República de Tigres
37 Capítulo 37
Notas iniciais
Três meses se pararam desde que Colin partiu, as coisas na Quadra pareciam mais tranquilas. Até o momento nenhuma confusão aconteceu, embora nos leões a gritaria fosse interminável, o que sempre parecia que ia rolar alguma agressão, mas era sempre bate boca.
No entanto, naquele dia, a calmaria tomou conta da república.
Patrick estava com saudades, mesmo que não quisesse admitir e preferisse que o namorado fosse atrás dele como sempre fez, mas hoje, especialmente hoje, Carter ainda não apareceu para vê-lo.
Claro que ele estaria irritado, nunca esteve no papel de correr atrás, sempre foi acostumado a ter o loiro indo ao seu encontro.
O mais engraçado de tudo isso é que essa birra era sem motivos já que eles são vizinhos, uma república ao lado da outra, e mesmo assim o leonino não quis dar o braço a torcer durante o passar das horas, mas agora, decidido a ir lá saber o que estava acontecendo, planejando um discurso, ele pôs o celular no bolso traseiro da calça e saiu do seu quarto, dirigindo-se à república do Caine.
Muito educado, mesmo com a liberdade de entrar na república sem bater ou pedir autorização, Patrick bateu na porta e aguardou ser atendido. Isso não demorou muito, pois Clara o atendeu.
— O Carter tá aí?
— O loiro bonitão da roça tá no quarto dele.
— Sabe dizer se tem alguém lá com ele? — perguntou com o tom de voz um pouco arisco.
Clara pareceu pensativa, o que foi pior para a imaginação do leonino. Perdendo todos os modos, Patrick afastou a garota para o lado e entrou batendo pé até o quarto do namorado, onde bateu brutamente na porta.
— Carter, abre aqui! — falou o leonino num tom de voz levemente grosseiro.
Sem nenhuma resposta, Patrick bateu novamente com mais força e ainda assim não obteve resposta. Estava começando a ficar louco só de pensar que o namorado estava trancado com outra pessoa fazendo sabe-se lá o quê. Por isso ele começou a bater sem parar e a elevar o tom de voz, mas, para sua surpresa, a voz do seu namorado atravessou seus ouvidos.
— Cabrita, o que houve?
Quando ele olhou para o lado, lá estava o namorado com os cabelos molhados, peitoral a mostra e uma toalha verde enrolada na cintura, logo já estava claro de que ele estava no banho.
Aliviado, Patrick respirou fundo e se encostou na parede demonstrando estar tão cansado que parecia ter corrido uma maratona.
— Por que estava gritando? — perguntou o loiro.
Patrick olhou para ele, mas não respondeu. Se afastou da parede e foi ao encontro dele, abraçando-o e dando-lhe um beijo caloroso.
Mesmo sem entender, Carter retribuiu o beijo.
Quando o leonino se afastou, percebeu que tinha algo errado.
— Por que está tão quente?
Carter abriu a porta do quarto e foi falando:
— Égua, meu corpo tá doendo todo.
— Como assim?
— Não sei, mas hoje eu só senti vontade de ficar na cama e não sair mais, uai.
Patrick fechou a porta, se aproximou dele mais uma vez e tocou-lhe a testa para verificar a temperatura dele.
— Você está com febre.
Carter se sentou na cama.
— Eu tomei banho porque ia te ver.
— O quê? Você deveria ter me ligado e avisado que estava doente. Você não vai sair dessa república hoje, eu vou dormir aqui com você.
Babando na ordem do namorado, Carter sentiu o coração queimar em felicidade apenas com a frase “eu vou dormir aqui com você”.
— Já comeu?
— Nada desde de manhã.
— Que droga, Carter! Você não pode ficar sem se alimentar.
— Não senti fome, cabrita.
— Mas você tá doente, tem que comer. Vamos trocar de roupa que depois eu vou lá na república fazer um mingau pra você comer.
— ‘Cê tá parecendo minha mãe e minha avó.
Patrick suspirou e o ignorou, caminhou até as roupas dele, pegou uma cueca, uma bermuda e uma camisa, voltou ao namorado e parou em frente a ele.
— Ok, levanta os braços.
Carter obedeceu. Braço por braço, Patrick pôs a camisa no loiro, logo depois arrancou a toalha dele, sem nenhuma timidez da parte do loiro, mas o leonino ficou constrangido o que fez arrancar um sorriso do namorado.
— Não é algo que ‘cê nunca viu.
— Cala a boca. — disse vestindo nele a cueca.
Quando Carter estava finalmente vestido, Patrick ficou o olhando por alguns segundos, perdendo-se nos milhares de pensamentos que tomavam sua mente.
— E agora? O que foi, uai?
Despertando-se, Patrick balançou a cabeça rapidamente.
— Eu vou fazer o seu mingau, não saia daqui.
Patrick o deixou sozinho no quarto, saiu da república dos águias e se dirigiu para a sua. Lá ele foi logo para à cozinha, revirou os armários e encontrou o ingrediente principal. Buscou por uma panela pequena e uma colher para mexer.
No fogão, já preparando o mingau do namorado, Patrick só pensava no loiro. Fazia tanto tempo em que sua mente não se via tão tomada por alguém, nem mesmo quando era apaixonado por Julius. Ele não conseguia parar de pensar em Carter sequer um segundo, nunca fez ideia de que um dia pudesse se apaixonar por alguém tão diferente, tão distinto, tão longe do que sempre quis.
— O que você tá fazendo?
A voz do Julius o trouxe para a realidade. Ele olhou para trás, mas não respondeu ao amigo. O leonino mais velho se aproximou dele, repousou a cabeça em seu ombro e descobriu o que ele estava fazendo.
— Desde quando você come mingau? Eu quero.
— Não é para mim, é para o Carter.
— Fazendo comidinha para o namorado, é? Eu sou seu melhor amigo, também mereço.
Patrick revirou os olhos.
— Eu coloco um pouco para você. Agora desgruda senão eu me desconcentro.
— Eu te desconcentro? Bom saber. — falou apertando a cintura dele.
Patrick deu um salto para frente e quase derrubou a panela no próprio pé.
— Você tá maluco? Eu poderia ter me queimado agora! — disse com raiva.
— Desculpa, desculpa. — disse já arrependido, mas afastado, se sentando.
Julius não estava completamente bem, embora parecesse. Na verdade, ele acordou um pouco pra baixo, triste pela forma como sua amizade com Marcus havia terminado. Os dois já estavam sem se falar há meses, no máximo alguma troca de olhares aqui e ali, certo de que um queria falar com o outro, mas o orgulho falava mais alto.
— Patrick. — Julius chamou.
— Só um minuto. — disse atento ao mingau.
Patrick buscou por um prato fundo, pôs uma parte do mingau nele e deixou na panela um pouco mais para o amigo.
— Fale. — o leonino então se virou e disse.
— Posso desabafar algo com você? — Julius, com uma carinha tristonha, questionou.
Patrick, com cuidado, segurando o prato pelos lados, o pôs na mesa e se sentou de frente para o amigo.
— Posso ouvir enquanto o mingau esfria um pouco. O que aconteceu? — perguntou preocupado.
— Você não pode contar para ninguém, nem se te ameaçarem de morte. — disse tão sério e olhando nos olhos do amigo que Patrick estranhou.
— Assim você está me deixando preocupado. O que você fez agora?
— Ok, mas por favor, não fale para ninguém. — Julius fez uma pausa dramática, olhou para os lados e assim verificou se tinha alguém por perto até finalmente soltar. — Um dia desses aí eu acabei transando com o Marcus.
Patrick jurou ter ficado tonto, a informação veio como um nocaute. Que sentido fazia nisso que ele ouviu? Até onde ele sabe o amigo Julius é hétero.
— Repete isso de novo porque parece que eu não ouvi direito. — Patrick falou piscando várias vezes.
— Estávamos muito bêbados, Patrick. Tão bêbados que mal lembramos do que aconteceu direito. E assim, você sabe, eu sou hétero. Pelo menos eu acho que eu sou, nenhuma vez eu senti atração por garoto.
Era estranho para o Patrick está ouvindo isso, mais estranho ainda está tendo esse tipo de conversa.
— Isso é sério ou você tá tirando comigo?
— É sério, cara!
— Ok, eu ainda tô engolindo isso, mas você disse que estavam bêbados, certo? — Julius confirmou. — O álcool tem esses efeitos. Talvez você seja bissexual e não saiba.
— Bi? Eu acho difícil. Não vai ser agora com 20 anos de idade que eu vou descobrir uma bissexualidade.
— Me poupe, Julius. Tem gente que se descobre com mais idade que isso. Pode ser que você não seja, mas a bebida tenha despertado algum desejo em vocês.
— Ele tá me odiando por isso, ainda mais porque ele, bem... Você sabe.
— Você sabe o quê? Eu não sou bola de cristal pra adivinhar. — disse o garoto irritado.
— Sempre tem um que come ou um que é comido, não é mesmo? Então, digamos que ele foi o comido.
Patrick revirou os olhos.
— Ativo e passivo. Tanto faz, isso não importa. A verdade é que se um cara é ativo isso não o torna menos gay que o outro que foi passivo.
— Mas eu não sou gay!
— Eu não disse que você era! Só estou explicando. De qualquer forma, Julius, você não pode deixar com que o Marcus guarde tanta mágoa assim, dessa forma ele nunca mais vai querer falar com você. Insista mais um pouco para ter uma conversa, se você quiser eu posso até ajudar.
— Não. Nem louco você deve se meter nisso. Ele vai me matar se souber que eu contei para alguém. — falou assustado, realmente com medo do garoto descobrir algo. Se Marcus sequer suspeitasse, a amizade nunca teria volta.
— Então tá bem, não vou me meter. Mas você precisa conversar com ele. Até eu tô me incomodando com essa distância de vocês dois.
— Eu vou tentar. Falando nele.... — sussurrou a última parte ao ver Marcus entrar pela porta da sala.
Patrick rapidamente ficou de pé e pegou o prato com mingau.
— Vou indo nessa. — disse alto para disfarçar. — Eu não vou dormir hoje aqui. O Carter adoeceu e eu vou cuidar dele. — depois disso sussurrou. — Nossa conversa não acaba aqui. — falou mirando nos olhos dele.
Patrick então pegou o mingau e saiu da cozinha, passou pelo Marcus cumprimentando-o apenas com olhares e saiu da república se dirigindo logo para a casa ao lado.
Mais uma vez Patrick bateu e aguardou, quando foi atendido por Gale ele deu um breve sorriso e se dirigiu ao quarto do namorado que já se encontrava com a porta destrancada. Quando entrou, Carter já estava deitado na cama, mas não dormia.
— Trouxe seu mingau. Consegue se sentar ou precisamos ter que ir a um hospital?
— Consigo sim.
— Ótimo, eu mesmo vou dar a você.
Patrick se sentou ao lado do loiro deixando um espaço suficiente para que não atrapalhasse a movimentação do seu braço enquanto levava a colher à boca dele.
— Deixa eu ver se dar pra comer sem queimar a língua. — disse o moreno.
Patrick levou uma pequena quantidade de mingau a própria boca e descobriu que estava numa temperatura agradável.
— Aqui, ó. — Patrick levou uma colher cheia à boca do loiro.
Carter abriu um bocão e engoliu o mingau.
— Estou feliz por demais de ter ‘cê cuidando de mim, cabrita.
— Sou seu namorado, né? Você vive cuidando de mim quando bêbado, não digo que isso é retribuição, mas sim uma obrigação minha. Retribuição é muito egoísta, fazer só porque o outro fez. Não, a gente deve se doar quando ama. Então faço por amor.
— Está dizendo que me ama? Égua!
— Não! — disse rapidamente constrangido.
— Égua, égua, égua!
Patrick nem olhou para ele, apenas levou uma colher de mingau à boca dele para ver se ele se calava.
Mas Carter depois disso realmente ficou em silêncio total, mas uma fungada de nariz fez com que o leonino olhasse para ele e ver os olhos azuis brilhantes devido as lágrimas que ainda repousavam por ali.
— Você tá chorando por quê?
— Por que ‘cê disse que me ama.
— Mas eu não disse que te amo.
— Para, vai. — a lágrima desceu. — ‘Cê disse sim. Diz de novo, por favor.
— Meu Deus, desde quando você é tão chorão assim? — Patrick perguntou fazendo cara de surpresa.
— Égua! ‘Cê que me deixa assim, cabrita. ‘Cê disse que me ama, uai. Eu tô feliz. Mas diz de novo só pra eu nunca esquecer.
— Vamos comer primeiro, você tá precisando se alimentar.
— Diz, cabrita. Diz!
Patrick suspirou.
— Eu te amo, Carter Turner. — disse olhando nos olhos dele.
Foi aí que as lágrimas despencaram no rosto do loiro que logo puxou a cabeça do namorado para um beijo.
— Carter! — Patrick afastou o rosto. — Não é momento para isso.
— Eu tô muito feliz, égua! ‘Cê me ama. ‘Cê me ama! ‘Cê não sabe como é sentir e saber disso. Eu lutei muito, cabrita, lutei muito pra te conseguir e agora ‘cê me diz isso.
— Para de chorar. Meu Deus, como você é chorão.
— Não dá, uai.
— Vem, vamos comer.
— Eu também te amo muito, cabrita. Te amo muito e vou te proteger de todo o mal no mundo, eu juro pela minha avó. — falou segurando no ombro dele e logo em seguida beijando sua bochecha.
— Já disse que é mais fácil eu te defender do que você me defender.
— Égua! Me deixa eu pensar que sou mais forte que você um pouquinho.
— Abre a boca, Carter. — disse o leonino fingindo estar irritado só para ele comer logo antes que o mingau não esfriar.
Carter obedeceu, mas abriu a boca olhando para ele, com o belo par de olhos azuis. Patrick abaixou a cabeça e escondeu o sorriso de felicidade. Era bem verdade que eles tinham momentos jamais planejados para determinadas coisas, a primeira vez, por exemplo, foi completamente fora do sonho do Patrick, agora foi essa declaração de amor que aconteceu com choro e tudo.
[...]
Sean estava deitado no sofá enquanto mexia no celular. Ele vagava pelas suas fotos favoritas: todas elas tinham o Colin. De todas as fotos, poucas eram as que o moreno aparecia, mas a que mais chamou a sua atenção era a dos dois deitados na cama, com o leonino tendo a cabeça repousada no peito dele enquanto sorriam para a câmera.
O moreno lembrava perfeitamente daquele dia, ele tinha acabado de acordar e não queria tirar foto, mas o Colin insistiu tanto que ele não conseguiu negar mais. No entanto, só pelo sorriso dos dois, aquilo era sinal de um bom relacionamento. A saudade apertou o seu peito. Nos três meses em que Colin partiu, todo dia era um martírio não saber onde ele estava e como ele estava. Noites trancado no quarto chorando. É, para quem não costumava chorar, Sean agora praticamente chorava todas as noites enquanto pensava no seu ex-namorado e grande amor da sua vida.
Larah acabou despertando-o daqueles pensamentos tristes quando ela passou pela sala e se sentou na poltrona para assistir TV.
Como detestava olhar para a cara dela, Sean ficou de pé, apanhou a chave do seu carro e se dirigiu à porta.
— Vai sair e me deixar sozinha? — perguntou a garota.
— Não nasci ligado a você. Se vire.
— E se algo de ruim acontecer comigo?
— Me daria paz e sossego. — dito isso, ele fechou a porta.
O moreno entrou no seu carro e muito rapidamente saiu da garagem da sua casa. Ele dirigiu por minutos até chegar à Quadra, local em que por muitos anos ele já morou, mas que agora não sente a menor vontade de retornar para a sua antiga república.
Sean estacionou bem em frente a república dos Águias. Ao sair do carro, ele parou e fitou a república dos Leões. Não querendo acumular mais tristeza, o moreno se dirigiu a porta da casa a sua frente e entrou, como não tinha papo para pedir permissão, os membros que estavam na sala até se assustaram com a presença dele.
O moreno foi ao quarto de Caine e só aí ele bateu. O pequeno apareceu e ficou surpreso com a presença dele, sua reação foi tão visível, mas Sean não disse nada a respeito dela.
— Precisamos conversar. — falou o moreno.
— C-claro. — gaguejando, Caine disse. — Vamos conversar aqui dentro.
— Quem é vivo sempre aparece. — Danion, deitado na cama, brincou.
— De preferência sem ele. — o moreno nem olhou para o branquelo.
Caine engoliu em seco.
— Dan, poderia sair um pouco e me deixar sozinho com ele?
— Por que? Eu não posso participar da conversa?
— Não. — Sean respondeu.
— Puta que pariu. — se levantando, Danion guardou o celular no bolso. — Já tinha esquecido de como essa porra é chato.
O branquelo saiu do quarto e Sean ficou o encarando-o, logo em seguida Caine o chamou para dentro e ele obedeceu. O líder daquela república arrastou uma cadeira para o moreno sentar e Sean assim o fez.
Depois de fechar a porta e trancar, Caine se sentou bem em frente a ele. Os primeiros segundos foram só de silêncio, Caine, inclusive, estava começando a ficar desconfortável, pois Sean era tão intimidador com aquele olhar de quem parecia estar lendo a sua alma.
— E então...? — o pequeno perguntou.
— Onde ele está?
Caine fez uma careta, encostou-se a cadeira e respondeu:
— Desculpa, Sean, mas eu não sei...
— É claro que sabe. Você é um péssimo mentiroso, Caine. Eu te conheço há vários anos, desde quando você nem estudava na universidade.
— A-ah... M-mas...
— Vamos, Caine, fale a verdade.
Caine, muito decidido, respondeu:
— Tá, você pode até ser bom em perceber que estou mentindo, mas eu não vou contar.
— Posso inventar uma mentira para o Sebastian a respeito do Danion.
— Não! Você não faria isso!
— Então me fale a verdade.
— Eu não posso! Eu prometi ao meu amigo.
— Mas que merda! — ele elevou o tom de voz e consequentemente assustou o Caine.
Sean suspirou, esfregou o rosto e disse:
— Me desculpe.
Pedir desculpa era um ato tão raro que Caine ficou sem saber como respondê-lo.
Sean ficou de pé, andou até à janela do quarto e a abriu. Ficou observando a sua antiga república que ficava logo a frente. Daquela janela da sua antiga moradia ele já observou tanta coisa, inclusive era de lá que, muitas das vezes, observava seu ex-namorado. O contrário também acontecia.
— Você acredita em mim, Caine? — O moreno perguntou virando-se e se encostando à janela.
— Em relação ao quê?
— Sobre eu ter traído o Colin?
Caine demorou alguns segundos.
— Eu acredito em você.
Sean demorou a assimilar o que ouviu, por vários segundos ele ficou olhando para o Caine que acabara de virar a cadeira para olhá-lo. Saber que alguém finalmente acreditava nele lhe causava um sentimento de esperança e conforto. Estava recebendo tantas chicotadas nas costas pelos olhares de julgamento dos amigos do Colin que ter alguém ao seu favor significava muito.
— Mas acho que sou o único que demonstra acreditar em você.
— Obrigado.
— Eu que expulsei a garota da Quadra, fiz errado?
Sean suspirou e negou.
— Não, mas agora ela está morando comigo.
— Como assim?
— Eu só aceitei por causa do Colin. Ele quer que eu cuide da gestação da garota, ele não quer que eu a abandone. Eu odeio tudo isso porque não lembro de nada, meu medo é fazer tudo errado.
— Ainda assim você quer agradar o Colin. Sean, infelizmente, a única parte que tenho que concordar com todos é a de não termos prova alguma da sua inocência, mas o que me faz acreditar em você é porque eu acompanhei seu relacionamento, eu não consigo imaginar você traindo o meu amigo.
— Eu juro, Caine, eu não traí o Colin. Eu sou gay, como vou sentir atração por uma garota? Eu já tentei e não deu nada certo na época em que eu ainda estava me descobrindo.
— Olha, a melhor resposta para isso é a de você ter sido estuprado. Você pode denunciá-la por isso.
— Mas como eu vou provar se eu não lembro de nada? Como vão acreditar em mim? — perguntou com a voz baixa, triste.
— É complicado. — Caine falou e respirou fundo. — Ninguém nunca ouviu falar dessa garota, do nada ela aparece e causa tudo isso. É claro que foi armação.
— E eu tenho certeza que tem dedo da minha mãe nesse meio.
— Colin pensa muito em você em relação a sua família, para ele era muito triste te ver sofrendo por causa dele.
Sean suspirou, lembrava perfeitamente de cada palavra dele no dia do término. De fato, era muito triste lembrar disso.
— Preciso dar um jeito de sair disso.
— Eu posso te ajudar. Na verdade, eu quero ajudar.
— Mas por onde começar?
Caine ficou em silêncio, não soube responder.
— Vamos dar um jeito.
— Eu tô sendo obrigado a casar, não posso. Eu simplesmente não posso. Mas aquele anão me obriga a não abandonar tudo por ele.
— Já pensou em refazer o exame de DNA?
— Foi meu pai quem arrumou a clínica do exame que eu fiz.
— É, seu pai é confiável. Mas Sean, daremos um jeito. A verdade sempre aparece.
— Isso vai acabar me deixando louco. — Sean caminhou até a porta — Eu vou indo, outra hora conversamos.
— Apareça sempre que quiser.
— Diga ao Colin que estou com saudade.
Caine contraiu os lábios em um sorriso.
— Estou indo para a universidade, vai precisar de carona?
— Não, obrigado. Eu vou a pé mesmo, é bem pertinho.
— Tudo bem, até outra hora.
Sean saiu do quarto e, sem cumprimentar ninguém que estava no sofá, isso quer dizer: Luke, Samuel, Roy, Clara e Gale. E logo saiu da república.
[...]
Charles caminhava com a bandeja na mão buscando por uma mesa vazia no refeitório da universidade. Não é que estivesse com tanta fome, mas considerando que teria aula até a noite ele considerou comer.
— Encontrei um lugar.
A voz de Calvin basicamente soprou em seus ouvidos e por pouco ele não derrubou a bandeja pelo susto.
— Quer me matar? — resmungou ele.
— Se não acelerarmos os passos vamos perder o lugar.
Querendo ainda insultá-lo, Charles o seguiu e ambos sentaram próximos as janelas do refeitório. Um de frente para o outro, Calvin pôs os dois cotovelos na mesa e ficou o encarando.
— O que foi? — perguntou o mais baixo.
— Aguardei você me ligar.
— É isso? Me poupe, Calvin. Tive mais o que fazer.
Calvin só balançou a cabeça, retirou os cotovelos da mesa e começou a comer.
Com alguns minutos de silêncio, Charles falou:
— Soube que andou brigando.
— Como soube? — Calvin estava prestes a levar o garfo à boca.
— Por conversas, idiota. Tem alguma coisa que aconteça na Quadra que a universidade não fique comentando? — respondeu ainda mastigando não dando a mínima para os bons modos.
— Foi verdade.
— Como foi perder para o Joshua?
— Ei! Eu não perdi.
— É o que andam dizendo por aí... Eu não vi essa briga, então vou acreditar no que estão dizendo.
— Quem anda espalhando isso?
— Como eu vou saber?
Calvin suspirou, sequer tentou dar explicações. Não queria contar detalhes da briga nem qual foi o verdadeiro motivo dela. Do jeito que conhece o garoto, certamente ele iria falar bastante se soubesse que o motivo foi ele.
— O que vai fazer hoje? — questionou o leonino.
— Dar o primeiro passo. — respondeu sem olhar nos olhos dele.
— Primeiro passo?
— Não posso te contar.
— Já percebeu que você não pode me contar nada.
— Claro. São coisas da minha vida, não devo ficar espalhando por aí, não temos tanta intimidade.
— Não temos? — ele o encarou.
— Nós transamos, Calvin, apenas isso. Não significa que somos íntimos, foi algo que aconteceu sem a menor pretensão de nos apaixonarmos.
Sem graça, Calvin desviou o olhar. Charles suspirou e, impacientemente, culpando-se por ter sido muito grosseiro, mas se negando a pedir desculpas, falou:
— Vou ao banheiro.
O moreno se levantou e se dirigiu ao banheiro, foi até à pia e lavou o rosto. Por que Calvin tinha que lembrá-lo daquele dia? Maldita hora para recordar de todas aquelas sensações.
Quando olhou para entre as pernas se viu excitado. Admitia que tinha sido o melhor sexo já havia provado, talvez porque não tivera tantas transas na vida — preferia acreditar nessa desculpa. O fato era que ele não queria demonstrar fraqueza, nem a necessidade de transar mais uma vez com ele. Não podia cair na armadilha e nem naquele poder de sedução que o dono dos olhos azuis tinha.
Não é que estivesse apaixonado, mas seu corpo tem a necessidade sexual, no entanto, ele preferia lutar contra esses desejos de transar com o leonino do que cair com ele na cama mais uma vez e, assim, demonstrar que gosta de se enroscar nos lençóis com ele.
Charles teve seus pensamentos interrompidos quando ele viu Jamie, seu ex-namorado e o atual de Dimitri, seu rival, sair de uma das cabines.
Quieto, Charles permaneceu com o olhar fixo no espelho enquanto o outro se juntou a ele na pia.
— Preocupado? — Jamie perguntou.
— Falando comigo? Se seu namorado ver isso não vai pegar bem para você. — Charles disse se virando e já se dirigindo para a saída.
— Ei, Charles! — o chamou. — Você sabe que eu me arrependo. — Charles parou, voltou a olhar para ele. — Eu me arrependo do que fiz.
— Qual a pegadinha da vez? Onde estão as câmeras? É o Dimitri que tá filmando?
— Não é pegadinha nenhuma, estou realmente falando a verdade. Se eu pudesse voltar atrás...
Charles fez uma pausa, pensou.
— Percebeu agora que o Dimitri é a própria Chernobyl? — ele sorriu de lado.
— Não precisa xingar ele.
— Então você realmente gosta dele?
— Na verdade... Esquece. Não deveríamos falar dele e aqui não é um bom lugar para conversar, estamos em um banheiro.
— Depois de tanto tempo está me fazendo um convite para sair como se eu fosse aceitar?
— Por favor, deixa eu ao menos me explicar.
Charles mais uma vez pensou.
— Quer mesmo trair o Dimitri? Sério? — Charles fechou os olhos e sorriu.
— Quero conversar com você.
— Pode me buscar hoje à noite na lanchonete.
— Está falando sério? Não vai me dar bolo?
— Só vai saber se aparecer lá às 20h.
— Para onde quer ir?
— Você sabe o meu nível.
— Então está tudo...
Jamie calou a boca quando viu Calvin surgir no banheiro. Como não tremer diante daquele homem alto e forte? Seria melhor não o desafiar quando se via nele um olhar tão ameaçador, mesmo sem motivo algum.
— Vim ver o que estava fazendo. — Calvin, sem retirar os olhos de Jamie, falou.
— O que as pessoas fazem no banheiro? — Charles questionou.
— Ficar conversando não é.
— Não enche, Calvin. — Charles olhou para o ex-namorado. — Hoje à noite, não esqueça.
Charles se retirou do banheiro deixando os dois garotos para trás. Calvin ficou encarando Jamie, mas não disse nada, preferiu ir seguir o moreno do que ameaçar o Jamie, embora não soubesse o que tinha acontecido no banheiro enquanto esteve sentado à mesa aguardando o tigre da falecida república retornar.
— Sério mesmo? Sério que você vai sair com aquele garoto?
— O que é que tem? Sou livre e solteiro.
— Eu conheço a história de vocês, Charles. Não esqueça que minha mãe trabalha para a sua família.
— E descubro agora que ela é uma grande fofoqueira.
Calvin, com raiva, parou bem em frente a ele. Seus olhos azuis já não eram bondosos, Charles sentiu a pressão do poder que aquele olhar tinha quando estava com raiva, por isso engoliu em seco.
— Respeita a minha mãe.
Mas o medo de Charles não durou muito tempo.
— Tudo bem, retiro o que eu disse. Agora dá para sair da minha frente? — falou dando um passo para o lado e seguindo em direção a mesa que antes estava.
— O garoto te traiu e você resolve sair com ele?
— Não se mete nos meus planos, Calvin. Você não sabe de nada.
— Planos? Isso que você está fazendo é idiotice.
— Perdi até a fome. Tchau.
Charles nem olhou para trás, acabou deixando Calvin sozinho e seguiu para fora do refeitório. O leonino, incrédulo, ficou parado próximo à mesa, assistindo o garoto desaparecer ao passar pela saída.
É, Calvin, não é surpresa nenhuma essa personalidade forte e difícil do Charles. Ninguém o segura quando ele decide algo.
[...]
— Edgar, espera!
Quando o loiro olhou para trás, Patrick corria ao seu alcance. A lua brilhava bastante, mas o céu tinha bastante nuvens que escondiam as estrelas. Edgar ficou parado fitando a lua enquanto o colega leonino ainda se aproximava com vários livros e uma mochila pesada.
— Está indo para casa? — perguntou o leonino ao parar ao lado dele.
— Sim. A sua aula também terminou agora?
— Sim, tive que pegar uma disciplina a noite por falta de vaga na manhã. Uma droga, mas não quero atrasar o período.
— Estou na mesma situação, mas o meu caso é a especialização. Minha fase de graduação já acabou.
— O quê?! Espera, você já é formado?
— Sim.
— Uau. Todo o pessoal da sua época já tem uma formação, não é?
— Eu estou há um bom tempo por aqui... Alguns nem conseguiram se formar ainda. — lembrou do Colton e como ele teve a vida bagunçada por vingança, mas não revelou ao Patrick. — O Danion, por exemplo, é praticamente do mesmo tempo que eu, mas não conclui a graduação.
— O Danion é um vagabundo, não quer nada com a vida. Só é podre de rico, queria eu ter toda a grana que ele tem.
Edgar sorriu.
— Também queria só uma parte do dinheiro dele, pelo menos dez por cento.
— Mas então, mudando de assunto, sabia que seu primo adoeceu?
— Como? Não! Ele tem meu número, por que não me ligou? — questionou bastante preocupado.
— Isso foi ontem, ele também não me contou, eu tive que ir até lá para descobrir. Hoje eu passei o dia com ele, felizmente já está melhor. Foi só uma febre.
— Passei o dia com o Joshua ontem e hoje, não apareci na república. Vou ligar para o Joshua e avisar que não vou dormir com ele hoje.
— Então... — Patrick fez uma careta. — Será que eu poderia dormir com ele hoje?
Edgar se constrangeu no mesmo instante.
— Claro! Claro! Ele é seu namorado, você tem todo o direito. Mas eu vou passar na república e peço para o Joshua me buscar mais tarde.
— Tudo bem, mas se quiser ficar com ele não tem problema. — Patrick com sinceridade. — Eu cheguei depois, você é primo dele e sabe como cuidar dele melhor do que eu.
— Acha mesmo que entre você e eu, ele me escolheria? — Edgar riu. — É claro que ele iria preferir ficar com você.
Patrick deu um sorriso vitorioso, mas escondido do loiro para não parecer provocativo.
— Vamos andando? Daqui a pouco fica perigoso, todo mundo já largou. — o loiro disse.
— Vamos. Mas então, o Carter contou alguma coisa para você? — perguntou com certo receio.
— Contou o quê? — Edgar nem olhou para ele, simplesmente olhou o celular para ver se o namorado tinha ligado.
— Alguma coisa sobre a viagem que tivemos...
— Viagem? Está falando sobre o acampamento lá que teve a final dos jogos? — disse guardando o celular no bolso.
— Sim. Ele não disse nada para você?
— Disse. É sobre vocês?
— Disse?! — perguntou arregalando os olhos.
— Sim. Da briga que você teve com o Danion por causa do quarto.
Aliviado, Patrick suspirou escondendo o rosto.
— Ah, foi isso mesmo. Danion é um babaca.
— Parece que o Danion nasceu para ser xingado. — Edgar sorriu. — Não tem uma pessoa, com exceção do Caine, que fale bem dele.
Patrick ainda estava pensando na possibilidade de Carter ter contado que eles transaram, estava morrendo de vergonha caso o loiro revelasse detalhes do quão bagunçada foi a primeira vez deles.
— Carter tá tendo boas notas na escola, sabia disso? — Patrick retornou ao namorado como assunto.
— Sabia. O Joshua tem ensinado ele quando tem dificuldades. Mas acho que ele se esforça por você. Meu primo não gostava muito de estudar...
— Por mim?
— “A cabrita vai me matar se eu não passar nessa matéria”. — Edgar imitou o primo tão perfeitamente que Patrick deixou o queixo cair.
— Ele disse isso mesmo?
— Você não sabe o nível de paixão que o meu primo ter por você. Praticamente ele te coloca num altar. Carter realmente gamou em você de uma forma que vou te contar, eu nunca vi isso. Até achei que ele fosse terminar namorando uma garota e já ia engravidá-la cedo. Ele não tem parafusos.
Patrick ainda estava surpreso e, sem perceber, soltou:
— Sei bem que ele iria engravidar uma garota cedo, ele não controla o pinto que tem. É um tarado!
— Eu precisava saber das intimidades de vocês? — Edgar questionou já rindo bastante.
— Ei, não! Não é isso! Eu quis dizer que... Ai, Edgar, agora você me deixou constrangido.
— Tudo bem, tudo bem. Acontece. Agora vamos falar baixo...
Patrick, desconfiado, olhou para os lados.
— Tô achando que tem alguém nos seguindo. — Edgar sussurrou.
— Tem? Não vejo ninguém por perto, só um garoto lá atrás.
— É ele mesmo. Faz um tempo que ele está na nossa direção. Quando estávamos parados ele também estava lá. Estou começando a ficar preocupado.
— Se ele tentar alguma coisa acho difícil sair daqui sem tomar uns belos socos.
— Vamos continuar andando, disfarça e finge que não tá vendo nada.
Edgar e Patrick continuaram caminhando, mas dessa vez em silêncio e olhando de relance para trás e realmente perceber que um garoto o seguia, mas estava longe e seu rosto não era visível, parecia usar touca.
Quando menos esperavam, um grupo com quatro pessoas parou bem em frente a eles.
Edgar engoliu em seco, mas a princípio, Patrick, encarou todos, infelizmente com os rostos coberto.
— Tem certeza de que é esse aí? — um dos mascarados perguntou, apontando para o Patrick, ao que estava ao seu lado.
— Não sei. A informação é de que ele começou a andar com esse loirinho.
— Edgar, quando eu abrir espaço, corra e vá pedir ajuda. — sussurrou o leonino.
Edgar ouviu, mas não respondeu. Estava parado, com medo e cercado.
— Qual o seu nome? — perguntaram ao Patrick.
— Por que você quer saber? Não conto nada até revelarem quem são.
— Atrevido, hein? Vai dizer ou prefere apanhar assim mesmo?
— Na covardia é fácil. Quero ver vim para cima de um em um.
Patrick era realmente afrontoso, não importava a situação. Correndo o risco de ser espancado, lá estava ele desafiando todos os mascarados.
— Seu nome é Charles, garoto? — dessa vez a voz foi feminina.
Patrick olhou em direção a ela, mas se assustou com o grito de voz grossa que um garoto deu na garota, chamando-a de estúpida.
— Já chega, vamos fazer o que viemos fazer.
O leonino olhou para o amigo, fez um rápido movimento de cabeça e, na primeira oportunidade, empurrou o garoto que estava ao lado do Edgar, assim abrindo passagem para o amigo correr. Edgar, mesmo não querendo deixar Patrick sozinho, acabou aceitando a oportunidade para pedir ajuda.
Patrick então foi puxado pelo braço quando também iria correr, mas acabou retornando já com o punho fechado e acertando quem tinha o puxado. Logo depois, ele chutou o peito de outro que avançou para cima dele, mas sua defesa não era absoluta, nem suas habilidades eram suficientes para derrubar todos os garotos que agiam traiçoeiramente.
Sem que pudesse ver, Patrick foi atingido na cabeça e logo caiu no chão. Mais um alvo, mais uma vítima.
Afastado dali, Edgar corria olhando para trás, completamente vulnerável ao que podia vim a sua frente. Ele corria como se fosse maratona, tão assustado estava que seu coração faltava saltar pela boca. E tudo o que ele pensava era no que estava acontecendo com o Patrick.
Sentindo um impacto muito forte contra seu corpo, Edgar por pouco não caiu no chão se não fosse aparado pelas mãos fortes daquela pessoa: Sean.
Ofegante, Edgar não perdeu tempo e foi logo falando:
— Pegaram o Patrick! — disse apontando para a direção em que deixou o amigo.
Sean arregalou os olhos, olhou para onde Edgar apontou e somente disse:
— Vá para a sua república.
O moreno não pensou em mais nada, apertou os ombros do loiro e se afastou dele já correndo para onde imaginava que o Patrick estava. Sean fechou os olhos uma única vez e lembrou do ocorrido com o Colin, logo já sabendo que poderia encontrar os agressores do ex-namorado.
De punho já fechado e com o ódio lhe consumindo rapidamente, ele então encontrou o Patrick no chão, protegendo o rosto enquanto era agredido com vários chutes de todos os lados.
— Qual vai ser o primeiro a apanhar? — Sean logo perguntou enquanto estralava os dedos.
Ignorando Patrick no chão, os agressores se alinharam em frente ao corpo deitado do garoto e encararam Sean.
— Ótimo, se alinharam, então eu escolho.
Sean foi tão rápido que eles nem tiveram tempo de reação. O primeiro mais próximo ele pegou pelo braço, o girou e o sufocou. Logo o resto do grupo parou.
— Juro por Deus que não tenho pena nenhum de fazer o amigo de vocês ter passagem direta para o inferno.
— Me solta. — disse rangendo os dentes o que estava sendo sufocado.
— Ei, garoto dos leões, consegue ficar de pé? — questionou o moreno. Patrick nem respondeu, mas se levantou com certa dificuldade. — Quem tocar nele vai perder um amigo.
Sean, olhando para o Patrick, gesticulou com a cabeça dizendo que ele deveria sair dali. Obedecendo, Patrick passou pelo grupo e pelo moreno, afastando-se o máximo, mas não indo embora.
O moreno largou quem estava sufocando e o viu suplicar para recuperar o ar quase se rastejando no chão.
Com o garoto no chão, Sean pisou na mão dele com bastante força, vendo-o praticamente implorar por perdão com o olhar. Sean não tinha piedade, não tinha compaixão. Ele queria ferir, queria machucar.
Depois de pisar na mão do garoto, Sean deu um passo para trás, fechou os olhos, passou a mão em seu rosto, deu um suspiro e, descarregou parte do seu ódio em um chute muito, mas muito forte, no braço do caído.
Ouviu-se um “crack”. Se quebrou ou não? Sean não se importava.
Depois disso, Sean mais uma vez suspirou.
— Vamos ver quem tá por trás dessa máscara. — disse já se ajoelhando.
Antes mesmo de conseguir por a mão na face do garoto, o grito de Patrick chamou sua atenção:
— Sean, atrás de você!
Um dos agressores conseguiu passar despercebido e acertar a cabeça do moreno com um pedaço de madeira.
Sean logo caiu encolhido no chão com a mão na cabeça gemendo de dor.
— Vamos embora! — gritou um deles.
Dois deles, com medo, aproximaram-se do colega caído e o ergueram do chão, ouvindo os gemidos do garoto que resmungava do braço quebrado, mas ainda conseguia correr.
Ainda no chão, Sean rolou para o lado e sentiu um líquido quente molhar sua mão, mas não em grande quantidade. Um pequeno corte se formou na cabeça do moreno.
Confuso e tonto, Sean tentou se levantar com a ajuda do Patrick.
— Eu vou atrás dele. — disse ainda confuso, a visão estava turva.
Patrick o segurou, ele mal estava conseguindo andar e se manter de pé. A pancada foi muito forte a ponto de deixá-lo confuso.
— Que porra, eu preciso ir atrás deles. — falou o moreno.
— Já sumiram, acho difícil você alcançá-los.
— Desgraçados!
— Mesmo assim, eu vou caçá-los. — Sean, já melhorando, mas ainda com a cabeça doendo, ele passou a caminhar.
— Sean, não, deixe-os ir. — Patrick falou com ênfase.
— Depois de te agredirem? — ele achou isso um absurdo.
— Consegui uma pista, vai ser mais fácil de descobrir quem são e de onde são.
— Estou com a oportunidade à porta e você quer que eu a deixe passar?
— Você não é o único a querer vingança. Danion quer, todos os leoninos querem. Não seja o único a sujar as mãos.
— Achei que leoninos prezavam mais por justiça. Então vocês querem vingança por agressão também?
Patrick concordou sem o menor pingo de sentimento contrário.
— Vocês estão bem?! — a voz de Edgar atravessou o ouvido dos dois.
Patrick balançou a cabeça, mas Sean, grosseiro, falou:
— Eu não mandei você ir para a república?
— Eu não consegui, queria saber como vocês estavam. — respondeu sem medo da grosseria.
— Precisamos nos reunir, esse leonino disse ter uma pista. Então vamos logo, meu carro está ali na frente. — falou o moreno.
— Sobre o Charles? — Edgar perguntou.
— A pista é sobre o meu primo? Apenas isso? — Sean questionou indignado e ainda esfregando a cabeça.
— Eles pensaram que o Patrick era o Charles. — Edgar falou.
— E o que vamos resolver com isso? — perguntou o moreno.
— A princípio, a dica parece inútil, embora interessante já que sabemos que o Charles está na lista deles. Mas eu sei de algo que ninguém sabe, então, acho que sei de onde são os agressores.
— Espero que seja útil o que você vai falar. Eu não vou sossegar até espancar um por um.
Sean passou por eles e Edgar se aproximou do Patrick, ajudando-o a caminhar. A caminhada não foi tão longa, logo chegaram ao carro e Sean deu partida diretamente para a república dos leões.
O moreno desligou o carro e esperou Patrick e Edgar descerem, depois disso desceu e foi diretamente à república do seu ex-namorado. Ele entrou e se sentou no sofá, sequer pediu permissão, estava com raiva e poderia brigar com qualquer um.
— Preciso fazer uma ligação. — disse o Edgar depois de por o Patrick sentado.
Julius foi o primeiro a aparecer quando ouviu barulho vindo diretamente da sala, mas assim que viu o Patrick, acabou se assustado e correu em direção ao amigo, ajoelhando-se de frente para ele.
— O que fizeram com você?
— Preciso que chame todos, inclusive os Águias. Poderia fazer esse favor para mim? — Patrick perguntou e logo engoliu em seco.
— É claro. — disse se levantando.
Julius acelerou os passos e foi a todos os quartos buscar os membros da república, logo em seguida saiu e foi à república dos Águias, chamando-os e dizendo que o Patrick estava machucado, assim explicando que teria uma reunião.
Não demorou muito para a sala dos leões está lotada, com pessoas sentadas no chão e na escada, esperando apenas a suposta reunião começar. Muitos perguntavam ao Patrick o que tinha acontecido, mas ele dizia que logo todos saberiam.
A maior surpresa foi quando passou pela porta o Charles, com a cabeça erguida e nariz empinado, para desprezo da maioria que estava ali. Sean o encarou e sentiu a pressão do olhar do primo em sua direção, algo dizia que ele não estava muito feliz e emanava raiva, especialmente quando o viu.
— Já podemos começar? O que tem de tão importante para todos estarem reunidos aqui? É algo com o Patrick, isso todo mundo sabe, mas o que aconteceu? — Ian questionou.
— Os agressores, Ian. — Edgar falou.
— Como? — Caine, assustado, questionou. — De novo? Isso não tinha acabado?
— Infelizmente não. O que significa que devemos ficar alerta.
— Não mais. — Sean interrompeu. — Você disse que tinha uma pista, então saberíamos de onde são os agressores.
Todos ficaram atentos, o que Sean disse pareceu chocá-los. Caine engoliu em seco, mesmo sendo a pessoa de coração mais puro, ele sentia uma sede de vingança presa dentro de si. Se realmente fosse verdade a informação de onde são os agressores, ele desejaria que os colegas fizessem justiça com as próprias mãos. Até os anjinhos pecam.
— Égua! Eu vou matar quem fez isso com a cabrita. — disse o loiro, sentado ao lado do namorado e mexendo na franja dele. — Eu juro que vou. — sussurrou para o namorado.
— Mas qual é a pista? — Hugh perguntou.
— O alvo real dos agressores não era o Patrick, mas sim o Charles.
Logo Charles sentiu todos os olhares em sua direção, mas nem por isso ele abaixou a cabeça. Encarava um por um, sem fazer questionamentos de porque era o alvo.
— Se esse garoto era para ser agredido, significa que ele ainda é alvo. Então quer dizer que vamos usá-los para encontrar os agressores? — Hugh perguntou e se encostou na parede. Pietro fez o mesmo, assim ficando ao seu lado e envolvendo o braço ao dele.
— É só nisso que consigo pensar. Dá para deixar ele apanhar um pouco e depois aparecemos. — Danion falou sem medo algum.
Ninguém se atreveu a repreendê-lo, mas era óbvio que ninguém concordava com a ideia. Charles só o encarou.
— Na verdade, tem algo mais interessante a se fazer. — Edgar disse. — E podemos já fazer isso amanhã.
Rolou um tumultuo de vozes, Edgar suspirou já sabendo que isso iria acontecer. Todos realmente já queriam pegar os agressores.
— Pessoal, o que posso dizer, para acrescentar na ajuda, é que com certeza alguém vai aparecer com o braço enfaixado, com gesso, se realmente essa pessoa estuda na universidade ou mora por aqui. Sean quebrou o braço de um deles.
— Mas não pode ser justo, qualquer pessoa pode ter o braço quebrado. E se pegarmos a pessoa errada? — Ian alertou. — Nesse caso eu não concordo em pegar alguém com o braço quebrado, ontem mesmo eu vi uma pessoa na universidade com o braço enfaixado. E aí, como fica?
Patrick entendeu e por isso apenas concordou com o amigo:
— Tem razão.
— Mas isso ainda ajuda.
— Fala logo o que você sabe! — Danion, que estava brigado com ele, perdeu a paciência e falou alto.
Edgar olhou para ele com um olhar frio, mas não discutiu.
— Pessoal, ninguém, absolutamente ninguém sabia que o Charles se tornou meu amigo. — disse e olhou para o moreno, ele não pareceu desconfortável com a palavra “amigo”. — Ele estava hospedado no Ninho, no bloco do Joshua. O que isso quer dizer? Os agressores chegaram perguntando se o Patrick era o Charles, logo disseram que o Charles começou a andar comigo e isso só acontecia no Ninho.
— Estou começando a entender. — Ian falou.
— Então, Ian... — Edgar continuou. — É claro que um dos agressores ou todos devem morar no Ninho e viram o Charles comigo. O Charles não queria que ninguém soubesse que ele estava hospedado lá. Como então sabiam que ele andava comigo?
— É o Andrew! — Hugh, com raiva, falou.
— Não sabemos ainda. Mas com certeza iremos descobrir. Se alguém aparecer com o braço quebrado no Ninho, já que não vi ninguém lá de braço enfaixado, então pode ser que o agressor realmente seja de lá e já viu o Charles.
Fazendo silêncio, Edgar olhou para todos que pareciam pensativos.
— Vamos agora mesmo lá. — Sean ficando de pé, falou. — Eu vou massacrar todos.
— Calma, Sean. — Caine falou. — É melhor aceitar a ideia do Edgar de irmos amanhã. Acho que os agressores nem estão por lá ou já estão bem escondidos em algum bloco.
— Eu vou ter que esperar até amanhã para bater naqueles covardes? — perguntou o moreno.
— É o melhor momento. Eu vou estar lá, eu posso ligar e chamá-lo, inclusive, preciso do seu número. — Edgar falou.
— É uma dica boa, talvez não perfeita, mas ainda assim boa. — Ian falou. — Vocês vão resolver isso com agressão?
— É claro! — Danion e Sean disseram ao mesmo tempo.
— E eu vou. — Patrick disse.
— Machucado assim? Eu não vou deixar, uai.
— Patrick teve sorte que não terminou como o Caine e o Colin, eu cheguei a tempo. — Sean disse. — Deixa o garoto se vingar.
— Então estão todos entendidos? Eu vou observar o Ninho e então ligo para vocês, mas eu não quero sujar minhas mãos de sangue, mas vocês que querem justiça resolvam da sua forma.
— Se já está tudo resolvido, vamos aguardar. Agora vou embora que já está ficando tarde. — o moreno falou se afastando.
Sean passou pela porta, mas não antes sem dar uma encarada em Charles. O moreno nem se despediu de ninguém, o que não era novidade na sua personalidade, todos sabiam como ele era.
— Vai fugir, não é mesmo?
Era a voz do Charles, Sean, próximo ao carro, se virou e franziu o cenho.
Todos os presentes ficaram em silêncio quando ouviu a provocação do Charles, já era esperado pelo pior.
— Fugir de quê?
— De mim.
Sean soltou uma risada leve.
— De um fracassado como você? Não tenho porque fugir.
— Como ousar expor o Brandon? — Charles saiu de dentro da república e foi caminhando em direção ao primo.
— Eu fiz, e daí? Expus você também e não me arrependo nenhum pouco. — disse o encarando.
— Você é um imbecil! Você não tinha esse direito.
— Tá.
Sean deu a volta no carro para entrar, mas o Charles, persistente o seguiu e bateu a porta do carro dele assim que ela tinha sido aberta.
— Você não tem ideia do que fez.
— E não quero saber.
Todos os outros que estavam dentro da república dos leões começaram a sair, mas Calvin foi o único a demonstrar vontade de se aproximar do Sean, no entanto Hugh o segurou pelo braço, Calvin franziu o cenho e o encarou.
— Não se mete na briga deles. Eles são primos então deixe que se resolvam. — Hugh sussurrou.
Calvin ficou quieto, parado.
— Vai me deixar ir embora ou realmente tá pedindo para apanhar? — Sean perguntou sem a menor animação.
— Você é um infeliz. Acho merecido seu namorado te abandonar e deixar você sozinho aqui.
Sean fingiu que não foi atingido, mas o seu olhar já dizia que aquilo o abalou. Charles sabia que ele odiou ouvir aquilo e por isso sorriu.
— Pessoal, calma, não vamos brigar, acabamos de sair de um momento tenso. — Caine alertou.
Nenhum dos dois deu ouvido.
— É melhor não me provocar.
— Colin te abandonou! — Charles disse.
— Qual foi? Por que você não conta a todos que se relaciona com um dos leoninos. — Sean disse em alto e bom tom, assim surpreendendo a todos.
Sean era um verdadeiro filho da puta. Lá estava ele expondo, pela segunda vez, o seu primo.
— Mentiroso! — Charles gritou.
— Eu não minto, Charles. E todos eles sabem disso. — disse o moreno o que de fato era verdade, Sean podia ser indesejado entre os leões e águias, mas todos sabiam que ele não mentia. Em seguida sussurrou. — Ouse falar do Colin mais uma vez e eu juro que acabo com sua vida.
Charles fechou o punho, estava carregado de ódio, desejando avançar em cima do seu primo e machucá-lo bastante. Ele tentou se segurar o máximo que podia, mas o sorriso presunçoso que Sean soltou foi o suficiente para fazê-lo partir para agressão.
Charles usou a força do pé e chutou o abdômen do primo. Sean deu alguns passos para trás, mas se equilibrou, no entanto Charles já estava na sua frente o socando, pegando-o pelo braço e então derrubando-o no chão com um golpe.
Quando Charles ia pisar em seu rosto, Sean rolou para o lado e, na oportunidade, usou o pé para dar uma rasteira no primo. Charles caiu no chão e as pernas do Sean cravaram no pescoço dele, mas Sean não permaneceu sufocando-o. Conseguiu montar nele e já partiu para o soco no rosto dele. O sangue quente escorreu do nariz, mas Charles não deixou a agressão continuar.
Habilidoso, Charles usou as pernas e as cravou na cintura do Sean, lançando-o para o lado e ficando de pé.
Os dois, um de frente para o outro, em posição de luta, se encaravam. Sean avançou, Charles desviou do soco e revirou com outro soco. Sean tentou chutá-lo, mas Charles abaixou e deu um soco na coxa dele e outro no queixo, fazendo-o recuar tonto. Charles correu e ficou atrás do primo, montou nas costas dele e prendeu seus braços no pescoço dele.
Sean começou a relutar para escapar daquela força, mas Charles resistia. Ele era habilidoso demais, nesse caso essa era a sua vantagem contra o Sean. Mas Sean era forte, inteligente e, ainda assim, também habilidoso. Foram anos de prática, já havia enfrentado muitos rivais na quadra, sendo o seu maior rival o William, ainda que perdendo a luta, ele conseguiu machucar o loiro. Sean não era especial, apanhou muito até se tornar o que era. Então, Charles, nesse caso, mesmo habilidoso, você ainda não tinha chances...
Sean amava seu carro, mas com força, com as costas, ele se lançou contra o automóvel e assim fez com que o impacto machucasse seu primo, desequilibrando-o, usando as duas mãos para pegá-lo pelo pescoço como um boneco e lança-lo no chão.
Calvin não aguentou ver aquilo e por isso atravessou a multidão.
— Calvin, o que você vai fazer? — Julius perguntar.
— Ajudar o garoto, ele vai apanhar.
— Não devemos nos meter, eles são primos. Deixe que se matem. — Danion disse.
— Não me importo. Vou ajudar.
Julius e Marcus correram e o seguraram pelos braços.
— Não se mete! Você vai arrumar confusão com o Sean e acredite, você não vai querer isso.
Calvin relutou por alguns segundos, mas desistiu. Estava começando a despertar desconfiança entre os membros leoninos e por isso, só por isso, ele ficou quieto, odiando ver Charles naquela luta.
Charles gemeu ao sentir o impacto, mas rapidamente se levantou para não ser preso ao chão, mas Sean já estava na sua frente, deu-lhe uma cotovelada no nariz, um soco no estômago e outro no queixo.
Charles, tonto, tentou acertá-lo com um chute, mas Sean segurou em sua perna e chutou a outra dele, assim derrubando-o no chão. Sean era tão malvado que não teve piedade ao pisar no estômago do primo.
Sem ar, Charles gemeu de dor e se encolheu. Mas Sean o pegou pelo cabelo e o arrastou pelo chão e o levantou.
— Eu sempre te avisei que um dia ia te pegar. Lembre-se disso. — deu um soco no estômago dele enquanto o segurava pelo cabelo. — Isso é por falar do Colin. — deu outro soco. — Você precisa aprender a me respeitar. — deu outro soco.
Sean largou o primo que caiu no chão como um boneco sem vida. Sean se agachou bem ao lado dele e com o joelho pressionou seu tórax. Charles gemeu e tentou se encolher.
— Devo continuar te batendo? — questionou.
— Você é um desgraçado. — Charles, sem forças, disse e logo em seguida cuspiu sangue nele.
Foi quando Sean deu-lhe um tapão na cara.
— Charles, você decidiu brigar comigo na minha pior fase.
Sean mais uma vez o pegou pelo cabelo e o levantou, estava pronto para começar a sessão de socos no estômago, mas a surpresa veio quando Calvin o empurrou e amparou Charles em seu braço.
— Já chega, não viu que venceu? — questionou o leonino.
— Óbvio que tinha que ser você a interromper, mas eu não permiti.
Calvin repousou Charles ainda no chão, mas de maneira mais confortável, sentado e deu alguns passos a frente.
— Você sempre se achou.
— Ah, cara, não vou perder tempo.
Se pensaram que Sean falou isso para ir embora... Se enganou. Sean foi logo na cotovelada, fazendo o sangue descer imediatamente do nariz do leonino. Calvin levou sua mão ao rosto e não previu o soco no estômago e uma voadora de dois pés que Sean deu em seu tórax.
Calvin caiu no chão e Sean permaneceu em seu lugar esperando-o levantar.
— Vem logo, se levanta daí. — pediu o moreno.
Calvin se levantou ainda com a mão no nariz que sangrava sem cessar, mas os leoninos, menos o Patrick, acabou segurando Calvin e até fizeram uma barreira na frente dele.
— Chega Sean. Chega de brigas, vá embora. — Ian pediu.
— Ele quem se meteu na minha briga com meu primo.
— Só vá embora, por favor. — Ian persistiu.
Charles lutava para escapar da força dos leoninos, mas Julius e Marcus eram bem fortes e conseguia segurá-lo.
Sean não disse nada, fez o que o Ian pediu. Caminhou até seu carro, entrou e saiu de lá cantando pneu, numa velocidade absurda. Foi nesse momento que largaram o Calvin e foram ajudar o Charles.
— Eu ia matar ele! Vocês não deveriam me segurar.
— Você não ia matar ninguém. — Charles, ainda assim, falou.
— Calvin, com sinceridade, você ia perder. — Ian disse.
— Perder? Eu ia arrebentá-lo. — Calvin falou.
— Esse Sean não é o que eu conheço...
Ian percebia as coisas apenas observando. Ele pôde notar que o Sean já estava em outro patamar, como se nada mais importasse para ele. Tornou-se tão violento e mais habilidoso que mesmo Calvin sendo grande, certamente iria sair muito machucado se o moreno continuasse a agressão.
— Ian, você sabe por que, não sabe? — Danion questionou.
— Sei...
— Calvin, foi melhor impedirmos a briga. Sean não tá pra brincadeira.
— Por que vocês estão venerando tanto esse cara? — Marcus perguntou.
— Não estamos venerando. — Ian respondeu. — Mas conhecemos o Sean bem antes de você, é notável a mudança de lá para cá. Ele realmente está mais forte e... Cego de ódio.
Ninguém falou mais nada, apenas se preocuparam em cuidar do Charles.
[...]
Três horas da manhã, o silêncio reinava na república dos leões. No último quarto da casa, Hugh e Pietro dormiam, da mesma forma que Ian e Connor também dormiam. Parece que nenhum deles estava tendo pesadelo, no entanto, alguém estava tendo um sonho bom, muito bom, por que não dizer erótico?
Pietro acordou no meio da madrugada completamente excitado depois de sonhar com sexo. O fogo consumia-lhe a alma a partir do momento em que acordou, ele até tentou voltar a dormir e continuar no mesmo sonho, mas isso se tornou quase impossível quando ele sentiu as costas do seu namorado colada ao seu corpo.
Pietro resistiu, não queria acordá-lo, mas estava sendo difícil, então por isso ele começou a massagear as costas do Hugh e dar leves mordidas na região. Hugh, a princípio, não havia acordado, Pietro aconchegou mais seu corpo ao dele e sussurrou no ouvido do namorado:
— Acorda, agora!
Hugh ouviu aquilo e já sentiu sua orelha ser mordida levemente, ele nem entendia o que estava acontecendo, só sabia que estava sendo bastante encoxado e recebendo mordidas no ombro.
O leonino se virou lentamente para ficar de frente ao namorado, mas Pietro já estava com o rosto na curva do pescoço dele, beijando a região e apertando o corpo dele.
— Ah, Pietro, agora não... — Hugh sussurrou sonolento.
— Cala a boca e obedece, eu quero que você me foda.
Hugh quando pensou em falar, acabou sentindo uma mão acariciar seu membro. Pietro estava com bastante fogo, ele realmente se esfregava o máximo que podia no corpo do namorado.
— Não precisa de preliminar, apenas entra em mim, por favor...
Pietro deu-lhe um selinho, Hugh queria voltar a dormir, mas toda aquela esfregação, querendo ou não estava fazendo seu pênis despertar. Ironicamente o seu membro despertava primeiro que ele.
— Tira a porra desse samba canção.
— O que deu em você para acordar assim no meio da madrugada? O Ian e o Connor podem acordar.
O diálogo todo era em sussurro.
— Não adianta dizer que não quer, se entrega a adrenalina. É mais prazeroso.
E realmente era prazeroso essa ideia da adrenalina. Hugh resistiu um pouco mais, mas logo ele se esticou para pegar o preservativo na gaveta da mesa de cabeceira.
— Só fode, não vamos fazer barulho.
Hugh engoliu em seco, desceu o samba canção junto a cueca e pôs o preservativo. Pietro afastou a perna e puxou o namorado para cima de si. Logo, Hugh segurou seu pênis e rapidamente conseguiu se encaixar ao namorado, que rangia os dentes quando centímetro por centímetro começou a entrar.
— Isso. — Pietro sussurrou, agora vem devagar.
Hugh obedeceu, se movimentava devagar dentro dele e isso era mais do que o suficiente para Pietro soltar leves gemidos, tão baixos que Hugh só conseguia escutar porque a boca dele estava em seu ouvido.
Acontece que durante quase uma hora o casal transou na mesma posição, com Hugh não podendo ser tão agressivo, fazendo os movimentos leves, mas prazerosos. Pietro foi o primeiro a gozar, ele estava realmente querendo chegar ao ápice. O garoto ainda teve que resistir as penetradas do namorado até que ele também chegasse no ápice.
Hugh saiu de dentro dele e rolou para o lado respirando profundamente. Retirou o preservativo, sentou na cama e vestiu o samba canção.
— Vou tomar banho. — sussurrou esfregando a testa.
— Eu também vou.
Os dois saíram juntos do quarto, mas se assustaram quando encontraram Calvin sentado à mesa tomando uma xícara de café. Pietro, com muita vergonha, por estar apenas de cueca, acelerou seus passos ao banheiro e já imaginou que amanhã todo mundo iria saber que ele tinha transado.
Hugh, ao contrário do namorado, não ficou preocupado. Qualquer perceberia que eles tinham transado, mas confiava demais no Calvin para saber que ele não ia espalhar. Ele não costumava ser do tipo de pessoa fofoqueira.
Calvin só o olhou, mas logo desviou o olhar e deu mais um gole no café.
Hugh sentiu numa cadeira ao lado dele e falou:
— Queria mesmo conversar com você.
— Tenho todo o tempo do mundo já que não consigo dormir.
Hugh fez uma pausa e por esse tempo só era possível ouvir o som da água do chuveiro que caía enquanto Pietro tomava banho.
— É você, não é?
— Eu o quê?
— Você é o leonino que se relaciona com o Charles.
Se tivesse dando um gole no café naquele momento, Calvin certamente teria se engasgado.
— E não adianta mentir. — Hugh continuou. — Isso ficou claro para mim depois do que eu vi hoje.
Calvin não fugiu da verdade.
— Você não pode contar a ninguém.
— Não se preocupe, eu não vou contar. Só não consigo entender como.
— Também não consigo entender. Só sei que sinto vontade de cuidar dele, o conheço tem anos, minha mãe o conhece desde que ele era um bebê.
— Está me dizendo que se apaixonou por ele?
— Não sei... — disse e bebeu mais café. — O que é estar apaixonado?
— Isso está me deixando confuso.
— Ah, Hugh, há tantos segredos sobre mim que você não sabe. Coisas que se eu contasse eu poderia ser expulso daqui.
— Por que está me dizendo isso?
— Porque chega um momento em que não aguentamos mais tantas coisas em nossas cabeças.
Hugh concordou.
— Não quer me falar a verdade sobre você?
— Não posso, não devo. Mas um dia todos saberão, uma mentira não dura por muito tempo. Eu já estou preparado.
Hugh também não insistiu. Os dois ficaram em silêncio, o diálogo terminou daquela forma. Hugh juntou as mãos e ficou de cabeça baixa, pensativo. Calvin continuou a beber o café calmamente, olhando fixamente para frente, mirando na geladeira.
Por vários minutos o silêncio reinou, inclusive o chuveiro havia sido desligado, mas o celular do Calvin começou a vibrar. Ele retirou o aparelho do bolso e verificou as mensagens, mandaram ele entrar numa página de uma rede social. Calvin fez o que era pedido e lá estavam algumas fotos do Andrew beijando um garoto.
Calvin não se surpreendeu, nem demonstrou real interesse na notícia, mas arrastou o celular na mesa até que Hugh pudesse ver, esse sim teve uma reação diferente. Hugh pegou o celular e saiu passeando pelas fotos para ter certeza, chegou a pensar que era montagem, e até poderia ser, mas ainda assim as imagens pareciam bem mais reais, feitas de diversos ângulos.
— Quem te mandou isso?
— Um colega de faculdade, inclusive ele já discutiu com o Pietro.
— Vou ver se eu recebi.
Hugh foi ao seu quarto e voltou rapidamente verificando o celular, mas ele não recebeu a fofoca.
Pietro saiu do banheiro e estranhou a reação do seu namorado que parecia ter sido pego no flagra.
— O que aconteceu? — perguntou ele.
Hugh caminhou até a mesa, pegou o aparelho do Calvin e entregou ao namorado. Quando viu aquilo, Pietro buscou uma cadeira para se sentar. O que Pietro sentiu não é possível explicar, mas garanto que não é nada sobre amá-lo, seu coração agora pertencia ao Hugh, mas querendo ou não, ele ainda era ligado ao garoto já que tiveram bons momentos juntos, não relacionado a beijo e sexo, falo apenas de convivência. Para Pietro, ver que Andrew foi exposto, gerou em si um sentimento ruim, como se estivesse na pele dele. Afinal, Andrew sempre teve uma imagem a velar, de garoto raivoso e briguento, usando muitos comentários homofóbicos para ocultar sua verdadeira sexualidade e agora lá estava ele tendo a máscara arrancada.
É, Andrew, boa sorte.
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