“ — Eu realmente gostaria que você parasse de correr, temos muito o que conversar!” — Disse Ada para sí mesma, a respeito de sua sósia. A falsa Ada foi perseguida por Chris Redfield até o navio m que agora todos se encontram. A espiã conseguiu abater as criaturas alí contidas e finalmente entrar em uma sala vazia. Para sua surpresa, um escritório.

Vasculhou o local atrás de pistas. Havia uma maleta em que a espião não fez cerimônia em abrir... Sim, ela estava certa, alí continham pistas. Por quê alguém estaria se passando por ela? Por quê querer destruir seu nome? Por quê tanto empenho em transformar o mundo em um completo caos? Dentro da maleta, haviam documentos, um dispositivo de acesso e um pequeno gravador.

Os olhinhos puxados se estreitaram ainda mais, completamente ávidos para capitar toda aquela informação, paginas e paginas sobre um experimento científico com anos de duração. Fotos de Derek Simmons e uma mulher loira por todos os lados. Ada parou de ler. Sabia que aquilo deveria ser feito com muita calma, e tempo era algo que ela não tinha. Achou melhor ligar o gravador para escutar o que alí estava ao mesmo tempo que lia tais documentos.

Era a voz de Simmons...

“ Não, não! Não! Isso não é bom o suficiente! Não é Ada Wong!” … “ Por quê isso não funciona?” … “ Combine a sequencia de DNA com a estrutura dos casulos” … “ Então encontre outra cobaia!” … “ Use Carla da próxima vez, ela é uma boa escolha. Mas tome cuidado com o que diz perto dela, não quero que ela descubra,” … “ Isso! Isso!!! Assim! Ela pode ter me deixado, mas agora eu a tenho de volta... Feliz Aniversário... Ada Wong”

Ada escutava as palavras entrecortadas de Simmons a medida que lia todos os detalhes sobre os experimentos, sentindo um frio na espinha aterrorizante, como há muito tempo não sentia. E a ultima vez o motivo foi justamente Derek Simmons. Há quinze anos seus serviços foram contratados por esse homem, trabalharam juntos, e da pior maneira possível ela descobriu que o desejo daquele homem em tê-la era além da normalidade. Como sempre, ela usou esse fato a seu favor enquanto pôde. Até conhecer Leon e descobrir que ela mesma não era um ser tão desprovido de caráter e sentimentos quanto ela imaginava... Ela começou essa vida ainda tão jovem... e conheceu o seu amado policial jovem demais também, jovem o suficiente para mudar, a tempo de não cometer ainda mais erros. E por ter mudado tanto, ao saber que Simmons esteve envolvido com a destruição de Raccoon City, com o aprisionamento de Sherry Birkin, com o ocultamento de tantas provas... que a Umbrella Corporation não foi nada além de uma fachada para esconder algo tão maior, Ada fugiu. Não sabia dizer se o que fez foi certo ou errado, se deveria ter contado a Leon, se deveria ter trabalhado de maneira amis efetiva para a destruição da Família. As chances de conseguir sucesso eram mínimas, quase irrelevantes, mas ainda assim, era uma tentativa. Era o que o seu policial, o seu Leon teria feito... Pareceu a opção mais sensata. Diante de tantos problemas... Albert Wesker não passou de uma brincadeirinha de gato e rato... Comparado a Simmons, Albert Wesker nunca, jamais chegou a ser alguém repulsivo para Ada Wong.

Fez suas escolhas, até porque... como poderia imaginar que um dia, Simmons seria capaz de fazer algo tão monstruoso? Tão doentio? Quantas moças perderam a vida assim? Nas mãos de um Dr. Frankstein fissurado em transformá-las em uma especie de bonequinha erótica submissa aos seus desmandes e utilizando as técnicas mais nojentas e perigosas para isso? Ada sentiu a dor de cada uma delas, o desespero de não ter como fugir de um louco, de não possuir qualquer treinamento, manusear qualquer arma, de não ter chances de lutar contra um louco tão poderoso, de não ser uma “super espiã” capaz de fugir do sistema. Moças por quem antes ela sentia desprezo por serem fracas, hoje faziam Ada se sentir a fraca, a impotente. Ela, que um dia também fugiu daquele toque asqueroso, que um dia também teve aqueles olhos insanos devorando sua carne... aquele miserável tentando lhe botar as garras... Pobre Carla, ela tinha sentimentos por Simmons, ela foi traída de uma maneira tão perversa, foi seduzida, manipulada e no final forçada a ser cobaia de uma experiência insana para transformá-la numa outra mulher, a mulher que seu amado realmente desejava. Hoje a espiã pode dizer que sim, também é mulher, sim, também já amou alguém, amou o suficiente para perder a razão mesmo que por breves segundos que mesmo breves quase lhe custaram a vida... E sim, era capaz de se colocar no lugar dela, e agora entendia, como essa mulher foi levada a loucura.

Escutou o barulho de tiros e um helicóptero muito próximo dali, correu até a varanda para verificar o que houve. E então viu o corpo de Carla despencando até o chão, alvejada por um helicóptero, e seu corpo explodir com o impacto fazendo um barulho surdo de carne se partindo, o sangue espirrando violentamente para todos os lados, escorrendo em volta do corpo sem vida. Por um segundo, Ada sentiu o coração falhar, um sentimento angustiante de vazio, pelo terror que ela acabou de descobrir e também pela imagem de assistir a própria morte. Elas eram absolutamente idênticas, era como se visse a sí própria, morta e explodida, depois de usada feito um pedaço de carne. A espiã se controlou para não chorar.

Correu o mais rápido que pôde até o elevador. No caminho pôde escutar mais um sinal de rádio da BSAA. “ — Time Alpha, aqui é QG. Confirmamos que Ada Wong está dizendo a verdade. Tem um porta aviões completamente armado em águas abertas próximo de onde vocês estão. As imagens de satélite dizem que estão prontos para atirar misseis em terra. É imperativo que os impeçam de lançar até mesmo um!”. Era mais algo a se preocupar, Carla estava morta, mas seu plano de vingança ainda estava em curso.

Ada chegou até o corpo de Carla. Tentou manter sua indiferença tão importante para sua sobrevivência quando estava em missão.

“ — Seu ódio por Simmons fez você destruir o mundo que eles criaram. Mas foi a sua consciência, Carla, que viu você falhar... Afinal de contas, não foi por isso que você me colocou nisso? É uma pena... Se você tivesse buscado vingança apenas contra Simmons, eu teria ajudado você.” — Ada sabia o que Carla estava sentindo, ódio de sí mesma, mais do que de qualquer outra pessoa, por ter confiado e acreditado em Simmons, por não ser realmente a mulher que além de ser o alvo do desejo do homem que ela amava, ainda foi forte o suficiente para não se deixar ser pega, como ela foi. De saber que se ela fosse realmente como Ada Wong, Simmons nunca poderia machucá-la.

Um sussurro vindo do corpo fez Ada despertar. Era Carla, agora de olhos abertos. Ela não estava morta. Ela se contorcia copiosamente, vomitando uma liquido viscoso e fétido, Em um segundo, vomitou em direção a Ada, um vomito ácido que a espiã se esquivou. Carla colocou-se de pé, com seu corpo se desfazendo em uma massa esbranquiçada que se espalhava pelo chão. Ada se lembrou, há alguns anos, sobre Leon ter relatado o fato de Simmons ter sido atacado por uma B.O.W. Muito parecida com ela, que se desfez no chão...

“ — Se toca! Me ajudar?” — Disse Carla, sua voz agora modificada, como o rugido de uma legitima criatura monstruosa. “ — Eu sou a verdadeira Ada Wong! Não preciso da ajuda de ninguém! Meus planos não estão falhando, estão tendo sucesso.” — Ela deu um ultimo grito antes de seu corpo, agonizando de dor se desfazer completamente de sua pele e carne, se transfonado uma peça única de B.O.W. Gosmenta e esbranquiçada. Que derretia em litros, se espalhando pelo chão enquanto borbulhava. “ — E logo... essa frágil sociedade, será destruída! Depois disso, você sabe o que restará desse mundo? Nada! O inferno surgirá e o caos reinará!”.

Carla finalmente se desfez no chão, mas seu corpo liquido ainda borbulhava, era ácido, fétido e quente, se espalhando por todas as estruturas do convés. Pelo chão, pelas paredes. Ada sabia que era tudo um organismo vivo, as gargalhadas de Carla ainda ecoavam pelo ar.

“ — E eu! Ada Wong serei a rainha do novo mundo!”

Ada percebeu o primeiro ataque da BOW Carla agora transformada vindo em sua direção, correu até o interior do navio novamente, fechando a porta. “ — Odeio estragar seus planos, mas você não passa de uma imitação barata, no máximo.” — Seja lá qual foi a minima compaixão que em algum momento sentiu por aquela mulher, agora, já acabou. Carla não era uma BOW irracional como a pobre coitada da Deborah Harper, Carla era pensante, dominada por loucura e cobiça, e muito provavelmente, se apaixonou por Simmons justamente porque ambos não eram tão diferentes assim. — “ — Descanse em paz, Carla.”

A espiã correu para encontrar uma rota de fuga, talvez lutar contra aquela criatura, agora, não valesse a pena. A bem da verdade, é que criaturas enormemente bizarras, sempre foram especialidade do Leon, com sua ajuda é claro, mas nessa parceria acidental em que ambos sempre trabalharam ao longo desses quinze anos, Ada nunca os enfrentou sozinha, e a única vez em que o fez, quase morreu. “ — Ela deve ter injetado em si uma dose poderosa do vírus C.”

Carla transformada, simplesmente “escorria” pelas paredes... borbulhando e formando massas que tentavam bloquear o caminho de Ada até o elevador. O ambiente ia ficando cada vez mais assustadoramente sombrio enquanto a B.O.W. Gritava. “Eu sou Ada Wong! Eu! Eu sou Ada Wong! Derek.... Derek....”. Ela se transformava em garras meladas e esbranquiçadas que saiam das paredes e tentavam agarrar Ada, que corria desesperadamente. Se transformava num grande rosto disforma, cheio de presas que tentava abocanhar a espiã.

Ada finalmente avistou o elevador no fim do corredor, mas o acesso doi finalmente bloqueado pela Carla-monstro.

“ — Eu odeio você! Odeio! Eu vou te matar!” — Carla gritava.

A espia equipou sua besta com flechas explosivas e atirava o quanto podia contra a criatura, que sempre se regenerava. “ — Algo tão grande e ainda emocionante... É hora de você calar a boca, Carla.”

“ — Você é uma falsa, eu sou a verdadeira Ada! Morra!” — A voz de Carla era insana e fantasmagórica. “ — Eu vou comer a sua carne e sugar o tutano dos seus ossos!”

Ada percebeu que quando abria uma pequeno espaço por entre o bloqueio do corpo mutante de Carla, tinha por alguns segundos, acesso aos galões de gás que estavam atrás dela. Equipou mais algumas flechas e perfurou o bloqueio, depois, atirou em um galão.

Houve uma explosão e então o bloqueio se desfez. Ada não via uma nova mutação surgir, não escutava mais a voz de Carla.

“ Eu consegui...”

Correu até o elevador que finalmente a tiraria dalí. “ — Você tentou destruir o mundo, agora destruiu o seu corpo. Espero que seja isso o que você queria.”

No andar superior do navio, Ada encontrou o que precisava, um helicóptero armado. Não sabia exatamente o que encontraria em seu caminho até o laboratório indicado nos documentos, mas com certeza sabia que circular a pé por aquela cidade infestada de zumbis e outros infectados, não era a melhor saída. Deu uma ultima olhada no perímetro após de decolar, viu um caça da BSAA partir. “ — Vou deixá-los arrumar a bagunça da Carla.”. Ela entendia o porquê a perseguiam, e os observou com uma expressão triste. Não sentia raiva de nenhum deles... mas estava surpresa por sentir tanta mágoa por ter sido difamada. Nunca esperou que alguém uma dia pensasse que ela era uma boa pessoa, nem mesmo Leon... Mas por outro lado, se importava e muito de saber que agora todo o mundo pensa ser ela, a responsável por tanta morte, tanta desgraça... e provavelmente, Leon, inclusive. Olhou o dispositivo de segurança uma ultima vez. “ — Enquanto eu cuido de Simmons.”

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Leon e Helena adentraram no local indicado por Sherry, a principio, nel ela ou Jake ainda estavam lá. Porém seu alvo, sim.

“ — Simmons!”

“ — Ora isso é inesperado!” — Disse ele, cercado por capangas armados.

“ -Esperem!” — Gritou a moça correndo em direção a eles.

“ — Agente Birkin, bem na hora. Leve esses dois com você, está bem?”

“ — Eles dizem que você estava envolvido com o ataque terrorista, é verdade?” — Sherry vomitou. De uma vez.

“ — O quê? Eles estão nas ruas, gritando isso para quem quiser ouvir?”

“ — Me responda!”

“ — É para o bem dos Estados Unidos, e da segurança global.”

“ — Eu não sei como a morte do Presidente é boa para o país.” — Disse Leon que até então assistia a tudo com sua pistola empunhada.”

Sherry olhou para Leon. Adam estava morto... o homem que a ajudou quando ela estava presa no Pentágono. “ — O Presidente está morto?”

“ — Bem, podemos agradecer ao Leon por isso.” — Simmons respondeu, sarcástico.

“ — Vai pro inferno Simmons!” — Gritou Helena.

“ — Livrem-se deles” — Ordenou o chefe, finalmente.

Os capangas começaram a atirar, forçando o quarteto, Leon, Helena, Jake e Sherry a se protegerem.

“ — Não atirem! Aqueles dois ainda são úteis para nós” — Gritou Simmons, se referindo a Jake e Sherry.

“ — Você tem que ter mais cuidado!” — Leon repreendeu Sherry.

Jake mais uma vez se irritou com o jeito que o agente a tratava. “ — Tudo bem, tudo bem! Qual é o seu plano agora, Herói ?!”

Leon instintivamente procurou uma rota de fuga. “ — Vocês conseguem chegar até aquela porta?”

Jake se irritou ainda mais. “ — Por quê não os matamos?”

“ — Por quê eu preciso que você cuide da Sherry.”

O mercenário se sentiu ligeiramente incomodado com isso, mas ao mesmo tempo aliviado. Sherry era importante para aquele homem, e isso era sincero. E Jake tampouco se importava com os Estados Unidos, nasceu em meio a uma guerra, cresceu lutando em uma, nunca imaginou um mundo que fosse de outro jeito, para ele nada mudaria, e tudo o que sobrou foi salvar a única coisa boa que um dia já lhe aconteceu, e era Sherry. Sendo assim, ambos estavam de acordo.

Ela não queria ir. “ — Mas o que vocês vão fazer?”

“ — Acabar com o Simmons!” — Respondeu Helena.

Sherry pegou um cartão de memória do bolso, e entregou para Leon. “ — Aqui tem informações que podem parar o vírus C. Simmons as quer.”

“ — Obrigado. Eu vou fazer uma chamada para a FOS e ver se consigo alguma proteção.” — Equipou suas pistolas e gritou — “Agora movam-se!”

Leon e Helena atiravam nos capangas de Simmons enquanto Jake fugia com Sherry. Isso não passou desapercebido de Simmons, que já aproveitava a confusão para deixar o local. “ — Avise os homens la fora.” — Ele disse enquanto se retirava... contudo, teve seu caminho impedido por um homem, armado com um lança dardos. O homem alvejou Simmons no pescoço. Ele estremeceu por alguns segundos retirando o dardo de sí. O observou... sabia muito bem... ela o infectou.

Os agentes viram um Derek Simmons caminhando debilmente até o lado de fora, e o seguiram. Ele não parecia nada bem, gemendo e trocando as pernas como um bêbado, depois se contorcendo e gemendo de dor até finalmente cair sobre um trem em movimento. Sem pensar duas vezes correram e saltaram também.

“ — Simmons! Volte aqui!” — Gritaram, perseguindo o moribundo até o último vagão. Ele falava ao telefone, e parecia transtornado. “ — Desista Simmons, nós pegamos você!”

“ — Você ainda esta me perseguindo quando aquela mulher ainda esta a solta?” — Simmons gemeu.

“ — Que mulher?” — Perguntou Leon

“ — Aquela traidora, Ada Wong.”

Leon engoliu em seco, sentindo um estranho e ao mesmo tempo familiar frio na barriga quando o assunto são as acusações que ele escuta volta e meia alguém fazer sobre Ada. O sentimento de certeza de que ele a conhece, e sabe que ela é inocente, sempre, mesclados com a dor de ter mais uma traição, mais uma mentira revelada, onde todos os fatos e pessoas falam contra Ada, e só o seu coração fala a favor. Anette Birkin, Chris Redfield, Jack Krauser.. tantas pessoas... e agora, até Simmons. Não respondeu, como nunca responde, escolhendo sempre ficar sozinho com suas próprias duvidas e suas próprias certezas trancadas à sete chaves nas profundezas de seu coração. E Simmons prosseguia. “ — Você sabe o que ela tem guardado...”

“ — Outra equipe foi atrás dela.” — Definitivamente, não queria mais ouvir, nem discutir sobre Ada. “ — Mas você, Simmons, é todo nosso!”

“ — Estão aqui para vingar o Presidente, é isso? Seus tolos! Se ele tivesse descoberto a verdade sobre Raccoon City... os Estados Unidos perderiam sua autoridade, e a ordem de politica global teria sido destruída!”

“ — Então para evitar um possível desastre você cria outro, não importa quantas pessoas morram?” — Gritou Helena.

“ — Ele tinha que ser detido! Ele estava levando o meu país e o resto do mundo a um completo caos.” — Ele dizia entre dentes enquanto tinha o corpo lentamente mutado, com algum tipo de mal formação no rosto e veias enegrecidas. Levou as mãos até a nuca, onde lhe foi injetado o virus e gemeu de dor. Leon encarou aquilo de maneira familiar, imaginando que diabos aconteceu com Simmons. “ — Aquela mulher... Como ela ousa fazer isso comigo?”

Os agentes se prepararam quando o corpo de Simmons pegou fogo, mas ele ainda estava vivo, quando o fogo cedeu, ele gritou e seu crânio abriu. A partir daí toda sua carne se abriu também, nascendo uma criatura horrenda e enorme, com ossos e músculos expostos, com quatro patas e que os atacava cuspindo ossos como se fossem tiros.

“ — Helena, corre! Vamos manter uma certa distância enquanto ainda é possível!” — Leon corria para o outro lado do trem, agora no interior dele. Para piorar o trem pegou um túnel. Lembrava perfeitamente da ultima vez que fugiu de um monstro gigante dentro de um vagão em um túnel, foi há quinze anos, Willian Birkin mutado.

“ — Vão se foder! Fodam-se os dois! Eu os matarei com as minhas próprias mãos!” — Simmons ainda era capaz de falar, e sua voz era um rugido. Quando ele rugia, Leon e Helena sentiam a cabeça doer, prestes a explodir chegando a perder o equilibro com a tontura.

Precisavam ganhar mais espaço, pois eram necessários muitos tiros para provocar dano na criatura. Alternavam, corrida com tiros de tempos em tempos. Quando viram finalmente seus ataques surtirem algum efeito, a criatura monstruosa se compactando inteira novamente dentro de um corpo humanoide de Simmons. Leon correu até ele, derrubando-o no chão e socando-o sucessivas vezes., quando percebeu que a criatura estava para vir à tona outra vez, correu para tomar uma distancia segura para tiros.

Simmons acabou derrubando Helena que estava mais próxima, Leon correu para socorrê-la, atirando nele mais de perto, fazendo-o tomar a forma humanoide outra vez. O agente então o derrubou novamente, socando-o o quanto podia.

Simmnons estava nocauteado, com o corpo banhado a sangue.

“ — Helena você está bem?”

“ — Nós o matamos?”

Quando o agente se aproximou para conferir, Simmons acordou, pegando Leon pelo queixo e arremessando-o para um outro trem em movimento. Gritando, se transformando novamente em criatura e saltando para persegui-lo.

“ — Leon! Ele está atrás de você, corre! Saia desse trem, eu o mantenho ocupado!”

Helena usava o fuzil para distrair Simmons, enquanto Leon corria. Quando o túnel finalmente acabou, veio a primeira curva, ambos os trens se aproximaram e Leon saltou de volta para onde Helena estava.

“ — Seu vermes, ignorantes e insignificantes! Eu vou destroçar vocês!”

Simmons atirava ossos que tinham o peso e a velocidade de uma metralhadora. Era uma BOW poderosa que até agora parecia impossível de destruir. Ele corria com a mesma velocidade do trem, atirando ossos contra Leon e Helena que eram forçados a se protegerem dentro do vagão.

Um trem na direção oposta se chocou contra Simmons, e este destruiu o trem permanecendo intacto. Ele tomou a direção em encontro ao trem de Leon novamente, e se chocou contra ele, depois do segundo atropelamento, finalmente tomando a forma humana outra vez.

“ — Vocês não sabem, o que vai acontecer se eu morrer!” — Transformou-se outra vez.

“ — O mundo será um lugar melhor.” — Disse Leon.

O trem cruzava o canal quando avistaram um helicóptero, eram os capangas de Simmons. “ — Deixem-no, vamos embora.”

“ — Não! Como a minha família pode me abandonar?” — Simmons urrava de maneira desesperada, perdendo o equilíbrio e caindo novamente nos trilhos. Quando o trem o atropelou, o sangue espirrou contra os vagões, que com o impacto descarrilharam.

Leon calculou uma distancia de salto para a aguá. “ — Helena, pula!” — Ambos saltaram caindo na água.

Escutaram a explosão ao longe a medida que nadavam até a margem. Já podiam escutar os soldados da BSAA em seus rádios de ouvido.

“Estamos escoltando civis and Tatchi até um lugar seguro. Câmbio.”

“ — Acabamos com ele? ” Perguntou Helena

“ — Eu não sei, mas fizemos o possível.”

Ao chegarem até a primeira via publica, ambos os agentes observaram os soldados evacuando a área, cheia de sobreviventes, quem qualquer sinal de infecção pelo vírus C, absolutamente tudo sob controle.

Helena o encarou emocionada. “ — Acabou?”

Leon sorriu. “ — Sim. Acabou.” — Respondeu, tomado por uma sensação de alívio. De finalmente ver que a ameaça maior estava contida, Simmons morto, vidas salvas... poderia respirar um pouco, poderia inclusive, iniciar uma real investigação sobre tudo o que aconteceu. Limpar o seu nome, o de Helena... estava livre para ir atrás de Ada, para tirar a limpo tudo o que acabou de acontecer. Recebeu um chamado de Hunningan.

“ — Leon, Temos um problema. Sherry e seu companheiro foram raptados. Nosso satélite os coloca numa plataforma petrolífera acerca de 80km da sua posição.”

“ — Raptados, por quê?”

“ — Os arquivos que ela nos deu” — Helena o lembrou.

Leon imediatamente colocou o cartão de memória em seu celular, onde continham todas as informações sobre os experimentos em Sherry, e especialmente... em Jake Muller. Assustado, principalmente por descobrir finalmente quem era Jake, filho de quem, e sua importância o agente sabia quem deveria chamar e pediu a Hunnigan um contato com a BSAA.

“ — Sim, tem um tal de Chris Redfield na linha.” — Para a sua sorte, o contato mais próximo, era justamente a pessoa quem ele tinha em mente.

“ — Chris?”

“ — Leon, Leon! Onde você está?” — Chris berrava, desesperado.

“ — Estamos na entrada de Tatchi, por quê?”

“ — Dá o fora daí!”

De dentro do caça da BSAA, Chris viu a detonação acontecer, e a enorme fumaça toxica tomar conta da cidade. “ — Merda!”

“ — Chris, as coisas acabam de ficar piores, bem piores!”

Leon observou o caos se instalar na rua, zumbis devorando pessoas e soldados que antes estavam tão aliviados e cheios de esperança. Contudo tinha outra preocupação agora. “ — Chris, eu preciso que você resgate dois reféns em uma plataforma: Sherry Birkin e Jake Muller, o filho de Albert Wesker.”

Chris engoliu em seco... lembrou-se de um rapaz mal encarado que estava com Sherry seis meses atrás, e do sentimento que teve, quase que o reconhecendo imediatamente, chegando até a perguntá-lo se eles já não se conheciam. “ — Wesker?!”

“ — Chris, ele é portador dos anticorpos para o vírus C.”

“Oh meu Deus!” - O capitão pensou. — “ — Sim, entendido. Eu estou a caminho.”

“ — Ótimo, muito obrigado.”

“ — Leon espere... tem algo que eu preciso te dizer.” — Disse Chris... com a voz baixa e oscilante, algo muito incomum dele. O capitão sentiu um pesar profundo por dar a noticia, em especial porquê fez o que Leon lhe pediu, porquê não matou Ada Wong... também porquê sabia o que o agente sentia, porquê viu o desespero dele em protegê-la. Mas aconteceu... foram outros homens que o fizeram... mas aconteceu... — Contou alguns segundos, envergonhado — “ — Ada Wong está morta.”

Leon sentiu o ar faltar naquele momento. Abaixou a cabeça e abriu a boca na vã tentativa de inspirar um ar que já não existia mais. Helena viu as mãos dele tremerem, não haviam lágrimas, mas os olhos brilhavam úmidos, olhando para todos os lugares... e para lugar nenhum.

“ — Entendido.” — Disse num sussurro, de voz engasgada como quem se esforçasse demais para não perder a fala. — “ — Sherry e Jake precisam de você, não os desaponte.”

Helena não entendia... o porquê dele resistir em mostrar o que sente, insistir em ser tão contido. Ela podia sentir o choque e o sofrimento dele, lutando para não tremer, lutando para puxar o ar, os olhos úmidos, segurando as lagrimas como fosse vergonhoso assumir que elas estavam ali, querendo sair, mesmo com meio mundo o condenando de sua dor ser por Ada Wong. Era tão perturbadora aquela expressão de dor, que ela própria sentia vontade de chorar. “ — Você está bem?”

Leon viu os olhos de Helena rasos d´água. Mas aquele não era um problema dela. Nem dela, nem de ninguém. Ada era uma parte dele, da sua vida, sua estória, ela era seu acerto, erro, sua falha, sua fraqueza, seu segredo, seu pecado... E aquela era a sua dor. E ele nunca iria, nem queria, dividir isso com ninguém. “ — Vamos apenas encontrar os sobreviventes e ir embora daqui.”

Continua...