Resident Tamanduá

1 Resident Tamanduá


Notas iniciais
Defensores dos animais de plantão leiam o Aviso Legal.

Noite em Tapir City, uma pequena cidade do interior onde vive um povo pacato e feliz, que cuida muito bem da natureza e adora os animais. Em uma das ruas escuras da cidade caminhava a velha senhora Victim, que acabara de sair do cinema. Porém, ela se deteve ao ouvir o barulho de uma lata de lixo sendo derrubada. Ao dirigir o olhar naquela direção, ela viu uma criatura não muito grande.

-Oh, mas que bicho fofinho, vem aqui com a vovó vem.

A criatura se aproximou lentamente.

Um grito de puro terror cortou o silêncio do ar noturno.

Erial C. Fieldred estava trabalhando na lanchonete de sua família, servindo bebidas e sanduíches para os clientes. Ela esperava uma noite normal, mas ela não imaginava que um homem desesperado abriria a porta com força e cairia no chão, falando com dificuldade.

-Fujam! Eles estão vindo... os t...

-Os terroristas? – Apressou a dizer uma mulher jovem.

-Não... os ta...

-Os tabagistas? – Dessa vez perguntou um homem de meia idade.

-Não... os tamanduás!

Assim que ele terminou de falar, seus olhos se fecharam e vários tamanduás começaram a invadir a lanchonete, lambendo as pessoas mais próximas. Todos aqueles que eram lambidos caíam ao chão em questão de segundos e não davam mais nenhum sinal de vida. Horrorizada, Erial correu para o andar superior e abriu às pressas um baú.

-O vovô me deixou isso caso um dia eu precisasse me defender.

De dentro do velho baú, Erial retirou uma enorme metralhadora giratória e então desceu correndo para onde estavam os tamanduás. Subindo sobre o balcão, a garota despejou uma chuva de balas sobre as bestas vorazes.

-Morram seus desgraçados, morram!

Ela somente cessou de atirar quando a munição acabou, porém notou que somente conseguiu matar os clientes ainda não atacados. Os tamanduás estavam todos em perfeito estado, sem um ferimento sequer.

-Isso é impossível!

Erial largou a metralhadora, desesperada, e pensou no que poderia fazer enquanto cerca de quinze tamanduás se aproximavam dela. Quando parecia que a garota estava perdida, diversos jatos de água foram lançados sobre os animais e, segundos depois, todos eles caíram mortos.

-Você está bem?

A garota virou-se para o lado e viu que um cliente ainda estava vivo: um homem que segurava uma pistolinha de água, ainda mirando os tamanduás derrotados.

-Q-Quem é você? – Perguntou Erial, assustada.

-Meu nome é Noel Alex Nekkedy. Não se preocupe, eu não vou machucá-la.

A garota suspirou e correu até a porta, fechando-a na cara de um tamanduá. Em seguida, ela viu com grande horror através da janela que pelas ruas diversas pessoas eram brutalmente lambidas pelos tamanduás.

-Meu Deus...

-A única forma de matar um tamanduá e espirrando sobre ele água com gás. – Explicou Noel.

-Como você sabe tudo isso sobre eles, Noel?

O homem baixou a cabeça e, com um tema muito triste ao fundo, contou algo sobre seu passado.

-O meu pai... foi morto por um tamanduá...

-Eu sinto muito...

Erguendo novamente e cabeça e sorrindo como nada tivesse acontecido, Noel recarregou sua pistolinha com uma garrafa de água com gás, falando agora num tom animado.

-Temos que sair dessa porcaria de cidade. Você tem alguma pistola de água?

-Devo ter uma no andar de cima. – Respondeu a cada vez mais confusa Erial.

-Então vá lá e pegue, enquanto isso eu vou encher minha mochila com garrafas de água com gás, pois vamos precisar de muita munição.

Enquanto Erial corria para o andar superior, a porta foi derrubada pelos esforços de dois tamanduás, mas eles foram rapidamente eliminados por Noel.

-E seja rápida!

Cinco minutos depois, Noel e Erial corriam pelo caos que era Tapir City, evitando a todo custo os ataques dos tamanduás. Porém, Erial logo notou que naquele momento era muito perigoso andar pelas ruas.

-Precisamos nos abrigar, Noel, é muito perigoso andar pelas ruas.

Foi o que eu disse. Ninguém dá valor ao narrador, viu...

-Eu sei de um lugar onde estaremos seguros.

Conduzindo Erial entre a bagunça de carros, motos, cadáveres, bicicletas, sobreviventes, tamanduás e cabines telefônicas, Noel seguiu em direção a um edifício na esquina de uma das principais ruas. Porém, quando eles estavam a cerca de vinte passos do local, um míssil o atingiu, destruindo-o por completo.

-NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO, O BORDEL!!! – Gritou Noel, ajoelhando-se e erguendo as mãos ao algo em desespero.

-Meu Deus, o que é aquilo?

Horrorizada, Erial apontou na direção de um tamanduá duas vezes maior do que o normal e que carregava uma bazuca em suas costas. Noel logo o viu também e teve a mesma reação.

-Não sei, mas eu não quero ficar aqui para descobrir. Precisamos de outro abrigo!

-Eu tive uma idéia!

Erial puxou seu amigo pelo braço, obrigando-o a correr na mesma direção que ela.

-Escute, Noel. Vamos nos esconder no Centro de Pesquisas Biológicas de Tapir City criado pela Sombrinha Corporation. Quem sabe também consigamos descobrir o que levou os tamanduás a agir desse jeito.

-Acho que não nos restam muitas escolhas...

Algum tempo depois, Noel e Erial caminhavam pelos corredores do centro de pesquisas. A garota parecia saber exatamente onde ia e seu companheiro meramente a acompanhava sem perguntar nada. Por fim, os dois chegaram à sala do computador central, mas se surpreenderam ao notar que havia outra pessoa lá. Um homem de jaqueta de couro e óculos escuros.

-Doutor Albert Reksew! – Bradou Erial.

-Eu mesmo.

-Quem é esse cara? – Questionou Noel.

-O doutor Albert Reksew. – Respondeu sua companheira.

-Nossa, isso ajudou muito.

Erial se aproximou do cientista, sem desconfiar que ele pudesse estar envolvido com o misterioso ataque.

-Doutor, nós precisamos encontrar um jeito de deter esses tamanduás!

-Lamento, Erial, mas isso não vai acontecer. Está tudo correndo de acordo com o meu plano, em breve em me tornarei um deus entre os tamanduás!

-Mas... os tamanduás não vão matar você também? – Perguntou Noel, coçando a cabeça.

-Não, seu tolo! Porque eu injetei DNA de tamanduá em mim mesmo e, graças a isso, agora eu sou invencível!

Reksew riu como um verdadeiro megalomaníaco, totalmente certo de que seus planos de dominação mundial teriam sucesso. Contudo, Noel tinha planos diferentes.

-Invencível? É o que veremos!

O rapaz lançou um vidro ao chão que se espatifou, deixando cair um montinho de terra sobre o piso.

-Mas que porcaria é essa? – Reksew olhava atentamente para o montinho de terra, sem entender o plano de Noel. Porém, logo uma formiga surgiu e, movido por um instinto incontrolável, o cientista se jogou ao chão, capturou o inseto com sua língua e o engoliu.

-Seu tolo, você caiu na minha armadilha! – Vangloriou-se Noel.

-Do que está falando? Eu já disse que sou invencível!

-Essa formiga que eu derrubei tem uma bomba implantada nela que reage ao ácido clorídrico do estômago. Você está acabado, Reksew!

-Impossível!

Um barulho vindo do corpo do doutor surpreendeu a todos, momentos antes do homem começar a tremer violentamente. Por fim, um terrível estrondo se ouviu e um fedor inconcebível envolveu o local.

-Isso foi a bomba? – Perguntou Erial, tampando o nariz.

-Não, eu exagerei um pouco no repolho hoje mais ce-

Reksew começou a tremer ainda mais violentamente enquanto se contorcia em meio a espasmos. Porém, tão subitamente quanto começaram tais tremores simplesmente cessaram e o homem foi ao chão, inerte.

-Isso sim foi a bomba, Erial.

Depois de alguns minutos vendo os arquivos do centro de pesquisas, Erial desligou o computador e voltou-se para Noel. A expressão da garota era de tremenda seriedade.

-As pessoas atacadas pelos tamanduás não estão totalmente mortas. Elas são infectadas pelo T-Virus, que é uma sigla para Tamanduá Virus, e perdem quase todas as funções cerebrais, exceto o instinto humano mais básico.

-O de urinar?

-Não, seu idiota! O de comprar coisas das quais eles não precisam!

-Malditos capitalistas! Precisamos resolver isso agora mesmo!

-O que você vai fazer, Noel?

-Vou ligar para o governo chinês e exigir que eles lancem um míssil nuclear nesta cidade agora mesmo!

Pegando seu celular, o homem fez rapidamente a ligação e, após explicar a situação para a pessoa do outro lado da linha, o desligou.

-Certo, Erial, temos quinze minutos para escapar. Alguma ideia?

-Eu vi uns patinetes estacionados na frente da instalação quando chegamos.

-Então vamos correr, senão estamos ferrados!

Dois anos depois, uma equipe de repórteres chegou às ruínas de Tapir City. Eles não acreditavam na versão “oficial” divulgada pelo governo de seu país e pretendiam descobrir a verdade lá. Em meio às escavações do entulho, um dos integrantes encontrou algo peludo.

-Meu Deus, é um tamanduá! Mas parece que está morto...

-Um tamanduá? Mas como ele veio parar no meio desse entulho?

O primeiro repórter pegou o tamanduá em seus braços e tirou seu capacete para observar melhor o animal. Nesse momento, os olhos da criatura se abriram e sua língua se estendeu até o rosto do repórter.

Notas finais
Espero que não tenha levado a história a sério, porque ela não foi escrita para isso.
Ela serve apenas para ler, dar umas risadas, e ir fazer outra coisa.
Mas você nunca mais verá tamanduás da mesma forma.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!