Resident Evil - A Leon & Ada Side Story
23 Capítulo 23 Leon vs Chris!
Notas iniciais
30 de Junho de 2013
Espaço aéreo Chinês
Helena Harper era aquele tipo de pessoa que sempre se irritava em banheiros públicos. Duas folhas de papel nunca eram o suficiente para secar as suas mãos, e aquele jato de ar quente era definitivamente uma enganação. Terminou de secar as mãos nas próprias roupas, enquanto caminhava de volta para o seu acento. De longe ela podia observar o homem que agora, para todos os efeitos, era seu marido. Pelo menos era o que diziam seus documentos... Riu nervosamente. Para ela, estar casada, era de todas as tragédias que já aconteceram em sua vida, a menor.
Leon tinha um olhar distante, perdido em algum ponto do céu negro. Ele era tagarela, tinha cantadas infames e piadas que Helena não achava nenhuma graça, mas sobre o assunto que o incomodava, ele nunca dizia uma palavra, era um poço de silêncio de discrição. Porém, ela tinha algum palpite sobre o que roubava os pensamentos do seu digníssimo esposo, Sr. Joel James Adams. Ele comprou todos os jornais do dia, e nem piscava quando lia qualquer noticia sobre Ada Wong.
Ada aparecia como a líder da organização Neo-Umbrella, que se assumiu responsável por todos os ataques. “Impossível, isso não faz o menor sentido!” ele repetiu, incontáveis vezes em voz alta, não para ela, mas para sí mesmo.
“ — Então era isso o que você queria dizer com não saber se podia confiar nela?” - Helena perguntou uma vez. E a resposta foi um olhar preocupado de Leon, o loiro procurava as palavras e não as encontrava. Quando as encontrou, abriu a boca para dizer... E Helena se preparou, ela sabia que iria escutar naquele momento, tudo e mais um pouco sobre a estória daqueles dois... e um segundo depois, por algum motivo, ele apenas mudou de ideia, e se calou. Os olhos azuis pousaram mais uma vez sobre a foto daquela mulher de vestido azul e lenço vermelho... “ — Não... não é isso... É... complicado.” Foi tudo o que ele disse.
Ele a ajudou quando ela mais precisou, e ainda a estava ajudando. Era um ser humano raro, tudo o que ela gostaria de fazer era algum dia, ter a oportunidade de retribuir. Mas respeitava o isolamento dele em relação a Ada... Era um caso obviamente... complicado.
“ — Acabamos de entrar no espaço aéreo chinês” — Ela trouxe o agente que estava perdido nas estrelas, de volta.
“ — Bom.” — Leon prestou mais atenção em Helena. A face abatida, tão preocupada. Como ela tinha os ombros caídos e nunca erguia o rosto, sempre suspirando longamente. “ — Ei... como está indo?”
Ela estava muito, muito infeliz. “ — Por quê você não me entregou?” — Não adiantava ele fazer aquela cara de bonzinho, não adiantava ele parecer tão companheiro e preocupado...muito menos aquela vozinha doce com aqueles olhinhos azuis tão sinceros. Nada fazia Helena se sentir melhor. — “ — Você poderia ter limpado o seu nome.”
“ — Talvez...” — Ele sorriu como se essa ideia até o agradasse de alguma forma — “ — Mas isso não deteria o Simmons.”
Helena sacudiu a cabeça numa negativa.
Leon alargou ainda mais o sorriso “ — Além disso...” — Ele definitivamente gostava, e muito, de provocar aquela mocinha — “ — Eu comecei a gostar de você, um pouquinho!”
Helena não tinha forças para retrucar ou soltar algum palavrão, se limitou a fazer sua melhor cara de desprezo, Leon aprendeu que sim, é possível alguém te dizer “Enfia o dedo no cú e rasga?” apenas com um sorriso amarelo.
Leon conseguiu o que queria, enquanto ela estivesse irritada, não estaria triste. E de quebra, ele também percebeu, que enquanto se distraía provocando Helena, ele não pensava... nela. Sentia que poderia fazer isso um dia inteiro, e agora mesmo continuaria fazendo, se o barulho de um alarme não os interrompesse. O avião começou a chacoalhar, mas definitivamente não era uma turbulência.
Helena assistiu o parceiro correr até a cabine do piloto, e simplesmente foi atrás. Quando chegaram lá, não mais se surpreenderam ao encontrar mortos na cabine, e o piloto transformado numa B.O.W.
O loiro empunhou sua arma. “ — Você não está achando que essa coisa pode pilotar o avião, está?”
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Waiyip — China
Ada recarregou suas armas antes de seguir ao seu destino. Suas pistas indicavam que haviam provas importantes em um navio porta aviões no porto de Lanching. Sua querida irmã gêmea-má ter escolhido não somente a China, mas, exatamente essa cidade, Waiyip ser destruída primeiro, era apenas mais um dos muitos indícios de que esses ataques eram... pessoais. A espiã lembrava de como aquelas ruas eram... há tantos anos atrás... Agora tudo parecia tão moderno, tão diferente... mas em sua memória ainda estava viva, a imagem de uma jovem chinesa, solteira, sendo apontada na rua por carregar a sua filha mestiça... muito, muito pequena, com nem três anos de idade, “a filha bastarda do estrangeiro”... Era o que diziam.
“ — QG, Aqui é o Líder Alfa, preciso da localização de Ada Wong.” — A espiã podia interceptar as ondas de rádio da BSAA. — “ — Aqui é QG, temos uma localização para vocês. Ada Wong deixou a cidade e está indo para o Sul do porto.”
“ — Estão dando uma festa para mim, e eu ainda nem cheguei...”
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O avião estava despressurizado, ambos os agentes não entendiam muita coisa sobre o funcionamento de uma aeronave assim tão grande, mas tantos alarmes apitando, definitivamente não era um bom sinal.
“ — Jesus Cristo, até onde isso pode piorar?” — Disse o loiro.
Hunnigan os orientava pelo radio: “ — Quando abriram a portinhola, vocês desestabilizaram o avião deixando a pressão sair! Leon, você vai ter que assumir os controles!”
Leon não pode nem rir da própria desgraça. “ — Eu temia que você fosse dizer isso.” Olhou para Helena e sentou-se no lugar do piloto. “ — Ótimo! Eu vou pilotar! E você faça alguma coisa com esses infectados!”
“ — Deixa comigo!” — Helena empunhou sua handgun e começou a abater os zumbis que iam até a cabine, um a um...
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Fazia muito tempo, talvez anos... para falar a verdade, a ultima vez foi na Espanha... em que Ada corria de algum tipo de louco com uma motosserra! Tudo bem, faz parte... ainda estava muito em forma, e acabou de tirar a prova!
Saltou por prédios, plataformas de bambú, ônibus em movimento, e agora, estava alí, de pé em cima de um trem. Uma garota foge como pode... E lá do alto, ela viu surgir, vindo diretamente do céu... um enorme Boeing 787 em pane, passando a não muitos metros de sua cabeça, provavelmente num pouso forçado...
“ — Uau, parece que alguém realmente quer ver esse mundo queimar..”
Se o pouso foi bem sucedido ou não, nem Deus sabe, Ada pode apenas ver a explosão por onde ele passou.
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Sherry e Jake viram a explosão e foram checar o que houve. Em meio aos destroços... o filho de Albert Wesker viu os olhos de sua parceira brilharem como nunca antes dentro desses seis meses.
“ — É ele...” — Ela disse emocionada, e deixando Jake para trás correu até o casal logo a frente. Um homem, alguns anos mais velho, loiro e uma moça mais jovem. “ — Leon!”
“ — Sherry?!” — perguntou, visivelmente surpreso em vê-la — “ — O que você está fazendo aqui?”
“ — Estou no detalhamento de proteção.”
Leon olhou curioso para o enorme rapaz de cabeça raspada ao lado dela, ele era mal encarado, tinha uma grande cicatriz no rosto e não parecia nada feliz em vê-lo, afinal o encarava de cima a baixo. “ — Ah... eu escutei que você se tornou uma agente.”
“ — E o que você, faz aqui?”
“ — Estou atrás do homem por trás disso tudo, o Assessor de Segurança Chefe Simmons. “
“ — O quê? Deve haver algum engano, eu me reporto a Simmons!”
O olhar de Leon se tornou severo, como de quem finalmente fosse botar as mãos em alguém. “ — Ele é o seu supervisor?”.
Jake não gostou da maneira que ele falava com Sherry, ameaçadora, como se ela fosse uma criança, como se ele mandasse nela. Afinal, quem era esse sujeito?
“ — Eu estou indo encontrar com ele agora mesmo.” — Disse Sherry.
“Por quê ela ainda continua respondendo esse cara?” - Pensou Jake fazendo uma careta.
“ — Onde ele está?” — Perguntou o agente trincando os dentes.
Sherry estava assustada, por alguns segundos perdeu a fala. Era Leon... ninguém mais ninguém menos que Leon... só podia ser verdade. Mas... Simmons... foi seu tutor, foi quem a tirou daquele lugar horrivel, quem custeou seus estudos, a transformou numa agente... E... Leon...
Vendo a confusão daquela que ele sempre viu como uma menina, mesmo sabendo que ela era mais velha que a própria Helena, sem receber qualquer resposta e aflito, completamente desesperado para deter Simmons, Leon rosnou... “ — Eu preciso saber...” enquanto dava passos à frente, sem perceber o quão parecia ameaçador... sem perceber que Sherry, assustada, recuava passos para trás.
Foi demais para Jake. “ HEY!” — o rapaz berrou enquanto avançava empurrando Leon para longe com um tapa no peito.
“ — Jake!” — eles iam começar a brigar! Sherry percebeu que, por algum motivo, muito irônico, os dois únicos homens por quem ela um dia se interessou iam sair no braço alí mesmo. Se colocou entre os dois, puxando Jake para sí. Segurando-o pelo braço com seu toque suave, aliviada por saber ele que isso era o suficiente para acalmá-lo.
Leon e Jake se encaravam enquanto Helena não tirava a mão de sua pistola, pronta para sacá-la há qualquer momento.
“ — Me deixa cuidar disso.” — Disse Sherry, finalmente.
Jake bufou, e deu um puxão em Sherry pelo braço puxando-a para sí. Era estranho... o rapaz era enorme, e ela tão baixinha e delicada, não parecia ter sido de proposito, mas um puxão dele, fez com que Sherry quase fosse arremessada para uns três passos além da capacidade de suas pernas. Leon não gostou de ver o jeito que ele se comportava, como se fosse dono dela.
“ — Pensei que as ordens fossem para evitar contato...” — O mercenário encarou Leon novamente. “ — Com qualquer um!”.
Sherry puxou o braço das mãos de Jake, ele não fazia ideia da força que tinha as vezes. “ — Leon não é qualquer um! Ele salvou a minha vida em Raccoon City!”
Então o mercenário se lembrou. A conversa que tiveram na cabana... “Leon e Claire, os melhores amigos que eu já tive.” Ela havia dito. E agora ela o encarava, aquela tampinha, olhando “lá de baixo”, com o nariz empinado e sentindo tanto orgulho ao falar “daquele cara...”.
“ — É justo.” — O ruivo respondeu encarando Leon novamente.
Nisso Helena viu, uma enorme turbina de avião sendo arremessada por “alguém ou alguma coisa” indo na direção de Sherry “ — Cuidado!”
Leon correu para salvá-la, ela parecia ter tido como o primeiro reflexo de defesa, correr de volta para ele. Mas Jake foi mais rápido, puxando a loirinha contra o corpo, levando-a ao chão, desviando do ataque e usando o próprio corpo como escudo para protegê-la.
O agente ficou aliviado em vê-la sã e salva, e, não precisava ser muito esperto para perceber que entre aqueles dois, já existia “algo mais”.
“ — Leon! Alí, no avião!” — Helena apontou para a criatura, definitivamente enorme, ele urrava e possuía uma garra de aço no lugar de um braço.
“ — Ele, de novo!” — Resmungou Jake.
“ — Seu amigo?” — Perguntou Leon
“ — Tá mais pra uma ex-namorada! Não sabe a hora de desistir!”
Ambos apontaram suas armas.
“ — Bem vindo ao clube... Você se acostuma.” — Brincou Leon.
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Ada captou o sinal de radio da BSAA outra vez, sua sósia foi vista perto do canal. Devera correr para lá, o mais rápido possível. Não via a hora de finalmente conhecer, o que seria a criatura capaz de fazer tantas pessoas realmente acreditarem ser ela, a verdadeira Ada Wong.
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Ustanak, a enorme criatura que perseguia Jake e Sherry, parecia ter sido abatida após a queda de uma enorme torre. Houve uma explosão , e com isso, foram separados de Leon e Helena. Sherry escutava Leon gritar seu nome...
“ — Leon! Nós vamos para o prédio Kwum Lung, lá em Koo Cheng! É lá que eu vou me encontrar com Simmons!”
“ — Sherry! Me escuta, até chegarmos lá, eu preciso que você...” Leon tentou avisar algo, mas houve outra explosão.
Não conseguiram mais contato, Sherry tentou achar alguma maneira de chegar até ele, porém Jake não a deixou.
“ — Ei! Se ele for metade do homem que você diz, ele vai ficar bem, ok?” — Disse o mercenário.
“ — Você está certo. Vamos nos apressar.”
Do outro lado, um Leon resmungava com Helena. “ — Vamos torcer para esse rapaz ser tão bom quanto ele pensa que é.”
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Finalmente Ada Wong chegou ao canal. Podia contemplar a vista da sacada do prédio onde estava. Usou a mira de seu riffle para verificar detalhes, e acabou sendo surpreendida com a imagem de uma mulher baixa, loira, aparentando ser bem mais jovem do que realmente é, e sim, ela a conhecia há muito tempo.
“ — Sherry Birkin” — Sorriu. Arrastou a mira para o lado e encontrou um rapaz ruivo, bem alto e bastante forte. “ — E esse deve ser o portador do anticorpo para o vírus C.”
Então Ada percebeu o quanto eles estavam aflitos, começaram a correr, o barulho da motosserra confirmou suas suspeitas. “ — E parece que não estão sozinhos”. Recarregou o rifle e mirou bem no ponto fraco daquela B.O.W. exatamente igual a que ela derrotou não muito tempo atrás. Atirou. O jovem casal olhou confuso em sua direção mas sem conseguir identificar de onde veio o tiro. Tomaram uma balsa e a colocaram em movimento.
“ — É... parece que os novatos precisam de ajuda.” — A criatura ainda não estava morta. “ — Suponho que deva retribuir a bondade que recebi dos seus pais... E essa é uma hora tão boa quanto qualquer outra.”
Ada correu até as plataformas de bambu que circundavam o prédio onde estava. Saltou plataforma por plataforma, usando sua grapple gun para saltar uma por uma.
Eles estavam na sacada de uma construção flutuante, e alí apareceu uma segunda criatura de motosserra. “ — Por que será que nada permanece morto hoje em dia?”. Descarregou sua munição na criatura, enquanto os novatos lutavam como podiam.
A criatura então, atordoada, caiu contra uma enorme construção chinesa, muito iluminada, tomando uma descarda elétrica, antes de ser esmagada por sua queda. “ Espero que essa seja a ultima vez que eu te vejo! Ah, Wesker Junior... Não é fácil trabalhar com os bonzinhos, né? ”
Ela sabia bem, e muito bem do que estava falando... Continuou a correr pelos arredores procurando um bom ponto de vista para ajudar usando o riffle sem ser vista. Enfim avistou uma plataforma de ferro, mais alta que todas as outras. Usou sua grapple gun novamente e chegou até lá.
Usou a mira de sua sniper para vê-los novamente , estavam dentro de outra balsa, e a B.O.W. Ainda viva. “ — Essas coisas são tão difíceis de matar.”. Descarregou mais um pente de balas na criatura. Percebeu que bem abaixo de seus pés haviam enormes vigas de aço. Usou sua besta para romper as correntes e fazer com que todas essas pesadas vigas caíssem sobre a B.O.W. O mais divertido, era ver a cara de Jake Muller, sem saber de onde estava vindo a ajuda.
“ — Acho que acabou. Bem, esses dois teriam se dado mal se não fosse por mim, hã.”
Se preparava para ir embora, quando decidiu dar uma ultima olhada. A balsa atracou e o casal já estava pronto para ir.
“ — Essa foi a pior viagem de barco desde o Titanic!” — Gritou Jake. Do alto, havia um helicóptero em chamas, e por baixo da balsa, a maldita motosserra... a criatura ainda viva, atacando-o novamente, levando Sherry para longe.
Ada bufou. “ — Hora de salvar o dia de novo! Pobre Sherry, os monstros adoram te perseguir...” Sem paciência para perder mais tempo alí, Ada usou sua Grapple gun, para saltar até a loira, tomá-la nos braços e colocá-la a salvo ao nos braços de Jake.
Sherry não soube direito o que aconteceu. Só sabe que foi arrancada de onde estava por “algo” que chegou voando, como se tivesse sido salva pelo Homem Aranha ou o Batman, e jogada diretamente nos braços de Jake.
Jake Muller também não soube explicar. Num segundo, Sherry “voou” até ele. E a sombra que a trouxe, simplesmente foi embora.
O helicóptero em chamas caiu sobre a criatura, destruindo ela e a balsa.
Mais um sinal de radio chegou até Ada. “ - Aqui é Piers Nivans! Ada Wong está indo para o sul em direção ao porto militar!” Não muito longe dalí A espiã viu passar uma perseguição entre um carro de luxo, e um jipe militar onde estava Chris Redfield. “ — É como se fosse uma reunião em Raccoon City.”
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*Momentos antes da perseguição por Piers Nivans e Chris Redfield*
Leon e Helena caminhavam rumo ao ponto de encontro entre Sherry e Simmons, quando uma figura conhecida, alheia a presença dos dois, entrou um prédio não muito longe dali.
O agente fez um sinal para que eles parassem e a observou por um tempo. “ — Ada?” — Disse, soando mais como um sussurro.
“ — Vamos segui-la.” — Propôs Helena acordando-o de seu transe.
Empunharam suas armas, definitivamente receosos do que encontrariam alí, e correram até o prédio. Vasculharam o local rapidamente. Leon pôde senti-la passar bem ao seu lado, rapidamente cruzando uma outra porta. “ — Ada!” — Ele chamou.
Ela parou. Sorriu para ele... um sorriso diferente, como ela nunca havia sorrido antes, e apesar do lenço vermelho, usava aquela vestido azul que por algum motivo, Leon achava que não combinava com ela. E então... correu novamente, dessa vez não dele, mas dos tiros de metralhadora disparados em sua direção.
Estavam atirando em Ada Wong.
“ — Que diabos está acontecendo?” — Perguntou Helena.
“ — Vamos lá, vamos conseguir algumas respostas.” — ele não sabia, quando se trata de Ada Wong, ninguém nunca sabe. Dessa vez não a deixaria escapar, correria atras dela, principalmente por ela estar em perigo!
Os agentes correram atrás da mulher misteriosa... ambos na duvida que queriam mesmo interrogá-la ou ajudá-la.
“ — Temos que pegar aquele elevador! Corra!” — Gritou uma voz masculina, provavelmente, de um dos donos daqueles tiros contra Ada. “ — Tem outra coisa aqui? Talvez alguns dos bichinhos dela” …. “ — Ignore-os, ela é o alvo!”
Leon podia ouvi-los, estavam falando da espiã, quanto mais eles falavam, mais rápido o agente corria em direção a eles.
“ — Que bom que vocês puderam dar um pulo aqui. Gostaram do que eu fiz nesse lugar? Espero que aproveitem sua estadia.”
Era a voz de Ada! Logo depois, foram acionados lasers de segurança, Leon e Helena conseguiram desviar, e tomar o elevador. “ — Eu não tenho tempo pros seu jogos!” — Bufou Leon. Ada era perseguida por homens armados, e ainda assim, gargalhava. Será que ele tinha alguma noção de perigo?
Helena acionou o botão do elevador. Ela podia ver o parceiro completamente elétrico ao seu lado, miseravelmente tenso. Nem teve oportunidade de dizer algo, mal a porta do elevador abriu, e ele pôs-se novamente a correr.
Entraram em uma sala escura, sem escutar qualquer outro sinal de Ada ou de seus perseguidores. Em volta, os mesmos tanques d'água já vistos antes, com B.O.W's inativadas dentro. Leon esmurrou a porta seguinte. “ — Trancada.”
“ — Destravando travas de segurança. Iniciando testes com protótipos.” Escutaram o comando de voz.
“ — Ada!” — Um dos homens berrou novamente
Um alarme vermelho. Leon e Helena começaram a ser atacados por minas móveis.
“ — Temos conduzido um trabalho fascinante aqui...” — Novamente a voz de Ada Wong nos alto-falantes. “ — Por quê vocês não se divertem um pouco com os nossos protótipos?”
“ — Estão equipados com explosivos! Que diabos ela está pensando?” — Xingou Helena.
Leon não sabia a resposta, Ada sempre fez o estilo de o atacar as vezes, fosse com uma arma nas costas, ou na cabeça... mas nunca atirou, nunca foi de fato agressiva. Dessa vez a diaba estava realmente explodindo coisas nele! “ — Eu vou perguntá-la assim que nós a pegarmos!”. E ele ia pegá-la! Ah se ia!
Hunnigan começou a orientá-los novamente pelo sinal de rádio. Leon precisava atirar nas minas para que elas explodissem longe de Helena, enquanto Hunnigan orientava a moça como hackear o sistema de segurança para abrir as portas.
“ — Funcionou!”
Leon escutou os homens que estavam presos numa outra sala. Eles sabiam que havia mais alguém alí. Não olhou para trás, não esperou por Helena, apenas correu. Leon corria, corria a plenos pulmões seguindo a sombra de Ada. “ — Ada para! Para Ada, nós precisamos conversar!” — ele gritava.
“ — Desculpa, não quero conversar agora.” — Ela respondeu enquanto fugia. “ — Foi divertido! Tchau!” — Disparou sua grapple gun e saltou para o outro canto do prédio.
“ — Ada!” — O loiro não desistiu, tomou uma outra rota e continuou a correr.
Helena já não sabia mais de onde aquele homem tirava tanto fôlego, ela sempre ficava para trás. “ — Sua amiga gosta de dar uma de difícil heim! Ela sempre foi assim?”
“ — Ada!” — Ele não respondia, apenas corria.
“ — Não a perca”... “ — Eu não vou!”.... “ — Ela está alí, corte o caminho dela!” … “ — Peguei!”
Ada estava cercada, e Leon sabia que mais uma vez, chegou atrasado. Escutou os disparos e torceu para que ela não tenha sido alvejada. Continuou a correr... E viu Ada de pé cercada por dois homens. Não sabia quem eram eles, e nem queria saber. Não sabia o que Ada fez, se era culpada ou inocente, só sabia que nunca deixaria que a machucassem, nunca. Eram dois contra um, ambos armados, mas Leon não raciocinou, apenas se atirou contra um deles.
Ele era grande e tomou um susto quando foi atacado por trás e sua arma puxada. Os disparos foram para o teto. Apesar do tamanho avantajado, ele era rápido. Leon batia com uma força maior que seus punhos eram capazes de suportar , apanhou dele também. Chutou-o, ganhou chutes na barriga... apelou para cotoveladas, bateu como podia. Tentou um mata-leão mas o diabo era forte e muito grande, ambos rolaram no chão.... Conseguiu tempo de puxar sua pistola e apontá-la... ia atirar, pouco se importando que ele também já estava armado... então o reconheceu.
“ — Chris?”
“ — Leon?... O que você está fazendo aqui.”
Ambos recuperavam o fôlego, Chris tinha um olhar magoado. Leon sentia o coração galopar, ele quase matou Chris Redfield por causa de Ada Wong, ou quase morreu por causa dela, e ainda assim, com sua pistola em mãos, seguiria adiante com isso se fosse preciso, tinha que se acalmar... seria tão errado fazer algo assim, tinha que acalmar aquele homem, de qualquer jeito.
Helena que estava atrasada, finalmente chegou, viu a desvantagem de Leon e apontou a sua arma para o outro soldado que estava logo adiante. Pronto, todos iguais. “ — Que idiota! O outro poderia tê-lo abatido enquanto lutava!” Ela pensou. O soldo mais novo não se intimidou, também apontou sua metralhadora para ela.
“ — Abaixa essa arma Chris...” — A voz de Leon pela primeira vez soou desesperada, ele vomitava as palavras. “ — Ela é uma testemunha chave, nós precisamos dela.” — Foi a primeira desculpa que pensou.
“ — Testemunha? Foi ela que fez tudo isso!” — Chris gritava, seus olhos cuspiam fogo, ele estava muito alterado, era obvio que ele ia matá-la.
Leon sabia que teria que acalmá-lo, caso contrario seria obrigado a fazer algo que Claire jamais o perdoaria. Respirou fundo, tentando passar alguma lucidez em sua voz. “ — Não. Não foi ela. Foi Simmons, Chefe da Agencia Nacional de Segurança.”
“ — Eu perdi todos os meus homens por causa dela!” — Chris praticamente chorava por entre os berros.
Se quisesse realmente chamar a atenção daquele homem, teria que gritar também, ser tão passional quanto ele. “ — Eu perdi 70 mil pessoas, incluindo o presidente, por causa de Simmons!” — E assim o fez.
Nenhum deles abaixava a guarda, estavam prestes a se atacarem. Chris respirou fundo.
“ — Ela está trabalhando para a Neo-Umbrella, você sabe o que isso significa?” — Pela primeira vez o capitão da BSAA falou baixo. Ada era assunto de seu conhecimento desde os primeiros eventos naquela maldita mansão, sabia do que houve entre ela e Leon em Raccoon City... Ele olhou no fundo dos olhos do agente, para que ele se lembrasse, de quem ele era, e que não deveria colocar sua moral e o seu dever a cima de seus sentimentos pessoais.
Leon o encarou de volta. “ — Sim. Eu sei.” — Por favor Chris...
“ — E ainda assim você vai proteger essa mulher?”
O agente não desviou o olhar, não abaixou sua arma. “ — Sim, eu vou.” — E também não hesitou.
Foram tantos anos lutando do mesmo lado, tantos amigos em comum, nenhum deles tinha qualquer dúvida sobre o caráter e a boa índole um do outro. Como foram parar em uma situação assim?
Piers não sabia quem vigiar, Ada ou Helena, num desvio de olhar... e já era tarde. “ — Capitão!”
Uma granada de luz explodiu no local, todos se protegeram como puderam. Ada fugiu.
“ — Parada!” — Piers disparou sua metralhadora, porém se acertar o alvo. “ — Merda!” — Ele olhou para o seu capitão que sofria com as mãos nos olhos, não esperou por ele, apenas correu atrás dela.
Helena imediatamente correu atrás dele.
“ — Helena!” — Leon tentou pará-la, ela se esquivou.
“ — Ele vai matá-la!” — Ela também estava nervosa, ela também gritava, Leon ficou surpreso por saber que ela se importava tanto.
Enquanto eles discutiam, Chris tentou correr, Leon o segurou pelo braço. “ — Chris espera... Nós dois queremos a mesmo coisa aqui...”
O capitão esperou, pensou. Parecia mais calmo, muito embora notasse que o desespero de Leon tinham sim, outros motivos, e eram pessoais. “ — Tudo bem. A BSAA cuidará de Ada Wong, e vocês cuidam do Simmons.”. O loiro soltou seu braço, e então ele pôs-se a correr.
“ — Chris!” — O capitão parou. — “ — eu sei que você vai fazer a coisa certa.”
Chris finalmente se foi.
“ — Tem certeza que podemos confiar nele?” — Perguntou Helena.
“ — Ele está nisso a tanto tempo quanto eu... Eu confio nele.”
“ — Tudo bem.” — Respondeu sem ter tanta confiança assim.
“ — Vamos, temos que pegar o Simmons”
“ — Leon, você tem certeza que está mesmo bem com isso?”
“ — Nosso alvo é Simmons. Sempre foi.”
“ — Você não se arrepende por não segui-la?”
Ele suspirou. “ — Teremos que nos preocupar com a Ada depois... Agora precisamos mantes o foco no Simmons” — “Ela definitivamente não sabe... e as vezes até eu me esqueço, que a Ada sabe se safar...”
“ — Certo... Vamos pegar o filho da puta!”
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Do outro lado da cidade, muito distante de todos, Ada Wong, com suas calças de couro e sua jaqueta vermelha, tomava um jetski a toda velocidade...
Continua...
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