Resident Evil: Undead Nightmare
7 Cenas LIII a LXIII
Cena LIII
O novo lugar é visto de cima, internamente: a torre em cujo topo estão o relógio e os sinos. Uma longa escada metálica em espiral leva até o ápice, corrimões e degraus um tanto enferrujados. É por ela que começa a subir Ada Wong, vista de vários ângulos diferentes seguidamente. De repente, enquanto mostrada de lado, a oriental tem a arma arrancada da mão por um tiro, o inesperado som do disparo assustando o espectador.
A câmera recua, mostrando o rosto surpreso, porém sério e firme, de Ada, até a imagem estacionar-se numa outra mão, também feminina, manga de jaleco... Segurando uma pistola que ainda fumega. A tomada seguinte exibe a atiradora de frente: Annete Birkin.
ANNETE – Sua missão termina aqui!
O foco se alterna entre as duas mulheres.
ADA – Mas do que é que você está falando?
ANNETE – Não se faça de desentendida. Inventar uma desculpa para estar em Raccoon neste momento vai apenas piorar sua situação, acredite.
A esposa de William Birkin, vista de costas e depois ligeiramente de lado, desce alguns degraus na direção da inimiga, pistola apontada em sua direção, cada passo sobre o metal ecoando por toda a sombria torre. Pára a uma curta distância de Wong.
ADA – Eu vim para cá procurando meu namorado John, ele trabalhava para a Umbrella e descobri pistas do envolvimento dele em pesquisas realizadas nos laboratórios desta cidade!
ANNETE – John, certo? O nome não me é estranho. Creio que ele era um dos assistentes de William no hospital. Está morto agora, como todos os outros. E você certamente aproximou-se dele apenas para ter fácil acesso ao meu marido!
Annete engatilha a arma. O foco continua se alternando, a trilha de fundo ficando tensa.
ADA – Você está me acusando de algo que eu nem faço idéia do que se trata.
ANNETE – Mentirosa! Você e os assassinos da Umbrella mataram meu marido, não lhe dando outra opção a não ser... Ele precisou usar sua própria criação para manter-se vivo, aquilo que vocês desgraçados tanto perseguem!
ADA – E o que poderia ser isso?
ANNETE – O G-Virus!
Cena LIV
Um corredor do primeiro andar do prédio, decorado com bonitos móveis e vitrais. Brad e Ben seguem por ele mostrados de frente, suados e com expressões de apreensão em suas faces, principalmente o primeiro. Deixam de caminhar perto do final do trajeto, com uma porta de cada lado.
BEN – Vamos nos separar, certo?
BRAD – Momentaneamente!
BEN – Sim, apenas momentaneamente...
E assim agem, filmados de lado enquanto avançam por caminhos diferentes. Acompanhamos primeiro a odisséia de Brad dentro da nova sala. O piloto covarde é focado frontalmente, a câmera logo em seguida assumindo sua visão para revelar ao espectador o recinto: parcialmente iluminado, com estantes de livros empoeiradas, piso xadrez e algumas soturnas armaduras de cavaleiros medievais portando lanças ao fundo.
Vickers, visto de lado, segue em frente com a pistola apontada para o vazio, como que buscando um inimigo invisível. Súbito, pisa numa tábua podre no chão que se parte sob uma de suas botas, causando um som que o sobressalta, fazendo com que salte para trás, a câmera bem próxima de si. Acompanhamos a mudança de expressões em seu rosto: de susto para a constatação da ausência de perigo e então para um tenso alívio. Brad suspira.
Vamos para a outra sala, uma espécie de dormitório com camas razoavelmente arrumadas e móveis também confortáveis. O lugar é mostrado de um ângulo mais amplo, para então o foco se centrar em Bertolucci, que faz sua averiguação bem devagar. Acompanhamos seus passos, apenas seus sapatos sendo visíveis por um momento, quando a câmera assume a visão de alguém, ou algo, embaixo de uma das camas... Até que o repórter se detém de modo brusco, avistando alguma coisa caída ao lado de um dos leitos... A imagem, porém, não revela de imediato o que é.
BEN – Meu Deus!
De uma perspectiva junto ao teto, vemos de cima uma bela jovem loira de cabelos compridos caída sobre o assoalho, trajando um longo vestido branco e estando inconsciente. Ben se abaixa ao lado da moça, balançando negativamente a cabeça. O ângulo muda, quase no nível do chão, mostrando jornalista e mulher de lado.
BEN – É uma pena...
Ele checa o pulso da provável vítima da epidemia.
BEN – Está mesmo morta. Mas o que podem ter feito com você, docinho? Não enxergo nenhuma mordida ou arranhão...
Um zoom revela uma das mãos de Bertolucci acariciando suavemente os cabelos dourados da jovem, para então a cena terminar.
Cena LV
Retornamos à escada em espiral na torre.
ADA – G-Virus?
ANNETE – O maior trabalho da vida de William. Ele não desejava que caísse nas mãos dos gananciosos inescrupulosos da Umbrella, porém. Planejava fugir com as amostras, vendê-las a alguma empresa farmacêutica sem fins militares. Um velho amigo dele ia ajudá-lo nisso, mas não duvido que até ele o tenha traído!
ADA – Escute, eu não estou atrás de vírus nenhum, quero apenas...
Annete aproxima ainda mais o cano da arma da cabeça de Wong, a câmera focalizando seu olhar ameaçador. A mãe de Sherry já perdeu a razão.
ANNETE – Não adianta mentir, sua vadia! Você veio sim atrás do vírus, mas não o obterá! William cuidará pessoalmente disso... Ele já não é mais humano!
ADA – Você mencionou que ele usou sua criação em si mesmo...
ANNETE – Em seu último sopro de vida, ele injetou o G-Virus em seu próprio sangue. Esse agente viral causa mutações incontroláveis e rápidas, que se tornam ainda mais intensas quando as células precisam se regenerar. Tentar lutar com William agora irá apenas torná-lo mais forte, e ele caçará todos vocês...
É ouvido novamente o urro bestial escutado antes no hall, ameaçador e sanguinário.
ANNETE – Até a morte!
Cena LVI
Voltamos a Brad. Visto de costas e depois de lado, o piloto continua explorando a soturna sala, mãos trêmulas empunhando a arma. Num close, percebemos que ele apalpa os bolsos e o colete, parecendo mais alarmado conforme executa a ação. Em seguida suspira: sua munição está no fim.
BRAD – Droga...
É focada a cabeça de Vickers, que se volta na direção de um dos lados do cômodo, ficando então em segundo plano... Sendo destacado um grande armário de madeira junto a uma parede, portas contendo alguns arranhões.
BRAD – Torça por mim, mamãe...
Mostrado ligeiramente por cima, Brad caminha até o móvel, passos lentos e cautelosos, suas botas sendo mostradas por um momento... Até que há um zoom em sua mão, que se aproxima de uma das trancas do invólucro... Antes que a puxe, porém, as portas do armário são abertas bruscamente por dentro, um zumbi esfomeado saltando sobre sua presa. A cena é confusa, vários ângulos diferentes se contrapondo conforme o morto-vivo derruba Vickers ao chão e ele, aos gritos, luta desesperadamente para se soltar.
Num dado instante os berros do piloto se tornam mais intensos, enquanto vemos sangue jorrar. A criatura abocanha-o perto do ombro, o espectador podendo captar o combate com maior nitidez ao mesmo tempo em que Brad desfere socos e pontapés frenéticos contra o oponente, até que consegue finalmente repeli-lo.
Vickers levanta-se ofegante, levando brevemente a mão esquerda ao ferimento sofrido e então apontando a pistola para o zumbi. Exibido de frente, é possível então notar alguns detalhes no monstro: tem aparentes traços orientais, veste trajes similares aos de um segurança ou policial e porta um crachá com o nome “J. Takeuchi”.
Brad é visto de frente, arma pronta para ser disparada.
BRAD – Takeuchi, hem?
O foco volta para o morto-vivo, que baba uma espécie de gosma ácida, soltando simultaneamente um gemido.
BRAD – Vou livrá-lo de sua miséria, amigo!
O tiro é efetuado e a bala se aloja na testa da criatura, que emite um último som engasgado e então tomba pesadamente em cima do assoalho, tudo acompanhado pela câmera. Vickers, por sua vez, recua até uma outra parede e junto dela cai sentado, respirando com dificuldade cada vez maior. Está sozinho e infectado.
Cena LVII
A sala próxima, onde Bertolucci ainda examina o cadáver da moça loira. Os dois são mostrados ao público novamente de cima, em seguida de lado. O rosto do jornalista é focado num close, franzindo a testa.
BEN – Hei, eu conheço você...
Torna-se a ver a imagem de sua mão acariciando os cabelos da jovem, mas agora também seu rosto pálido, olhos fechados como uma sinistra boneca de louça.
BEN – Você é a filha do prefeito! Elza, certo? Elza Warren?
Retorna a face do repórter. Ele dá um longo suspiro.
BEN – É claro, você não pode me responder... Está morta.
Um estranho barulho é emitido pelo corpo, assemelhando-se a um ruído intestinal. Ben parece não notar.
BEN – Se ao menos eu soubesse como aconteceu...
De repente, com uma repentina melodia de espanto, é mostrado o ventre da garota, do qual irrompe, através de um buraco sanguinolento que mancha o vestido, uma criatura da aparência de um inseto extremamente bizarro, que ao mesmo tempo parece ser constituída de carne humana. Vemos num piscar de olhos a expressão de horror de Bertolucci, que meio segundo depois percebe o pequeno ser grotesco saltar em sua direção... Penetrando em sua boca aberta e descendo rapidamente por sua garganta, a longa e fina cauda do parasita balançando freneticamente para fora mesmo depois de Ben fechar os lábios, olhos bem arregalados.
Cena LVIII
A escadaria metálica da torre, na qual ainda se encontram Ada e Annete. A câmera se alterna entre as duas.
ADA – Está me dizendo que seu marido se transformou numa máquina de matar? Ele perdeu totalmente a consciência?
ANNETE – Sim, o G-Virus remove tudo que caracteriza seu hospedeiro como um ser humano... Memórias, capacidade de raciocínio, sentimentos... E agora ele deve estar atrás de nossa filha. Ainda bem que ordenei que ela se escondesse, assim William não a encontrará! Nem vocês!
ADA – Por que sua filha em particular?
ANNETE – O instinto de perpetuar a espécie. William tentará introduzir embriões em outros seres humanos à procura de um DNA que seja compatível com o seu. Sherry é sua filha, portanto a compatibilidade entre os dois é bem alta. Se William a encontrar, ela com certeza será contaminada com o G-Virus e passará a sofrer mutações.
ADA – Mas e quanto aos humanos não-compatíveis? O que acontece ao receberem os embriões?
ANNETE – Havendo incompatibilidade... Os embriões serão simplesmente descartados. Ou melhor... Eles descartarão o hospedeiro!
Cena LIX
A sala escura onde Leon recebeu o tiro no lugar de Ada. O policial, vagamente reconhecível em meio à penumbra, é visto de frente, ofegante e com uma das mãos ainda cobrindo o ferimento no ombro. A câmera assume a visão de Kennedy por um momento, revelando a aproximação de um feixe de luz. Logo o espectador pode reconhecer o homem que segura a lanterna: Douglas Harper.
HARPER – Oh, droga!
O recém-chegado é mostrado de costas conforme corre até Leon e se abaixa ao seu lado, examinando-o. A imagem foca o ferimento iluminado por alguns segundos.
HARPER – Um tiro, hem?
LEON – Eu a salvei... A bala... Ia acertar Ada!
HARPER – Ah, é? Bem, você é mesmo um herói, cara, mas onde ela está agora? Deixou para trás desse jeito aquele que salvou sua vida?
LEON – Ela está atrás de algo. Tenho cada vez mais certeza disso.
HARPER – Está sim. Atrás de encrenca.
Apesar de não podermos ver com clareza seus movimentos, conseguimos perceber que Douglas apanha algo que traz consigo e passa a manusear objetos. Pelos sons, é possível deduzir se tratar de um kit de primeiros-socorros.
O rosto de Harper é evidenciado.
HARPER – Você tem sorte de eu ter encontrado isto na redação do jornal... E também por eu já ter trabalhado como enfermeiro!
LEON – Posso te chamar de mãe?
HARPER – Cale a boca!
Cena LX
Brad, visto de frente, cruza novamente a porta da sala onde encontrou o zumbi, regressando ao corredor. Gemendo, cobre a mordida no tórax com uma das mãos, ao mesmo tempo em que o som de outra maçaneta sendo aberta é escutado. Vemos Vickers voltando seu rosto assustado para o lado, apenas para revelar... Ben Bertolucci, também de volta.
BRAD – Ufa, é você, cara! Não me assuste!
A câmera foca o repórter da cintura para cima. Apesar de nenhum ferimento aparente, seu estado é bem pior que o do membro do S.T.A.R.S.: mal consegue andar, cobrindo o abdômen, no qual sente intensas dores, com a mão esquerda. Mostrado então de lado, tenta aproximar-se de Brad e quase tropeça, esticando um dos braços na direção dele para buscar apoio e fazendo com que o piloto, no susto, apenas recue.
BEN – Me ajuda, cara!
Vickers tem os olhos tão arregalados que eles parecem querer saltar de seu semblante a qualquer momento. Também está com a boca aberta.
BRAD – O que aconteceu com você?
BEN – Eu não... (engasga) Não sei!
BRAD – Não chegue perto de mim, você está infectado!
BEN – De que diabos está falando? Olhe o tamanho dessa mordida no seu peito! Você ficou infectado também!
Segue-se um momento de silêncio, a câmera mostrando primeiro a face pálida de Bertolucci, em seguida passando para o rosto apavorado de Vickers. Os dois ficam se encarando calados por alguns segundos, constatando a situação irreversível em que se encontram, até que Brad toma a iniciativa e sai correndo do local, retornando pelo caminho que leva à capela. A imagem então volta para o jornalista.
BEN – “Coração de Galinha”!
Cai sentado junto a uma parede, gemendo e contorcendo-se de dor.
Cena LXI
Mais uma vez a escada na torre. O foco se alterna entre as damas.
ADA – Sua filha está correndo sério risco. Não acha que seria melhor ir protegê-la ao invés de ficar apontando essa arma para mim?
ANNETE – Eu protegerei minha filha e a criação de William exterminando malditas espiãs como você!
As duas se calam, a câmera se centrando nos olhos de cada uma, uma música de tensão contribuindo para a cena... Até que, num movimento rápido e inesperado, Wong agarra o braço da oponente que segura a pistola, tentando torcê-lo. A luta passa a ser vista de vários ângulos diferentes, conforme Annete, cerrando os dentes, tenta se soltar com grande ímpeto. Consegue disparar uma, duas vezes, as balas passando por cima do ombro de Ada e alojando-se na parede logo atrás. Em seguida a oriental emprega todas as suas forças para bater o pulso da inimiga no corrimão da escada, fazendo-a gemer enquanto a arma escapa de seus dedos e despenca rumo ao térreo. Agora o combate está de igual para igual.
ANNETE – Você não vai... Conseguir!
Ada agarra Annete pelo jaleco, empurrando-a contra a parede atrás dela. A câmera acompanha a cientista enquanto sua cabeça se choca com violência contra o concreto, fazendo-a imediatamente fechar os olhos e desfalecer, caindo quase deitada sobre os degraus. Inconsciente.
A imagem retorna para Wong.
ADA – Só espero que sua filha não tenha a mesma sorte que você...
E, resoluta, retoma o trajeto ascendente rumo ao topo da torre.
Cena LXII
A capela. Claire e Irons ainda estão em suas mesmas posições, mostrados de cima e depois de lado. A câmera então exibe apenas o chefe de polícia, de frente, coçando os bigodes e olhando uma vez mais para a moça com um olhar suspeito.
IRONS – Você não acreditou naquelas besteiras do Harper, acreditou?
Vemos Claire cabisbaixa e pensativa. Então levanta a cabeça, expressão confusa.
CLAIRE – Não sei mais no que acreditar desde que cheguei a esta cidade.
IRONS – Nem que sairemos vivos?
É possível perceber, pelo rosto da jovem, que ela parece começar a notar as segundas intenções de Brian. Uma trilha de suspense e ameaça toma o fundo, ao mesmo tempo em que, de um ângulo relativamente próximo, o espectador observa Irons se aproximando lentamente de Claire.
IRONS – Se não acredita nisso, faria sentido desejar aproveitar suas últimas horas de vida da melhor forma possível, não?
O foco é revezado entre os falantes.
CLAIRE – Do que está falando?
IRONS – Desde que a encontrei, tenho me perguntado...
Num close acima do ombro de Brian, este é visto agarrando subitamente os braços de Redfield, uma nota melódica de terror denotando a terrível situação.
IRONS – Serei eu o primeiro a possuí-la?
Sucedem-se diferentes ângulos e posições de câmera conforme Irons procura manter a moça sob seu poder, enquanto ela tenta se soltar apavorada, chutando as pernas do algoz. Os ataques, todavia, não geram frutos.
IRONS – Vejo que é um animalzinho selvagem, assim como as feras que já empalhei... Mas, da mesma maneira que elas, irei domesticá-la!
CLAIRE, gritando – Me solta! Me largue, seu maníaco! Socorro, alguém! Socorro!
Um zoom mostra uma das mãos do delegado tentando abrir o zíper dos shorts de Claire, ela ainda lutando bravamente para escapar do iminente abuso. Porém Irons, além de frio e cruel, parece ter uma incrível resistência à dor causada pelos golpes executados contra si pela motoqueira. Ela continua a gritar, berrar, sua face chorosa ficando sozinha na tela... Até que algo acontece.
Brian é filmado frontalmente do abdômen para cima, ficando imóvel, suas mãos soltando Claire de repente... Sem piscar, o chefe de polícia vem ao chão, desmaiado e com um leve sangramento na nuca, captado pela câmera... A qual sobe vagarosamente, revelando primeiro uma garotinha loira com pijama de marinheiro, e em seguida o grande castiçal dourado, de comprido suporte, que ela segura com certa dificuldade nas mãos.
Retornamos a Claire, que está estupefata e trêmula, ainda se recobrando do ataque.
SHERRY – Esse homem é mau, ele estava machucando você!
CLAIRE – Oh, meu Deus, quem é você?
SHERRY – Meu nome é Sherry! E o seu?
CLAIRE – Claire! (passa uma das mãos pelo rosto e cabelo) Pode me chamar de Claire!
A filha de William e Annete Birkin é vista soltando o pesado castiçal, que despenca sobre um dos bancos da capela, danificando a madeira. A cena então é retratada de cima, com Claire caminhando até a garotinha e se abaixando diante dela.
CLAIRE – Muito obrigada. Você foi muito corajosa!
SHERRY – Eu tinha que fazer algo, ele é mau!
CLAIRE – Não se preocupe, ele não vai ferir mais ninguém...
Claire vira a cabeça de leve, a câmera focando Irons inconsciente por um instante, e então exibindo as duas personagens de lado, acima dos bancos.
CLAIRE – O que está fazendo sozinha aqui?
SHERRY – Minha mãe me trouxe até aqui assim que os monstros apareceram, e então meu pai se machucou... Depois mamãe chorou, e pediu que eu me escondesse em algum lugar. Resolvi vir até aqui.
CLAIRE – Eu e alguns amigos meus vamos fugir de helicóptero. Por que não tentamos encontrar sua mãe e seu pai para irmos todos juntos?
SHERRY – Não, eu estou com medo... Tem um monstro diferente lá fora, maior e mais perigoso que os zumbis... E ele está atrás de mim!
CLAIRE – Atrás de você?
O sinistro urro inumano faz-se ouvir mais uma vez por todo o prédio. Sherry começa a choramingar. O ângulo muda.
SHERRY – Por favor, vamos ficar aqui!
A irmã de Chris abraça a menina com força, acariciando-a. Apesar da situação, Claire consegue esboçar um sorriso quase fraternal, sua face mostrada num close.
CLAIRE – Não se preocupe, querida, eu irei proteger você... Prometo.
Cena LXIII
O mesmo helicóptero que aguarda o toque dos sinos é visto rapidamente por fora, a imagem então passando para seu interior, mostrando a dupla de ocupantes. É ouvido um “bip”, o piloto informando enquanto leva uma das mãos ao ouvido direito:
PILOTO – Temos uma transmissão. É o chefe.
A câmera se alterna entre o piloto e a face intrigada do co-piloto conforme o primeiro recebe a comunicação, a voz do interlocutor podendo ser escutada apenas muito vagamente pelo espectador.
PILOTO – Sim senhor. (...) Sim senhor, entendido, ainda estamos aguardando o sinal. (...) Entendido, desligo.
Ele retorna a mão aos controles da aeronave, o foco passando para o co-piloto em seguida.
CO-PILOTO – Do que se trata?
PILOTO – O chefe disse que a Umbrella planeja destruir a cidade ao amanhecer para encobrir o incidente. Usarão uma ogiva nuclear. É melhor o cientista na Torre do Relógio se apressar, pois temos somente mais alguns minutos. Caso contrário, iremos embora com ou sem o pacote!
CO-PILOTO – Uma ogiva nuclear? Como o governo pode permitir isso?
PILOTO – Simples, meu amigo: a Umbrella é o governo!
O helicóptero torna a ser exibido externamente sobre o centro de Raccoon e a cena tem seu fim.
Continua...
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