Depois de uma noite diferente sem o barulho de casa, Carolina levanta e começa a se preparar para ir para o trabalho. E ela nota uma machinha na parede que não estava lá na noite passada. E o curioso, é que a mancha lembrava o formato de um corvo. Tinha uns 5 centímetros e estava um pouco acima de sua penteadeira. Ela olhou intrigada e decidiu que tiraria a mancha assim que voltasse do hospital.

Ela se arruma, toma café e pega suas coisas para sair do apartamento, passando pela sala, vê que a poltrona que ela havia deixado na posição perfeita virada para a direita, estava virada para esquerda agora.

Um pouco assustada ela vai até a poltrona e a vira de novo. Mas, se convence que se enganou e virou a poltrona e não lembra. Afinal, não foi um fantasma, não é?

— Eu estava exausta a noite passada, me enganei, foi isso – ela fala baixinho e vai trabalhar.

Chegando no hospital, ela logo fica absorvida pelas atividades e as horas passam rapidamente, e ele só encontra Rodrigo próximo ao fim do seu turno.

— Oi, amor – Rodrigo a beijando levemente — Como foi a primeira noite lá no apartamento?

— Foi boa, estranhei o silêncio – ela diz rindo — Depois de anos de barulho, o silêncio foi bem estranho, bom, mas estranho.

— Logo você acostuma, – ele sorri malicioso — e prometo que quando eu passar a noite lá, não será nada silencioso.

Carolina ri e o beija rapidamente já que estão no corredor do hospital.

— Preciso ir, você passará lá mais tarde? – ela pergunta.

Rodrigo balança a cabeça bufando.

— Não, vou ter que ficar de plantão essa noite – ele frustrado — Dois residentes pegaram uma virose e eles vão precisar de ajuda. Mas, amanhã eu passo a noite com você, prometo.

Ela acena concordando e depois de mais um beijo rápido, vai correndo fazer suas últimas tarefas do dia.

Chegando em casa cansada, ela joga a bolsa no sofá e vê em choque a poltrona de novo está virada para esquerda.

— Mas, que porra? – Carolina se aproxima da poltrona e a vira de novo. — Ou eu estou ficando doida, ou tem um poltergeist por aqui. – ela brinca, mas com uma pontinha de medo no coração.

Ela vai para o quarto para pegar uma roupa para tomar banho e se aproxima da penteadeira para pegar o creme para cabelo que ela havia deixado ali e olha para a mancha e vê que o “corvo” está um pouco maior e com mais detalhes, agora ela pode jurar que ele tem até um olho brilhante, olhando fixo para ela.

Ela corre para o banheiro, pega o tira limo e um pano que deixou lá e espirra na mancha. O corvo vai se desfazendo até virar um borrão, ela passa o pano e a parede fica sem manchas e perfeita de novo.

Depois do banho, ela está secando o cabelo quando escuta baterem na porta. Ela desliga o secador e vai conferir no olho mágico quem bateria na sua porta tão tarde. E não tem ninguém no corredor.

— Eita, que estranho! – ela dá de ombros e acha que foi impressão então ter ouvido as batidas. — Vai ver foi no vizinho.

Ela vira para voltar para o quarto e mal dá as costas a porta quando as batidas se repetem, dessa vez bem alto.

Ela pula de susto e abre a porta rapidamente e não tem ninguém ali, apenas um corredor frio e escuro. Estava tão frio que sua respiração condensava no ar. Ela olha para os lados assustada e rapidamente fecha a porta.