Resident Evil: Inevitável
5 Chuva
Notas iniciais
Esse não tem beta, porque eu estava com tanta pressa e vontade de postá-lo que não consegui esperar.
Esse é dedicado a todos os leitores que esperaram tão pacientemente pela história. Aliás, muito obrigada pelas MP's de incentivo que eu recebi (:
Chuva
Então era mesmo ela…
Não houve tempo para resposta alguma, porque o som de algo voando precedeu a machadinha que se cravou num tronco ao lado dele.
Os tinham alcançado.
Dessa vez, foi ele quem a manteve segura pelo pulso. Não tinha certeza do motivo pelo qual o fizera, mas não ousou pensar nisso... Apenas continuou correndo.
Sem notar que o som de água agora inundava totalmente o ambiente e o ar trazia rajadas de vento completamente úmidas e geladas.
Só foi obrigado a parar quando chegou à beira das árvores... E entendeu que o barulho de água vinha da cachoeira que despencava entre eles e o outro lado da floresta.
Engoliu em seco por um instante ouvindo os gritos que ficavam cada vez mais próximos.
Pensa Leon, pensa!
Foi então que a sentiu soltar os dedos dos seus e a viu se afastar alguns passos da margem.
-Podemos achar outro caminho! — ele avisou olhando o tamanho da queda, sem poder efetivamente avistar se haviam pedras lá embaixo.
Mas no instante em que disse aquilo, ela passou correndo por ele e se jogou, o corpo ereto e os braços abertos mantendo-a estável... Até que ela os cruzou pouco antes de desaparecer sob a fumaça branca e as águas escuras.
Leon cerrou os punhos com força e olhou para trás vendo os semblantes se aproximarem...
-Here I go again! – ironizou cínico, antes de dar um passo como impulso e saltar também.
- o -
Se arrastou para fora da enorme laguna de água que seguia num riacho pelo meio das árvores... Engatinhou pela margem até cair deitada, exausta... A intensidade da correnteza era forte e precisara se esforçar ao máximo para não ser arrastada por ela para o fundo. Depois de alguns instantes, arfares cansados deixaram-na saber que Leon a havia alcançado e pelo som, sentara-se ao seu lado.
Ficou vários minutos em silêncio, ouvindo apenas o som da queda d’água. As memórias assolando sua mente, lembrando-a de tudo que tinha acontecido nos últimos anos... Como se já não lhe bastassem os sonhos que a assombravam, fazendo-a acordar exaltada, suando frio em sua cama.
-Aurora...
Quando o ouviu quebrar o som ambiente, ela abriu violetas e encarcerou todos os seus pensamentos de volta. Aquela ferida não seria reaberta. Não depois de tanto tempo.
Não depois que ela já tinha superado aquilo.
Levantou-se sem dizer uma palavra, começando a andar... Falaria com TJ depois para saber que raios Leon estava fazendo ali. Mas por hora, a única coisa que queria era se afastar do agente o mais rápido possível.
-Ei, onde você vai? – ele adiantou-se alguns passos, segurando-a pelo braço. – O que está fazendo aqui?
Aurora olhou-o e pensou seriamente em socá-lo. Em gritar com ele. Em atirar nele. Mas não faria isso... Fuck.
-Já salvei sua vida. Tem uma vila há uns dois kilômetros, seguindo naquela direção. – ela apontou para o lado oposto ao que pretendia seguir. – Adeus, Leon.
E virou-se novamente... Scotty não parecia mais o jeito certo de chamá-lo. Ela não era mais uma menininha. Mas não teve tempo sequer de dar outro passo quando ele a segurou ainda mais firme pelo braço e a puxou, fazendo-a se virar para ele novamente.
-O que está fazendo aqui? – ele repetiu.
-Não é da sua conta. – retrucou mal educada, puxando o braço.
-Isso não é um passeio no parque e não é seguro. – ele ralhou como se fosse alguma espécie de irmão mais velho ou algo do tipo e isso enfureceu a capitã.
-Até onde sei, não era eu quem estava quase virando lenha pra churrasco lá em cima!
O agente estreitou os olhos, mas não teve a oportunidade de respondê-la porque um trovão ensurdecedor abafou qualquer outro som ao redor deles... A tempestade estava para cair. Os dois se entreolharam, como se analisassem um ao outro por um instante.
-Vem. – ele disse seguindo para perto da parede de pedra por onde a cachoeira caía.
Ela não se moveu imediatamente, ponderando sobre aquilo. E como se fosse uma brincadeira cruel e irônica do destino que tinha resolvido tirar uma com a sua cara, a chuva começou a despencar pesada em seus ombros. Bufou deprimida, como se não tivesse mesmo como ficar pior.
Mas não ousou dizer isso... Era fato como dois mais dois são quatro que sempre que alguém diz “Não tem como ficar pior” algo acontece e prova que pode ficar muito pior.
E Aurora não queria se arriscar no momento só pelo prazer de praguejar um pouco.
Seguiu-o debaixo da chuva até uma pequena entrada nas pedras, que dava numa pequena caverna esculpida pelo tempo...
-Eu nunca estive num lugar que chove tanto. – murmurou irritada, deslizando os dedos pelos cabelos para tirar o excesso de água.
-Achei que gostasse da chuva. – ele ironizou cínico e a garota estreitou os olhos.
Não seja chato, Scotty! A chuva é ótima!
-Não sei do que está falando. – ela retrucou unicamente, sentando-se no chão para tirar as botas úmidas.
Ela não pensaria no passado...
Fazer isso era se arriscar num pântano escuro e ela não se sentia segura, embora não admitisse sequer para si mesma, que era capaz de remexer em suas memórias sem sentir novamente a dor que isso trouxera por muito tempo.
- o -
Ele não retrucou nada.
A resposta dela o fez simplesmente sentar-se apoiando as costas contra a parede de frente para ela... Uma perna esticada e a outra dobrada, o cotovelo apoiado no joelho. Os olhos cinza presos na entrada da pequena caverna, observando a chuva cair.
Sempre tinha pensado no que gostaria de dizer quando a encontrasse de novo. Mas a verdade é que ali, agora, simplesmente não tinha palavras. Nunca fora bom com elas. Esperava que fosse mais fácil por se tratar de Aurora... Mas estava enganado.
Era muito mais difícil. Por ser ela.
“Não sei do que está falando.”
Ou talvez não fosse mais.
- o -
Ela encolheu os joelhos, abraçando as pernas... Os pés descalços tocando o chão frio... Ficou em silêncio por muito tempo, sem saber o que dizer.
Quando era menor, tinha escrito o que gostaria de dizer para ele quando se vissem de novo. Mas o tempo pode fazer coisas boas da mesma forma que transforma saudade em mágoa.
Depois do que acontecera, Aurora passou muito tempo sentindo saudades dele... Desejou por várias noites, em suas orações, que ele voltasse. Mas os dias se tornaram semanas, e estas se converteram em meses.
Os meses viraram anos.
E quando os anos se tornaram tempo demais, ela foi obrigada a aceitar que não haveriam mais verões ensolarados num píer na beira do lado.
Ou cerejas.
Tudo tinha acabado e a menina forçou-se a crescer e abandonar a idéia estúpida e infantil que tinha de que promessas são para sempre.
Nesse momento, quando a inocência partiu-se como cacos, foi que aconteceu.
A saudade tornou-se mágoa e como uma manta de ervas daninhas entrelaçadas que recobrem um lago impedindo que o sol atinja a água, escondendo completamente o que há por baixo, sua dor e decepção esconderam todas as memórias boas e os sentimentos mornos da infância...
E Leon ficou escondido nas águas obscuras sob o manto turvo que impediam que ela o visse... Se lembrasse dele.
Não lembrar era um bom jeito de manter a dor longe.
Foi quando o tempo atuou como um amigo... Não doía mais.
Pelo menos era o que era ela pensava.
-Claire.
Leon ergueu os olhos para ela, vendo violetas presos na chuva... Antes de voltarem-se para cinzas novamente.
-Claire Redfield. – ela comentou dando de ombros, respirando fundo. – Ela estava investigando alguma coisa aqui, atrás do irmão mais velho, Chris. Ela desapareceu há...
-37 horas. Aproximadamente. – ele replicou com os olhos nos dela.
-Como você sabe? – ela ergueu uma sobrancelha.
O agente tirou uma foto do bolso, entregando para a morena... Aurora observou o retrato onde ele e Claire pousavam juntos, lado a lado... Ela sorria. Ele só tinha uma curva mínima.
– Como se conheceram?
-No incidente em Raccoon City. – Leon respondeu voltando os olhos para longe novamente.
Era incrível como por mais que tentasse fugir, sempre era arrastado de volta para o mesmo ponto de sua vida...
-Estava lá no dia da infecção? – ela perguntou fitando-o diretamente.
Então suas vidas tinham andado paralelamente... Não se encontraram, mas permaneceram lado a lado. Ele assentiu com a cabeça.
-De algum jeito eu me envolvi com aquilo no meu primeiro dia no departamento. – ele comentou com os olhos meio distantes. – Depois disso eu abandonei a polícia e acabei indo trabalhar para o governo.
Ela ficou quieta por um instante. Sentiu pena dele... Por um momento, por mais que não quisesse. Sentiu muito por ele não ter trabalhado na polícia como ele tanto queria... Respirou fundo.
-Eu também estava lá.
Ele voltou os olhos para ela imediatamente.
-Estava atrás dela... Da Claire. – murmurou baixo, os olhos fixos na chuva. – Eu sabia que ela estava procurando por ele... Tinha seguido o rastro dela até Raccoon City para dizer que o Chris estava bem. Depois do incidente em 96, ele decidiu vingar todos os amigos que morreram na missão das equipe Bravo e Alfa... E acabou se afastando um pouco dela... De todos. Ele queria destruir a Umbrella e se juntou a outros agentes que lutavam contra a corporação.
Inclusive a própria Aurora...
Ela respirou fundo, antes de prosseguir.
-Depois que o presidente mandou esterilizar a cidade, nós mantivemos contato, eu e ela... Mas até isso se perdeu com o tempo. – ela encostou a cabeça na parede.
Leon ficou ali, encarando-a por alguns momentos...
-Você parece se culpar por alguma coisa. – comentou, observando os traços da jovem morena.
Ela abriu um sorriso pequeno para ele, antes de voltar violetas para a chuva que insistia em cair entre trovões e raios lá fora.
-Talvez.
Notas finais
Eu adoro escrever essa história e espero que você tenha gostado de ler (:
Até o próximo :*
MihoSaori
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