Resistance

3 Phillip Phillips


— Srta. Weasley, esse é Phillip Phillips, monitor de Sonserina. – a diretora os apresentou formalmente.

Rose apertou a mão estendida de Phillip que abriu um sorriso que renderia a Rose, no mínimo, devaneios mais tarde. Eles já se conheciam de vista, mas nunca haviam conversado antes. Subitamente encantada com o rapaz alto de cabelos castanhos, olhos cor âmbar e um sorriso de tirar o fôlego, Rose perdeu as primeiras palavras da diretora.

— Vocês concordam? – McGonagall disse com expectativa.

— Acho que essa ideia de criar informes para auxiliar sangues... Ér, pessoas que nunca tiveram contato com o mundo trouxa é realmente muito boa. – Phillip respondeu quando percebeu que Rose estava distraída.

— Eu concordo. – discretamente, sorriu em agradecimento a Phil. – Ainda agora me bombardearam de perguntas sobre como eram as festas trouxas.

— Justamente por isso pensei em juntá-los em uma comissão, Weasley e Phillips. Claro que envolveremos os outros monitores, mas vocês dois seriam os principais responsáveis. – Minerva se levantou, fazendo Phil e Rose se levantarem de súbito. – Confio que farão um excelente trabalho. E lembrem-se: o objetivo é a interação do nosso universo com o universo trouxa.

Os monitores concordaram e saíram da sala de McGonagall juntos. Phillip fez questão de acompanhá-la até o quadro da mulher gorda e Rose não fez nenhuma objeção. Na verdade, se sentiu lisonjeada: geralmente ninguém se oferecia para acompanhá-la. Normalmente James a acompanhava por estar indo para o mesmo lugar e Scorpius ia junto por que era o único tempo que tinham juntos, já que pertenciam a casas diferentes, mas nunca por cortesia ou gentileza.

— E então, srta. Weasley, como nunca a vi na sala dos monitores antes? – Phillip perguntou sorrindo.

— Esse é o meu segundo ano como monitora, mas não costumo frequentar a sala da monitoria. E acho que... Não sei, quando vou lá, provavelmente você não está. – Rose disse um tanto corada. – E, por favor Phillip, me chame de Rose.

— Srta Weasley, te chamarei de Rose se você puder me chamar de Phil. – ele disse sorrindo. – E, de qualquer maneira, é realmente uma pena não termos nos conhecido anteriormente, é claro que ouvi maravilhas sobre você, mas nunca imaginei que fosse tão bonita.

— Ah... – corando, Rose esboçou uma interjeição. Estava surpresa com o elogio direto do rapaz. – Obrigada.

— Bem, chegamos. – Ele disse colocando as mãos no bolso. – Acho que nos veremos em breve, correto?

— Certo. – Rose sorriu ajeitando o cabelo atrás da orelha. – Obrigada pela companhia.

— Sempre que precisar. – Phil se despediu e Rose o viu descer as escadas antes de dizer a senha para o quadro.

— Pele de Ararambóia. – Rose reconheceu a voz de James, saindo quase em uníssono com a sua. Eles se encararam por um único instante, antes de apontarem o dedo um para o outro.

— O que você estava fazendo com aquele almofadinha?

— Quem você pensa que é? – ela ainda estava irritada com ele pelo total desinteresse do garoto em lhe dar o recado de McGonagall.

— Seu melhor amigo!

— O qual eu não tenho certeza se quero ver por algum tempo – sibilou marchando em direção ao dormitório feminino.

Mas a birra entre os dois só durou até o jantar.

Rose amolecia fácil com a cara desconcertada e tristonha do primo, provavelmente porque ele raramente era pego assim. De fato, até onde sabia, apenas Rose e Scorpius conseguiam alterar seu humor. Há muito tempo deixara de sentir culpa por qualquer outra coisa que não fosse assunto de brigas com os amigos.

— Mas sério, me conta. – ele perguntou quando já estava tudo bem – Por que estava com aquele bundão?

— Por que tantas ofensas gratuitas?

Potter não estava preparado para contar sobre o episodio em que fora flagrado pelo monitor da sonserina antes de concluir uma armadilha. Era a única – e ultima vez – que o garoto fora apanhado no ato do delito e desde então odiava o rapaz mais do que qualquer outro aluno em Hogwarts.

— Você já viu o jeito que ele anda? A gente saca na hora que o cara é um perdedor.

Rose revirou os olhos, mas achou melhor desistir da vertente que a conversa estava tomando, porque ambos eram teimosos e não chegariam a lugar algum.

— Bom, ele foi muito gentil comigo. E me acompanhou até a torre da Grifinória porque agora trabalhamos juntos. Temos até o Halloween para sanar qualquer dúvida que os alunos tenham a respeito do evento.

James fez uma careta.

— Sério, boa sorte.

Ela riu e meneou a cabeça com o drama dele.

Como de habitual, eles permaneceram no salão até o fim do banquete para que tivessem tempo de dar um olá para Scorpius.

— Quer saber da nova? – James apressou-se em dizer, roubando o resto do suco de abobora do amigo. – Rose está fazendo coisas chatas de monitoria com um cara da sua casa.

— Sério? – ele puxou a taça da mão de James de volta.

— Bom, é. Não sei por que Sirius está fazendo tanto escarcéu com isso, mas... – Ela não pôde completar a frase, porque o garoto de quem falavam pousou a mão em seu ombro.

— Rose – cumprimentou.

— Phil. – sorriu – Estávamos falando sobre o nosso projeto. – explicou, sem saber porque não conseguia parar de sorrir. – Esses são Scorpius e James.

— Oi – os dois disseram quase ao mesmo tempo, mas não sorriram como ela. James bebericou o suco só para não ter de apertar a mão do garoto e Scorpius fingiu amarrar o cadarço.

— Acho que já nos conhecemos de vista.

— Deve ser – James concordou de modo frio e desinteressado.

— Bom, eu não queria atrapalhar vocês – um tanto encabulado, Philip arrumou as mangas da capa – Só queria desejar boa noite – terminou, dirigindo-se especialmente a Rose.

Tanto James quanto Scorpius consideraram completamente desnecessário o modo como ela ruborizou.

— Boa noite – Scorpius respondeu por ela, num impulso.

Phil o olhou por um instante.

— Boa noite. – repetiu polidamente – A propósito, estou ansioso pelo próximo jogo.

Scorrpius assentiu com a cabeça. Phil demorou no lugar por mais um instante, dando um beijo discreto no rosto de Rose.

— Você só pode estar brincando comigo! – James falou alto, quando o sonserino estava longe de vista. E então gargalhou, acompanhado de Scorpius.

Rose cruzou os braços, sem entender qual era a graça.

— Vocês são mesmo uns idiotas – chiou, saindo na frente deles, mas não demorou para que os dois a alcançassem.

— Sério, tem como ser mais pomposo? – James levantou a questão e Scorpius coçou o queixo, fingindo pensar.

— É, não – Respondeu rindo.

— Ele estava sendo educado! – Rose defendeu.

— Ah, fala sério, você viu o jeito como ele falou com você? – Scorpius revirou os olhos. – Como se você fosse... – ele estava buscando uma palavra de valor inestimável, mas não teve tempo de completar a frase antes que ela o interrompesse.

— Uma menina interessante – ela grunhiu, lançando um olhar mortal para o garoto. – E talvez isso possa surpreender você, Malfoy, mas adivinha? É o que eu sou! – gritou antes de sair correndo.

— Uau. – James arqueou a sobrancelha.

— Eu não queria... Não queria que ela ficasse ofendida. – Scorpius balbuciou, ainda surpreso.

— Ah, relaxe. Deve ser estresse por alguma tarefa de casa.

— Você acha que eu deveria me desculpar?

— O que? – James riu de novo – Até parece, quanto drama! – revirou os olhos. – Vá dormir, amanhã estará tudo bem de novo.

De fato, estava.

— Scorpius — Rose o chamou pouco antes da primeira aula.

Ele se sentiu instantaneamente aliviado.

— Hey Rose. – aproximou-se um pouco receoso.

Ela sorriu e então mordeu o lábio.

— Pode fazer um favor pra mim? É que não posso perder aula agora e...

— Claro – disse de imediato – Pode dizer.

— Phil deve estar na sala comunal de vocês. Avise a ele que estarei esperando-o na estufa 3 depois do quarto tempo?

E pela segunda vez em menos de 24 horas ele não soube o que pensar. Por alguma razão, descobriu que parte de si preferia que ela tivesse ficado chateada do que agisse como se não desse a mínima para o que ele pensava. Sentindo-se ligeiramente irritado, concordou com a cabeça.

— É claro – e fez esforço para não entortar a boca em desaprovação.

— Obrigada! – ela exclamou e Scorpius a viu correr para longe outra vez.

— Diabo! – Grunhiu. Uma das coisas mais legais em se conviver com Potter era que ele adquirira muitos palavrões novos ao seu vocabulário agora que dispunha dos trouxas também.

— Ele mesmo – James piscou, aparecendo de lugar nenhum, como sempre. – Pra que tanta pressa?

— Tenho que entregar um recado.

— E desde quando você é menino de recado? – sorriu.

— Sério, Jay, agora não. – Scorpius murmurou e alcançou a sala comunal da sonserina antes que desistisse.

A voz de Weasley na noite anterior gritando no corredor ainda ecoava em seus ouvidos. E o contraste com a calma que ela aparentava ainda a pouco ao falar do monitor... Scorpius sentiu a cabeça zunir quando o avistou.

O que ele tinha que alterava fácil assim o humor da única garota que, por maiores que fosse as desavenças ou diferenças, era sua única amiga?

E mais importante: como fazer com que ele perdesse isso?

Se aquele cara estava ao menos imaginando que poderia se meter em seu trio ele estava muito enganado. Se ele estava pensando que poderia roubar Rose dele e de James ele estava muito, mas muito precipitado.

— Ei Philip? Rose pediu para que você a encontrasse na estufa três – E crispou os lábios por um instante, antes de formar um sorriso genuíno – Depois do quinto horário.

E foi embora tão rapidamente quanto chegou, agora se sentindo bem melhor.

Que tipo de cara educado chegava atrasado a um encontro?