Resident Evil: Undead Nightmare
9 Cenas LXXI a LXXVI e Créditos
Cena LXXI
Voltamos ao hall. Ele é visto de modo panorâmico, o espectador notando uma pequena e suspeita aglomeração no centro. Há um zoom em seguida, que a define: cinco zumbis se banqueteando com o cadáver de Brad Vickers, a imagem se alternando entre suas figuras medonhas conforme devoram a carne do morto com seus dentes podres e arrancam grandes nacos de seu corpo usando suas unhas afiadas. Um dos monstros parece ter sua atenção roubada pelos sinos que tocam, levantando momentaneamente a cabeça e olhando ao redor de modo abobado, porém logo retorna à refeição.
Uma porta se abre, a mesma antes atravessada por Brad. São focados aqueles que agora a cruzam: Douglas, Claire e Sherry. Os dois primeiros personagens, retratados de frente, aceleram o passo assim que avistam os mortos-vivos, Redfield fazendo um rápido sinal para que a menina fique imóvel. Então abrem fogo contra as criaturas, derrubando-as rapidamente, a câmera se detendo mais na última delas, que, atingida por uma bala em cheio na testa, dá um gemido vazio e executa movimentos trôpegos antes de tombar.
Douglas e Claire abaixam as armas, ofegantes, o primeiro tendo seu rosto focalizado, franzindo as sobrancelhas. Não precisa se aproximar muito do cadáver dilacerado para saber de quem se trata.
HARPER – Vickers...
CLAIRE – Sherry, não olhe!
Redfield é mostrada abraçando a filha do casal Birkin e tampando um dos lados de sua cabeça para que não observe os restos humanos. Aos poucos as duas voltam a andar.
Uma nova panorâmica, e mais passos ecoam pelo hall. Filmados da cintura para cima, os três sobreviventes voltam suas cabeças na direção da escadaria. E, passando para ela, a imagem revela Leon S. Kennedy, exausto e sujo, descendo os últimos degraus e aproximando-se dos companheiros até então ausentes.
CLAIRE – Leon! O que houve?
LEON – Conto depois. O importante é que os sinos estão badalando e o helicóptero deve estar a caminho... Isso se houver mesmo um helicóptero!
HARPER – Só existe uma maneira de comprovarmos!
Observados num ângulo semelhante ao primeiro do hall da mansão no game “Resident Evil”, os quatro se dirigem até a porta de saída... Quando uma forte batida é ouvida, algo poderoso e enfurecido se colidindo contra o concreto.
A câmera volta a se aproximar dos fugitivos.
CLAIRE – O que foi isso?
Uma parede no andar de cima, junto ao parapeito da escadaria, é focada, a imagem chegando perto dela aos poucos. Há mais um golpe, várias rachaduras surgindo na superfície e um pouco de poeira voando rumo ao chão... Então se segue uma nova pancada, as rachaduras dobrando e um buraco quase sendo aberto... Até que no ataque seguinte grande parte da parede rui, surgindo por ela, de frente, uma figura que a palavra “grotesca” mal conseguiria definir.
William Birkin. Um dia foi ele, mas não mais. A única coisa que resta de sua condição humana são as calças jeans. O resto de seu corpo se resume a uma pulsante massa vermelha de puro músculo, um enorme olho avermelhado piscando frenético num de seus novos braços, já que os antigos, junto com a cabeça original do cientista, desceram e foram absorvidos pelo tórax. Há uma nova cabeça no topo do corpo transformado, contendo malignos olhos rubros e formato ligeiramente retangular. Numa mão, a besta adquiriu compridas e afiadas garras feitas de osso, e todo o organismo em si, em seu conjunto, parece não parar de mutar um minuto sequer.
Ele solta um estrondoso urro. Não está para brincadeiras.
SHERRY – Oh, não, é o monstro!
HARPER – Corram, corram, rápido!
A trilha de ação volta enquanto o quarteto sobrevivente cruza aturdido a porta dupla do hall, rumo ao pátio frontal da torre. Do lado de fora são vistos lateralmente tentando forçar o obstáculo de alguma maneira para que a aberração não consiga segui-los tão facilmente. Leon é centrado brevemente ao mesmo tempo em que encontra uma viga de madeira apoiada numa parede. Ele a apanha e a coloca emperrando as dobradiças da porta.
LEON – Tomara que isso o segure!
HARPER – Por que será que eu duvido?
Birkin passa a esmurrar a barreira rugindo, o grupo de humanos recuando temeroso. Sherry é focada, chorando copiosamente. Claire se compadece ainda mais da garotinha e a abraça com maior força.
Cena LXXII
O interior do helicóptero que aguardava o sinal da Torre do Relógio. Os sinos, apesar de um tanto distantes, podem ser ouvidos claramente dali. Depois de mostrados de costas por um instante, os guias da aeronave são então filmados de frente.
PILOTO – É, hora de apanhar o pacote!
CO-PILOTO – Isso se ele já não estiver estragado...
PILOTO – Pouco me importa. Quero só sair o quanto antes deste maldito lugar.
O transporte é mostrado de fora, visivelmente alterando sua rota. O céu começa a ganhar um tom azul cada vez mais claro, indicando que muito em breve amanhecerá.
Cena LXXIII
O pátio da Torre do Relógio. Mostrados de cima, Leon e Harper caminham em círculos de braços cruzados, olhos duvidosos fixos no céu. Já Claire e Sherry estão sentadas junto à fonte, a primeira tentando tranqüilizar a segunda. As batidas na porta que leva ao hall, que é brevemente mostrada, continuam. Mas não parecem abalar as esperanças daqueles que conseguiram chegar até ali.
Logo o som das hélices do helicóptero girando é ouvido, a face de cada um dos sobreviventes sendo retratada conforme olham para cima com indescritível alívio. O barulho se aproxima mais e mais, a câmera então acompanhando a aproximação da aeronave de resgate. Ela desce até ficar poucos metros acima do chão, gerando vento ao redor, Claire e Sherry sendo filmadas com seus cabelos estando erguidos.
CLAIRE – Finalmente!
Mas há subitamente um estrondo, que faz os personagens olharem para trás. Parte da fachada da torre é mostrada, onde há agora um grande buraco recém-aberto por dentro, poeira pairando ao redor. Conforme ela se dissipa em meio a uma música clímax, surge a figura imponente e irrefreável do T-00, a maleta com o G-Virus sempre em sua mão.
O foco se alterna entre os sobreviventes.
LEON – Estava tranqüilo demais para ser verdade!
SHERRY – Claire... Claire!
A motoqueira e a menina são novamente retratadas, sendo que a segunda esconde a cabeça junto ao peito de sua protetora. A imagem passa para o Tyrant, que caminha devagar na direção do grupo e do helicóptero, este último subindo ligeiramente. Faz menção de ir embora dali.
LEON, agitando os braços – Aonde vai?
Vemos o piloto acenando da cabine do Black Hawk.
PILOTO – Nós viemos resgatar um cientista, doutor William Birkin, e não vocês. Sem contar que não queremos virar patê pelas mãos daquela coisa!
O foco retorna para Claire e Sherry, ligeiramente de cima, sendo que a garotinha, logo que ouve o nome de seu genitor, afasta a face chorosa do colo de Redfield e a vira na direção da aeronave, olhos brilhando.
SHERRY, gritando – É o meu pai! William Birkin é meu pai!
A porta que leva ao hall é mais uma vez filmada de frente, e atrás dela, aparentemente agitado por ouvir seu nome, o monstro bate mais forte contra o obstáculo que o separa do pátio. A estrutura parece prestes a ceder, logo abrindo passagem para a bizarrice.
Mr. X continua em seu trajeto, inexpressivo, nada relutante. Ganhando a câmera, Leon e Harper decidem reagir, disparando suas armas contra a criatura. O efeito, todavia, já é sabido: as balas nada causam, apesar da imagem mostrar o mutante, de costas, estremecer de leve ao recebê-las.
LEON – Droga!
Mostrado de vários ângulos diferentes, alguns englobando também os sobreviventes, T-00 chega bem perto dos humanos, a mistura de sons do helicóptero e dos sinos já se tornando incômoda e desesperadora. Num zoom, percebemos que Kennedy até fecha os olhos, aguardando um ataque devastador por parte do brutamontes... Mas logo os abre e, para surpresa de todos, Mr. X passa direto pelo grupo, rumando na direção do helicóptero!
HARPER – Ele não quer a nós, ele deseja apenas um transporte para ir embora daqui com seja o que for que está carregando!
Há um breve enfoque na maleta trazida pela criatura.
A imagem então passa para o piloto, que faz uma careta e acaba saltando para o solo logo depois de dar um sinal ao co-piloto, o qual assente movendo a cabeça. No chão, o guia da aeronave saca uma pistola calibre 45 e começa a efetuar uma série de disparos contra o T-00, já a uma curta distância de si.
PILOTO – Não vai roubar meu helicóptero, grandalhão!
O mutante é visto de frente, de lado e por fim é centrado seu rosto, que recebe um tiro na altura da testa, não lhe causando dano algum. A tomada seguinte é rápida, mostrando o Tyrant agarrando o piloto pelo braço que empunha a arma e arremessando-o na direção de um muro próximo como se fosse uma action figure. A câmera acompanha o corpo em seu trajeto gritante até o concreto; choca-se com ele, o som de ossos sendo esmigalhados tornando-se nítido, e o piloto desfalece, vivo ou morto. Não importa.
A cabine do Black Hawk é retratada brevemente, seu outro ocupante ficando agitado.
CO-PILOTO – Merda!
Novamente filmado, Mr. X levanta os braços numa menção a subir a bordo do helicóptero, quando se propaga pelo pátio outro estrondo.
A imagem retorna à porta antes forçada por William, agora totalmente escancarada. A viga de madeira presa às dobradiças está partida em duas, sendo que uma das partes contém uma ponta extremamente afiada. É justamente ela que Birkin apanha como arma usando um dos braços grotescos, logo em seguida caminhando na direção das demais formas de vida ali presentes com passos tortos e pesados.
SHERRY – Oh, não!
Os sobreviventes são mostrados enquanto o segundo monstro urra. Nada parece poder detê-lo. Voltamos a ver T-00: ele volta-se para o recém-chegado, sua atenção desviada do meio de fuga. E, carregando a maleta, parte a passos lentos na direção de William, como se houvesse aceitado algum tipo de desafio.
LEON – É a nossa chance, vamos!
A cena é gravada de cima, os fugitivos agarrando-se ao interior do helicóptero assim que o Tyrant se afasta o suficiente. Claire carrega Sherry no colo, a menina chorando muito. Com a ajuda de Harper, que agarra a garotinha momentaneamente em seus braços, tanto protetora quanto protegida conseguem embarcar.
A câmera volta por um instante para o lado de fora, mostrando os dois mutantes se encontrando frente a frente junto à fonte. A tensão no ar é imensa, um zoom se alternando entre ambas as monstruosidades. É Birkin quem ataca primeiro, tentando empalar Mr. X com a estaca de madeira. Ele se defende com os braços, mas com tal movimento a maleta contendo o G-Virus vem ao chão. Abre-se devido ao impacto, os vários frascos roxos saindo e rolando pelo solo.
Regressamos ao interior da aeronave, o co-piloto em primeiro plano.
CO-PILOTO – Eu não devo levar vocês!
LEON, apontando a arma para a cabeça do co-piloto – É melhor mudar de idéia, rapaz!
O co-piloto assente trêmulo, assumindo plenamente os controles do Black Hawk. Visto de fora, ele ascende em altitude o mais rápido possível, observado de lado e então de cima, o pátio e a Torre do Relógio ficando lá embaixo. A luta no chão é retratada uma última vez, Birkin e o T-00, ainda ao som dos sinos, sangrando mutuamente enquanto trocam violentos golpes. Há então um close para o solo em si... As amostras do G-Virus sendo pisoteadas pelos monstros, destruídas para sempre.
Acompanhamos a seguir o vôo da aeronave pelo centro de Raccoon City, o sol nascente já iluminando os prédios em meio a um céu azul límpido. Nota-se alguns focos de incêndio nas ruas e construções, até que algo intrigante surge no firmamento, deixando um rastro de fumaça por onde passa.
A imagem volta brevemente para dentro do helicóptero, Claire avistando o fenômeno através de uma janela e apontando para fora.
CLAIRE – O que é aquilo?
As tomadas a seguir são quase idênticas às finais do filme “Resident Evil 2: Apocalipse”: um míssil nuclear, visto do chão de vários ângulos, rasga os céus da metrópole tomada por mortos-vivos, anunciando seu fim. Alguns dos zumbis em terra olham para a arma balística soltando gemidos vazios, um ou outro até chega a erguer os braços na direção dela no vão intuito de agarrá-la. O epicentro da explosão dá-se no prédio da prefeitura... E tudo vai sumariamente pelos ares, um grande cogumelo atômico florescendo em meio à desoladora paisagem urbana.
O Black Hawk, filmado frontalmente, estremece devido ao impacto do míssil, os sobreviventes em seu interior sacolejando e se agarrando ao que podem. Logo a situação se estabiliza, o helicóptero ainda no ar. Para trás, edifícios e vias fumegantes. O transporte é então visto por trás, seguindo rumo a uma cordilheira montanhosa no horizonte. A região de Arklay.
Então voltamos ao seu interior.
LEON – Eu não consigo acreditar! Os filhos da mãe varreram a cidade do mapa!
HARPER – Já esperava por isso. A Umbrella nunca deixaria que toda essa bagunça viesse a público. Eles com certeza inventarão alguma história para acobertá-la.
CLAIRE – Mas como conseguirão acobertar uma explosão nuclear? Milhões de vidas perdidas?
HARPER – Você não conhece a Umbrella tão bem quanto eu tive a oportunidade de conhecer, minha cara.
Sherry torna a ser vista. Ela dorme deitada num dos bancos do helicóptero, aparentemente muito mais calma do que antes, as marcas de lágrimas em seu rosto bastante visíveis.
CLAIRE – Ela sofreu muito... Espero que um dia consiga superar.
LEON – Acredite, todos nós iremos.
CLAIRE – Como?
LEON – Batalhando para botar abaixo essa maldita corporação!
A cabine é exibida de frente, por fora, a câmera bem diante do vidro. O co-piloto é centrado na tela, Kennedy logo se aproximando por trás dele, apoiando-se no assento vago antes ocupado pelo piloto.
LEON – Esta área é repleta de estradas vicinais, deixe-nos em alguma delas. Então seguiremos a pé.
CO-PILOTO – Meu chefe, ele... Eu deveria trazer algo de volta, eu...
LEON – Apenas diga a ele que você não encontrou nada, OK?
O policial dá um tapinha no ombro do co-piloto e retorna para junto dos companheiros. O helicóptero depois é mais uma vez visto por fora, pinheiros e elevações já dominando o cenário que sobrevoa.
Cena LXXIV
Uma típica rodovia da costa leste dos EUA, com uma abundante floresta de pinheiros de ambos os lados. Não há qualquer tráfego, o asfalto estando totalmente ausente de automóveis. Em uma placa solitária no acostamento lê-se a inscrição “I56”.
Aos poucos surge pela via o quarteto de sobreviventes, andando lado a lado pela estrada vazia. É visto de diversos ângulos (frente, costas, por cima), porém sempre de longe. A música de fundo, que remete aos temas de encerramento dos games da série, domina a cena. Por fim há um zoom no grupo, Claire abrindo a boca e apontando para frente. A câmera então muda de posição, revelando um posto de gasolina logo adiante.
Os fugitivos de Raccoon passam por carros e caminhões estacionados, adentrando uma pequena loja de conveniência presente no local. Logo que cruzam a porta, Leon à frente, uma campainha toca para notificar o balconista, mas logo o espectador percebe que ninguém virá. Antes, entretanto, que se possa deduzir que os funcionários do posto também se tornaram zumbis, é ouvido o som de uma TV ligada, a imagem em seguida mostrando o balconista e vários fregueses aglomerados diante desta para acompanhar o que está sendo transmitido, no caso um noticiário. Assim despercebidos, os personagens passam a caminhar pela loja, ao mesmo tempo em que o repórter do telejornal surge na tela do aparelho.
REPÓRTER – Ainda são confusas as informações a respeito da misteriosa explosão nuclear em Raccoon City. Relatos iniciais falam que se tratou do ápice de um caos generalizado que atingiu a metrópole nas últimas vinte e quatro horas.
O jornalista segue falando, porém a câmera é transferida para cada um dos exaustos sobreviventes, ainda ignorados, conforme apanham produtos nas prateleiras. Numa delas, Claire pega doces e guloseimas para Sherry.
REPÓRTER – A Umbrella Corporation está trabalhando em conjunto com o governo estadual e já enviou equipes de resgate para a cidade. As autoridades emitiram notas de agradecimento pelo apoio da empresa num momento tão difícil. Traremos novas informações assim que elas vierem. E que os pobres habitantes de Raccoon City estejam em nossas preces nesta triste manhã.
O grupo ruma até o balcão para pagar, porém o atendente, olhos fixos no televisor, continua sem notar sua existência. O rosto de Douglas é focado; com a cara amarrada, ele coloca uma nota de cinqüenta dólares sobre o balcão e sai com os companheiros, a campainha na porta voltando a tilintar.
Os quatro são vistos de frente do lado de fora, perto das bombas de combustível, iluminados pelos raios de sol matinais. Claire dá um suspiro, se afastando um pouco do grupo. Vemos Leon acompanhando-a com os olhos, face intrigada.
LEON – Claire!
Ele a alcança com alguns passos rápidos. Sherry também percebe a atitude de Redfield e é filmada a fitando sem entender, mas não sai do lugar.
LEON – Há algo errado?
CLAIRE – Escapamos vivos do pesadelo, porém minha busca não terminou.
LEON – Seu irmão...
CLAIRE – Eu preciso encontrá-lo. Foi para isso que vim a Raccoon e é por isso que tenho de seguir em frente. Sozinha.
LEON – Entendo, mas...
SHERRY – Claire!
A câmera segue a menina em sua corrida até Claire, que é abraçada pela cintura. A irmã de Chris massageia a nuca de Sherry, e depois ela ergue sua cabeça para encarar a protetora, olhos novamente marejados. A música de fundo contribui com a emoção da cena.
SHERRY – Você vai voltar?
CLAIRE – Vou sim, querida... Assim que eu encontrar meu irmão, voltarei para te buscar, seja onde você estiver. Eu prometo.
Claire se abaixa e beija a testa de Sherry. Em seguida as duas se separam, Leon estendendo a mão direita para a amiga.
LEON – Boa sorte!
Redfield aperta a mão do policial, a câmera focando o cumprimento e então, um de cada vez, o rosto dos dois personagens.
CLAIRE – Vou precisar.
Há um ligeiro corte com Leon e Sherry, de frente, já voltando para junto de Harper, e Claire, ao fundo e de costas, afastando-se sozinha pela estrada. A frase “Made in Heaven” em sua jaqueta é centralizada por um breve momento.
LEON, gritando – Claire!
A motoqueira pára e volta a cabeça para trás durante um instante.
LEON – Espero que consiga encontrar uma outra moto!
CLAIRE, sorrindo – Talvez da próxima vez eu tente um caminhão!
Kennedy ri, e simultaneamente a moça desaparece caminhando pela rodovia.
A imagem então passa para Sherry, que está junto do policial.
SHERRY – Você vai cuidar de mim?
LEON – Eu posso tentar. Mas tenho uns tios em Nova York que podem fazer isso melhor do que eu. Eles cuidarão de você até Claire voltar.
SHERRY, sorrindo – Sempre quis conhecer Nova York.
Douglas se aproxima.
HARPER – Acho que vamos nos separar também!
LEON – O que vai fazer agora, Douglas?
HARPER – Primeiro sumir por uns tempos. Depois, fazer da vida dos canalhas da Umbrella um inferno.
LEON – A gente se vê por aí então! Dizem que homens com os mesmos objetivos sempre acabam se reencontrando!
Os dois se saúdam num aperto de mão. Depois Harper é visto afagando carinhosamente a cabeça de Sherry e por fim andando de costas para longe dali, tomando o sentido oposto da estrada. Leon e Sherry observam parados o afastamento de Douglas e então a tomada se amplia, mostrando todo o posto de gasolina e a seguir um panorama da região de Arklay, com o setor urbano de Raccoon City, bem ao longe, ainda ligeiramente visível e coberto por uma densa nuvem de fumaça e poeira.
Cena LXXV
Uma sala escura, quase nada visível. Chove do lado de fora, um súbito relâmpago iluminando o local por um segundo, permitindo o vislumbre de uma espécie de biblioteca. A câmera se move e há outro trovão, confirmando que o ambiente é repleto de móveis caros e estantes de livros. A imagem muda para uma mesa próxima de uma grande janela, e ali está sentada uma figura humana. Um terceiro clarão ilumina seu rosto, coberto por um temível par de óculos escuros.
INDIVÍDUO – Eu infelizmente não obtive o G-Virus. Ele seria minha carta na manga para coroar minha ascensão ao cargo de presidente da corporação. Enquanto Cain e o maldito Isaacs enviavam Tyrants e equipes incompetentes para Raccoon, eu conseguiria a criação do doutor Birkin pelas próprias mãos dele. Mas como prêmio de consolação, você também não conseguiu levar qualquer amostra aos seus superiores, senhorita.
O ângulo muda, o espectador quase não percebendo diferença por causa da pouca luz. Mas é possível deduzir que há mais alguém no recinto.
VOZ FEMININA – Você é uma serpente, Albert Wesker.
WESKER – Tão peçonhenta quanto você, eu suponho. Deveria demonstrar um pouco mais de gratidão por eu ter salvado sua vida.
VOZ FEMININA – A que preço?
WESKER – Agora você não reporta mais ao Pentágono, e sim a mim. Cumprirá missões e ordens sob meu comando se não quiser que o T-Virus aperfeiçoado que a ressuscitou não lhe cause efeitos colaterais devido a um longo período sem as injeções de antivírus.
Novo raio e novo enfoque ao rosto de ALBERT WESKER.
WESKER – E como sabe, senhorita Wong... Apenas eu tenho esse antivírus.
Há um último trovão, muito mais forte e estrondoso do que os demais, que ilumina algo fixado numa parede... Um suporte de vidro e madeira contendo várias borboletas inanimadas... Que um dia puderam voar livremente, porém agora se encontram presas sob o poder de um maníaco.
Cena LXXVI
Um quarto de hotel, dia. O local está bastante bagunçado, roupas jogadas sobre a cama. A câmera se desloca bem lentamente mostrando o local, havendo o som abafado de um chuveiro ligado. A imagem logo se detém na frente de uma porta de madeira fechada, esclarecendo ao espectador que alguém toma uma ducha no banheiro atrás dela.
Em seguida estranhos sons são ouvidos. Passos, uma maçaneta girando, alguém esbarrando num móvel e soltando um xingamento baixinho. Tudo acompanhado por tomadas confusas e pouco reveladoras.
A câmera se estabiliza quando alguém deixa o banheiro, retratado de frente. É Douglas Harper, corpo enrolado numa toalha. Ele passa uma das mãos pelo cabelo molhado rumo ao leito do quarto... Quando pára subitamente, sem que a imagem mostre de imediato o que o deteve. O ângulo gira... E revela quatro pessoas sentadas na cama e cadeiras do lugar, olhando fixamente para o hóspede.
O quarteto é formado por personagens conhecidos do filme “Resident Evil 2: Apocalipse” – Uma mulher, JILL VALENTINE, dois homens, CARLOS OLIVEIRA e L.J., e uma garotinha, ÂNGELA ASHFORD.
HARPER, assustado – Quem são vocês?
JILL – Nós também sobrevivemos a Raccoon City. E precisamos de sua ajuda.
Há um corte na cena. A tomada seguinte mostra Harper e os visitantes reunidos ao redor de uma mesa contendo plantas, mapas e outros papéis. A imagem gira em torno dos presentes, alterna-se entre suas faces e o material de trabalho. As transições são rápidas, deixando claro que estamos no epílogo do filme.
HARPER – Então uma amiga de vocês foi capturada pela Umbrella?
CARLOS – Exato. Está sendo mantida num complexo em Detroit, e precisamos de ajuda para resgatá-la.
JILL – Nós tememos que eles estejam realizando... Experiências com ela.
HARPER – Eu trabalhei para a Umbrella como segurança por algum tempo enquanto os investigava, e por isso conseguirei ajudá-los com o que descobri. Posso fornecer esquemas de vigilância, códigos de segurança, esse tipo de coisa.
L.J. – Você garante sucesso?
HARPER – Se seguirem meus passos à risca... Vocês entrarão no lugar e sairão com sua amiga sem que a Umbrella nem ao menos suspeite que estiveram lá.
Novo corte, exibindo uma compilação das cenas finais do filme “Resident Evil 2: Apocalipse”, com a personagem ALICE escapando das instalações da Umbrella e sendo recolhida por seus companheiros de sobrevivência em Raccoon num furgão. O grupo, com seus trajes negros, é mostrado no interior do veículo, enquanto este deixa o perímetro do complexo de Detroit. O belo rosto de Jill é focalizado, ela falando junto a um fone preso à sua cabeça.
JILL – Conseguimos. Estamos com ela.
HARPER, através do comunicador – Entendido, Valentine. Bom trabalho. Sigam para o esconderijo.
Douglas, também com um fone junto à face, é filmado num quarto de hotel semelhante ao anterior, sentado diante de uma bancada repleta de computadores ligados. Ele se esparrama na cadeira de encosto alto e suspira.
HARPER – Por que eu acho que tudo isso está apenas começando?
A imagem começa a se afastar lentamente, mostrando-o de frente, logo saindo por uma janela e ganhando a rua. Principia a chover, ameaçadores relâmpagos clareando o céu noturno. A tormenta se avizinha. Tem início a música “Prelude”, da banda Slipknot.
A câmera continua recuando por certa distância através da paisagem sombria e chuvosa, até que a tela escurece e os créditos surgem.
Fan-script criado por Luiz Fabrício de Oliveira Mendes – “Goldfield”.
Baseado no game “Resident Evil”, da Capcom.
Roteiro dedicado a Kelly Cristina, “The Black Rose” ou “Hakuchan”, sem o apoio da qual não teria sido terminado.
THE CAST
Douglas Harper – Karl Urban
Leon S. Kennedy – Jensen Ackles
Claire Redfield – Ali Larter
Ada Wong – Lucy Liu
Sherry Birkin – Dakota Fanning
Annete Birkin – Michelle Pfeiffer
Dr. William Birkin – Jason Isaacs
Brad Vickers – Steven Pasquale
Marvin Branagh – Isaiah Washington
Ten. David Ford – Jeffrey Dean Morgan
Davidson – Desmond Harrington
Strickland – Dash Mihok
Ben Bertolucci – Luke Wilson
Brian Irons – William Forsythe
Dario Rosso – Brendan Gleeson
Tony Kendo – Bruce Campbell
Major Timothy Cain – Thomas Kretschmann
Jill Valentine – Sienna Guillory
Carlos Oliveira – Oded Fehr
L.J. – Mike Epps
Ângela Ashford – Sophie Vavasseur
Alice – Milla Jovovich
Albert Wesker – Jason O’Mara
Uma produção 2004-2009 – Goldfield.
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