Respira... Ou Ele Te Pega
1 O Encontro Inesperado
Notas iniciais
Harry Laurent
Certo dia, eu estava indo para a faculdade, muito feliz. Eu fazia o curso de Letras, querendo ser escritor. Morava em Nova York com a minha mãe. Já o meu pai me abandonou quando ela descobriu que estava grávida; ele simplesmente se mandou para o Brasil. Enfim, a minha mãe vivia dizendo para eu arrumar uma namorada, ter filhos… mas eu não queria entregar meu coração para ninguém.
Porém, naquele dia, eu acabei me arrependendo de ter dito isso.
Eu estava em casa, depois de voltar da faculdade. Preparei o jantar, tomei banho e me sentei à mesa para comer. Então a campainha tocou, e eu fui atender. Quando abri a porta, me deu até uma falta de ar.
Era um policial. Ele… era… lindo. Cabelos castanhos, olhos verdes, uma barba perfeita.
— Oi — ele disse.
— O-oi — respondi. — No que posso ajudar? — Sorri.
— É… eu… posso entrar? — Ele era tão gentil e educado.
— Claro, pode sim.
Ele entrou e se sentou no sofá.
Minha mãe foi até a sala, cumprimentou o policial e sentou ao meu lado. Eu olhava para ele encantado. Ele era realmente muito bonito.
— Bom… — ele suspirou — eu queria falar com vocês sobre a Ofélia.
Ofélia era uma amiga da faculdade. Ela desapareceu quando nós íamos para a aula; eu fui comprar uma coxinha pra gente na padaria ali perto e, quando voltei, ela não estava mais lá.
Eu contei tudo pela milésima vez para a polícia, só que aquele policial era um lindo gatinho. O nome dele era Lian. E caso você não tenha percebido, eu gosto de homens. Já vi homens lindos, mas aquele ali… era o homem.
Depois de conversarmos, ele foi embora, e eu e minha mãe fomos jantar. Ele não saía da minha cabeça nem por um minuto.
— Gatinho aquele policial, não? — perguntou minha mãe. Com certeza ela viu como eu me comportei. Coisa de mãe, né?
— Não achei — menti. Ela aceita completamente eu gostar de homens, mas não precisa saber que eu achei o policial bonito.
Depois de comer, fui para o meu quarto e me deitei na cama, pensando na Ofélia. A gente sempre conversava antes de dormir, mas agora ela estava desaparecida.
Algum tempo depois, acabei dormindo, porque no dia seguinte eu teria que ir novamente à delegacia para prestar depoimento.
Lian Blackwood
Ser policial não é nada fácil, ainda mais numa cidade grande como Nova York. Moro aqui desde pequeno e nunca encontrei alguém no meu nível para namorar. Eu sou muito gato, e todas as garotas me lançam olhares como se dissessem: “Você é muito gatinho, quer namorar comigo?” Mas nunca nenhum homem fez o mesmo.
Mas hoje isso mudou.
Quando fui a uma casa para conversar com uma testemunha, um garoto, com um olhar completamente apaixonante, ficou me encarando como se quisesse dizer: “Você é muito lindo, muito mesmo.” E eu também achei ele lindo, mas mantive a postura de policial.
Eu, ele e a mãe dele conversamos sobre o que tinha acontecido. Meu olhar corria pelo rosto dele. Eu até me perdi no assunto, de tanto analisar aquele deus grego.
Na hora de ir embora, meu coração apertou. Quando seria a próxima vez que eu veria aquele rosto lindo?
Uma coisa interessante: eu nunca tinha me interessado por ninguém, nem mulher nem homem. Mas aquele garoto conseguiu conquistar meu coração.
Então tive uma brilhante ideia!
— Você… pode ir à delegacia para prestar outro depoimento, só que dessa vez comigo? — perguntei. Um sorriso lindo apareceu no rosto dele.
— Claro, eu vou — ele disse. Eu fiquei empolgado demais.
— Então até amanhã. — Saí pela porta e ele fechou.
Eu gostei daquele garoto. Vou tentar conquistar o coração dele, mas sem parecer um homem pegador que só quer usar alguém. Eu quero conquistar ele pra mim.
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