Resiliência
20 Capítulo 20 - O clube secreto dos príncipes
Notas iniciais

Ao abrir os olhos, quando os primeiros raios de sol começaram a entrar pela janela, Sasuke teve a certeza de que aquela manhã era a segunda melhor de sua vida.
A primeira, obviamente, foi quando acordou e viu Sakura e Sanosuke dormindo ao seu lado. O sentimento de plenitude e, principalmente, a mão de seu filho segurando a sua, só se igualava ao que estava sentindo no momento, ao ter Sakura entre seus braços.
O cheiro doce de baunilha estava forte, por seu rosto estar afundado em meio a um mar cor de rosa que se estendia por todos os lados. Sentia seus corpos entrelaçados, livres de qualquer roupa e cobertos apenas pelo lençol, mas mesmo assim não existia frio, apenas um quente aconchego.
Não sentia a minima vontade de levantar ou se mexer, apenas ficar ali aconchegado na mulher que tinha seu coração nas mãos.
Inconscientemente deslizou seu nariz pelos fios rosados, sentindo mais um pouco aquele cheiro que o remetia tanto a conforto. Os olhos fechados, apenas apreciando o momento, e apesar de não ter percebido, Sasuke estava sorrindo.
Sentiu ela se mexer levemente, e se afastou um pouco, olhando para baixo e vendo o rosto adormecido, tão tranquila e perfeita, que ele apenas apertou mais os braços, sentindo ela mais ainda junto ao seu corpo, nem um espaço os separando. Nunca mais.
— Sasuke-kun? – A voz sonolenta dela, abafada por estar apertada em seu peito, chamou sua atenção.
— Merda – Praguejou baixo, quanto a sua falta de jeito e delicadeza – Não queria te acordar – Relaxou um pouco os braços, podendo então assistir enquanto Sakura aos poucos despertava de verdade, piscando os olhos vagarosamente, antes que ele pudesse ter a visão completa daqueles verdes que o hipnotizavam.
Estava fodidamente apaixonado, e isso lhe parecia a mais completa, e deliciosa loucura. Nunca em toda sua vida se imaginou daquela forma, e agora tinha certeza absoluta que Sakura era a responsável por esse novo sentimento que aquecia seu coração.
— Tudo bem, eu não durmo até muito tarde de todo jeito – Ela sorriu esfregando um pouco o rosto no peito dele.
Sasuke nada respondeu, mas voltou a apertar seus braços em volta dela, deslizando a mão pelas costas e terminando, agora já com toda a liberdade, no bumbum farto. Apoiou o queixo no topo da cabeça e olhou para a janela, o dia amanhecendo em Tóquio, o sol aos poucos iluminando os prédios altos, e ele apenas sentia paz.
Sakura sentiu as bochechas esquentarem ao perceber a mão grande dele segurar com vontade sua nádega direita, mas jogou a vergonha para o espaço e se aconchegou mais no corpo grande de Sasuke, aproveitando o conforto dos braços masculinos e o carinho que a outra mão dele fazia, provavelmente inconscientemente, em seus cabelos.
Mesmo que tivessem consciência do corpo um do outro, desprovidos de roupas e completamente colados, não pensavam em nada malicioso. A ereção matinal que Sakura sentia apertada contra sua barriga, não a alarmava, ele continuava com o carinho tranquilo e não havia nada de sexual naquele momento que estavam vivendo. Pela primeira vez em todos os momentos que viveu com Sasuke, sentia que haviam acordado como um casal. Sem segredos, sem mentiras e sem qualquer outra intenção a não ser estarem juntos.
Também não gostaria de sair tão cedo daquela cama, daqueles braços e parecia até um sonho. Tudo tão aconchegante, e com certeza faltava apenas Sanosuke para que fosse o momento perfeito.
Estava tão feliz!
— Saudades do Sano – Revelou seus pensamentos, levantando a cabeça e olhando o rosto sempre sério de Sasuke, mas que agora parecia também muito relaxado.
Nunca o tinha visto tão tranquilo.
O Uchiha olhou para baixo e sorriu de lado. Estava pensando a mesma coisa. Nenhum momento parecia completo sem a presença do seu pedaço de gente.
— Vamos busca-lo – Propôs, a voz ainda rouca pelo sono e o pequeno sorriso ainda em seus lábios.
Sakura sorriu de volta, observando como os olhos escuros agora tinham um certo brilho.
— Sim, vamos buscar o nosso filho! – E ignorando a vergonha que ainda sentia ao estar com ele, levantou a cabeça roubando um beijo rápido do moreno, que a olhou surpreso antes de aperta-la novamente com seus braços, mais forte que das últimas vezes e se divertindo com os resmungos que ela soltou.
Não estava pronto para se afastar dela ainda.
Sakura apenas conseguiu gritar pela surpresa, quando Sasuke levantou de uma vez da cama a segurando em seus braços. Ela não sabia se ria ou se gritava enquanto ele a carregava em direção ao banheiro. Era como se não pesasse nada, o Uchiha não demonstrava o minimo esforço no ato.
A primeira coisa que Sakura viu ao passar pela porta foi a vista maravilhosa que tinha da cidade. A janela de vidro ocupava toda a parede atrás da banheira e era de tirar o fôlego. Sasuke reparou como ela olhou encantada para a vista, mas estava ansioso para buscar Sanosuke, e por isso a levou em direção ao box. Um banho rápido era o que precisavam, e não faltariam ocasiões para usarem a banheira juntos. Uma vida inteira de oportunidades.
— Wow, que legal! – Ela comentou divertida, observando os jatos de água começarem a sair de todos os lados a medida que Sasuke regulava a água. O banheiro que ela usava era luxuoso, mas nada tão exagerado como o de Sasuke. Provavelmente era o mais legal de todo o apartamento.
O Uchiha nem prestou atenção enquanto ela comentava maravilhada sobre as funções do chuveiro, mexendo nas torneiras e soltando exclamações a cada novo jato de água. Seus olhos acompanhavam hipnotizado a água deslizar pelo corpo dela, contornado as curvas e molhando os cabelos rosados. Na cintura ainda podia ver as marcas vermelhas que deixou ao segurar com força excessiva, enquanto a tinha na noite anterior.
Em um flash as lembranças misturadas a visão dela nua e molhada em sua frente fez a excitação voltar com tudo, em um nível beirando o insuportável.
Não demorou muito mais para se juntar a ela, o chuveiro localizado no teto agora molhava os dois juntos, e Sasuke envolveu o corpo pequeno com seus braços enquanto sentia a água atingi-lo também, na temperatura ideal.
Sakura sorriu quando sentiu os braços fortes dele a rodearem, levantou o rosto e em meio a água o viu a observando, a expressão fechada em sua seriedade habitual. Levantou os braços e os envolveu no pescoço dele, apoiando o queixo no peitoral forte, fechando os olhos e curtindo a água caindo.
Estava tão gostoso ficar daquela forma!
Como para faze-la sentir mais, Sasuke a apertou de encontro ao seu corpo e Sakura percebeu então o tanto que ele estava excitado. A ereção rígida agora pressionada em sua barriga, a fazendo ofegar e sentir-se esquentar. Abriu os olhos novamente e viu os olhos escuros dele agora nublados em luxuria. Essa simples visão a fez ficar excitada no mesmo instante.
Completamente diferente de como estavam no quarto, naquele momento a tensão sexual estava alta entre os dois, e Sasuke não exitou em subir a mão direita até o pescoço dela e, enquanto abaixava o rosto, a trazia em sua direção até que os lábios se encontraram.
Foi como atear fogo em gasolina. O beijo já iniciou afoito, como se a muito tempo estivessem sem tal contato. Aparentemente a noite anterior fora insuficiente para aplacar toda a saudade que sentiam. Os lábios se mexiam em sincronia, assim como as mãos dos dois. Sasuke percorria todo o corpo dela, apertando tudo o que alcançava, e se fartando nas curvas que aos poucos relembrava.
As mãos dela puxavam com força os cabelos negros molhados, enquanto se equilibrava nas pontas dos pés para desfrutar melhor daquele beijo. A falta de ar só os afastava por poucos segundos, antes que voltassem a chocar suas bocas, movimentando as línguas juntos, cada vez mais intensamente.
O gemido rouco, grave em uma voz baixa e masculina fez com que todos os pelos do corpo de Sakura se arrepiassem, ao delicadamente escorregar a mão pelo corpo másculo até chegar ao pênis ereto.
Mantinha o rosto levantado, observando como ele fechava os olhos e ofegava baixo a medida que ela movimentava a mão, tentando lembrar do ritmo que ele gostava. E bem, a forma como Sasuke contorcia o rosto, a expressão viril que a deixava mais excitada ainda, ao mesmo tempo que apertava as mãos grandes que exploravam seu corpo, mostrava que estava fazendo certo.
E antes que pudesse pensar em, quem sabe, se ajoelhar e fazer algo mais, Sasuke abriu os olhos de modo feroz e a virou de uma vez, prensando o corpo delicado no vidro grosso do box. Sakura ofegou ao sentir a respiração dele na lateral do seu rosto, o corpo grande cobrindo completamente o seu. A mão direita dele afastava os fios molhados tentando deixar o pescoço dela livre para os beijos, enquanto a esquerda já estava na cintura, a forçando a empinar o bumbum enquanto investia seu membro ali, no meio de suas nádegas sem penetrar, apenas apreciando a fricção.
— Oh, Sasuke – Sasuke a escutou gemer baixinho, como um pedido manhoso e sem conseguir esperar mais, desceu a mão que estava em seu pescoço até seu próprio pênis e o direcionou para a entrada dela, entrando com mais cuidado que na noite anterior por ter percebido como seu tamanho a incomodava.
Suas mãos apertaram forte a cintura fina ao estar todo dentro, sentindo como era apertado e quente. Nem percebeu o gemido que saiu de seus próprios lábios ao se sentir ser apertado por ela.
Sakura fechou os olhos, jogando a cabeça para trás até escorar no peitoral dele e gemendo mais alto que das última vez. Ainda doía mas, nossa, era tão bom que ela mesma começou a rebolar, arrancando grunhidos excitados dele.
Então Sasuke não se segurou mais, deslizando para fora e entrando novamente em uma estocada profunda que a fez gritar. Em um ritmo ainda lento, comparado ao que normalmente fazia, ele investia repetidamente, acertando naquele ponto que a deixava louca.
Uma das mãos que estava em sua cintura, deslizou até o ventre plano, forçando a empinar mais ainda, se isso era possível. o que o fazia gemer baixo próximo ao ouvido dela, aumentando ainda mais seu prazer. A mão em seu ventre foi mais para baixo, até que seus dedos estivessem se mexendo exatamente da forma que ela precisava para atingir seu orgasmo.
E foi o que aconteceu, enquanto gemia alto o nome dele e recuava o quadril, sentindo-o ir bem fundo.
— Porra! – Ele gemeu consideravelmente alto antes de, tomado pela sensação de tê-la apertando seu membro, começasse a estocar com mais velocidade, sentindo seu próprio prazer se aproximar.
Sakura apoiava todo o corpo no vidro, e tinha certeza que se não fosse as mãos fortes dele em seu quadril já teria caído. Suas pernas estavam fracas e sua intimidade ainda sensível, sentindo como ele investia ferozmente em busca de sua liberação. O barulho dos quadris se chocando e dos grunhidos roucos dele, misturados aos gemidos dela, ecoavam pelo banheiro. Ao fundo a água caía ainda, mas nenhum dos dois reparava, enquanto continuavam se movendo.
Sasuke subiu as mãos da cintura até os seios que se moviam a cada estocada, e os segurou com gosto, sentindo ela começar a rebolar com mais vontade, e não se segurou mais quando a sentiu começar apertar pela segunda vez seu membro, liberando seu prazer junto ao dela, em um última e profunda investida.
Enquanto saía de dentro dela e tentava regular a respiração, a abraçando e puxando para baixo d’água, Sasuke concluía como sentia falta dos banhos que compartilhavam. E se dependesse dele não se importaria de iniciar todas as suas manhãs daquela forma.
• • • • • • •
Dispensou o motorista e pegou seu próprio carro, preferindo dirigir até a casa de seus pais para buscarem Sanosuke.
Sakura estava no banco de passageiros, mexendo no sistema de som sem se importar com a careta que ele fazia a cada música animada que colocava. Por um segundo achou que ela escolheria alguma boy band, mas sorriu aliviado quando ela continuou trocando as estações até achar uma de seu agrado.
[On Track: Cherry Wine — Hozier]
Apreciou ela ter escolhido uma mais calma, e até gostou de certa forma.
A batida tranquila da música preencheu o carro que tinha as janelas fechadas, impedindo o frio do inverno entrar.
Por ainda ser cedo poucos carros estavam na rua, e assim Sasuke acelerava com mais liberdade. Mesmo concentrado na direção, trocou a marcha e pousou a mão na coxa dela, a fazendo sorrir e colocar a própria mão sobre a dele.
Era reconfortante.
Tão natural.
Parou em um sinal e olhou para o lado, a vendo de olhos fechados, balançando a cabeça levemente, curtindo a melodia. Estava tão linda naquela manhã, que não cansava de admira-la mesmo que ela não percebesse isso.
Ainda receava que tudo fosse apenas um sonho muito bom, mas a cada momento ao lado dela o fazia ter certeza que o que estava vivendo era real.
Sakura era real, e completamente dele agora.
Para sempre.
O pensamento aqueceu seu coração e o fez puxar a mão dela até seu lábios, beijando rapidamente antes de voltar a dirigir, quando o sinal abriu.
Sakura olhou surpresa para o Uchiha, e voltou a sorrir, percebendo que ele ainda não se sentia a vontade para demonstrações de carinho. Mas ela entendia perfeitamente, e era por aquele homem fechado que havia se apaixonado afinal.
Os pequenos gestos eram o suficiente.
Significavam mais que qualquer palavra.
Sasuke começou a bater os dedos levemente no volante quando a escutou cantarolar com a música, o carro agora saindo das ruas mais movimentadas, entrando em áreas residenciais até chegar ao bairro Denenchofu. As casas cada vez mais luxuosas e as ruas arborizadas, dando um clima agradável a medida que avançavam.
Mesmo o frio não impediu que Sakura abrisse a janela para sentir um pouco do vento daquela manhã tão bonita. Sasuke a observou, vendo os cabelos rosados voarem para trás. Os olhos fechados um sorriso bonitos nos lábios, enquanto curtia a sensação do vento batendo em seu rosto.
Ele quis poder fotografar aquele momento, e foi o que fez rapidamente sem que ela percebesse.
A foto virou seu fundo de tela, e apoiou o aparelho no volante apenas para admirar mais um pouco como ficou o resultado final.
Voltando a concentrar na direção, enquanto guardava o celular de volta no bolso, diminuiu a velocidade ao chegar ao grande portão de entrada da propriedade Uchiha. Os seguranças se aproximaram prontos para revistarem o carro, mas bastou Sasuke abaixar o vidro para que eles se curvassem em uma mesura o permitindo passar imediatamente.
Entrou pelo caminho de árvores, mesmo que elas não estivessem verdes como de costume pelo clima. Não nevava naquele dia, mas estava frio o suficiente para estarem com casacos. A janela voltou a ser fechada, e agora o carro estava novamente quente por conta do aquecedor.
Estacionou em frente a porta principal e desceu, contornando o carro rapidamente antes que o manobrista da família abrisse a porta de passageiro, fazendo isso ele mesmo e segurando a mão de Sakura, a ajudando a sair. Ela sorriu agradecida e cumprimentou o funcionário, que recebia as chaves do carro.
— Sempre fico impressionada com a casa dos seus pais – Comentou vendo a enorme construção de arquitetura ocidental.
— Só não sugiro termos uma assim, pois considero apartamento mais seguro – Comentou enquanto tocava a campainha – Mas seria bom ter um quintal para as crianças.
— Crianças? – Sakura arqueou a sobrancelha, olhando curiosa para o, agora, noivo.
— Sim... Várias crianças – Respondeu tranquilamente e a conduziu porta a dentro, assim que o mordomo atendeu.
— Vamos ver isso aí – Ela o cutucou divertida, mas sem repudiar a ideia, mesmo que surpresa com essa revelação de Sasuke querer mais filhos. Não imaginava que ele queria uma família grande.
Tiraram os casacos entregando para o mordomo que logo se retirou, e antes que pudessem dar mais um passo, Mikoto surgiu carregando uma bandeja cheia de biscoitos e uma jarra de suco.
— Sejam bem vindos! – Ela exclamou sorridente a medida que eles se aproximavam. Os olhos observadores da Uchiha repararam no modo que o filho conduzia Sakura, e como ela estava a vontade com o contato da mão dele em sua cintura. E o sorriso que ela abriu foi enorme, ao ver o anel brilhando na mão delicada da Haruno – Vieram buscar Sano?
— Sim! Estamos com saudades, não é? – Perguntou olhando para Sasuke que apenas confirmou com a cabeça.
— Venham, ele está na sala! – Mikoto falou antes de voltar a andar, entrando pelo corredor até chegar a grande porta dupla, que se encontrava aberta.
O casal já conseguia ouvir a voz infantil do filho, empolgada com algo e também sendo acompanhada pelo que parecia a televisão. Sakura se viu ansiosa para ver Sanosuke, e inconscientemente segurou a mão de Sasuke, que entendeu na mesma hora o que ela sentia.
Também estava ansioso.
— Mas vovô, ela é um peixe e virou humana ‘pra ficar com o Sosuke! – Sanosuke explicava com paciência. Conseguiram vê-lo sentado no tapete, com as perninhas cruzadas e concentrado na televisão onde Ponyo passava – É porque ela ama ele!
Sakura já havia visto o filme várias vezes com o filho, e agora se surpreendia ao ver que Fugaku estava em uma cadeira de rodas, ao lado do neto e aparentemente igualmente concentrado.
— Ela deixou a família para trás, não faz sentido – Fugaku argumentou, como se não estivesse conversando com uma criança de quatro anos de idade – A vida como peixe não me parecia tão ruim – Completou analisando seriamente a situação da personagem principal.
— Ela fez isso para ficar com o Sosuke – Sanosuke levantou do chão para olhar melhor para o avô, se aproximando da cadeira e apoiando as mãozinhas no braço dele – Igual minha mamãe, que deixou minhas titias para trás porque ama meu papai – Explicou com toda a propriedade, surpreendendo todos que assistiam a cena, principalmente o casal que trocou um olhar orgulhoso.
Fugaku nada respondeu, mas levou a mão aos cabelos do neto, bagunçando mais do que já estavam.
Era definitivamente um garoto muito inteligente.
— Estamos atrapalhando? – Mikoto resolveu anunciar sua presença, e na mesma hora os dois olharam para trás.
O rostinho de Sanosuke foi se iluminando em um sorriso gigante, assim que viu quem acompanhava a avó.
— MAMÃE, PAPAI! – Gritou correndo, quase tropeçando, ate´alcançar os pais.
Sakura se abaixou no mesmo instante, recebendo o filho nos braços e apertando forte, cheia de saudade. Era a primeira vez que dormia longe do filho, e não era algo que pretendia repetir tão cedo.
— Que saudades – Ela falou ainda em meio ao abraço.
— Também senti saudades mamãe! – Ele se afastou ainda sorrindo, e Sakura aproveitou para observar cada detalhe do rostinho do filho, parecia que foram anos longe – E de você também, papai!
Sasuke se abaixou também e bagunçou os cabelos rebeldes de Sanosuke de modo carinhoso – Se comportou? – Perguntou em seu tom sério de sempre, mas a voz parecia mais branda que o normal.
— Sim! – Respondeu prontamente e Mikoto riu baixinho, atraindo a atenção do casal – Bem... Talvez eu tenha aberto a torneira da banheira enquanto tomava banho ontem...
— Como assim? – Sakura questionou olhando do filho para Mikoto.
— Não foi nada demais – A Uchiha garantiu, deixando a bandeja que tinha em mãos na mesa de jantar e se aproximando – Só molhou um pouquinho e...
— Alagou o banheiro e parte do corredor – Fugaku entrou na conversa, também se aproximando com sua cadeira de rodas.
— Foi um acidente – O pequeno garantiu, olhando para os pais e se encolhendo um pouco ao ver como eles olhavam de maneira repreensora.
— Sanosuke, você sabe que não pode mexer nisso sem um adulto! – Sakura bronqueou na mesma hora, as mãos na cintura. Sabia muito bem como o filho as vezes era curioso.
Por mais tranquilo e obediente que fosse, ainda sim era uma criança, e sendo assim totalmente passível de umas travessuras.
— Por que ele estava sozinho no banheiro? – Sasuke questionou, levantando e colocando as mãos nos bolsos da calça, enquanto olhava para os pais. Se tinha uma coisa que havia aprendido sobre ser pai é: Não deixe seu filho ir sozinho ao banheiro!
Os papéis até pareciam invertidos naquele momento.
— Nessa idade você tomava banho sozinho – Fugaku respondeu sem se intimidar. Não levaria bronca do próprio filho – Falei para Mikoto deixar o garoto em paz.
Na noite anterior a esposa parecia uma sombra do neto, indo em todos os lugares junto com o pequeno e o enchendo de mimos.
— Eu avisei que ele não podia ficar sozinho! – A Uchiha retrucou sem se abalar – Ele é muito pequeno ainda!
— Eu já sou grande, tenho quase cinco anos! – Sanosuke argumentou e Sakura lhe lançou um olhar que o fez voltar a ficar quieto.
— O garoto precisava de espaço, você estava sufocando ele! – O ex-Oyabun acusou, mas se arrependeu ao ver como a esposa ficou irritada, resolvendo mudar de assunto antes que a coisa complicasse para ele – Enfim, está vivo e bem, não é isso que importa? – Perguntou dessa vez para Sakura e Sasuke, que apenas assistiam a discussão.
— Sim – Sakura respondeu, sem saber exatamente como lidar com aquela versão mais velha e mais intimidante de Sasuke.
— Não – Contradizendo a resposta dela, foi o que Sasuke respondeu – Da próxima vez não o deixem sozinho – Sentenciou autoritário.
Mikoto sorriu vitoriosa na direção do marido, que revirou os olhos resmungando alguma coisa, e foi em direção ao neto, segurando a mãozinha dele e o conduzindo até a mesa de jantar, onde a bandeja com biscoitos e suco os esperava.
— Acabei de assar – Ela anunciou feliz, ajudando o pequeno a subir na cadeira e sentando ao lado dele, apoiando o rosto na mão e olhando encantada enquanto ele comia.
Ryou ainda era muito pequeno para interagir tanto, então estava aproveitando muito o tempo com Sanosuke, que era um amor de criança e tão bonzinho!
Mesmo que ainda pretendesse abordar o filho mais tarde sobre a travessura, Sakura resolveu se juntar aos dois, e logo já estava entretida em uma conversa sobre receitas de biscoitos com Mikoto.
— Como o senhor está? – Sasuke perguntou, parando ao lado da cadeira de rodas. Mesmo que parecesse ter sido apenas por educação, Fugaku conseguiu perceber a preocupação por baixo da máscara de indiferença do filho.
Isso o deixou feliz, pois sabia como era difícil para o mais novo se expressar.
Eram tão parecidos afinal.
— Estou bem, logo me livro dessa cadeira – Resmungou, cruzando os braços. Estava odiando ficar preso naquilo, não podendo andar e dependendo dos outros para tudo. Era humilhante!
Os dois estavam lado a lado, observando as duas mulheres e o pequeno Sanosuke. E Sasuke percebeu com satisfação, que tinha alcançado algo que muitas vezes desejou ao ver seus pais.
Da mesma forma que Fugaku olhava com devoção para Mikoto, ele também o fazia com Sakura. Havia encontrado alguém para formar sua família, como sempre almejou observando a sua própria.
— É um bom garoto – O comentário em tom casual de Fugaku o tirou de seus devaneios, o fazendo voltar sua atenção para o pai, que olhava para Sanosuke agora.
— Sim, ele é – Concordou com orgulho, apreciando como seu filho sorria verdadeiramente feliz.
Amava aquele pedaço de gente.
— E ela também – O mais velho continuou, sem expressar muita emoção – Será uma boa Hime.
Lado a lado, sem olhar realmente um para o outro, pai e filho compartilhavam de um mesmo sentimento ao observar as pessoas que amavam. E mesmo que não tenha derramado nenhuma lágrima, Sasuke se sentiu emocionado ao perceber que havia conseguido a aprovação de seu pai.
Aquelas singelas palavras do ex-Oyabun significaram muito.
• • • • • • •
A grande mesa agora estava posta para o café da manhã. Mais biscoitos preparados por Mikoto dividiam espaço com pães, bolos e outros pratos igualmente deliciosos. Sakura nem sabia por onde começar a comer, era tanta variedade e fartura, que ela queria um pouco de cada. Tinha certeza que já havia visto mesas daquele tipo em filmes e doramas!
A Uchiha empurrou a cadeira de rodas do marido, posicionando ao lado de Sanosuke, que sorriu para o avô o oferecendo um biscoito, que foi aceito prontamente. O ex-Oyabun não compartilhava da aversão a doces do filho mais novo, por isso mastigou com gosto, sem se importar por estar meio mordido pelo pequeno.
Mikoto sentou ao lado de Fugaku, admirando a interação entre avô e neto.
Sasuke sentou ao lado de Sakura, a ouvindo recomendar com entusiasmo o pão com queijo. Serviu um pouco em seu prato, assim como bacon e ovos mexidos. Sempre foi costume naquela casa algumas refeições ocidentais, por gosto de Mikoto.
A senhora Uchiha tinha a preferência por costumes ocidentais, mesmo que isso incomodasse Fugaku profundamente, visto que havia sido criado aos moldes japoneses tradicionais.
— Família! – Itachi saudou da porta, com Ryou no colo e um sorriso largo nos lábios. Izumi vinha ao seu lado, carregando a bolsa do filho.
— Como vão? – Ela cumprimentou sorrindo e se adiantando em direção a mesa.
— Tio Tachi, Tia Izumi! – Sanosuke tratou de responder o cumprimento, ficando de pé na cadeira e derrubando um pouco do suco que tinha em mãos na blusa que usava.
Antes que Sakura pudesse ir limpar, Sasuke já esfregava o guardanapo no tecido, com uma paciência incrível.
— Olha o priminho! – Imitou voz de criança e aproximou Ryou de Sano, que beijou a bochecha do bebê, sujando um pouco com suco e farelos de biscoito.
— Oi Ryou! – Cumprimentou o primo, que balbuciou uma resposta ainda incompreensível, balançando a mão gordinha.
Os recém chegados se acomodaram, se servindo do café e se inteirando dos assuntos. Itachi não deixou de rir ao saber que Sanosuke havia alagado o banheiro.
— Aquela banheira parece uma piscina, eu também iria querer enche-la mais – Comentou entre risadas, bagunçando os cabelos do sobrinho e ignorando o olhar que o irmão lhe lançava.
Era seu papel de tio estragar um pouco o menino, não é?
Deixando as irresponsabilidades do irmão de lado, e vendo todos já acomodados na mesa, Sasuke resolveu iniciar o assunto que tinha conversado com Sakura ainda naquela manhã, antes de saírem de casa.
Pretendiam ter um momento com Sanosuke depois, é claro, mas não conseguiam pensar em momento melhor para dar tal noticia que não fosse aquele.
A família a receberia unida.
— Sakura aceitou casar comigo – Despejou de uma vez, fazendo todos se calarem no mesmo momento e olharem surpresos para o casal.
A Haruno sentiu o rosto esquentar pela vergonha, sem acreditar na falta de delicadeza do noivo. Mas Sasuke segurou sua mão por baixo da mesa, a passando segurança.
— Eu sabia! – Mikoto cantarolou emocionada – Eu vi o anel! E o modo que você está tratando ela! – Estava tão feliz que os outros começaram a pensar que logo ela sairia dançando pela casa – Meu menininho finalmente vai ser feliz! Que alegria! – Bateu palmas, sem conseguir conter a empolgação.
— Irmãozinho está finalmente deixando de ser tolo – Itachi comentou batendo no ombro de Sasuke, realmente orgulhoso do mais novo.
Finalmente Sasuke estava buscando sua felicidade.
— Felicidades! – Izumi cumprimentou, feliz pelo cunhado e por Sakura, que já via como uma amiga.
Entretanto, o Oyabun olhava para Fugaku, que retribuía o olhar seriamente, sem mostrar nada no rosto austero tão parecido com o seu. Ele já havia aprovado Sakura mais cedo, mas talvez casamento já fosse demais para o Uchiha.
Não dependia da aprovação do pai para que esse casamento acontecesse, mas internamente Sasuke ansiava por ouvir mais palavras como as de mais cedo vindas do mais velho.
— Que seja o quanto antes – Sentenciou o ex-Oyabun seriamente, surpreendendo a todos – O treinamento com Hime só poderá iniciar depois que forem casados. Enquanto isso não acontece, ela não vai poder participar ativamente dos assuntos do clã.
Sendo uma pessoa de fora, ainda era complicado ter a confiança necessária para ser incluída no clã, ter conhecimento das missões, dos segredos... Por mais que fosse a mãe do filho do Oyabun, ainda não era alguém vista como de confiança.
— Já tem data? – Mikoto perguntou na mesma hora – Me digam quando que organizarei em um piscar de olhos!
— Tão rápido assim? – Sakura perguntou um pouco intimidada, olhando para Sasuke.
— Infelizmente ele tem razão – Cruzou os braços e se acomodou melhor na cadeira – Quanto mais rápido acontecer, mais fácil será sua aceitação no clã.
— Assim que o noivado for anunciado, para o mundo você será a nova Hime e isso a colocará na mira de nossos inimigos – Fugaku acrescentou – Não que você já não esteja, mas a partir do momento em que isso se tornar público, você vai estar praticamente no mesmo nível de importância para a Sharingan quanto Sasuke – Explicou com toda a seriedade que o assunto exigia e Sakura suspirou. Sempre se assustava ao pensar no tanto de poder que teria em suas costas – Você vai precisar ter o treinamento necessário e também o respeito do resto do clã.
— Infelizmente você ainda é vista como alguém de fora – Itachi falou com mais delicadeza que o pai – Como a mulher que fez o Oyabun quebrar uma das regras mais valiosas do clã, e isso só vai ser amenizado quando vocês estiverem casados – Esclareceu sorrindo confiante para Sakura – Isso vai ajudar muito na sua aceitação.
— Ser de fora não é o fim do mundo – Mikoto se intrometeu – Eu era também, e veja só, hoje em dia não tem um naquele clã que não me respeite – Lembrou orgulhosa.
— Tenho medo de não ser aceita – Sakura admitiu em voz baixa – Quero estar ao lado de Sasuke, e apesar de ainda não entender exatamente qual será o meu papel, quero fazer o meu melhor.
— Você será aceita – Sasuke sentenciou.
— Não vale ameaçar todos para que façam isso – Itachi provocou, já conhecendo o jeito do irmão – Você vai se sair bem! – Se dirigiu dessa vez para Sakura, que sorriu agradecida.
— Vai ser uma honra servir a senhora, Hime-sama – Izumi falou de forma respeitosa, para a surpresa da Haruno.
— Não sei se me acostumarei com isso um dia – Comentou desconcertada, arrancando risada das duas Uchiha presentes na mesa.
— Marquem a data o quanto antes – Fugaku falou mais alto, chamando toda a atenção para si – Amanhã a noite terá uma reunião na Sharingan onde anunciaremos tal acontecimento, já esteja com a data escolhida até lá – Sentenciou, encerrando o assunto.
A mesa mergulhou em um silêncio tenso, e Sakura sorriu para Sasuke, mostrando que não estava chateada.
— Mas o que é casamento? – Sanosuke perguntou, rompendo o silêncio, fazendo com que só então todos lembrassem de sua presença na mesa.
O pequeno esteve comendo e observando a conversa dos adultos com atenção, e não conseguia entender do que se tratava.
No mesmo instante Sakura levantou de seu lugar e abaixou ao lado da cadeira do filho, olhando fundo nos olhinhos verdes dele.
— Casamento é quando duas pessoas que se gostam muito, muitão mesmo, escolhem ficar juntas – Explicou da melhor maneira que conseguiu, vendo o filho unir as sobrancelhas, em uma expressão pensativa tão igual a de Sasuke.
— Você e papai vão ter esse casamento... – Começou a falar, ainda pensativo – Então vão ficar juntos? Como os outros papais?
— Sim! Exatamente isso! – Sakura respondeu sorrindo, acariciando o rostinho do pequeno.
E não teve um coração naquela mesa que não se derreteu com o sorriso que Sanosuke abriu. Os olhos brilhavam tanto, que não sabiam se eram lágrimas, ou apenas a mais pura felicidade.
Ele já sabia que sua mamãe havia decidido morar junto com seu papai, mas escutar que seriam como os papais de seus amiguinhos era a melhor coisa do mundo! Havia sonhado tanto com aquilo, que seu coraçãozinho estava disparado!
— Obrigado! – Exclamou se jogando nos braços da mãe – Eu gostei muito desse tal casamento! Muito mesmo! – Sakura sentia que ele chorava, e isso a fez se emocionar também.
Sasuke mesmo não demonstrando, estava emocionado também, e esticou o braço alcançando as costas do filho, fazendo um carinho ali.
Sua pequena família tomava forma.
• • • • • • •
— Tem certeza que não querem ficar para o almoço? – Mikoto perguntou pela milésima vez, quando saíram da mansão.
— Não obrigada, quem sabe em uma próxima oportunidade – Sakura fez uma mesura e segurou a mão do filho, que acenava sorridente para os avôs e tios.
O manobrista estacionou o carro e logo Sasuke já tinha as chaves em mãos. Assim que destrancou as portas, Sakura já acomodou Sanosuke no banco de trás, fazendo uma nota mental sobre comprar uma cadeirinha para ele.
Entrou logo em seguida no banco de passageiro aguardando pelo noivo.
Sasuke terminava de se despedir de sua mãe, e antes que pudesse ir em direção ao carro, Fugaku se aproximou com a cadeira de rodas.
— Quando precisar, pode deixar Sanosuke aqui – Falou como quem não quer nada, tentando não demonstrar muito – Não demore para traze-lo outra vez – Meio que exigiu, sem olhar para o rosto do filho, visivelmente desconcertado com a própria fala.
Tanto Sasuke quanto Mikoto se olharam surpresos. Não esperavam aquela atitude vinda do ex-Oyabun.
— Ele adorou a companhia do neto – A Uchiha confidenciou em voz baixa para Sasuke, e ele olhou para o Uchiha mais velho, o vendo observar com interesse o carro, onde Sanosuke espalmava as mãozinhas nos vidros, sorrindo para o avô.
Ele olhou uma última vez para a mãe e com um movimento da cabeça se despediu do pai, do irmão e da cunhada, entrando no carro em seguida, e logo dando a partida, dirigindo para fora da propriedade.
• • • • • • •
— Vamos almoçar fora? – Sakura sugeriu de repente, diminuindo o volume da música que tocava.
Sasuke dirigia em baixa velocidade agora, já um pouco preso no trânsito caótico de Tóquio. A sugestão empolgada veio ao pararem em um sinal, o fazendo olhar para a mulher ao seu lado.
— Vamos! – Sanosuke concordou antes mesmo que o pai pudesse falar algo. Já começando a enumerar tudo o que queria comer. E mesmo que tempura não combinasse com pudim de chocolate, Sakura incentivava o filho a escolher onde iriam parar.
Aparentemente agora eram dois votos contra um, e por isso Sasuke não teve muita escolha a não ser estacionar o mais próximo possível de uma lanchonete fast food, que o filho repetia o nome com animação.
Tentou não se irritar com as pessoas que esbarravam nele ao andar pela rua movimentada, e nem como toda aquela aglomeração dificultaria o trabalho de seus seguranças que os seguiam mais atrás. Também tentou relevar Sanosuke a toda hora tentando se soltar de sua mão para correr, e sem paciência resolveu pega-lo no colo, segurando Sakura com o braço livre até entrarem no lugar escolhido para almoçarem.
A lanchonete estava lotada e por um minuto o Uchiha desejou carregar os dois para fora dali, mas ver a empolgação deles o impediu de ter tal atitude.
Entretanto, era difícil para ele acreditar que estava em pleno horário de almoço, dentro de uma lanchonete e enfrentando uma fila considerável para conseguir a refeição para sua família, que estavam sorridentes e confortáveis em uma das várias mesas espalhadas pelo lugar colorido e com cheiro de fritura.
Sakura tinha que admitir que a visão dele naquela fila era algo bem engraçado. O modo como ele destoava das outras pessoas, com seu porte alto, seu terno impecável e sua inexpressividade, chamava muita atenção. Era a primeira coisa que se via ao olhar naquela direção.
Ela sabia que talvez estivesse forçando um pouco o fazendo passar por aquilo, mas não conseguia evitar e empolgação que a dominava em toda a oportunidade que surgia de terem algum momento como família normal.
Tinha consciência que de agora em diante sua vida seria complicada e com muito mais responsabilidades, então lhe restava apenas aproveitar os momentos simples.
Sasuke conseguiu realizar o pedido, sendo cantado de maneira nada discreta pela caixa, e voltou com a bandeja recheada para a mesa onde Sakura e Sanosuke estavam.
O pequeno mal esperou a bandeja encostar à mesa para avançar na caixinha colorida, abrindo empolgado e quase surtando em alegria ao ver o brinquedo. O lanche completamente esquecido de lado, enquanto Sanosuke se divertia com o bonequinho, fazendo manobras elaborados com ele nas mãos.
— Você não costuma lanchar por aqui, né? – Sakura pergunta divertida, vendo Sasuke visivelmente deslocado.
— Não – Respondeu simplesmente, antes de abrir e dar uma mordida no sanduíche que havia escolhido.
— Sano adora, então não vejo problema em vir as vezes – Comentou casualmente, comendo das batatas fritas – E a batata é ótima! – Havia pedido para Sasuke pegar a gigante, e estava bem satisfeita com a quantidade que veio – Tudo bem para você?
Sasuke suspirou, colocou o sanduíche na bandeja, tomou um gole de refrigerante e por fim olhou para Sakura, que sorria para ele, aguardando a resposta.
“Como dizer não para ela?”, pensou e alternou o olhar para o filho que estava se divertindo para valer, “Para eles?”
— Sim – Disse por fim, conformado e vendo o sorriso dela alargar antes de roubar uma de suas batatas, como se não bastasse a porção gigante que ela tinha.
Apesar de não ter o costume de comer aquele tipo de lanche, Sasuke até apreciou o sabor, comendo o seu e o que restou do que comprou para Sanosuke, que preferiu brincar a terminar de comer, mesmo sob protestos da mãe.
Sakura de uma hora para outra pareceu entretida com o celular – Que o Uchiha observou ser um modelo bem antigo e obsoleto, indicando que talvez fosse o momento de presentear sua noiva com um Uphone – e só parava de mexer no aparelho para lembrar Sanosuke de comer.
— O que está fazendo? – Não resistiu a curiosidade.
— Bem, Ino insistiu nessa coisa de rede social – Explicou virando o celular, mostrando uma foto dele e de Sanosuke, sentados lado a lado e lanchando, sem nem desconfiarem que eram fotografados – Ela disse que como moro longe agora, tenho que ter essas coisas para que possamos nos mantes conectadas – Comentou voltando a digitar, a legenda da foto que iria para seu recém criado instagram era: “Lanchando com os meus homens ❤”
— Não vejo necessidade disso – Disse indiferente – Tenho Facebook, mas não acho nada interessante, faz tempo que não entro.
— Você tem? – Ela perguntou empolgada já voltando a mexer no celular, acessando o perfil de Sasuke – Que foto bonita! Você sempre saí bonito assim nas fotos? – Perguntou retoricamente, sem parar de movimentar os dedos pelo aparelho – Prontinho, te adicionei! Me aceita para podermos marcar como “Em um noivado”.
— Vai ser assim que vamos anunciar para o mundo? – Perguntou enquanto acessava sua conta pelo Uphone, vendo a quantidade de notificações que tinham pelo tempo que passou sem entrar – Está aceita.
— Verdade – Murmurou pensativa – O que pretende?
— Da mesma forma que fiz para anunciar Sanosuke – Explicou deixando o celular de lado e pegando mais algumas batatas do lanche do filho – Já pedi que Izumi organizasse isso junto ao meu assessor de imprensa – Confirmou o que falava voltando a mexer no celular, consultando as mensagens que recebeu da cunhada e secretária, que informava já ter enviado um esboço do comunicado oficial para seu email.
— Então assim que chegar em casa ligarei para Ino – Falou, também comendo das batatas do lanche de Sano – Ela não ficaria nada feliz caso descobrisse pela imprensa.
O Uchiha concordou em silêncio, e voltou sua atenção para o filho, que agora requisitava sua atenção para contar empolgado sobre as aventuras protagonizadas pelo bonequinho que tirou no lanche.
• • • • • • •
Aquele dias estava sendo realmente incomum para Sasuke, mas não de um modo ruim.
Era como se aos poucos ele fosse sentindo como realmente seria sua vida agora que tinha os dois. Como conversas aleatórias, risadas e músicas no carro, fariam parte de sua rotina, assim como lanches fast food, passeios sem planejamento e demonstrações de carinho a todo tempo vindas deles.
Não era ruim.
Nem um pouco ruim.
Sanosuke havia gasto todas as energias brincando com o brinde de seu lanche, e o Uchiha teve que tira-lo do carro com cuidado para não desperta-lo do cochilo. Sempre passava indiferente pelos funcionários, mas agora com Sakura, paravam a todo momento para que ela cumprimentasse cada um deles com simpatia. O porteiro, os seguranças e demais funcionários já a chamavam de “Senhora Uchiha”, a deixando corada e envergonhada.
E a cada vez que se repetia, ele sentia mais real ainda.
Sua futura esposa, sua Senhora Uchiha.
Aproveitando que o filho dormia profundamente em seus braços, Sasuke se inclinou e a beijou levemente enquanto o elevador subia até a cobertura. Durou poucos segundos, nada muito profundo, mas muito satisfatório para os dois. Agora que não existiam mais barreiras ou incertezas, ele sentia necessidade de beija-la a todo instante.
— Obrigada pelo dia de hoje – Ela agradece sorrindo, quando ele afastou um pouco o rosto.
Como resposta, Sasuke sorriu de canto e voltou a beija-la, movimentando a boca junto a dela, entrelaçando as línguas aprofundando um pouco mais aquele contato, até que Sanosuke resmungou, os despertando daquele momento.
O pequeno apenas balbuciou algumas palavras ainda dormindo e virou o rosto, enterrando no pescoço do pai, enquanto apertava os bracinha ali em volta.
— Ele está cansado – Sakura comentou, se afastando do rosto de Sasuke e levando a mão até os cabelos rebeldes do filho, acariciando gentilmente – Quando chegarmos deixe que ele durma um pouquinho.
O Uchiha concordou, apreciando o momento em família que estava vivendo.
O elevador chegou no andar, e a porta abriu revelando o hall elegante da cobertura. Havia um segurança lá, que reverenciou a família com respeito, antes de abrir a porta para que entrassem.
Não era sempre que ele ficava ali, mas como ainda não tinham certeza do que havia acontecido com Orochimaru era melhor não arriscar.
— Oyabun-sama, tem uma pessoa... – O segurança tentou informar, mas foi cortado por um grito feminino e autoritário.
— HARUNO SAKURA! – Tsunade estava parada no meio da sala, com as mãos na cintura e olhando mortalmente para o casal – Me explique o que significa isso! – Apontou para um homem de meia idade sorridente, sentando bem a vontade no sofá.
Com o grito Sanosuke acordou assustado e ameaçou um choro, fazendo com que Sasuke atingisse o nível máximo de irritação em um segundo.
— MAS QUE MERDA É ESSA? – Esbravejou irado, apertando o filho nos braços, olhando com seu pior olhar para os dois intrusos em sua sala.
— Calma Teme! – Naruto, que havia permitido a entrada dos visitantes, resolveu interferir ao ver a situação ficar realmente séria, entrando na frente do melhor amigo.
— O que eles estão fazendo na minha casa? – Questionou entre dentes, passando o filho, agora mais calmo, para os braços de Sakura.
Antes que Naruto pudesse responder, Tsunade empurrou o loiro para o lado, ficando cara a cara com o Uchiha sem se mostrar intimidada.
— Você abaixe esse tom para falar comigo! – Apontou o dedo para o rosto do Oyabun, o fazendo olhar com todo seu ódio para loira – Quero saber porque você mandou esse velho tarado ficar na minha cola – Cuspiu as palavras, nem se dando conta com quem falava.
Entretanto Sakura já voltava do quarto, onde havia deixado o filho e prontamente entrou entre a tia e o Uchiha.
— Tia Tsunade, vamos manter a calma! – Pediu tentando empurra-la para longe de Sasuke, que se tivesse lasers nos olhos já teria desintegrado a loira – Sente-se e me explique o que está acontecendo.
A Senju se deixou conduzir em direção ao sofá, sentando e cruzando os braços emburrada, ainda olhando feio para o Uchiha, que permanecia no mesmo lugar, o corpo todo tenso. Não estava acostumado a ser confrontado daquela maneira.
Sakura trocou um olhar com Naruto, que conseguiu puxar Sasuke para o escritório, a fim de se acalmar. Enquanto isso a Haruno sentou ao lado da tia, pronta para escutar a história.
— Me conte! – Pediu preocupada.
E Tsunade narrou indignada como um grupo de engravatados tipo MIB entrou no café, alegando que precisavam garantir que Sakura estivesse segura. Sem entender nada fez o que julgou mais sensato, bateu nos que conseguiu alcançar, quebrou duas vassouras em alguns e por fim, não tendo conseguindo arranhar nem um dedo dos caras, que pareciam um projeto de Rambo, foi levada para um lugar desconhecido, onde ficou trancada sob a supervisão de Jiraya, um velho tarado que olhava descaradamente para seus seios. Um completo absurdo!
Sakura não sabia se consolava a tia ou se ria da forma que ela esbravejava, mexendo os braços furiosa e apontando repetidas vezes para o tal Jiraya, que permanecia sentado no sofá como se estivesse em sua própria casa.
— Peço desculpar por tudo isso, tia – Sakura foi sincera, suspirando vendo o que poderia revelar para a loira. Havia tido uma conversa com Sasuke sobre o que poderia ou não revelar para as pessoas de fora, e apesar de Tsunade ser sua única família, ainda não havia recebido permissão para contar sobre a Yakuza para ela – Sasuke é bem preocupado com nossa segurança, e acho que ele só queria ter certeza que estaria tudo bem lá no Café antes que eu voltasse a trabalhar – Justificou.
— Ele tá se achando a última bolacha do pacote, né? – Perguntou irritada – Só porque tem dinheiro acha que pode fazer o que quiser, mas comigo isso não funciona não! – Trovejou, cruzando os braços e empinando o nariz.
— Tenho certeza que ele, Jiraya e todos os outros não fizeram por mal – Argumentou em voz baixa, tentando acalmar a tia – Tente ser compreensiva – Pediu gentil.
— Oh, querida! Eu seria super compreensiva caso a abordagem tivesse sido mais sutil! – Explicou abaixando a voz – Você foi sequestrada por causa desse Uchiha – Sakura fez uma careta por conta da mentira que teria que sustentar – E claro que o mais lógico seria um reforço da segurança, mas não da forma que foi feito! Ninguém pediu permissão para nada, apenas foi entrando!
— Tal coisa não voltará a acontecer – Sasuke garantiu, ao chegar na sala agora já mais calmo, a máscara de indiferença já de volta em seu rosto, apesar de visivelmente ainda estar um pouco tenso – Jiraya, fale para Minato me ligar e acertar isso – Ordenou para o homem, que sorriu para o Oyabun e imediatamente começou a escrever uma mensagem para o loiro.
— Olha só que abusado, fala do prefeito como se fossem íntimos! – Tsunade resmungou, balançando a cabeça inconformada.
— Mas eles são! – Sakura garantiu.
— Ele pode ser intimo até do Papa, que eu não sou obrigada! – Deu de ombros, sem se preocupar de estar desrespeitando o Uchiha. Ainda tinha o pé atrás com o homem por tudo o que fez com sua sobrinha – Estou de olho em você Uchiha! – Ameaçou, estreitando os olhos na direção dele, que não esboçou qualquer reação ao ato.
— Quanto mais irritada, mais bonita fica! – Jiraya comentou quando a sala ficou em silêncio, já desligando o telefone – Já falei que te amo hoje? – Piscou na direção de Tsunade, que contorceu o rosto em horror.
— Seu velho tarado, vê se me erra! – Esbravejou, pegando um livro que decorava a mesinha de centro e atirando nele.
— Tsunade, não faça isso! – Sakura tentou impedir, mas em alguns segundos a mais velha já estava aos tapas com o homem, que apenas sorria a cada golpe que levava.
— Será que é selvagem assim na cama? – Questionou com um sorriso safado nos lábios, e Naruto não conseguiu impedir a risada. Seu padrinho era seu herói!
— Tem certeza que você quer essa louca na sua família? – O loiro perguntou para Sasuke, que apenas assistia a bagunça se formando em sua sala.
— Hn – Resmungou, antes de trocar um olhar com Sakura e voltar para seu escritório. Não estava com paciência.
A Haruno suspirou, e sentou um pouco longe dos dois que ainda discutiam, tirando o celular do bolso e discando o número da melhor amiga.
Tinha uma grande noticia para dar a ela afinal.
— Testuda! Você demora anos para responder minhas mensagens! – Foi a primeira coisa que a loira falou, ao atender o telefone – Vi a foto que você postou! Uma gracinha! – Comentou descontraída – Esse Uchiha é um homão da porra até comendo Mc Donald’s hein!
— Também adorei a foto – Sorriu, por um momento perdida nas lembranças daquele almoço agradável. Definitivamente Sasuke conseguia ficar bonito até comendo fast food!
— Que barulheira é essa? – Perguntou curiosa, ouvindo gritos e tapas do outro lado da linha..
— Tia Tsunade chegou, e acho que encontrou um crush – Respondeu, observando os dois agora rolarem pelo sofá, com a loira tentando atingir a cabeça dele com o controle remoto.
— É o tal Jiraya? – Perguntou empolgada – Se for achei ótimo, para a idade ele está com tudo em cima!
— Tomara que se entendam antes de se matarem... – Falou, vendo Tsunade agora arremessar o controle, errando o alvo e atingindo um abajur – ... Ou pior, destruírem minha nova casa!
— Boa sorte amiga! – Desejou, mesmo que estivesse rindo por imaginar a cena – Mas você me ligou para falar disso?
— Não – Respirou fundo, saindo de perto da confusão e tomando coragem – Bem, acontece que ontem... – Fez mais uma pausa, se preparando para a explosão que viria – ... O Sasuke me pediu em casamento, e eu aceitei!
Um minuto de silêncio se fez do outro lado da linha. até que foi como havia imaginado. Afastou o celular do ouvido, escutando a melhor amiga surtar.
— EU SABIA! – Gritava descontrolada, pulando na cama e ignorando Sai, que com o grito havia invadido o quarto com sua arma em mãos – EU TINHA CERTEZA QUE ISSO ACONTECERIA! – Fez uma dancinha, quase caindo da cama no processo, mas não perdendo a empolgação por isso.
— Detalhes! – Exclamou, falando apressadamente ao telefone – Preciso de todos os detalhes – Exigiu, limpando as lágrimas que escorreram de seus olhos azuis e voltando a sentar na cama, agora pronta para ouvir tudo.
Sai ainda olhava confuso para a loira, acompanhando todos os seus movimentos e sem entender voltou para a sala, sentando ao lado de Tenten, que fazia algumas atividade de seu curso.
— Ino está pulando na cama – O Uchiha comentou, perdido em pensamentos.
— Ela deve estar muito feliz com alguma coisa – Tenten falou, não prestando real atenção no rapaz sentado ao seu lado.
Era completamente normal ver a Yamanaka saltitando pela casa quando de bom humor.
— Quando estamos felizes pulamos? – Questionou confuso, tentando achar algo a respeito dentre as coisas que já leu ao longo de sua vida. Nunca havia se expressado daquela forma... Estaria errado?
Se sentia feliz, então deveria se expressar da maneira certa?
— Sim, sim – Respondeu sem pensar muito. Estava respondendo uma questão particularmente difícil da atividade que fazia.
A Mitsashi estava concentrada em seu caderno, e quase foi arremessada junto a ele, quando Sai começou a pular no sofá. A morena acabou por acompanhar os movimentos dele sem querer, acabando por cair por cima das pernas dele, o fazendo se desequilibrar, indo parar os dois no chão.
— O que vocês estão fazendo?! – Ino perguntou assim que entrou na sala e viu a cena, os dois embolados ao pé do sofá, em uma posição muito esquisita, e aparentemente dolorida.
— Ser feliz doí – Sai concluiu, e Tenten teve que concordar.
• • • • • • •
— Sim, estou muito feliz! – Afirmou, enquanto terminava de colocar o pijama, o celular apoiado no ombro e as mãos tentando fechar o pijama – Depois converso melhor com todas vocês – Garantiu contendo um bocejo – Boa noite meninas! – Despediu já um pouco sonolenta.
Desligou o celular e finalmente deixou o bocejo sair. Estava realmente cansada e tudo o que queria era deitar em sua cama e dormir até o dia seguinte.
Sua cama.
Com a chegada de Tsunade, Sasuke a havia convencido a mudar de vez para o quarto dele, que agora pertencia a ela também. Olhou para o closet espaçoso, o lado esquerdo repleto de roupas sóbrias e ternos caros, enquanto o lado direito tinha suas recém colocadas roupas coloridas e vestidos de lojas de departamento.
Alguns sapatos ainda estavam em caixas, mas pretendia resolver tudo com a ajuda de Chiyo no dia seguinte. Saiu do closet, encontrando o Uchiha sentado na cama, já coberto e com os óculos de leitura, mexendo em seu tablet. Sanosuke havia pedido para dormir com eles, e nenhum dos dois teve como negar, então o pequeno já estava completamente adormecido, segurando o braço do pai, com as perninhas abertas já para fora da coberta.
— Suas amigas? – Sasuke perguntou, desviando momentaneamente os olhos da tela, focando na mulher, que mesmo vestindo pijamas e completamente desprovida de qualquer vaidade, era a mais bonita que já tinha visto na vida.
— Sim! – Respondeu, se aproximando da cama e deixando o celular no criado, agora enfeitado com seus itens pessoais, como porta retratos e alguns livros que gostava de ler antes de dormir – Elas estão completamente empolgadas com essa história de casamento – Comentou sorrindo, enquanto afastava o cobertor e deitava na cama confortável.
— Está tudo bem para você? – Largou o tablet no criado ao seu lado e olhou para a Haruno seriamente – Digo, está tudo bem como as coisas estão acontecendo?
— Admito que quando vim para Tóquio não esperava que tudo ocorresse tão rápido – Confessou tranquila, mesmo que tenha sentido o corpo dele ficar tenso com sua fala – Mas estranhamente estou tranquila, tenho consciência que nada ao seu lado vai ser muito comum mesmo! – Riu um pouco para descontrair, a voz baixa para que não acordasse o pequeno – Estou bem, Sasuke-kun! Eu aceitei embarcar nessa, e não pretendo desistir!
Eles se olharem por um tempo, antes de se aconchegarem melhor na cama para finalmente dormir.
— Obrigado – Ele sussurrou um tempo depois, quando já estavam deitados, com as luzes apagas e zelando o sono do filho. A última visão que teve antes de adormecer, foi o sorriso emocionado dela.
• • • • • • •
A nova família Uchiha tomava café da manhã junta.
Tsunade havia saído para comer fora, e Jiraya foi atrás, para garantir sua segurança e também que nenhum engraçadinho olharia para aquela que queria como futura esposa.
— Ino acabou de me ligar – Sakura informou ao sentar à mesa, ao lado do filho – Aparentemente estamos na capa de uma revista que ela adora! – Comentou, já tendo visto seu rosto na televisão e também no pouco que entrou na internet naquela manhã.
Todos já sabiam do noivado.
Chiyo se aproximou, deixando vários exemplares de revistas e jornais, onde a grande noticia era o casamento dos dois.
— É essa aqui! – Puxou da pilha a conceituada Hollywoodiana Japan, onde a capa anunciava o noivado dos dois, prometendo acompanhar todos os detalhes dos preparativos.
Folheando a revista, Sakura percebeu algo curioso.
— Eles sabem mais coisas sobre o meu casamento do que eu! – Comentou divertida, mostrando o lugar onde a cerimônia seria realizada. Um templo suntuoso, afastado do centro Urbano e com uma paisagem de tirar o fôlego. Já sobre o lugar da festa, tinham três apostas, que aparentemente eram as mais usadas pelos famosos.
— Estão bem informados – Sasuke falou, analisando a foto do templo Uchiha – Todos os casamentos do clã acontecem lá – Informou, surpreendendo a Haruno.
— Como eu disse – Apontou para a revista – Sabem mais coisas do que eu – E riu com gosto, voltando a folhear as páginas – Sasuke-kun – Chamou um pouco preocupa, recebendo um "Hn" como resposta – Quem é Vera Wang e como ela me conhece?!
O Uchiha apenas piscou algumas vezes atordoado, antes de sugerir que ela perguntasse para Ino.
E foi assim que Sakura passou boa parte do café da manhã, escutando um discurso onde a melhor amiga a repreendia por ser tão avulsa a moda e gente famosa. "Comece a comprar revistas como Hollywodiana para se situar melhor, agora que é rica e poderosa!", a loira aconselhou.
Querendo desligar o telefone, antes que soubesse até a comida preferida da estilista, despediu de Ino e voltou a se ocupar com sua comida. O assunto manteve se manteve banal, até que resolvessem começar conversar com o filho sobre a Sharingan.
Sanosuke estava empolgado sobre o que os pais falavam, parecia uma história dos livros que liam para ele antes de dormir.
— E todas essas pessoas que andam junto do seu pai, estão lá para proteger ele! – Sakura explicava pacientemente, limpando com o guardanapo um pouco de geleia que tinha no queixo do filho – E proteger você também!
— A gente é importante? – Perguntou, se desvencilhando das mãos da mãe. Odiava que ela ficasse limpando seu rosto o tempo todo.
— Sim – Quem respondeu foi Sasuke – Muito.
Tentavam fazer o filho entender, mesmo que superficialmente, o que faria parte da vida dele de agora em diante. Não podiam falar sobre máfia, violência e mortes com uma criança de quatro anos, mas podiam tentar da-lo uma noção do que significava ser filho do Oyabun.
Querendo ou não, Sanosuke seria criado em meio aquilo.
— Tipo príncipes? – Pareceu realmente empolgado com a possibilidade.
— Hm, acho que poderia ser considerado algo assim – Sakura ponderou, olhando para Sasuke, que deu de ombros – Chamam de Oyabun! – Revelou, falando devagar para que o pequeno entendesse – Você vai ouvir chamarem seu pai assim, mas é um segredo! – Se aproximou mais, abaixando a voz.
— Um segredo? – Sanosuke foi envolvido pela brincadeira da mãe, se aproximando dela, pronto para escutar o maior dos segredos.
— Só quem faz parte do clube pode chamar seu pai de Oyabun – Explicou, forçando seriedade, mas internamente querendo rir de como o filho parecia levar aquilo a serio, o rostinho estava tão concentrado que era absurdamente fofo – Não pode falar para ninguém, ouviu?
— Você sabe guardar segredos, Sanosuke? – Sasuke perguntou, e mesmo que não se esforçasse para entrar na encenação de Sakura, tinha a expressão séria de sempre, que já fazia qualquer assunto parecer realmente importante.
— Sei sim! – Não exitou em confirmar, fechando a mãozinha em punho – Só vou falar do clube com quem for do clube!
— Isso! – Sakura comemorou, beijando a bochecha do filho.
— Mas mamãe, como vou saber quem é do clube? – Questionou, ficando confuso.
Sakura olhou para Sasuke sem saber o que fazer, não havia pensado nisso.
— Todo mundo que for do clube vai usar uma pulseira vermelha – O Oyabun falou depois de um tempo pensando.
Para o bem do filho ordenaria que todos os membros da Sharingan usassem o acessório, obrigatoriamente.
Sakura o olhou sem entender, mas achou melhor confiar no Uchiha. Ele tinha mais experiência com essas coisas secretas afinal.
— Entendi! – O pequeno afirmou, o rostinho ainda sério, como se fosse realmente um membro de um clube secreto.
— Mas qualquer dúvida pergunte em voz bem baixinha para mim ou para seu pai, ok? – Sakura olhou seriamente para o pequeno, se certificando que ele havia entendido.
Ele acenou energicamente, e ficou concentrado em seus pensamentos, o rostinho ainda forçando uma seriedade que apenas o deixava adorável.
— Mais tarde Naruto vai leva-los para a sede – Sasuke falou, deixando os hashis de lado e se preparando para levantar, já tendo terminado a refeição – Esperarei por vocês lá.
o Uzumaki foi liberado de seus afazeres, para conversar com Neji a respeito de sua situação com Hinata. Parecia realmente obstinado a conseguir a aprovação do clã Byakugan para namorar sua "Doçura".
— Tudo bem – Sakura suspirou ansiosa, mas sorriu para o noivo – Bom trabalho, Sasuke-kun!
Ele sorriu de volta, um leve repuxar de lábios, mas Sakura sabia que era um gesto cheio de significados. O Uchiha abaixou e beijou levemente os lábios dela, e em seguida fez o mesmo, beijando dessa vez o topo da cabeça do filho, que sorriu caloroso para o pai, falando um animado, “Tchau papai!”
• • • • • • •
A Uchiha Corp. ainda estava em processo de reconstrução.
Não eram todos os andares que estavam em funcionamento, e a baixa nos funcionários havia sido grande. O clima ainda era de luto por todos que faleceram durante o “atentado”, mas aos poucos a empresa se reerguia, mostrando que o título de número um em sua área não era a toa.
A segurança havia sido reforçada de uma forma, que agora era praticamente impossível entrar sem ter horário previamente marcado e seus documentos verificados exaustivamente. Foram instalados detectores de metal em todas as portas, e as atendentes agora eram treinadas para agir em caso de emergência.
Gastando uma verdadeira fortuna, Sasuke mandou blindar todas as janelas do prédio, Sua fortuna pessoal foi afetada por tal extravagancia, mas ele não se importou, não passaria por tal situação novamente, ainda mais que agora seria comum ter tanto Sakura quanto Sanosuke andando por lá.
Nunca mais arriscaria a vida dos dois.
Sentado em sua cadeira, observava Itachi lhe estender os papéis que comprovavam a identidade do traidor, pensava no que faria com aquele que ousou ameaçar a vida das duas pessoas mais importantes de sua vida. Com toda a calma, pegou a pasta preta e abriu, correndo rapidamente os olhos pelos documentos e fotos.
Era ridiculo como ele poderia achar que passaria despercebido. Provavelmente o julgava como um moleque relaxado. Os membros mais antigos do clã costumavam compartilhar de uma ideia errônea, de que Sasuke seria um péssimo Oyabun devido a idade.
Estavam tão errados, que não era apenas o mais poderoso, como o melhor que já ocupou aquele cargo.
Aquele tipo de coisa não passava de um pensamento ridiculo, e a prova estava ali.
Uchiha Danzou.
Ele era de uma ramificação mais distante dos Uchiha, sendo primo de Fugaku e alguém que nunca teve lá muita relevância nas decisões da Sharingan, apesar de claramente almejar isso. Aposentado do clã desde uma missão onde teve parte do corpo queimado em um incêndio que ele mesmo provocou. Responsável pela segurança da Uchiha Corp. e o único que poderia ter facilitado a entrada da Akatsuki no prédio.
Era o tipo de pessoa que pensava em quanto mais poder melhor, sempre puxando a, já tão errada, Yakuza japonesa mais para os crimes hediondos do que deveria. Apesar de ser conhecido por sua crueldade, Sasuke não sentia prazer em matar ou infringir dor a quem quer que seja, coisa que Danzou apreciava e incentivava. Era o tipo de pessoa que levaria o Japão a ruína caso fosse Oyabun.
Por culpa daquele velho, que Sai não teve o acompanhamento necessário quando criança, e por isso hoje em dia tem tantas dificuldades em se relacionar com outras pessoas. Um homem tão ruim quanto Danzou, teve filhos fiéis ao clã, e isso Sasuke tinha que levar em consideração.
Em consideração aos primos, os afastou sem alardes, mas sabia que teria que interroga-los em algum momento. Não tinha tanto contato com Utakada quanto tinha com Sai, mas não queria sair fazendo acusações, por mais que fosse seu direito como Oyabun.
Resolveria sua situação com Danzou e só depois iria se entender com os primos.
Enquanto saía da Uchiha Corp., em direção a sede da Sharingan, pensava no que fazer com aquele infeliz, que ousou trair sua própria família. Nem viu o caminho, completamente perdido em pensamentos e ao chegar na mansão de aparência tradicional, tinha apenas uma certeza: Não teria piedade daquele homem.
— Ele está aguardando – Naruto falou, indicando as escadas que levavam ao porão, onde normalmente conseguiam as informações dos inimigos capturados. Enquanto andava ia tirando o paletó, a camisa social e recebendo sua Kusanagi, já a tirando da bainha pronta para ser usada. A tatuagem famosa, o falcão pousado nos galhos de cerejeiras, intimidava a todos a medida que ele cruzava o corredor em direção a porta.
Terminou de descer a escada, e Danzou soube que ia morrer assim que viu a katana brilhar na luz fraca daquele lugar.
— Achou que me faria de idiota – Falou em seu tom mais desprovido de emoções, tão frio que fez o homem amarrado à cadeira se arrepiar, sentindo verdadeiro medo do Oyabun – Eu posso ser jovem, mas não sou burro! – E como para pontuar sua sentença, em um movimento rápido, atingiu o braço esquerdo do mais velho, que gritou horrorizado.
Agora estava preso à cadeira apenas pela mão direita.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Você ousou colocar em risco a vida da minha mulher e do meu filho – Sibilou, a luz tremeluzente não sendo suficiente para que Danzou visse o rosto de Sasuke, apenas tendo vislumbres do torço nu e os braços fortes, a mão direita segurando a katana agora suja com seu sangue, fazendo todo o cenário ser assustador.
— Fale – Ordenou se movendo novamente, e atingindo dessa vez a perna, tanto dele quanto da cadeira, fazendo o homem completamente em desespero ir ao chão, gritando.
Enquanto isso, tão silencioso que Danzou nem havia se dado conta da presença, Naruto caminhava pelas sombras, observando e pronto para interferir caso fosse necessário. Fazia tempo que não via o Oyabun em ação daquela forma.
Mexer com a família de Sasuke foi o maior erro que ele poderia ter cometido.
— FALE – Rugiu furioso golpeando a cabeça de Danzou uma vez, com o punho fechado da mão livre – Traidor – Acusou com nojo – MINHA FAMÍLIA INTEIRA ESTAVA NAQUELE PRÉDIO! – A voz saiu tão carregada de raiva que até Naruto se sobressaltou – ERA SUA FAMÍLIA TAMBÉM! – Acertou mais um golpe.
— Orochimaru me prometeu a liderança do clã Uchiha – Cuspiu sangue, já sem esperanças. Nunca havia visto o Oyabun tão enfurecido e sabia que não havia forma de sair vivo – Quando ele te matasse, a Sharingan seria minha!
— E veja só, agora Orochimaru está longe e você está aqui! – Zombou arrastando a Katana levemente pelo chão, a lâmina próxima ao rosto de Danzou, fazendo com que ele conseguisse ver seu rosto em pânico refletido ali. O barulho agourento, o fazia pensar que logo morreria.
— Ele vai voltar, e vai te matar! – Ousou ameaçar, sentindo-se bem apenas por imaginar Orochimaru voltando e arrancando a cabeça de Sasuke – Você e sua família de merda...
E o braço foi levantado de uma vez, fazendo a katana subir precisamente, separando a cabeça do corpo.
Finalizando ali a vida do traidor do clã.
• • • • • • •
De banho tomado, Sasuke entrou na sala de reuniões. Tinha duas três noticias para dar aos presentes, e não estava com paciência para reclamações, então esperava sinceramente que não houvesse nada do tipo.
Fugaku e Mikoto estava por lá também, assim como todos os membros relevantes do clã, de menos Sai e Utakada que estavam afastados.
— Nada do que será falado por mim agora, está suscetível a discussões – Anunciou imponente como apenas ele conseguia ser – Tenham consciência disso antes de abrirem a boca – Olhou significativamente para Madara, que arqueou a sobrancelha confuso.
Fugaku, Mikoto, Itachi e Naruto apenas observavam, já sabendo do que se tratava parte do que o Oyabun tinha para falar.
— Como é do conhecimento de todos, algum tempo atrás a Uchiha Corp. foi atacada – Começou a falar. Estava tão irritado, que não conseguia se manter sentado em seu lugar de costume – E descobrimos que o responsável foi Danzou.
Exclamações foram escutadas por toda a sala, e provavelmente os rostos mais chocados eram os de Madara e Fugaku, que segurava a mão de Mikoto. Haviam crescidos juntos, e descobrir que aquele que era praticamente um irmão, havia sido o responsável por tamanho desastre no clã,
— Tudo a respeito desse infeliz acontecimento está explicado dentro dessa pasta que Izumi está distribuindo, peço que analisem depois – Continuou sério, ignorando as conversas paralelas que se iniciaram na sala. A noticia havia chocado a todos.
— O que fez com ele Sasuke? – Fugaku perguntou, tremendo de irritação.
— Matei – Respondeu simplesmente, chocando mais ainda os presentes naquela sala – Ele ameaçou minha família, e isso eu não perdoo.
— E quanto aos filhos do traidor? – Madara questionou perdido entre irritação e decepção.
— Afastados temporariamente – Informou – Ainda não sabem do acontecido e vou conversar pessoalmente com cada um.
— Deveriam ter o mesmo destino do pai – Madara sugeriu – Obviamente estão envolvidos nessa traição.
— Como disse antes, nada está suscetível a discussão – Falou olhando diretamente para o tio, que se encolheu no lugar, sentindo que aquele não era um bom dia para discutir com o Oyabun – Sai e Utakada são inocentes até que se prove o contrário, e essa é minha decisão.
Mais conversas, enquanto Sasuke continuava andando pela sala, tentando organizar os pensamentos e não surtar.
Foi tempo demais longe de toda essa pressão, e agora parecia demais para ele aguentar.
— Mas mais importante que isso – Fechou os olhos, já se preparando para as reações – Vou me casar com a mãe de Sanosuke.
E todos se levantaram de uma vez de seus lugares, falando ao mesmo tempo, discutindo entre si e tentando chamar a atenção do Oyabun. Naruto observava boquiaberto, era a reunião mais confusa que já havia presenciado. Todos pareciam desorientados, entretanto a única coisa que o preocupava era Sasuke... Ele estava atingindo o limite de maneira mais rápida que o normal.
Conseguia ver como ele estava tenso, andando pela sala e tentando se acalmar, sem sucesso.
— CALADOS! – Ordenou, batendo a mão em punho na parede – Isso não está em discussão... Eu vou me casar e vocês vão aceita-la – Rugiu a ordem, claramente ameaçando a todos.
— ELA É DE FORA DO CLÃ! – Madara protestou igualmente irritado, ameaçando se aproximar do sobrinho.
— E o que é que tem isso?! – Mikoto questionou, se levantando para enfrentar o cunhado – Eu também era!
— É diferente! – Retrucou direcionando o foco de sua irritação para a mulher – Ela não é digna do clã! É a amante! UMA QUALQUER!
E ninguém soube o que chegou mais rápido, se foi o tapa de Mikoto ou o punho de Sasuke, que socou o maxilar do tio com força.
— É de sua futura Hime que está´falando, então mais respeito! – Madara olhou irado do sobrinho para a cunhada, e quando ameaçou revidar o golpe, Fugaku se levantou de uma vez da cadeira de rodas, colocando a esposa para trás de seu corpo.
— Sente em seu lugar agora, e aprenda a ter respeito pelos seus superiores – Sibilou tão frio quanto Sasuke, que olhava com ravia para o tio, sendo contido por Naruto – A jovem já sabe sobre o clã e aceitou o pedido, ela será Hime – o ex-Oyabun sentenciou, firmando melhor o corpo, ficando de pé ao lado de Sasuke, os dois Uchiha olhavam para todos os membros do clã, de forma que ninguém mais teve coragem de contestar.
— Ela é uma boa pessoa – Itachi falou, assim que os ânimos se acalmaram um pouco – Confiou nela para ser Hime.
— Se é a escolha do Oyabun-sama, então tem meu completo apoio – Kakashi tomou a palavra, sorrindo descontraído para aquele que costumava ser seu aluno.
Aos poucos todos foram se acalmando, pedindo explicações e questionando sobre como seria a mulher que os lideraria junto ao Oyabun.
— Vocês vão conhecer não apenas ela, como meu filho também – Sasuke olhou para Naruto, que assentiu antes de enviar uma mensagem para os seguranças que deixou responsável pelos dois.
— Eles estão vindo.
• • • • • • •
Sakura segurava firme a mão do filho, a medida que entrava naquela mansão tradicional japonesa.
Haviam homens e mulheres espalhados para todos os lados, e enquanto ela avançava pelos corredores, era alvo de olhares curiosos. Eram muitas pessoas, que surgiam de portas, ou podiam ser vistas pelas janelas, nos jardins ou então no pátio.
Então era assim que eram os mafiosos?
Esperava algo mais agressivo e talvez... Malvado. Alguns pareciam até bem simpáticos, e naquele momento se arrependeu de não ter feito mais biscoitos. Não tinha noção de quantas pessoas compunham a tal Sharingan, mas pelo visto havia errado feio, com seus 80 biscoitos com gotas de chocolate, que pretendia distribuir para os "colegas de máfia" do noivo.
— Mamãe, aqui é o clube secreto? – Sanosuke perguntou baixinho.
— É sim! – Respondeu, e logo depois apontou para o pulso de dois homens que passavam. Eles usavam pulseiras simples na cor vermelha, assim como Sasuke garantiu que aconteceria.
— Que legal! – Exclamou empolgado, acenando sorridente para os dois, que apenas olharam sem entender o que aquela criança fazia ali.
Viraram em um corredor, e ao final dele avistaram Itachi e Naruto, que tinham uma expressão séria, que logo se iluminou ao avistarem o pequeno.
— Tio Tachi, Tio Naruto! – Sanosuke soltou a mão de Sakura e disparou pelo corredor, se jogando nos braços do loiro, que o levantou, jogando para o alto repetidas vezes.
— Sejam bem vindos! – Itachi cumprimentou, cutucando a bochecha rosada do sobrinho.
— Obrigada! – Sakura sorriu, tentando deixar o nervosismo de lado – Aceitam biscoitos? – Abriu o pote que tinha em mãos, e ofereceu para os dois, que a olharam desacreditados.
— Opa! – O Uzumaki, apesar de achar completamente inusitado a Haruno ter trago biscoitos para distribuir, aceitou de bom grado. Adorava a comida dela.
Itachi também aceitou, e quando percebeu a Haruno já estava distribuindo os biscoitos por todos que estavam naquele corredor. Puxando assunto e comentando sobre comidas preferidas e no que pretendia trazer da próxima vez
— Estou me enturmando! – Foi o que ela respondeu, quando Naruto questionou o que estava fazendo.
— Ela vai ser a melhor Hime do século! – Kakashi comentou, assustando os dois, que permaneciam a observando interagir com os membros do clã. O Hatake analisava a maneira como a jovem de cabelos rosados se mexia entre aqueles, que deveriam intimida-la.
Obito e Shisui também chegaram, saídos da sala de reuniões, completamente estressados, como tudo o que havia sido discutido. Mas imediatamente perceberam o clima leve que estava naquele corredor.
— Isso é cheiro de biscoitos? – Obito perguntou para Itachi, que indicou a Haruno.
— Contemplem sua próxima Hime! – Como se atendendo um chamado, ela virou, sorridente e cheia de cor, diferente dos homens vestidos com roupas escuras ou ternos. Vendo mais dois desconhecidos, ela logo se aproximou.
— Muito prazer, eu sou Haruno Sakura! – Cumprimentou com uma mesura – Aceitam biscoitos?
Os dois recém chegados se olharam, mas por fim aceitaram, elogiando assim como os outros depois de comer.
Sanosuke comia alguns biscoitos também, se mantendo quieto e distraído enquanto isso. Entretanto, foi apenas eles acabarem, que começou a reparar no que acontecia em volta. Com atenção, analisou todos os homens altos e fortes que estavam por perto, o pulso de cada uma devidamente fiscalizado e ao ver várias pulseiras vermelhas, não se conteve mais.
— Ei, vocês sabem onde está o bumbum? – Perguntou em toda sua inocência, fazendo o corredor ficar em um silêncio constrangedor.
— Como assim, querido? – Sakura perguntou, desconcertada com a fala do filho.
— O bumbum! Viemos ver ele, não é? – Questionou com os olhinhos brilhantes.
— O que seria o... Bumbum? – Naruto perguntou, contendo a risada, por já ter uma ideia de quem o pequeno falava.
— Ue, Tio Naruto! O meu papai! – Explicou com toda a propriedade, cruzando os bracinhos – Ele é o bumbum, não é?
Naruto e os três Uchiha não conseguiram segura, se olharam por um segundo e em seguida caíram na gargalhada. O loiro inclusive tendo que se apoiar na parede, tentando se equilibrar enquanto ria como nunca antes em sua vida.
Atraídos pela confusão, Sasuke, Madara, Fugaku e Mikoto saíram da sala de reuniões, encontrando uma cena inusitada.
Sakura estava roxa de vergonha, segurando uma vasilha onde ainda haviam alguns biscoitos, os mesmo que estavam nas mãos de vários dos homens que estavam espalhados pelo corredor, os rostos contorcidos como se quisessem rir. Naruto praticamente sentado no chão, rindo escandalosamente. Os três Uchiha, apesar de mais contidos, também riam. E por fim, Sasuke viu seu pedaço de gente completamente emburrado, os bracinho cruzados e no rosto um biquinho adorável.
— O que está acontecendo aqui? – Exigiu saber, olhando para todos aguardando uma resposta.
— Aconteceu, que seu filho é ótimo! – Shisui tentava parar de rir, apoiado em Obito, que já havia desistido de tentar, se rendendo a gostosas risadas.
— O que Sanosuke fez? – Perguntou para Sakura, que parecia prestes a desmaiar de vergonha.
— Pergunte para ele! – Itachi sugeriu.
— O que aconteceu? – Se abaixou, ficando da altura do filho, surpreendendo todos que estavam naquele corredor, que ainda não haviam visto o Oyabun daquela maneira.
— Eu não sei porque eles estão rindo de mim, papai – Sanosuke reclamou com a voz chorosa, fazendo manha para ganhar um pouco atenção e mimo – Eu só queria ver você.
Na mesma hora Sasuke levantou com o pequeno no colo, olhando irritado para todos que estavam por ali, os fazendo inconscientemente dar um passo para trás.
— Sano, fala para o seu pai como você estava procurando por ele – Itachi sugeriu, mais controlado daquela vez – Como você estava chamando por ele.
Sanosuke piscou os olhinhos, confuso e sem entender o que acontecia.
— Eu pedi para ver o bumbum! – Falou olhando então para o pai, sem conseguir entender o que havia de errado.
E dessa vez nem Sakura aguentou, começando a rir, sendo acompanhada por Mikoto e até Fugaku, virou o rosto, para esconder que também estava rindo.
— Não ligue para isso – Sasuke falou, tentando animar seu filho, mesmo que lhe faltasse jeito para isso – Venha conhecer a sala de reuniões – Sugeriu para distrair o pequeno, enviando um último olhar irritado para o grupo – E é Oyabun – A voz de Sasuke corrigindo o filho foi a última coisa que escutaram antes da porta fechar.
Mikoto lançou um olhar compreensivo para a futura nora, e fez com que Fugaku sentasse de volta na cadeira de rodas, o empurrando pelo corredor. Izumi e Itachi se afastaram um pouco, para conversar sobre a reunião, e restou apenas a Haruno e os Uchihas que ainda não conhecia direito.
— Peço desculpar por isso! – Sakura falou ao encontrar sua voz – Ele não entendeu muito bem como se pronunciava – Explicou.
— Será que essa criança não teria alguma dificuldade de aprendizagem? – Madara perguntou desconfiado, e na mesma hora ela voltou sua atenção para ele.
— Meu filho não tem nenhuma dificuldade – Tratou de esclarecer, mas sem tirar o sorriso gentil dos lábios – Ele ainda é pequeno e comete erros.
— Se tivesse sido uma criança criada no clã, não cometeria esse tipo de erro – Alfinetou, inconformado com a moça simples que via à sua frente. Em sua opinião, por mais bonita que fosse, não tinha o perfil de uma Hime.
— Peço desculpas senhor, mas a educação do meu filho só diz respeito a mim e ao meu noivo – Não se deixou abalar, apesar de por dentro ter ficado chateada com a forma que foi recebida por aquele homem.
— A partir do momento que ele nasce como um Uchiha, a educação dele diz respeito a todo o clã – Insistiu, vendo a confiança dela abalar levemente.
Sakura então fechou os olhos, inspirou e expirou calmamente, antes de abrir os olhos novamente, o sorriso gentil ainda no lugar.
— Aceita biscoitos? – Estendeu a vasilha na direção dele, que mesmo desconfiado pegou um, mastigando e apreciando o sabor – Acredito que começamos com o pé esquerdo, poderia me dizer quem é o senhor?
— Sou Uchiha Madara, Wakagashira e tio do Oyabun – Falou com orgulho, após mastigar o último pedaço do biscoito.
Poderia não servir para Hime, mas era definitivamente uma ótima cozinheira.
Sakura alargou o sorriso, estendeu a vasilha quase vazia para um irritado Naruto, e se aproximou mais do homem desagradável. Sua postura era simpática e Madara a achou muito estranha naquela momento.
Não via motivos para ela continuar sorrindo.
— E eu sou Haruno Sakura – O sorriso adorável sumiu de uma vez, e ela nunca pareceu tão séria – noiva do Oyabun e sua futura Hime, muito prazer!
Fale com o autor