Residencial Casablanca – Apto 46
8 Capítulo 8
O silêncio toma conta da sala e todos ainda envolvidos com a visão da vida e morte de Oswaldo.
— Ah, irmãozinho, você foi enganado – Luana diz — Esse homem lhe usou, abusou de sua fraqueza, você pode mudar isso, ser livre. Ir embora daqui para sempre.
— Não, esse chão é meu, preciso enlouquecer pessoas, preciso de almas, preciso do homem corvo.
— Não precisa, – Luana se concentra, respira fundo e começa a pedir e orar aos espíritos de luz e a Deus. — Pai Celestial, Ó Bondade. Consolador, Amor perfeito, Pureza Libertadora, Pai que perdoa, Pai que consola, àquele que tira a angustia e a dor, àquele que perdoa pecados, àquele pronto para estender as mãos, neste momento, peço seu auxilio, peço a ajuda dos irmãos de luz, irmãos, venham ajudar nosso irmão perdido Oswaldo, com ajuda e permissão do nosso Pai, resgatem essa alma, não permitam que ele continue perdido.
Oswaldo paralisado via luzes cheias de calor invadirem o apartamento e o rodear. Calor cheio de bondade, que exalavam cheiro de rosas e amor o envolvia, o preenchia, o banhava em luz. E Oswaldo viu o corvo que ficava em seu ombro derreter, e o peso que ele fazia desapareceu e ele só via luz, luz e luz.
— Irmão Oswaldo, você deseja deixar esse plano, seguir em frente, evoluir e tentar de novo? Viver e aprender com seus erros?
Deseja Cristo em seu coração? – Luana com voz etérea agora dizia olhando para Oswaldo com luz irradiando de seu corpo e olhos.
— Sim, – Oswaldo, chorando fala — me perdoe, eu desejo ficar livre e tentar me redimir de meus pecados. Eu quero Cristo.
— Assim seja. – Luana diz e um clarão toma conta do apartamento e Oswaldo sorri e some.
Carolina e Rodrigo abalados se abraçam e olham para Luana atônitos com o que aconteceu naquela sala.
— Acabou? – pergunta Carolina.
— Oswaldo se foi, – diz Luana — Mas, o homem corvo ainda está por aí, caçando almas sofridas e perdidas para usar em seu benefício. Existem muitos Oswaldos perdidos por aí e infelizmente, não são todos que querem ajuda ou evoluir.
— Será que ele virá atrás de nós? – Rodrigo pergunta preocupado abraçando Carolina mais apertado.
— Não, vocês irradiam amor, compaixão, ele não se aproximará de vocês, nunca.
Ela se levanta e começa a se despedir.
— Bom, eu vou agora, e espero que nós vejamos o mais breve possível e que não tenha mais espíritos para nos lutarmos contra – ela completa rindo.
— Com certeza, vamos marcar um jantar e traga seu noivo, por favor, quero muito conhecê-lo – Carolina diz e a abraça forte — Muito, muito obrigada por nos salvar.
— Não foi eu, fui só um instrumento. – diz Luana.
— Não importa, senhora instrumento, muito obrigada – diz Carolina rindo aliviada.
— Eu nem sei como agradecer, Luana, de verdade, muito obrigado. – Rodrigo também a abraça.
— Você pode retribuir indo ao centro, revendo os amigos de lá e sendo padrinho no meu casamento, aí ficara tudo certo – Luana brinca.
— Sim, para tudo. – diz Rodrigo
— Até mais, e não temam, acabou tudo mesmo. Tchau. – Luana diz saindo.
Rodrigo e Carolina se olham e ele fala rápido antes que perca a coragem.
— Carol, sei que você não quer casar agora, mas, eu preciso que moremos juntos. Eu não vou ficar em paz em te deixar sozinha um único dia e para ser sincero, eu não quero ficar neste apartamento e não quero você aqui. Venha morar comigo, e eu prometo que só a peço em casamento daqui um ano ou mais.
Ele para respira fundo e fica olhando para ela de olhos arregalados.
— Então mulher, me tira da minha miséria! – ele diz nervoso.
— Bom, eu... eu... – ela olha para ele séria e depois começa a rir.
— Claro que sim! Vamos aproveitar a vida ao máximo. E sim, não quero casar agora, mas vamos morar e começar a nossa vida, juntos.
Ele a abraça e começa a rodar Carolina pela sala como uma criança feliz e o riso dos dois se espalhou pelo apartamento 46 afastando a ínfima sombra que restou ali.
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