Ada e Leon chegaram à delegacia bem cedo, o agente foleava o laudo técnico do acidente, e a espiã lia o laudo médico do casal Kennedy.

“ — Nenhuma substância psicotrópica no sangue, e não há qualquer outro sinal de causa mortis a não ser o poli trauma devido a batida.”

“ — Deixe-me ver.” — Ele pediu.

“ — Tem certeza?” — Ada olhou surpresa, não eram só resultados de exames de sangue e lâminas de tecidos... ali continham fotos detalhadas dos corpos. Leon hesitou. E após um longo suspiro...

“ — Tudo bem, não se preocupe. Em situações normais eu recusaria, mas há muito tempo a minha vida não é mais normal, eu quero ver pessoalmente.”

Trocaram os papeis. Agora Ada tinha acesso ao laudo técnico do acidente. Fotos do carro, vistoria das peças, fotos das câmeras de segurança no local... e lá estava, um animal cruzando a pista. Uma raposa de porte médio, o motorista ao tentar desviar acaba perdendo o controle do carro e caindo ladeira a baixo.

De tempos em tempos a espiã olhava disfarçadamente para o agente que estava compenetrado com a papelada do laudo médico. Não parecia chocado, ou enojado. Apenas ultra concentrado, como quem não pudesse perder um único detalhe.

“ — Não parece ter nenhum sinal de sabotagem no carro, e a gravação daquela raposa...”

“ — Eu vou checar isso pessoalmente.” — Disse ele pegando a jaqueta de couro que estava sobre a mesa. — “ — Você vem?”

Por um momento, Ada quis pedir que ele parasse. Ela era uma espiã experiente, e com um faro sem igual para identificar algo suspeito, ele precisava acreditar, ela sabe de longe quando um acidente foi apenas um acidente. Mas por outro lado entendia que provavelmente no fundo, lá no fundo, ele sabia disso, mas precisava esmiuçar até o ultimo grão de areia de toda essa historia, como uma maneira de se perdoar, de dizer a sí mesmo que nada disso foi sua culpa, que não foi o trabalho dele que provocou a morte de seus pais.

“ — Claro.”

************

Debaixo da destruída armação de ferro, Leon se contorcia para tentar enxergar cada peça inteira ou destroçada.

“ — Ada, me dá uma mão, aqui...”

“ — Sim?”

“ — Eu preciso de uma lanterna, ou algo do tipo...”

A espiã tinha uma pequena caneta com uma lanterna na ponta que a primeira vista, ninguém acreditaria que possui uma luz tão forte. Ela a entregou para o agente, e esperou.

“ — Ada... você pode me puxar daqui, por favor?”

O skate rolou para fora da armação de ferro carregando o corpo de Leon consigo.

“ — Achou alguma coisa?”

“ — Não.” — Leon já percebeu que Ada estava fazendo um esforço sobre humano para parecer paciente, era mais do que obvio que ela acreditava que não encontrariam nada relevante alí. — “ — Mas eu vou dar uma olhada no local do acidente, e então, tudo estará acabado... eu prometo.”

“ — Não se preocupe comigo. Eu confio na sua pericia, Leon. Você pode ir e eu fico aqui arrumando tudo e devolvendo os papeis para os arquivos.”

Agora sim Leon teve uma confirmação. Ela definitivamente não acredita que há algo estranho ou sombrio por trás da morte de seus pais... Ada Wong já encerrou seu caso e não verificaria mais nada. Teria sorte se quando voltasse, ela ainda não tenha ido embora.

“ Está bem.” — Ele respondeu um pouco desapontado.

Ada já caminhava em direção a porta oposta a de Leon, quando o loiro a chamou.

“ — Por Favor... eu estou sem carro.”

“ — Claro, Bonitão. Pega!” — jogou-lhe as chaves.

Porém foi agora, ao vê-lo sair sozinho, que a espiã pensou melhor... para quem ficou até agora, o que custava acompanhá-lo mais um pouco? Além do mais, teve uma sensação, uma sensação muito estranha e repentina, um aperto no coração dizendo que ela simplesmente deveria estar lá.

Ela correu para fora da delegacia, e ele já estava dentro do carro quando ela gritou. “ — Leon! Espera!”

*****************

Era uma linda paisagem, de um lado, um enorme rochedo, do outro um penhasco. Lá em baixo um vale com um maravilhoso lago. Haviam muitas placas sinalizando o perigo das curvas sinuosas.

“ — É lindo, não é?” — Ele começou. — “ — Eu cresci pescando naquele lago. Meu pai me ensinou a atirar alí naquele vale. Eram muitos coelhos, patos, cervos...”

“ — Estou chocada! Você caçava animaizinhos fofos e inocentes, bom mocinho?” — Disse irônica.

“ — Claro! Todo feriado a minha mãe preparava a nossa caçada. Era coelho, pato, cervo, porco do mato... ensopado ou assado com geleia de hortelã. Nós podemos tentar algum dia se você quiser.” — ele riu.

“ — Eu sei que isso soa estranho para você, principalmente porque você sabe o meu trabalho. Mas eu passo a oferta. Eu não me imagino escalpelando e desviscerando um porco ou um cervo muito embora a parte de abatê-lo com um tiro me pareça divertido.”

“ — Não se preocupe. Isso é serviço de homem. Eu mato e te entrego ele limpinho. A sua parte é esperar na cozinha e fazer o meu jantar.” — Leon segurou forte sua enorme vontade de gargalhar.

Os olhinhos bem puxados e esverdeados de Ada se abriram bem mais do que o normal, seu queixo caiu em sinal de protesto por alguns segundos. Depois ela apenas suspirou e revirou os olhos.

“ — Senhor Kennedy, quando nós descermos desse carro, é cada um com a sua pistola, lá fora, você e eu. E quando eu estourar os seus dois joelhos antes de você terminar de contar o “três”,eu vou te mostrar o que é um serviço de homem.” — disse calmamente.

“ — Ui, que medo, ela tá brava!”... Leon se divertia e gargalhava com o fato de ter conseguido divertir a antes entediada Ada Wong, foi uma fração de segundos em que ele deixou de olhar a pista para focar no belo rosto da mulher ao seu lado, e foi nessa fração de segundos que do nada, algo ou alguém cruzou o seu caminho.

“ — LEON!”

Os reflexos de Ada eram bons o suficiente para ver que Leon foi descuidado o suficiente para desviar de uma raposa, mesmo no meio de uma curva e em alta velocidade, o carro sairia da pista diretamente para o penhasco. Não é o politicamente correto, porém foi sua sorte estar sem o cinto de segurança, foi o que a possibilitou pular contra o volante e puxá-lo para o lado oposto com toda força.

Leon sentiu o corpo de Ada bater violentamente contra o seu a medida que o carro girava em sentido anti-horário, teve algum reflexo para tentar pisar no freio, o que parece ter sito outra atitude não muito inteligente agora... A dupla ouviu os pneus cantarem alto enquanto eles não tinham controle sobre os próprios corpos que eram fortemente afetados pela inércia.

“ — VAI CAPOTAR!” — Ele gritou antes de ter o seu corpo bruscamente puxado para fora do carro e depois chocado violentamente contra o chão. O vapor quente e o barulho de uma explosão que veio após o deixou atordoado por alguns segundos. Conforme foi voltando a si percebeu que havia caído sobre o corpo de Ada. Ela tinha sua Grapple Gun empunhada, e ela os puxou pra fora a tempo.

“ — Ada... Ada... você esta bem?” — Leon não teve tempo de ver se ele mesmo estava bem ou não, seu corpo tremia de medo porquê não viu qualquer reação do corpo por baixo do seu. — “ — Ada!”

“ — Uhgh... Leon...”

“ — Ada, me responde!”

“ — Sai... de cima... de mim.”

Ele saiu imediatamente e então a espiã inspirou e expirou longamente. Alguns minutos se passaram em silêncio, conforme eles se levantavam do chão e percebiam melhor o que acabou de acontecer alí. Não demorou muito até que finalmente, Leon viu, pela primeira vez, depois de anos, Ada Wong sair do sério.

“ — Você perdeu completamente a cabeça?” — Ela repreendeu severamente. — “ — O que você pensa que está fazendo? Onde aprendeu a dirigir assim? Caçar um animal a tiros, okay, e depois quase nos matar por causa de uma raposa estúpida, você tem a lógica de um molusco! Comeu merda hoje? Foi isso?”

Leon estava apavorado, a manga da blusa de seda de Ada estava rasgada, ele quis chegar perto para ver se ela estava machucada.

“ — Não chega perto de mim!” — Deu um tapa forte na mão do loiro — “ — Seu pirado! Deviam apreender a sua carteira! Olha o que você fez com o meu carro, você acha que espiões tem seguro? Seu idiota! Não sei como te colocaram como agente secreto, você não passaria num psicotécnico para chimpanzés! Um chimpanzé já conseguiu ir ao espaço, você explodiria a nave antes de decolar!”

“ — Dá pra você calar a boca e ficar quieta!” — Ele berrou em plenos pulmões e puxou o braço da mulher. — “ — Você esta sangrando.”

“ — E de quem é a culpa?”

“ — Psss...” — Ele não prestava atenção na raiva de Ada, que na verdade era mais susto do que qualquer outra coisa, ele quase podia escutar o coração dela galopar. Identificou um pequeno corte no cotovelo da chinesa, mas queria olhar cada pedaço do corpo dela, tocar, ter certeza de que estava tudo bem.

Ada sentia a mão do agente ainda tremer em seu corpo, tocando-a, procurando algo, a respiração oscilante dele, o olhar de pânico. Ela também estava apavorada...

“ — Se eu não estivesse aqui...” — Ela começou... — “ — O que teria acontecido com você se eu não estivesse aqui?”

Os dois mal perceberam quando já estavam abraçados, juntos, tentando recuperar o fôlego. E Leon então entendeu tudo o que houve exatamente alí naquela estrada há poucos dias atrás. Algo que lhe trouxe paz de espirito, e forças para continuar.

Foi um acidente. E eu, tive a quem puxar.”

********************

Ada olhava para o quarto a sua volta, o único ainda montado. Todos os outros já se encontravam vazios ou com enormes lençóis brancos protegendo a mobília. Estava sentada sobre uma cama de solteiro, nas paredes, bandeiras do New York Giants e do time de futebol da escola, troféus, fotos de Leon com os amigos no segundo grau, medalhas de quando ele era escoteiro. Tinha uma TV, um Super Nintendo, um computador e um aparelho de som, uma pilha de gibis do Capitão América... Era tudo bem amplo e parece que ficou intacto desde que o loiro saiu de casa há muitos anos. Era exatamente como um jovem de dezessete ou dezoito anos deixaria um quarto.

Leon já havia dito que desde que fora fazer a academia de policia em Nova Yorque ele voltou pouquíssimas vezes em casa e parecia sentir uma ponta de remorso por isso agora, mas entendia que fora necessário e que seus pais compreendiam. Era só mais uma prova do quanto ele era diferente dela. Ada não teve a adolescência normal de Leon, não poderia dizer que não foi feliz pois estaria mentindo, mas era justamente o fato de ter sido feliz fazendo o que fazia, que sempre a deixou convencida de que não era “uma pessoa boa”.

Os exaustivos treinos físicos e mentais... meninas podem ser muito mais rápidas e fatais do que homens quando bem treinadas, além de poder usar o poder de sedução sempre a favor e ser sempre um alvo menor de suspeitas. Quantas meninas sucumbiram pelo caminho, fracas... Mas não Ada Wong.

Mas Leon era uma pessoa boa, um homem decente. Era muito diferente dela, e isso a deixava cada dia mais atraída, e há muito tempo, a deixou completamente apaixonada.

“ — Ada, cheguei.” — Disse o agente carregando as sacolas que depositou em cima da comoda. Uma de farmácia, e outra do Burger King.

Primeiro Leon tirou as compras de farmácia da sacola, e sentou-se ao lado de Ada. Ela não se machucou muito, eram duas ou três pequenas escoriações nos braços e um pequeno corte que não precisaria de pontos. A espiã no fundo achava todo aquele cuidado uma bobagem, todo aquele spray antisséptico e Band-Aid não eram melhor do que um bom banho com muito sabão e muita espuma, mas preferiu não se opor, simplesmente porque achava “fofo” o jeito carinhoso e preocupado dele.

Depois ele voltou com o “jantar”, sanduíches, batatas fritas e algumas cervejas Duff. Leon abria as tampas das cervejas, dele e dela, abria os guardanapos, abria e espalhava o ketchup... não deixava que Ada se esforçasse com absolutamente nada a não ser comer, e ela as vezes tinha a sensação de que a qualquer momento ele iria começar a lhe oferecer comida na boca.

Leon detonou metade de uma garrafa num só gole, parou por um instante. “ — Obrigado Ada. Eu te devo uma... De novo.”.

“ — Sempre as ordens.” — Ela saudou antes de dar um gole também.

“ — Eu tinha que fazer alguma coisa para quebrar o seu tédio de estar numa missão inútil. Pelo visto consegui.”

Ada se tornou séria. “ — Não brinca com isso. Essa foi uma missão muito positiva, se você quer saber. E eu estou muito aliviada de saber que tanto as minhas quanto a suas suspeitas estavam erradas.”

“ — Você? É um alivio pessoal, ou para quem você trabalha isso também é um alívio?”

A espiã permaneceu em silêncio por um tempo. — “ — Kennedy, você já sabe demais sobre o meu trabalho.” — Olhou no fundo dos olhos azuis do agente, ele não podia esperar mais dela do que aquilo. — “ — Leon... antes de irmos adiante com isso, algo deve ficar bem claro entre nós, o meu trabalho, o que eu sou... nunca será um assunto. Se você não puder lidar com isso, é melhor nem seguirmos adiante.

Ela observou o homem a sua frente passar os dedos sobre a franja lisa que lhe caia aos olhos jogando-os para trás, deixar sua garrafa de cerveja já quase vazia ao chão e levantar-se. Ele estava pensativo e não olhava para ela.

Bem, é melhor assim. O que você esperava? Que um homem como ele, justo ele, fosse embarcar num romance com uma mulher obscura, sem passado, presente ou futuro e provavelmente com um caráter duvidoso?”

Levou um baita susto quando ele apareceu ajoelhado a sua frente com o rosto surgindo bem de frente ao seu.

“ — O que você quer dizer com seguir adiante?”

“ — O que você acha?”

“ — Você quer a confirmação se eu aceito ou não, depois de tudo o que nós passamos juntos, ser o seu amante, incondicionalmente. Sem perguntas, sem planos, só eu e você juntos quando der?”

“ — Sim.”

“ — Terei seu telefone?”

“- Não.”

“ — Seu endereço?”

“ — Não.”

“ — E-mail?”

“ — Não.”

“ — Serei avisado quando você vai aparecer?”

“ — Sempre que possível.”

“ — Então você pode simplesmente aparecer e sumir da minha vida, a qualquer minuto, e eu, não vou ter nem como entrar em contato com você? Sem saber nada sobre você? E você acha isso justo?”

Tá, não precisava ouvir mais nada, era justamente a reação que ela esperava. “ — Tudo bem, bonitão, esque....”

“ — Eu aceito.” — ele interrompeu.

“ — O quê?”

“ — Eu aceito. Só me diga que vai aparecer. E eu te espero.” — Com a ponta dos dedos ele arrastou a saia elegante de Ada que ia justíssima na altura dos joelhos até o alto das coxas, assim possibilitando que ele afastasse as pernas dela e se colocasse por entre elas. — “ — Só não me faça ficar mais seis anos com você na minha cabeça e nos meus sonhos, todas as noites, se nunca ter tido você nenhuma vez.”

Eles se beijaram finalmente enquanto Leon a envolvia pela cintura e a puxava mais para perto. Ada passava as mãos pelos cabelos loiros de maneira selvagem enquanto tinha a boca cada vez mais invadida pela língua quente e molhada do agente que parecia desesperado por vasculhar cada canto. Quando pararam o beijo por alguns segundos buscando explorar mais um do outro com a boca, passeando pelo queixo, bochechas e orelhas não demoraram a encontrar as suas bocas novamente, de maneira mais do que faminta.

Ada se levantou sem interromper o beijo forçando Leon a ficar de pé também, ela foi a primeira a começar a abrir a própria blusa, recebendo a ajuda do agente para fazê-lo logo após. Estava com o sutiã preto exposto quando ele lhe abandonou os lábios e a virou de costas para ele. O loiro a abraçou forte por trás enquanto as suas mãos percorriam todo o seu corpo pela frente, barriga, umbigo, seios. A espiã o segurava pelos cabelos enquanto ele a sugava o pescoço e pressionava sua ereção contra o seu traseiro.

Soltou-se do abraço e virou-se de frente para ele. Lentamente abriu o ziper da saia e deixou que ela fosse ao chão. Leon perdeu algum tempo admirando a mulher a sua frente, só se calcinha e sutiã, queria olhar cada detalhe dela, as pernas longas e bem torneadas, o quadril largo e perfeito. Se aproximou, tirou-lhe o sutiã, tocou os seios duros e perfeitos. Era era esbelta, músculos firmes, tinha algumas cicatrizes, uma na cintura, era grande, e Leon sabia perfeitamente onde ela a ganhou, mas tudo isso só a deixava ainda mais linda.

“ — Por Deus, você é linda.”

A espiã não queria conversa, calou a boca do agente com outro beijo e como resposta foi puxada novamente pela cintura num abraço, então se atiraram na cama fazendo-a ranger. Livraram-se dos sapatos. Leon se afastou um pouco para tirar a própria camisa, Ada prendeu a respiração com a imagem, era um corpo forte, bem definido, maravilhosos ombros largos... mas nunca viu um homem tão coberto por cicatrizes, cortes, queimaduras, tiros... em especial, uma no ombro esquerdo provocada pelo tiro que ele levou em seu lugar. Ela tocou-o devagar, deixou seu seus dedos passeassem do pescoço até a barriga, antes de puxá-lo para sí novamente.

E enquanto se beijavam, Leon arfava com a mão esperta de Ada, que encontrou uma maneira de massagear o seu sexo enfiando a mão por dentro de seu jeans, mas foi obrigada a parar conforme o quadril do agente ficou fora de alcance. O beijo na boca foi interrompido mais uma vez, e Leon seguia beijando-a o corpo... pescoço, colo, deu atenção especial aos seios, mordeu de leve os mamilos entumecidos, seguiu pela barriga, umbigo. Se afastaram novamente. Ada viu sua ultima peça de roupa ser tirada. Grande era a sua expectativa enquanto ele lhe beijava a parte interna das coxas, a virilha, gemeu quando ele chegou finalmente no ponto onde queria, quando finalmente teve a língua e os lábios ousados explorando sua parte mais intima.

Leon estava satisfeito, feliz em ouvir cada gemido de Ada que para ele já soava como musica, de sentir na própria boca o gosto da excitação da mulher que amava, poderia ficar alí ate o fim, até ela chegar ao clímax, mas não era isso que a própria queria. A espiã o puxou pelos cabelos com força e o obrigou a olhar para ela.

“ — Para com isso Bonitão, eu te quero dentro de mim.”

Se era um pedido ou uma ordem, tanto faz, ele também queria estar dentro dela. Abriu o botão e o ziper de seu jeans e deixou que Ada o ajudasse a retirá-lo. Em poucos segundos ele e já estava nu diante dela. E para provar que ela não estava brincando, ela mesma o derrubou de costas contra a cama e montou em cima dele. Leon adorou a ideia, era a sua primeira vez com ela, e preferia mil vezes vê-la em ação, aprender como ela gosta, aproveitar a visão privilegiada de vê-la alí de baixo. Usou as mãos para afastar os cabelos negros que caiam sobre a face revelando os belos olhos quase verdes, fechou os olhos e gemeu de prazer quando ela o colocou contra a sua entrada a desceu devagar, de uma vez só. Ela era muito mais gostosa do que ele podia imaginar, trincou os dentes e se controlou para não terminar alí mesmo... seria um vexame.

Puxou algum ar para dentro dos pulmões enquanto ela se movia devagar, ainda acomodando todo ele dentro dela, apoiou as mãos nos quadris perfeitos quando ela começou a se mover mais rápido, cavalgando para cima e para baixo, cada vez mais fundo, conforme o desejo de ambos aumentava, ele a puxava cada vez mais forte para baixo, movia ao quadris de encontro ao dela com a intenção de ir ainda mais fundo.

Ada gemia, gemia, e debilmente com a voz baixa e entrecortada, ela pedia: “ — Mais... Leon... mais... não... para...”

Ela não fazia ideia do quanto estava difícil se controlar, foi há muito tempo a ultima vez que fez sexo, e com quem foi, nem valia a pena lembrar, provavelmente ela era alguma estagiaria, ou temporária e de alguma outra repartição, e agora, ele tinha a sua fissura, sua ideia fixa, sua obsessão, a mulher que depois de tanto tempo ele só poderia classificar como amada, por mais que admitir esse sentimento em toda a sua plenitude possa vir a ser sua ruína, não existe outra palavra que a classifique, se o nome disso não é amor, então já virou insanidade.

Leon se retirou de dentro dela, escutando um gemido protesto de Ada como resposta, agora invertendo as posições. Colocou as belas pernas da mulher encaixadas em seus ombros, e se posicionou sobre ela, penetrando-a novamente, devagar. Beijou-a na boca a medida que a preenchia por completo, mas ela queria mais, e ele sabia disso. Aumentou a força e a velocidade das investidas, sentiu a dor boa dela cravar a unhas em suas costas, ela gostava assim, ele passou a invadi-la ainda mais forte, até que sentiu finalmente a mulher em baixo de si contrair-se toda virando os olhos que lacrimejaram com o orgasmo, não podendo mais diante disso, se segurar mais nem um segundo sequer, apenas foi com ela, derramando-se inteiro dentro dela, caindo exausto sobre o corpo da amada, sem ainda ousar sair de dentro dela.

Se beijaram novamente, Leon ainda se moveu mais um pouco... e sorriu por entre o beijo ao perceber que ela ainda sentia prazer nisso mesmo após o orgasmo, lamentou não ter mais energia para continuar imediatamente, pois tinha certeza que a levaria fácil ao segundo. “ — Me dê alguns minutos, amor.” — disse antes de retirar-se, com cuidado.

Deitou-se ao lado dela e a beijou, longamente. Agora estava feito, tudo o que foi pensado e não dito, tudo o que foi dito e não feito. Agora não há mais como nenhum dos dois negar, são amantes, são apaixonados, sempre o foram apenas nunca o tinham concretizado, mas agora, estava feito.

E a noite, só estava começando.

Continua...