Respirar
1 Único
Notas iniciais

Ele suspirou pesado encarando a porta. O coração pesava, o olho ardiam e o corpo se recusava a seguir em frente, mas era necessário continuar.
Bateu na porta mais uma vez e o ar faltou quando os olhos verdes sonolentos recaíram sobre ele. Ela sorriu, um sorriso doce e carinhoso seguido por um bocejo longo.
— Você me acordou, amor – ela relaxou os ombros e puxou os cabelos róseos para trás.
Sasuke sabia que ela iria prender em um coque bagunçado, mas a falta do elástico em seu pulso a fez suspirar largando os fios que iam até os ombros.
— Está com você? – ele assentiu e entregou o elástico preto para ela.
— Esqueceu no meu quarto, de novo – sorriu fraco entrando no pequeno apartamento.
Haruno costumava sorrir pelos olhos de uma forma encantadora. Ficou nas pontas dos pés e depositou um pequeno e rápido beijo na ponta do nariz do homem.
A rosada se afastou e foi até a cozinha do lugar. Eram 10 da manhã de um domingo agradável. Era o dia perfeito para ela dormir até tarde, mas Sasuke precisava conversar o mais urgente possível.
Ela podia aparentar estar calma, mas segurava o máximo possível para não transparecer o sentimento que pesava dentro de si.
Sabia que Sasuke não estava ali apenas para entregar o elástico, mas não se permitia acreditar naquilo.
— Não avisou que vinha – ela pegou o pó de café e, enfim, prendeu os cabelos que tanto a incomodava.
Ele a conhecia tão bem. Sabia que ela mantinha o cabelo naquele comprimento por achar o ideal na hora de fazer um penteado sem ter que sofrer tanto por calor. Sabia que ela gostava da cor exótica para se sentir diferente das demais.
E ela com certeza era diferente, não tinha noção do quanto era.
Sasuke a conheceu quando preto ainda era a cor dos fios e o cabelo batia na cintura. A conheceu quando ainda era um garoto cego demais para ver o que tinha em sua frente.
Haruno era bem diferente no início. Era levemente irritante, totalmente mentirosa, mas ainda encantadora. O tempo não mudou apenas o cabelo, mas a personalidade em si.
A mulher que preparava o café na cozinha era um mulher vivida e decidia. Estavam caminhando para o quarto ano do namoro e tudo estaria bem se certas coisas não tivessem ocorrido.
— Eu decidi vir em cima da hora – se sentou na mesa. – Precisamos conversar, Sakura.
Ela engoliu a seco, encarou a água que esquentava no fogão e apertou os olhos para guardar tudo que queria sair.
— Eu sei – ela não ousava se virar.
— Você é tudo para mim, Sakura – a voz era embriagada. – Mas eu preciso de espaço.
— Eu sei – ela mordeu os lábios quando a primeira lágrima escorreu.
O Uchiha se levantou e a segurou por trás. Afundou o rosto na curvatura do pescoço da moça e respirou fundo aquele cheiro.
— Está me matando dizer que tudo está bem quando está tudo indo tão ruim.
Ela fungou e secou as lagrimas. Não era necessário legendas para deixar claro o que ele queria dizer.
O tempo era um dos vilões, mas a mentira e dor escondida eram os protagonistas da história.
Sasuke era um especialista em esconder. Dizia que tudo estava bem e seguiu o namoro com risadas por mais tempo do que outra pessoa seria capaz de aguentar. Mas, em determinado momento, as coisas se complicaram.
Sakura era a pessoa certa, mas na hora errada. Não estavam prontos para começar aquele namoro e, embora a amasse mais do que qualquer coisa, ele precisava respirar e viver por si mesmo.
Precisava sair da cortina de fumaça que ele mesmo se meteu.
A moça se esforçou, mudou e se redimiu, mas nada apagava as dores do passado que faziam o rapaz chorar toda a noite. As mentiras, por mais curtas que fossem, estragavam tudo que eles tinham construído com tanta dor.
— Eu estou quebrado, Sakura – as lágrimas escorriam. – Não foi sua intenção e sei o quanto batalhou, mas você me quebrou.
A rosada costumava ser uma luz para ele. Uma luz que iluminou todo o peito escuro do Uchiha, mas ela virou a maior escuridão que ele já teve.
Não a culpava e nem a odiava. Na verdade, a moça era o amor de sua vida, mas não podia continuar com aquilo.
Não era apenas ele que se machucava. A confiança se quebrou, as brigas se intensificaram e mesmo quando tudo estava bem, a tempestade estava ao lado.
E céus, doía ir embora, mas seria ainda pior continuar afundando os dois em algo que não tinha mais futuro.
— Eu amo você – ele sentiu o coração apertar. – Mas eu preciso respirar.
— Eu sei – a voz era quase inaudível por conta do choro que formava um nó em sua garganta. – Eu sinto muito por estragar as coisas.
— Nós estragamos isso juntos. Eu também errei e te machuquei. Sinto muito.
Ele a soltou e não ousou encará-la ou dizer um último adeus. Aquele era o terceiro término ao longo do namoro que se tornou desgastante, mas era o último e definitivo.
Era a escolha certa. Não existia mais salvação para um amor que só existia para machucar um ao outro.
Embora a dor da partida fosse indescritível, Sasuke e Sakura carregavam no peito que a capacidade de deixar ir era algo que fariam ambos bem.
Doía saber que Sasuke não seria mais o sol de suas manhas, mas era glorificante saber que ela não seria mais a ruína dele.
E talvez, em um futuro próximo com os pensamentos mais maduros e corações curados, o amor poderia florescer em meio as rochas vazias.
Era em tal pensamento que ambos se seguravam com todas as forças. Não ousariam largar nem tão cedo.
Notas finais
Bom, é muito legal ver aquelas fanfics onde tudo acaba bem, mas na vida real nem sempre as coisas acabam do jeito que esperamos. Relacionamentos vão e vem. Pessoas se machucam mesmo se amando de verdade. As coisas as vezes se desgastam. E términos complicados onde ambos ainda se gostam, mas não podem continuar, é uma coisa que rola sempre.
Não estou dizendo que final feliz não existe, só estou dizendo que nem sempre da certo de primeira.
E também estava cansada de sempre ver Sasuke errando e Sakura sofrendo. Não é só o boy que erra, mulheres não nascem perfeitas e erro é uma falha humana sem distinção de sexo.
Enfim... é isso! hahahaha
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