Jason puxou a gaveta. O necrotério estava frio, ele nunca tinha entrado em um, mas ele tinha quase certeza que isso era normal. Invadi-lo no meio da noite foi trabalhoso, mas se desse certo...

Se der certo eu vou ficar rico...

Se der certo eu e Katy...

Eu e minha linda Katy...

É, nos dois vamos ficar ricos... Juntos, para sempre e sempre...

Dentro do compartimento estava o corpo. Fazia apenas dois dias, mas ele já estava completamente cinza, ele sentia o cheiro de podre invadindo a sala.

A mulher morena, de feições perfeitas... Sim, tão jovem, tão...

Morta...

Ele se abaixou e colocou a maleta que carregava consigo no chão. Ele a abriu, revelando varias seringas cuidadosamente posicionadas, que continham um liquido preto. Jason pegou uma delas, se levantou novamente, olhou para o corpo. Então, a agulha grossa da seringa perfurou a pele do braço de Katy, atingindo a veia.

Ele tirou a seringa, e olhou-a, Em pouco tempo pode ver um pouco da coloração de sua pele voltar a cada segundo. Então, o peito dela começou a subir e descer.Isso aconteceu umas três vezes até que Katy flexionou os dedos.

-Katy? – Jason falou, tentando acreditar no que via. Ela teria voltado a vida?Ele estava apenas sonhando, ou aquilo realmente estava... Era um milagre!

O milagre da vida visto de outro modo...

Ela abriu os olhos, os lindos olhos azuis escuros o encararam mesmo inexpressíveis. Jason sentiu as lagrimas escorrerem pelo seu rosto, caindo em seu jaleco branco.Os lábios de Katy se moveram, se aproximando do rosto cheio de felicidade de Jason.

Os gritos foram ouvidos por toda a rua.

-Leon?

-Aleluia, achei que não ia mais me ligar.

-Desculpe, esse telefone é horrível, não da para ouvir quase nada.

-Você ainda esta no aeroporto?

O telefone deu uma alta chiada, Leon o afastou um pouco do ouvido.

-O que?

-Você ainda esta no aeroporto? – Ele repetiu, tentando ser mais claro, mas Leon não podia aumentar demais o tom de voz no meio da delegacia.

-Ah...Estou.Vou entrar no avião daqui uma hora, devo chegar ai amanhã.

-Ótimo.

-É.

Alguns segundos de silencio ocorreram, ele queria dizer alguma coisa.E tinha certeza que ela também queria, só não sabia como e o que...

-Ah... – Ele começou, tentando achar um modo de terminar a frase sem perder a compostura.

-Hum?

-Nada, eu apenas...Estou sentindo sua falta.

-É, eu sei.

-Como?

-Estou brincando, Eu também sinto sua falta.

-Volte viva. Inteira de preferência.

Ela soltou uma pequena risada.

-Vou fazer isso.

-Até, Ada.

-Até, Leon.

Ele recolocou o telefone no gancho, Voltando a brincar com os elásticos em cima da mesa.

Como seu chefe diz: “Seja útil seu idiota!”

Leon pensou um pouco, puxando o elástico com os dedos, então cochichou para si mesmo;

-Gosto mais do “Atrás de ti imbecil!”.

-Leon?

A voz interrompeu sua linha de pensamento, seu corpo chegou a dar um leve pulo na cadeira, fazendo-o puxar o elástico demais, e ele saiu voando de seus dedos acertando sua testa.

-Ai!Merda!

-Desculpe, não sabia que você estava... Ocupado?

-Ocupado?Não, apenas concentrado, nada de importante mesmo. O que foi Ingrid?

-Bem – Fazia tempo que Leon não via Ingrid direito, na maioria das vezes eles se comunicavam pelo telefone, raramente fora das missões.Tinha a pele escura, não muito, ele achava que ela fosse mulata, nunca tinha pensado em perguntar.O cabelo castanho, preso, sem um fio fora do lugar. Estava sempre de óculos, mesmo que Leon disse-se que ela era muito atraente sem eles. – Acho que você iria gostar de ver isso.

Ela tirou a pasta que carregava em baixo do braço, e pegou um papel que havia dentro. Leon o pegou e começou a ler.

-É de uma mulher, foi contratada e vai trabalhar no necrotério da delegacia. Ela se chama Constance Lecter. Também conhecida como Consty.

-Qual o nome do meio? Não a nenhuma inicial aqui.

-Ela usa o nome de solteira da mãe adotiva, Cassie Lecter, que nunca foi casada, se recusa a falar do pai biológico.

-Por quê? – Ele levantou uma sobrancelha, Não era da conta dele, mas ele queria saber.

-Leia. – Ela pediu, apontando para o papel.

Ele passou os olhos pelas letras, pulando detalhes sem importância. Então viu aquilo.

-Ah...

-É. Ah.

-Senhorita? – Cindy, a garçonete do J’s Bar, tentava chamar a atenção da figura loira, que estava lá dês das dez horas da noite, agora já eram duas da manhã. Ela estava dormindo com os braços cruzados em cima da mesa, com a cabeça apoiada sobre eles.

A mulher apenas gemeu, devia ter uns vinte e cinco anos, mais ou menos a idade de Cindy. – Senhori...

-O que... — Ela de repente abriu os olhos, com dificuldade, levantando a mão para tirar o cabelo da frente do rosto, revelando seus bonitos olhos azuis, e deixando a mão cair de novo. – Ah não...

Finalmente ela levantou a cabeça, apoiando o corpo na cadeira, coçando a testa.Cindy percebeu que ela era incrivelmente bonita, com os cabelos loiros e lisos (naturais, não oxigenados como os da própria Cindy) que chegavam até a metade das costas, ao mesmo tempo, ela tinha um ar de garota uma emotiva, sendo que tinha uma franja que cobria um pouco de seu olho direito, sem contar que varias mechas de seu cabelo eram roxas.Era magra, talvez no máximo cinqüenta quilos. O único problema era uma cicatriz antiga que cruzava seu nariz. Mesmo já que fosse apenas uma linha branca agora.

-Acho que bebeu mais do que deveria. – A garçonete abriu seu sorriso.

-Meu deus, que horas são?

-Duas e quinze da manhã.

-Desculpe, devo estar incomodando.

-Não!Acredite, sempre tem alguém, e de qualquer forma eu moro no andar de cima. – Cindy riu, ainda com o sorriso no rosto. – Quer alguma coisa?Água?

-Água, por favor. – Ela retribuiu o sorriso.

-Ok. – A garçonete saiu andando, seus jimichoo’s criavam um som de toc-toc-toc no piso de madeira. Então Cindy entrou na cozinha, saindo do campo de visão da mulher.

-Ah... – ela deu um longo suspiro, esperava não ter arranjado problemas enquanto estava bêbada, fazia tempo dês da ultima vez que ela tinha bebido demais.

Logo ela iria começar a trabalhar, Belo jeito de começar, ficando bêbada quando faltam apenas algumas horas. Essa não é uma boa maneira de salvar vidas, não que você fosse salvar alguma, claro. Não era o que você queria, não é mesmo... Você queria ser policial, fazer algo decente a comunidade.

-Aqui, sua água. – Cindy colocou o copo na mesa, e depois se sentou na outra cadeira, ainda sorrindo. – Você é nova na cidade?

-Sou. – A mulher levou o copo à boca.

-E o que a trouxe a Raccoon City?

-Trabalho, mesmo que eu não tenha conseguido realmente o que queria.

-Ah, legal.

-Você... Nunca para de sorrir?

-Eu sou um pouco...Exageradamente...Positiva, eu diria.

-Posso te perguntar uma coisa? – A mulher tomou mais um gole da água, A voz suave ficou esganiçada de repente.

-Claro.

-Eu ouvi falar de alguns acidentes na cidade, algum tipo de... – Agora sua voz estava completamente rouca, tornando-se até mesmo desagradável aos ouvidos. – Vírus... Destruiu boa parte da cidade, matou muitas pessoas...É verdade?A TV dizia que era uma fraude, mas...

-É verdade. – Cindy perdeu o sorriso ao dizer estas palavras. – Eu não posso dizer muito mais que isso.

-Certo, mas é possível que volte ou...

-Não. Graças a deus.

-Certo.

Ela se levantou. Cindy percebeu suas roupas, a mulher usava calça Jeans justa, com os joelhos rasgados, uma jaqueta de couro preta, e botas de couro de bico fino.Cindy pensou que ela tinha um gosto diferente, porém interessante também percebeu seu colar, o cordão de prata sustentava um símbolo de um \"C\" e um \"L\" entrelaçados

Os olhos de Cindy a seguiram até a porta, quando ela ia colocar o pé na rua, a garçonete se lembrou de uma pergunta que ainda não tinha feito.

-Hei, qual seu nome?

A mulher loira já estava com a mão na maçaneta da porta, mas ao ouvir a voz de Cindy ela parou, virando sua cabeça de maneira que seu perfil ficasse a vista, mesmo que seu cabelo ainda tapasse seus olhos. Sua voz saiu fria, forçada;

-Lecter. Constance Lecter.

-Você viu? –Sheva jogou o jornal em cima da escrivaninha de Chris.Ele sempre chegava atrasado na delegacia, apenas dessa vez Chris se prestou a chegar cedo, mas estava quase dormindo na cadeira, e o som do impacto do jornal com a fina madeira da escrivaninha o fez acordar.

-O que? – Ele passou a mão pelo cabelo, uma mania que ele devia ter desde que se entendia por gente.

-Isso!

Sheva sinalizou um artigo com o dedo, e depois ela virou o jornal para que ele pudesse ler.

-Jason Hambar... De onde eu conheço esse nome?

-Ele era parceiro de laboratório daquele cara.Da Umbrella.

-Que cara? – Chris fungou, lendo o jornal, Jason tinha sido morto ontem, pela meia noite. A cabeça havia sido esmagada, e o corpoaparentava ter sido meio comido. O estranho é que um dos outros corpos havia sumido.

-Aquele tal de Roddie Baxter... – Ela respirou, ajeitando seu casaco no corpo. – Ele teve sorte, largou a Umbrella um pouco antes daquele acidente com o vírus. Ele trabalha aqui agora, nunca o viu?

-Desculpe, eu olho as mulheres passarem, não os homens.

-Como ele é engraçado.

-E sou mesmo! – Chris riu, mexendo nas folhas acinzentadas do jornal.

-Já deve ter visto ele! Ele é alto, o cabelo tem um tom de loiro bem claro, meio cumprido, olhos liláses, pálido... Bonito, mas tem uma merda de temperamento, às vezes fica dias sem falar com ninguém, e se alguém chega perto, ele age feito um grosso. – Sheva torceu o nariz, ainda se lembrava da primeira vez que tentou falar com Roddie, no primeiro dia de trabalho dele, Sheva tinha começado com um simples “Oi”, ele a olhou de cima a baixo e falou, com a voz suave, mas inexpressiva: “Tenho certeza que aquele abajur esta com mais vontade de falar com você do que eu.” E se retirou.

-Ah sim, o Rex.

-Rex?

-Combina com ele.

-Ele trabalha no necrotério se eu não me engano.

-Então porque estão contratando gente nova para trabalhar nele?

-Excesso de corpos. Uma pessoa só não da conta.

Bam!

Um saco plástico com algo que pareciam dedos, o mínimo e o anelar. O objeto caiu na escrivaninha, assustando todos em volta, Sheva olhou para aquilo e depois para a figura em pé ao seu lado.

-Estava misturado com os miolos do Senhor Hambar. – Roddie começou, com sua voz mal humorada.

-Que merda!Não pode jogar restos assim na mesa dos outros! – Chris reclamou. Encarando Roddie.

-Esta dentro de um plástico. – Estava obvio que ele estava se defendendo, mesmo não expressando nada.

-Não importa!Fede!

-Eu fico sentindo esse cheiro o dia todo e você reclama?

-Ok, fiquem quietos. – Ela estendeu a mão em sinal de paz. – Chris, cale a boca! Roddie, que coisa é essa?

-São dedos, estavam cravados na cabeça da vitima. – seu tom ficou levemente irônico – só sei que seja lá quem foi que esmagou o crânio do nosso amigo esqueceu isso.O problema é que tem que estar em um estagio bem alto de decomposição para perder partes do corpo por ai.

-Mais alguma coisa?

-É uma mão feminina, por enquanto só sei disso.

Constance foi acordada pelo despertador, ela esfregou os olhos enquanto tentava abri-los aospoucos.A luz do diafazia seus olhos lagrimejarem, ela tinha que começar a lembrar de fechar a janela antes de dormir...

-Sol... Sol?!

Constance pulou da cama, jogando as cobertas para o lado com rapidez, ela estava atrasada, muito atrasada.

-Merda, merda, merda!

Quase tropeçando no tapete, ela correu para o banheiro, tirou as roupas e ligou o chuveiro, entrando em baixo da água fria mesmo, afinal a água quente demorava muito para surgir e , já estava atrasada.Demorou mais ou menos uns cinco minutos no banho, e vestiu os jeans, uma regata do Good Charlotte, e as botas de couro. Por fim ela colocou o suéter preto, estava frio lá fora.

Constance andou até a cozinha, o seu cachorro, um pastor alemão chamado Alfie, levantou da cesta que dormia e andou até a bancada.Constance abriu a geladeira e pegou um prato de carne que tinha guardado e colocou no chão, Alfie foi até o prato e começou a comer.Ela saiu e trancou a porta, entrou no elevador para sair do prédio e ir até a garagem pegar seu carro, um Pallas preto, que com a morte de seus pais ,foi possível adquirir.A herança possibilitou-lhe pelo menos para comprar um apartamento e um carro descente.

Ela parou no estacionamento, desceu do carro, e correu o mais rápido possível para dentro da delegacia, passando pela porta, ela não teve tempo de perceber o lugar (já que ela sabia que o necrotério era no andar de cima, ela não perdeu tempo olhando em volta), Constance notou apenas uma estatua de mármore no centro do primeiro andar, então subiu as escadas. Quase tropeçando nos degraus.

Perfeito! Se mate ainda por cima!Você vai para o necrotério de qualquer jeito...

ela continuou correndo, ignorando as pessoas que olhavam para ela.

Preciso achar o Leon, ele é a única pessoa que eu conheço aqui...

Então ela caiu.

Em cima de alguém.

Notas finais
primeiro capitulo! parte um! espero que aproveitem, o proximo sera provavelmente no sabado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.