Rescue Me
23 Epílogo: Ao vencedor, o prêmio
Notas iniciais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!! *arrebenta correntes ao redor dos pulsos*
... esta mensagem sofreu uma interrupção devido à felicidade extrema. Acompanhem agora o final definitivo da fic.
– Por favor!
– Não.– Ah, anda logo, vai, por favor...– Não.– Mas não é justo... Eu quero!– Não.– Deixa de ser chato, diz que sim!– Não...– Ah, seu velho coroca!Essa é a oitava vez que ouço essa mesma discussão. O Leon tá enchendo o saco desde semana passada com isso, e a resposta do Saffron é sempre a mesma.– Sinto muito, Leon, mas eu já disse umas trezentas vezes que essa é a minha última palavra sobre o assunto. — e essa também era a única resposta que ele sabia dar pra encerrar a discussão. — Não vou assistir a formatura do seu tio, e ponto final.Pois é. A formatura. Por incrível que pareça, o semestre passou voando, e o meu terceiro ano terminou. A formatura do pessoal do ensino médio é hoje, e claro que o Shian e o Akio... Digo, a Aki vão participar. Só não posso dizer o mesmo de mim. Com todas essas idas e vindas na escola, acabei perdendo mais de um mês e meio de aula... E com isso uma porrada de provas e trabalhos que fizeram bastante falta na média final. Resultado, reprovado.Não que eu esteja preocupado, claro. Por dois motivos: primeiro, porque acho que consigo pegar o diploma se pedir pro meu pai alterar umas coisinhas no registro de escola. E segundo, porque eu tô pouco me fodendo pra esse negócio de escola, mesmo.Outra coisa pra qual eu tô pouco dando a bunda é a tal da formatura. Graças à convivência com a família do Saff, acabei conhecendo um pouco mais o Shian e a Aki — o que não quer dizer necessariamente que somos os melhores amigos, mas pelo menos não é como se fosse aquele bando de gente inútil e estranha com quem passei esses últimos anos.Pensando bem, não acho que seria tão ruim assim se formar. A empolgação do casalzinho é tão grande que se você não tiver cuidado pode acabar virando no corredor e esbarrar nela. O problema de tudo isso são os outros.Outros que fazem questão, inclusive, de estragar a vida do Saffron.– Mas por que você não vai? — pergunta o Leon pela milésima vez. E pela milésima vez, o Saffron dá a mesma resposta, sem perder a paciência. – Por que eu fui demitido da escola sob a acusação de ser um tarado. Me diz, o que é que um tarado vai fazer na festa de formatura dos alunos?– Ah, você podia ir, Saffron... — e falando em Aki, ela entra de repente na cozinha. Aliás, ela ficou até gostosinha usando roupa de mulher. Fora que a gravidez deixou ela com uns peitões ainda maiores... — Sabe, não é como se você fosse lá pra sentar na bancada dos professores. Você vai e fica na plateia, sem chamar a atenção nem nada...Ah, sim, estamos na casa do pai do Saffron nesse momento. Com o negócio do tiroteio e tal, a família do Saff ficou preocupada e assim que ele teve alta veio morar aqui. E eu meio que vim junto, claro.– Aki, as pessoas não vão me querer ali. — eu só não sei ainda como é que ele não perde a paciência com esse povo chato. – Não vou me sentir bem indo a um lugar em que as pessoas vão ficar me olhando torto e falando pelas minhas costas. Acho que já tive o bastante disso por essa vida, obrigado.– Isso não é JUSTO! – grita o Leon de novo. – Tio Shian tá se formando, tia Aki tá se formando e você não vai poder ver eles desfilando em roupa de formatura!– Olha Leon, será que já não falamos disso o suficiente durante a semana inteira? – o Saffron bate o jornal que tava lendo (ou tentando ler) na mesa e levanta devagar da cadeira. – São seis horas da tarde, daqui a meia hora todo mundo vai sair pra ver a formatura, e você insiste nisso como se de uma hora pra outra eu fosse ir!Dessa vez o moleque calou a boca – mas com um ar de surpresa de quem não esperava que ele fosse reagir daquele jeito. Mas se ele ia falar mais alguma coisa, perdeu a chance, porque o Saffron passou pela porta sem olhar pra trás. E como se fosse pra encher ainda mais o saco, uma porrada de repente na parede, que quase faz a alma da Aki sair pela boca, avisa que tá chovendo. – Ah, Leon, não fica assim... – ela passa a mão na cabeça dele enquanto ele senta e pega uma balinha que tá na cesta em cima da mesa. – Essa é só nossa primeira formatura... você ainda vai poder levar seu pai pra ver a gente muitas outras vezes!Bom, eu não tô com saco pra ficar escutando lamúria de ninguém. Levanto e vou na direção que o Saffron foi, pra ver onde ele foi se meter. No caminho, acabo esbarrando com Mille, que tá usando o espelho do corredor pra ajeitar a gravata.– Cara, pode até ser que esse visual não combine com você – ele diz pra si mesmo sorrindo como se estivesse tentando se auto-seduzir, — mas você ficou muito gato nessa roupa... Ele e o Shian são os dois únicos irmãos do Saff. Atualmente os únicos que ainda moram na casa são o pai e a mãe deles, já que os filhos arrumaram uma casa própria assim que tiveram a chance. Mesmo assim, a tia Ellen (mãe do Saff) insiste que não quer se mudar porque a casa é grande e tem espaço pra todo mundo, e é muito comum um filho ou outro aparecer aqui do nada pra dormir uma noite ou duas com eles. Essa região do bairro não é muito segura e eles gostam de garantir que não tem nenhum moleque encachaçado sendo espancado no portão da casa deles.Segundo consta, Mille tem um flat meio carinho no centro da cidade, mas mora sozinho. Saffron, obviamente, comprou o apartamento pra morar com a Rafaela e não voltou mais. E o Shian tem aquele muquifo velho em que ele se encontrava com a Aki, que segundo o Saff foi comprado com dinheiro do eremita. Só se for dinheiro de prostituição, porque um moleque como ele ter casa é no mínimo estranho.
– O Saff foi lá pro quarto. – pensei em falar com o Mille, mas ele me respondeu antes de eu sequer abrir a boca. Deve ser coisa de policial. – Pega leve com ele, ele ainda tá com dor de cotovelo porque barraram ele na colação.Depois de uma resposta dessas, não tenho nem o que discutir. Dou de ombros, agradeço a ele com um aceno de cabeça e vou subindo a escada pra chegar no quarto dele.Como ele tem uma mania desgraçada de nunca fechar porta nenhuma por onde passa, vejo ele parado do lado da cama, dobrando a roupa do Leon que ele acabou de trocar pelo terno da formatura com uma cara de quem tá filosofando sobre a fibra das roupas.– Ei... – ele me vê entrando, e dá um sorrisinho alegre, mas que não chega a disfarçar a cara de bunda que ele tava ostentando antes. – Por que não pega uma roupa minha e vai com eles? Afinal de contas, é a sua formatura também...Como o Saffron tá afastado da escola, não me preocupei em contar pra ele que fui reprovado, e dei um jeito do Shian também não. – Eu, não. Pra quê?– São seus amigos... você passou uns bons anos estudando com eles.Tive que fazer força pra não rir disso. Meus amigos, né? Imagina o prazer que eu não ia ter de me formar com o Kamus do meu lado (não sei se o Hexion passou, mas esse filho da puta conseguiu essa proeza).– Não tô a fim de esbarrar com ninguém, nem lá nem em lugar nenhum – respondo. – Principalmente se for da parte do meu avô.– Já resolvemos o problema do seu avô...– Não é por que ele tá preso que ele não pode mandar ninguém atrás de mim. – a ingenuidade do Saffron me assusta às vezes. – E eu já disse que não quero esbarrar com ninguém.Ele guarda a roupa do Leon no armário, e depois senta na beira da cama com um ar de cachorro sem dono.– Que droga, passei a semana toda me preparando psicologicamente, e ainda assim não consigo deixar de me sentir incomodado com isso.Também, com o teu filho enchendo o saco todo dia sobre isso, não tinha nem como se preparar psicologicamente.– Ah, vai ter outras. – comento. – Tua família é inteligente. Eles vão saber dar o jeito deles de se formar de novo em alguma porcaria que seja.Ele sorri, suspirando, enquanto vou andando pra chegar mais perto dele. – Não vou ver outra formatura minimamente pelos próximos 5 anos. Aki disse que só vai fazer faculdade depois que o Yoru fizer um ano, e o Shian vai ter que trabalhar pra sustentar eles.– Não é tanto tempo assim. Passa rápido. – paro na frente dele e aproveito que ele ficou de perna aberta pra ficar parado em frente a ele. – Além disso, ainda tem a formatura do Leon no fundamental, então você pode baixar isso aí pra uns 3 anos.– Verdade... – ele faz cara de quem esqueceu mesmo desse detalhe. Vou me inclinando por cima dele, e ele parece demorar pra respirar. – Falando em Leon, ele ficou lá embaixo?– Batendo papo com a Aki. – ele ergue as mãos e coloca por cima do meu peito, esfregando um dedo contra a camisa como se estivesse muito interessado no tecido. – Acho que não vai subir tão cedo.– Ah, é? Que coisa... – não é como se o moleque não soubesse de nada. Na verdade não só ele, mas todo mundo na casa já sabe da gente. É só uma maneira preventiva de evitar o desconforto dele entrar no quarto e fazer barulho de quem vai vomitar. Ele infelizmente ainda não chegou na idade de saber o que é querer uma pessoa do seu lado.As coisas aqui na casa acontecem muito rápido, então melhor aproveitar. Jogo um pouco mais de peso, pros braços do Saffron cederem, e ele foi relaxando devagarinho. A mão dele muda de lugar e vai parar atrás da minha cabeça, e eu sinto ele virando o rosto pra me beijar. A outra mão começa a esfregar a minha costa, a língua dele vai abrindo caminho na minha boca...– 5 MINUTOS, PESSOAL! – e logo em seguida, pancadas fortes na parede, vindas de uma mão pesada o suficiente pra assustar os dois. Não foram na porta porque dessa vez eu esqueci ela aberta. Merda... – PRONTOS OU NÃO, DEU NOSSO HORÁRIO, HORA DE CAIR FORA! TODO MUNDO AQUI EMBAIXO PRA ORGANIZAR O RODÍZIO!Se tem uma coisa que eu detesto na casa do Saffron, é a capacidade da família dele de ser extremamente empata-foda. Desde que eu cheguei aqui, e isso faz quase dois meses, não consegui ficar direito com o Saffron em momento algum. E isso tá começando a me tirar do sério.Afasto um pouco pro lado e o Saffron levanta também, meio irritado. Meu, que porra de namoro é esse em que eu não consigo nem beijar ele direito sem ter um monte de gente pra encher o saco? Começo até a achar que os skinheads seriam mais tolerantes com a gente.Dois minutos depois, e estamos no andar de baixo olhando pra cara do resto da família. Shian e Aki já estão vestidos com a beca preta e vermelha da escola — com o diferencial que dessa vez ela está com uma maquiagem feminina (cortesia da tia Ellen), os peitões soltos e a barriga saltando um pouco por cima da roupa.Aliás, não faz sentido pra mim como uma mulher tão peituda conseguia esconder os peitos daquele jeito. Ela parecia lisa que nem uma tábua na escola – e agora mais parece a filha da Pamela Anderson. E falando em tia Ellen, ela vem descendo as escadas, toda sorridente. Apesar de já ter seus 50 anos, quase batendo nos 60, ela é uma mulher pra lá de conservada. Quem não a conhece pensa que ela não passa dos 40, e com o cabelo ruivo dela num penteado meio folgado, caindo no ombro, e no vestidinho tomara que caia preto que ela escolheu pra hoje, não tem quem possa dizer que ela não vai arrasar na festa. Eu pegava fácil, aliás.Em seguida vem o Mille, que já tava pronto faz um tempão mas que tava arrumando o cabelo. Ele é ruivo basicamente por causa dela. Todos os 3 filhos herdaram a cara cuspida e escarrada do pai, mas com uns traços da mãe pra dar uma variada. E olha, puta que pariu, eu quero ter esse gene formol que ela tem, porque não é possível. Mille tem mais de 30 anos e tem uma cara de quem não tem muito mais do que 25, Saffron deve estar nessa idade mas não aparenta ter mais de 22, e o Shian... bom, ele ainda não se manifestou, e a cara de rabugento dele faz ele parecer um velho de 60 anos. Daí não tem milagre que salve.E pra fechar o comboio, entra o Leon na sala. Mesmo tendo só 10 anos, ele tá de terno como todos os outros homens da família, e fazendo uma expressão como se tivesse a idade deles também. A gravata era parecida com a do avô, o que me lembra de perguntar pro Saffron quem foi que teve essa ideia.– Bem, eu vou no meu carro com a Ellen e o Leon, claro. – o Frank tomou a rédea do papo, e todo mundo calou a boca na hora. Eu não faço ideia do tipo de educação que eles tiveram, mas todo mundo da casa, não importa a idade, tem um medo tremendo de contrariar ele. Imagina só o medo do Saffron quando resolveu sair do armário pra família dele. – Shi, vai no carro do seu irmão com a Aki, do jeito que você corre, vocês vão chegar bagunçados que nem um espanador se forem de moto. Depois vocês devolvem.– Certo.– Mille, moto ou carro?– Ué, lógico que eu vou de Cinnamon! – a Cinnamon é uma moto preta com umas riscas cor de canela que ele comprou. – Já vou direto pra casa depois, vou ter que resolver umas coisas amanhã e o carro vai chamar muita atenção.Como se a moto não chamasse.– Bem, nesse caso, todos aqui, hora de zarpar. Todos pra fora, já. Shian, ajuda sua mãe a ir tirando os carros da garagem pra perder menos tempo. – e ele se virou pra mim e pro Saffron. – E vocês dois, tratem de não destruir a casa. Saffron, tua mãe deixou comida, mas qualquer coisa pode se servir no armário e inventar alguma coisa pra janta. E tratem de não mexer no meu jornal.Havia uma regra muito clara na casa dos Demeter. Eles tinham duas assinaturas do mesmo jornal, e o Frank sempre ficava com um deles. Ele podia tolerar muito bem um filho maníaco, outro psicótico e outro viado, mas alguém mexendo no jornal dele era o terror.– Deixei um pouco de frango à milanesa na parte de cima da geladeira pra vocês. – tia Ellen voltou pra dar mais umas recomendações, como se o Saffron e eu fôssemos pré-adolescentes incapazes de fazer comida. – Tem também torta de presunto com ricota e acho que sobrou um pedacinho daquele bolo de cenoura que o Leon pediu tanto. Sven, deixei um bule de café pra você no fogão, só não tome muito senão não vai conseguir dormir.Isso me fez abrir um sorriso, mas não deu tempo de se animar muito. Assim que todo mundo foi se despedindo, e o Leon deu um abraço apertado no pai antes de ir embora, noto que o Saff voltou a assumir a cara de bunda de antes.
– Bom, você ouviu a mamãe. – ele comenta. – Se quiser comer alguma coisa, pode se servir lá na cozinha, eu vou tomar um banho...E sem explicar mais nada, ele sobe, fazendo o mesmo caminho de antes pra ir pro quarto. E de novo, ele tá chateado. Essa confusão toda me faz pensar no quanto o Saffron se importa com essas coisas formais. O importante não é passar de ano? Por que as pessoas dão tanto valor a formaturas, e batizados e festas de aniversário? Não basta estar feliz e ter conquistado algo?É incrível como os outros conseguem melar sua felicidade com a facilidade que jogam sal num prato de pudim. Por mais doce que seja, uma hora ou outra a coisa passa do ponto. Daí ou você come forçado ou joga fora.Me jogo um pouco no sofá, aproveitando que todo mundo já tá indo embora. Esse negócio de formatura me irrita, ainda bem que depois de hoje tudo volta ao normal. Tão até comentando do Saff voltar pra casa, talvez assim eu consiga um pouco de sossego com ele. São as duas coisas que eu mais preciso nesse momento, sossego e um maço de cigarros.E falando em sossego, lá vem o Mille voltando. Pra ele não basta ter uma vida, ele tem que perturbar a dos outros, também.– Ué, cadê o Saff? – ele olha ao redor, enquanto fica passando a mão no cabelo. – Já subiu de novo?– Tomando banho. – aponto pro andar de cima.– Ah... ainda tá puto?– Por?– O papo da formatura, ué.– Eu tô pouco me fodendo pra isso.– Eu não tô falando de você, tô falando dele! – ele levanta a perna e me empurra com o sapato.– Ai! Sei lá, acho que ele foi esfriar a cabeça... – Ué, não conseguiu consolar ele ainda agora? – Ele dá a volta e pega uma chave pendurada perto da porta. O jeito que ele fala tá me parecendo meio estranho... – Se eu fosse você tratava de tomar banho também, você tá mais fedido que gato morto dentro do armário.Putz, não tinha uma comparação mais nojenta?– Tenho mesmo?... – só de pensar em levantar já me dá preguiça, e meu corpo acaba afundando no sofá automaticamente. – Sem falar que o Saff tá no do quarto, e eu não gosto de usar o dos outros.– Ah, sei lá, você podia aproveitar enquanto ele ainda tá lá. Ele toma banho rápido, mas acho que se tu correr ainda pega ele peladão lá.Aquele era um comentário bem estranho, principalmente porque os irmãos dele costumavam atrapalhar, e não ajudar a gente. Ou ele tava sendo sincero, ou tava armando uma federal, então é melhor não dar muita trela.– Não acho que vocês vão querer som de homem se pegando. – respondo depois de um tempinho.– Hmm, e desde quando você se preocupa com o que os outros vão pensar de alguma coisa?Ele abre um sorriso, e eu acabo sorrindo também. Agora sim eu entendi o tom estranho da conversa. Mais uma olhadinha no espelho, ele bota a chave no bolso e vai andando na direção da porta.– Depois da formatura vou direto pra casa, Shian e Aki devem ir pro apartamento dele pra “comemorar”... e o Leon vai ficar com o pai e a mãe até mais tarde. Eles tão planejando jantar em algum lugar, dar uma volta, e só depois voltar pra casa. Não sei o que vocês vão fazer sozinhos aqui em casa, e pra falar a verdade nem quero saber, mas eu se fosse você tratava de fazer alguma coisa... útil... nessas horinhas.Nisso ele dá uma piscadela e sai. Sinceramente, não sei o que pensar desses cunhados malucos. Eles são tão bipolares que tem horas que dá vontade de se jogar de um abismo, mas eu confesso que o Mille tem razão dessa vez...Bem, vou lá... dá pra escutar daqui o barulho da Harley Davidson do Mille arrancando. XL883R, modelo esportivo, dá até raiva de um ser humano ter uma dessas na garagem... só sendo funcionário público, mesmo. Olho pela janela, e todo mundo já foi. Não consigo deixar de sorrir – e tenho certeza de que não é um sorriso comportado.Sozinhos pela primeira vez. Espero que os vizinhos não se incomodem com o barulho...Subo as escadas, e assim que entro no quarto dá pra ouvir o chuveiro ligado. Tiro o sapato com o pé mesmo, sem desamarrar, e vou até a porta. O Saffron tem um péssimo hábito de não trancar as portas. A do banheiro não é exceção, então eu entro numa boa, e mesmo com o boxe todo embaçado dá pra ver o contorno dele debaixo do chuveiro. Ele de costas nem percebe que eu tô lá, só fica olhando pra parede, deixando a água cair na cabeça e pensando em sei lá o que.Ele parece estar em outro mundo mesmo. Vou me aproximando, tento dar uma batidinha no vidro, nada. Então, ponho a mão por cima da boca e grito.– VAI ACABAR A ÁGUAAAAAAAAAAAAAA!Dessa vez ele finalmente me ouve – e tomou um susto tão grande que escorregou e quase caiu no chão. Abro a porta rápido, e percebo que se não fosse por ele ter se apoiado no registro ele teria caído de cabeça.– Epa, tudo bem aí?– Que droga, Sven! – ele levanta e fica me encarando feio. — Será que não posso mais nem tomar banho em paz?– Olha, eu deixaria, mas não tem nada pra fazer e todo mundo foi embora, então eu resolvi ficar com você.– Tá, e será que dá pra você pelo menos fechar essa porta? Tá molhando tudo, a água tá espirrando pra fora...– Ok.Dou um passo pra dentro do boxe e fecho a porta. O lugar é meio apertado, mas por sorte eu e ele cabemos ali. A água do chuveiro tá bem quentinha, então não me incomoda que ela agora esteja caindo na minha cabeça. Abro um sorriso, e ele continua a me encarar, com cara de quem vai me afogar com xampu.– Estou ficando molhado... – digo, só pra quebrar o silêncio. Meu Deus, esqueci como provocar a ira do Saffron é divertido.– ... esse era seu plano desde o começo, não é?– Que plano?– Vir perturbar meu banho.– Você reclama, mas eu sei que você adora me ter por perto.Acabo sem querer arrancando um sorriso dele.– Sua roupa tá ficando molhada... – ele diz, puxando minha camisa ensopada.– Ok, vou tirar ela.Tiro a blusa rapidinho, puxo a calça e a cueca ao mesmo tempo, amontôo tudo numa bolinha e jogo por cima do boxe. A roupa faz aquele barulho de água espirrando ao cair no chão, e o Saffron me olha com um jeito assassino de novo.– Vou fingir que não vi isso... – ele diz entre dentes. O Saffron fica lindo quando tá puto. Abro um sorriso, me sentindo meio feliz sem motivo, e me surpreendo quando ele acaba me abraçando. Vai ver ele curte esse tipo de coisa, também. – O pessoal já foi pra formatura, né?...– Isso é alguma sugestão?– O que você acha?Dou de ombros. Acho que isso foi claro o suficiente. Abaixo um pouco a cabeça (incrível o Saffron ser mais velho e ainda assim baixinho) e começo a passar a língua no pescoço dele. A reação é quase imediata, ele tem um calafrio e respira fundo pra tentar disfarçar.– Ei... tem certeza?– Você acabou de falar que não tem ninguém aqui...~– Sim, mas... – mesmo indeciso quanto ao que fazer, ele passa a mão na minha nuca. Ele não sabe se vai fazer, mas tá claro o que é que ele quer. – Estamos num chuveiro...– E daí? Se eu tô fedendo me fala logo!– Se o problema fosse cheiro eu te dava um banho, né? – mesmo dizendo isso, ele pega o sabonete e começa a esfregar meu braço, com uma expressão de pura falta do que fazer. – Não tem nada a ver com você... só acho meio estranho... sabe, termos a nossa primeira vez aqui. Não estamos nem em casa!– Ah, não é como se nós fôssemos virgens. – ele tinha mais cara de ser virgem do que eu, mas ele tinha um filho, e era a cara dele...– Bom, depende.– Ué, depende do que?Ele abriu um sorriso tão safado que ficou mais parecendo um dos irmãos dele. Daí, desceu a mão e apertou a minha bunda, e mesmo com aquele sabão todo aquilo conseguiu ser forte o bastante.– ... ah.– E aí, vai me dizer que já saiu oferecendo a retaguarda por aí? – Bom, não... – o sorriso dele diminuiu e voltou ao normal, mas não sei porque olhar pra cara dele tá me deixando sem jeito. – Eu preferia sair com mulheres pro meu avô largar um pouco do meu pé...A expressão dele muda pra surpresa. Ele passa a mão no meu rosto, curioso.– Então quer dizer que você sempre curtiu homens...– Ah... mais ou menos... sei lá...Ele volta a sorrir de novo. Eu lembro desse sorriso. É o sorriso que ele deu pra mim no dia que conversamos no hospital. Não sei bem o que dizer depois disso, mas ele vem pra cima e me beija forte. Puxo ele pra mais perto, e sinto ele me colocar contra a parede do boxe, igualzinho ao sonho que tive há meses atrás do nosso primeiro beijo imaginário no apartamento dele, só que em uma versão bem mais úmida – em todos os sentidos.O corpo dele – e o meu por tabela – tá cheio de sabão, mas isso não impede ele de me agarrar como se não tivesse amanhã. A água também não tá muuuuito quente, ele gosta de tomar banho frio, mas dá pra sentir que o corpo dele tá fervendo. E claro que eu não vou desperdiçar isso.O jeito que ele me beija me dá arrepios, mas afasto-me dele pra morder o pescoço dele devagar. Já conheço o Saffron, sei que ele gosta desse tipo de coisa, e o gemido que ele dá logo em seguida me dá uns calafrios muito estranhos debaixo da pele. Não aguento mais esperar, estamos há meses enrolando só nisso, preciso tê-lo...– Sven... – ele sussurra, com a mão na minha cintura. – É a primeira vez que a gente faz isso... não quero que seja assim...– Assim como? — antes de responder, ele deixa a mão correr na minha barriga, e aquilo me dá uma sensação estranha. Estranha, mas que eu gosto pra caramba de sentir.– Ah, sei lá... não que eu não goste de transar embaixo d’água, mas acho que podíamos aproveitar um pouquinho melhor o tempo e espaço...De certa forma, acho que ele tem um pouco de razão aí. Mas por mim, sendo só nos dois, poderia ser até em cima de um banco de trator. E com o trator ligado.– Tá... – afasto ele um pouco, deixando a água bater no corpo dele um pouco mais. – Vai um pouco pra lá, vou tomar banho então...– Ah, claro, agora você quer tomar banho, porque depois de toda essa confusão que você causou eu não me lavei direito!– Pera, você ficou um tempão aqui e não tomou banho? – olho pra ele, incrédulo. – Seu enrolado, se eu não tivesse vindo você teria acabado toda a água da cidade!– Tá, tá, dá um tempo vai... – ele fica vermelho de novo, do nada. – Eu tava... pensando em umas coisas...– Ah, sei, sobre o papo da formatura...– É, um pouco...– ... e que vai casar comigo e ter uma casa com um quintal grande onde teremos dois filhos e um labrador...– Ah, eu não sei, na verdade nunca pensei em... EI! – o jeito dele de perceber as coisas me faz ter quase um ataque de riso. O Saffron é um cara tão simples nas coisas que ele pensa que até brincando ele acaba revelando o que quer.... tá, ele é uma piada, isso sim. Aquilo é tão engraçado que começo a rir da cara dele, na moral. E quando digo rir, é gargalhar mesmo, gritando quase pra toda a casa ouvir. E claro que isso não deixa o Saffron nadinha satisfeito.– P-pára com isso! – ele pede imediatamente, ficando vermelho. Tento respirar fundo, olhando pra cima pra deixar a crise passar. Isso. Calminho, calminho...... mas aí eu olho pra cara dele de novo e tudo foi por água abaixo.– pfff...AHAHAHAHAHAHAHAHAHAH!Só que dessa vez isso não passa despercebido. Quando eu vejo, ele tá começando a fazer aquela cara... droga, já fez.– Você já terminou de tomar banho, agora CAI FORA! – ele abre a porta do boxe e me empurra por cima da roupa molhada no chão, batendo a porta logo em seguida. Como sei que ele ficou putinho e não vai me deixar entrar de novo, cato as roupas do chão e vou pro quarto, ainda rindo um pouco.Saindo do banheiro, jogo a roupa por cima de uma cadeira e pego a toalha pra me enxugar. Ainda assim, me pergunto sobre todas essas fantasias do Saffron. Até que ponto ele realmente acha que vai conseguir viver sendo tudo aquilo que a sociedade espera dele? Pelo amor de Deus, ele é viado e sonha como se fosse uma garota que vai casar na igreja de véu e grinalda.... apesar de que não ia ser tão ruim assim morar com ele e ter um cachorro, e tal. Só me pergunto de onde a segunda criança ia sair, porque já tivemos problemas o suficiente com vadias que ele resolve comer.Termino de enxugar o corpo e boto a toalha na cabeça. O Saffron continua tomando banho numa boa, então resolvo trancar a porta do quarto – sei lá, não confio nesses parentes malucos dele. Dou uma última esfregada no cabelo pra secar bem e jogo a toalha por cima das roupas na cadeira. Olhando daqui, parece até que a cama tá tentando me seduzir, me chamando com essa cara macia e confortável.
E com uma cama dessas, resolvo dar mole e deixar ela me ter um pouco. Enfio logo a cara no travesseiro, e é maciiiiiiio... sério, travesseiro macio deve ser a melhor coisa do mundo. Fico deitado ali, sem pensar em mais nada, só deixando o corpo relaxar depois de um banho quentinho desses.– ... Sven?Não sei bem quanto tempo se passou, mas quando vejo o Saffron já saiu do banho, e tá vestido só com uma bermuda cinza de pano.– Hm?– ... você nem se deu a trabalho de se vestir...Mas essa é a melhor parte do pós banho! Ficar deitado peladão na cama dos outros não tem preço.– Claro, minhas roupas estão molhadas. – aponto inocentemente na direção da cadeira, dando um sorriso perfeitamente falso. O que importa que eu tenho outras, afinal?Ele atravessa o quarto e abre o armário, procurando o que vestir. E se eu conheço o Saffron, sei que ele vai pegar uma roupa pra mim, também, e isso eu não vou deixar. Aproveito que ele tá meio distraído e abraço ele por trás. Deu trabalho de ficar sozinho com você, sabia?– Você vai ficar gripado se ficar andando pelado desse jeito... – dá pra sentir na voz dele que ele tá sem jeito, mas mesmo assim ele faz um carinho no meu braço. Era tudo que eu precisava.– Depende, se você me esquentar não vou ter problemas...Até que enfim ele se vira de frente, e eu aproveito a oportunidade pra beijá-lo profundamente, desses beijos que fazem ele ficar arrepiado. Ele me abraça, meio ansioso, passando a mão na minha costa, e aproveito aquilo pra puxar ele pra mais perto de mim. – Sven... – ele sussurra perto do meu pescoço, e aquilo me dá calafrios. Sem falar que o cheiro dele quase me mata de tesão. – A-acho melhor não, não estamos nem na minha casa... o pessoal vai voltar logo...– Você tá quase explodindo... – respondo de volta, mordendo a orelha dele de leve e passando um dedo pela costa dele também, bem na altura da espinha. Sinto ele me abraçar forte, quase caindo depois daquilo, e isso é suficiente pra fazê-lo mudar de ideia. Ele me solta um pouco, me encara, e puxa meus lábios com os dele de um jeito completamente sedutor.Em poucos minutos de beijo ele me empurra pra cama, deitando por cima de mim e esfregando meu corpo contra o dele. Sinto ele me puxar pra cima de leve, apoiando minha cabeça no travesseiro, pra logo em seguida começar a lamber meu pescoço.Mesmo sem me conhecer tão bem assim, ele sabe exatamente como me provocar, e tudo que ele faz começa a me dar arrepios no fundo da minha alma. Meu corpo começa a reagir, e eu tranço os dedos no cabelo dele pra mostrar com todos os detalhes possíveis onde eu quero que ele me toque. Logo a língua quente dele começa a correr não só pelas veias do meu pescoço, mas também pela minha clavícula, meus braços, meu peito...Aquilo me faz quase delirar, mas ao mesmo tempo me deixa confuso. Não sei se as garotas que eu comi não eram boas nisso, ou se tinham nojinho de se entregar como ele tá fazendo, ou se é uma coisa só dele, mas eu tenho quase certeza de que eu nunca respirei tão forte quanto agora quando alguém me acariciava. Cada toque dele na minha pele, seja com a boca ou com os dedos, me dão aquela sensação que me faz estremecer. E eu tô começando a gostar disso pra caralho...A língua dele continua descendo pelo meu corpo, enquanto uma das mãos vai esfregando por dentro da minha coxa, ameaçando se esfregar naquela minha partezinha (epa, partezinha não, tá mais pra partezona) que tá começando a esquentar demais. Cada suspiro dele me deixa ansioso pra ver o que ele vai fazer logo em seguida. E assim, eu acompanho ele deixar aquele rastro de saliva gelado no meu peitoral, passando pela barriga, cintura... Quando ele finalmente chega na virilha eu já tô arfando.– Sven... — ele põe as mãos na minha cintura e sobe o corpo de novo, dando mais uma mordida no meu pescoço e me beijando logo em seguida. Ai, caralho, esse cara não tem limite não? E pensar que na escola achavam que ele era frígido... Bom, melhor assim. Prefiro que ele seja só meu, mesmo. E por falar em meu, começo a perceber que o short dele tá começando a ficar meio apertado demais, consequência daquele volume entre as pernas dele que tá começando a se destacar.Pela primeira vez na vida, aquilo me atrai. Ponho uma das mãos no elástico do short, provocando e puxando-o mais pra perto pela peça. Eu e meu eu interior decidimos que é a minha vez de brincar, então trato de abaixar um pouco aquele pano inútil pra arranhar de leve o quadril dele com o pouco de unha que eu tenho. E parece que deu certo. Ele arfa baixinho, puxando o ar com mais força que o normal. Pelo jeito, vai ser fácil mexer com ele.Aproveito que ele ficou um tanto indefeso e mordo o pescoço dele, deixando o corpo dele roçar no meu. Sinto o calor e o cheiro dele enquanto esfrego o rosto devagar contra o dele, e eu afasto um pouco as pernas pra deixar ele se encaixar ali. Ele se ajeita num ritmo tranquilo, roçando a virilha dele na minha, e puxo ele pelo queixo pra mais um beijo carregado de desejo.É quase um orgulho perceber que eu mexo tanto assim com ele. E ao mesmo tempo, só nesse meio tempo em que estamos a sós, percebi que eu o quero muito mais do que imaginei. E quero mais do que beijos e amassos, quero tudo dele.E aí, eu me vejo encarando ele, com aquele nervoso latejando no meu peito e sem saber o que fazer. Ou melhor, eu sei muito bem o que fazer — eu só não sei como vou arrumar coragem pra isso.– Ah... Saff... — tento chamar a atenção dele, meio sem jeito, e ele percebe que eu tô meio incomodado. Só que em vez de recuar e ficar me olhando como qualquer pessoa faria, ele fica de quatro por cima de mim, passando a mão no meu rosto.– Que foi? — apesar do tom, a cara dele me diz que ele vai levar a sério o que eu disser.– B-bom... eu não sei como vou dizer isso... é que... — puta merda, isso lá é hora pra ficar nervoso? — Eu nunca... n-não desse jeito, sabe?...Ele olha pra mim, acho que tentando entender aquilo, e depois solta um suspiro que não parece de falta de saco, e sim de alívio. Sem dizer uma palavra, ele deita por cima de mim de novo, me abraça pela cintura e rola comigo pro lado, me deixando por cima.– Acho que pra sua primeira vez é melhor assim... – ele fala enquanto termina de ajeitar o corpo dele sob o meu. Agora dá pra ver que ele também tá meio nervoso. — Você já fez isso com garotas, vai saber se virar. É praticamente tudo igual, sabe?...Isso me assusta um pouco. As garotas sempre reclamavam que esse tipo de coisa dói, então eu só fazia penetração quando elas pediam... Pra um homem deve ser igual, se não pior...– Você já tá acostumado com... esse tipo de coisa? — pergunto, começando a ficar preocupado com ele.– Olha, faz um tempo que não faço isso, mas pode ficar tranquilo que eu me viro. — ele responde sorrindo, e isso me alivia um pouco. E de repente o sorriso dele se abre um pouco mais distorcido. — Além do mais, eu não quero ouvir você choramingando coisas do tipo "Ah, Saffron, é muito grande, acho que não cabe... tá doendo..."– Se você ainda não percebeu, o meu é maior... — respondo, quase achando graça. — Quem você acha que vai sair chorando amanhã de manhã? Depois não vem reclamar que tá assado!– Acho que vou ter que correr o risco... — ele termina a discussão me beijando, e o jeito que a língua dele vasculha minha boca me lembra o que estávamos fazendo antes de toda essa conversa. Ele afasta as pernas e coloca os joelhos na minha cintura, fazendo eu me encaixar nele. Apesar de ainda ter uma merda de um pedacinho de pano escondendo o melhor do corpo dele, só com aquilo já dá pra sentir que ele tá super excitado.E por falar em pano, acho que já tá mais do que na hora de tirar isso do caminho de vez. Me afasto um pouco dele, ajoelhando na cama, e ponho a mão na beirada do short pra puxá-lo pra baixo. Ouço Saffron soltar um gemido fraco ao fazer isso, talvez por conta do pano roçando na cabeça do pau dele.O pau dele... Agora que dá pra ver ele pelado (o banho não conta, ele não tava armado), não consigo explicar... É diferente de quando eu tô batendo punheta, ver o pau dele me faz ter um tesão estranho, e aquele líquido meio brilhante me dá vontade de colocar ele na boca...Bom, não posso me esquecer de que estamos a ponto de transar, e que essa não é exatamente a melhor hora pra ficar refletindo sobre as minhas taras recém descobertas. Além disso, o Saffron tá tão ou mais nervoso do que eu, então talvez seja hora de fazer alguma coisa pra fazer ele relaxar e curtir comigo. E se ele disse que o processo é quase igual ao feminino, então acho que sei o que fazer.Mas antes, vou matar minha curiosidade e suprir um pouco desse meu desejo repentino (ou não, porque eu já tinha me imaginado fazendo aquilo antes): vou um pouco mais pra trás na cama, inclino a cabeça e dou uma lambida na ponta do pau duro dele.A reação é quase imediata: ele suspira forte e deixa a cabeça afundar no travesseiro, ansioso. E eu constato que aquilo não é nada ruim, muito pelo contrário, o gosto é quase tão atrativo quanto a expressão de prazer do Saffron. E logo me inclino de novo, pra continuar lambendo e provando o pau dele. Não sei quem de nós dois tá gostando mais disso, sério.Aos poucos, sinto que a coragem e a vontade de experimentar vão aumentando, e começo a lamber não só a ponta, nas também a deixar língua correr por todo o pênis, sugando um pouco aqui e ali. E de acordo com o que eu provo, o Saff me dá a resposta dele respirando um pouco mais forte e soltando gemidos baixos. Com o tempo ele também se solta, e passa a agarrar o travesseiro e jogar o quadril pra cima, empurrando o pau dele mais fundo na minha boca. Pra tentar evitar que ele me sufoque com isso, fico chupando só a cabecinha e passando a mão mais embaixo, batendo uma das boas pra ele. Hora de ir um pouquinho mais fundo — literalmente. Levanto um pouco, deixo a mão esquerda masturbando ele e coloco dois dedos da direita na boca dele. Ele aceita aquilo quase fazendo cara de agradecido, e praticamente engole os dois que eu dei pra ele com mais um que ele puxou com a língua, enchendo eles de saliva e chupando forte enquanto me olha com um jeito de quem diz "deixa eu fazer mais que isso". Ah, não, depois dessa eu não vou deixar barato pro seu lado.– Fica de quatro e vem aqui me chupar — digo logo em seguida, puxando ele de leve pelo cabelinho loiro, arrepiado de tanto se esfregar na cama. Ele toma aquilo como uma ordem e ao mesmo tempo um presente, e levanta quase imediatamente pra vir engatinhando na minha direção como um gato avançando pra perto da presa.Assim que ele encosta a língua e dá a primeira lambida, eu quase tenho vontade de me jogar na cama. Não sei o que ele tem ou faz que me atrai tanto, mas o jeito que ele esfrega a boca na minha pica me fazer ter uns tremores feios nas pernas. Puxo o cabelo dele com um pouco mais de força sem querer, e ele acaba respondendo com um longo suspiro abafado pelo meu pau na boca dele e uma reboladinha sexy.– Então é assim que você gosta de brincar, Saff? — sussurro baixinho, puxando o cabelo dele de novo, mas dessa vez pra valer, e obrigando ele a levantar pra me beijar. Tá na cara que ele tá adorando isso, ele se treme e faz umas caras que dá vontade de comer ele logo de uma vez, mas sei que ainda é cedo pra acabar a diversão. Empurro a cabeça dele pro meu ventre de novo e faço ele voltar a chupar, o que ele obedece sem chiar. Bem, talvez seja hora de recompensar um pouco o esforço dele. Lambo um pouco mais os meus dedos, pra deixar tão lisos quanto possível, e aproveito que ele tá de quatro pra enfiar um bem devagarinho na bunda dele. Ele se vê obrigado a parar de me chupar pra gemer, e eu empurro a cabeça dele de volta ao trabalho com uma mão enquanto enfio mais um dedo da outra dentro dele.– Sven... — ele chama baixinho, com uma voz rouca que tem um quê de desespero, enquanto coloca uma das mãos no próprio pênis e começa a se acariciar furiosamente.Vou remexendo os dedos bem devagar, esfregando contra o corpo dele, deixando a pele causar aquele atrito que tá fazendo ele se arrepiar todo, e a mim também por tabela. Ele já é apertado, e ainda se contrai todo quando eu meto... Imagine quando for pra meter de verdade. Sem falar que não sei onde ele aprendeu a chupar desse jeito, só sei que é de longe o melhor oral que já me deram em toda a minha vida.As lambidas vão começando a ir mais fundo, ele coloca o pau quase todo na boca, e o jeito que ele chupa me faz gemer, mesmo que eu não queira, de tão irresistível que é. Dá pra sentir a língua dele se esfregando em cada cantinho, enquanto o resto da boca dele faz uma pressão gostosa desde a base, deixando ele escorregar pra fora e voltar pra lá de novo... Ah caralho, assim é foda... E quando eu acho que não dá pra ficar melhor, ele faz uma coisa que eu nunca tinha visto ninguém fazer até agora: coloca as duas mãos na minha bunda pra ter apoio e me puxa na direção dele, colocando o pau inteiro na boca e dando uma senhora chupada. Aquilo é tão foda que me dá até um arrepio, e eu acabo dando um gemido que mais parece um grito. Ao olhar pra baixo, percebo que ele tá me encarando, mas não simplesmente olhando pra minha cara, e sim com um ar de desejo... Na verdade, eu lembro desse olhar. Lembro muito bem dessa expressão de garra dele, da primeira vez que ele me olhou assim quando peguei carona com ele e o carro bateu... E não sei se é porque o rosto dele fica lindo assim, ou se é porque lembrei da cena e me dá um arrepio de pensar em tudo que eu passei pra chegar até aqui, só sei que agora tô com um tesão tão forte que tenho que fazer ele parar de me chupar senão vou acabar gozando antes da hora. Preciso foder ele mais do que nunca agora.Decidido, pego o rosto dele, de leve dessa vez, e faço ele levantar de novo, dando nele um beijo mais devagar, mas ao mesmo tempo carregado de desejo. Ponho a minha mão no pênis dele pra masturbá-lo, e faço ele deitar de novo na cama, com a cabeça no travesseiro e as costas bem relaxadas sobre o colchão.– Tem lubrificante no criado-mudo... — ele avisa, já entendendo as minhas intenções.– Então quer dizer que mesmo com todo aquele cu doce de "não quero fazer", "não estamos em casa" você tratou de deixar um vidro de lubrificante a postos aqui na cabeceira... — comento.– Cala essa boca... — ele responde envergonhado. Vai ver ele tava até mais ansioso pra isso do que eu que tô estreando na viadagem.Resolvo seguir a dica dele e abro a gaveta do criado-mudo, pra dar de cara com um pacote de camisinhas e o tal do lubrificante quase cheio. Prevenido é pouco pro Saffron, e não sei por que não imaginei isso antes. Bem, antes isso do que ele não ter e eu ter que me virar só com saliva.O cheiro é um pouco estranho, mas não chega a ser tão ruim quanto o daquelas camisinhas com gosto (um pedaço de látex sabor morango obviamente não vai ter tanto de morango assim), então me sinto até um tanto feliz enquanto termino de colocar a camisinha e vou passando o gel na mão. O Saffron faz uma cara meio ansiosa, acho que ele tá meio preocupado se isso vai doer ou não, e como eu sei muito bem que nervosismo e penetração não se dão bem, coloco a mão no pau dele e acaricio a pontinha bem devagar. Dessa vez minha mão corre fácil por causa do lubrificante, e isso me faz ficar mais ansioso pra meter logo nele de uma vez. Calma, Sven, isso não é hora pra pensar com a cabeça de baixo... Você não quer que ele se machuque, essa é a nossa primeira vez, isso tem que sair direito...Aproveitando que ele agora parece um pouco mais tranquilo (ou distraído por causa da punheta), uso um dos dedos pra penetrar ele de novo. Ele fecha os olhos e geme, fazendo cara de quem tá gostando, e com isso penso que ele não tá tão despreparado assim. Vou passando de um pra dois, três e até quatro dedos em questão de segundos, e ele só se remexe na cama, arfando como quem pede por mais. Acho que já tá bom...Suspiro uma última vez bem fundo, e ele acaba suspirando também pra se preparar. Me encaixo entre as pernas dele de novo, coloco a ponta do meu pau na entrada dele, e ele faz cara de nervoso.– Posso? — pergunto, sendo levado pela preocupação dele.– Vai logo... — a voz dele treme, mas agora não dá pra voltar atrás. E eu sei que nenhum de nós vai desistir agora. Ah, foda-se!Penetro ele logo de uma vez, enfiando quase metade do pau logo de primeira, e ele dá um berro que chega a me assustar.– P-pera... — ele suspira, apertando o travesseiro de leve.– Tudo bem aí? — pergunto, passando a mão no cabelo dele, e ele dá um sorriso meio incomodado, mas ainda assim um sorriso.– Relaxa, eu aguento... — ele ergue um pouco pra cima e me dá um selinho. — Só vai com calma agora no começo...Correspondo ao selinho dele com um beijo mais profundo. Ele passa os braços no meu pescoço e relaxa na cama, e eu vou metendo mais fundo, dessa vez bem mais devagar.
– Ahh... Sven... — ele me chama com a voz rouca, o corpo tremendo e sacudindo junto com o meu. — Continua...Tento ajeitar ele na cama numa posição que não me canse, mas que ao mesmo tempo não sacrifique ele. Empurro ele um pouco mais pra cima, e ele senta em cima do travesseiro, apoiando as mãos no encosto da cama pra poder manter o corpo meio erguido.– Você sabe mesmo como me provocar... — respondo, olhando ele daquele jeito e partindo pra cima de novo. Volto a meter com força, e os gemidos dele me dão mais arrepios. Ele usa os braços pra mexer o corpo e empurrar os quadris na minha direção. Como ele parece um tanto ocupado fazendo isso, decido literalmente dar uma mão, acariciando o pênis dele com uma boa velocidade.É delicioso ver ele assim, completamente entregue. Ele geme alto enquanto tenta respirar, movimentando o ventre e tentando não fechar os olhos com aquilo. E a única coisa que eu consigo é meter mais, me lançar mais pra cima dele, fazendo qualquer coisa pra saciar aquela vontade. Meu Deus, esse cara ainda vai me matar...Começo a sentir que não vou durar mais que isso. O jeito que o corpo dele me envolve é foda demais pra eu me segurar. Ele começa a tremer e a quase gritar, e vejo ele apertando o travesseiro como se fosse rasgá-lo. E cada vez que ele grita, cada vez que ele chama meu nome, me faz acelerar mais, até que quem não tá mais conseguindo se controlar sou eu. – Saffron... — grito, e ele se agarra em mim passando os braços pelo meu pescoço, ainda gritando. — Ahhhh... Eu vou...Antes mesmo de conseguir terminar de falar, ele me interrompe dando um último berro, e ele joga o líquido dele, sujando minha mão, meu colo e o ventre dele. Isso me dá um tesão tão forte, mas tão forte, que em menos de dez segundos acabo gozando também, deixando meu corpo desabar em cima dele. Parece estranho, mas sentir o pau dentro dele agora me faz sentir diferente, como se estivéssemos mais ligados de verdade, não só no corpo. Pego a mão dele e cruzo os dedos dele com os meus. Enquanto estamos deitados ali, sinto a respiração dele desacelerar, a boca ir fechando e deixando só o nariz puxar o ar, os olhos fecharem e os dedos dele passarem no meu cabelo.Com muito esforço, tiro a camisinha, amarro e jogo pra longe. Ele sorri pra mim, mesmo estando cansado, e eu acabo sorrindo também, observando o rosto dele todo suado e com sono, mas feliz. Meu corpo se ajeita com o dele sobre a cama, enquanto ele estica a mão pra cabeceira e liga o ar condicionado do quarto no controle remoto. Que bom que não tenho que me preocupar com as coisas, afinal o Saff tá sempre cuidando de tudo, até de arrumar o quarto pra gente dormir depois de foder. Ele puxa o lençol com o pé pra cobrir a nós dois, e sinto ele se aconchegar do meu lado pra dormir de uma vez, a cabeça por cima do meu braço e uma das mãos na minha barriga.– Sabe, Saffron... – digo bem baixinho, só pra não ter que me esforçar muito. – Tenho pensado muito numa coisa, e depois de tudo que rolou aqui, acho que nunca estive tão certo de algo em toda a minha vida.– E o que seria?... – voz de sono, bocejo logo depois de falar, e mais um carinho na barriga. É, ele tá quase capotando, igualzinho a mim.– Eu sempre soube que você era a mulherzinha da relação...Não sei de onde ele tira força, mas me dá um tapão na barriga que até me faz gemer de dor.– Vai se foder... – Não, prefiro foder você, gostei da sua bunda.Saffron, você é lindo, sabia? Não tenho nem como negar isso. E você assim do meu lado, fechando os olhos... É tudo que eu mais queria na vida. Não só queria, como agora tenho.– Te amo... — digo antes que ele desmaie de vez. Ele me responde passando a mão na minha cabeça e suspirando.– Também te amo, Sven.Isso é tudo que eu preciso pra fechar os olhos e dormir numa boa, agarrado a ele como se ele fosse fugir a qualquer momento.–---------A manhã acaba vindo tão rápido que eu tomo até um susto quando a luz bate na minha cara mais irritante que puta tentando te fazer acordar pra pagar a foda. Não tem relógio no quarto, mas pela cara já deve ser bem tarde. Olho pro Saffron, e ele nem sequer reage, continua dormindo o sono dos justos, peladão e todo esparramado na cama. Ele deve estar cansado, normalmente ele levanta junto com o galo...Roubo um selinho dele, mas ele só se remexe na cama. Vendo que ele não ia reagir tão cedo, dou uma boa espreguiçada e resolvo levantar pra caçar o café. A Ellen faz um bem gostoso, do jeito que eu gosto... A essa hora todo mundo já deve ter levantado pra comer e fofocar sobre a formatura.Mas nesse instante, ouço um barulho de cima da mesa. Meu celular vibrando. A essa hora da manhã? Considerando que tá todo mundo aqui, só pode ser o Azhi...Leio a mensagem dele rapidamente. Era curta, mas pra mim era clara o bastante. Um último problema a resolver antes de poder ficar com o Saffron de uma vez por todas. Encontro às dez com ele no lugar marcado, conversamos e tudo resolvido. Daí eu volto pra casa, encho o saco do Saff pra ele voltar a morar na casa dele, e pronto. Ninguém mais pra atrapalhar a vida.Termino de me vestir, pego meu celular e mais um casaco do armário do loiro, boto uma nota de 20 que tava em cima da mesa no meu bolso, e vou saindo antes que alguém me veja e resolva perguntar alguma coisa. E tudo teria dado certo se não fosse uma pessoa sentada na sala, jogando freneticamente, mas fazendo uma cara apática que até engana quem não conhece ele. Incrível como o Leon ficou meio fechado depois de toda a confusão com a mãe dele.– Oi Sven. — ele cumprimenta sem muita animação, concentrado no jogo, mas só pelo jeito dele de cumprimentar sei que ele tá numa boa.– Oi... já no Play? — vou até ele e paro do lado dele, arrumando um espaço do lado dele no sofá.– O pessoal tá dormindo, todo mundo tá ressaqueado de ontem, não tem nada pra fazer, então tô esperando a vovó fazer o café.É, sem café. Paciência, vou ter que comprar um na rodoviária, mesmo.– Que merda.– E você, vai sair? — a fase entrou em checkpoint, e ele aproveitou a pausa pra me olhar. — Você e o papai vão passear?– Ah, não... — dei de ombros. — vou resolver umas coisas. Se tudo de certo, até à tarde eu volto.– E se tudo der errado?Merda. Eu não tava esperando essa pergunta.– Ah, claro que não vai dar errado! Só vou conversar com meu irmão...– Sei... — ele volta a olhar o videogame. — Seu irmão é legal, manda um beijo pra ele.– Ok.Resolvo aproveitar a deixa pra levantar do sofá, mas antes disso o Leon se vira pra mim e me dá um beijo no rosto. Ele puxou todo o jeito carinhoso do Saff, é cheio de beijinhos e abracinhos com todo mundo da família. Ou melhor, com todo mundo que ele considera da família.– Tchau... — e se vira de novo pra tv. Levanto de vez, e vou andando até a porta pra sair de vez antes que mais alguém apareça.– Ah, Leon?– Fala.– Eu... amo teu pai.– Eu sei. — ele nem deu a mínima pro comentário, mas conheço ele bem o bastante pra saber que isso é bom.– Cuida do teu pai enquanto eu tiver fora, viu? — digo, sorrindo. — Não deixa nenhum putão nem periguete chegar perto dele!– Tá!Dou um último aceno pra ele e vou. Em menos de um minuto, já tô do lado de fora da casa, indo pro ponto pegar o ônibus, uma sensação boa no meu peito. Daqui a algumas horas, vou voltar pra casa com a liberdade que preciso pra viver ao lado do Saffron sem que ninguém me encha o saco.Viver com o homem que eu amo e a família dele. E ser parte da família dele. Morar na mesma casa que o cara que me salvou daquela vida ridícula que eu tinha no colégio.... É, acho que meu plano deu certo.Me espera, Saffron. Só mais algumas horas... Umas míseras horas, e vai ser final feliz...Não. Esse já é meu final feliz.
Notas finais
Eu sei, vocês querem me matar por ter demorado quase 4 meses pra ter terminado isso, sinto muito mesmo... é que voltei a trabalhar em janeiro, e aí minha vida virou de cabeça pra baixo de novo... enfim.
Sério, gente, muito obrigado a todo mundo que leu e deixou recomendações e reviews e me mandou PMs e me adicionou no msn e tentou me matar quando leu certas partes... vocês fizeram uma grande diferença na minha vida esses últimos meses, e eu me sinto muito orgulhosa de conseguir comover vocês com as minhas palavras, seja no sentido positivo, seja no negativo.
Com relação especificamente a esse último capítulo, queria agradecer ao Sean por ter lido e revisado meu lemon, e à Kiichan por ter betado o epílogo todo, ter dado conselhos, ter sugerido acidentalmente a ideia de escrever no celular durante as viagens de trem (sem isso nunca ia ter terminado), e por ter virado uma boa amiga de modo geral durante esses últimos meses... juro que essa foi uma coisa que eu nunca esperava que fosse sair do Nyah.
E obrigado de novo por terem lido, essa é a primeira fic que eu levo do início ao fim, e isso me dá uma alegria muito grande...
Espero poder ver vocês de novo da próxima vez que eu escrever (o que provavelmente só vai acontecer depois de um bom tempo, porque eu já tenho uma outra fic no cronograma - e essa se chama Monografia da Pós.)
Até breve! ♥
EDIT: [12/12/2013]
Já com saudades do Sven e do Saffron? Pois pode acompanhar a continuação aqui: http://fanfiction.com.br/historia/447435/Find_Me/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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