Resident Evil - A Leon & Ada Side Story
26 Capítulo 26 - Em Acordo
Notas iniciais
Terá um Epilogo. Mas é isso. Fanfic completa.
Um grande abraço a todos.
Os dias que se arrastaram após os eventos em Tall Oaks e China foram confusos e perturbadores. Até averiguares todos os fatos e provas, Leon e Helena permaneceram em custódia. A prisão foi inevitável, e ambos sabiam que iria acontecer. Esperavam inclusive problemas maiores, afinal, não se sabia exatamente quem eram todos os membros da Família, e o que ainda seriam capazes de fazer para preservar o sistema que construíram ao longo de tantos anos.
Por algum motivo, as coisas foram mais fáceis do que pensavam.
Leon descansava em sua cela, esperando o pior. Temendo por Hunnigan, Sherry e Helena... temendo que as provas fossem destruídas antes mesmo de serem averiguadas. Quando percebeu a sombra de uma mulher através das grades.
“ — Gostou das suas instalações, Policial?”
“ — Hunnigan?!” — Ele sentou-se e então a viu com uma caixa nas mãos.
A grade se abriu. “ — Acho bom você trocar suas roupas e se preparar para sair daí. Temos um longo dia pela frente.” Ela sorriu o entregando uma caixa com roupas e objetos pessoais.
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Foram sete longos dias sob custódia, fora interrogado tantas e tantas vezes. Agora finalmente estava livre. Mal podia acreditar que agora circulava livremente pelo Pentágono, era surreal, até uma hora atrás estava sendo investigado pelo assassinato do Presidente. Algumas pessoas o olham com curiosidade, outras sorriam amistosamente. Estava alí para uma reunião com a comissão provisória de segurança, formada por generais e membros da ONU, Leon sabia porque....
“ — Como sabe senhor Kennedy, foi aberta uma sindicância com participação dos maiores representantes do Globo para investigar toda a Casa Branca. A CIA, a NSA, o FBI, todos estão sob os olhos do mundo. Você deve imaginar o quão desconfortável é uma situação como essa para os Estados Unidos, perdemos completamente a nossa autoridade...”
É claro que ele sabia, no fim das contas, foi por esse motivo que o Presidente morreu, era justamente isso que Simmons queria evitar.
“ — Você deve estar imaginando porque foi tão fácil provar sua inocência, apensar do senhor ter lutado praticamente sozinho contra um dos maiores poderes de controle do globo, certo? Bem... suponho que deva agradecer a sua amiga.”
“ — Amiga...?”
“ — Ada Wong.” — O general tinha uma face inexpressiva. — “ — Não é nenhuma novidade para nós que você tem algum tipo de contato com essa espiã, o que nós não sabíamos era que ela era tão influente. Todos os documentos apresentados por você, vazaram quase que instantaneamente para todos os serviços de inteligência do mundo inteiro. A noticia percorreu todo o planeta, A ONU exigiu que uma comissão pudesse atuar dentro da Casa Branca, líderes globais pediram satisfações... A China principalmente... É... esse mulher definitivamente tem os amigos certos. Nem esquema de corrupção montado nessa país poderia abafar o caso, nunca mais.”
O homem fardado o passou um tablet com fotos e alguns evidências. Leon mal podia acreditar em tudo o que via... A Família... Simmons... Carla Radames... “Pobre Ada...”
“ — E como gratidão pelos serviços prestados, oito dos nove países que emitiram mandatos de busca e apreensão contra ela, revogaram-nos até hoje de manha … quase como um presente por ela ter desmoralizado a maior potencia mundial em apenas um dia.”
“ — O que você quer dizer com isso? Preferia que ela ficasse muda?”
“ — Não me interprete mal. Faço parte da comissão e não pretendo descansar até que o ultimo culpado pague pelo que fez. Só me sinto desconfortável que saber que somos tão odiados lá fora. Só isso.”
Leon suspirou.
“ — Por ultimo devo lhe comunicar que você foi convocado para depor e participar diretamente das investigações, contudo, eu lhe aconselho que recuse...”
“ — E por quê?”
“ — Bom, o único país que ainda não deu anistia a Ada Wong foi os Estados Unidos, e acredito que esse será um processo complicado. Caso você faça parte da comissão... algumas pessoas podem achar que você tem... interesses pessoais nisso, o que a atrapalharia. Portanto, se você quiser ser grato a tudo o que ela fez por você, sugiro que tire umas férias...” — Pela primeira vez, o homem sorriu.
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Helena entrou no carro em silêncio. Tinha o olhar perdido, observando pela janela, as ruas de Washington naquele verão. Leon e Hunnigan não comentaram nada sobre a reunião no Pentágono, apenas se entreolhavam de maneira cúmplice enquanto Helena permanecia alheia a tudo.
Quando chegaram ao cemitério, Helena foi surpreendida. Hunnigan havia preparado tudo, um túmulo simbólico com o nome de Deborah Harper. Leon trouxe as flores que estavam escondidas dentro do carro e as entregou.
“ — Aqui estão, vá até lá.”
Helena não sabia qual seria o seu futuro, ou o de Leon. De qualquer maneira, estava preparada para o pior, seu objetivo, já conseguiu. Matou Simmons e vingou sua irmã. “ — É hora de assumir minha responsabilidade.”. Colocou as flores sobre o túmulo, e caminhou de volta até Hunnigan e Leon. “ — Muito Obrigada.” — Viu os agentes federais os esperando no carro, encaravam a ela e a Leon, provavelmente essa seria sua primeira e ultima visita ao túmulo de sua irmã. “ — Eu estou pronta.”
Leon e Hunnigan se entreolharam uma ultima vez, e o agente caminhou até Helena, tomando a mão da moça entre as suas. Ela se assustou quando sentiu o objeto frio e familiar de volta em suas mãos, era sua pistola.
“ — O que? Mas... eu ajudei no ataque!”
“ — A comissão de investigação lançou um parecer sobre as provas e concluíram que seria injusto te culpar pelo crime de Simmons, também decidiram não revelar seu dados e todo o ocorrido à publico.” — Disse Hunnigan.
“ — Mas...”
“ — O Presidente teria feito o mesmo.” — Interrompeu Leon.
“ — Ok! Então, vamos no unir ao time?” — Disse Hunnigan voltando para o carro.
Helena sorriu para o ex-parceiro e a seguiu. Quando já estava a uma certa distancia, o chamou. “ — Leon!”
O loiro pegou o objeto que ela atirou e o olhou, incrédulo. Era o pó compacto de Ada. Helena tinha um sorriso largo nos lábios. “ — É para a próxima vez que a ver...” e piscou.
Leon deixou escapar um riso baixo. “ — Hn. Mulheres.”
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Ele lembrava muito bem sobre Hunnigan os aconselhar a passar os próximos dias em um hotel, ela disse que agentes invadiram suas casas atrás de provas e que provavelmente estaria tudo revirado. Não sabia sobre Helena, mas ele queria mesmo era voltar para o seu apartamento.
Quando chegou, ficou horrorizado, não havia absolutamente nada no lugar certo. Todas as gavetas, papeis, roupas, tudo espalhado pelo chão. Cadeiras quebradas, o sofá todo cortado e sua espuma espalhada pela casa, as paredes quebradas e descascadas, o carpete arrancado do chão... eles destruíram tudo. Leon tinha uma caixa nas mãos com alguns objetos e papeis, e simplesmente não tinha onde colocar. Com raiva, soltou-a no chão de qualquer jeito. “ — Mas que... porra!”
Foi quando a campainha tocou. “ — Uma ótima hora para visitas!” — ele resmungou. Ja ia soltar um palavrão para o seu visitante, mas quando viu quem era, engoliu em seco.
E lá estava ela, parada no corredor. O mesmo cabelo negro feito o ébano, os mesmos olhos esverdados rasgadinhos, o mesmo sorriso debochado nos lábios. “ — Prefere que eu volte outra hora? ” — Por quê, tudo, absolutamente tudo a divertia?
“ — Ada... eu.... você usou a campainha?”
Ela soltou aquela gargalhada, tão viva e gostosa que ele tanto amava. Resignado, ele riu também. “ — Entra. Mas não repara a bagunça..”
“ — Imagina, é claro que eu não vou....UAU! Bonitão, o que foi que aconteceu aqui?”
“ — Eu fui acusado de matar o presidente e estava sob investigação... sabe.”
“ — Sei.” — Alguns segundos de silêncio. Ela foi caminhando até o quarto, cujo o colchão estava no mesmo estado que o sofá, o banheiro todo quebrado. Leon a seguia calado.
“ — Eu acho que Hunnigan tinha razão, eu vou precisar ficar num hotel.”
“ — Você pode vir comigo se quiser.” — Ela disse aquilo de uma maneira tão natural e rápida, e mesmo assim Leon levou um choque — “ — Talvez eu precise deixar Washington amanha à tarde, mas, você pode ficar comigo essa noite.”
Ela sabia que ele aceitaria, se fosse um convite para um passeio de canoa no triangulo das bermudas, ele aceitaria. Qualquer lugar que ela vá e o queira alí com ela.
“ — Claro.” — E ela não precisou nem dizer onde era.
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Aquele mês de julho em Washington estava fresco, o que não era o esperado, mas o sol resistia bem, ambos caminhavam juntos sob um céu alaranjado do fim de tarde. Tomaram o metrô juntos até um bairro tipico de imigrantes orientais. No caminho, pararam num restaurante chines para jantar. Ada andava tranquila pelas pessoas, como se não soubesse que estava justamente no único país que ainda a queria presa por espionagem.
Sentaram em uma mesinha para duas pessoas nos fundos, e Leon percebeu o quanto ela estava branca, talvez fosse por causa do vestido que ela estava usando, que por sinal ficou ótimo nela, justo nos seios e na cintura, solto e curto na altura das coxas, de abotoar na frente, era branco e estampado com botões de flores vermelhas. O agente cruzou os braços e continuou encarando-a
“ — O que foi?” — Ela perguntou.
“ — Nada. Só lembrava de você sempre tão morena.”
Ela suspirou, ainda sorrindo. “ — É eu sei... para poder conseguir contato comigo, Carla promoveu um monte eventos anteriores a esses, nas quais eu acabei envolvida achando se tratar de Simmons... Digamos que eu não tive muito tempo para sol.” — O garçom deixou os dois copos de refrigerante na mesa, Ada brincou com o canudo um tempo antes de colocá-lo na boca e dar o primeiro gole. “ — Mas você, como poucos, sempre soube a minha cor original.”
É claro que ele sabia, ele lembrava muito bem de cada curva daquele corpo, e lembrava muito bem da marquinha da calcinha do biquíni quando ela ficava nua, e lembrava mais ainda do ciúme que sempre sentia quando constatava que ela não tinha marca nos seios e ficava as vezes emburrado imaginando em que diabos de lugar ela fazia topless. Preferia imaginar que ela fazia bronzeamento artificial, numa clinica só frequentada por mulheres.
Leon suspirou. “ — E você esta bem? Digo... se machucou muito?”
Ada olhou divertida para os lados, como que verificasse o lugar antes de contar um segredo, e então jogou os seus cabelos lisos completamente para o lado esquerdo, revelando um galo enorme na região parietal. “ — Ah se me dessem dinheiro por cada galo na cabeça que eu ganho quando tento te ajudar, Senhor Kennedy.” — A comida chegou e o garçom foi embora novamente. — “ — E você?”
“ — Eu estou bem, foram só uns arranhõezinhos”
“ — Puff... Homens..” — Ela sabia... e se lembrava muito bem de acordar com os gemidos de dor dele enquanto a segurava, tão forte, com o sangue dele espirrando contra seu rosto.. Ah se dessem dinheiro a Leon por cada vez que ele se colocasse na frente de uma arma por causa dela..
Depois de comerem, tomaram uma rua lateral ao restaurante, sem saída, lá havia uma charmosa vila de predinhos, Ada mostrou o seu, apartamento, que ficava no térreo. Ela abriu a porta para que ele entrasse primeiro. Era muito pequeno, mas bem aconchegante, uma sala com cozinha no andar de baixo e uma escada que provavelmente levava para o quarto.
“ — Então é aqui que você se escondeu por esses dias? Estava bem melhor que eu.”
Leon deixou sua pequena bagagem em um canto embaixo da escada e gemeu um pouco quando se curvou. Ele parecia muito bem, mas estava visivelmente cansado, mais precisamente, abatido.
“ — Senta alí no sofá, Leon. Descansa um pouco, eu te levo um café.” — Ela estendeu a mão quando ele tirou a jaqueta, pendurando-a num cabide atrás da porta quando ele a entregou.
Ada percebeu como ele fazia uma cara de incômodo e tocava o tórax quando se curvava para sentar. Abriu uma gaveta e pegou dois comprimidos, levando-os junto com a caneca de café. “ — Tome. Isso vai passar.”
“ — O que é isso?”
“ — Não queira nem saber, Senhor Certinho, nenhum médico te deu receita.”
Ele tomou aquilo como um desafio, colocando os dois comprimidos na boca de uma só vez e bebendo o café por cima. “ — Eu acho que deixei de ser certinho há muito tempo.”. — Resmungou – Leon esperava que ela sentasse ao seu lado, mas não, sentou-se distante do outro canto do sofá para depois pegar seus pés cansados e pousá-los em cima das coxas dela. Se acomodou melhor a medida que assistia aquela mulher tão concentrada em tirar-lhe os sapatos e as meias, devagar. Ele não fazia ideia de que parecia tão abatido assim, soltou um suspiro de satisfação quando ele iniciou a massagem. “ — Nossa... como você é boa nisso... ”- ela se esforçou para conter o riso “ — O que foi?”
“ — Nada, longa estoria... mas diga, Senhor Nada Certinho, qual foi mesmo a sua malvadeza nos últimos quinze anos?” — Ela estava sendo debochada, de novo.
“ — Nos últimos quinze dias, eu quase matei o irmão da minha melhor amiga.”
“ — Tenho certeza de que ele não vale muita coisa então.”
“ — Era Chris Redfield.” — Ela parou de olhar para os seus pés e o encarou.
“ — E o que aconteceu?”
“ — Ele ia te matar...” — Ela pareceu mais pálida por alguns segundos.
“ — Não, ele não ia.” — Continuou a massagem.
“ — Sim, ela ia. Ele e o parceiro te cercaram... ou melhor, cercaram Carla... E atiraram, ele estava te caçando com o único objetivo de te matar. Eu cheguei a tempo e lutei com ele e...”
“ — Por favor Leon, você não ia matá-lo.”
“ — Ele não ia me matar... Ele. Mas eu tinha a minha arma apontada para a cabeça dele, e ele me disse, tudo o que você... ou...Carla, fez, e me perguntou se ainda assim, eu iria te proteger. Se ele não tivesse mudado de ideia naquela hora... eu....”
“ — Para! Agora!” — Ada se levantou com raiva e caminhou até o balcão ficando de costas para ele.
Leon ficou confuso com aquela reação. Deixou a caneca em cima da mesa e caminhou até ela. Ada estava chorando. “ — O que foi?”
“ — Não faça eu me sentir um monstro, não me faça acreditar mais uma vez que o melhor para você é ficar bem longe de mim.”
Ele então a abraçou forte. “ — Eu sinto muito te decepcionar, Ada. Mas eu sou só um homem, nada mais. E eu me apaixonei por você.” — Ela conhecia muito bem esse discurso — “ — E tudo que eu preciso é que você me ame de volta, com todos os meus defeitos e pare de achar que sem você eu seria melhor, porque não é verdade. Você é uma parte de mim, tá impregnada em cada fibra do meu corpo e quando você sai, eu não consigo mais controlar o que há de pior em mim!”
Ada saiu do abraço. “ — Então se eu estivesse perto, você não mataria o Redfield?”
“ — Exatamente, porque se você estivesse perto e me contasse as coisas, eu saberia que você não era ela!” — Agora era Leon quem chorava — “ — Você nunca me fala nada. Porquê não me contou do Simmons? Você me abandonou naquele quarto de hotel depois de ter pisado no meu coração daquela maneira... era só ter me contado a verdade!”
“ — Oh sim, claro! Era só te contar, e você teria ficado quieto, certo? Você não teria bancado o herói tentando pegar o homem e revelar a verdade pro mundo todo!” — Ada se encolheu cruzando os braços. — “ — Eu só quis te proteger.”
Aquela distância entre os dois era como um doloroso abismo para Leon, ele não podia aceitar que depois de tudo o que sobreviveram juntos, a situação permanecesse assim. Caminhou até ela e tomou o rosto da mulher entre as mãos. “ — Viu só? Não adiantou... Ele me pegou do mesmo jeito... Ele quase me destruiu de todas as maneiras que um homem pode destruir o outro, o meu trabalho, meu amigos, meu nome, minha reputação... a minha mulher.” — Selou os lábios aos dela, onde suas lágrimas se misturaram — “ — Me deixa ficar com você, confia em mim, não importa o quanto as coisas compliquem, nós vamos dar um jeito. Acredita de uma vez que se você me contar a verdade, eu vou confiar em você, eu vou te escutar, eu prometo. Eu teria entendido sobre Simmons, e mesmo que eu buscasse um jeito de desmascará-lo, eu nunca passaria por cima de você, ou da sua opinião, nós o teríamos feito juntos! Se tudo o que eu ja fiz até hoje, não foi o suficiente para você, então eu...”
Ada o beijou, interrompendo-o. “ — Eu sei. Você está certo, me perdoa.” — O beijou de novo. As línguas finalmente se encontraram, cheias de saudade, se abraçaram forte como se quisessem finalmente virar um só, promessas eram feitas por entre beijos e lágrimas. “Vai confiar em mim?”
“Sim” “Não me abandona de novo...” “Nunca” “ Vai me deixar ficar ao seu lado?” “Até o dia que você não me amar mais” “Esse dia nunca vai chegar” “ Eu amo você” “Então me deixa te amar também.” Ada chegou os lábios bem perto da orelha quase toda coberta pelos cabelos loiros “ — Só se for agora.”
Foi um puxão, um beijo e uma parede. Ela escorou o corpo para receber aquelas mãos avidas passeando por todo o seu corpo, a língua quente com aqueles lábios que percorriam seu pescoço, orelha, seu colo, a barba mal feita que arranhava sua pele, o segurava pelos ombros, pelos cabelos, por onde conseguia para se sustentar em pé.
“ — Lá em cima... quarto...” — Leon rosnou sem parar de beijá-la.
Foram quase quedas, tropeções, alguma coisa caiu pelo caminho e quebrou enquanto seguiam rumo ao quarto. A camisa cinza de Leon ficou pelo caminho, o cinto também. Ada já tinha o vestido desabotoado até o umbigo, ela gostava como ele lhe sugava os seios, com fome, mesmo assim o fez parar afastando-o um pouco.
Ada se despiu devagar, para ele assistir, nua e descalça ela sentou na cama e então o chamou, Leon se aproximou deixando que ela desabotoasse o seu jeans, ele fechou os olhos e esperou, só abrindo-os de novo quando ela começou... quando ele sentiu a língua morna e delicada dela colhendo as primeiras gotas que saiam de seu corpo aflito, implorando por ela. Ele olhou para baixo, em êxtase por assistir aquilo e gemeu longamente quando ela finalmente o colocou na boca.
“ — Ah... Ada...” — ele tirou a franja dela da testa e segurou os cabelos negros para trás enquanto ela se movia — “ — Olha pra mim...” — Ela o fez, quando faziam sexo, era quando os olhos dela mais escureciam — “ — Assim... meu anjo...”
A espiã parou o que estava fazendo, e não pode deixar de rir. “ — Anjo?”
Leon tirou a camiseta vermelha e se desfez definitivamente do jeans. “ — ... Caído.” — Brincou. Curvou-se para beijá-la e deitar com ela na cama, ele sentiu o próprio gosto na boca dela, era um dos pequenos prazeres da vida que dinheiro nenhum podia comprar, deixou escapar um gemido de dor por causa das costelas. Ada deixou que ele deitasse e tocou os hematomas espalhados pelo peito pálido e com poucos pêlos.
“ — Acho que é melhor você ficar assim.” — Ela beijou o loiro delicadamente, enquanto montava nele, devagar.
“ — Desculpa...” — Ele disse, resignado em ficar alí de baixo. Queria o oposto, queria carregar o corpo daquela mulher junto ao seu, queria amá-la com força, do jeito que ela gosta... mas suas malditas costelas insistiam em lembrar-lhe que ainda estavam lá, quebradas e prontas para perfurar um de seus pulmões.
“ — Tenho certeza que em poucos dias vai estar novo em folha. E aí...”
Ela se posicionou melhor, com cuidado e deixou que ele a invadisse, para ambos, não existia momento igual, principalmente depois de tanto tempo. As mãos de Leon passeavam pelo ventre, pela cintura e a barriga lisa da mulher que o cavalgava, lentamente. Ela gemeu quando ele escorregou o polegar até a zona mais sensível que ela tinha entre as pernas estimulando-a. Ambos queriam fazer aquilo durar, o que era difícil, graças ao longo tempo em que ficaram sem o outro. O orgasmo dos dois veio fácil, natural como respirar, tão bem vindo como só o passou a ser, assim tão intensamente, quando estavam um com outro. .
Ada deitou ao lado do agente, recostando a cabeça contra o peito forte, com cuidado para não machucá-lo e deixando-se ser abraçada por ele.
“ — 8610745672121 Guarda esse numero de cabeça, e nunca, jamais o anote em lugar algum.”
“ — O que?”
Ela o beijou no pescoço. “ — É o meu telefone.”
“ — Mulher, você vai ter que repetir isso mais um punhado de vezes...”
“ — E por favor, eu não preciso te orientar sobre como ter certeza que está ligando de uma linha limpa, né?”
“ — Linha limpa... tem alguma coisa a ver com limpeza dos cabos telefônicos? É com água? Ai”
Ela o beliscou bem em cima de um hematoma. “ — Se a CIA, a NSA ou o FBI descobrirem esse numero, eu te mato Kennedy!”
“ — Esse é um momento emocionante... eu nunca demorei tanto tempo pra arrancar o telefone de uma garota, quinze anos...”
“ — Ah é? E quando foi a ultima vez que tentou arrancar o telefone de outra?”
Leon guardou a risada. “ — Sinto que estou diante de uma daquelas perguntas perigosas, sabe, tipo quando vocês perguntam se estão gordas...Ai!”
Outro beliscão, no mesmo hematoma. “ — Depende do que você chama de perigosa. Quantas vezes você já recebeu uma pergunta assim de uma assassina profissional?”
“ — Eu já disse que te amo hoje? Por favor não me belisca outra vez...”
Ada gargalhou
“ — No dia que você me perguntar se está gorda eu serei um homem morto, né?”
Eles não queriam dormir, dessa vez Leon sabia que ela não teria fugido na manha seguinte, mas sabia que ela teria que ir por algum tempo, esse tempo juntos era portanto, precioso.
“ — Você vai para onde amanha?”
“ — Europa Oriental.”
“ — Em missão?”
“ — Sim.”
“ — Perigosa?”
“ — Não.”
“ — E o que é?”
Ada estava chocada consigo mesma. Era inacreditável, ela estava respondendo. “ — Jake Muller.”
“ — O quê?” — Leon ficou preocupado. — “ — Por quê? Digo... o que houve?”
“ — Nada. Eu vou recrutá-lo.”
O agente percebeu porque era tão difícil Ada responder suas perguntas. Era uma grande responsabilidade guardar uma informação como essa, sendo que ele ainda é um agente do governo, e ela, ainda é uma espiã procurada, e Jake, segredo de estado.
“ — Leon?”
Ele tocou a face perfeita da mestiça, não havia o que pensar. “ — Nada, eu confio em você.” — Se beijaram mais uma vez. “ — Sabe, eu acho que as minhas costelas já melhoraram. Talvez a gente possa continuar aquele assunto...”
“ — Só tem um jeito de descobrir.” — Ela respondeu antes de deixar que ele rolasse por cima dela.
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Leon acordou cedo, se amaldiçoando por ter dormido outra vez e não ter a espiã ao seu lado.
“ — De novo não!”
Vestiu os jeans rapidamente enquanto xingava alguns palavrões. Ele já sabia o protocolo, bilhetes no bolso da calça, ao lado da cama, no espelho do banheiro... Procurou em todos os lugares e não encontrou nada. Desceu as escadas e também não havia nada lá.
Começou a vasculhar os armários desesperadamente, colocando tudo para fora, quando finalmente achou algo. Uma besta e algumas flechas.
“ — Mas, ela não iria embora sem isso, iria?”
“ — Procurando alguma coisa?”
Leon quase deu um salto de susto com o aparecimento repentino da mulher pelas suas costas, e o olhar dela não era nada amigável.
“ — Eu achei que você tinha ido embora e então eu....”
Ela sorriu. “ — Eu fui buscar o café.” — Ela o beijou — “ — E olha o que eu achei...”
O ex-policial mal podia acreditar no que via, a enorme caixa de Dunkin'Donuts. “ — Ada... eu sei lá porquê... tem anos que eu não vejo uma dessas.” Ele pegou a caixa de Donuts e deixou os copos de café com a espia. “ — Eu adorava tanto isso...” — Abriu a caixa com cuidado e tirou um para comer e dando a primeira dentada. “ — Hmmm...”
“ — Absolutamente, eu te salvei de virar um policial gordinho. Eu posso até imaginar você com uma dessas todos os dias depois da patrulha, aliás, eu demorei justamente por causa da fila enorme de policiais que tinha lá, depois da patrulha noturna.”
“ — Obrigado.”
“ — Ah, a propósito, eu tenho algo para você entregar à sua amiga.”
“ — E qual delas?”
“ — Aquela que é um colírio para os seus olhos.”
“ — Ah, você estava na Catedral nessa hora? Podia ter ajudado, heim!” — Desviar o assunto, é o objetivo.
“ — Você não precisava de ajuda, só precisava se concentrar mais nos zumbis e menos nos peitos dela.” — Ada tinha um papel amarelado em mãos. “ — Eu achei essa carta em uma sela, no laboratórios da Familia, em Tall Oaks. É para ela, foi a irmã quem escreveu. Entregue na próxima vez que a vir.” — Leon começou a abrir o papel. — “ — Não abre, Leon. É particular! Eu lí porque não tive escolha, mas você não deveria bisbilhotar.”
“ — Tem razão.” — Disse envergonhado. — “ — Ah, Ela também guardou uma coisa sua.”
“ — Uma coisa minha?”
Leon correu até a sua jaqueta e tirou a maquiagem lá de dentro. “ — Ela disse: para a próxima vez que a vir...”
Ada tomou o pó compacto entra as mãos. “ — Por quê ela guardou isso?”
“ — Coisa de mulher, eu acho. Foi meu primeiro parceiro... e não parava de ficar falando em sentimentos e que eu deveria ir atrás de você, e perguntando como eu estava... blablablá.” — Ele brincou, mas como toda brincadeira, tinha seu fundo de verdade. Puxou a espiã para um abraço — “ — Não fica com raiva de mim não. Ela é legal, e gostou muito de você...”
“ — Já que é assim...” — Recebeu o beijo açucarado dele. “ — E eu não tenho raiva de você.” — O beijou de novo. E de novo.
“ — Em quinze anos... por todos os dias, todas as horas, minutos e segundos... eu só tive uma única mulher na minha cabeça, e eu já aceitei, que vai ser assim, para sempre.”
Se amaram uma ultima vez antes dela partir. Leon não sabia que futuro os aguardava, um país em crise, uma comissão investigativa dentro da Casa Branca, provavelmente muitos membros da Família ainda a solta e infiltrados em pontos estratégicos. Tudo ainda era muito instável e longe de estar finalmente calmo. Ada e ele não podiam levar uma vida normal, e talvez, nunca possam vir a ter. Mas mesmo assim, ainda era uma vida, juntos, que eles não escolheram, mas que não sabiam ser de outro jeito.
Não importa de que lado estejam, ou contra quem. Um era a parte que faltava no outro, e que eles simplesmente não podiam deixar ir. E enquanto nenhum dos dois for... tudo estará bem.
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