Resiliência
10 Capítulo 10 - Aquela por quem ele faria qualquer coisa
Notas iniciais

O táxi parou em frente ao prédio mais alto da cidade onde o letreiro “Uchiha Corp.” brilhava orgulhoso na fachada.
— Ino, você tem certeza que sabe o que está prestes a fazer? – Tenten perguntou quando desceram do carro depois de pagar a corrida.
— Não – Disse simplesmente, ajeitando o rabo de cavalo sempre impecável mas que agora estava meio desorganizado por toda a correira – Mas não tenho nenhum outro plano.
— Talvez se fossemos na policia eles poderiam ajudar – Sugeriu mais uma vez esperançosa.
— E arriscar a vida da Sakura?! – Perguntou indignada – Não mesmo! Não sabemos com quem estamos lidando e só de ter o nome do todo poderoso aí envolvido quer dizer que tem muito dinheiro na jogada, coisa que não temos – Explicou com as mãos na cintura enquanto analisava o prédio imponente e luxuoso tentando se manter calma – Aposto que é gente querendo subornar o Uchiha e a Sakura está sendo usada para chantageá-lo! Isso sempre acontece nas séries – Explicou com seriedade e toda a propriedade de quem assistiu várias temporadas de Criminal Minds e CSI.
Tenten suspirou um pouco desacreditada mais deixou para Ino resolver a situação.
Saíram de casa logo apos a loira decidir falar com o tal Uchiha e pegaram o primeiro voo que conseguiram para Tóquio. A viagem não foi longa mas Ino passou todo o caminho chorando e apenas pareceu se acalmar quando entraram no táxi. Mas a Mitsashi sabia que por dentro ela estava fervendo e tinha dó do Uchiha quando a Yamanaka o encontrasse.
— Aparentemente qualquer um pode entrar na recepção – Ino analisou vendo o fluxo de pessoas bem vestidas entrando e saindo – Não estou vestida como queria mas vamos lá!
Tenten analisou a roupa da amiga refletindo sobre o fato. Calça jeans justa, moletom vermelho e saltos louboutin altíssimos no pé, o cachecol preto já havia ido para dentro da bolsa e agora ela terminava de passar um batom vermelho nos lábios. Estava belíssima, mas não tanto como sábia que estaria se a visita tivesse sido planejada.
Infelizmente na pressa não trocaram nem de roupa, saíram correndo com as que chegaram da faculdade mesmo. E por conta disso, por baixo do casaco Tenten usava uma regata e nos pés tênis velhos. Se sentiu extremamente desmotivada de existir perto de tanta gente elegante.
Definitivamente não estavam tão arrumadas quanto os engravatados que por ali transitavam mas não tinham o que fazer a respeito disso.
Desviaram de algumas pessoas e logo também entravam pelas portas automáticas de vidro.
A atmosfera ali dentro até parecia diferente. O cheiro era agradável e tudo exalava luxo e modernidade.
O piso branco era tão lustroso que conseguiam ver seus reflexos ao andar por ele até a grande bancada que compunha a recepção. As mulheres que ali ficavam estavam impecavelmente arrumadas e tinham uma postura profissional enquanto digitavam incessantemente em computadores de última geração. Atrás delas uma enorme tela LCD mostrava orgulhosa os produtos tecnológicos e últimas novidades produzidas pela Uchiha Corp.
— O desgraçado é realmente muito rico – Ino comentou fazendo uma careta quando uma foto dele totalmente sério e com pose superior passou pelo telão – Maldito.
— Tudo teria sido mais fácil para ela se tivesse vindo atrás dele, não é? – Tenten perguntou admirando o ambiente também. Definitivamente o tão falado ex-namorado de Sakura era alguém muito bem de vida.
— Muito! O homem é o mais rico do Japão e está entre os 20 mais ricos do mundo! – Respondeu inconformada lembrando de todos os apertos que a Haruno passou nos últimos anos – Mas ela teve os motivos dela e teve meu total apoio – Justificou para finalizar logo o assunto.
A Mitsashi assentiu e por fim finalmente se fizeram vistas pelas atendentes atrás da bancada.
— Bem vindas a Uchiha Corp. em que posso ajudar? – Perguntou uma delas em um tom extremamente profissional, nem parecendo reparar nas vestes pouco adequadas das duas.
Ino estufou o peito, fez carão e com a maior cara de pau disse:
— Viemos ver o Senhor Uchiha Sasuke – “Filho da puta, desgraçado” completou em pensamento.
A máscara de profissionalismo da atendente tremeu por um minuto e inevitavelmente Ino sentiu que os olhos dela avaliaram discretamente suas roupas.
— Nomes? – Sorriu como se não tivesse acabado de comprovar que as duas não deveriam estar por ali.
— Yamanaka e Mitsashi – Ino respondeu batendo o pé impaciente no chão – Olha, vou ser bem sincera com você querida – Se aproximou tendo a total atenção da mulher – Não temos hora marcada com o Senhor Uchiha, mas precisamos falar com ele urgentemente!
A mulher piscou os olhos um pouco surpresa pelo tom repentinamente rude de Ino.
— Me desculpe, mas vocês não tem hora marcada? – Perguntou suspirando – Sinto muito, mas nesse caso não posso ajuda-las – Se desculpou o mais sincera que conseguiu – A agenda do Senhor Uchiha está lotada – Explicou polidamente.
— Desculpa querida, mas você não esta entendendo – Ino tentava manter a calma, mas o relógio que vez ou outra aparecia no telão intercalado com as imagens da Uchiha Corp. lembrava que já faziam seis hora que Sakura estava desaparecida – Eu preciso falar com o Senhor Uchiha, agora!
O tom da loira saiu ríspido e os olhos azuis arregalaram um pouco fazendo a funcionária se sobressaltar na cadeira.
— Desculpa mas... – Começou a falar mas foi cortada.
— Não desculpo não! – Exclamou atraindo a atenção das outras atendentes – Eu preciso falar com ele AGORA!
As atendentes trocaram um olhar apreensivo e um delas olhou significativamente para um dos vários seguranças espalhados pelo lugar. O homem começou a se aproximar como quem não quer nada e ficou atento a qualquer coisa que as duas visitantes fizessem.
— Vou ligar para Izume-san – Uma outra atendente falou baixo para a que lidava com Ino e pegou o telefone discando rapidamente – Izume-san? Estamos com uma situação aqui na recepção... Querem ver Uchiha-sama. – A moça batucou a caneta que tinha em mãos na mesa e fez uma breve careta – Entendo, muito obrigada mesmo assim! – E desligou o telefone suspirando e voltando a sorrir profissionalmente – Sinto muito, mas acabei de falar com a secretária pessoal do senhor Uchiha e ela me informou que ele está em reunião e logo depois se ausentara para um compromisso. Infelizmente não tem como atende-las no momento, mas se me deixarem o contato de vocês acredito que posso agendar algo para daqui duas semanas... – Falou enquanto consultava a agenda que Izumi havia lhe passado por email onde todos os dias estavam ocupados.
Ino assimilou as palavras com toda a paciência que não tinha. Inspirou e expirou várias vezes espalmando as mãos na bancada enquanto fechava os olhos com força.
Imagens do que poderia estar acontecendo com Sakura naquele momento invadiram sua imaginação como um trem desgovernado e foi o suficiente para ela abrir os olhos de uma vez jogando tudo para o alto.
— QUE TIPO DE LUGAR É ESSE?! – Rugiu mais irritada que nunca – Que tipo de CEO é esse? Ele é tão importante que não pode atender os meros mortais como nos?! – Gritou batendo as mãos na madeira – EU PRECISO VER A MERDA DO UCHIHA, A-G-O-R-A – A voz dela saiu alta o suficiente para atrair a atenção de todos que estavam no lugar.
— Senhorita, queira me acompanhar por favor – O segurança que já vigiava as duas se aproximou.
— Eu não vou te acompanhar para porra de lugar nenhum! – Olhou tão ameaçadora para o homem que ele deu um passo para trás acuado.
— Senhorita, se acalme por favor – As atendentes começaram a se apavorar vendo a situação. Nunca nada parecido havia acontecido na Uchiha Corp. e elas não tiveram treinamento necessário para tal acontecimento.
— Me acalmar? ME ACALMAR?! – Sua voz foi subindo cada vez mais – Só vou me acalmar quando aquele merda vier aqui ajudar a salvar a minha amiga! INFELIZ DESGRAÇADO! – Derrubou alguns arranjos que enfeitavam a recepção produzindo mais barulho ainda.
Tenten observava a cena sem saber exatamente o que fazer. Entretanto, tinha uma certeza: não sairia dali sem uma solução para o sequestro de Sakura. Nem que para isso tivesse que ajudar Ino a por fogo naquele prédio.
— Senhorita – Outros seguranças se aproximaram rapidamente e quando um tocou no braço da Yamanaka ela o olhou como se tivesse cometido o pior dos crimes.
Tirou da bolsa o celular e entregou para Tenten que olhou do aparelho para a amiga sem entender.
— Tenten filma – Abriu os braços mostrando todos ao redor – Filma isso que está situação é absurda – Olhou das atendentes apavoradas para o número cada vez maior de seguranças que as cercavam – Saibam que tenho 2,9 milhões de seguidores no instagram e mais de 1 milhão no snapchat! – Anunciou como se estivesse mostrando seu distintivo policial – Quero ver o que meus seguidores vão achar desse absurdo!
Ino nas horas vagas fazia videos com tutoriais de maquiagem e dicas de moda para o youtube. Ganhou popularidade rapidamente devido ao seu talento e irreverencia na frente das câmeras. Ganhava uma boa quantia por mês com patrocinadores e tinha as redes sociais movimentadas, onde seguidores acompanhavam tudo o que ela fazia. Não era nada demais comparada as outras blogueiras de moda por aí mas ela se divertia muito em meio a tudo isso.
— Senhorita por favor... – A mulher que as atendeu parecia mortificada com a cena toda.
— Senhorita é o caralho – Não mediu as palavras apontando para a mulher – Vocês vão ver, eu vou acabar com o nome dessa empresa!
Sabia que estava sendo exagerada e era exatamente o que queria. Precisava chamar atenção o suficiente para que o desgraçado descesse de sua torre.
E vendo Tenten mirar o celular em sua direção e reparando em vários outros que a platéia também lhe direcionava não pensou duas vezes e tirou a blusa de moletom ficando apenas com o sutiã preto que delineava bem os seios fartos.
— QUERO VER O UCHIHA AGORA – Jogou o moletom na cara da atendente – Se ele não aparecer aqui vocês vão se arrepender – Não se importou com os flashs indicando que estava sendo fotografada, quanto mais atenção recebesse melhor.
— Senhorita, eu realmente tenho que insistir para que você nos acompanhe para fora – O segurança a segurou no exato momento que a Yamanaka fez menção de subir na bancada e foi o estopim para que a loira começasse a se debater gritando histérica.
— EU VOU EXPOR ELE! – Gritava sendo carregada por dois seguranças agora – AQUELE CORNO VIADO DOS INFERNOS – Se debatia sem se importar com nada. Precisava fazer aquele homem aparecer ali antes que fosse presa – UCHIHAAAAAAAAA!
Tenten que segurava o celular filmando tudo arregalou os olhos e colocou o aparelho no bolso imediatamente antes de simplesmente pular em cima do homem.
— NÃO ENCOSTA NELA! – Gritou furiosa derrubando o primeiro segurança – Babacas! – Derrubou o segundo e acertou as costelas do terceiro.
A Mitsashi cursava educação física alem de praticar várias lutas e estar sempre fazendo algum exercício. Pouco tempo atrás havia participado de um curso de defesa pessoal e três vezes por semana praticava muay thai com Sakura, que procurou ajuda da amiga para perder alguns quilinhos que ganhou. Estava mais que capacitada para lidar com aqueles idiotas.
Lembrar da Haruno fez com que ela tivesse mais disposição ainda para enfrentar os armários que brotavam de todos os cantos tentando conte-las.
Não sairia dali sem conseguir ajuda do maldito Uchiha.
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— Sasuke? – Naruto chamou o amigo que olhava para a janela, completamente distraído.
— Hn – Voltou sua atenção para a sala onde o Uzumaki junto de Itachi tentavam lhe mostrar algo relacionado ao próximo lançamento da Uchiha Corp.— O que foi?
Naruto e Itachi se entreolharam e por fim o loiro suspirou apontando para alguns papéis em frente à Sasuke.
— Cores do novo Uphone – Explicou pela terceira vez naquela manhã – Você precisa aprovar.
Sasuke piscou algumas vezes e passou as mãos pelos cabelos, se remexendo na cadeira para se acomodar melhor. Pegou os papéis onde o aparelho celular símbolo da Uchiha Corp., o famoso Uphone, estava estampado em várias cores diferentes.
— Vamos disponibilizar tantas cores assim? – Perguntou surpreso, só agora se dando conta da variedade de tons à sua frente.
— O pessoal do Marketing sugeriu visto as últimas pesquisas de mercado – Itachi respondeu – Os consumidores gostam de personalização e esteticamente é algo que vai chamar atenção.
— Mas só podemos lançar três cores – Naruto completou – Então a palavra final é sua.
Sasuke assentiu e voltou a analisar as opções. O Uphone normalmente vinha nas cores preto, prata e branco. Mas agora, alem das tradicionais, mais três seriam acrescentadas.
O aparelho era moderno, fino e leve. A melhor tecnologia já criada quando o assunto é aparelho celular foi empregada na fabricação dos Uphone. Atualmente são os melhores no mercado e já estavam começando a expandir suas fábricas para o mundo. Se tudo corresse bem, em quatro meses a primeira fábrica da Uchiha Corp. fora do Japão seria inaugurada.
— Azul me parece bom – Comentou analisando a cor – Mas preferia que fosse em um tom mais escuro. Quem decidiu a palheta de cores?
— Ideia do pessoal do Marketing – Itachi explicou – Aparentemente é para atrair o público jovem.
— Então deixe como está – Deu de ombros. Não sabia nada o que agradava a juventude atualmente e isso era ridiculo. Apenas 28 anos e já se sentia um velho – Vamos manter o azul então.
— Só porque é uma das suas cores preferidas – Acusou o loiro e Itachi riu.
Sasuke bufou e ignorou o melhor amigo.
— Verde também – Disse analisando o desenho – Também manteremos o verde.
— Agora só falta mais uma cor – Itachi falou pegando os desenhos referentes ao “azul” e ao “verde”.
As opções eram coloridas demais para alguém como Sasuke que apreciava cores escuras e sóbrias, mas analisou com o máximo de atenção que conseguiu, imaginando o resultado final nas mãos dos consumidores.
Laranja – que provavelmente foi ideia de Naruto, Roxo, Dourado, Vermelho e... Rosa. Com interesse pegou o papel com o desenho do Uphone cor de rosa e imediatamente sua mente traiçoeira projetou a imagem de uma pessoa que gostaria de ter um celular daquela cor.
“Mas ela tamparia com aquelas capinhas de bichinho”, pensou perdido em pensamentos.
Naruto e Itachi olhavam em expectativa para Sasuke que parecia estar em outro mundo.
— Rosa – Disse por fim estendendo o papel para Itachi que o pegou surpreso.
— Wow – Exclamou rindo – Por essa eu não esperava.
— Podia ter escolhido o laranja – Resmungou o Uzumaki indignado – Vou mandar fabricar um só ‘pra mim! Tô certo! – E pegou o papel pensando em fazer uma visitinha para a equipe de engenheiros responsáveis pela fabricação dos aparelhos.
Itachi riu e começou um debate com Naruto sobre não abusar de sua posição na empresa para fazer esse tipo de exigências.
Enquanto isso Sasuke pensava nela.
Desde que voltou de Konoha seus pensamentos em relação a Sakura apenas pioraram. Aparentemente estar tão perto dela fez o sentimento já tão presente aumentar exponencialmente.
E agora enfrentava uma batalha diária para não largar tudo e ir atrás dela, já que sabia exatamente onde procura-la.
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— Felizmente eu consegui remarcar a reunião das 11:30h – Izumi falava acompanhando os passos do chefe que ia em direção ao elevador acompanhado por Naruto e Itachi, que tentava conseguir a atenção da esposa de qualquer forma – Então o senhor vai poder almoçar – Deslizou o dedo pelo tablet – O carro já está esperando na entrada, 15 minutos até a próxima reunião e o transito está favorável.
— E você está maravilhosa – Itachi beijou a bochecha da Uchiha e entrou no elevador rindo – Amo você!
— Maldito – Xingou vendo as portas se fecharem e o rosto de expressão arteira do marido sumir, mas segundos depois sorriu apaixonada e voltou para sua mesa.
No elevador o silêncio seria total se não fosse Naruto cantarolando uma música idiota.
— Chega – A voz de Sasuke saiu fria e o Uzumaki se calou no mesmo momento. O moreno não estava no melhor dos humores e era melhor não provocar.
Pararam no décimo andar e Sai entrou sorrindo.
— Uchiha-sama— Fez uma mesura respeitosa. Fora da Sharingan todos o tratavam pelo sobrenome seguido pelo sufixo respeitoso – Estão de saída? – Perguntou curioso.
— Sim – Itachi respondeu.
— Reunião – Naruto resmungou inconformado. A agenda naquela semana estava uma loucura por conta da viagem que fizeram para Konoha. Tudo tinha atrasado e se acumulado de uma forma que mal tinham tempo para as refeições.
— Faz tempo que não compareço a uma reunião da empresa – Comentou – Costumam não gostar da minha presença.
— Mas é claro! – Naruto retrucou – Apontar todos os pontos negativos do produto em frente a uma mesa cheia de investidores foi sua decisão mais inteligente – Zombou revirando os olhos azuis.
Fugaku quase enfartou quando Sai começou a enumerar as desvantagens que os homens teriam ao investir na Uchiha Corp., e quando foi questionado, aos berros, o porque daquilo respondeu simplesmente que não poderia deixar que fechassem negócio sem saber de todos os detalhes importantes.
Foi o suficiente para Sasuke atender os pedidos do pai e banir Sai de qualquer reunião ou negociação importante. Agora cuidava apenas de assuntos relacionados ao seu cargo na empresa: Designer de produtos eletrônicos.
— Obrigada – Sorriu mas pareceu pensar um momento e então virou para Itachi – Ele estava sendo irônico, não é?
— Sim – Respondeu sentindo pena do rapaz. Sai tinha dificuldade em perceber quando as pessoas falavam sério ou não.
— Nesse caso – Sorriu e olhou para o Uzumaki – Pelo menos eu não tenho pinto pequeno.
E a porta do elevador abriu e o Uchiha saiu antes que Naruto pudesse fazer qualquer coisa a respeito.
Sasuke bufou com o estardalhaço que Naruto começava a armar pelo insulto e se apressou para sair também, não estava com a minima paciência.
Mal havia colocado os pés para fora do elevador quando uma agitação incomum atraiu sua atenção.
Naruto que vinha logo atrás viu a movimentação e como reflexo entrou na frente do Uchiha com a mão já pronta para puxar sua arma caso fosse necessário.
— EU VOU EXPOR ELE! – Escutou uma voz feminina gritar a plenos pulmões – AQUELE CORNO VIADO DOS INFERNOS – Sasuke estreitou os olhos e Itachi trocou um olhar confuso com Naruto – UCHIHAAAAAAAAA!
Sem pensar duas vezes Sasuke se desvencilhou de Naruto e andou até a roda de pessoas próximas a bancada da recepção.
“Que merda é essa?”, pensava irritado.
Como se sentissem a aura assassina dele a multidão foi se abrindo a medida que ele passava.
— Uchiha-sama— As atendentes ficaram em polvorosas com a chegada do CEO.
Tenten parou de se atracar com alguns seguranças assim que ouviu o que a atendente falou. Ino se preparava para gritar mais alguns impropérios contra o ex-namorado da amiga quando reparou no silêncio que se formou ali.
Olhou em volta ofegante e foi quando viu o maldito.
Imponente e austero como um rei, o rosto bonito indiferente e os olhos observando tudo como um falcão.
A presença dele era tão marcante que todos pareciam se sentir inferiores apenas por estar no mesmo ambiente. Ele exalava virilidade, poder e dinheiro por todos os poros, fazendo as mulheres ao redor suspirarem.
“Ridículas”, Ino acusou em pensamento olhando indignada para as presenças femininas em volta. Se ele estalasse os dedos metade delas abriria as pernas ali mesmo.
Não conseguia imaginar como alguém tão doce como Sakura foi se envolver com um cara desses. Eram como água e vinho.
Fora a aparência de tirar o fôlego sabia que ali existia o pior tipo de homem.
O maldito era mais bonito ao vivo, parecia um armário de tão alto e forte. Nunca viu alguém vestir tão elegantemente bem um terno como aquele homem, mesmo tendo os braços musculosos acentuados pelo paletó. E tudo isso apenas fez com que a Yamanaka o odiasse mais ainda.
Viu o reconhecimento passar pelo olhos escuros dele ao olhar em sua direção e sentiu a raiva aumentar.
O babaca que havia feito tão mal para sua amiga.
— UCHIHA! – Gritou e antes que os seguranças pudessem pensar em fazer algo, retirou um dos saltos do pé e arremessou na direção dele.
Naruto e Itachi olharam chocados para Sasuke que segurava o sapato com uma mão. O salto fino a centímetros do rosto e teria feito um verdadeiro estrago caso ele não tivesse reflexos rápidos.
Todos olhavam para Sasuke chocados e foi aproveitando a distração que a loira correu mancando até ele e chutou sua perna com toda a força que tinha.
— Me escute desgraçado! Preciso de sua ajuda! – Falou exasperada colocando as mãos na cintura e empinando o nariz.
O rosto austero se manteve intacto, apenas a sobrancelha se mexeu indicando que havia sentido algo com o golpe atrapalhado. Ino estava ofegante e mesmo queimando de ódio pelo homem tremeu um pouco amedrontada quando ele abaixou a cabeça lentamente olhando em sua direção com a expressão indiferente de sempre mas com os olhos tão raivosos que ela sentiu as pernas tremerem.
Em segundos a Yamanaka podia jurar que surgiram seguranças até do bolso do Uchiha de tantos homens que apareceram em volta deles e então percebeu que tinha mais armas apontadas em sua direção do que em um filme de ação.
“Santo James Bond, onde foi que me meti?!”
— Merda – Xingou arregalando os olhos. A arma que o loiro bonito ao lado dele segurava estava encostada em sua testa.
Olhou ligeiramente para o lado vendo três seguranças carregando Tenten em direção a porta e quando sentiu o corpo ser erguido do chão percebeu que teria o mesmo destino.
— NÃO! – Gritou com todas as suas forças vendo Sasuke ficar cada vez mais distante – EU PRECISO FALAR COM VOCÊ!
Os seguranças ignoravam os movimentos que ela fazia tentando se soltar dos braços deles.
— Cara, que loucura – Naruto comentou guardando a arma depois de ver que não havia ameaça – Quem é essa maluca?
— Belos peitos ela tem – Sai comentou também guardando sua arma – Será que estaria interessada em ocasionalmente fazer sexo sem compromisso comigo? – Questionou para ninguém em especifico, pensativo.
Itachi olhou desacreditado para Sai e depois puxou o celular do bolso para falar com a assessoria de imprensa. A repercussão daquela cena daria dor de cabeça para a Uchiha Corp.
Sasuke ignorava todos a sua volta olhando atentamente para a mulher loira que gritava cada vez mais alto.
Era a melhor amiga de Sakura.
O que ela estaria fazendo em Tóquio?
E mais importante ainda, na Uchiha Corp.? Por que fez toda essa cena?
Se perguntava se ela finalmente veio faze-lo pagar por tudo o que fez.
“Agende uma reunião com as duas mulheres que vão sair agora do prédio”, digitou a mensagem para Izumi.
Sua agenda estava lotada e não tinha como atende-las agora ainda mais depois de toda essa situação, mas por Sakura faria um esforço de ignorar as agressões que sofreu e escutaria o que a loira tinha para falar.
Olhou o horário que marcava em seu celular e suspirou. Ficaria atrasado para a reunião.
Odiava se atrasar.
Passou as mãos pelo cabelo irritado tendo certeza que aquele seria um dia de merda.
— Vamos – Chamou Naruto que começou a acompanha-lo de volta ao elevador. Vendo a aglomeração que ainda não havia dispersado do hall de entrada resolveu que era melhor esperar o motorista no estacionamento.
Itachi já tinha voltado para sua sala tentando resolver as coisas com a assessoria de imprensa e não iria espera-lo. Com certeza ele também chamaria a atenção dos seguranças, afinal havia sido atacado duas vezes dentro da empresa. Poderia comparecer à reunião sem o irmão.
Passaram por Sai, que ainda olhava curiosamente para a causadora de toda a confusão, ou melhor, para os seios quase totalmente expostos dela.
— UCHIHA – Ouviu ela o chamar novamente e fechou os olhos irritado por um momento contendo a vontade de mata-la – ME ESCUTE – Ela implorou enquanto ele apertava o botão do elevador. Outra hora lidaria com o que quer que ela precisasse, agora só queria chegar a tempo da maldita reunião – ELES LEVARAM ELA – Ino gritou com todas as suas forças se agarrando às portas de vidro ao mesmo tempo que o elevador se abriu na frente de Sasuke.
O Uchiha paralisou vendo seu reflexo através do espelho que ficava no fundo do elevador. Seus olhos arregalados e a boca entreaberta em choque.
— PEGARAM A SAKURA! – Já sem forças Ino se soltou da porta e foi carregada para fora da Uchiha Corp. chorando.
O coração de Sasuke falhou uma batida e sem pensar duas vezes, pouco se importando com o que as pessoas ao redor pensariam, virou e correu em direção a porta quase atravessando o vidro de tão rápido que passou por elas.
Os seguranças já conduziam as duas mulheres para um dos carros da empresa. A loira agora parecia chorar inconsolável e nem resistia mais ao ser levada.
— O que você quer dizer com isso? – Exigiu com sua voz rouca diminuindo os passos e Ino quase ajoelhou no chão agradecendo – Soltem-nas – Ordenou aos seguranças que intrigados se afastaram das duas – Diga, o que foi tudo isso?
Naruto parou atrás de Sasuke ainda confuso pelas atitudes do amigo e olhou a cena sem entender o que acontecia. Sai veio também aproveitando para não perder a loira interessante de vista.
— Quando chegamos ontem em casa – Ino tentou falar entre os soluços limpando as lágrimas que não paravam de escorrer por seu rosto – A Sakura não estava lá! – Se aproximou dele sendo acompanhada pelos seguranças que estavam prontos para segura-la se fosse necessário – Tudo que encontramos foi isso...
Tirou de dentro do sutiã o papel dobrado que foi entregue para Sasuke por mãos tremulas.
— Ajuda a Sakura – Implorou já sem forças.
Tentando conter a fúria que crescia dentro de si diante da noticia e ainda sem acreditar, Sasuke desdobrou o papel o mais calmamente que conseguiu.
O símbolo que ele conhecia bem estampado logo no topo fez o seu sangue ferver e a respiração alterar.
“NÃO”, gritou em pensamento vendo a mão que segurava o papel tremer a medida que a realidade o atingia.
— Vai fazer sete horas que levaram ela – Ino insistiu vendo o rosto dele continuar impassível como sempre. Tenten se aproximou da amiga e a abraçou de lado tentando passar o conforto que também precisava – Você é rico e famoso, deve ter um tanto de gente tentando te atingir! Podem ter usado a Sakura para conseguir dinheiro... Eu não sei! Só faça alguma coisa!
— Cara, seu nome ‘tá aí – A Mitsashi acrescentou ansiosa – Faz alguma coisa!
Sasuke relia a mensagem várias e várias vezes como se algo fosse mudar.
O mundo parecia rodar a sua volta.
— Sai – Sua voz saiu gélida e mais fria que nunca fazendo não só as mulheres como também o Uzumaki que estava ao sei lado se arrepiarem – Arranje acomodações para as duas – Ordenou se controlando para não mostrar o quanto estava perturbado.
— Sim senhor – Fez uma mesura sorrindo – Queiram me acompanhar senhoritas.
— Você não vai fazer nada?! – Ino questionou indignada, ignorando Sai que se aproximou mais que o indicado de seu espaço pessoal.
— Vou ver o que posso fazer – Informou indiferente puxando o celular do bolso.
“Cancele todas as reuniões”, digitou a mensagem para Izumi errando algumas vezes por conta do nervosismo.
— Vai ver o que pode fazer?! – Exclamou horrorizada – É da Sakura que estamos falando! Você não se lembra dela?!
“Todos os dias”, respondeu em pensamento. As lembranças que tinha da Haruno povoando sua mente fazendo a culpa pesar de uma forma dolorosa.
— Lembro, mas não vejo o porque de terem a levado – Olhou para Ino e por fim virou na intenção de voltar para a Uchiha Corp.
— FAÇA ALGUMA COISA DESGRAÇADO! – A Yamanaka gritou tentando avançar nele mas foi contida por Sai – VOCÊ DESTRUIU O CORAÇÃO DELA E NÃO TEM NEM IDEIA... – Se refreou antes que falasse demais – Não faz nem ideia seu idiota – Abaixou a voz chorando lembrando de tudo que aconteceu com Sakura nos últimos anos. Lembrando dele.
— Qual o seu problema? – Quem questionou dessa vez foi Tenten que também parecia prestes a chorar – Ela não significou nada para você?
“Significou tudo”
— Não a ponto de a usarem para me atingir – Respondeu sem se virar.
— Não se sente culpado? – A voz de Ino soou angustiada.
“Muito”
— Não vejo porque – Voltou a andar tentando não mostrar o quão abalado estava.
— VOCÊ É UM MONSTRO – Ino gritou mais uma vez – Você nunca sentiu nada por ela?!
“Eu a amo mais que minha vida”
— Faz muitos anos – Suspirou apertando os punhos – Não me lembro muito bem – Acrescentou seco.
— Não acredito – A Yamanaka estava sem saber como agir diante de tamanha frieza – Sakura...
Tenten escondeu o rosto nas mãos chorando e Ino olhava o Uchiha entrar tranquilamente no prédio. Mesmo com todas as dificuldades que Sakura passou nos últimos cinco anos, naquele momento teve certeza que a Haruno fez as escolhas certas.
Aquele homem não tinha coração.
— Não se preocupe – Sai falou de repente estendendo a mão para Ino, que só agora se deu conta que estava ajoelhada no chão – Ele vai ajudar vocês.
— Como você pode ter certeza? – Questionou triste – Não viu o descaso dele?
— Não – Respondeu tranquilamente a puxando com facilidade quando ela aceitou a mão – Eu vi o homem que nunca se atrasa para nada deixar de ir em uma reunião.
— Como? – Olhou confusa para o Uchiha que ainda sorria de um jeito estranho.
— Ele estava indo para uma reunião importante agora – Explicou calmamente – Mas acabou de voltar para o prédio depois do que você falou, logo posso te afirmar que descaso não é algo que ele sinta a respeito de sua amiga.
Ino abriu a boca chocada e olhou para Tenten que sorriu esperançosa.
Talvez houvesse esperanças.
— Agora vou acomoda-las em um hotel até que tudo esteja resolvido – Sai voltou a falar indicando o carro para que elas entrassem – Tudo por conta da Uchiha Corp., é claro.
Teria de ter fé e deixar o Uchiha resolver a situação. Daria esse voto de confiança para ele, mas enquanto isso ia gastar todo o dinheiro que pudesse. Aquele idiota arrogante merecia um rombo generoso em sua conta e isso ela era mais do que capaz de fazer.
— É? – A loira perguntou abrindo um sorriso maldoso – Podemos ficar com a suite presidencial? Melhor hotel da cidade?
— Sim – Respondeu depois de pensar a respeito por um tempo, dando de ombros.
— Qual o seu nome mesmo?
— Sai – Sorriu observando a loira de cima abaixo interessado.
— Acho que vamos nos dar muito bem Sai.
• • • • • • •
As pessoas olhavam enquanto ele passava mas Sasuke pouco se importava.
Tudo parecia borrado e os sons abafados enquanto ele seguia em direção ao elevador. Podia ouvir Naruto chama-lo mas não conseguia parar, precisava de um tempo.
Precisava ficar sozinho antes de resolver a situação.
— Naruto – Chamou e o loiro parou ofegante ao seu lado enquanto esperava o elevador chegar – Marque uma reunião na Sharingan— Ordenou tentando conter a fúria em sua voz – Quero todos lá. – Para o que iria fazer precisava de todos os membros relevantes do clã reunidos – E já comece a investigar o paradeiro dela.
As portas se abriram e o Uzumaki viu o melhor amigo entrar.
Quem não o conhecia podia facilmente achar que Sasuke estava sério e indiferente a tudo como sempre, mas os anos de amizade faziam Naruto perceber os olhos desfocados, o maxilar trincado, os punhos fechados e os ombros tensos.
Sasuke era uma bomba prestes a explodir e a única coisa que poderia fazer é organizar tudo para que os danos não fossem muitos quando isso acontecesse.
[On Track: Falling Apart — Papa Roach]
Parado no meio do elevador Sasuke olhava atento os números mudarem a medida que os andares iam subindo.
Sua mente trabalhando em velocidade máxima pensando no que poderia estar acontecendo com Sakura naquele momento.
“Sasuke-kun”
Parecia que podia ouvia-la chamando por ele.
Estaria machucada ou sentindo dor?
Foi criado no meio da yakuza. Desde criança via as consequências das disputas entre os clãs e o que os inimigos eram capazes de fazer para atingir seus objetivos.
Não apenas eles.
Quantas vezes ele mesmo não torturou e matou apenas movido por vingança? Quantas vezes usou familiares de inimigos para conseguir o que queria?
Tirar a vida de inocentes não era nada para quem estava naquele mundo e ele sabia disso. Enquanto estava ali Sakura podia estar sendo torturada das piores maneiras possíveis.
Fechou os olhos com força tentando reprimir as visões que seu subconsciente projetava.
“Não”, implorou em pensamento sentindo a visão embaçar.
Como havia sido tão descuidado?
Entregou sua única fraqueza de bandeja para a Tríade Chinesa.
"Eu te amo Sasuke-kun”
Apertava os punhos tão forte que gotas de sangue já começavam a cair manchando o chão do elevador.
Tudo o que fez para protege-la foi em vão?
Sua cabeça doía e ele sabia estar no seu limite.
O visor digital marcava “105″ e as portas se abriram. Sem pensar duas vezes saiu em direção a sua sala ignorando os chamados preocupados de Izumi.
Bateu a porta com toda a força e trancou.
Parou por um momento tentando acalmar a respiração e levou as mãos a cabeça agachando, sentindo tudo com mil vezes mais intensidade agora que estava sozinho.
Parecendo percorrer cada pedaço do seu corpo a mistura de sentimentos confusos foi crescendo dolorosamente e quando levantou de uma vez a primeira coisa que viu foi o bar cheio de garrafas e copos. Sem pensar duas vezes o arremessou na janela deixando um rastro de vidro quebrado e bebidas pelo chão.
A janela não quebrou por ser blindada, mas o barulho foi suficiente para Izumi começar a bater na porta chamando seu nome desesperada.
Ignorando o chamado da mulher, avançou para sua mesa onde pegou a tela do computador e jogou na parede. Logo em seguida o teclado teve o mesmo destino.
Sentia o sangue correr fervendo por suas veias e enxergava apenas vermelho totalmente dominado pela fúria e pela angustia.
Pouco a pouco tudo o que tinha na mesa era arremessado com tamanha raiva que se partia em vários pedaços.
Não era o suficiente, ainda estava doendo muito.
“Você é o melhor namorado do mundo!”
Percebeu a visão embaçada e se deu conta que seus olhos estavam marejados, prontos para iniciar um choro.
— NÃO! – Gritou como se pudesse impedir as lágrimas de rolar.
“Eu te amo muito Sasuke-kun”
Com facilidade e raiva virou a mesa que caiu com um estrondo que provavelmente todo o prédio ouviu.
Olhou para frente e o céu que podia ser visto tão bonito através da janela agora o angustiava. A vista da cidade que tanto o acalmava agora o deixava irado por não saber onde ela estava.
Repetidas vezes seus punhos fechados atingiram o vidro grosso onde sua imagem era refletida.
Tudo era sua culpa.
Se não fosse egoísta não teria enganado ela por tanto tempo. Se não fosse tão egoísta não teria arrastado ela para seu mundo de pecados. Se não fosse tão egoísta não teria ficado observando ela ser feliz de longe por tantos dias.
Socava cada vez mais forte se odiando e odiando todos que ousaram usa-la para atingi-lo.
“Eles conseguiram”, se deu conta ao perceber que seu emocional estava deplorável.
— SAKURA – Gritou aumentando a força dos golpes.
• • • • • • •
— Pelo amor de Deus, Itachi! – Izumi invadiu a sala do marido desesperada.
Na mesma hora o Uchiha desligou o telefone, onde falava com o pessoal da assessoria de imprensa, e correu até ela preocupado.
— O que aconteceu? – Perguntou envolvendo o corpo menor com os braços.
— Seu irmão! – Exclamou assustada – Entrou na sala dele e começou a quebrar tudo! A porta está trancada e ele não me responde!
Itachi estreitou os olhos e depois de beijar brevemente os lábios da esposa correu para fora indo em direção ao elevador.
Izumi foi atrás pois não deixaria o marido sozinho com alguém tão instável quanto Sasuke. Sabia que quando estando fora de sua razão o Oyabun era letal.
— Sasuke! – Itachi chamou batendo na porta e tentando forçar a maçaneta – SASUKE!
Não havia mais barulho de coisas sendo quebradas, mas podiam ouvir os punhos dele atingindo o vidro mesmo que não soubessem que era o que produzia o som.
— SAKURA – O grito rouco, carregado de dor e fúria fez todos os pelos de Itachi se arrepiarem. Então percebeu que precisava entrar de toda forma naquela sala.
— Se afasta – Empurrou Izumi para trás e com um impulso chutou a porta que se abriu em um estrondo.
A primeira coisa que viu foi a destruição. A sempre tão organizada sala do seu irmão agora estava totalmente destruída, como se um tornado tivesse passado por ali.
Logo depois viu Sasuke e seu coração apertou ao perceber a janela já manchada de sangue onde ele continuava socando sem parar.
Andou cauteloso até o irmão mais novo e com delicadeza segurou os punhos machucados dele
— Calma – Pediu baixo forçando a mão para impedir os movimentos que Sasuke insistia em fazer – Calma irmãozinho.
Irritado, Sasuke se desvencilhou de Itachi e se afastou transtornado indo em direção ao sofá, onde sentou tenso.
— O que aconteceu? – Perguntou olhando do sangue na janela para as mãos esfoladas do mais novo.
— Eu fui descuidado – Respondeu sem encarar Itachi, a cabeça baixa e os olhos focados no chão – Eu a vi de longe e não consegui ficar longe – Continuou falando sem esperar a reação do irmão – Não cheguei perto mas a segui por alguns dias.
Não precisou de muito esforço para Itachi perceber de quem o irmão falava.
Apenas uma pessoa no mundo o fazia ficar frágil daquela forma.
— O que aconteceu? – Perguntou preocupado.
Izumi, que havia saído da sala atrás do kit de primeiros socorros, voltou e se abaixou em frente ao cunhado começando a cuidar dos ferimentos. As mãos grandes estavam manchadas de vermelho e os punhos quase em carne viva.
— A Tríade levou ela – Disse por fim sentindo a culpa pesar mais e mais. A dor que sentia por dentro era infinitamente maior que a que sentia em suas mãos machucadas.
— Merda – Itachi xingou – O que vamos fazer agora?
— Vamos para a Sharingan — Levantou após Izumi terminar de enfaixar suas mãos – Mandei chamar todos.
— Você chamou todo mundo? – Questionou atordoado – Pretende revelar quem ela é?
Sasuke parou incapaz de dar mais um passo em direção a porta.
Não havia pensado a respeito disso. Todos os seus pensamentos estavam voltados para Sakura e simplesmente não raciocinou que colocar o clã no caso faria seu segredo ser revelado.
— Se for necessário sim – Disse por fim tendo a certeza que por ela ele faria o que fosse preciso, mesmo que isso manchasse sua honra diante da Sharingan.
• • • • • • •
— Ino, fica quieta! – Tenten pediu pela decima vez vendo a loira andar de um lado para o outro.
— Não consigo – Disse exasperada – Agora mesmo a Sakura pode estar sendo torturada ou sei lá! – Jogou as mãos para o alto nervosa.
— Você devia parar de assistir essas séries policiais – Aconselhou se acomodando melhor na grande e confortável cama de casal – Estamos falando da vida real, não de um filme estrelado pelo Tom Cruise e cheio de mafiosos! – Comentou inocentemente não tendo ideia da realidade na qual se encontravam.
A Yamanka suspirou mas por fim sentou ao lado da amiga. Estavam em um dos melhores hotéis da cidade e na melhor suíte. Chamado Susanoo, era um lugar lindo e de uma arquitetura tradicional, de modo que as duas nem sentiam estar em Tóquio.
Infelizmente seus planos foram arruinados ao descobrir que o lugar pertencia a família Uchiha. Ou seja, todo o dinheiro que gastasse ali voltaria para o maldito. Era frustrante!
— Espero que estejam bem acomodadas – Sai entrou no quarto sorrindo daquele jeito que Ino julgou bem estranho – Esse hotel é referência em omotenashi* por todo o Japão e o único a oferecer uma experiência de um autentico ryokan* no coração de Tóquio... – Começou a falar orgulhoso sobre o lugar que ajudou a desenhar.
Não mexia apenas com eletrônicos, como também pintava profissionalmente e cuidava da arquitetura dos prédios relacionados ao nome Uchiha. Era um artista nato.
Ino o achava um homem meio esquisito mas belíssimo como aparentemente todo Uchiha era. A pele era bem branca e os cabelos escuros acentuavam bem isso. Estava sempre com um sorriso nos lábios e era alto. O corpo era bem interessante também, ela classificou, não todo o monumento que era o maldito ex de Sakura, mas estava com tudo no lugar certo.
Se não estivesse na situação que estava já estaria trocando flertes com ele tranquilamente.
Mas no momento a única coisa que conseguia pensar era em sua amiga.
— ... Todo o conforto vai ajudar para que vocês se sintam melhor – Concluiu sorrindo para as duas.
— Estamos ótimas, obrigada – Tenten falou agradecida. De fato era um lugar maravilhoso e totalmente diferente do que ela esperava do hotel mais luxuoso da cidade.
— E você? – Ele perguntou diretamente para Ino que arqueou a sobrancelha.
— Também – Respondeu – Apenas preocupada com Sakura.
O tempo que pretendia passar gastando o dinheiro de Sasuke ajudaria para passar o tempo, mas nem isso podia mais fazer.
— Então eu vou – Informou mais para Ino do que para Tenten – Meu telefone está anotado aqui – Entregou um cartão nas mãos da loira – Qualquer coisa me ligue pois te achei muito bonita – Foi sincero como sempre e ela arregalou os olhos – Não que você não seja – Acrescentou olhando rapidamente para a Mitsashi – Mas ela é gostosa.
Ino ficou dividida entre bater e beijar ele.
— Ligarei sim – Mas foi o que falou ao reparar na carteira dele quase caindo do bolso de trás da calça social – Obrigada Sai – Beijou o rosto dele que alargou o sorriso antes de sair do quarto.
— Que cara estranho – Tenten comentou olhando para a porta por onde ele saiu.
— Mas é um gato – Pontuou e então abriu um sorriso maldoso – Tomara que o todo poderoso não se irrite com ele, mas não pude resistir – Levantou a mão mostrando para a amiga uma carteira masculina.
— Amiga sua louca! – Tenten exclamou chocada – Você roubou o cara!
— Não ele – Sorriu mais ainda ao abrir e pegar o cartão que viu ele usar e comentar sobre enquanto fazia o check-in, aparentemente havia sido entregue para que ele gastasse com as duas – Mas sim o maldito Sasuke – E mostrou a parte da frente do cartão de crédito platinum onde o nome “Uchiha Sasuke” parecia até brilhar.
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Com muita dificuldade abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi uma parede suja.
Todo seu corpo doía mas com alivio percebeu que suas mãos e suas pernas estavam livres. Com dificuldade apoiou as mãos no chão empoeirado e ignorando a dor sentou encostada na parede.
Sua cabeça estava pesada e doía, a visão estava um pouco turva como se tivesse bebido alem da conta e vez ou outra o quarto pequeno e escuro rodava vertiginosamente.
— O que aconteceu? – Se perguntou em um sussurro com a voz embolada, reparando na ausência de janelas e a única luz a entrar vinha por baixo de uma pesada porta.
Como flashs aos poucos sua memória foi voltando e Sakura lembrou do turista chinês que atendeu no café.
Ele estava em sua porta. Tinha certeza que era ele!
E como um caminhão desgovernado a realidade bateu e ela percebeu que aquele homem, que a sequestrara, tinha estado em sua casa.
“NÃO”, começou a se desesperar mas estava com um pouco de dificuldades para se mexer. Seus membros pareciam pesar toneladas.
Mas ela não desistiria.
Quando, apoiando na parede e usando de toda sua determinação, ficou de pé a porta se abriu a fazendo comprar a teoria que era pesada e de metal.
Assustada viu dois homens altos e fortes, chineses pelo que parecia, olhando curiosos em sua direção.
Eles começaram a conversar entre si mas ela não entendia uma palavra. Não sabia se era efeito da droga ou se eles estavam falando em sua língua natal.
— Quem... São vocês? – Perguntou com dificuldade percebendo como as palavras saiam arrastadas e emboladas.
— Olá! – Um deles saudou – Espero que esteja apreciando a estadia – Sorriu maldoso – Apenas o melhor para a vadia do Uchiha – E os dois começaram a rir como se tivesse sido a melhor piada já contada.
— Uchiha? – Balbuciou confusa. O que Sasuke tinha a ver com isso tudo?
Seu raciocínio estava lento mas não precisou de muito tempo para se dar conta do que eles poderiam querer com ela relacionado à Sasuke.
— NÃO! – Gritou de repente e os dois pararam de rir – Não... Meu... Não! Vocês... Sa... – A voz agora mais embolada ainda por conta do choro desesperado.
— Fique quieta – O que ainda não tinha falado acertou uma bofetada em seu rosto e Sakura voltou ao chão de forma dolorosa.
— Meu... Meu Sa... – Choramingava sentindo as lágrimas escorrer pela bochecha dolorida vendo os homens se aproximarem.
— Faz o que tem que fazer logo que estamos com pressa – Um terceiro homem entrou na sala. Tinha cabelos cinza longos e presos em um rabo de cavalo baixo e pela forma que falava Sakura sabia que era japonês – O desgraçado tem bom gosto – Avaliou olhando sem pudores o corpo dela e a Haruno se encolheu amedrontada.
Os chineses trocaram mais algumas palavras e quando um deles tirou do bolso um canivete Sakura decidiu que não se daria por vencida.
Mesmo sentindo dor, cansaço e tontura, ficou de pé e se colocou em posição de luta como Tenten a ensinara tendo a certeza que faria o que fosse possível para proteger aquele que lhe era mais importante que sua própria vida.
• • • • • • •
Quando Sasuke entrou na sala de reuniões da sede da Sharingan todos ali presente tiverem a certeza de que algo muito grave havia acontecido.
Não apenas por todos os membros estarem reunidos pela primeira vez desde a grande confusão envolvendo Karin e a Akatsuki, mas porque a aura assassina que as vezes rodeava o Oyabun estava mais intensa e ameaçadora do que nunca.
Itachi que vinha logo atrás trocou um olhar significativo com Naruto e o loiro soube que as mãos enfaixadas de Sasuke eram uma consequência do tanto que ele estava afetado pela situação.
Em frente aos outros membros do clã ele mantinha a pose imponente e austera como o perfeito Oyabun que era, mas por dentro ele estava gritando.
Sasuke sentou em seu lugar de direito com Naruto logo atrás atento a seus movimentos. Do bolso interior de seu paletó tirou o papel, já amassado, desdobrou e jogou aberto no meio da longa mesa de reuniões.
— Tríade Chinesa— Comentou Fugaku seriamente vendo o simbolo vermelho. Estava sentado na outra extremidade da mesa, de braços cruzados e expressão fechada. Ainda tentava entender o porque de ter sido chamado.
— O que eles fizeram agora? – Obito perguntou irritado.
Naruto lançou um olhar para Itachi e como se conversassem em pensamento o mais velho resolveu tomar a palavra.
— Uma grande amiga minha e de Naruto foi sequestrada – Chamou a atenção de todos antes que Sasuke revelasse quem realmente era a mulher – Ela mora em Konoha e provavelmente a viram com Naruto quando ele foi lá recentemente – Explicou de maneira convincente.
Sasuke olhava de Itachi para Naruto sem entender o que eles planejavam com esse teatro. Uma hora ou outra teria que revelar que Sakura era muito mais valiosa que apenas uma amiga e isso estava apenas atrasando as consequências que viriam.
— Ela é de algum clã? – Madara perguntou – Da Kurama?
— Não – Itachi respondeu – Naruto, a foto dela por favor – E o Uzumaki estendeu uma pasta preta na direção do Uchiha, deixando Sasuke assustado ao ver do que o irmão era capaz para protege-lo – A única coisa que vocês precisam saber sobre ela é que se chama Haruno Sakura e que resgata-la sem vida não é uma opção – E estendeu a foto dela na mesa.
— Muito bonita – Shisui assoviou alto se aproximando da foto.
— De fato – Kakashi concordou encantado.
Era uma foto simples, de cinco anos atrás que Naruto tinha tirado com seu celular. Ela estava abraçada com Fluffykins e sorria para a câmera com toda a doçura natural que tinha.
Olhar aquela foto foi como levar um soco e Sasuke precisou desviar os olhos dos verdes brilhantes dela. Já sentia culpa o suficiente sem precisar disso.
— A Tríade levou essa mocinha? – Fugaku perguntou puxando a foto para analisar.
— Sim, agora fazem dez horas que ela está desaparecida – Sasuke falou pela primeira vez atraindo a atenção de todos.
— Muito provavelmente está morta – Madara comentou e o Oyabun apertou a borda da mesa com força.
Fechou os olhos inspirando e expirando várias vezes para manter a calma.
Ela não podia estar morta.
— Pensei que todos os movimentos da Tríade estavam sendo monitorados desde a operação lá no porto – Kakashi comentou sabiamente se referindo a apreensão de armamentos que fizeram recentemente.
— Sim – Itachi respondeu – Acho que devíamos descobrir como eles entraram aqui – Pontuou agora verdadeiramente intrigado com o fato – Izuna?
— Impossível! – Exclamou – Não tem como eles terem entrado no Japão sem que eu soubesse. Meus homens estão cuidando disso em parceria com os outros clãs – Explicou conferindo seu celular como se esperasse ver uma mensagem informando da entrada dos chineses no país.
— De alguma forma eles entraram e eu quero saber como – Sasuke exigiu sem paciência.
— Todos os clãs estão trabalhando juntos para impedir a entrada deles, certo? – Sai perguntou e Sasuke assentiu – Mas vocês se esqueceram de um clã que não responde mais ao Oyabun-sama ou trabalha com os outros.
— Akatsuki — Itachi susurrou chocado. Como não havia pensado nisso antes?
— Oto tem um aeroporto internacional – Madara pontuou – Provavelmente foi parte da vingança contra o Oyabun.
— Mas o que essa mulher tem a ver com Oyabun-sama? – Fukagu questionou – É seu nome que está aqui Itachi? – Ele perguntou apontando para o Uchiha escrito logo no topo – Se ela foi vista com Naruto porque é seu nome que está escrito? – Questionou sério começando a pensar mais profundamente a respeito – Por acaso essa mulher... Você não estaria traindo sua esposa, estaria?
A mesa ficou em silêncio enquanto pai e filho se olhavam seriamente. Fugaku de forma acusadora e Itachi sem se abalar.
— Não – Respondeu calmamente – Nunca faria algo assim com Izumi.
— Então porque está mulher é tão importante a ponto de ser levada pela Tríade? – Sai perguntou curioso – Uma simples amiga não valeria o esforço.
E mais uma vez o silêncio.
Sasuke estava cada vez mais irritado e a cada segundo desperdiçado naquela discussão boba era um a menos que eles teriam para resgata-la.
Quanto mais demorassem ali, mais tempo ela passava nas mãos deles.
Antes que Sasuke, já farto da situação, desmentisse toda a história a porta de correr foi aberta por um dos seguranças.
— Oyabun-sama— O homem fez uma mesura e se adiantou para depositar uma caixa bonita em frente à Sasuke – Acabou de ser entregue por uma transportadora e não parece conter nenhum tipo de explosivo – Explicou se afastando – Já verificamos e não tem informações sobre o remetente – Concluiu e Itachi, vendo que o irmão encarava a caixa fixamente, dispensou o homem.
— Oyabun-sama – Chamou pelo irmão com cautela – Não vai abrir?
Sasuke estava pela primeira vez na vida com medo.
Não era que nem outras vezes que recebeu caixas com ameças e cabeças cortadas de membros da Sharingan, agora o inimigo tinha em mãos a única pessoa que podia desestabiliza-lo e não importa o que tivesse ali dentro, ele sabia que era de Sakura.
Quando Fugaku viu as mãos que Sasuke apoiava na mesa se fecharem com força e começarem a tremer teve certeza que aquela mulher de cabelos rosados era muito mais importante que lhe foi revelado.
— Sasuke – Chamou pouco se importando com títulos. Em sua frente quase tendo uma parada cardíaca era seu filho e não mais o Oyabun – Abra a caixa ou eu farei isso – Ordenou.
Naruto colocou a mão no ombro do melhor amigo para dar força e só então Sasuke puxou a tampa que possuía uma estampa chinesa bonita.
O cheiro dela foi a primeira coisa que o atingiu. Baunilha, exatamente como lembrava.
Como sentia saudades de enterrar seu rosto no pescoço dela em meio aos cabelos macios.
E sendo puxado de volta de suas lembranças ele viu algo que o tirou de orbita.
Respirar repentinamente pareceu impossível e a visão ficou turva enxergando os fios cor de rosa espalhados pelo fundo da caixa.
Bem no centro uma foto dela aparentemente desmaiada caída em um chão de pedra empoeirado. Os cabelos antes na cintura agora estavam na altura dos seios cortados de forma descuidada e da lateral de sua cabeça sangue saia formando uma pequena poça.
E então tudo ficou vermelho.
Todos se afastaram ao mesmo tempo que o Oyabun rugiu como um animal e socou a mesa com tanta força que ela se partiu.
Naruto em um reflexo abraçou o corpo de Sasuke por trás impedindo que ele quebrasse mais alguma coisa ou atingisse alguém, mas estava encontrando dificuldades para segura-lo. Ele era grande demais, forte demais e estava fora de si de uma forma que nunca havia visto na vida.
Naquele momento o Uzumaki sentiu pela primeira vez na vida um medo real do amigo.
Itachi se aproximou e Sasuke o acertou com um chute ao se debater para sair do aperto de Naruto. Kakashi teve o mesmo destino quando tentou chegar pelo outro lado e os outros não sabiam o que fazer.
Era o Oyabun ali, não podiam fazer nada contra ele.
— SASUKE! – Fugaku se aproximou com agilidade desviando dos chutes do filho.
Sem conseguir se aproximar mais voltou o olhar para a caixa e viu o que provocou tamanha reação.
— Quem é ela?! – Perguntou para Sasuke que se debatia enfurecido.
— É A MINHA MULHER— Gritou no auge de sua fúria e jogou a cabeça para trás contra o rosto de Naruto conseguindo finalmente se soltar.
Em segundos todos olhavam para a porta por onde o Oyabun saiu como um furacão.
Mesmo com o supercílio sangrando Naruto não demorou a ir atrás. Não podia deixar Sasuke sozinho nesse momento.
— Mas que merda foi essa? – Obito perguntou assustado.
— Essa mesa tinha trezentos anos – Sai comentou inconformado catando alguns pedaços de maneira.
— Itachi – Fugaku chamou irritado – Explique agora – Exigiu entredentes.
Itachi passou as mãos pelos longos cabelos e ignorando a dor da costela atingida pelo chute se voltou para os homens que o olhavam atentamente.
— Não vou entrar em detalhes pois quem tem que esclarecer as coisas é o Oyabun-sama— Suspirou cansado – Mas adianto para vocês que essa mulher – apontou para a foto agora caída no meio dos pedaços de madeira que antes eram a mesa de reuniões – É a mulher que ele ama.
— Como assim? – Fugaku questionou perplexo. Nunca ouviu falar dela!
— Apenas ele vai poder te explicar – Respondeu – Mas antes disso ele vai fazer o que for preciso para resgata-la – Acrescentou seriamente e puxou o celular do bolso discando o número de Naruto.
Quando o loiro atendeu Itachi colocou no viva voz.
— Naruto, onde vocês estão? – Perguntou.
— Em um carro a 200 km/h saindo de Tóquio e indo para Oto— Respondeu e o motor potente do carro era ouvido ao fundo assim como vez ou outra uma buzina prolongada.
— Como assim Oto? – Fugaku perguntou atônito – Vocês estão loucos?!
— Não— Sasuke respondeu quando Naruto também colocou no viva voz – Estou pouco me importando com Orochimaru— Disse com a voz banhada em desprezo – Estou indo buscar o que é meu.
— Não se atrava Uchiha Sasuke! – Jogando a hierarquia da yakuza para os ares falou como um pai dando bronca no filho. Aquele inconsequente traria a ruína do clã.
— O que você vai fazer? – Itachi perguntou apreensivo.
Todos os presentes na sala trocaram olhares em silêncio aguardando a resposta do Oyabun.
— Vou invadir Otogakura e matar quem ficar na minha frente— A voz saiu tão fria e ameaçadora que ninguém ali duvidou que ele seria capaz de cumprir o que falou.
A ligação foi finalizada e Fugaku só faltava espumar pela boca tamanho ódio.
— Maldita hora que coloquei esse moleque no poder – Resmungou tão baixo que se Itachi não estivesse ao lado não teria escutado.
— Não fale isso – Alertou o pai – Nunca existiu Oyabun melhor que ele, então não menospreze tudo o que ele fez pelo clã.
Fugaku virou o rosto emburrado pensando sobre Sasuke, sabendo que havia sido injusto em falar tal coisa sobre o mais novo mas não dando o braço a torcer.
— O que vamos fazer? – Madara perguntou irritado. Já previa mais problemas para a Sharingan.
— Vou ligar para Gaara e pedir apoio – Falou sabendo que podia contar com o amigo que comandava a cidade vizinha a Oto – E enquanto isso vou pegar um helicóptero e ir ajudar o Oyabun— Respirou fundo e decidiu que na ausência de Sasuke faria as honras de Oyabun — Sai, Kakashi, Obito e Shisui venham comigo – Andou até a porta e antes de sair disse com confiança – Sasuke vai invadir por terra e nos vamos pelo ar. Orochimaru e aqueles chineses não vão nem ver o que os atingiu.
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