Resgate

1 Distrito de Shiganshina


Notas iniciais
Olá! Bem... o que dizer? É minha primeira fanfic de Shingeki, e espero muito que gostem dela. E me perdoem qualquer erro de ortografia, mesmo no nome deles. Esse capítulo contém mais ação, por que eles estão passando por Shiganshina para saírem em busca do Eren. Então, está tudo um pouco corrido. Esse primeiro será narrado pelo Levi, e tenho alergia à "Povs on/off" Então, só colocarei o nominho dele. (Capítulo editado.) Boa leitura.

Levi

“Não, Levi!”

Erwin maldito. Acreditei que ele pudesse dar um jeito, mas nem ele. É inacreditável que apenas eu confio que o garoto possa estar vivo. Aliás, eu e a quatro olhos. Convenci Mike à ir conosco... Ainda não sou insano o suficiente para ir só, com a louca.

Encaixei o dispositivo na maleta e a fechei. Conferi todas as mudas de roupa em outra mala e a tranquei. Dei uma última olhada no pedaço de espelho que tinha no meu dormitório. Eu diria que a roupa estava “ocasional”, sem exageros. Estava noite e fazia frio... E eu não sairia apenas do quartel, nem da cidade. Mas iria para fora das muralhas.

“Não posso arriscar a vida de um soldado como você, por alguém que não possa mais estar vivo, Levi. As chances de sucesso são escassas. É até irracional. Não vá atrás, é uma ordem.”

Ou seja, não adiantaria se jogar no chão, espernear, berrar e blasfemar contra ele. As ordens de Erwin são supremas. Na verdade, é muito estranho ninguém estar preocupado com o sumiço do pirralho, e aparentemente quase nem sentindo falta desde nosso retorno.

– Tsc, ingratos. – Deixei escapar, mesmo que em tom baixo. Peguei as malas e dei uma última checada no ambiente, numa revisada para ver se estava tudo em ordem. Pisei para fora do cômodo e o tranquei. Provavelmente até eu chegar esse lugar vai estar infestado de teias, mofos, e bichos nojentos. Já que só por mim está tudo um brinco. E pensar nisso me desanima.

O motivo pelo qual irei atrás de Eren é por ser responsável por ele, e por descuido meu o perdemos. Mas de qualquer forma, no final das contas teria a mesma atitude. Onde já se viu largar um moleque de quinze anos, muito prestativo até então, num lugar daqueles?

Rangi os dentes. Senti meu coração dar uma falhada. Ele não está morto. Certo. Ele pode ser impulsivo, mas é esperto e tenho certeza que está dando conta. Sim. Afinal, ele é do meu esquadrão.

O único que sobrou.

– Levi!!! – Suei frio, até ver que era a maldita com intenções de me assustar.

– Não grite, quatro-olhos! – Franzi o cenho. – Onde está o Mike?

– Está lá em baixo nos aguardando. – Ela finalmente alcançou o meu lado, então pude ver a quantidade de malas que carregava.

– Pra onde acha que está indo? Algum resort? – Me referi às suas... Seis malas.

– Oh querido, tive que tirar muita coisa importante pra ficar fácil!

– Você vai chamar atenção demais com isso tudo, se desfaça do desnecessário! – Ordenei. A bióloga de titãs fez bico, ela é ciente que sei que tem muita tranqueira sem utilidade ali dentro.

Finalmente alcançamos o térreo. Mike de veras estava à porta nos aguardando. Ele assim como eu, vestia roupas sociais e um casaco por cima, carregava também duas malas.

– E a Hanji? – Perguntou. Não havia entendido até olhar para trás. Uma veia saltou da minha testa.

– Não brinca comigo, estrábica!!! – Tentei no máximo impor autoridade, mesmo ainda murmurando. Então após algum tempo ela apareceu da escuridão com uma mala enorme de rodinhas.

– Por que eu não pensei nisso antes? – Olhou para a própria mala.

– Espero que tenha uma desculpa convincente, já que Erwin com certeza avisou a guarda local – Fiz ela engolir seco, olhei de relance à Mike e me retirei, sendo logo seguido pelos dois.

~*~

– Ah, ehr... É que estou indo ao culto acompanhada deles! – Eu deveria ter pregado a boca da míope antes de sairmos.

– E qual propósito da mala? – O guarda mantinha uma expressão séria e confiante de que a pegou na mentira. E eu já não sabia onde enfiar a cara. Respirei fundo.

– A questão é que agora com o sumiço do moleque titã, Erwin nos deixou de folga até ele bolar outro plano de recuperação, e então nós três passaremos um tempo na casa dos pais de Mike, e nossas roupas estão todas dentro dessa mala – Arrisquei. Todos sabiam de Eren, então não teria muito problema. Olhei pro ‘guarda-roupas’ móvel e aproveitei pra dar uma boa encarada na quatro-olhos.

Apesar de tudo, foi mais fácil que eu esperava. Ninguém informou nosso superior e não levantamos suspeitas. Agora o jeito seria levar a mentira pra fora das vistas daquele homem. Erwin não poderia saber antes do tempo, caso contrário eu seria punido também por carregar esses dois comigo.

Caminhamos discretamente até um dos vários becos escuros, mas esse em especial tinha uma passagem subterrânea que teria como destino a Muralha Maria, como atalho para casos urgentes. Como sempre tive muita sorte, a única passagem que nos levaria a muralha de Maria, tinha seu fim em Shiganshina. De qualquer forma... Nada seria fácil daqui pra frente.

Adentramos. Já na passagem encontramos nossos cavalos. Realmente manter contato com alguns conhecidos antigos me serviu.

A viagem à cavalo até o distrito de Shiganshina não demorou tanto quanto temíamos. Saímos em um outro beco estreito, localizado no meio da cidade, então já havíamos percorrido metade do caminho da cidade até a muralha.

Estávamos numa panela de titãs, então todo cuidado seria pouco. Soltamos os cavalos com as malas para que fossem até os portões da cidade antes de nós. Por baixo de todo o agasalho estávamos com a cinta-liga, então era preciso somente ajustar os dispositivos.

Silêncio. Um total silêncio. Nossos passos não eram perceptíveis aos titãs, mas éramos cautelosos. Com as espadas sempre às mãos, caso necessário.

Pude ver o fascínio nos orbes amendoados e assustadores da míope. A lua refletia nos seus óculos e me possibilitava ver o quão vermelha ficava de entusiasmo apenas por ver aquelas criaturas repugnantes. Parados em pé, quietos e fracos pela noite. Ela estava à um passo de gritar espontaneamente de empolgação.

– Hanji, não se atreva! – Dei uma leve espetada no seu braço com a espada – Se concentre!!!

– Levi, posso levar um na volta? – O mais assustador era a seriedade que mantinha enquanto me fazia um pedido estúpido desses.

– Calada!

Depois de algum tempo de observação do ambiente, passamos a correr depressa, mesmo que cautelosamente. Aliás, o muro que iríamos subir estava ainda muito longe.

– Parem!!! – Mike nos impediu, mesmo sem entender fiz o que pedia e a quatro-olhos o mesmo. Enquanto ele cheirava o vento como se farejasse algo.

– Agora não é hora pra isso, Mike! – Era inacreditável. Mas mesmo assim ele não parou – O que é agora?

– Pão... – Disse e logo após deu uma longa cheirada no ar.

– Faça-me o favor! Realmente, é um pior que o outro! – A esse ponto me preparava pra voltar a correr, mas pude ouvir algo como...

– Um arroto?!

– É o que parece, quatro-olhos. – Puxei rapidamente os dois e os colei na parede ao nosso lado para nos escondermos. – Alguém mais está presente... – Ouvi alguns sussurros e era notável timbres diferentes, aparentemente havia um grupo de pessoas.

Coloquei o indicador na boca demonstrando silêncio e pedi para que permanecessem escondidos. Esguiei colado na parede, virando uma das várias ruelas estreitas. As pessoas daquele grupo pareciam despreocupadas demais pro meu gosto, ou estariam exaustas para correr em uma situação assim. Aproximando-me mais e reparando, a segunda seria mais correta. Aliás, atravessaram toda a cidade para estarem aqui agora na mesma noite. Tentei me aproximar um pouco mais, escondido onde a luz da lua não tocava. Posso dizer que agora estou realmente próximo.

Pude identificar o garoto loiro que não desgruda do Eren, por seu cabelo é impossível não reconhecê-lo. Do seu lado a garota do cachecol cor de sangue, que também não sai do pé do pirralho. Mas tinha mais gente...

Eles passaram por mim, e agora atrás deles decidi de fininho me infiltrar, ficando exatamente à poucos centímetros dos últimos. Era evidente que iriam atrás do garoto, mas eu queria era saber como pretendiam, por em prática, qualquer que fosse o plano.

– Connie, seu idiota, quando amanhecer os titãs vão voltar ao normal, não tem como passarmos a noite em uma das casas!

– Você não sabe falar baixo, cara de cavalo?

– Parem os dois! Temos que aproveitar a noite pra passar por eles, foi isso que Armin planejou e todos concordaram!

– Mikasa está certa, e aliás... Vocês já estão com as cinta-liga nos corpos? – Pelo jeito o pirralho pensou o mesmo esquema que eu.

– Armin, vamos fazer barulho quando escalarmos...

– Não vai ter problema, Reiner, por que já estaríamos na reta final.

– Espero que dê certo!

– Na verdade torço é pra conseguirmos chegar lá antes de amanhecer, Berth!

– Ah, isso é verdade Ymir.

– A Sasha tá acabando com os pães Ymir! não deixa a Christa dar mais a ela! – Disse enquanto erguia uma bolsa com ‘estoque’ de pães.

– Isso não é verdade Jean! Christa, não escute ele!

– Me dê a bolsa! – Ymir tomou de Jean – Sasha você vai ficar sem comer na próxima refeição!- Seus olhos lacrimejaram.

– Armin... – O ‘cara de cavalo’ olhou para o pirralho e eu estava bem atrás, aparentemente não fui notado, e prefiro não pensar no por quê.

– Ninguém aqui dê mais um passo!!! – Decidi me denunciar depois disso.

– Heichou!!! – Gritaram em coro.

– Calados! Dêem meia volta e desapareçam!

– O que faz aqui? – Mikasa perguntou com um tom de voz nada agradável.

– Senhorita Ackerman, eu quem faço as perguntas por aqui. – Devolvi no mesmo tom – Vocês, o que pensam que fazem num lugar como esse? – Cruzei os braços.

– Ahm, ehr...

– Estamos indo atrás do Eren! – Ackerman interrompeu os pensamentos altos de Armin.

– Oh, vão é?! – Sorri em deboche proposital – Com ordens de quem?

– E você? Mesmo sendo superior a nós também é pau mandado do Erwin! – Senti meu sangue borbulhar – E acredito que Erwin não te deu ordens pra isso...

– Jean, você enlouqueceu??? – O careca repreendeu o imbecil.

– Seria lamentável se ele soubesse que você desacatou uma ordem, certo? “Heichou”... – A última palavra soou um tanto irônica. Os outros pareciam bem assustados, e temiam o que eu poderia fazer. Percebiam minha futura fúria sobre esse energúmeno que não calava a boca.

– Heichou... – Armin chamou minha atenção com um timbre calmo – Já que nenhum de nós tem autorização pra isso, podemos fazer vista grossa e nós seguimos nosso caminho e você o seu. Assim ninguém se prejudica!

Devo dizer que o pirralho me convenceu. Apesar de que qualquer deslize cometido por eles, comprometeriam a mim e a aos outros dois. Dei uma última olhada no bando e uma boa respirada.

– Não façam nada de imprudente! – Remansei o tom e me afastei, indo em direção à Hanji e Mike.

Continuamos a correr. A noite estava bem gélida, o que tornava as coisas um pouco complicadas. Mas a lua estava cheia e sua luz dava uma iluminada nas ruas dentre as casas, já que não havia iluminação pública. Mas estávamos realmente correndo às cegas. Porém eu podia ver aqueles adolescentes também correndo, no mesmo ritmo que nós.

Repentinamente ouvi um estrondo vindo de trás de mim. Aliás, todos ouviram. Algum barulho estridente de placas de alumínio como panelas e talheres dos bem barulhentos. Desacelerei dando freio com uma das pernas e parando como todos.

A quatro-olhos havia esbarrado em uma banca exatamente desses produtos. Olhei pro chão e o ódio subiu ao ver a cegueta esparramada junto com todas as panelas. Eu podia matá-la, mas Mike foi socorrê-la.

– Está tudo bem??? – Pegou no braço dela e a ergueu.

– Meu óculos, Mike... Rápido!!! – Era só o que faltava, a desastrada tinha deixado o óculos cair num momento desses. Típico.

– Heichou!!! – Ouvi a voz de Armin em um berro nada calmo.

Eu já sabia do que se tratava. Automaticamente olhei para cima alcançando o topo das casas e às bocas sorridentes das criaturas assassinas. Eles se mexiam lentamente, como se libertassem de um transe.

– Hanji!!! – Gritei olhando pra trás – Rápido! – Olhei novamente pros titãs, estávamos todos quietos agora, prontos para o pior – Tsc, eu sabia que daria algo errado...

– Droga, não vai dar certo... – Sasha dizia em desespero, aparentemente estava pra chorar.

– Pessimismo agora não vai nos salvar, pelo contrário! – Apesar de tudo concordo com a Ackerman.

Enquanto a louca procurava os óculos e Mike tentava farejá-los (?) eu resolvi fazer algo de útil. Me lancei em um daqueles telhados com o dispositivo a fim de ter uma melhor visão do terreno. Estávamos perdidos. A quantidade de titãs era absurda. Havia lugares que não cabia sequer uma formiga pela aglomeração dos gigantes. Eu poderia sim me desesperar agora, na verdade ao ter essa visão terrível senti ânsia na boca do meu estômago. Mas não posso dar as costas ao nosso objetivo por algo tão fútil como medo. Tenho que encontrar Eren, e trazê-lo de volta.

Ouvi um barulho atrás de mim, Armin havia subido no telhado.

– Eles vão ‘despertar’ heichou... Se não corrermos não dará tempo! – Olhei pra baixo na direção de Hanji e Mike e um pouco longe deles pude ver uma luz fosca refletida em um pedaço de vidro.

– Armin, vá correndo com os outros na frente, nós os alcançamos depois! – O loiro rapidamente desceu do telhado então fiz o mesmo. Fui em direção do objeto que avistei.

– Usa óculos pra quê se não enxerga uma banca daquele tamanho??? – Empurrei a armadura do óculos contra o rosto da quatro-olhos. — Anda logo! Corram o mais rápido que puderem, e usem o equipamento só em caso de emergência!

Fomos em direção aos mais novos, então agora estávamos correndo todos juntos. Os titãs podiam movimentar algumas partes dos seus corpos, como se alongassem. Os olhos estavam sempre abertos, mas direcionados pra frente. Graças à escuridão que nos escondia deles.

– Só mais um pouco, só alguns poucos metros!!! – Jean gritou como incentivo aos outros, que estavam já se cansando pela corrida acelerada. Reclamavam em gemidos chorados pelo cansaço. O que não era pra menos, pois estávamos quase decolando, e eles pareciam já terem corrido antes de eu encontrá-los. Reiner pegou a senhorita Braus nos ombros e Ymir carregou uma loirinha baixinha. Ymir e Ackerman tinham um ótimo desempenho físico, pois ambas estavam aguentando sem problemas, até mais que alguns caras. Até Hanji choramingava.

Não é a melhor hora pra observar o condicionamento físico dos novatos, mas lá fora será pior, e se eles estão dispostos à salvar Eren terão que superar muito do mais simples, como a dor física e o cansaço. Pois lá fora não terá um muro pra escalar, ou tetos e árvores sempre que algum titã aparecer. Muitas das vezes terá só o campo, nós e nossos equipamentos. Então, será a hora de apelar para a corrida.

Arlert era o mais inteligente, mas o mais fraco deles. Conforme passava o tempo, ele ia ficando cada vez mais atrás. Quando me dei por isso ele quase fugia das minhas vistas. Decidi que pararia pra ajudá-lo, mas alguém fez isso por mim.

– Armin!!! Aguenta aí que estou indo! – Correu em direção ao garoto.

– Jean, não preciso de ajuda! – Ouvi na verdade um filete de voz em meio ao fôlego pesado que indicava que o menino estava quase pra desmaiar.

– Não fale besteira, olha seu estado! – Alcançou o garoto e eu parei para esperar por eles.

Jean numa fração de segundos ergueu Armin no colo e começou a correr em minha direção. Assim que me alcançou passamos a tentar nos juntar aos outros, que estavam bem mais à frente agora.

Ouvimos um murmúrio. Um murmúrio em um timbre extremamente grosso e alto. Todos sabiam de quem – ou do que – Esse som era.

– Corram mais rápido!!! – Jean gritou com Armin no colo, quando estávamos já perto deles.

– Impossível! – O careca também parecia não suportar mais.

Olhei para os lados, tentando formular alguma ideia que pudesse nos salvar. Nos esconder dentro das casas era certamente uma escolha arriscada. Olhando a posição da lua e o céu clareando, daqui menos de uma hora poderemos ver o nascer do sol. Suponho que seja agora cinco horas e meia. Há um vasto caminho à ser percorrido até a muralha, em uma hora.

– Usem o dispositivo! – Gritei.

– É arriscado demais!!!

– Reiner, não vamos conseguir se continuarmos correndo! – Armin tomou fôlego e gritou – Ele tem razão. Precisamos usar o equipamento!

– Se usarmos correremos o risco de sermos notados! – Até o mais alto deles mostrava tensão na voz.

– Já fomos notados, Berth! Temos que aproveitar que estão enfraquecidos, por que daqui alguns minutos o sol vai nascer!

– Ninguém aqui vai suportar correr até a muralha, usem o DMT!! – ordenei. Jean soltou Armin no chão e rapidamente todos eles lançaram-se sobre os telhados, e então todos puderam ter a visão que eu tive.

– Não... Não entrem em pânico... – Armin tentava acalmar os outros, mas o mesmo paralisou diante da visão perturbadora.

– Vocês são soldados, não podem dar pra trás! – Jean apertou o punho que segurava uma das espadas.

– Tentem não pensar nisso agora, foquem no nosso objetivo! – gritei, pois estavam todos separados em telhados diferentes. Olhei novamente a muralha, o caminho encontrava-se intercalado entre as casas e os titãs. Seria mais rápido se usássemos eles como meio de locomoção, matando o maior número possível até lá. Correríamos riscos, era insano. Mas tudo sempre foi assim.

Olhei para Arlert, parecia também pensar em algo. Na verdade, o mesmo que eu. Pelo garoto ser esperto isso me deixava de uma forma mais calmo.

– Me sigam!! – Dei um último grito e rapidamente me locomovi. A iniciativa teria que ser rápida, agora que o sol está para aparecer a qualquer momento.

A única coisa que eu podia sentir era o sangue subindo à mente, e também a adrenalina percorrendo cada poro do meu corpo. O vento gélido cortava nossos rostos, e deixava-os dormente. No céu algumas finas faixas claras e mistas de azul com um laranja sutil que começavam a surgir, como um sinal de que logo menos a natureza daria corda nos gigantes para poderem nos exterminar.

~*~

Raios começaram a nos alcançar pelo horizonte. Aqueciam nossos corpos congelados. O calor calmo era agradável, mas a situação não nos deixava desfrutar disso.

Eles estavam ágeis agora, mesmo que lerdos. Nos viam com certeza, e tentavam nos segurar como se fossemos moscas. Senti um deles conseguir me pegar pela perna, e se eu não fosse tão rápido, sem dúvidas eu teria ela esmagada. Mesmo assim, eles ainda não podiam andar. Talvez por suas pernas estarem frias e por isso fracas, já que as construções impediam a chegada dos raios até elas.

Eles estavam barulhentos e isso era problemático, já que chamava atenção de titãs à quilômetros de nós.

– Hanji não é hora para fazer anotações!! – Era inacreditável como ela conseguia se locomover, cortar alguns titãs e no tempo de “sobra” parar em algum telhado para escrever em seu caderno de pesquisas. Ela tem que ser bem confiante pra fazer algo assim, ou muito louca mesmo... – Deixe isso pra depois!

– Eu sempre esqueço de algo quando deixo pra depois!– Deu uma risada medonha e se atirou novamente com o equipamento, gritando de uma forma comemorativa por estar se aventurando no meio deles. Suspirei. Isso é realmente falta de vários parafusos na cabeça.

Quando sai de meus pensamentos e reparei em todos, notei que a mocinha loira estava com problemas em alguma parte do equipamento, o ruim é que ninguém reparou nela. Então mudei o rumo e fui em sua direção.

– Está tudo certo?

– Não quer pegar... – Disse com lágrimas rolando a face. Como ela era muito branca, seu rosto estava bem vermelho pelo choro e pelo medo. Então olhei seu dispositivo de disparar as âncoras, e por algum motivo as lanças não respondiam ao comando.

– Calma mocinha, como se chama?

– Christa. – Limpou as lágrimas com as costas da mão – Christa Renz.

– Christa, deve ter embolado a corda dentro do dispositivo ou qualquer coisa... Mas agora não podemos parar por isso! – Guardei as espadas dela e as minhas – Se apóie em mim, eu te dou uma carona, já que estamos próxim—

– Christa, o que houve? Ele está fazendo algo com você? Por que está chorando? – Ymir chegou um tanto agitada perto de nós, me interrompendo e fazendo perguntas estranhas.

– O dispositivo dela está com alguma falha, vim ajudar. – Disse indiferente.

– Já está tudo bem, eu levo ela! – Me olhou com uma expressão um tanto fechada – Obrigada por querer ajudá-la, mas daqui eu assumo. – A pegou no colo e se atirou em outros telhados.

Puxei o gatilho e me lancei novamente. Trazer aquela garotinha pra cá não é um tanto irresponsável?! Aquela menina deve ter o quê? Uns doze anos ou um pouco mais... Ou até menos. Pelo rosto, tamanho e voz. Devem ser irmãs. Não... Uma é quase albina e outra é parda, bom... Tanto faz.

– Connie, vê se fica ligado cara! – Acabo de ver uma cena inacreditável. O tal Connie lançou as âncoras na testa do titã ao invés do pescoço ou de qualquer outro lugar menos perigoso. O que indicaria que quando ele chegasse perto certamente seria comido. Sua sorte foi Reiner ter cortado o titã antes.

– Te devo essa, Reiner! – Ele riu como se não fosse sério. Me pergunto como ainda vivem.

Refletindo, alguns companheiros que eu consideraria invencíveis morreram, e outros soldados como Hanji e Mike – Pirados – Ainda lutam contra a ameaça e riem da cara dela. É uma forma bem curiosa de superação.

– Armin!!! – Gritei. Estávamos próximos, mas ainda ‘voando’ e cortando os titãs. Dei sinal para que subisse no telhado que eu agora pulava.

– Sim?? – Subiu o mesmo telhado.

– Vocês conseguiram cavalos?

– Na verdade consegui mais que esperava – Sorriu – Consegui um pra cada um de nós do meu grupo.

– Como conseguiu? – Repentinamente uma mão enorme bateu no telhado que estávamos, nos afugentando dali.

De qualquer forma, o garoto conseguiu. É um alivio saber que depois disso é só montar nos cavalos e sumir daqui. Olhei de novo para todos. Eu estava mais preocupado com a formação que com minha própria vida, já que seria certeza que eu conseguiria ir até o fim. O problema era eles.

Todos pareciam estar bem. Ymir com Christa no colo dava conta de tudo, da movimentação e dos titãs. Braun e Hoover estavam normais. Arlert e Kirschtein davam assistência um ao outro. Springer apesar de leso estava bem e Sasha até me surpreendia. Mike estava bem mais à frente, dele eu não precisava me preocupar. Nem da senhorita Ackerman, que era bem habilidosa. E por alguma razão assustadora, não peguei Hanji alisando algum titã.

De cara com a muralha o sol apareceu por inteiro no horizonte. Agora o dia clareando sutilmente possibilitava aos titãs todos os movimentos de volta. Andar, virar de lado, dar pirueta, virar cambalhota... A força dos pitchucos voltou.

A passagem está aglomerada, sem chances! – Mike gritou, já com uma visão boa do “portão” do distrito.

– Escalem a muralha! – Gritei, o mais alto que pude atrás de todos. Acredito que ouviram.

Mike, já beijando o muro, escalou. Ackerman foi a segunda a fincar as âncoras nele, e de seguida Hanji e Ymir com a pequena nos braços. Essas mulheres estavam dando um baile nos caras.

– É isso ai! Conseguimos!!! – Jean comemorou. Mas muito antecipadamente, não tinha nem chegado ao muro ainda. Não preciso nem dizer que um titã o agarrou, né?! Mas cortei os dedos do infeliz e o salvei, já que estava perto e sou rápido. Foi um susto, digo que ele até entrou em choque por uns segundos, pois senti seu corpo bobear. Já bem perto do objetivo e ele quase morre.

O último. O último a escalar o muro de cinquenta metros. Os buracos feitos pelo titã colossal ainda estavam frescos. Olhar aquilo é o mesmo que recordar que por graças a ele, as coisas ficaram feias daquele tempo pra cá. Os titãs abaixo ficaram agitados ao nos ver acima. De fato eram milhares, tantos que os próprios não conseguiam se locomover direito. Mas a passagem era grande, e os titãs de dentro poderiam sair. E nossos cavalos estavam parados, já do lado de fora. Eu sabia disso por que pude avistar o guarda-roupas móvel da quatro-olhos. Coitado do cavalo dela...

– Arlert, como conseguiu os cavalos? – Me aproximei dele.

– Ah... Verdade. – Ele estava aparentemente bem pensativo – Bom, dizer à você não vai ter problemas já que também está com o mesmo objetivo, então... – Respirou – O senhor Pixis nos cedeu esses.

– Pixis? – Eu esperava qualquer resposta, até de que haviam roubado os cavalos.

– Sim, no mesmo dia da volta da tropa de reconhecimento, em que havíamos perdido Eren, chegou aos ouvidos de Pixis e ele veio conversar comigo. – Começamos a caminhar lentamente enquanto conversávamos – Ele palpitou que eu iria atrás dele já que ninguém se arriscaria, e era isso que eu tinha em mente, então somente confirmei. – Deu uma pausa e olhou pra mim – Sabe, heichou, ele parecia querer que eu fizesse isso, e não só aceitar que eu faria. – É bem compreensível. Já que ele depositou toda sua fé no pirralho na recuperação de Trost.

– Deve ser por que é algo que valha a pena arriscar algumas vidas. – Dei um sorriso discreto de canto para Armin – Chega até a ser necessário. Mas por ser do lado de fora das muralhas, o medo dos soldados aumentam e eles deixam por isso. – Arlert concordou com a cabeça. Eren além de ser a esperança da humanidade, é um ser humano. E não pode passar mais tempo sem proteção. Todos os que acreditam que está vivo, pensam isso.

Depois de um tempo de descanso, descemos a muralha com cautela.. Podemos subir nos cavalos e enfim cavalgar até longe dali. Até algum lugar aparentemente calmo. Até alguma cidadezinha fantasma, ou até alguma floresta. Ainda não sei, ninguém sabe. Só podíamos agora ver o solo verde e plano, vasto até onde nossas vistas podiam ir.

Cavalgávamos para o desconhecido, mais do que nunca na base da esperança. De sobrevivermos e de encontrarmos o pirralho vivo... E bem.

Notas finais
Palmas para quem veio até o final! *aplaude* Explicações: No decorrer da fanfic, melhorei a escrita em vários aspectos. Então, quando volto a lê-la afim de corrigir, vejo o quanto pequei em partes. (estava tudo tão ruim que editei até as notas! XD) Espero melhorar muito os primeiros capítulos conforme eu for editando. Talvez eu até mude algumas cenas e acrescente outras. Enfim, só lendo o resto para confirmar ou desmentir, certo?! hahaha! ;3; Não deixem de comentar, beijinhos!