- Não pode ser... Ada?”

Era ela. Mesmo virando o rosto para ele ficando de costas novamente, ele sabia, era ela! Exuberantemente linda, com sua taça de champagne em mãos e agindo claramente como um dos convidados, e não, como uma foragida que poderia ser pega à qualquer segundo. — Mas que diabos é isso? – Seus pés se moviam quase que automaticamente. Leon caminhou salão a dentro, procurando não esbarrar em ninguém mesmo sem tirar os olhos da beldade euro-asiática que estava a poucos metros dele. Se perguntando o que ela estaria fazendo alí. Contudo seus pés congelaram no chão quando avistou um homem se aproximar dela.

Esse homem usava uma ridícula gravata texana, e seu rosto lhe era familiar. Era Simmons. Ada era solicita ao que ele dizia e parecia sorrir de maneira interessada. O garçom passou pelos dois e o homem foi gentil em ele mesmo trocar a taça vazia da espiã por uma cheia. Mais chocante ainda foi ver Derek Simmons, na mais pura expressão de felicidade, entre sorrisos enquanto a olhava de cima a baixo. Leon não podia garantir ainda que ele estava flertando com ela, mas tinha a mais absoluta certeza que estava interessado. Foi quase um soco no estômago quando o viu tocá-la delicadamente pelo cotovelo convidando-a a sair dalí.

Ela não recusou, ela não pareceu descontente, ela não evitou o toque... Ela foi com ele, e quando eles tomaram o rumo de só Deus sabe para onde, ele a tocou nas costas... e a abraçou.

O agente sentia as mãos geladas, o coração galopar dentro do peito, os joelhos tremerem... Ele estava com ciúme.

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Sherry, chegou até a varanda sem encontrar Leon a sua espera. Olhou a sua volta e não havia mais qualquer sinal dele alí. Pensou em dar um toque no celular do agente, era mais fácil que sair a procura dele pelo salão a fora, mas ele não atendia...

Sem outra opção, foi atrás dele.

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No telhado da mansão estava um corpo magro, vestido com um macacão tático, elástico e justíssimo, fechado com um zíper na frente. Seu rosto escondido atrás de uma máscara de neve preta e os olhos atrás de um par de óculos escuros. Ninguém poderia vê-lo ali. Era como se fizesse parte das próprias sombras da noite, se movendo junto com elas.

O corpo mascarado abriu uma maleta e de lá, tirou uma granada flash, uma pistola com silenciador, uma chave mestra, um computador de mão, um teclado dobrável, cabos, chip de memória e outras parafernálias de ultima geração para se hackear um computador. Disponibilizou tudo organizadamente em um cinto de utilidades. Desceu do telhado rapidamente através de uma corda até uma janela do terceiro andar.

Aquele era apenas um dos quartos de hóspedes. Seu objetivo era a biblioteca. Checou o mapa detalhado da mansão em seu computador de mão. Agora sua missão se resumia em chegar silenciosamente até a biblioteca.

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Eles foram rápidos, não tinha como alcançá-los sem que derrubasse vários convidados e fizesse consequentemente um escândalo. Mas era justamente o que queria fazer. Amaldiçoava ser um agente, ser um subordinado, ter que mentir, que manter as aparências. Tudo o que mais queria nesse momento era ser um reles policial, um cidadão comum, que ao ver a namorada nos braços de outro homem poderia simplesmente puxar o indivíduo pela gola e arrebentar-lhe a cara. Poderia berrar no meio de uma festa inteira o quanto a namorada em questão não passava de uma cadela.

E que se foda o politicamente correto! Estava irado, enciumado, ferido... Iria atrás dela. Não diria então nenhuma palavra, mas faria questão que ela o visse alí, que ela o olhasse nos olhos e somente com esse olhar, entender que acabou.

Podiam ser mais rápidos, mas não podiam se esconder. O agente agora estava de frente a um longo corredor no segundo andar. Abriu a primeira porta, era um toalete. Abriu a segunda, uma biblioteca. A terceira, um quarto de dormir...

Devem estar no quarto dele... — E iria encontrá-los, nem que tivesse que vasculhar cada canto daquela casa.

Acabaram as portas, só restava o terceiro andar...

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Sherry não conseguia encontrar Leon em nenhum canto do salão. O celular dele parou de tocar e agora caia direto na caixa postal.

A loira parou de frente para a enorme escada que a levaria ao terceiro andar. Era o único andar que sobrava. Se ele não estivesse alí, teria que procurá-lo no jardim. Ela se lembra que ele carregava um esqueiro e um maço de cigarros em Raccon, sabia que ele fumou no passado, se perguntava se vez ou outra ele ainda dava uma escapadinha para fumar algum... Foi a primeira ideia que lhe veio a cabeça.

Subiu as escadas.

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Na biblioteca, passou o vulto do corpo mascarado, novamente se escondendo entre as sombras. Certificou-se de fechar todas as cortinas. Chegou até a imponente mesa de escritório, onde atrás desta havia um enorme quadro de Desmond Simmons, o primeiro a chegar na América, considerado um dos “fundadores” do país.

Se as coordenadas estiverem corretas, a primeira pista estaria alí naquela mesa. Logo na primeira gaveta, encontrou um grande livro, com capa de couro e detalhes banhados a ouro, e um grande medalhão com a insignia da serpente, era o símbolo da família Simmons.

Abrindo o livro, logo na primeira pagina, encontrou os dizeres:

O verdadeiro poder, pertence à Famiglia

As paginas seguintes era apenas fotos, fotos e mais fotos da Familia Simmons, desde os primórdios da colonização.

“ — Hn... por quê, A Familia, não orgulhosamente texana refere a sí mesma com um nome em italiano?” — Dito isso, seu olhos brilharam a medida que se dirigia para uma pequena coleção de VHS de clássicos do cinema. E lá estava o que queria: O Poderoso Chefão. Puxou o VHS levemente, e assistiu uma pequena porta se formar por entre duas estantes de livros. Não pode evitar o sorriso que lhe brotava nos lábios.

Tocou um pequeno botão posicionado na lateral de seus óculos escuros. — “ — Estou dentro. Câmbio.” — Rapidamente entrou na pequena porta e identificou a sala de controle, repleta de monitores e teclados. Plugou os cabos na CPU principal, e a outra extremidade em seu computador de mão. Não conseguiria hackear aquele computador por mais de vinte minutos sem ser pega pelo moderno sistema de segurança, portanto, tinha que ser veloz.

Arquivos restritos da CIA. Os principais procurados dos governo.

“ — Andrej Korolenko – Agente russo. Confirma.”

“ — Prossiga.” — Ordenou a voz em seu ponto auricular.

“ — Sergej e Natasha Vissarionovich – Casal de cientistas russos. Confirma.”

- Prossiga.

“ — Alexandra Muller – Terrorista alemã, confirma.”

- Prossiga.

O ultimo nome, não poderia dizer que lhe provocou frio na espinha, ou medo. No fundo, não o achava tão ruim assim, sentia até alguma simpatia por ele. Leu o nome em voz alta, mesmo sabendo o que isso significava.

“ — Albert Wescker – Bioterrorista norte-americano. Confirma.”

Um silêncio pairou no ar por alguns breves segundos.

“ — Como?”

— Isso mesmo que você ouviu.” — Disse arrancando os cabos rapidamente, faltavam apenas poucos segundos para que o sistema de segurança a identificasse. “ — Quanto ao ultimo nome, isso não é novidade para você, certo bebê?” — Disse retirando a máscara e ficando de frente para a vídeo conferencia com um jovem hacker japonês em seu computador de mão, revelando-se então. — “ — Eu. Ada Wong.”

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Derek Simmons trancou a porta atrás de sí. Observou a mulher que estava a sua frente. Mal acreditava, que depois de tantos anos, finalmente tinha Ada Wong de volta.

“ — Seja bem vinda meu amor. Agora seremos você e eu, juntos, para sempre. Sem rebeldia, sem desobediências, você nunca mais vai me abandonar outra vez.”

A mulher sorria, acenava, de maneira automática, como um robô. Um robô... muito real.

O homem se aproximou, tocando-a então. Beijou-lhe os lábios, o rosto. Suas mãos percorriam todo o corpo daquela mulher de maneira possessiva. — “ — Depois de tanto trabalho, tanto dinheiro, tantas cobaias... finalmente eu consegui te trazer de volta. E agora você é minha, só minha!”

Derek tentou levá-la para a cama, mas foi surpreendido quando ela fincou os pés no chão e começou a tremer e chorar...

“ — Não... o que você fez comigo?... Por quê?... Por favor, me deixe em paz... por favor.”

“ — Ada, não ouse me desobedecer outra vez!” — Gritou antes de desferir o primeiro tapa. — “ — Me obedeça! Vadia!”

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Leon já estava de frente para porta trancada quando escutou o som de um tapa.

Vadia – Gritou a voz masculina lá de dentro.

O agente não se controlou quando escutou o som surdo de um murro. Arrebentou a porta com um chute, encontrando o corpo feminino estirado no chão. Correu até ela, tinha que socorrê-la, depois cuidaria do patife atrás de sí. Ela estava caída de bruços, os cabelos pretos lhe escondiam o rosto. Ele colocou as mãos sobre ela e a virou para sí.

Esperava ver Ada, machucada, envergonhada... mas não. Viu um rosto que embora ainda lembrasse sua amante em muitos traços, era diferente dela. — Não pode ser, eu à ví minutos atrás, era idêntica! Não é ela! - Seus olhos azuis se arregalaram como terror de ver esse mesmo rosto agora se contorcer em fortes espasmos, a mulher começou a espumar, vomitar...

Afastou-se dela. Agora estava ao lado de Simmons. Ambos assistiam chocados a imagem daquilo que não era mais uma mulher, não era nem humana... Ela estava literalmente derretendo diante de seus olhos enquanto ecoava um som estridente, que mais parecia um choro, um lamento, até se desfazer completamente no chão.

“ — Mas que diabos é isso?” — Interrogou o agente, assustado

Simmons carregava uma magnum dentro do paletó. Kennedy viu demais, a única saída agora era matá-lo.

“ — Leon!” — Gritou a voz feminina da jovem loira que estava parada frente a porta. — “ — Oh meu Deus! O que aconteceu aqui?”

Merda, Birkin! — Pensou Simmons, precisava da menina, ela sempre foi parte fundamental em seus planos, não podia matá-la, e agora ela testemunhou tudo. Precisava pensar rápido. — “ — Sherry! Agente Kennedy. Graças a Deus vocês estão aqui. Eu acabo de ser vitima de um atentado! Oh meu Deus! Eu juro, ela parecia uma mulher comum... eu a trouxe para cá e... Por Deus!” — Era outra experiencia que deu errado. Tudo parecia tão perfeito. Pensou ter sua Ada de volta, mas não, era mais uma aberração mal acabada desmanchada no chão.

Leon caminhou em direção a Sherry, certificando que ela não entraria naquele quarto. — “ — Precisamos encerrar a festa, e temos que ser discretos. Vou ligar para Hunnigan, precisamos de mais agentes aqui, e os peritos para avaliar esse.... material. Venha Sherry. Você não deve ficar aqui.”

Quando eles saíram. Simmons respirou aliviado. O agente Kennedy e a jovem Birkin acreditaram. Agora era precisava ser mais rápido que Leon, e entrar em contato com os seus agentes corruptos, antes que Hunnigan recrutasse uma investigação sozinha.

*******************

Já era manhã quando finalmente chegou em seu apartamento. Sherry estava assustada, teve que prometer levá-la para outro lugar que não fosse um cinema, e que não fossem atacados por nenhuma B.O.W. Sua mente divagava sobre todas as emoções vividas naquela noite. Será que o amor o estava deixando cego? Tudo bem que nos últimos meses tudo o que fez foi pensar em Ada além da conta, era obrigado a confessar, os últimos acontecimentos em sua vida foram intensos, e no meio disso tudo se via cada dia mais apaixonado por ela. Mas daí a ver coisas? Sentou-se no sofá e ligou a televisão.

Algo estava errado. Ele podia jurar que a viu. E chegando lá, não era ela. Imediatamente levantou a hipótese de se aquela mulher não fosse uma B.O.W., fosse uma namorada de Derek Simmons, muito parecida com a Ada, e ele tivesse invadido aquele quarto fazendo metade das atrocidades que estava pensando em fazer... Seria o fim de sua carreira como agente, em menos de trinta minutos.

Escutou o salto alto bater na varanda.

“ — Pensando em quê, Bonitão?” — ela disse caminhando em direção ao agente.

Ele apenas ergueu as sobrancelhas, cansado. — “ — Que você me enlouqueceu.” — Puxou o corpo magro para o seu colo.

“ — Só isso?”

“ — Eu estou falando sério. Ontem na festa... Eu ví uma mulher tão parecida com você, que eu tive certeza, mais que absoluta, que você estava lá. Aí eu ví que ela estava acompanhando Derek Simmons, eles estavam... sabe, juntos.”

Agora sim, Ada sentiu um frio percorrer sua espinha. Não de medo, mas de nojo. Leon não sabia sobre essa parte de seu passado, quando trabalhou para Simmons, ou quando foi embora sem nem olhar para trás quando descobriu que o mesmo era obcecado por ela, e que fora ele o responsável pela destruição de Raccon City. Não era hipócrita, muitas vezes usou o recurso da sedução para atingir seus objetivos, como quando se envolveu com John. Mas John era um homem bonito, ficava “fofo” usando jaleco branco e óculos, e quem via aquele “nerd” trancado horas num laboratório não fazia ideia do que ele era capaz na cama... Não precisava ter se envolvido com ele para ter acesso ao laboratório, o fez por diversão mesmo. Foi em casos assim que ela fez, e não nega, unir o útil ao agradável. Mas Derek? Quem teria estomago para aguentar aquele porco?

“ — E daí, era só alguém parecida comigo.”

“ — Você não entendeu... eu tive certeza que era você. Eu... eu fui atrás dos dois” — disse envergonhado, a expressão de surpresa da amante não passou desapercebida. — “ — Eu os segui até o quarto... e arrombei a porta.”

“ — Uau. Agora eu fiquei curiosa para conhecer o seu lado agressivo.” — Brincou. Mas só porque uma das suas especialidades era esconder suas emoções, estava preocupada.

“ — Quando eu entrei lá, a mulher não era você, era uma B.O.W. Simons foi alvo de um ataque. “

“ — Leon, essa estória não faz o menor sentido. Eu tenho algum acesso importante a todos os grupos terroristas e as pessoas importantes que governam esse mundo a fora, e eu te garanto, ninguém quer matar Simmons!” — Pronto, já falou demais.

“ — Mas aconteceu, Ada. Diante dos meus olhos.”

A espiã, não queria mais escutar esse nome. Não podia ajudar Leon agora. Precisava pensar ainda no que ia fazer em relação ao Wesker, que estava vivo, porem desaparecido. Precisava entender por quê Simmons estava escondendo essa informação do governo. Olhava para o seu amante, o agente completamente inocente do que acontecia a sua volta, sem saber sobre o verdadeiro caráter de mais da metade das pessoas para quem ele trabalha.

“ — Chega dessa estoria. Sabe o que é isso? Saudade. Vem, eu vou te fazer pagar por ter passado uma noite inteira enrabichado por uma chinesa que não era eu!” — Ela o beijou vorazmente. Ele fora o único homem que Ada Wong amou, e era ele, somente ele que teria dela aquilo que nenhum outro teve, a entrega de corpo e alma, o amor mais sincero que ela tinha a oferecer. — “ — Como você pôde me confundir, Kennedy? Eu vou te ensinar que Ada Wong só existe uma.”.

Leon caiu de costas sobre o sofá, deixou que a espiã desabotoasse sua camisa, também não queria lembrar daquela noite em que mesmo por alguns minutos, Ada não era só sua. Em que não suportava a ideia de ver outro homem tocar num só fio de cabelo dela. Tudo o que queria agora, era esquecer, e amá-la naquele sofá, e voltar para o mundo onde eles só pertencem um ao outro.

Continua...

Notas finais
Hááá era a Ada? não! Era peeeeeeeegadinha do malandro! Ié Ié! Ié Ié! huahuahuahuaahuahauah