Resiliência
18 Capítulo 18 - No need to say goodbye
Notas iniciais

Ao passar a liderança do clã e da empresa para Sasuke, acabou por se acostumar a uma rotina mais calma.
Por mais que seus dias agora fosse mais tranquilos, ainda frequentava sua academia particular e sabia estar em forma. Seus reflexos não eram os mesmos de seus tempos áureos, mas eram rápidos o suficiente para desviar dos golpes de Orochimaru.
O Oyabun da Akatsuki não era tão forte, e seu corpo era franzino em comparação ao de Fugaku, e por isso o Uchiha estava levando a melhor.
Tinha que manter a atenção na luta, mas não conseguia relaxar, seus olhos volta e meia iam de Mikoto para Itachi, enquanto seu pensamentos estavam em Sasuke.
A determinação que viu no filho enquanto descia aquelas escadas, o fez ter certeza que, mesmo tendo sido um péssimo pai, Sasuke havia se tornado um homem formidável.
Ao presenciar o desespero dele para salvar a família recém descoberta, fez um sentimento de orgulho brotar no coração de Fugaku.
E se tivesse que morrer naquele momento, iria em paz com a certeza que ajudou seu filho a proteger aqueles que amava.
Sanosuke.
Lembrou do neto enquanto sentia o impacto do punho de Orochimaru em suas costelas. Revidou acertando o queixo dele, enquanto com o canto do olho via Mikoto desviando de um chute de Konan.
Por trás das duas viu o momento em que Itachi empurrava seu adversário pelo vão das escadas.
Orochimaru também viu, e Fugaku percebeu o exato momento em que ele se deu conta que agora Itachi também viria para cima dele. Foram segundos em que o Oyabun da Akatsuki deu uma rasteira no Uchiha e disparou escada abaixo, aproveitando seu desequilíbrio.
— Ajude sua mãe! – Gritou para Itachi enquanto se firmava novamente nos dois pés e seguia Orochimaru.
Não olhou para trás, apenas desceu os degraus os mais rápido que conseguiu.
Sentiu seu corpo protestar, depois de tanto esforço e machucados da luta, mas não deu importância para isso. Seguiu pela porta que Orochimaru passou.
Enquanto corria, o via falando ao celular e olhando volta e meia para trás.
Apesar de terem aproximadamente a mesma idade, Orochimaru parecia especialmente rápido.
Se fosse em seus tempos de Oyabun já o teria alcançado.
Viu quando ele atravessou uma porta que estava parcialmente destruída, assim como todo o andar.
Ao entrar na sala logo em seguida, teve de proteger o rosto.
O vento provocado pelas hélices do helicóptero fazia todos os papéis voarem desgovernados pela sala.
Afastou a mão um pouco e viu os cabeços longos de Orochimaru voando para todos os lados, enquanto ele se aproximava da janela quebrada.
A porta do helicóptero se abriu e dois homens da Akatsuki apareceram.
Orochimaru olhou para trás, sorrindo e acenou como se fosse uma miss, antes de pegar impulso e saltar para o helicóptero.
Enquanto assistia o salto, Fugaku decidiu o que faria a seguir.
Estava desarmado, não tinha como acertar os inimigos e percebeu que só havia uma coisa a ser feita.
Enquanto ganhava distancia, pensava em Mikoto, Itachi e Sasuke.
Tinha grandes chances de não sair vivo, mas por eles faria. Tinha certeza que se não acabasse com Orochimaru naquele momento, ele voltaria até que não sobrasse ninguém de sua família vivo.
Respirou fundo e começou a correr.
Enquanto corria o máximo que conseguia, pensava no neto.
Por conta de seu orgulho não o conheceu direito. Idiota o bastante para nem se preocupar em visita-lo quando Mikoto o fazia.
Sanosuke.
Um nome digno de um Uchiha. Uma criança encantadora, criado por uma pessoa que o lembrava muito de Mikoto quando a conheceu.
Também não tinha dado chances para a mocinha Haruno, e se arrependia disso também.
Conseguia ver a devoção com que Sasuke olhava para ela, e como o neto era um bom garoto. Então ela também deveria ser uma boa pessoa.
Esperava que o filho fosse feliz com os dois, assim como ele foi com Mikoto.
E ao saltar em direção ao helicóptero, desejou que sua família saísse bem de tudo aquilo.
Aterrizou em cima de Orochimaru, que de tão atordoado nada conseguiu fazer. O Uchiha rapidamente acertou uma cabeçada nele e virou chutando um dos homens que estavam ali, que caiu para fora do helicóptero. O outro veio logo em seguida, e Fugaku o socou três vezes antes de arremessa-lo pela porta também.
Orochimaru já se levantava, mas Fugaku o acertou com alguns socos e bateu a cabeça dele em um dos bancos, o deixando atordoado.
Atordoado por tempo suficiente para ir até o piloto e torcer o pescoço dele, o matando imediatamente.
— VOCÊ ESTÁ LOUCO UCHIHA! – Orochimaru gritou aterrorizado, o nariz quebrado sangrando – VAMOS MORRER!
— Sim, nos vamos – Fugaku sorriu enquanto sentia a aeronave perder altitude, começando a girar.
Mikoto.
Pensou na amada esposa quando sentiu o impacto, o corpo jogado para todos os lados, assim que o helicóptero atingiu o chão.
Seus ouvidos zumbiam e os olhos estavam embaçados, a visão se tornando turva e avermelhada a medida que o sangue escorria do corte em sua cabeça.
Olhou ao redor e viu Orochimaru caído mais a frente, desacordado.
Pela porta surgiu algumas pessoas, não conseguia ver com clareza e nem escutar o que diziam.
Seriam eles o resgate?
Mas quando viu o simbolo da Akatsuki na roupa deles, se desesperou. Eles não podiam salvar Orochimaru. Ele tinha que morrer!
Os viu retirando o corpo desacordado e com suas últimas forças, se inclinou e puxou a arma presa a cintura do piloto.
Tentou mirar no grupo que se afastava cada vez mais, mas suas forças estavam acabando, a visão escurecendo e logo tudo se apagou.
Tinha falhado.
• • • • • • •
— Sou o homem mais perigoso e poderoso do Japão— Sasuke falou mais frio e imponente do que nunca, acentuando o que cada palavra significava – O Oyabun que comanda a yakuza.
Sakura sentiu um arrepio correr por todo o seu corpo.
Ele nunca pareceu tão intimidador quanto naquele momento.
Parecia outra pessoa.
— Yakuza... – Sussurrou sem conseguir se mover. Estava paralisada, sentada no chão em meio a sangue e corpos sem vida, os olhos focados na figura ameaçadora de Sasuke.
Yakuza... Significava que Sasuke era da máfia!
Viu ele virar completamente em sua direção, a katana pingando sangue ainda em sua mão e o corpo musculoso ainda rígido.
Quando ele deu o primeiro passo em sua direção, percebeu que tremia. Inconscientemente se arrastou um pouco para trás, o rosto assustado aos poucos molhados por mais lágrimas.
Outro passo e ela se sobressaltou, amedrontada.
Pelos olhos sempre tão impassíveis, conseguiu ver um lampejo de dor. Ele parou no mesmo instante, parecendo mais tenso que anteriormente.
A mão se abriu e a katana caiu no chão, produzindo um barulho que ecou pelo andar agora tão silencioso.
— Mamãe! – Provavelmente amedrontado pelo barulho, Sanosuke a chamou em um choramingo.
Olhou na direção dele e encontrou o filho encolhido, protegido pela parte da mesa ainda inteira. Ele tremia e chorava, as lágrimas em tamanha quantidade que conseguiam passar pela gravata de Sasuke.
— Eu estou aqui! – Ela disse ao encontrar sua voz. O medo que sentia sumiu ao perceber a necessidade de seu filho.
Precisava se mostrar forte por ele.
— Fique com os olhos tampados – Sasuke disse assim que as mãozinhas de Sanosuke foram para a gravata, na intenção de puxa-la.
Sakura sentiu novamente o arrepio correr seu corpo.
Sasuke estava agora ao seu lado, tão rápido e silencioso como sempre.
Inconscientemente abraçou Sanosuke mais forte, como para protege-lo.
— Eu nunca faria nada para machucar vocês – O Uchiha sentiu necessidade de falar, ao perceber como Sakura parecia amedrontada – Nunca.
Os olhos verdes olhando com tanto medo em sua direção era mais do que podia aguentar.
– Eu sei – Ela murmurou em um fio de voz – Por incrível que pareça, eu sei disso Sasuke.
Aquelas palavras aliviaram o Uchiha de tal forma que, mesmo a vendo se assustar, passou o braço pela cintura dela a trazendo junto de Sanosuke para seus braços.
— Não tenha medo de mim – Pediu com a voz muito baixa, próximo ao ouvido dela – Não tenha medo de mim.
E ela não tinha. Sabia que nada aconteceria com ela ou Sanosuke enquanto estivesse na presença de Sasuke.
A forma que ele lutou, que ele matou e fez tudo aquilo foi claramente por eles. Ela sabia disso.
Mesmo que não conseguisse parar de tremer, sabia que estava segura enquanto estivesse nos braços dele.
E isso a deixava tão confusa e ao mesmo tempo tão aliviada, que estava a ponto de enlouquecer.
— Papai – O choramingo de Sanosuke fez com que Sasuke se afastasse um pouco, e recebendo a permissão através do olhar de Sakura, pegou o filho em seu colo.
Os bracinhos trêmulos dele envolveram seu pescoço com força no mesmo segundo. Como se o colo do pai fosse um bote salva vidas.
— Estou aqui – Sasuke sussurrou enquanto conferia Sanosuke de cima abaixo, atrás de qualquer ferimento.
Haviam alguns pequenos cortes, provocados pelos vidros quebrados das janelas, e o Uchiha teve que fechar os olhos, respirar fundo e conter toda o ódio que sentia.
Machucaram seu filho e isso ele não perdoaria.
Um estrondo foi ouvido, interrompendo os pensamentos de Sasuke, que por reflexo jogou seu corpo por cima de Sanosuke e Sakura. Naruto, que até então estava conferindo seus ferimentos, se colocou a frente dos três como um escudo.
— Oyabun-sama! – Kakashi surgiu pela porta acompanhado por mais dez homens, que com agilidade se espalharam pelo andar. Vasculhando tudo e capturando os sobreviventes inimigos – Viemos busca-lo!
— Atrasado com sempre! – Naruto acusou, relaxando sua postura ao ver aliados por toda parte.
Kakashi apenas sorriu despreocupado. Mesmo que a situação fosse grave, ver o Oyabun vivo era uma vitória para o clã.
— Vamos então! – Se aproximou na intenção de ajudar Sakura a levantar, mas ainda amedrontada ela se encolheu segurando a mão do filho.
— Eu os levo – Sasuke falou, ficando de pé. Um braço sustentando o corpo de Sanosuke, que ia agarrado ao seu pescoço, e o outro passado pelo ombro de Sakura.
O Hatake assentiu, levando um dedo a orelha, pressionando levemente.
— O Falcão está seguro— Usou um tom profissional, falando provavelmente em seu ponto eletrônico – Repito, o Falcão está seguro— Fez alguns sinais com a mão livre, e os dois seguranças que estavam mais perto abriram a porta que levava para as escadas – Preparar para a chegada do Falcão com seus tesouros.
Kakashi indicou a porta e Sasuke conduziu Sakura até ela, com Naruto seguindo logo atrás, mais tranquilo ao receber uma arma carregada.
A katana e as semi automáticas do Oyabun devidamente recolhidas pelo seguranças, que assim que terminaram a vistoria do andar, seguiram pela escada também.
— Meus pais? – Sasuke perguntou enquanto desciam – Itachi, Izumi, Ryou?
— Shisui e Obito foram auxilia-los – Apontou para cima, onde podiam ouvir grande movimentação. A todo momento mais seguranças e membros da Sharingan passavam subindo as escadas apressados – Ryou foi um dos primeiros a sair do prédio, aparentemente levado por Sai que estava próximo ao berçário quando tudo aconteceu.
— Ino? – Sakura perguntou baixo, mas alto o suficiente para que Sasuke escutasse.
— A loira amiga de Sakura... ? – Questionou torcendo para que nada tivesse acontecido com a mulher.
— Também foi uma das primeiras a sair, junto de Sai – Respondeu depois de pensar um pouco – Oyabun-sama, sinto informar que ela também presenciou o suficiente para ter conhecimento de nossa realidade.
— Entendo – Murmurou e Sakura suspirou, aliviada por saber que a amiga estava bem – Deixarei como responsabilidade de Sai por enquanto.
Kakashi assentiu e voltou a prestar atenção no caminho. As escadas estavam em melhor estados que os andares, onde haviam muitos mortos.
Em determinado momento, todo o grupo teve que se encolher próximo a parede para que vários homens passassem. Eram a equipe de limpeza e contenção de danos. Os profissionais treinados especialmente para limpar o lixo da Yakuza.
— Como está sendo a repercussão disso? – Sasuke perguntou para Kakashi, que terminava de passar algumas instruções para o líder da equipe de limpeza.
Desde a época de Fugaku como Oyabun, o Hatake possuía muita autonomia no clã, e alem de treinar os membros da Sharingan também auxiliava na segurança, com toda a experiência que um ex-kobun poderia ter.
— A assessoria de imprensa da Uchiha Corp. já está cuidado disso – Explicou enquanto voltavam a descer as escadas – Tudo foi articulado para que parecesse um atentado terrorista.
Mesmo que não falasse nada, Sakura prestava atenção na conversa.
Era uma realidade completamente impensada para ela. Todo aquele profissionalismo, as armas e esquemas de segurança.
Como não havia percebido antes que estava em meio a Yakuza?
— Terei que fazer um pronunciamento? – O Oyabun perguntou já mostrando sinais de irritação.
— Não senhor – O Hatake respondeu tranquilo, já acostumado com o jeito do mais novo – Madara já está cuidando disso, inclusive já foram forjados videos de um suposto grupo terrorista interessado em chamar atenção atingindo o prédio mais alto de Tóquio – Balançou a mão indicando o lugar.
A Uchiha Corp. era o prédio mais alto da cidade, o que fazia toda a história mais verossímil ainda.
— Madara também já entrou em contato com os outros clãs – Continuou a explicação – Orochimaru foi longe demais dessa vez, e agora tem todos os clãs contra ele – Comentou enquanto via Sasuke auxiliar Sakura a passar por cima de um degrau quebrado – Gaara inclusive está vindo, assim como Minato.
— Imaginei que estivessem – Concordou pensativo.
Por fim chegaram ao primeiro andar, onde os seguranças abriram a porta e o grupo passou. Homens da Sharingan e policiais aliados ao clã estavam espalhados pelo, agora totalmente destruído, hall de entrada da Uchiha Corp.
A equipe de limpeza já trabalhava por ali, tendo empilhado os móveis em um canto e removido os corpos. O sangue já estava sendo removido do piso branco também, assim como as balas espalhadas por todos os lugares.
Toda a parede de vidro estava quebrada, mas funcionários já removiam, enquanto novas janelas, acomodadas em um caminhão, já esperavam para ser colocadas no lugar.
Sasuke não desgrudou de Sakura e Sanosuke um minuto, tentando passar segurança para eles.
Vendo já estar seguro, parou e retirou a gravata dos olhos do filho, que piscou algumas vezes os olhinhos avermelhados e inchados pelo choro.
— O que aconteceu papai? – Perguntou, assustado ao ver onde estava, voltando a chorar.
— Vai ficar tudo bem – Sasuke apertou o filho nos braços – Estou aqui – O aperto do pequeno em seu pescoço não o incomodava,
Muito pelo contrário.
Ter Sanosuke em seus braços era a certeza que ele estava seguro.
Acomodou o pequeno melhor em seu colo e olhou para Sakura.
Ela continuava colada ao Uchiha, mesmo que os braços dele agora estivessem ocupados por Sano.
Olhava para todos os lados, prestando atenção nos homens que estavam por ali e no que eles faziam.
Tudo muito profissional e organizado.
Mas não menos assustador.
— Vamos? – Sasuke perguntou, tentando amenizar a expressão rígida em seu rosto. Não queria assusta-la mais ainda.
Um pouco aérea, apenas balançou a cabeça, aceitando de bom grado o braço dele novamente em seus ombros.
Não devia – principalmente depois de tudo que havia visto – mas passava segurança e conforto.
A porta automática não existia mais, então apenas passaram pelo espaço vazio.
Não havia carros ou muitas pessoas por ali, um grupo próximo a algumas ambulâncias e carros de bombeiros eram o único movimento na rua sempre tão agitada.
Correu os olhos pela rua e viu ao longe, carros de policia fazendo um bloqueio.
— SAKURA! – Ouviu Ino gritar e olhou de volta para o grupo, vendo a loira correr em sua direção, sendo seguida por Sai, que carregava Ryou – SANO!
Ver a amiga bem e sem aguentar mais segurar, Sakura se solta do braço de Sasuke e corre em direção a loira.
O choro desesperado era compartilhado pelas duas assim que se abraçaram, caindo de joelhos no asfalto.
— Eles são a Yakuza amiga! – Ino falava rápido, se embolando nas palavras – Mafiosos! A MÁFIA JAPONESA!
— Eu sei! – Respondeu entre soluços.
Sasuke sentiu o coração apertar ao ver Sakura chorar tão desesperadamente, e mesmo que estivesse atordoado pela cena, virou de cosas, para que o filho não visse a mão chorando.
Sakura não gostaria que Sanosuke a visse daquela maneira.
Kakashi fez um movimento com as mãos, e alguns funcionários e socorristas se aproximaram.
— Os dois são prioridade – Sasuke falou indicando o filho e a Haruno, que ainda abraçava Ino.
Um deles se aproximou com um maca e Sasuke deitou Sanosuke nela. Ino e Sakura levantaram do chão e foram até o pequeno, que não queria soltar a mão do pai por nada.
— Daqui a pouco estarei com você – Garantiu o mais gentil que pode para o filho, vendo os olhinhos verdes dele cheios de lágrimas – Cuida da sua mãe por mim enquanto isso.
Sakura segurou a mão livre de Sanosuke, atraindo a atenção do pequeno, que se jogou para o coloco dela. Um funcionário se aproximou e colocou por cima dos dois uma jaqueta térmica, como a que Ino usava.
Sob os olhos atentos de Sasuke, Sakura e Sanosuke deitaram na maca depois de muita insistência dos socorristas.
— Sasuke – Ela chamou, quando fizeram menção de levar a maca – Precisamos conversar... Não é?
— Sim – Respondeu sério – Não demorarei a encontrar vocês.
Ela assentiu e então o grupo partiu em direção a ambulância.
— Naruto, vá com eles – Ordenou sem tirar os olhos das duas coisas mais importantes de sua vida – Não saia de perto deles em momento algum.
O Uzumaki quis contestar a ordem. Era contra tudo o que jurou se manter afastado de Sasuke naquele momento, e já haviam corrido riscos demais dentro da Uchiha Corp.
Entretanto, ao mesmo tempo entendia que acima de sua segurança, estava a de Sakura e Sano.
E eles sempre seriam prioridade para o Oyabun.
— Ok – Respondeu depois de um longo suspiro.
Sasuke observou eles entrarem na ambulância, tendo como última visão a mulher que amava abraçada com seu filho antes das portas se fecharem.
— No minimo 100 homens agora no hospital do clã – A ordem foi direcionada para Kakashi agora – Se algo acontecer com eles eu mato todos os incompetentes – Ameaçou tão friamente, que o funcionário que colocava um sobretudo no ombro do Oyabun, quase tropeçou nos próprios pés.
— Carga preciosa em direção ao CMS* – Kakashi se apressou em comunicar no ponto eletrônico – Repetindo, carga preciosa em direção ao CMS— Tirou a mão da orelha e sinalizou para o chefe de policia parado próximo ao prédio – Escolta policial para ambulância que acabou de sair daqui – Ordenou e o policial imediatamente puxou o rádio requisitando tal serviço.
— Meus pais... – Começou a perguntar sobre sua família, mas foi interrompido ao ouvirem novamente o barulho do helicóptero, que com a chegada da Sharingan em peso havia se afastado.
Sem ter muito o que fazer, os homens que estavam espalhados pela rua apontaram suas armas para aeronave, que estava parada em um dos andares.
Por ser em um dos mais baixos, todos puderam ver quando duas pessoas se lançaram para dentro dele.
— ESTÃO FUGINDO! – Kakashi vociferou, comandando os homens da Sharingan para que entrassem no prédio novamente.
Sasuke não tirava os olhos do helicóptero, que no lugar de subir, descia contornando o prédio.
E foi então que a situação ficou fora de controle.
A aeronave começou a girar e perder altitude mais rápido, até que com um barulho alto e um tremor no chão, caiu no meio da rua.
A explosão não aconteceu, apesar da fuselagem estar toda retorcida. Julgava que as árvores e carros ajudaram a amortecer a queda, assim como a baixa altitude.
Não pensou muito a respeito antes de correr na direção do Helicóptero.
Kakashi lhe passou uma arma e foi com ela que disparou a primeira vez, quando viu alguém ser removido pela porta.
— NÃO VAI ESCAPAR MALDITO! – Rugiu irado vendo Orochimaru ser carregado – VAI PAGAR POR TUDO QUE FEZ! – Atirou com precisão acertando a cabeça de um dos homens, fazendo o peso do Oyabun da Akatsuki ficar todo para os outros dois.
Mirou na cabeça de Orochimaru, mas quando ia atirar três carros furaram o bloqueio policial.
Kakashi entrou na frente de Sasuke atirando nas rodas dos carros, mas não conseguiu impedir que ele estacionasse e recolhesse Orochimaru.
Sasuke também atirava, mas os veiculo eram blindados.
— ATRÁS DELES! – Ordenou furioso apontando para os carros que voltavam por onde entraram.
Cinco carros da Sharingan saíram em disparada logo em seguida, acompanhados por duas viaturas da policia.
— Um helicóptero! AGORA! – Ordenou praticamente gritando na cara de Kakashi, que instintivamente se afastou.
O Hatake já falava no ponto eletrônico enquanto Sasuke voltou sua atenção para o helicóptero caído. Agora fumaça saia, sinalizando que logo mais uma explosão aconteceria.
— Evacuem a área! – Gritou a ordem para quem estivesse próximo escutasse, e a teve acatada imediatamente.
Virou para se afastar também, mas algo não pareceu certo.
Um pressentimento, talvez.
Olhou novamente para o helicóptero, e deixando Kakashi completamente desesperado, correu em sua direção, escalando com agilidade até chegar a porta.
— PAI! – Exclamou ao ver o mais velho deitado no fundo do helicóptero – KAKASHI! PORRA! CARALHO! MEU PAI ESTÁ AQUI! – Gritou assim que o Hatake o alcançou – PEDE A MERDA DA AMBULÂNCIA!
Tirou o sobretudo, que só restringia seus movimentos e pulou para dentro do helicóptero.
Fugaku estava desmaiado e muito sangue escorria por seu rosto, mas ele ainda respirava.
Não soube se foi a adrenalina provocada pela situação, mas com toda a sua força, mesmo com a mão ferida e a perna baleada, levantou o pai nos braços, o tirando de dentro do helicóptero com a ajuda de Kakashi, que já acionava mais uma ambulância.
— Temos que tirar ele daqui agora! – Sasuke disse vendo a fumaça preta, e o painel estalar soltando faíscas.
Os dois desceram Fugaku e o mais rápido que conseguiram se afastaram, até que o helicóptero explodiu, arremessando pedaços de sua lataria para todos os lados.
Foram jogados para frente, mas o Hatake usou seu corpo para amortecer a queda dos Uchiha.
Por sorte não foram atingidos pelos pedaços, que fincaram nos prédios e arvores mais próximos.
Logo a ambulância chegou e com ela Mikoto, que gritava desesperada tentando chegar até o marido.
Fugaku foi acomodado na maca, os socorristas já fazendo todos os procedimentos.
Sasuke assistia a tudo abalado, assim como Itachi.
Izumi já havia ido para o hospital atrás de Ryou.
— FUGAKU! – Mikoto se debatia nos braços de Kakashi, que tentava evitar que a matriarca atrapalhasse os procedimentos em meio ao seu desespero.
Completamente descontrolada, ela jogou a cabeça para trás com força, atingindo o queixo do Hatake, que a soltou por reflexo.
Um enfermeiro se aproximou para conte-la mas recebeu um soco no nariz, caindo desacordado.
— Senhora, cuidado! – O socorrista alertou quando ela praticamente se debruçou na maca, segurando o rosto desacordado de Fugaku.
— Fugaku, eu estou aqui – Ela falava acariciando os cabelos do marido – Vai ficar tudo bem, você não vai me deixar.
— Deixem que ela vá junto – Sasuke ordenou, tentando não deixar evidente o quanto a cena o havia abalado.
Itachi ao seu lado não conteve as lágrimas.
Os irmãos Uchiha silenciosamente desejavam que seu pai sobrevivesse.
• • • • • • •
O hospital do clã nunca esteve tão seguro. Todos que entravam eram revistados, e as armas apreendidas.
Apenas Sasuke, por ser o Oyabun, passou direto.
O quarto normalmente reservado para atende-lo quando necessário foi o que mandou disponibilizar para Sakura e Sanosuke.
Entretanto, antes de ir vê-los resolveu procurar por informações sobre seu pai, recebendo de uma enfermeira a localização do ex-Oyabun.
— Mãe – Chamou ao abrir a porta. O quarto estava silencioso, e com alivio percebeu que Fugaku não estava ligado a nenhuma aparelho para ajudar na respiração.
— Sasuke! – Ela sussurrou soltando a mão do marido e indo em direção ao filho, o envolvendo em um abraço apertado – Você está bem querido? – Perguntou vasculhando o corpo dele, reparando na mão com o tecido ensanguentado e a calça social com um claro buraco de bala – Você precisa cuidar disso agora mesmo! – Repreendeu assustada – Não sente dor?
— Não – Respondeu com sinceridade. A adrenalina e o ódio ainda corriam por suas veias, fazendo qualquer dor ser anestesiada – Como está? – Indicou Fugaku, ansioso para mudar de assunto e saber o diagnostico.
— Não morreu de ruim que é – Mikoto resmungou tentando fazer graça, mas o olhar era de puro alivio – Vai ter que fazer fisioterapia por um tempo, cadeira de rodas até estar tudo curado nas pernas – Fez uma careta.
— Ele vai odiar – Sasuke comentou e a Uchiha concordou.
— Mas não tem escolha, não é? – Perguntou cruzando os braços – Deve ser mal de Uchiha! – Bufou descontente, balançando a cabeça para os lados – Você pulando de aviões, Fugaku pulando em helicópteros... Estou só esperando quando Itachi resolver saltar de um trem!
— Epa! Não pretendo fazer isso tão cedo – Itachi brincou já entrando no quarto e parando ao lado dos dois – Caramba Sasuke, você está péssimo!
— Hn – Ignorou o mais velho e olhou uma última vez para o pai, aliviado por estar tudo bem – Vou ver Sakura e Sanosuke agora – Comentou em voz baixa, apenas para Mikoto.
Itachi já estava sentado ao lado do pai, tagarelando como se ele pudesse escutar. Provavelmente aproveitando que quando acordado o ex-Oyabun nunca teria paciência para escutar o filho fazer tal coisa.
— Ela descobriu afinal – Mikoto sorriu tristemente e Sasuke suspirou, desviando o olhar.
Ainda sentia algo doer em seu peito ao lembrar dos olhos verdes dela amedrontados.
Com medo dele.
Vendo o filho perdido em pensamentos, o semblante austero como sempre, mas os olhos desfocados, a Uchiha o puxou levemente para fora do quarto.
— Sei que você já tem muita coisa nessa sua cabecinha – Mikoto bateu dois dedos na testa do filho com carinho – Mas eu gostaria de dar um conselho de mãe, posso?
Sasuke passou as mãos pelos cabelos, e por fim deu de ombros, olhando para a mãe atentamente.
— Sakura é uma boa garota – Começou a falar sorrindo – E por ser tão boa, que ela está assustada. E sabe, isso é completamente normal! – Segurou as mãos machucadas do filho, fazendo um carinho – Eu me vejo nela, quando conheci seu pai. E acho que assim como eu, ela vai tomar a decisão correta – Suspirou lembrando do inicio do namoro com Fugaku. Amava tanto aquele homem – Mas enquanto isso, dê um espaço para ela – Aconselhou sabiamente – Ela precisa de um espaço para pensar com cuidado sobre tudo isso – Apontou em volta, como se toda a Yakuza estivesse ali – Respeite qualquer que seja a decisão dela, isso vai contar muito!
— Eu tenho... – Engoliu em seco e passou as mãos novamente pelos cabelos. A dificuldade de admitir franquezas sempre o atrapalhando – Eu tenho receio que algo aconteça caso ela se afaste – Confessou desconcertado, por estar, mesmo que momentaneamente, deixando sua postura de sempre de lado.
— Eu entendo querido – Continuava com seu tom compreensivo – Mas mesmo a distância você pode protege-los! – Lembrou sorrindo – Você é tão poderoso e tem tantos aliados. Tenho certeza que pensará em algo!
— Não quero ficar longe deles – E por um momento Mikoto viu seu pequeno e emburrado filho, que sempre reclamava quando algo não saia como queria.
— Aposto que eles também não querem – Disse ainda fazendo carinhos nas mãos castigadas de Sasuke – Mas ela vai precisar desse tempo, confie em mim.
— A Akatsuki está praticamente acabada – Ponderou derrotado – Meus homens estão caçando Orochimaru ainda, estou confiante... Mas, existem outros que querem me prejudicar, e eu não suportaria que algo acontecesse com eles...
— Você os ama tanto, que é lindo de se ver! – Mikoto levou uma das mãos ao rosto do filho.
— Pai sempre disse que ter sentimentos é mostrar fraqueza, é dar armas para seu inimigo – Lembrou sentindo a cabeça começar a doer, assim como seu corpo. Estava começando a cobrar as consequências de suas imprudências durante a luta.
— Puff, seu pai não sabe de nada! – Abanou a mão com descaso e logo depois desmanchou o sorriso, assumindo uma postura mais séria – As vezes sua maior fraqueza pode se tornar sua força, sua motivação! – Olhou nos olhos do filho, para enfatizar suas palavras – Lembre-se disso!
Sasuke assentiu, e com um último beijo em sua bochecha, Mikoto entrou novamente no quarto onde estava Fugaku e Itachi.
Parado no corredor daquele hospital, Sasuke refletiu sobre as palavras de sua mãe.
E mesmo que doesse seu coração, já tinha certeza do que deveria fazer.
• • • • • • •
Antes de ir conversar com Sakura, deixou que o examinassem, para não chegar lá coberto de sangue. Não queria que ela tivesse mais medo dele.
Já devidamente tratado e agora com roupas limpas, se aproximou da porta, dispensando os dois seguranças que estavam vigiando.
Antes que pudesse abrir, escutou uma voz cantar baixinho.
Girou a maçaneta o mais delicadamente que pode, e entrou no quarto sem fazer qualquer som. Os olhos fixos no leito, onde Sakura e Sanosuke estavam deitados.
[On Track: When You Wish Upon A Star — Gita Gutawa]
When you wish upon a star
Quando você deseja a uma estrela
Makes no difference who you are
Não faz diferença quem você é
Anything your heart desires
Qualquer coisa que seu coração deseja
Will come to you
Virá até você
Ela cantava enquanto fazia carinho nos cabelos rebeldes do pequeno, a cabeça encostada a dele e os braços o rodeando.
Sanosuke dormia agarrado a mãe, e Sasuke agradeceu por isso. Tinha medo que o filho não conseguisse dormir.
Ele mesmo tinha certeza que talvez não fosse conseguir.
— Sasuke? – Sakura perguntou de repente, piscando algumas vezes para tentar identificar quem estava parado na sombra.
— Sim – Respondeu se aproximando cauteloso.
Ficaram se olhando, até que Sanosuke resmungou em seu sono e o Uchiha se abaixou beijando a testa do filho, pedindo desculpas em pensamento por tudo o que o fez passar.
— Você queria conversar – Resolveu falar, mesmo que na verdade quisesse deitar junto deles.
— Sim – Respondeu sem parar o carinho nos cabelos do filho – Mas não posso sair daqui, ele... Se ele acordar e eu não estiver...
— Entendo – Passou as mãos pelos cabelos, nervoso ao pensar no quão afetado por tudo o filho ficou – Alguém já veio conversar com ele?
— Sim – Ela manteve a voz baixa para não acordar o pequeno – Assim que ele entrou no hospital já havia uma psicóloga esperando por ele – Explicou – Obrigada por isso.
— Não me agradeça! – Resmungou passando as mãos novamente pelos cabelos – Eu... Droga, eu só queria proteger vocês – Desviou o olhar para a janela.
Antes que Sakura pudesse falar, a porta se abriu e Ino passou junto de Sai.
— Veja se não é o Poderoso Chefão – Fuzilou o Uchiha com os olhos azuis – Não vai pensando que só porque é o manda chuva que vai poder fazer minha amiga de boba não hein! – Apontou para ele, sem o menor medo – Eu meto meu salto 15 nessa sua cara e...
— Ino, peço que não o provoque dessa maneira – Sai interferiu, vendo o Oyabun se irritar – Estou começando a considerar você a mãe perfeita para meus futuros filhos, mas para isso você tem que estar viva – Explicou calmamente.
— Pera lá! Quem falou de filho? – A Yamanaka colocou a mão na cintura, voltando a sua atenção para Sai – E eu lá tenho cara de mulher de bandido?! – Questionou indignada.
— É uma pergunta retórica? – Sai questionou confuso – Devo ser sincero ou manter nosso sexo casual, com potencial para relacionamento sério e duradouro?
— Ino, você podia ficar um pouco com Sano? – Sakura interferiu antes que a loira pulasse em cima do Uchiha.
— Vai lá – Abanou a mão para que Sakura saísse logo, ainda lançando olhares irritados para Sai – E você, olha lá o que vai falar – Apontou para Sasuke.
O Oyabun, nem um pouco abalado pelas ameaças de Ino, abriu a porta para Sakura passar.
— Você me enganou novamente – Finalmente disse o que estava entalado assim que escutou a porta ser fechada – Mais uma vez, Sasuke! – Exclamou, sentindo os olhos encherem de lágrimas – Qual o motivo de fazer isso comigo sempre? – Questionou verdadeiramente chateada.
Sasuke não era bom com palavras, mas sentia que aquela conversa ajudaria a definir o seu futuro.
— Eu errei – Admitiu se esforçando para passar por cima de seu orgulho – Errei mais uma vez... Mas nunca foi minha intenção... Eu apenas queria proteger vocês dois! – Tentou explicar.
— Mentindo novamente? – Perguntou inconformada – Era mesmo necessário? – Sasuke nunca a havia visto tão nervosa – Ia esperar quando para me contar?
— Eu apenas não sabia como contar! – Tentou não alterar a voz, mas estava tendo dificuldades em se controlar. Era tudo demais para ele – Eu pensei que se contasse, você se afastaria de mim novamente!
— Acho que eu tinha o direito de saber uma coisa dessa gravidade! – Retrucou – É sobre a segurança do nosso filho que estamos falando! – Jogou as mãos para o alto exasperada – Nos quase morremos hoje!
— Eu NUNCA deixaria nada acontecer com vocês dois – Garantiu com ferocidade, e os dois ficaram se encarando.
Era de fato a primeira discussão de verdade que tinham.
— Eu não deixei nada acontecer e nunca vou – Continuou, sem desviar os olhos dela – Eu tenho poder suficiente para te garantir isso.
Ela suspirou e relaxou um pouco, só então percebendo como o corpo todo estava tenso.
— Você manda na Yakuza? É isso? – Perguntou cruzando os braços, insegura – Você manda em tudo isso? – Apontou em volta.
— E em muito mais – Completou sério – Nada acontece nesse país sem que eu saiba, Sakura – Olhou nos olhos dela, sem conseguir desviar – Tenho mais poder que o Primeiro Ministro – Admitiu e a viu arregalar os olhos, levando as mãos a boca.
— Oh, meu Deus! – Murmurou assustada – Isso é sério? – O viu assentir, sem nem um traço de brincadeira.
— Claro que tenho que contar com a parceria que tenho com outros clãs, mas em suma eu realmente tenho esse poder todo – Disse sem um pingo de presunção, apenas sinceridade.
— E onde eu e Sanosuke entramos nessa história? – Questionou mais nervosa que antes.
Sasuke teve que parar para pensar um pouco antes de responder aquela questão. Era ali que tudo poderia desandar.
— Você comandaria tudo ao meu lado, caso fossemos... Casados – Começou a falar, tentando achar as palavras certas para explicar de forma sucinta tudo aquilo – E Sanosuke seria meu herdeiro.
— Com herdeiro você quer dizer... – Ela começou a falar.
— Ele assumiria tudo no futuro – Completou, a vendo ficar pálida como um papel.
— Meu filho... Um mafioso? – Perguntou para ninguém em especifico, sentindo tudo a sua volta girar.
Rapidamente Sasuke a amparou, guiando até que sentasse em uma das cadeiras de espera, que ficavam dispostas ali no corredor.
— Precisa de algo? – Perguntou sem conseguir esconder a preocupação. Sentia a mão gelada dela entre a sua e o corpo tremulo.
— Preciso pensar – Sussurrou desnorteada – Preciso de um tempo... Um tempo de tudo isso, da Yakuza, do dinheiro, de...
— Mim? – Perguntou fechando os olhos, sentindo uma pontada no peito.
— Sim – Ela respondeu baixinho, vendo o rosto dele se contorcer como se sentisse dor.
Os dois ficaram alguns minutos em silêncio, até que Sasuke o quebrou.
— É perigoso ficar longe de mim, e você sabe disso – Jogou sua maior carta, implorando mentalmente para que ela considerasse aquilo – Vai ser perigoso para Sanosuke também – Apelou, sentindo o desespero aumentar, a testa encostada na dela e os olhos fechados, apenas sussurrando seus argumentos.
Não queria se afastar, não queria perder o cheiro dela, o calor do corpo dela e nem que ela conseguisse ver a expressão em seu rosto.
Ninguém podia vê-lo tão frágil daquela maneira.
— Eu sei – Ela respondeu – Eu sei, mas eu preciso de um tempo – Insistiu decidida – Tenho certeza que de alguma forma você não vai deixar nada acontecer com a gente – Também jogou alto, sabendo que o fato de dizer que confiava nele, iria derrubar suas barreiras – Me deixe ir – Pediu enquanto sentia as mãos dele apertarem as suas.
Com os olhos ainda fechados, e a testa ainda encostada na dela, Sasuke admitiu a derrota.
“Respeite qualquer que seja a decisão dela, isso vai contar muito!”, tentando não reagir negativamente ao pedido, lembrou do que sua mãe disse mais cedo, “... ela vai precisar desse tempo, confie em mim”
Não conseguia imaginar mais a sua vida sem os dois, mas se fosse a vontade dela, a deixaria ir.
— Vou organizar a viagem – Disse por fim, levantando a cabeça e beijando a testa dela antes de se afastar, seguindo pelo corredor até desaparecer.
— Eu não estou te abandonando – Sakura alou como se ele pudesse escutar – Só preciso pensar.
• • • • • • •
Sasuke estava sentado em seu lugar de direito na mesa de reuniões da Sharingan. Todos os membros relevantes do clã estavam presentes, e também os Oyabuns de Suna e Konoha.
Fugaku e Mikoto permaneciam no hospital, sendo os únicos que faltavam.
—´Oyabum-sama— Kakashi chamou a atenção do Uchiha, que se mantinha disperso de toda a discussão que acontecia desde que sentaram.
Os pensamentos em Sakura e Sanosuke, que agora estavam em seu apartamento fazendo as malas.
— Hn – Resmungou para sinalizar que estava escutando, mas sem olhar realmente na direção dele.
Um pouco apreensivo sobre o que tinha para falar, Kakashi pigarreou e olhou significativamente para Naruto, que assentiu, se aproximando um pouco mais do Oyabun.
— Sinto dizer que... Orochimaru escapou – Falou de uma vez, fazendo a sala mergulhar em um silêncio tenso.
Já prevendo o pior, os que estavam próximos se afastaram e Sai puxou a mesa, a tirando do alcance do Oyabun, enquanto Naruto o rodeava pronto para segura-lo.
E foi como previsto, ele explodiu de uma vez.
Tão cansado de tudo, a cabeça tão cheia de preocupações e as lembranças do que sua família passou, que simplesmente não aguentou mais.
— MALDITO! – Rugiu enfurecido levantando de uma vez, tão rápido que Naruto não conseguiu segura-lo antes que pegasse a cadeira e arremessasse contra a porta.
O shoji cedeu e a cadeira voou pelo corredor atingindo dois seguranças que estavam do lado de fora da sala.
Os olhos do Oyabun estava banhados de fúria, e todos conseguia ver o quão tenso ele estava, as mãos enfaixadas fechadas em punho tão firmemente que o corte na direita – que usou para amparar a katana – abriu, manchando a faixa e pingando no chão.
— COMO VOCÊ O DEIXOU ESCAPAR? – Direcionou toda sua raiva para Kakashi, que deu alguns passos para trás – ELE QUER MATAR A MINHA FAMÍLIA! – A voz do Oyabun soava como um trovão, atraindo membros do clã para o corredor, olhando curiosos.
Suas mãos voaram para o colarinho do Hatake, o levantando com facilidade, mesmo que tivessem quase a mesma altura.
— Sasuke! Se controle! – Naruto tentou interferir, mas o Uchiha estava fora de si.
— Como vou deixar os dois voltarem para Konoha sabendo que aquele desgraçado estava vivo?! – Questionou jogando o corpo de Kakashi com força contra a parede.
— Orochimaru foi visto... – Falava com dificuldade, pelo aperto de aço das mãos do Oyabun – ... Embarcando para a China... Junto de Kabuto, e em pior estado que Fugaku-sama.
Sasuke pareceu refletir sobre as palavras do Hatake por um minuto e o soltou de uma vez.
Se Orochimaru estava em pior estado que seu pai, não seria uma ameaça.
— Tem certeza disso? – Perguntou sem olhar para Kakashi, que com dificuldade caminhou até a mesa e pegou a pasta que continha informações sobre o que restou do clã Akatsuki.
Sasuke pegou a pasta de maneira rude e correu os olhos pelos papéis e fotos. A Akatsuki aparentemente agora reduzida a cinco membros, sendo Orochimaru e Kabuto dois deles.
Contando com a ajuda da Tríade Chinesa, conseguiram escapar do país, indo para longe do domínio da Sharingan.
Na China eles não podiam entrar.
— Ele vai voltar – Sasuke sentenciou e todos concordaram.
Podia demorar o tempo que fosse, mas Orochimaru voltaria em busca de vingança.
– Escutei algo a respeito de um traidor – Gaara comentou casualmente, na intenção de mudar de assunto; Orochimaru não era mais uma preocupação naquele momento – Já sabem quem é?
— Temos suspeitos – Itachi falou, enquanto Sasuke sentava em uma nova cadeira colocada por um funcionário – Mas ainda estamos investigando – Trocou um olhar com o irmão.
— Estaria ele aqui? – Minato perguntou, e instintivamente todos olharam uns para os outros, desconfiados.
— Não – Sasuke quem respondeu – Está aposentado do clã, por conta da idade – Soltou algumas informações, mas sem revelar demais – Trabalha apenas na Uchiha Corp.
— Entendo – Gaara comentou tranquilo – Qualquer coisa avise, a Shukaku como sempre está com a Sharingan.
— O mesmo vale para mim e a Kurama – Minato concordou, sorrindo simpático como sempre – Mas, mudando de assunto novamente – Olhou para Sasuke, que parecia distraído novamente, olhando para a janela – Oyabun-sama, aparentemente levarei a futura Hime comigo?
Novamente a pontada no peito ao pensar na partida dos dois.
— Sim – Respondeu depois de um tempo, ainda olhando para a janela – Acha que consegue garantir a segurança deles? – Perguntou sério, deixando claro que não poderia haver falhas.
— Pode confiar, que a Kurama vai cuidar deles como se fossem do nosso clã – Respondeu confiante, não se mostrando abalado pela fala rude do Oyabun — O esquema de segurança já foi organizado e estamos prontos para recebe-los.
— Gaara – Sasuke voltou então sua atenção para o Oyabun de Suna – Temari havia se oferecido para fazer a segurança de Sakura...
— Vai ser uma honra! – Ela se adiantou, passando na frente do irmão e recebendo um olhar repreensivo do marido.
— Temari está liberada para essa missão – Gaara concordou, já acostumado com o jeito da irmã e tranquilizando Shikamaru com o olhar.
— Ela vai para Konoha com Sakura e Sanosuke – Sasuke explicou – Naruto também vai.
— Vai ficar sem seu kobun? – Madara questionou surpreso – Isso é loucura!
— Loucura é deixar as maiores fraquezas dele expostas – Sai disse, sincero como sempre – Claro que ficar sem seu Kobun é algo arriscado, mas acho que Oyabun-sama estará bem se aqueles dois também estiverem.
Ignorando os olhares que recebeu, ao ter algo tão intimo revelado, Sasuke apenas queria que tudo acabasse para voltar logo para casa e aproveitar os últimos instantes com os dois.
E foi pensando nisso, que encerrou a reunião.
• • • • • • •
O clima entre ele e Sakura não era o mesmo, ela parecia preocupada demais para sorrir como normalmente, mesmo que o fizesse quando com Sanosuke.
Não demonstrava medo, mas também não parecia a vontade como anteriormente ao seu lado. Os toques íntimos que conquistaram aos poucos naqueles dias em que conviveram, agora apenas lembranças.
O Uchiha tinha medo de tentar uma aproximação e ser rejeitado.
Já o pequeno não estava em sua empolgação costumeira, se distraia com uma coisa ou outra, mas facilmente se assustava.
Sasuke não queria nem pensar em como ele estaria se não tivesse coberto sua visão. O acompanhamento psicológico ajudaria, mas tinha em mente que se Sakura decidisse dar uma chance a ele, aquele tipo de situação seria algo com que Sanosuke teria que se acostumar.
E quanto mais pensava sobre isso, mais inseguro ficava.
Ela diria não.
Começava a ter essa certeza a cada minuto que passava.
Levantou os olhos da tela de seu computador, e viu o filho brincando no chão de seu escritório. Não com a mesma animação de sempre, mas era algo bom vê-lo se divertindo.
Após Sakura ter, com a ajuda da psicóloga, avisado sobre o retorno para Konoha, Sanosuke não saiu mais do seu lado.
Era como uma pequena sombra, o seguindo para todos os lados, inclusive no banheiro.
Quando tentou deixa-lo para o lado de fora, o choro foi tão desesperado que Sakura chegou correndo, achando que o filho havia se machucado.
E aproveitando que ainda levaria alguns dias para a Uchiha Corp. voltar parcialmente a ativa, estava trabalhando em seu escritório particular. E Sanosuke não reclamava, enchendo o lugar de brinquedos e desenhos.
Alguns adesivos inclusive haviam sido colados na parede ao lado de sua mesa, e quando questionado o pequeno apenas sorriu e disse “Aqui é chato, precisa de adesivos”.
E bem, não é como se Sasuke se importasse.
Aquela altura, faltando poucas horas para a partida dos dois, não se importava com nada que o filho fizesse.
• • • • • • •
O carro já estava esperando, com as malas já devidamente guardadas.
Sakura se despedia de Chiyo na sala e Naruto seguia até o escritório para lembrar Sasuke que precisava deixar o filho ir.
O Uchiha parecia estar segurando o menino de proposito.
Colocou a mão na maçaneta, pronto para entrar sem bater como de costume, mas parou ao reparar que estava entreaberta e que Sasuke falava ao telefone.
— O que acha de Izuna? – O Uchiha perguntou para quem quer que estivesse do outro lado da linha – Temos a mesma idade, e fomos treinados de forma parecida, acredito que Madara tenha sido mais severo que eu pai – Ponderou girando a cadeira, dando a visão para Naruto de Sanosuke deitado em seu colo, dormindo tranquilamente.
Uma mão segurava o telefone e a outra deslizava pelos cabelos cabelos do pequeno.
— Itachi nunca poderia ser Oyabun — Resmungou girando a cadeira até estar de frente para o computador – Me mande a ficha de Izuna, que acredito que ele possa ser a melhor opção.
— Sim, eu tenho certeza – Naruto o viu responde de má vontade, como se tivesse que faze-lo pela milésima vez – Por eles... – Viu o amigo olhar para Sanosuke – Vale a pena pensar a respeito – Disse sério, antes de desligar o telefone.
Naruto esperou alguns segundos e entrou, como se nada tivesse acontecido.
— Teme! – Cumprimentou sorridente, vendo o Uchiha olhar irritado em sua direção – Está na hora – Indicou Sanosuke com a cabeça e, mesmo que tivesse sido sutil, viu o olhar de Sasuke desfocar e o braço envolver o pequeno de maneira mais possessiva.
Ficou olhando o melhor amigo admirando o filho adormecido e se sentiu mal por ele. Queria que as coisas fossem mais fáceis para o Uchiha.
As pessoas costumavam invejar a vida do poderoso Uchiha Sasuke, mas nem imaginavam tudo o que ele passava.
— Eu levo ele, enquanto você se despede da Sakura-chan – Falou se aproximando e estendendo os braços para receber o pequeno.
Sasuke exitou, ainda olhando atentamente para o filho, decorando cada detalhe do rostinho infantil.
Por fim, passou Sanosuke para os braços de Naruto, que o segurou com carinho.
Antes de levantar, retirou algo que o loiro não conseguiu ver de uma das gavetas da mesa.
Olhou mais uma vez para o filho e então saiu da sala.
Assim que escutou a porta bater, o Uzumaki contornou a mesa e olhou a tela do computador. A arvore genealógica dos Uchihas aberta, assim como a ficha de Izuna.
E com extrema surpresa percebeu que Sasuke estava pensando em largar a liderança da Sharingan.
Largar tudo por Sakura e Sanosuke.
• • • • • • •
Ela estava linda como sempre, conversando com Chiyo e fazendo carinho atrás da orelha de Aoda.
Sorria, mas não abertamente como sempre.
Chiyo não demorou a perceber sua presença, e com uma desculpa qualquer se afastou em direção a cozinha.
A Haruno olhou para onde a empregada foi e por fim virou o rosto, encontrando Sasuke parado, a observando atentamente.
— Como sempre silencioso – Tentou brincar, falando a mesma coisa que virou costume ao se assustar com as chegadas repentinas dele, em seus encontros noturnos na cozinha.
— Não era minha intenção – Se justificou, se aproximando mais, mas respeitando o espaço que julgava confortável para ela.
Ficaram por um tempo se olhando, desviando apenas quando Naruto passou carregando Sanosuke e avisando que os esperaria no hall do elevador.
Sakura suspirou vendo o loiro fechar a porta e virou o rosto, se assustando ao encontrar Sasuke mais perto que anteriormente.
— Sakura... – Começou a falar, deixando clara a dificuldade que estava tendo. A Haruno não sabia o que ele estava prestes a falar, mas a julgar pela expressão tensa no rosto másculo, tinha certeza que era algo sério – ... Me deculpe... Por tudo.
Completamente chocada, sentiu quando ele depositou em sua mão uma caixa.
O coração batia acelerado e os olhos marejados.
Não encontrava sua voz, e tudo pareceu se intensificar ainda mais quando ele se inclinou, e beijou brevemente seus lábios, em uma despedida singela.
Foi a primeira vez que ouviu Sasuke se desculpar por algo, e esse fato apenas a fez compreender a intensidade que foi aquele momento.
O Uchiha foi em direção a porta, para se despedir novamente do filho e enquanto isso, entre lágrimas, Sakura abriu a caixinha para encontrar um anel.
O anel que simbolizava o quanto Uchiha Sasuke a queria ao seu lado para sempre.
• • • • • • •
Em Konoha, um esquema complexo de segurança foi elaborado para proteger a família do Oyabun da Sharingan.
No aeroporto, nas ruas, onde quer que passasse, seguranças a escoltavam como se fosse uma autoridade. Para onde quer que olhasse, havia um homem de terno, a observando atentamente.
Como nunca havia reparado neles antes?
— Eles sempre estavam lá – Ino falou, quando Sakura comentou – Em menor quantidade, mas eu sempre os via seguindo a gente!
— Eu nunca percebi – Murmurou inconformada com sua falta de atenção.
Sanosuke dormia em seu colo, e quando o carro estacionou em frente a casa de porta cor de rosa, Naruto foi o primeiro a descer, seguido por Temari.
Apenas quando recebeu a autorização, o motorista abriu a porta e ela pode descer junto com o filho e Ino.
Era estranho estar de volta, pensou observando brevemente a rua.
Mais calma e com alguns carros que agora sabia serem para sua segurança, mas tentou não dar atenção a isso. Ino já foi abrindo a porta sem cerimônias, provavelmente ansiosa para tirar os sapatos de salto.
Naruto entrou logo em seguida, enquanto Temari a esperou calmamente.
Não conversaram muito durante a viagem.
Por mais que achasse importante fazer amizade com alguém que ficaria ao seu lado o tempo todo, Sakura estava dispersa. A bolsa incomodando seu braço, como se o anel lá guardado pesasse uma tonelada.
— Sakura-sama, vamos entrar? – A No Sabaku sugeriu, olhando ao redor desconfiada.
— Sim – Respondeu e entrou naquela que antes era considerada sua casa, e agora estranhamente parecia não ser mais.
Os móveis coloridos e descontraídos agora tão estranho aos seus olhos, já acostumados com tons sóbrios e detalhes masculinos na decoração.
Tão poucos dias morando no apartamento de Sasuke e de alguma forma já o considerava sua casa.
Colocou um já desperto Sanosuke no chão, e o viu olhar ao redor com o rostinho contraído.
— Quero o papai – Pediu manhoso e o coração de Sakura se apertou.
— O papai ficou na casa dele – Se abaixou na altura do filho para explicar carinhosa – A gente estava só visitando, lembra?
Mesmo que balançasse a cabeça confirmando que lembrava, as mãozinhas esfregavam os olhos verdes que derramavam lágrimas sentidas.
Tenten surgiu pela escada e logo pegou o pequeno no colo, tentando distraí-lo enquanto cumprimentava os recém chegados.
— Doçura! – A voz empolgada de Naruto chamou a atenção de todos, e seguindo o olhar encantado dele, encontraram Hinata no topo da escada.
As bochechas avermelhadas e os olhos claríssimos brilhando na direção do loiro.
— Naruto-kun – Ela respondeu timidamente, e desceu as escadas sem tirar os olhos dele.
— Espero que vocês não se incomodem, mas Sakura-chan nos convidou para passar um tempo – Explicou vagamente, sem poder dizer o real motivo – Essa é Temari, minha prima – Improvisou e a loira arqueou a sobrancelha – Espero que não seja um incomodo.
Tenten sorriu, fazendo uma mesura, assim como a Hyuuga, que ainda olhava para Naruto como se ele fosse um príncipe saído de um livro de contos de fadas.
Sakura trocou um olhar com Ino, e por fim sorriram.
— Essa Hinata não me é estranha – Temari comentou pensativa, enquanto subiam a escada. Mandaria pedir a ficha completa dela, se o Oyabun já não o tivesse feito.
Sakura, acompanhada por Ino e Temari, foi em direção ao seu quarto, vendo pelo canto dos olhos o Uzumaki beijar a mão de Hinata de forma galante, antes que se perdessem de vista.
• • • • • • •
Dois dias passaram, e Sasuke ligava pelo menos três vezes por dia, querendo saber como estava Sanosuke.
Sakura apreciava como o Uchiha mantinha o assunto sempre no filho, evitando pressiona-la em busca de uma resposta. Ainda não sabia o que fazer.
Não havia tomado sua decisão ainda.
O sono dificilmente vinha e acabou por praticamente apenas cochilar nessas duas noites que passaram, aproveitando para velar o sono inquieto do filho.
Mais de uma vez Sanosuke acordou chamando pelo pai, e Sakura era obrigada a ligar para o Uchiha em plena madrugada. Se sentia constrangida, mas o modo afoito que ele atendia o telefone, sem permitir que o toque se repetisse, a aliviada por ver a preocupação que ele tinha com o filho.
Ele e Sano conversavam até que o pequeno dormisse, e então, com aquela voz rouca e máscula, ele desejava uma boa noite para Sakura, que não conseguia pregar os olhos, pensando em tudo... Pensando nele.
Naquela manhã, faltando dois dias para o ano novo, sentou na mesa do café da manhã sem deixar de reparar como o braço de Naruto estava discretamente posicionado ao redor dos ombros de Hinata.
Volta e meia eles trocavam olhares cheios de significado.
— Não sei o que vocês tem, mas se não quiserem que o resto do mundo saiba, aconselho a se afastarem um pouco antes que Ino apareça – Aconselhou enquanto pegava duas torradas, passando geleia antes de colocar no prato do filho.
Como se tivesse ouvido seu nome, a loira entrou na sala, fazendo o casal se separar abruptamente. Hinata completamente vermelha e Naruto coçando a cabeça, assoviando para disfarçar.
Sanosuke riu e tentou imitar o Uzumaki, mais cuspindo geleia do que produzindo algum som com a boca.
A mente traiçoeira de Sakura pensando em como Sasuke iria apreciar ver o filho fazendo aquilo.
— Bom dia amorzinho da minha vida! – A Yamanaka esbanjou bom humor, mesmo ainda sendo tão cedo.
Todos cumprimentaram de volta, inclusive Temari, que já se sentia amiga de todas, que foram bem receptivas com ela.
— Inveja de quem acorda assim – A No Sabaku resmungou, tentando ajeitar os cabelos em um rabo de cavalo. O rosto ainda meio amassado pelo sono.
— Ela está assim pois passou a noite toda conversando com aquele Uchiha banquelo – Tenten já chegou dedurando.
A Yamanaka sorriu radiante e tampou os ouvidos de Sanosuke, antes de abrir um sorriso malicioso.
— Sexo por telefone – Piscou sem a minima vergonha.
A relação entre os dois continuava de uma forma estranha, com Ino anunciando que não se relacionaria com um mafioso mas atendendo todas as ligações dele com entusiasmo.
A verdade é que estava apaixonada, e talvez tão confusa como Sakura.
A situação da Haruno era mais complicada, mas conversavam sobre o assunto, tentando chegar a um consenso estando juntas no mesmo barco que era estar apaixonada por um mafioso.
— Porra, eu não precisava saber disso – O Uzumaki reclamou empurrando seu café da manhã, no rosto uma expressão de nojo.
— Ue, não vejo problema algum – Deu de ombros, sem perder o bom humor – Tão comum quanto o que você e Hinata fizeram ontem a noite – Comentou como quem não quer nada.
E a Hyuuga ficou mais vermelha que a geleira que agora manchava o pijama de Sanosuke.
— O que eles fizeram tia Ino? – Sanosuke perguntou inocentemente.
— Nada! – Sakura praticamente gritou antes que a loira respondesse – Vamos tomar um banho? – Perguntou já pegando o filho no colo e olhando de maneira repreensiva para a melhor amiga.
— Então quer dizer que Hinata de inocente não tem nada – Escutou a voz de Temari zombar, já completamente a vontade para fazer esse tipo de brincadeira.
A risada alta de Ino e Tenten foi a última coisa que ouviu antes de fechar a porta do banheiro.
— Queria que papai me desse banho – Sanosuke comentou tristonho ao terminar de tirar as roupinhas.
E o coração de Sakura apertou, como em toda vez que o filho mostrava o quanto sentia falta do pai.
— Posso entrar? – Naruto bateu na porta do banheiro, respeitando pelo menos aquela sem entrar como sempre – Vim ajudar a dar banho nesse fedorento! – Apontou para Sanosuke, que estava dentro da banheira.
— Não sou fedorento! – Respondeu emburrado, e os dois adultos viram claramente Sasuke naquele gesto.
— Elas te expulsaram? – Sakura perguntou despejando shampoo com cheiro de pêssego nas mãos.
— Vão interrogar Hinata – Resmungou incomodado.
— Então quer dizer que vocês dois estão... – Movimentou a mão desajeitadamente no ar algumas vezes, espalhando espuma para todos os lados.
— Bem, eu não sei o que significa essa coisa muito louca que você acabou de fazer... Mas se quer saber se estamos juntos, bem, estamos sim! – Disse orgulhoso – Ela é uma doçura – Confessou encantado.
— Cuide bem da minha amiga, ok? – Pediu batendo o ombro levemente no dele.
— E você do meu amigo – Devolveu o gesto, mas o sorriso no rosto de Sakura diminuiu – Não fique assim! Vocês se amam, são a família mais desconcertantemente adorável que eu já vi – Fez uma careta, aproveitando o shampoo para fazer um moicano em Sano.
O pequeno se afastou, começando a nadar pela banheira que para ele se igualava a uma piscina, pegando alguns brinquedos que ficavam por ali e se divertindo com a água.
Aproveitando que Sano se afastou, Naruto olhou mais seriamente para a Haruno, que percebendo a mudança parou de mexer na água e prestou total atenção ao loiro.
— Por baixo de toda aquela máscara indiferente, existe um homem completamente louco por você – Disse sério – Ele faria de tudo por você e pelo Sano, tudo.
— É complicado Naruto – Argumentou não muito convencida. Estava tão confusa.
— Complicado? – Sua voz saiu indignada – Complicado foi Sasuke se manter afastado durante anos por achar ser o melhor para você. Complicado foi ele ter desafiado uma das maiores regras do clã, para estar com você. Complicado foi ele ter ido pessoalmente resgata-la quando o clã inimigo a sequestrou – As mãos tremulas dela foram a boca, mostrando a surpresa pelas palavras do Uzumaki – Complicado foi ele ter levado tiros e pulado de um avião, para que você sobrevivesse! Complicado vai ser quando o maior Oyabun de todos os tempo renunciar tudo por amor.
As lágrias já desciam descontroladas, e os soluços escapavam, mesmo que ela se esforçasse para conte-los, preocupada que Sano a visse daquela maneira.
Nunca imaginou que por trás de seu sequestro, Sasuke estivesse pessoalmente envolvido.
Arriscando a própria vida para salva-la.
— Ele vai largar tudo por vocês Sakura-chan! – Olhou no fundo dos olhos verdes daquela que considerava sua irmã – Ele não me disse mas eu sei, eu vi e ouvi – Enfatizou, lembrando da cena que viu no escritório – Ele está disposto a abrir mão de quem é e do que tem por vocês dois.
Sakura olhou para o filho, tão parecido com o pai, os pensamentos um emaranhado que apenas a deixava mais confusa.
O que deveria fazer?
— Pensei nisso – O Uzumaki aconselhou, dando um beijo na cabeça dela antes de sair do banheiro.
• • • • • • •
Aproveitando as férias, Sakura colocava as ´series em dia. Temari a acompanhava, comentando vez ou outra sobre o episodio que assistia de The Walking Dead.
Não prestava exatamente atenção, seus pensamentos voltados totalmente para o que Naruto havia falado mais cedo naquele dia.
Distraidamente acariciava os pelos sedosos de Fluffykins, o sentindo ronronar satisfeito.
Sanosuke estava no quarto, brincando e vez ou outra tinha que lembrar de ir lá conferir se ele não havia destruído algo.
Mesmo que o silêncio da maioria das crianças significasse encrenca, quando era Sansouke apenas significava que a personalidade de Sasuke também estava presente no pequeno. Tranquilo e centrado quando em algo de seu interesse.
— Pausa! – Temari pediu ao escutar a campainha tocar. Verificando o celular, para ver se havia alguma mensagem dos que faziam a segurança da casa a respeito do visitante inesperado.
Como não havia nada, devia ser conhecido.
— Mikoto-sama! – Temari se assustou ao ver a senhora Uchiha parada na porta, e Sakura teve a mesma reação ao escutar o que a No Sabaku disse.
— Meu Deus, que surpresa! – Sakura ajeitava a roupa que usava, ao mesmo tempo que tentava colocar o cabelo no lugar. Estava completamente no modo “a vontade” e nem um pouco apresentável para tão ilustre visita – Entre, fique a vontade! – Se atrapalhou tentando fazer uma mesura.
— Sakura querida! – A Uchiha entrou de uma vez, mandando os bons costumes para o espaço e abraçando com força aquela que queria como nora – Que saudades!
O abraço passou um sentimento tão bom, tão maternal que Sakura sentiu os olhos enxerem de lágrimas. Não se conteve e a abraçou de volta com igual emoção.
As duas se afastaram, e a Uchiha gentilmente enxugou as lágrimas que desceram pelas bochechas de Sakura.
— Sasuke veio com a senhora? – Perguntou sem conseguir conter a ansiedade em vê-lo.
— Meu filho nem desconfia que estou aqui – Sorriu cúmplice, percebendo o rosto da Haruno murchar em decepção.
— Oh, imagino que ele não vai ficar feliz – Comentou conduzindo Mikoto até a sala, onde Temari já estava sentada, agora mexendo no celular.
— Não mesmo – Deu de ombros, pouco se importando – Mas eu sou a mãe dele! Nunca que ele vai mandar em mim!
Sakura riu, e até Temari deixou escapar uma risada.
— Quer que eu chame Sano? Ele está lá em cima... – Começou a falar, mas Mikoto a interrompeu sorrindo abertamente.
— Não querida, é uma visita rápida e vim para falar com você – Fez com que a Haruno sentasse, e a acompanhou – Vim falar com você sobre o papel da esposa de um Oyabun.
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— Sim! O Oyabun é o líder do clã e no caso do Sasuke, ele é o equivalente ao líder de todos os clãs espalhados pelo Japão – Explicou pacientemente – Sendo assim ele é o responsável pela boa convivência da Yakuza.
— Eu entendi o quão poderoso ele é – Disse estremecendo apenas ao lembrar do momento em que ele disse ser o homem mais poderoso do Japão – O que me assusta é o papel de Sanosuke no meio de tudo isso – Confessou insegura.
— Completamente compreensível – A Uchiha sorriu gentil, antes de suspirar – Sabe, eu não sou uma Uchiha de nascença.
— Mas a senhora tem todos os traços Uchiha – Sakura comentou surpresa.
— Parece, não é? Mas é apenas coincidência – Deu de ombros – Na verdade, conheci Fugaku ao visitar o escritório do meu pai, na época, o Primeiro Ministro do Japão – Viu os olhos de Sakura se arregalarem surpresos com a revelação – Ele estava em um canto, tão silencioso que nem o vi de primeira.
Suspirou saudosa, viajando por um momento em lembranças.
— Mas assim que coloquei meus olhos nele, senti que havia sido amor a primeira vista – Continuou e Sakura nem piscava, interessada na história – Demorou muito tempo para que ele viesse falar comigo. Tão reservado e sério, que sempre achei que ele não me enxergava – Contou lembrando dos suspiros tristonhos que dava achando não ser notada pelo Uchiha – Mas mais tarde descobri que ele apenas estava tentando conseguir que meu pai aprovasse o namoro, afinal ele sabia muito bem o que Fugaku fazia.
— E a senhora não sabia? – Sakura perguntou, se identificando com o relato.
— Nem desconfiava – Riu de sua ingenuidade na época – Achava que era apenas um conhecido, sócio...Sei lá! – Riu sendo acompanhada pela Haruno – Mas um dia, meu pai se irritou e me revelou tudo, na esperança que eu me afastasse dele.
— E o que a senhora fez? – Perguntou, vendo Temari sentar ao seu lado com um balde de pipocas recém estouradas. Sentindo o cheiro de manteiga, não conseguiu resistir e levou um punhado a boca.
— Eu fugi e entrei para a Sharingan! – Revelou orgulhosa de sua rebeldia, fazendo as duas que escutavam atentamente a história arregalarem os olhos – Um pouco depois me casei com Fugaku, que já era Oyabun. Foi difícil me adaptar, mas nunca fui tão feliz!
— Quando Itachi e Sasuke nasceram, a senhora não sentiu medo? – Sakura perguntou o que a fazia se sentir mais insegura em relação a tudo.
— Muito! – Admitiu, mas lançou um olhar compreensivo para Sakura – Sei que está com medo, mas posso te garantir uma coisa – Segurou as mãos da Haruno sem se importar por estarem engorduradas pela manteiga da pipoca – Ele vai fazer do possível ao impossível para proteger vocês e isso é a maior certeza que uma esposa de um Oyabun pode ter.
— A senhora sempre teve essa certeza? – Perguntou emocionada.
— Sempre – Respondeu prontamente – E sempre vou ter.
E naquele momento, tentou passar para Sakura toda a segurança que tinha.
Precisava que ela sentisse isso, para que nunca mais visse o filho da forma que viu ao visita-lo de surpresa na noite anterior.
A imagem de Sasuke deitado na cama infantil, com a cabeça apoiada no travesseiro cor de rosa, a tocou profundamente e ela não esqueceria tão cedo.
Precisava ajudar a unir aquela família!
• • • • • • •
[On Track: Arrietty's Song — Cecile Corbel]
Do alto da escada Sakura assistiu Temari fechar a porta por onde Mikoto passou.
As palavras que ela lhe disse ainda frescas em sua memória enquanto voltava para o segundo andar.
Seus pais faleceram em um acidente de carro quando tinha 15 anos. Era muito apegada a eles, e em especial sua mãe. Eram melhores amigas e contava tudo para ela. Mebuki sempre tinha os melhores conselhos e Sakura sabia que sempre que precisasse podia correr para os braços da mãe.
Foi difícil superar a perda, mas não podia reclamar de sua vida.
Tsunade foi ótima, mas não tinha lá muito jeito com adolescentes e, mesmo amando muito a loira, sentiu muito a ausência de uma pessoa para direciona-la melhor. Alguém como dona Mikoto.
Pela porta entreaberta viu o filho sentado sozinho em sua cama, brincava com o dinossauro. Estava de costas, mas Sakura sabia que o rostinho estava tristonho.
Ele sentia falta do pai.
Suspirou e se encostou na parede ao lado da porta. Era tão difícil tomar a decisão correta. Como saber que direção seguir?
Ela também sentia falta de Sasuke.
Seus pensamentos estavam confusos, um emaranhado intenso de dúvidas, medos, preocupações e, os mais intensos, amor e saudades.
Viver com Sasuke, mesmo que por pouco tempo, foi uma experiência intensa e cheia de emoções.
Com a convivência conheceu um lado dele que nunca imaginou existir. Ao seu jeito sério de sempre ele conseguiu ser atencioso, preocupado, protetor e um pai excelente.
Os dias que passou na casa dele foram suficientemente incríveis para se ver perdidamente apaixonada por ele novamente.
Entretanto, poderia confiar nele sua vida e a de Sano? Poderia arriscar tudo para ter sua família unida? Valeria a pena?
Tantas perguntas e por mais que Mikoto tivesse clareado boa parte delas ainda sentia medo.
Sua vida mudaria drasticamente qualquer que fosse sua decisão.
Valeria a pena mudar tudo por ele?
"Ele vai largar tudo por vocês Sakura-chan! Ele não me disse mas eu sei, eu vi e ouvi", a voz de Naruto ecoou em sua mente "Ele está disposto a abrir mão de quem é e do que tem por vocês dois"
Se ele poderia abrir mão de tudo, ela também poderia?
"Sei que está com medo, mas posso te garantir uma coisa", a voz bondosa de Mikoto também apareceu entre seus pensamentos, "Ele vai fazer do possível ao impossível para proteger vocês e isso é a maior certeza que uma esposa de um Oyabun pode ter"
Lembrou novamente de sua mãe. O que ela diria de tudo isso?
Sentindo necessidade de olhar para o rosto dela, Sakura andou até o final do corredor, entrando na última porta.
A biblioteca era bem variada, tendo desde livros clássicos a mangás e revistas de moda. Em um canto, em meio as estantes e poltronas, um Butsudancontrastando com o estilo ocidental do resto da casa.
Se ajoelhou frente a ele e olhou angustiada para o casal sorridente estampado em uma das fotografias.
— O que faço? – Perguntou deixando as lágrimas rolarem por seu rosto – Mamãe... Papai... O que devo fazer?
Pela janela aberta um vento entrou balançando as costinas e as flores que adornavam o belo altar, provavelmente colocadas por Tenten. Algumas pétalas se desprenderam e voaram delicadas pelo cômodo, como se dançassem.
O vento do inverno de alguma forma parecia quente e aconchegante.
E nesse momento Sakura sentiu como se fosse abraçada pelos pais.
"Alguém está esperando por você em algum lugar, e quando o encontrar você vai saber", quase pode escutar sua mãe sussurrar como havia feito anos atrás quando Sakura se encontrava deprimida por não ter seus sentimentos correspondidos pelo garotinho que gostava na escola.
Emocionada e com o coração mais leve, rezou em memória daqueles que lhe deram vida.
E ao levantar do chão da biblioteca já sabia o que faria.
A decisão havia sido tomada.
• • • • • • •
Pelo vidro do elevador panorâmico Sasuke conseguia ver o céu nublado daquele dia cinza. As nuvens cobriam completamente o sol e a previsão do tempo anunciava neve para aquela noite.
O tempo parecia seguir seu humor, tão frio e sem cor quanto os dias dele desde que os dois foram embora.
Encostou a cabeça no vidro, escutando ao fundo Itachi e Sai conversarem, mas parecia tão distante que ele pouco se importava. O prédio vazio, com poucos funcionários e alguma áreas ainda interditadas o incomodavam também.
Mas sabia que logo tudo voltaria ao normal... Ou quase tudo.
Estavam indo almoçar mas não sentia fome.
Todas suas vontades pareciam ter ido embora com eles. A fome, a sede e o sono. Estava apenas existindo, e por mais que todos a sua volta se preocupassem, não conseguia fazer nada.
Era como se faltasse um pedaço seu.
Um pedaço de vital importância para continuar vivendo.
— Já que Naruto não está aqui sugiro mudarmos de restaurante – Sai falou assim que o elevador apitou avisando da chegada ao térreo – Vocês gostam de comida mexicana?
— Tem bastante pimenta, não é? – Itachi perguntou interessado.
“Sakura não gosta de pimenta”, Sasuke lembrou que apesar disso ela não dispensava os tais tacos, com bastante cheddar de preferencia.
Saudades.
Tudo o que queria era que mais aquele dia chegasse ao fim e pudesse voltar para casa.
Casa agora vazia e sem vida.
Não prestando mais atenção no que os dois falavam, saiu do elevador com as mãos nos bolsos da calça social, o olhar perdido no saguão onde as coisas aos poucos voltavam ao normal.
[On Track: The Call — Regina Spektor]
E foi então que os viu.
Parecia uma miragem.
Um sonho real demais para ser verdade.
Sakura e Sanosuke parados bem no meio do hall de entrada recém reformado da Uchiha Corp.
— PAPAI!— Escutou a voz do filho e isso foi o suficiente para sentir o coração acelerar.
Ele sorria em sua direção e mexia os bracinhos de forma empolgada.
Não era alucinação.
Completamente sem reação e parado no mesmo lugar, não conseguia acreditar que eles estavam ali.
Que eram de verdade.
O rosto dela sério mas os olhos verdes brilhantes.
Sem conseguir se impedir vasculhou os dois com os olhos para ver se estavam bem e seu coração acelerou mais ainda se possível.
— Você tem que me prometer que nunca mais vai mentir – Sakura começou a falar com a voz embargada, mas os passos firmes mostravam o quão decidida ela estava.
Conseguia perceber seu nervosismo, os olhos verdes marejados e a mão segurando a de Sanosuke com força enquanto os dois vinham em sua direção.
— Prometer que nunca mais vai esconder nada de mim – Ela continuo sem parar de andar.
— Ou de mim! – Sanosuke acrescentou.
— Eu quero que você me conte tudo sobre sua vida – Exigiu com o rosto sério, mesmo que a voz falhasse – Tudo mesmo! – Acrescentou para que ele soubesse do que ela falava.
Sasuke, ainda completamente sem reação, via os dois vindo em sua direção. A cada passo tinha a impressão que seu coração voltava a bater como desde a partida deles não fazia.
Cada passo dos dois era como se a cor fosse voltando e o cinza a sua volta sumindo.
Como se tivesse sido ensaiado, lá fora as nuvens se afastaram e alguns raios de sol iluminaram timidamente o lugar através dos vidros.
O frio que o rodeava ia sumindo gradativamente e o calor que somente eles o proporcionavam parecia aquecer todo seu corpo.
— Não quer dizer que eu já confie em você completamente – Ela disse com as lágrimas já escorrendo – Mas... Droga Sasuke! Eu não consigo mais ficar longe de você! – Contorceu o rosto em uma careta.
Sem conseguir se conter mais, Sasuke começou a caminhar também em direção a eles.
Nada mais importava.
Precisava deles.
— Você também tem que prometer que vamos ser prioridade em sua vida – Exigiu entre soluços.
Era como se nada mais existisse alem dos dois. Tudo ao redor, os sons, as pessoas... Nada importava, apenas as duas pessoas mais importantes de sua vida.
A falta que sentiu deles chegou a provocar uma dor quase física.
Precisava senti-los em seus braços. Precisava ter certeza que era tudo verdade.
— E que não vai deixar nada acontecer com o nosso filho! – Exigiu mais séria do que anteriormente – Prometa que vai deixa-lo seguro!
Seus olhos não desviavam dos dela, cada vez mais próxima até que sem aguentar mais deu dois passos largos e puxou Sakura para os seus braços.
Apertou forte, aspirando o cheiro doce do perfume dela e tendo a sensação de que ela estava onde pertencia.
Sentiu os braços do filho rodearem os dois.
E pela primeira vez em muito tempo se sentiu completo.
— Preciso que você... – Agora a voz saia abafada pelo rosto enterrado em seu peitoral – ... Preciso que você prometa acima de tudo... – Ela respirou fundo e Sasuke inconscientemente apertou mais os braços – ... Que vai amar a gente com todas as suas forças.
— Isso! – Sanosuke concordou empolgado sem soltar as pernas dos pais.
— Você pode prometer tudo isso? – Sakura fungou, enxugando as lágrimas no paletó caro dele, que não se importou – Pode? – Ela se afastou um pouco levantando o rosto para olhar no fundo dos olhos escuros dele.
Ficaram se olhando intensamente, como uma conversa silenciosa mas cheia de significados.
Sentia os bracinhos do filho em suas pernas e as mãos delicadas dela fechadas em seu paletó. O cheiro dos dois combinados e o inundando de familiaridade.
Era cheiro de lar.
E não precisou pensar muito para concluir o que já sabia a muito tempo.
Não podia viver sem eles.
“As vezes sua maior fraqueza pode se tornar sua força, sua motivação”, escutou a voz de sua mãe ecoar em seus pensamentos.
E soube naquele momento que sua resposta não poderia ser outra.
— Sim — Disse com toda a certeza que tinha, tomando naquele momento a decisão que já sabia ser a mais certa de toda sua vida.
O rosto delicado dela se iluminou e mais lágrimas caíram, enquanto Sasuke a puxava em sua direção, tomando para si aqueles lábios que tanto sentiu falta.
Sano gargalhou batendo palmas, assim como Sai e Naruto, que havia chegado com os dois. Itachi emocionado apenas sentia orgulho do homem que seu irmão havia se tornado.
Outras pessoas que também passavam por ali bateram palmas enquanto assistiam o casal se beijar como se não houvesse platéia.
E pela primeira vez na vida Sasuke não se importou com isso.
Tinha sua família de volta e nunca mais os deixaria partir.
Estava na hora de se permitir ser feliz de verdade.
You'll come back when they call you
Você voltará quando eles te chamarem
No need to say goodbye
Não é preciso dizer adeus
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