Resetando

1 Resetando (Capítulo Único)


Notas iniciais
ESTA ONESHOT FOI BASEADA EM UMA COMIC, CUJO LINK ESTARÁ NAS NOTAS FINAIS!
Curiosidade: Como eu escrevo no Word, a fonte dessa oneshot foi Comic Sans ;B
E se eu não deixei passar nenhum erro, o gênero do/da Frisk não é citado nenhuma vez aqui, porque em português nós não temos nenhum pronome neutro como em inglês (Que podemos usar "they".)!

LEMBRANDO QUE ESSA FIC NÃO É SANS X FRISK :B

BOA LEITURA! ♥

Quanto tempo se passou desde o último reset? Pra ser sincero, eu não conseguia mais me lembrar. Por quê? Talvez porque um bom tempo já tinha se passado. Talvez porque eu estava muito imerso nessa “vida atual” (O que foi um erro.).

Normalmente, apenas um mês se passava (No máximo.) antes que eu acordasse em Snowdin de novo. Quando perguntei a Tori quanto tempo tinha se passado desde a nossa saída do Underground, ela me respondeu “Três meses.”. Sinceramente, eu duvidei. O tempo passava muito devagar, mas quando paro pra pensar, isso era comum pra quem estava esperando que tudo se resetasse. Como todo “final pacifista”, as coisas estavam dando certo.

Undyne e Alphys oficialmente anunciaram que estavam juntas, e passavam mais tempo assistindo animes do que qualquer outra coisa. Mettaton estava começando a fazer sucesso (“Um robô que é um superstar?! Uau!” Diziam os humanos.). Tori finalmente realizou seu sonho e se tornou professora, e Asgore... Ele continuava tentando se aproximar dela. E eles estavam meio que se tornando amigos de novo. Se eles voltarão a ficar juntos? Bem, quem sabe? Grillby abriu um novo Grillbys (Para a minha alegria.) e Muffet abriu uma padaria (Sem aranhas... Provavelmente. Espero.), e às vezes ela se juntava a Tori pra ensinar o Papyrus a cozinhar.

Papyrus... Ele continuava alheio ao meu medo, animado e contente como sempre. Quantas vezes eu menti por temer que ele não aguentaria a verdade? Às vezes, nem eu conseguia suportar... Como ele, o grande Papyrus, conseguiria? Eu só queria mantê-lo longe disso. O que eu poderia fazer além de mentir e fingir que não havia nada me incomodando?

E Frisk... Maioria das vezes, dizia que tinha lugares para ir. Mas dessa vez, disse que queria ficar com Toriel, e a abraçou com tanta força que era quase um abraço desesperado. Algo estava estranho, Frisk nunca tinha agido assim. Parecia estar na beira da exaustão e do pânico. Às vezes me encarava como se esperasse que eu lhe desse um tempo ruim, como se estivesse com medo. Mas normalmente, conseguia agir como sempre: A criança gentil e piedosa que é.

Em um dia particularmente escuro, eu não consegui mais. Eu precisava perguntar.

— Hey, criança... Você tem um minuto?

Frisk estava na cama, olhando para o pôster imenso do Mettaton colado na parede de seu quarto. Como não estava fazendo nada, pensei que aquele seria o momento.

— Claro.

“Poucas palavras como sempre, huh?” Pensei. Sentei-me ao seu lado, suspirando.

— Então... O que você tá achando? Da nossa vida?

— Divertida... Tudo está indo bem, né?

A hesitação daquela voz...

— É... Até agora.

Frisk se virou pra me olhar, engolindo em seco. Não conseguia mais esconder aquele nervosismo, que eu conhecia muito bem. Já tinha o sentido muitas vezes.

— O-O que quer dizer, Sans?

— Quer dizer, sempre tem alguma possibilidade de algo acontecer e estragar tudo. Algum tsunami, terremotos, furacões... Ou... Talvez se tudo voltasse a ser o que era antes.

Ficamos em silêncio. Frisk começou a mexer as pernas, como sempre fazia em um momento de ansiedade.

— Olha, criança... Eu realmente não quero ter que esperar mais. Eu entendo sua curiosidade em passar pelas mesmas coisas várias vezes, isso é bom. Mas quando isso começa a afetar as pessoas ao seu redor... Não é algo tão bom assim.

Parei pra respirar antes de continuar.

— O que eu quero saber é quando você vai resetar. E, se puder me contar, o que vai ser dessa vez? Não é nada bom ter que esperar o seu destino, sabe?

Veja bem, eu não esperava aquela reação. Eu estava pronto pra qualquer coisa. Se Frisk corresse, pegasse uma faca e avançasse pra me matar, se morresse de raiva, se me xingasse dos mais terríveis nomes... Eu saberia como lidar com isso. O que eu não esperava era ouvir um soluço.

— Sans, eu sinto muito...! Eu virei um monstro!

Me virei, e Frisk estava de cabeça baixa, agarrando os lençóis da cama com força com suas mãozinhas. Chorava baixo, mas com soluços de dar dó: Altos e desesperados.

— Ei, criança... (Encostei a mão no seu ombro.)

— Eu sou horrível, eu fiz coisas ruins... Mas eu consegui... Chara... Não vai mais... Chara não vai me perseguir mais! Eu quebrei... Eu quebrei o botão!

— Botão? E quem é Chara?

— O botão Reset! A-Asgore já conseguiu quebrar o botão de Mercy uma vez, então eu pensei... Eu consegui...

— Espera, espera, o que isso quer dizer?

Aquele nome, Chara... Eu já tinha escutado aquilo em algum lugar. E não me dava vibrações positivas. Eu não consegui processar direito o que aquilo queria dizer. Em meio as lágrimas e aos soluços, Frisk conseguiu esboçar um sorriso.

— Eu fiz coisas horríveis... Eu matei todo mundo... Mas não mais! Não vão me tentar... Nunca mais. Consegui destruir o botão sem que Chara visse...! O último reset, eu estava fazendo um genocídio nele, não estava?

Eu estava começando a me agitar. Não conseguia me lembrar de muito do último reset, porque já tinha sido há bastante tempo, mas tenho uma vaga lembrança de uma das mais intensas batalhas que eu já tive.

—... Estava, eu acho?

Frisk limpou as lágrimas com a manga do suéter listrado.

— Chara estava focando na batalha, então eu consegui destruir... Eu resetei sem que Chara visse, então eu destrui o botão... Sem mais resets, Sans! Não é mais possível que nenhum reset aconteça, nunca mais!

Depois dessa revelação, Frisk me abraçou com força, quase me fazendo cair. Quando consegui perceber o que as palavras “Sem mais resets” significavam, não consegui evitar. Me senti meio fraco depois, mas na hora na importava. Comecei a chorar junto com Frisk.

— Isso... Significa muito pra mim, criança...

— Eu sinto muito, Sans, sinto muito...

— Eu sei, eu sei...

Depois de vários momentos nesse abraço, consegui sussurrar:

— Bem, pode ter certeza que foi OSSO passar por todos esses resets...

Frisk deu uma risadinha fraca, e se soltou de mim.

— Ok, isso não teve graça. De qualquer forma... Muito obrigado, Frisk... Você é uma criança forte.

— Não, eu não sou... Você é, porque... Você tem ossos fortes!

— Isso teve menos graça ainda. Você tem muito que aprender, criança.

Trocamos um sorriso. Eles pareciam muito mais sinceros agora.

— Vamos para o Grillbys antes que comece a ficar tarde. Eu não paguei o último sanduíche que comemos, mas tudo bem, ele bota na minha conta.

— Como sempre, Sans.

— Ah, você conhece o cara, ele sempre me perdoa.

— Sei...

Levantamos da cama, e Frisk segurou meus dedos, como sempre faz.

Notas finais
Link da comic dub: https://www.youtube.com/watch?v=w1kGF8ORvf0

BYE!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!