir assim que emergimos, ela torcendo seus cabelos louros. Aquele final de tarde estava especialmente encantador, com o sol batendo suavemente nas altas copas das árvores, fazendo com que as flores amarelas e laranjas adquirissem um tom dourado, iluminando todo o lago.
Charlize olhou embevecida para o fenômeno, desviando os olhos para mim com seu costumeiro sorriso de menina. Mas aquele desviar de olhos nos mostrou que estávamos perigosamente próximos um do outro, e suas grandes íris verdes me fascinavam.
– Você é tão linda... – sussurrei, deslizando um de seus cachos molhados para trás da orelha, acariciando a maça de seu rosto.
Ela suspirou, sorrindo de lado enquanto me encarava com um misto de preocupação e bem-querer. Uma de suas mãos tocou gentilmente minha bochecha, fazendo-me fechar os olhos em reconhecimento.
– Você sempre fica tão isolado – ela murmurou, encarando meus olhos assim que os reabri, admirando seus traços suaves e acolhedores – Às vezes você parece uma criança perdida, procurando por algo, procurando por alguém.
– A vida nem sempre é como gostaríamos que fosse, não é?
– Quem dera! – sorriu de lado, baixando os olhos.
– Nós temos passados sofridos, Lize – falei em um tom baixo, tocando seu queixo para encontrar seus olhos – De vez em quando eu tenho vontade de desistir de tudo.
Ela assentiu, absorvendo minhas palavras em um respeitoso silêncio. Sorri de lado, encostando minha testa a sua.
– Mas quando eu olho pra você – prossegui, ganhando seu olhar verde e encantador –, eu sinto vontade de recomeçar.
E o sorriso que veio a seguir encheu meu coração. Não da forma que nos mantém acesos ou inquietos, mas sim daquela forma que nos mantém aquecidos por dentro.
E eu não hesitei. Quando vi, havia tocado seus lábios com os meus, experimentando a maravilhosa sensação de ter uma pele, uma curva e uma alma em sincronia com a sua.
E com aquela lembrança, cheguei a minha casa. Mal estacionei o Volvo no jardim principal, franzindo o cenho ao não sentir a presença de Charlize ou Wendy por ali. Forcei minhas pernas para correrem até a cozinha e, dois segundos depois, visualizei um delicado bilhete deixado cuidadosamente sobre o balcão.
“Edward,
Não quero atrapalhar sua vida. Nunca quis.
Eu sinto muito se eu fiz alguma bagunça durante esses anos, mas precisei sair para pensar.
É Bella quem você ama, você sempre a amou. Termine de se resolver com ela; eu sinto que estão juntos. Você não precisa me explicar nada, sabe que não. Apenas me dê um pouco de tempo para absorver tudo.
Mas se, por algum motivo, você quiser me encontrar, vai saber onde me achar.
Wendy está comigo – não se preocupe, estamos bem.
C.”
Para ouvir: Amanda Seyfried – Little House
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Meu peito se apertou.
Ela achava que eu ia deixá-la. Eu quase cometi esse erro, mas caí na realidade antes que fosse tarde demais. E, sem pensar duas vezes, desloquei o Volvo rumo ao meu destino. E é claro que eu sabia onde encontrá-la.
Poucas horas depois, eu estacionei calmamente na grama de nossa pequena casa de campo, colocando as mãos no bolso enquanto caminhava a curtos passos até o jardim dos fundos. E lá estavam minhas duas preciosidades, sentadas em baixo de uma árvore em frente ao imenso lago.
Charlize lia um livro para nossa pequena, que olhava atenta para a mãe, empoleirada entre suas pernas. Embora eu não pudesse ouvir os pensamentos de minha esposa, eu sabia que ela havia sentido minha presença.
Ajoelhei-me assim que cheguei perto delas, fazendo Wendy soltar um gritinho de empolgação assim que me viu, correndo e envolvendo seus braços em meu pescoço.
– Você voltou pra gente, papai! – ela falou animada em meu ouvido, ao passo em que eu apertava seu corpinho contra o meu peito.
E eu levantei os olhos, fitando Charlize com um sorriso.
– Sempre, meu amor.
Minha esposa se levantou, escondendo um sorriso enquanto caminhava até o pequeno píer, encarando o lago.
– O papai já volta, Candy-Wendy! – pisquei para minha menina, que soltou uma risadinha, correndo atrás das borboletas por entre as flores sob o sol da manhã.
Caminhei em direção a Charlize, a qual abraçava seu corpo ao se proteger da brisa que empurrava seus cabelos para trás, dando-lhe um ar naturalmente lindo e, como sempre, de tirar o fôlego.
– Então você voltou? – ela sorriu, virando-se para mim assim que parei ao seu lado.
– É isso o que alguém apaixonado faz, não é? Volta para a pessoa que ama. – sorri de volta, entrelaçando seus dedos aos meus, sentindo-a se estremecer. E não foi de frio.
– Eu te amo demais, Edward – Charlize murmurou, mas seu olhar ganhou um tom sério de repente – Eu só quero sua felicidade, e sua felicidade é Bella.
– Amor...
– Você nunca a esqueceu por um minuto durante todos esses anos. – ela deu de ombros, suspirando enquanto desviava seu olhar do meu.
E como naquele dia em que eu a beijei pela primeira vez, toquei seu queixo para encontrar seus olhos.
– Eu a esqueci, Lize; eu a esqueci quanto te vi me salvando de Victoria. – Assim que proferi aquelas palavras, ela me olhou surpresa, encantada, amada. – E eu a esqueci agora.
– Verdade? – perguntou; o lábio inferior tremendo ligeiramente, os olhos cheios de água.
– É claro que é verdade – sorri, embromando meus dedos entre seus cabelos, inspirando seu maravilhoso perfume – Eu amo você.
– Eu também amo você!
Dizer mais palavras seria desnecessário – o beijo que se seguiu foi mais significante que qualquer pedido de perdão. Aquilo era minha rendição.
Eu amava minha esposa, amava minha família. E nada, nem ninguém, jamais seriam mais forte, mais importante, ou remotamente mais extraordinário, do que o nosso amor.
E assim seria. Para sempre.
POV Bella
Era à tarde, eu admirava o deslizar da chuva no vidro, sentada no acolchoado da janela do meu quarto. O céu nublado deixava o ambiente escurecido e saudosamente belo, contrastando com o gramado verde do jardim, com as árvores e as serras ao longe. Eu adorava tardes chuvosas, fazia-me pensa em tempos felizes, em presentes felizes.
Para ouvir: Joel & Luke – Love’s To Blame
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Olhei para a cama há alguns metros de mim, vendo Damon e minhas crianças esparramados entre os lençóis, cochilando suavemente conforme os pingos de chuva que caíam lá fora. Canecas de chocolate-quente estavam espalhadas pelo chão e criado-mudo, a televisão ligada em alguma série infantil. Eu sorri, sentindo-me completa.
Um ligeiro barulho de motor de carro soou no asfalto, então retornei meu olhar através da janela, vendo uma pequenina vampira saltitar para fora de um carro. Meu sorriso aumentou ao vê-la acenar a me ver na janela, caminhando até a entrada enquanto eu descia as escadas para recebê-la.
– Alice! – Soltei uma risada ao abrir a porta, sentindo seu corpo se pressionar contra o meu em um abraço. – Senti sua falta.
– Estava com tantas saudades, Bella! – ela sorriu, ainda agarrada a mim enquanto sentávamos no sofá.
– Deixe-me adivinhar... – murmurei, acariciando seus cabelos – Veio se despedir, não foi?
Alice apenas meneou a cabeça em concordância, entrelaçando seus dedos aos meus, encarando-me em um misto de saudade e melancolia.
– Nem acredito que agora é para sempre, Bella. – ela sussurrou, e eu não tive outra reação sequer puxá-la para mim e apertá-la contra o meu corpo.
– Vou sentir sua falta, irmã. – Senti meus olhos marejarem à medida que inspirava seu doce aroma.
Fazia uma semana desde que tudo voltara ao normal; eu não poderia estar mais feliz e sabia que Edward sentia a mesma coisa. Mas não demorou a correr a notícia de que os Cullen se mudariam outra vez, agora para alguma cidade da Inglaterra. Eles haviam ficado na Itália por cinco anos e as pessoas logo começariam a notar alguma diferença – ou a falta dela –, então já era mais que hora de recomeçarem.
E eu e Alice ficamos ali, conversando sobre o tempo, conversando sobre a vida, matando as saudades que seriam eternas.
Algumas horas depois, quando a chuva havia se tornando uma leve garoa ao pôr do sol, uma pergunta escapuliu dos meus lábios.
– Hm, Alice? – chamei sua atenção antes de fechar a porta e vê-la partir. – Pode me fazer um favor?
– Claro.
– Nós tomamos as decisões certas?
Os olhos dourados fitaram-me preocupados, mas aliviaram-se como num passe de mágica, tirando todo o peso que ali havia. E ela sorriu.
– As mais certas. – respondeu, assentindo com o rosto pleno. – Eu vi.
No entanto, franzi o cenho. Havia algo mais, eu sentia.
– Quando você viu? – perguntei intrigada.
– Assim que você se apaixonou pelo Damon e Edward se apaixonou pela Charlize. – ela murmurou – E houve uma vez em que impedi Edward de ir atrás de você, porque eu vi que nada seria mais como antes.
– Como assim?
– A partir do momento em que o coração de vocês passou a pertencer a outras pessoas, o futuro de vocês dois mudou completa e eternamente – suspirou, arrumando uma mecha rebelde que caía em minha testa antes de depositar um beijinho ali.
– Obrigada, Alice. – sussurrei com um sorriso, assistindo-a caminhar de volta ao seu carro.
E, com um último olhar para o céu nublado daquela tarde, eu tive a certeza de que tudo havia, finalmente, entrado nos eixos. Talvez não da forma que a maioria esperava, talvez não da forma que fora planejada da primeira vez. Mas eu sabia que havia sido da forma certa, da forma que o destino, da forma que a vida e, principalmente, da forma que Deus queria.
Notas finais
Eu sei que não foi o final esperado pela maioria, mas espero ter aquecido o coraçãozinho de vocês! Afinal de conta, mesmo não sendo um final comum, foi um final feliz.
Mas antes dos comentários, quero chamar vocês para viajarem na minha NOVA FANFIC! Desta vez, uma comédia romântica que se passa em TODA a Europa! Hahahaha'
Que tal embarcar nessa loucura divertidíssima? Garanto muitos suspiros e risadas com Beward conforme eles viajam e se reencontram nos países europeus durante uma longa viagem de mochileiros!
Para ler: http://fanfiction.com.br/historia/351792/Burning_Red/
Mas o que acharam do último cap de RM? Comentem... Digam o que acharam da despedida Beward, das reconciliações Damon/Charlize... do poder da Alyssa! Haha'
E desse finalzinho Bella/Alice, claro ♥3333
Espero que tenham compreendido.
Mas as despedidas, eu faço no domingo que vem, quando postar o EPÍLOGO. Nele teremos uma surpresa! Uma espécie de... reencontro hoho'
Estou indo responder os reviews do cap passado.
Toodles honey
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