Resident Evil - A Leon & Ada Side Story

22 Capítulo 22 - Adeus, Tall Oaks


Madrugada de 30 de Junho de 2013

Dentro dos laboratórios da Família Simmon's

Ada atendeu ao telefonema sem nenhuma paciência. Quando estava em missão, conseguia sempre manter a frieza e o foco, sempre... E todas as vezes em que perdeu esse foco, as únicas e muito poucas vezes, o motivo era sempre um só, um certo ex-policial de olhos azuis... Leon estava estranho. A olhava de forma diferente... Estava mais assustado com a sua presença do que qualquer outra coisa. Recebeu o aviso de que seria o bode expiatório responsável pelos ataques, mas Leon nunca acreditaria, não até escutar da boca da própria Ada Wong. Mesmo não sendo nada sensato, mesmo querendo duvidar dela as vezes, tal comportamento de sempre lhe dar o beneficio da dúvida era mais forte que ele... então por quê?

“ — Como você está?” — Perguntou a voz masculina de Simmons por trás do aparelho.

“ — Por quê não vem aqui e eu te mostro!” — Respondeu ríspida, mostrando muito mais emoção do que gostaria.

Ele riu. “ — Eu acho que passo a oferta... Mas tem algo que eu gostaria de te mostrar.”

“ — Mais jogos” — Ela parou com a mão na cintura, posição típica de quando estava impaciente.

“ — Não é bem isso. Apenas algo que você gostaria de saber. Vá até o laboratório de pesquisas.”

Ela não respondeu, apenas desligou o aparelho e se dirigiu até o elevador mais próximo. Quando chegou novamente aos andares superiores, observou os casulos espalhados pelo chão de ferro, eram exatamente como os da irmã, agora sim, morta, de Helena Harper. Parou em frente ao conduto de lixo na parede de concreto... calculou mentalmente onde aquilo iria parar...

“ — Por Favor, Leon. Diga que você não pulou aí....”

Um barulho chamou sua atenção, era um casulo se rompendo. Imediatamente empunhou a sua besta enquanto esperava a criatura surgir. Era uma B.O.W diferente, uma criatura larga e robusta, com uma grossa casca exterior. Atirou uma fecha explosiva e correu.. A casca se rompeu revelando uma grossa camada de músculos vermelhos e hipertrofiados. Atirou mais uma vez... com a criatura agora atordoada, A espiã o atacou com uma série de chutes, uma ultima flechada, e finalmente, a criatura estava morta.

Não teve tempo de cantar vitória, quase imediatamente mais quatro casulos se romperam.

“ — Quatro brutamontes contra uma garota, é... isso parece justo.”

Fazia muito tempo que Ada não colocava tão a prova seu preparo físico. As vezes pensava que já não seria tão errado aceitar um parceiro para missões como essas. Seria uma grande economia de suor e munição.

Depois das quatro B.O.W's abatidas, e outras tantas, ela pôde finalmente entrar no laboratório principal. Aquelas estufas e aqueles enormes tanques d'água, com criaturas que era ainda impossível saber se a qualquer momento elas acordariam para atacá-la ou não. Passou os olhos atentamente sobre o equipamento de vídeo... e então encontrou um objeto curioso, uma fita VHS, e a etiqueta: “Feliz Aniversário, Ada Wong”

“ — Puff.” — Colocou a fita dentro do videocassete bem a sua frente, e assistiu o filme contido nele.

A principio ficou enojada, chocada... confusa. Não era nada confortável assistir a sí mesma saindo de um casulo como aquele. Mas principalmente por um material como aquele estar alí, dentro de um laboratório sob o poder de Simmons. O seu próprio corpo, nú e exposto... uma cópia de Ada Wong... aquilo era um... ultraje!

“ — Hmpf, É parece comigo... Não é a toa que o Leon está confuso.”

Seu pequenos olhos se estreitaram ainda mais ao final do vídeo, algo que Leon nunca perceberia, pela sua falta de conhecimento, muito menos a Agente Harper, por ser muito emocional... a sombra de uma mão, com o anel da família Simmons...

Ada bateu o pé esquerdo e bufou impacientemente. O maldito cubo chamou outra vez, ela atendeu.

“ — Gostou do show?”

Ela sorriu: “ — É.. Foi bem revelador”

“ — O que você quer dizer?”

“ — Bem, me corrija se eu estiver errada. Mas não é você na gravação, “Ada”, Você está por trás da Neo-Umbrella.”

Alguns segundos de silêncio...

“ — Eu... não sei do que está falando.”

“ — Simmons nunca seria tolo o suficiente para mostrar suas cartas. Ele e sua família só querem uma coisa, estabilizar e sustentar o sistema que criaram. Mas você... Você quer destruí-lo.”

E Ada finalmente teve a sua confirmação, quando escutou agora, uma voz feminina, idêntica a sua respondê-la. “ — E o mundo culpará você...”

Ligação encerrada.

Respirou fundo enquanto armava uma C4. “ — Se ela quer jogar, ela vai jogar. Com a verdadeira Ada Wong.” — Colocou a bomba armada em cima do balcão e deixou o recinto, calmamente. Nunca ligou para esse número antes, mas sabia muito bem a existência dele, mais ainda quem iria atender.

“ — Quem é?”

Ada controlou o asco, assim como fez antes, mas o sentimento se repete ao falar com o verdadeiro Derek Simmons pela primeira vez, após tantos anos, após tudo o que aconteceu...

“ — Uma velha amiga, Simmons. Ada Wong.”

“ — Ada.” — Respondeu obviamente assustado.

“ — Vamos deixar de brincadeira e falar sério. Aquela pequena sósia que você criou acaba de me dizer que vai destruir o mundo. “

“ — O que?!”

Ligação encerrada, dessa vez, com muito gosto, por parte de Ada Wong.

“ — Parece que a corrida começou. Vamos ver quem chega primeiro.”

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Leon e Helena finalmente viram à tona, depois de um longa queda d'água sem respirar. Olharam em volta e viram que estavam em um lago. O agente mais experiente olhou para a pobre moça que assim como ele, tentava recuperar o fôlego. Encontraram algumas tábuas boiando e seguraram-se nelas.

“ — Pobre moça... está passando por uma provação muito maior do que a minha quando ainda era um novato.” Acabaram de ser declarados suspeitos de um ataque terrorista onde mataram o Presidente dos Estados Unidos. Ela perdeu a irmã, e acabaram de explodir uma porra de um tubarão mutante! “ — Helena, pra margem... eu só quero evitar qualquer criatura que nade por um bom tempo.”

O zunido cortante de dois misses os fez fitarem o céu, e em seguida o clarão de uma grande explosão nuclear fez os olhos claros de Leon arderem. Olharam a cena, impotentes e perplexos.

Chegaram até a margem o mais rápido que podiam, gemendo pela falta de fôlego.

“ — Estão esterilizando a área.”

“ — E destruído todas as provas.” — Leon gemeu, com raiva.

“ — Como ele poderia?”

O rádio de Leon tocou, milagrosamente ainda estava funcionando. Era Hunnigan. “ — Graças a Deus, você está vivo!”

“ — Onde está Simmons?”

“ — Depois de falar com você ele partiu apressado.”

“ — Merda!” — Leon chutou a grama, deixando o local.

“ — Para onde ele foi?” — Perguntou Helena, usando seu ponto de rádio, ela, que agora parecia ser quem mantinha a calma.

“ — Quando ele saiu, estava falando com mais alguém ao telefone. E ele não parecia nada feliz.”

“ — Existe alguma maneira de descobrirmos para onde ele foi?”

Hunnigan olhou para os lados, certificando-se que ninguém a observava. — “ — Não se preocupe, Helena. Eu estou na cola dele.” — A hacker oficial do governo verificava seu notebook pessoal freneticamente. — “ — Ele está a caminho do aeroporto, onde um jato particular esta sendo preparado para levá-lo até a China.”

Nesse momento Leon reapareceu. “ — China?” — Perguntou, curioso.

“ — Sim. E dê uma olhada nisso...”

Leon abriu o visor de seu celular onde recebeu as imagens de uma cidade completamente destruída.

“ — O que é isso?” — Perguntou Helena.

“ — Outro ataque bioterrorista. A BSAA confirmou o uso do mesmo vírus utilizado no leste europeu seis meses atrás, o Vírus C.”

“ — Mas nos acabamos de ver casulos como esses aqui.” — Ela olhou para Leon, que parecia ter tido algo como uma epifania.

“ — Nós precisamos parar o Simmons e prendê-lo agora.” — Disse Leon

Hunnigan tremeu. — “ — Nós não temos provas! E exatamente agora, vocês dois estão no topo da lista de suspeitos.”

“ — Não...” — Lamentou Helena, sabendo que agora não havia mais nada a ser feito.

Leon aguardou alguns segundos, como quem calculasse algo mentalmente. “ — Hunnigan... Eu preciso que você falsifique a nossa morte... Você consegue fazer isso?”

“ — É o quê?!” — A novata estava chocada, o que ele pretendia afinal? Seria uma fuga?

“ — Sim, claro... mas eles vão acabar descobrindo de um jeito ou de outro... o que você pretende fazer?” — Respondeu Hunnigan.

O loiro não tinha mais o que pensar. Não tinha mais nada a perder, fosse sua carreira, sua reputação, ou até mesmo a vida dos inocentes envolvidos. Iria até as ultimas consequências. “ — Nós vamos para a china.”

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“ — Mas ele está sendo acusado de matar o Presidente!”

“ — Eu e você sabemos que ele é inocente!” — Argumentou o homem a sua esposa.

“ — Estamos colocando a nossa carreira e a nossa liberdade em risco.. e você sobe disso!”

“ — Amanda... Você sabe porque estamos nisso há tantos anos, não sabe? Não é pela carreira... é para fazer o que é certo, mesmo que isso custe a nossa liberdade. É o Leon! Caramba! Ele não tem mais a quem recorrer!”

A mulher hesitou por alguns segundos.. e então abriu a gaveta...

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Helena observou o quarto de hotel, o fato daquele lugar ser uma espelunca insalubre não a afetava nem um pouco. No fundo, apenas contava os minutos até que finalmente fosse detida. Lembrava da irmã, de seus bons momentos juntas, de suas brigas, das coisas horríveis que disse a ela em sua ultima conversa. Olhava para o homem sentado a sua frente, ambos estavam um trapo, molhados e fedorentos, naquele hotel de beira de estrada onde as pessoas não faziam ideia do que realmente aconteceu em Tall Oaks.

“ — Essa é a sua doce vingança, não é mesmo?”

“ — Como?” — O loiro antes distraído agora olhava para ela.

“ — Antes você me seguiu sem saber para onde iriamos e eu não respondia as suas perguntas. Agora, cá estou eu, seguindo você... vai me dizer qual é o seu plano?”

Leon deu um meio sorriso nervoso. “ — Você vai ver, daqui a pouco.”

Alguém bateu à porta, e ele se levantou para atender, como quem já soubesse quem era.

“ — Porra, não me fode! Fala logo!” — Ela exclamou.

O loiro apenas achou graça. Era engraçado ver uma mocinha tão jovem, tão linda e com a boca suja feito um boeiro. Foi até a porta e atendeu o amigo com um abraço. “ — Joel!”

“ — Vocês estavam brigando?”

“ — Essa é Helena Harper, era do FBI...”

“ — Ahh... meninas do FBI...”

Ambos gargalharam, Helena sabia muito bem quais eram as piadinhas sobre “meninas do FBI”.

“ — Depois que isso tudo acabar, me conte se as suas bolas ainda vão estar inteiras, ou se essa daí as esmagou com um espremedor de alho.” — Joel recebeu o olhar fuzilante de Helena, e mesmo assim ainda fez piada, com um gesto exagerado como o que quem protegesse as genitálias de uma bolada. “ — Nada pessoal, Boneca. Falo apenas como um sofrido, casado ha sete anos com uma dessas do seu tipo aí... tem dias que ela me faz preferir estar morto!”

Helena revirou os olhos, bufou e atirou os pés sobre a mesinha de centro se esparramando mais sobre o sofá de um lugar.

A face de Leon se tornou séria novamente. “ — Joel, está tudo aí?”

“ — Sim.”

O loiro pegou a bolsa das mãos do amigo e a abriu o mais rápido que pode. Haviam toalhas secas, duas mudas de roupas, uma feminina e outra masculina. Sapatos, coldres de couro, dinheiro, passagens aéreas e o mais importante... os passaportes e documentos especiais.

“ — Tá aí amigo, eu fiz o que pude. Eu tenho um informante que é falsificador, isso foi o melhor que ele conseguiu com tão pouco tempo disponível.”

Leon abriu os passaportes e mal acreditou no que viu. Eram os passaportes de Joel e Amanda, apenas com as fotos modificadas. E as licenças especiais emitidas no nome deles, para embarcar portando armas e seus distintivos.

“ — J-Joel... mas... você tem noção do que pode te acontecer se nos pegarem?”

“ — Então não seja pego, Leon. Eu estou confiando em você... pega o desgraçado!”

Nem Helena tinha palavras. Então Leon conseguiu afinal. Eles estavam mesmo indo para a China tentar deter Simmons? Ela observou aquele homem ir embora, apenas pensando... que o seu novo parceiro deveria mesmo ser uma pessoa muito querida e muito competente para despertar tanta confiança. Sentiu-se mal, por alguém assim estar em tão maus lençóis, e tudo por culpa dela.

“ — Toma, acho que essa parte com calcinha e sutiã deve ser sua, não minha... assim espero.” — Disse entregando-lhe as roupas. “ — Você pode ir tomar banho primeiro, nosso avião sai em duas horas, nós devemos sair o mais rápido possi...” — Sua fala foi interrompida ao ver que Helena já estava sem blusa, com o sutiã branco à mostra, e agora tirava o cinto de maneira displicente enquanto caminhava rumo ao banheiro. Ele tinha a boca semiaberta. Sua face ruborizou quando ela o encarou de maneira raivosa.

“ — Que é?” — Perguntou enquanto coçava o nariz com as costas das mãos.

“ — Nada.”

“ — Hn!” — Entrou no banheiro e bateu a porta.

“ — Nada mesmo... só pelo detalhe que você esqueceu que eu sou homem... ou que você não é um... ou... sei lá, vai saber...” — Ele pensou alto.

“ — Ta falando comigo?” — Ela gritou de dentro do banheiro.

“ — Mulheres... do FBI!” — Ele sacudiu a cabeça.

Continua...

Pois é, bem que me avisaram. Não terminei RE6 em mais um capitulo! Até daria... tem pouca coisa faltando... mas eu achei melhor 'picar”, por uma questão de organização mesmo. Talvez o próximo capitulo fique até bem curto. Ahhhhh tá acabando! ESSE capitulo, eu gostei de escrever um pouquinho mais que os outros relativos a Tall Oaks... me senti com mais liberdade, sabe. Enfim... mãos a obra!