Notas iniciais
Caçadores A Milena betou ♥

— Será que o Colin vai? — Connor perguntou enquanto estava amarrando o cadarço do seu tênis.

— Se ele não for, talvez eu fique. É bom alguém ficar fazendo companhia a ele.

— Você vai me deixar ir sozinho? — Connor até largou o nó que fazia para olhar o namorado que estava penteando o cabelo.

Ian, terminando o que fazia, caminhou até ficar ao lado dele na cama.

— Colin não tá passando por uma situação legal. Alguns términos mexem demais com a gente, principalmente da forma como eles terminaram. Além disso, eu vou ficar aqui torcendo por vocês já que o jogo vai ser transmitido ao vivo.

— Mas eu queria que você fosse, Ian. Dormir lá sem você não vai ser tão divertido assim.

— Calma, nem sabemos se ele realmente vai. Agora termina isso aí, acho que só falta nós dois.

Ian e Connor saíram do quarto e realmente todos estavam esperando-os na sala. Danion, o mais estressado, já estava na porta declarando insultos ao casal, dizendo que eles estavam transando e por isso demoraram tanto.

— Falta mais alguém? — Danion perguntou.

— Só o Colin, alguém sabe se ele vai? — Marcus perguntou.

— O Danion não foi lá em cima perguntar se ele ia? — Patrick questionou.

— Ah, calem a boca. Colin! — Danion gritou.

E magicamente apareceu o amigo no primeiro degrau do topo da escada, surpreendendo a todos por atender o chamado do branquelo. Danion deu um sorriso de ponta a ponta e piscou, mas Colin não retribuiu o sorriso e isso também não significava que ele estava animado para ir, no entanto:

— Como posso não ir torcer pela minha república? — falou o pequeno líder.

Julius deu um grito e isso animou o resto do pessoal que caiu no coro da gritaria. Colin então deu seu primeiro sorriso daquele dia. Era essa a gratificação de ser um bom líder, sentir o amor e o carinho dos seus companheiros. Certamente agora ele entende como era estar no lugar do William e porque o loiro era tão amado.

— Agora vamos. Os Águias já estão todos nos ônibus, os outros times também.

Numa trapalhada só, os leões foram saindo da república, quase um por cima do outro. Julius trombou no Marcus e ambos, ainda sem se falar, só trocaram olhares e ficaram constrangidos. Colin foi o último a sair da república, apagar a luz e trancar a porta.

Seguiram todos pelas ruas da Quadra até a universidade, onde o ônibus estava aguardando. Os leões eram agitados de todas as formas, até andando faziam barulho. Danion gritava de um lado, Julius rebatia do outro, nisso o Connor começava a cantarolar e rapidamente eles se tornavam o centro das atenções.

Para passar na faixa de pedestre foi mais loucura ainda quando Patrick começou a dançar enquanto Julius batia na própria bolsa, os carros começaram a buzinar e eles saíram correndo a gargalhadas.

— Quem é o rei da selva?! — Connor gritou.

— O Leão! — responderam todos em conjunto.

Danion agarrou no ombro do Colin e sorriu para ele, tentando de alguma forma fazê-lo interagir com os amigos. Mas Colin apenas forçava um sorriso, embora não estivesse completamente triste como antes, mas a tristeza estava lá dentro, ele só se esforçava para se alegrar com os amigos.

— Bora rugir! — Connor gritou.

E várias imitações de rugidos começaram a acontecer no momento em que eles se aproximaram do ônibus, fazendo várias cabeças surgirem das janelas. Era assim, eles já chegavam fazendo bagunça.

— Subam no ônibus, porra! Que demora! — Luke, em um dos ônibus, gritou da janela.

Danion mostrou-lhe o dedo do meio e levou seus amigos ao ônibus que iriam. Eles deram o nome ao garoto que estava os aguardando e começaram a subir.

Colin foi o primeiro a subir e se sentou logo no primeiro banco ao lado do Caine, assim que o viu, finalmente tendo o primeiro contato com o amigo depois de vários dias. Caine não reclamou, tinha guardando o espaço para o branquelo, mas ficou muito feliz ao ver seu amigo ali e por isso o abraçou.

Ian e Connor foram juntos num banco que ficava no meio do ônibus. Hugh e Pietro foram atrás de Colin e Caine. Julius sentou com um desconhecido, enquanto Marcus com o Calvin. Samuel e Luke também estavam juntos e atrás deles estavam Gale e Clara.

O último a subir foi o Patrick, que tinha levado praticamente uma mala jurando que ia tirar férias de uma semana. Tanto é que ele foi zoado enquanto passava pelo corredor carregando a mala, mas sua expressão era de pura raiva quando ele parou em frente a um banco, cruzou os braços e deu de cara com um loiro de olhos azuis, bem sorridente enquanto conversava com uma garota. Loiro esse que sequer tinha notado sua presença.

— Estou atrapalhando? — com cara de quem não estava nada feliz, Patrick questionou.

Carter quase saltou do banco com o susto, ainda mais com a pressão daquele olhar.

— Égua! Por que você demorou tanto?

— É com ela que você vai sentar? Então está certo. — Patrick pegou a mala de deu as costas.

Carter se levantou às pressas e o tocou no ombro.

— Égua, eu te esperei o tempo todo e ‘cê vai sentar sem mim?

— Você já deu meu lugar para a garota.

— Larga de ser ciumento, uai. Eu guardei nosso lugar lá no fundo. Olha minhas coisas ali. — apontou.

Sem graça, Patrick engoliu em seco, passou por ele sem dizer uma palavra e se sentou. Carter precisou falar algo rapidamente com a garota e se despediu dela, indo então para o seu lugar, deixando o namorado próximo à janela.

— Eu sei muito bem o que ela queria com você. — reclamou de braços cruzados e olhando pra janela.

— O quê?

— Não se faz de sonso, Carter.

— Mas eu não tô entendendo, uai. Que diacho de ataque é esse? Eu nem fiz nada, égua. — todo confuso, olhando para o namorado, ele questionou.

— Cheio de sorrisinhos com aquela garota. Acha que isso não significa alguma coisa não?

— Ela estava falando da queda do namorado dela.

Patrick calou a boca, desfazendo o discurso que já tinha, olhou para ele e perguntou:

— Sim, namorado. É o garoto que tá pegando o nome de todo mundo lá fora.

— Égua!

— Olha ele ali. — olhou para o garoto que estava aproximando-se dela com o papel na mão.

Sem graça, Patrick voltou a olhar para a janela, se encolheu no banco e apertou mais os braços cruzados. Não tinha nem o que argumentar, ficou se sentindo um completo idiota por ter tido ciúmes e imaginando uma coisa que sequer existiu.

— A cabrita tá braba? Mas eu nem fiz nada. Mas sabe... ‘Cê fica lindo com esse biquinho.

Patrick lhe deu um leve tapa, mas não disfarçou o sorriso.

— Fica com raiva não.

— Tenho que ficar. Nós vamos disputar pela vitória, claramente os leões vão vencer.

— Égua de competidor. Eu aqui todo entregue e você vem falar da competição. Mas ‘cê agora me provocou. Eu não vou deixar ‘cê vencer.

— Veremos, Carter. Veremos...

Enquanto isso, lá na frente, Colin e Caine estavam quietos até o leonino começar a falar:

— Me desculpa.

— Tudo bem. Você queria espaço.

— Deveria ter tido, mas o seu namorado não deixou.

— Ele só estava e está muito preocupado com você. Pode parecer que não, mas o Danion ama você demais. Ele diz que você é o irmão que ele nunca teve.

Colin engoliu em seco.

— Não sei o que eu faria se não fosse ele entrando no quarto. De alguma forma, era melhor ele me enchendo o saco do que me deixando sozinho.

— Mas agora você voltou para os seus amigos. Estavam todos preocupados, inclusive eu.

— O Edgar está no outro ônibus? — Colin perguntou.

Sem graça, Caine não conseguiu dar a resposta imediatamente.

— Essa parte eu prefiro que você converse com o Danion. Na verdade, você realmente precisa conversar com o Danion.

— Isso não tá me cheirando a coisa boa. Danion e Edgar brigaram?

— É mais ou menos isso.

Colin olhou para trás, viu o branquelo de pé e quando ia gritar, Caine o silenciou.

— Aqui não, por favor. Vocês conversam quando chegar. O Dan também não está numa situação legal, Colin. Enfim, é muita coisa. Acho que você deve ser a única pessoa que ele escuta melhor.

Colin ainda assim permaneceu encarando o branquelo.

— Só por causa de você. Se ele fez mal ao Edgar, é melhor você me contar, porque se eu souber, eu juro que vou bater nele.

Caine mais uma vez ficou sem graça, apenas acomodou-se na cadeira e começou a olhar para a janela.

A viagem continuou seguindo com o ônibus barulhento, afinal, os leões estavam todos ali dentro, ainda tinha o Luke para puxar músicas e bater na lateral do ônibus como se fosse uma escola de samba, de tanto barulho que ele fazia.

Em mais de uma hora de estrada, eles finalmente chegaram ao local.

Um grande portão de madeira foi escancarado e os dois ônibus entraram. A área tinha mais espaço para dois ou três ônibus, pois o local era imenso e belo quando se trata de paisagem natural.

Do lado esquerdo tinha o alojamento, espaço todo feito de madeira, com térreo e primeiro andar. Sendo o térreo com dois grandes quartos divididos por sexo, masculino e feminino, e o primeiro andar com cinco quartos para casal.

Do outro lado havia uma imensa piscina natural preenchida com água que vinha diretamente de uma cachoeira, enriquecendo ainda mais a bela imagem do lugar.

O lugar era cercado por árvores de todos os tipos, grandes e pequenas, com folhas finas e grossas.

Assim que desceram do ônibus, teve quem nem se preocupou em guardar uma cama no alojamento, simplesmente se jogaram na piscina natural aos berros, dando saltos mortais. Dos leões, Julius, Danion e Hugh já estavam tomando banho e chamando os colegas.

Pietro revirou os olhos, apanhou a bolsa e se dirigiu ao alojamento. Enquanto uns já tomavam banho, os outros já escolhiam em que cama iriam dormir àquela noite. Colin ficou logo próximo a porta, Caine ficou na cama ao lado e pôs a bolsa do Danion na cama de cima. Calvin escolheu ficar na parte de cima de onde o seu líder estava.

Luke e Samuel escolheram a última beliche, algo bem intencional pela parte do moreno, desejando que ninguém se aproximasse já que tinha cama o suficiente para todos e ainda sobraria.

Pietro ficou numa cama no canto, ao lado da entrada. Pôs as coisas do Hugh na parte de baixo e optou pela cama do lado. Queria pelo menos dormir olhando para ele. Ian e Connor ficaram ambos com as camas próximas da parede, na mesma direção das camas de Pietro e Hugh.

Já o Marcus ficou próximo ao Colin, desejando ficar bem longe do Julius.

— Sério que vai dormir todo mundo junto? — Patrick, próximo aos colegas, reclamou.

— O que você esperava? Isso aqui é um alojamento. — Marcus respondeu.

— E alguém aqui vai dormir? Eu mal consegui pregar os olhos de tão ansioso só para vir pra esse lugar. É claro que ninguém aqui vai me deixar dormir de tanto barulho que vão fazer.

— Já não basta você trazer essa mala enorme, você queria mesmo um quarto só para você? — Marcus riu.

— Vai ter que se acostumar, Patrick. — Caine falou.

— Vamos escolher uma cama, cabrita. Mas eu quero dormir na parte de cima.

Patrick o encarou, não estava com a melhor animação para isso.

— E o primeiro andar desse lugar? — perguntou.

— Deve ser mais quartos como esses.

— Eu vou dar uma olhada. Eu não mereço dormir no meio de toda essa gente fazendo barulho.

— Ei, cabrita.

Mas Patrick já tinha largado a mala, saído do quarto e subido as escadas. Carter precisou segui-lo só para saber o que ele faria.

A primeira porta que Patrick tentou abrir estava fechada.

— Tenho certeza que esses aqui são quartos normais.

— Mas não é pra gente como a gente.

Ele tentou abrir a segunda porta e também a encontrou fechada.

— Mas eu tinha outros planos, Carter. Outros planos!

— Que planos?

Sem graça, Patrick desconversou:

— Dormir sozinho.

— Égua, mas e eu? ‘Cê nem pensou em mim?

Patrick tentou a terceira porta e, milagrosamente, ela se abriu. Ele deu de cara com um quarto que tinha um próprio banheiro, uma janela, um frigobar, uma mesinha de jantar e uma cama de casal.

— Eu sabia! Eu disse que era um quarto normal! É aqui mesmo que vamos ficar.

— Vamos?

— Sim. Eu e você! Agora desce lá para pegar as nossas coisas e volta aqui.

Obedecendo, Carter desceu rapidamente e Patrick já se apossou da cama, sentando-se nela e soltando um sorriso de satisfação por ter encontrado um quarto livre só para ele e o namorado.

— Cheguei! — disse o Carter.

— Ei, o que vocês estão fazendo aqui? — Danion, todo molhado, apareceu à porta.

— Encontrei um quarto. Nunca que eu vou dormir lá embaixo no meio daquela bagunça.

Danion rapidamente correu para todas as outras portas, tentou abrir uma por uma e as encontrou fechadas.

— Esse quarto deveria ficar comigo e com o Caine. Sai daqui, Patrick.

Patrick gargalhou.

— Vai sonhando que eu vou sair.

— Eu sou o seu líder! Sai, esse quarto vai ser meu.

— Não vou sair daqui!

— Égua, sem brigar! — Carter se manifestou.

— Caine e eu namoramos tem anos, então merecemos um quarto só para nós dois.

— Colin! — Patrick gritou tão alto que até quem estava na piscina ouviu.

Colin subiu as escadas assustado, mas quando encontrou o Danion falando palavrões, logo revirou os olhos.

— O que foi agora?

— Eu encontrei esse quarto, mas o Danion quer tomá-lo de mim. É injusto! Eu vi primeiro.

— Mas eu tenho mais autoridade que ele. Fora que o Caine não merece dormir lá embaixo.

— O que tem eu? — Caine ouviu seu nome no momento em que subia.

— Patrick tá tentando pegar o nosso quarto. — o branquelo, muito revoltado, falou encarando o colega.

— Seu quarto? Eu vi primeiro! Não adianta, Danion. Já até trouxe minhas coisas.

— Sim, ele viu primeiro! — Carter afirmou.

— Patrick, pode ficar com o quarto. Danion, para de ser tão pé no saco.

— O quê? É claro que ele não vai ficar com esse quarto.

— Calado! — Colin exaltou-se, assustando-o. — Nós teremos uma conversa séria. Que história é essa de proibir o Edgar de entrar na república?

— Ok, essa parte não fica comigo. — Patrick, sem graça, percebendo a seriedade do Colin, puxou seu namorado para dentro e fechou a porta.

Caine, também sabendo que não era seu momento de ficar ali, acabou se afastando de fininho.

— Sim, fiz isso.

— Pois você vai hoje mesmo ligar para o Edgar e desfazer esse mal entendido. — ordenou.

— Não mesmo. O Edgar me decepcionou demais. Ele não vai entrar lá nunca mais. — birrento, Danion caminhou até a grade de madeira e apoiou os braços nela, olhando para as pessoas que se divertiam na piscina.

— O Edgar é um dos meus melhores amigos. Eu não vou deixar que você tome decisões como essas. Eu sou o líder.

— De novo essa história? — Danion o olhou.

— Quer que eu abandone mais uma vez?

— Vai fazer ameaça agora?

— Não vou permitir que você proíba um dos meus melhores amigos de entrar na minha república.

— Você por acaso sabe o que ele fez? Ele levou o Joshua para dentro da república dos águias.

Chocado, Colin até perdeu o raciocínio. Danion, sabendo que conseguiu mexer com ele, nem precisou mais falar nada.

— De qualquer forma, esse problema é entre você e o Edgar, minha república não deve ser envolvida.

— Ele quer que eu esqueça o que aconteceu!

— Edgar é sensato demais para querer isso. Aposto que tem alguma razão para ele levar o Joshua para a república do Caine.

— Você sabia que Calvin e Joshua caíram na porrada? Mais uma vez o Joshua batendo em um dos nossos.

Mais uma vez Colin ficou sem o que fazer, essa informação ele não tinha recebido. Mas ele se sentia horrível por conhecer uma parte da versão, não era possível que Edgar tenha feito algo apenas para provocar o branquelo.

— Agora me diz... Me diz se não tenho razão?

— Eu amo você demais, mas eu não posso acreditar que o Edgar tenha feito algo sem razão nenhuma. Eu vou dar como encerrada essa discussão, mas ela não acaba aqui. Eu preciso ouvir o Edgar.

— Ah, claro, você prefere ouvir ele do que me ouvir e me dar razão. Danion sempre está errado. Danion sempre está errado!

O branquelo, irritado, nem perdeu seu tempo ali e saiu ainda repetindo a frase “Danion sempre está errado”.

Colin suspirou, fechou seus olhos, acalmou-se e depois desceu as escadas. As vezes ficar preso em seu quarto tinha suas vantagens, até tinha esquecido como era uma loucura viver no meio dos colegas da quadra.

[...]

Após o almoço, lá estavam os dois times restantes no centro daquela gente.

É bem verdade que todos os times concorrentes, isso inclui os eliminados, foram convocados para esse dia de lazer, no entanto o dia em que seria realizado a final dos Jogos da Quadra não seria esse, já que os Tigres foram eliminados e algumas alterações tiveram que ser feitas no calendário da competição por conta disso. Mesmo assim, a final seria transmitida ao vivo para o público em casa que tivesse interesse em assistir através de lives em redes sociais.

Enquanto ainda não era anunciado nada, os leões conversavam entre si.

— Andei reparando algo. Calvin, cadê sua pulseira? — Colin perguntou.

Calvin tentou esconder o braço, mas rapidamente todos olharam para ele.

— Tomaram de mim.

— O quê? Tomaram de você? Um cara desse tamanho? Puta que pariu! — Danion reclamou.

— Eu estava distraído. — respondeu sem graça, não queria falar a verdade. — Nem vi, quando dei por mim estava sem ela.

— E mais alguém conseguiu roubar alguma pulseira? — Colin fez mais uma pergunta.

— Nenhuma. — Connor respondeu. — Eu tenho a branca, só podia fugir.

— Quer dizer que eu precisei tomar muito cuidado pra não ter essa maldita pulseira roubada e vocês não roubaram nenhuma? — abismado, Colin questionou.

— Tanta coisa aconteceu que nem sequer lembramos disso. — Marcus falou.

— Atenção, Atenção! — Daniel, o organizador, finalmente tomou a voz.

Ele estava sem microfone, não foi preciso.

— Finalmente chegamos até aqui. Não da forma que esperávamos, afinal Os Tigres foram eliminados por falta de competidores, desligando-se da competição por problemas maiores. Mas ainda assim, cada jogo que aconteceu trouxe muita animação para nós que vivemos naquela panela de pressão chamada Quadra Nove. Antes de mais nada, eu quero assumir algo: Lembram das pulseiras?

— Sim. Nós temos algumas aqui. Isso já deveria garantir nossa vitória. — Luke mostrou as pulseiras recolhidas.

— Os Leões trouxeram alguma? — todos negaram. — Então... Isso era apenas uma maneira de entreter vocês durante a semana, mas na verdade essas pulseiras não valem de nada. — sorriu ele sem graça.

— O quê?! Que porra de brincadeira é essa? — Samuel, indignado, questionou.

— Se fosse assim, essa final nem teria acontecido. Tudo fazia parte do plano desde o início. Nem mesmo vocês teriam vencido só com essas pulseiras que estou vendo daqui. Os Tigres eram os que mais estavam recolhendo. Mas como estou dizendo: Isso é apenas uma brincadeira.

— Eu não acredito que me matei essa última semana pra tentar roubar pulseira sem necessidade nenhuma. — Luke reclamou.

— Participa da brincadeira, Luke. Para de ser tão chato. — Ian, brincando, falou.

— Fala isso porque vocês não pegaram nada. Aposto que tá todo mundo feliz aí.

— Detalhes a parte, vamos ao jogo. — Daniel, sem perder tempo, começou. — Cada um de vocês vai entrar na mata, pegar duas dessas cordas e se esconder em qualquer lugar dela dentro do limite. Esse limite está destacado por uma faixa vermelha. Está proibido passar do limite dela. É uma área grande, então não precisa de mais espaço. Se escondam onde quiser, em cima das árvores, atrás de rochas, dentro dos matos... Não importa, só se escondam. O objetivo de vocês é prender o membro do time adversário. Por isso, boa estratégia é tudo aí dentro. Sejam traiçoeiros e ágeis. O primeiro time a ter todos os membros presos está desclassificado e, automaticamente, dará a vitória ao outro time.

— O jogo que eu mais esperava. — Danion falou.

— Preciso lembrar que esse jogo foi criado pelo Colton, eu sei que ele tem causado problemas há alguns anos, principalmente aos leões, mas de qualquer forma o crédito pela criação da prova merece ser dado a ele. Sem mais delongas, o time não vai entrar todo de uma vez. Mas antes de continuar, decidam aí quem vai querer entrar primeiro.

— É claro que nós! Essas pulseiras tem de valer alguma coisa pelo menos. — Luke, inconformado, disse.

— Espertinho! E assim descobrir onde estaremos?

— Deixa, Danion. Deixa. — Colin falou. — Eles podem entrar primeiro. — Colin decidiu por todo o seu time sem sequer perguntar.

— Você tá maluco? — Danion questionou ao amigo.

— Sendo assim, um ou dois membros dos águias entram primeiro, a quantidade vocês decidem, logo em seguida o mesmo se repete com os leões depois de esperarmos quatro minutos, tempo necessário para que se escondam. Não se assustem se vocês encontrarem, em cima e algumas árvores, pessoas completamente vestidas de preto... — ele riu por alguns segundos. — Não temos verbas, então essas pessoas estão filmando para transmitir ao vivo nas redes sociais e até mesmo os que vão ficar aqui assistirem, felizmente o sinal de internet funciona aqui. Depois que entrarem, aguardem o sinal para dar início a caçada. Um segundo sinal dado, significa que o jogo acabou e que vocês podem retornar. Olhem para o céu sempre que ouvirem um barulho agudo e uma bomba de fumaça estourar no ar. Se ela for vermelha, significa que um leonino foi pego e a amarela vale para o outro time. Vamos lá?

Os leões trocaram olhares, ninguém se atreveu a falar nada.

— Mas eu posso soltar meu amigo se ele for preso? — Colin questionou.

— Não. Uma vez preso, significa que já está eliminado.

— Tudo bem. Melhor assim. Eu não vou precisar vigiar minha vítima.

— Ainda bem que eu tô usando verde. — Connor sussurrou para o namorado. — Acho que vou me camuflar.

Ian apenas riu, sabia que essa estratégia poderia não funcionar, só se alguém fosse muito idiota para cair nisso.

— Águias, vocês já decidiram quem vai entrar primeiro?

— Sim. — Caine respondeu.

— Um ou dois membros?

— Dois. Luke e eu.

— Ótimo! Quando quiserem... — Daniel apontou para a entrada da mata.

Caine acenou para o namorado e sorriu para o Colin, apanhou suas cordas. Luke antes deu um beijo caloroso em Samuel, na frente de todos, sem se preocupar com nada e constranger o loiro, mas acabou levando um tapa por isso, mas seguiu firme e forte até entrar na mata acompanhado do seu líder.

— Caine. — disse o moreno enquanto ainda nem tinha se escondido. — Desculpa pelo que eu disse a você àquele dia.

— Tudo bem. Eu já esqueci.

— Ótimo! Vamos vencer esse jogo!

Caine sorriu.

— Onde iremos nos esconder?

— Vamos ficar por perto, assim vemos onde os leões podem se esconder.

— Certo. — concordou o pequeno.

Lá fora, Colin deu o ultimato:

— Eu quero ser o primeiro a entrar sozinho.

— Tem certeza? É melhor alguém ficar com você. — Calvin sugeriu.

— Calvin tem razão, Colin. — Hugh falou.

— Não. Só confiem em mim e me deixem sozinho. Eu não perco esse jogo nem sobre a mira de uma arma. — disse firme.

[início do flashback capítulo 22]

— O que faz aqui isolado? — Perguntou o pequeno.

— Buscando respirar, mas pelo visto você não vai deixar.

— Nós nos classificamos, você não está feliz por isso?

— O quinto time a se classificar deve ser parabenizado? Você nem ficou entre os três primeiros. Eu teria vergonha estando no seu lugar.

— Ah é? Então qual foi sua classificação, engraçadão?

— Vinte e sete minutos de prova; primeira classificação. E aí? — Encarou o namorado.

— Vai se foder.

— Os águias chegaram dez minutos depois da gente. Vocês são ruins, não há nenhuma chance de vencer. E ainda acho que você é o menos preparado para estar no time.

Colin só precisou encarar Sean para que o moreno logo não o provocasse mais. Se Colin explodisse, provavelmente iria ouvir gritos e mais gritos e tinha certeza absoluta de que Colin gritaria ainda mais para que todos ouvissem. Colin sempre foi muito escandaloso e numa discussão de relacionamento ele não ligava pra quem quer que estivesse próximo.

— Quer saber? Eu vou provar pra você que somos os melhores.

[final do flashback]

— E então, leoninos, quem vai primeiro?

Colin, decidido, apanhou suas cordas e entrou. Além de lembrar do próprio Sean duvidando dele, não se esqueceu do Luke também o provocando, dizendo que os leoninos era o time mais fraco, ainda teve que aguentar o próprio Danion, seu aliado, irritando-o.

Ele foi muito convicto do lugar que se esconderia, passou por Luke e Caine, que o seguiram com os olhos, mas não saíram do seu lugar, apenas sabiam para que direção ele foi.

Gale e Clara entraram logo depois, o prazo de quatro minutos foi dado e em seguida Marcus e Julius, a contragosto, entraram juntos. Samuel entrou sozinho. Danion e Connor foram estrategicamente juntos e o Carter, último dos águias a entrar, piscou para o Patrick, apanhou sua corda e entrou.

— Calvin, só restou você. Foi inteligente da nossa parte deixar você por último. Vai ser preciso mais de uma pessoa para prender você caso te vigiem agora que você vai entrar. — Ian falou.

— Iremos ficar aqui torcendo por vocês. — Patrick apertou o braço dele.

— Força, grandão. Arrebenta com esses caras. — animado, Hugh sorria.

— Três minutos. Pode entrar o último leonino.

Calvin repetiu o que todos fizeram.

Com o restante do pessoal fora da mata, eles correram para o alojamento, onde dois telões foram separados em várias telas divididas na quantidade exata de pessoas filmando os garotos. Já dava para acompanhar onde cada um estava escondido.

Daniel caminhou para fora do alojamento, usou um fogo de artifício para dar o tiro de largada e BUM! Foi dado início à final.

[...]

Samuel caminhava sozinho pela mata, olhando para todos os lados atentamente, com medo, mas procurando alguma vítima para prender. Estando do lado de dentro, sabendo que estava sendo vigiado, era como viver em um filme de terror, estava bem apreensivo, mas também muito ansioso para o primeiro embate, torcendo para não ser pego por ninguém.

O loiro olhava para os lados, para baixo, para trás e para cima, até acenou pra o garoto de preto que o filmava. Mas estava bem atento em tudo a sua volta. Inclusive percebeu barulho vindo do seu lado esquerdo.

— Agora! — Danion gritou.

Ele e Connor saíram dos arbustos e avançaram em Samuel. O loiro, rápido, recuou a tempo e deu a volta numa árvore. Connor conseguiu segurá-lo pelo braço, mas o Samuel usou a força dos pés para se apoiar na árvore e conseguir escapar. Danion já estava esperando-o com a corda para prendê-lo, mas o jogo virou no momento em que Luke e Caine surgiram gritando.

— Fodeu, fodeu, fodeu! — disse o branquelo.

Luke já se jogou no chão, segurando Danion pelos pés e o derrubando no chão. Caído, Danion até tentou se levantar, mas o Caine sentou sobre a barriga dele.

— Desculpa, Dan. — disse com um sorriso no rosto.

— Filho da puta, eu sou seu namorado! — tentou ele se soltar, mas os pés foram facilmente presos com a corda do Luke.

Connor ficou parado, sem saber o que fazer, Samuel ficou de pé, próximo ao branquelo que ainda se debatia.

— Me ajuda, filho da puta! — pediu o branquelo.

— Três contra um, Danion.

— Foda-se! Me ajuda.

— Desculpa, cara, mas...

Connor se mandou para bem longe.

— FILHO DA PUTA! — Danion gritou.

Quem estava assistindo aquilo deu altas gargalhadas, inclusive os próprios leões. Ian até escondeu o rosto de tanta vergonha que sentiu.

— Ok, que fácil, menos um. — Luke provocou.

— Eu tenho o pior time do mundo. — preso, o branquelo falou.

— Eu juro que vamos pegar leve com vocês no castigo. — Samuel também provocou.

— Parem, deixem ele em paz. — Caine pediu. — Eu vou ficar aqui vigiando ele para caso alguém apareça. Vocês vão.

— Tem certeza? Você sozinho não é lá grande coisa não...

— Eu vou me esconder.

— Então sugiro calar a boca do seu namorado porque ele vai te entregar.

Luke tirou a própria camisa e fez uma mordaça para o branquelo. Danion nunca insultou alguém tanto como naquele momento.

Com o branquelo preso, Luke e Samuel saíram para caçar juntos, enquanto Caine voltou ao mesmo esconderijo que estava antes.

Um pouco afastado dali. Gale e Clara conversavam baixinho quando ouviram passos, isso acabou os silenciando. Observando através das brechas de umas rochas, descobriram que o Calvin andava sozinho procurando alguém.

— Puta merda, logo ele? — Gale sussurrou.

— Para de ser medroso.

Clara logo se levantou, Calvin a viu, mas a mão dela estava escondida, pedindo para seu irmão ainda permanecer escondido.

— Tá calor, não é?

Clara, esperta, jurando na heterossexualidade do Calvin, prendeu os cabelos e pressionou os seios. Calvin só coçou a cabeça.

— Você não era lésbica? — Calvin perguntou. — Por que tá tentando me seduzir aqui?

— Quê? Que história é essa?

— O Danion que diz pra todo mundo que você é lésbica.

— Aquele filho da puta! Eu vou matar ele.

Calvin apenas sorriu.

— E aí, quem vai vencer? — Clara tentou tomar tempo.

— Ainda pergunta? — se aproximando dela, Calvin já retirou primeira corda do ombro.

— Acho difícil, hein. Vimos que um dos leões já foi caçado e eu aposto que foi o Danion.

— Tanto faz, você será a próxima.

Quando se preparou para apanhá-la, Gale saltou e avançou nele, mas Calvin foi mais rápido e desviou. Ele, mesmo machucado após a briga com o Joshua, tinha a força de um leão. Abriu um espaço na sua corda e fez com que a cabeça do loiro passasse, ele logo o prendeu, mas Clara avançou sobre ele, no entanto, o Connor, que estava correndo desesperadamente procurando um aliado, encontrou a garota e deu de cara com ela. Ela, rapidamente, preparou o laço de sua corda para prender ele, mas o Connor com mais agilidade, envolveu a corda na cintura dela e a derrubou no chão.

Clara caiu de cara no chão, mas não se feriu, mas a dor foi sentida. Gale, o mais fraco, não teve chance alguma contra o Calvin. Em menos de dois minutos ele já estava com as pernas e braços presos.

— Isso é covardia! — Clara gritou.

— Cala a boca e aceita, garota. — Gale disse.

Connor, enquanto amarrava as mãos da garota, olhou para o Calvin e disse:

— Pegaram o Danion.

— Eu sabia. Branquelo burro! — resmungando, Clara falou.

Dois tiros de fumaça com a cor amarela foram mostrados no céu.

Luke e Samuel, que estavam juntos, ficaram preocupados após aquele sinal.

— Ok, estamos em quatro e eles em cinco. Não estamos em tanta desvantagem. — falou o moreno.

— Fique mais atento. O Calvin é o mais forte, ele sim é perigoso. — Samuel alertou.

Os dois não se desgrudaram, enquanto um olhava para uma direção, o outro imediatamente virava seus olhos em outra. Não podiam vacilar de jeito nenhum, isso significaria derrota na certa, principalmente porque o Luke era o que se achava mais forte e iria ficar muito puto se fosse preso por bobeira.

Próximo deles, caminhando, Julius e Marcus estavam na mesma situação.

— Ei, você não vai mesmo falar comigo? — Julius perguntou.

Marcus nem o respondeu.

— Cara, até quando você vai ficar assim?

— Da pra prestar atenção no jogo?

— Quero que você volte a falar comigo.

— Agora não. — disse enquanto descobriu na árvore alguém o filmando.

Eles nem sabiam se o áudio estava sendo captado, e de fato não estava, mas era preocupante. Marcus, nervoso em ser exposto, logo disse:

— Cala a boca.

Suspirando, Julius não falou mais nada.

Foi quando os dois deram de cara com Luke e Samuel.

— Finalmente a diversão. — Luke disse.

— Luke, não provoca. — Samuel pediu.

— O quê? Acabamos de encontrar duas vítimas. Isso tá me deixando bem agitado. Parece até que sou o vilão buscando vítimas indefesas.

— Muito engraçado. — Julius fingiu gargalhar.

— Vamos nos separar. — Marcus sussurrou.

Julius concordou.

— Agora! — Marcus falou.

Enquanto Julius correu para a direita, Marcus foi para a esquerda. Luke foi atrás do moreno, enquanto Samuel correu atrás do Julius.

— Está com medo? — Samuel, que tanto tinha pedido para Luke não provocar, perguntou enquanto corria atrás do leonino.

Sentindo-se provocado, Julius parou no mesmo instante e se virou. Samuel parou com um sorriso no rosto e retirou a corda com o laço já feito do seu ombro.

— Cara, eu odeio que me provoquem. Você pediu, hein.

— Então vem.

E Julius foi. Samuel só não esperou que ele fosse rápido e forte, quase arrancando seu braço quando tentou puxá-lo. Sentindo uma forte dor, Samuel recuou e massageou a região atingida.

Julius começou a fazer o laço na sua corda enquanto o encarava. Samuel aproveitou para atacar. O leonino se jogou no chão e sem ter terminado o laço, enrolou a corda no pé do loiro, mas o membro do águia conseguiu saltar e desviar.

De pé, o leonino respirou ofegante. Samuel avançou nele e conseguiu cravar o laço em seu braço, prendeu a corda e se afastou. Julius gritou com a dor sentida e cravou os pés no chão para não ser puxado assim que o loiro parou.

— E agora, quem é que vai ser pego?

— Eu que não vou ser.

Samuel então começou a puxá-lo numa tentativa de conseguir derrubá-lo no chão e ter vantagem para prendê-lo, já que pelo que percebeu, teria que usar as duas cordas só contra ele.

Com raiva e usando a força, Julius firmou seus pés no chão e com a outra mão, segurou na corda que estava presa em seu braço. Num mano a mano, como se fosse uma disputa de braço de ferro, ele começou a puxar a corda.

Foi aí que o Samuel percebeu a força do leonino e largou a corda quando sabia que ia perder. Julius, muito puto da vida, retirou a corda do seu braço e usou do próprio laço dela para prender o loiro.

Samuel tentou correr, mas o leonino o segurou pelo pé, o derrubou no chão, montou sobre ele e conseguiu prender uma de suas mãos. Ainda relutando para fugir, Julius pegou a outra mão do loiro, juntou uma na outra com bastante força, e as prendeu. Ele pegou a vantagem e rapidamente prendeu as coxas, pernas e pés do membro da república vizinha a sua.

— Puta que pariu, você me fez suar. — Julius disse.

— Eu não esperava que você fosse tão forte.

— Forte e gostoso, diga-se de passagem. — fez pose.

O tiro foi dado.

Luke olhou para o céu e já imaginou que tinha sido o namorado a ser pego. Mas ficou tranquilo quando preso e calado estava o Marcus, que lutou bravamente, mas não conseguiu vencer da agilidade e esperteza do moreno.

Outro tiro foi dado, dessa vez vermelho.

Colin, escondido, olhou para o céu e quando viu a cor vermelha ficou ainda mais preocupado. Mas do lugar que estava ele finalmente saiu e começou a caçar.

Luke voltou o caminho que tinha feito para caçar Marcus, entrou numa outra direção e lá encontrou Samuel, preso e com a cara de quem tinha poucos amigos de tão puto que ficou.

— Porra, você é muito burro. — disse o moreno irritado.

— Cala a boca. Prendeu o outro pelo menos?

— Sim, né? Quem mais para fazer isso senão eu?

— Cala a boca e sai daqui, vai procurar o outro.

— Para onde ele foi?

— Pra aquela direção. — apontou para a esquerda com a cabeça.

— Ok. Fica aí, vou vencer esse jogo por nós. Te amo.

Luke se ajoelhou e mais uma vez roubou um beijo caloroso do loiro. Samuel nem rejeitou, até sorriu, mesmo preso.

Muito impaciente, Caine saiu do seu lugar que estava escondido. Ele sentou ao lado do seu namorado que estava com a boca amordaçada.

— Será que alguém vai aparecer aqui? Três do meu time já se foram.

Danion tentou responder, mas estava com a boca abafada. Caine não aguentou aquilo e retirou a camisa.

— Eu te amava tanto, por que fez isso comigo? — dramático, Danion questionou.

— Para, Dan. É só um jogo. Um time tem que vencer.

— Mas teria que ter sido você a me prender?

— Você infelizmente foi a primeira vítima.

E lá, do meio do mato, Colin surgiu com apenas uma corda.

— Por que será que eu já sabia que você tinha sido pego? — Colin questionou enquanto se aproximava.

Caine rapidamente ficou de pé, atento.

— O Connor correu e não me ajudou!

— E você disse que eu era o mais fraco, lembra? — Colin o encarou.

— Vai tomar no cu!

— Por que tinha que ser logo você a aparecer? — Caine questionou ao melhor amigo.

— Eu te amo, Caine, você sabe, mas vou ter que te prender.

— Eu não vou deixar.

Caine preparou sua corda, Colin fez o mesmo. Ambos se encararam, mas o primeiro a dar início ao ataque foi o leonino. Caine correu para se esconder na árvore, mas Colin o seguiu a tempo. O águia tentou prender o amigo pela cintura, mas a tentativa foi bem falha quando Colin puxou a corda que iria o prender e consequentemente derrubou Caine no chão.

O leonino avançou as pressas, montou sobre o Caine, o virou de costas e prendeu as mãos dele.

— Te amo demais, você sabe disso. Mas quem mandou desistir de fazer academia comigo? — disse o leonino enquanto o prendia.

— Porcaria, você tá bem fortinho. — dando-se por vencido, Caine falou.

Colin, depois de prendê-lo, aproximou o corpo do amigo ao do branquelo e os deixou juntinho.

— Pelo menos você vai ter com quem conversar enquanto o resto do jogo continua.

Caine suspirou e sorriu. Ele não estava irritado, reconhecia que aquilo fazia parte do jogo. Danion era o único a estar bem puto até o momento.

— Agora vou caçar os outros e mostrar para você, Dan, que eu não sou tão fraco assim. Para você não ser tão inútil, eu vou usar suas cordas. — apanhou as cordas e piscou antes de desaparecer no meio do mato.

Luke, afastado dali, caminhava novamente procurando o Julius quando ouviu o novo tiro de fumaça, desapontado resmungou, mas para sua surpresa, ele viu Calvin guardando os corpos da Clara e do Gale.

“Merda, ele ainda tá solto” pensou o moreno escondendo-se rapidamente.

—E aí, o que vamos fazer?

Com o susto, Luke quase caiu para trás. Carter sussurrou em seu ouvido tão próximo que ele jurou ser preso por alguém naquela hora.

— Que merda, da roça! — resmungou baixinho.

— Foi mal, uai.

— Faz muito tempo que você tá aqui?

— Sim, tô vigiando ele, mas ele é muito forte. E tem mais um com ele escondido por aí.

— Você sabe quem?

— O Connor. Só não sei pra onde ele foi.

— Precisamos dar um jeito de prender o Calvin.

— Ele é como um boi violento, eu acho que sei o que fazer.

— Sabe?

— Sim. Sou garoto do mato, uai. ‘Cê pensa o que de mim?

— E o que quer que eu faça?

Carter sussurrou mais baixo ainda no ouvido dele. Luke não confiou muito nisso, mas era sua chance. Teria que enfrentar Calvin de todas as formas, não importava em que momento, isso teria que acontecer.

Por isso ele saiu dos arbustos sorrindo.

— Parece que finalmente encontrei a presa mais forte.

Calvin, quando o viu, sorriu e já preparou sua corda.

— Vem cá, grandão.

Como sabia que com Luke não podia brincar, Calvin correu atrás dele. Luke também não foi burro e correu para fugir. Ele deu a volta em algumas árvores até que o Carter aparecesse e, como um perfeito cowboy, tipo os que giram a corda no ar e lança no animal correndo, lançou a corda perfeitamente no alvo, cravando-a na cintura dele, como estivesse realmente prendendo um touro violento.

Com a corda na cintura, Calvin só sentiu o impacto do chão e jurou que algo nele estralou quando foi puxado com muita força e derrubado.

Luke, nada burro, vendo que ele estava no chão, já usou o laço de sua corda para prender as pernas do inimigo.

Calvin até relutou, mas Luke foi muito rápido, fora o fato do leonino sentir a dor da queda que com certeza resultaria em uma bolsa de gelo no lombo, sendo assim estava enfraquecido.

— Égua!

Quando virou em direção a voz, viu que Connor estava prestes a prender o Carter, por isso ele saiu em disparada atrás do adversário, fazendo com que Connor corresse a tempo de ser pego.

— Obrigado. — agradeceu o loiro, levantando-se.

— Vamos atrás dele.

O tiro de fumaça vermelha disparou.

— Merda. — Colin disse enquanto caminhava.

— Corre, Colin!

Ele ouviu a voz do Connor que se aproximava dele.

Colin ficou parado, sem entender o que acontecia, até que há poucos metros Carter e Connor corriam em sua direção.

Colin, sem nem pensar duas vezes, correu para uma direção contrária a do Connor.

— Achei você! — Luke gritou.

— Então vem me pegar, espertão. — Colin rebateu.

Lançando-se a uma área mais densa de folhas, Colin se escondeu.

Luke e Carter foram no mesmo lugar, mas quando passaram pelas plantas, não deram mais sinal do Colin. Eles pararam.

— Égua, pra onde ele foi? — Carter perguntou.

— Não sei. Se eu soubesse eu falaria, não é mesmo, da roça?

— Então ‘cê vai pra esquerda e eu vou para a direita.

Seguindo a estratégia, Carter caminhou lentamente para a direita, passou por algumas árvores, parou, olhou para todos os lados, viu o garoto que filmava e, como Samuel, também acenou com um sorriso no rosto.

— Aparece! — Carter gritou.

Mas ele ouviu um assovio logo em seguida, no entanto não soube da onde vinha. Outro assoviou passou por seus ouvidos e ele se virou para a direita, seguindo o som. Mesmo temeroso, Carter ia bem atento com os olhos fixos na árvore, imaginando que Colin estivesse escondido atrás dela.

Ele deu um passo, dois passos, três passos e quando menos esperou, estava de cara no chão, com os pés presos. Carter simplesmente caiu na armadilha do Colin quando pisou no círculo da corda escondida entre as folhas.

Colin saiu de trás da árvore, usou a outra ponta da corda para enrolar no corpo do adversário, prendeu as mãos dele e reforçou o nó nos pés, retirou a própria camisa e silenciou o loiro. Colin deu um sinal de beleza para a o garoto filmando na outra árvore e logo o tiro de disparada na cor amarela apareceu no céu.

Luke, quando ouviu aquilo, correu muito rápido na direção que Carter tinha ido e o encontrou preso no chão, mas nenhum sinal do leonino.

Carter se remexia no chão, tentava falar algo, mas a voz abafada pela camisa o impedia. Irritado, Luke olhava para todos os lados, muito assustado e com medo de ser pego. Pela contagem dos tiros, sabia que era o único sobrando.

— É melhor aparecer, Colin, vai ser mais fácil e sem nenhuma dor. — pediu o moreno.

Mas Carter insistentemente tentava dizer algo, mas Luke sequer dava bola. Estava mais preocupado em observar os lados do que prestar atenção em seu aliado preso.

— Colinzinho do meu coração, cadê você?

Com Carter mais uma vez tentando dizer algo, Luke decidiu se aproximar do aliado, mas tudo isso em passos ainda lentos, com os olhos atentos.

— O que você quer? — disse ele levando sua mão à camisa na boca do loiro.

— Droga, em cima! — gritou o loiro.

Do alto da árvore, Colin caiu atrás do Luke, mas quando o moreno percebeu, o laço da corda já estava em sua cintura e o leonino já corria segurando a outra ponta, deu a volta na árvore e, com toda a força que tinha, Colin o puxou, arrastando-o até que seu corpo encostasse à madeira. Colin deu uma, duas, três voltas na árvore, prendendo o corpo do Luke nela, por fim, ele finalizou com um nó e caiu ajoelhado em frente a ele.

O sinal da vitória foi dado imediatamente.

Colin, ofegante, sussurrou caindo com a cabeça no ombro do moreno.

— Qual é mesmo o time mais fraco que você disse no dia da seleção?

Luke, que achou que ficaria muito puto, suspirou e sorriu.

— Parabéns, você venceu.

Os leões venceram os Jogos da Quadra.

[...]

Hugh estava se divertindo na água, ele só não tinha mergulhado ainda por conta do ferimento na cabeça. Os belos cabelos encaracolados foram jogados fora, pois foi preciso diminuir o volume para dar espaço ao ferimento e assim fazer com que ele não agarrasse nos fios.

Ele até parecia mais garoto com aquele visual. Pietro, a princípio, tinha detestado quando ele apareceu na república com o cabelo curto, mas já estava se adaptando com a ideia, como se estivesse se apaixonando novamente. Hugh agora tinha o rosto livre, já que o cabelo dava a impressão de que sua face ficava escondida.

Enquanto se deliciava com a água molhando seu corpo, ele assistia o leonino com quem estava se relacionando vindo de longe, caminhando vagarosamente, segurando os seus óculos na mão. Pietro se sentou a beira da água, numa pedra molhada.

Com os pés dentro da água, ele viu Hugh sorrindo:

— O que foi? Por que tá sorrindo?

— Você trouxe meus óculos.

— Claro! Você deixou em cima da cama. Quem garante que alguém não vá derrubar e quebrar?

— Eu não gosto de tomar banho de óculos, embaça toda a visão.

— Já não basta o cabelo curto, agora sem óculos. Você se chama Hugh mesmo?

— Ah, para vai. Usa os óculos para ver como fica em você.

— Não. Eu não preciso disso.

— Mas só usa, por favor.

— Pra quê?

— Porque eu quero saber como você fica.

Pietro se deu pro vencido e usou. Ele parecia um garoto nerd e ao mesmo tempo um riquinho mimado e chato. Ficou todo constrangido quando Hugh começou a sorrir de ponta a ponta, feito um idiota. Por isso rapidamente ele retirou os óculos.

— Você ficou lindo, sabia?

— E cego.

— Ah... — disse o outro sem graça. — Me dá eles.

Pietro entregou o objeto e Hugh o usou, rapidamente mirou na face do garoto irritado e tornou a sorrir.

— Seus olhos brilham no sol. Eles estão tão azuis.

— Ele são acinzentados, Hugh.

— Mas parece que tão azuis.

Acostumado com essa confusão, Pietro deu de ombros.

— E esse sol vai logo embora. Consigo ver uma nuvem carregada de chuva.

— Isso é bom. Podemos dormir abraçadinhos.

— Não. — ele falou rapidamente e olhou para os lados, temendo que alguém ouvisse. — Não fala essas coisas assim.

— O que foi? Mas você gosta de dormir abraçadinho comigo.

— Sim, mas ninguém precisa saber!

Era visível seu constrangimento. Ele estava a ponto de explodir de tanta vergonha que sentia. Por isso ficou de pé, se preparando par sair dali.

— Ei, eu vou com você.

Pietro aguardou, Hugh saiu da água molhando toda a grama quando pisava.

— Não quer dar uma volta? Fazer uma pequena trilha? — sugeriu o de óculos.

— Vai chover, estou falando sério.

— Mas enquanto não chove. Já que você tem vergonha de me beijar na frente dos outros, quem sabe esse não é o momento...

Pietro nem olhou para ele, estava com a mesma cara de garoto aborrecido de sempre. Mas ele acabou cedendo quando caminhou em direção à floresta.

Dando um soco no ar, Hugh o acompanhou apressadamente, doido para segurar na mão dele, mas se contendo porque sabia que isso era declarar guerra contra o outro. A carência de Pietro era apenas exposta entre quatro paredes, fora delas ele parecia um pedaço de iceberg.

— Não sei qual a graça em andar só pra ver árvore, plantas e flores. — disse assim que entraram na floresta.

— Também não vejo graça. Mas eu estou com você, então há graça em tudo.

— Por que você está tão animado hoje? — Pietro perguntou franzindo o cenho, ainda caminhando.

— Nosso time venceu. Isso não é motivo para ficar feliz assim?

— Porque tínhamos o Colin no nosso time. O Connor só sabia fugir, o Colin foi o mais estratégico do jogo.

— Ainda bem que tínhamos o Colin, ele é o nosso líder e se importa muito com você. Você também deveria ficar feliz.

Pietro fez bico e o encarou.

— Adoro quando você faz essa cara de brabo.

Desconcertado, Pietro virou seu rosto.

Hugh o puxou, lançou o corpo dele contra uma árvore e esfregou sua coxa entre as pernas dele. Pietro engoliu em seco, mas era disso que gostava: do poder de domínio que o outro tinha. Pietro gostava de ser passivo não somente na cama, mas até mesmo nas ações fora dela. Ele amava ser pego de jeito, embora jamais fosse admitir isso.

— Eu gosto tanto de você, sabia? — questionou olhando nos olhos dele.

— Preferia quando você parecia um idiota.

— É mesmo?

— Você não deixou de parecer, mas desde que...

— Desde que me apaixonei por você?

— Para, Hugh!

— Ok, desculpa.

— Tá aí uma mania que nunca muda. Você me pede desculpa para tudo. É... Você não deixou de ser aquele idiota que parece fraco e indefeso. Como eu acabei gostando de você?

Hugh sorriu e aproximou sua boca à dele.

— Olha bem o que você vai fazer. — ameaçou.

— Te beijar.

— Me beijar com esse pau duro roçando em mim?

Cara de pau, Pietro falou.

Dessa vez quem se constrangeu foi o Hugh, que acabou se afastando dele e levando as duas mãos à perna.

— Assim você me deixa sem graça. — falou escondendo as partes íntimas.

Pietro finalmente sorriu.

Mas o Hugh não ficou constrangido por muito tempo. Aproximou-se dele novamente e lhe roubou um beijo daqueles de sugar a alma. Pietro até ficou na ponta do pé por tamanha pressão recebida e gemeu baixinho quando a mão acariciou e pressionou sua cintura.

Esses beijos surpresas o desconcertavam de uma forma que ele não compreendia.

Nisso, as primeiras gotas de chuva começaram a cair.

— Eu avisei que ia chover. — Pietro falou.

Se ele pensou que Hugh daria a mínima, se enganou. O leonino o beijou ainda mais. Um beijo tão ardente que se possível fosse, as gotas de chuva evaporariam quando tocassem na pele do moreno.

— Tá bom, tá bom... — pediu o Pietro sem fôlego. — Você não pode ficar molhando a cabeça assim. Vamos voltar.

— Já é tarde demais. Daqui até o alojamento eu vou tá todo molhado.

— Mas ainda assim, ficar na floresta em tempo de chuva é perigoso. Vamos voltar, quem manda aqui sou eu.

— Tudo bem, podemos até voltar, mas antes você precisa me responder algo.

— Tá, diga logo antes que essa chuva fique mais forte.

— Quer namorar comigo? — perguntou sorrindo.

Boquiaberto, Pietro só o encarou. A chuva molhava o seu rosto e o dele, mas palavra alguma saia da sua boca. Pietro tentou enxugar o rosto com a mão, mas foi apenas estupidez devido a chuva que ainda permanecia caindo.

— Devo interpretar isso como um sim?

— Isso é sério?

— Claro! Você quer que eu me ajoelhe? Então eu vou me-

Quando estava prestes a fazer isso, Pietro o segurou pelo braço e o impediu de se ajoelhar.

— Eu aceito, eu aceito.

— Yes! — dando um soco no ar, Hugh festejou.

— Tá, agora podemos ir?

— Só um beijo pra oficializar.

Dito isso, Hugh o beijou mais uma vez atrás daquela árvore. Cena aquela que ele jamais iria esquecer. Pietro precisou desfazer o beijo mais uma vez, segurou na mão dele e começou a arrastá-lo embaixo da chuva que já estava ganhando força.

Por uma parte, Pietro ainda tinha a frase martelando na sua mente, por outra, seu coração saltitava de felicidade. Era um pedido de namoro, algo oficial. Isso massageava sua carência de uma forma que ele não conseguia explicar.

Agora só falta perder a timidez e admitir para todo mundo que é perdidamente apaixonado pelo garoto de óculos com cara de idiota. Não só dizer que era apaixonado, mas também revelar que agora estava namorando com ele.

[...]

— Posso falar com você rapidinho? — Patrick, de pé, questionou ao Ian que estava deitado.

Ian se sentou, mas não desceu da cama.

— Algum problema?

— Talvez seja um. — disse apreensivo.

— Pode mandar.

Patrick olhou ao redor, não tinha ninguém próximo deles. Isso facilitava, mas ele estava sentindo que engoliu uma pedra por tamanha vergonha sentida.

— Deixa eu ver se eu acerto... — Ian fechou o olho esquerdo, levou a mão ao queixo e forçou uma careta.

— Você sabe que eu vou dormir sozinho com o Carter...

— E vão transar. — na lata, Ian soltou.

— Fala baixo! — Patrick, assustado, olhou mais uma vez para os lados.

Ian apenas começou a sorrir.

— Vocês não fizeram isso àquele dia lá em casa? Qual o problema?

— Não, não fizemos nada.

Surpreso, Ian até desceu da cama.

— Está querendo dizer que vocês ainda não transaram? O coitado do Carter permanece virgem?

Patrick direcionou seu olhar ao chão e passou a esfregar os dedos. Não conseguia olhar para o amigo.

— Eu também sou virgem.

— Ok, ok, ok... — Ian falou repetidamente, começou a querer andar e sair do seu lugar, mas tudo o que fez foi se sentar novamente na cama.

— E agora, o que eu faço?

— Os dois são virgens, eu acho isso fofo. — Ian sorriu ao achar aquilo mágico.

— Enquanto você acha fofo, eu fico aqui me sentindo ridículo. Ainda mais porque o Carter é todo atrapalhado.

— Agora entendo porque você ficou tão irritado em ter que dormir com todo mundo.

— Claro, não é, Ian? Eu me preparei todo para esse momento.

— Como assim?

Ele se aproximou e sussurrou no ouvido do amigo:

— Eu trouxe camisinha, lubrificante e até comprei duas cuecas novas.

Ian levou a mão ao rosto para esconder o riso. Era engraçado ver Patrick todo desconcertado quando o assunto era sua virgindade.

— É uma surpresa você ser virgem.

— Tá me chamando de quê? — questionou fuzilando-o.

— Nada, oras. Só estou surpreso.

— Eu sempre esperei um príncipe descer do cavalo branco, tudo bem? Mas no lugar do príncipe, o que me sobrou foi o cavalo. Confesso que até tentei uma vez, mas desisti por me sentir desconfortável.

— Tão sonhador...

— Eu preciso de dicas!

— Mas como eu posso ajudar? Isso é uma coisa tão individual de parceiro para parceiro. Você precisa estar seguro. Você está seguro? Quer isso mesmo?

— Querer eu quero, mas estou com vergonha, com medo. Eu fiz até agora no banho.

— Aquilo?

— Aquilo que nós passivos fazemos.

— Espera, você vai ser o passivo? — Ian levou sua mão novamente a boca.

Irritado, Patrick deu as costas, mas Ian o puxou.

— Tá bom, eu só não tô sabendo lidar com isso. Você me pegou de surpresa. Se você está tão nervoso, não faça nada. Espere um pouco mais. Uma hora isso vai ter que acontecer.

— Grande ajuda você me deu.

— Está com tanta pressa assim?

— Eu quero dicas.

— Relaxar é essencial. Como você vai conseguir relaxar se está tão nervoso? Pode ter certeza que vocês vão saber o que fazer. Se você quer fazer isso porque o Carter insiste demais, pense direitinho. As primeiras vezes costumam ser um desastre. É uma questão de prática, ainda mais quando o parceiro é fixo, um vai conhecendo melhor os pontos de prazer do outro.

— Quer saber? Eu não vou fazer isso hoje. Nunca pensei que transar fosse tão complicado.

— É só sua primeira vez, é claro que é normal você ficar assim. Ainda mais o Carter que só falta te comer com os olhos. Coitado, mais uma noite o guerreiro perde a luta.

— Ian! — o beliscou.

— Estou só brincando. — em gargalhadas, disse.

Ian então, não perdendo mais tempo provocando o amigo, disse:

— Olha, você trouxe lubrificante, certo? Ele é essencial. Eu só não sou o melhor exemplo para falar de camisinha...

— Como assim?

Ian olhou ao para os lados.

— Acontece que na minha primeira vez com ele nós transamos sem. É um erro, está bem? Não estou te dando exemplo para fazer isso.

Patrick apenas moveu a cabeça.

— Patrick, de verdade, por mais que o sexo seja uma coisa natural, ele se torna individual de parceiro para parceiro. É algo que vocês vão descobrir juntos. Ainda mais os dois sendo virgens.

— Em filmes eróticos parece ser uma coisa tão...

— Aquilo é tudo atuação. — logo o interrompeu. — Não confie em tudo o que você vê na tela.

— Acho que você tem razão. Eu estou muito nervoso para esse momento, preciso me preparar mais e ter certeza. Infelizmente Carter vai ter que aguentar mais um pouco.

— Ele aguenta. Se aguentou você o maltratando, ele com certeza vai aguentar esperar para ter uma primeira vez.

A conversa teve que ser interrompida quando os amigos leoninos começaram a se aproximar dos dois. Patrick sentou em uma das camas e ficou pensativo, enquanto todos os outros não paravam de tagarelar sobre a chuva e como ela havia estragado o momento de lazer. Mas havia quem ainda estivesse na água, tomando banho na cachoeira ainda com a chuva caindo.

[...]

O primeiro andar do alojamento tinha uma varanda enorme, protegida por grades de madeira. Haviam vários bancos próximos a elas, presos ao chão, separados por menos de um metro e com capacidade para três pessoas.

No último banco Carter estava sentado, sozinho, fazendo do som da chuva melodia para seus ouvidos. Ele adorava ver a água molhando todo o verde da floresta. Era encantador assistir uma gota deslizar sobre uma folha e repousar bem na ponta dela, relutando para não se soltar, até que caísse.

O céu escurecia de uma forma que dava medo, ver aquelas nuvens negras carregadas de água desmoronando em tudo era assustador. Mas Carter simplesmente amava tudo aquilo, ele se sentia bem. Fora o fato de que lhe trazia lembranças de parte da sua vida vivida na fazenda. Ele lembrava que sua avó também adorava dias de chuva.

Fazia frio, mas para Carter era um friozinho gostoso, por isso ele estava apenas de calça de moletom e sandálias de dedo, mas optou por não vestir uma camisa.

— Pensei que estivesse dormindo.

A voz do Patrick tomou seus ouvidos logo atrás dele.

Vestindo uma camisa preta grossa e de mangas longas, um short masculino azul com vários flamingos e sandálias brancas de dedo, Patrick abriu as pernas, deixando o banco entre elas, e se sentou bem de frente para o namorado.

— Preferi ficar aqui vendo a chuva caindo. ‘Cê não acha bonito ver isso?

— Ver a chuva?

— Sim, olha bem pra todo esse verde de árvores sendo molhadas. Égua, da uma sensação tão boa em mim.

Patrick não sentia nada de diferente, mas não desrespeitou o sentimento do loiro.

— Tá uma loucura lá embaixo. O Danion está reclamando dizendo que deveria ficar com esse quarto. Tem gente brigando por lugar para beliche, tem gente reclamando e ainda relembrando do jogo.

— E o Colin? ‘Cê chamou ele pra dormir aqui?

— Sim, mas ele não quer. Eu até insisti, mas ele diz que prefere ficar com todo mundo lá embaixo.

— Égua, ele me deixa confuso. Tem dia que quer ficar sozinho e agora quer ficar com todo mundo. Que ele quer então, uai?

— Na verdade eu acho que ele tá se permitindo viver, cansou de ficar preso em um quarto. E ficar nesse sozinho não seria uma experiência agradável.

— ‘Cês da cidade grande são todos bem estranhos.

— Estranho é você que tá sem camisa nesse frio. Vou lá dentro pegar algo para você vestir. — disse já se levantando.

Carter o segurou pelas coxas, impedindo-o de se levantar.

— Égua, eu gosto desse friozinho. É bom pra ficar abraçadinho, uai. — e puxou o garoto para seu abraço, afogando o rosto dele em seu peito.

Patrick não reclamou, ele apenas sorriu. Acabou mudando de posição e ficando de costas para o loiro, encolhendo-se no corpo dele, usando daqueles braços fortes como cobertor. Carter encostou o queixo no ombro dele e aceitou o carinho na orelha que Patrick fazia.

Abraçadinhos, os dois ficaram em silêncio por um bom tempo enquanto assistiam a chuva cair e o dia virar noite.

— Às vezes eu não acredito que cê ta comigo. Diacho de abraço bom.

— Você ganhou o maior prêmio do mundo. Gente igual a mim não há. Se considere sortudo.

— Égua de humildade que ‘cê tem.

— É assim mesmo.

— Cabrita, eu acho que já amo você.

— Como assim acha?

— Sei lá. Um colega meu disse que eu só gostava de você, mas égua, eu gosto demais, demais mesmo. Isso não é amor? Como que é o amor?

Sem graça, Patrick não soube o que responder.

— Todo dia eu vou dormir pensando na gente com um bocado de cabritinho pra cuidar. ‘Cê gritando comigo porque não colhi lenha pra fogueira, ‘cê gritando comigo porque não dei banho nos cabritos, ‘cê gritando comigo porque soltei os porcos, cê gritando comigo porque-

— Égua! Tá bom. Chega, chega, chega! Eu já entendi. Você acha mesmo que eu só brigo com você?

— É o que ‘cê ta fazendo agora, uai.

— Mas olha só o que você... — Patrick parou. — Tudo bem, tudo bem.

— Mas eu gosto de ‘cê do jeitinho que ‘cê é. — falou e cheirou o pescoço dele, dando um leve beijo.

Arrepiado, Patrick sentiu leves cócegas e sorriu.

— Gostou?

Calado, Patrick não deu resposta. Carter então repetiu o gesto, dessa vez do outro lado do pescoço. Não resistindo, o leonino se esforçou, girou a cabeça o máximo que pôde e roubou um selinho do loiro.

Carter voltou a deitar seu queixo na curva do ombro do namorado e mais uma vez teve sua orelha preenchida de carinho. No entanto, aquele simples beijo e aproximação, fez com que algo nele despertasse. E isso já acontecia há tanto tempo que, às vezes, era difícil de esconder.

— Você tá excitado novamente. — Patrick falou na maior cara de pau.

— Égua! Eu tava quietinho, jurei que ‘cê nem ia perceber.

— Eu tô sentindo isso encostar em mim. Como você não quer que eu perceba? Eu só te dei um selinho e você já tá assim.

— Mas uai, é que ‘cê sabe...

Patrick suspirou, mas sorriu bem escondido para ele não perceber. Ele tocou por fora do seu bolso e sentiu o preservativo lá. Estava nervoso, não sabia como agir, não tinha coragem de simplesmente virar e falar “oi, vamos transar”. Ele queria que as coisas tomassem um rumo bem diferente, como ele sempre sonhou, como nos filmes que via. Mas Patrick, sonhador demais, estava dando agora com a cara na realidade.

— Carter, você jura mesmo que é virgem? — perguntou.

— Claro, uai! Que ‘cê acha? Se eu não fosse virgem eu não ficava tão nervoso perto de ‘cê.

Patrick amava aquela sinceridade, embora facilmente ela também o irritasse.

— Eu também sou. — revelou.

Ele esperou ouvir um “ÉGUA” bem gritante, mas o silêncio do seu namorado acabou o incomodando, por isso ele olhou para trás e viu o rosto do loiro vermelho, segurando-se para não rir.

— O que foi?

— Que fofinho!

Vermelho como um tomate, Patrick virou o rosto e não teve mais coragem de encará-lo.

— Dois virgens, estamos lascados quando isso acontecer. Mas se ‘cê quiser, eu posso pedir ajuda ao Joshua, ele pode me dar umas dicas e a gente tenta.

— Tá maluco! Eu não quero que você conte para ninguém. Se eu souber que você espalhou isso, eu juro que arranco o que você carrega entre as pernas com o dente.

— Égua, tá bom, tá bom. — falou fazendo careta.

Patrick acabou ficando de pé, deixando Carter confuso.

— O que foi?

— Vou deitar um pouco. Não quer ir?

— Aqui está bom.

— Mas vem, fica comigo no quarto. E se um bicho aparecer?

— ‘Cê desse tamanho tem medo de bicho? Égua, cabrita. — Carter se levantou.

Era tudo truque, obviamente. Ele só queria o namorado no quarto com ele.

Patrick entrou no quarto e esperou o loiro entrar, assim que fechou a porta, deu um sorriso de costas para o loiro e se virou para ir à cama, mas quando esperava encontrar Carter já deitado, acabou vendo-o de pé na janela.

— Ainda admirando a chuva? — retirando o calçado, Patrick se sentou na cama.

— Sim, uai. Se ‘cê tem medo de bicho, eu posso ficar dentro do quarto, mas aqui tem janela, então dá pra ficar com um olho em ‘cê e um olho na chuva.

— Ah, sim, sim...

Carter nem estava dando bola, Patrick coçou a cabeça e se deitou na cama de braços abertos, suspirou e fixou os olhos no teto. Não sabia como ter coragem em pedir para que eles tentassem transar. Queria bastante, mas estava tão nervoso que parecia ter desaprendido a falar.

Com muita força de vontade, Patrick ficou de pé. Carter estava dando as costas para ele, não propositalmente, mas porque estava com os cotovelos apoiados na janela. O leonino, sentindo aquele chão gélido, deu alguns passos lentos até parar atrás do loiro, o abraçar e encostar seu ouvido nas costas do loiro.

— Você é tão quentinho. — Patrick disse.

— Isso é bom ou ruim? — Carter questionou tentando enxergá-lo.

— Pra dias de chuva, isso é muito bom.

— Se a cabrita sentir frio, pode me pedir que eu esquento ‘cê.

Patrick não disse nada, apenas permaneceu o abraçando. Era confortável, era aconchegante. Poderia passar horas apenas fazendo aquilo, mas isso era porque estava apaixonado, e quando se está apaixonado, todo pequeno detalhe no parceiro se torna uma coisa grandiosa, como o fato do Carter ter o corpo quente.

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Ainda refletindo na conversa com o Ian, Patrick não tinha certeza do que faria, mas quando mais próximo ficava do loiro, mais o tesão tomava conta do seu corpo. Era como uma brasa, aquecia, esquentava... queimava.

Sem controle algum do que fazia, Patrick afastou sua orelha das costas do namorado e simplesmente começou a beijar a pele dele naquela mesma região. O gesto fez com que Carter se arrepiasse dos pés à cabeça.

— É-egua... — disse trêmulo, como se tivesse perdido a voz.

O loiro se virou e encontrou o rosto do seu namorado corado. Patrick deu um curto sorriso para ele e desceu os olhos constrangidos.

— ‘Cê quer tentar, cabrita?

Patrick não pensou duas vezes e a resposta foi num sussurro: sim.

Carter poderia ter gozado só ouvindo aquilo. Ele ficou tão nervoso, que quando foi beijar o namorado, acabou batendo a testa na dele. Ambos riram, mas o beijo aconteceu na mais leveza possível.

Patrick, com as mãos na cintura do loiro, começou a puxá-lo, não mais para colar o seu corpo ao dele, mas para que fossem caminhando aos beijos até a cama. Mas ambos estavam nervosos, por isso o Carter acabou pisando no pé do leonino sem intenção de machucar.

Eles até caíram, mas estavam tão próximos da cama que a queda acabou sendo amortecida.

— Égua. — disse o loiro.

Mas sem tempo de dizer mais uma palavra, Patrick cravou a mão no rosto dele e puxou para o beijo. Ele sentia que não podia parar, senão ficaria novamente inseguro e desistiria. Se tinham começado, nada podia interromper o momento.

— Ei, cabrita, calma...

Patrick nem ligava, montou sobre o Carter assim que rolaram na cama. O leonino o beijava como se fosse a última vez, ia com tanta vontade que Carter até perdia o fôlego e precisava afastar o rosto para poder respirar.

O leonino forçava mesmo para sentir a ereção do loiro sobre a sua. Esse contato esquentava ainda mais as coisas. Até porque imaginar o Carter nu, embora já tivesse o visto de costas sem cueca, era uma visão dos deuses. Mexia com seu fetiche ver alguém como o Carter, que parecia um completo idiota, todo duro e soltando gemidinhos de prazer.

Os dois rolaram na cama uma outra vez, sendo que Carter agora deveria ficar sobre o leonino, no entanto:

— Égua, minhas costas! — disse ele no chão duro, gemendo baixinho de dor.

Carter simplesmente havia caído da cama. Patrick, que a princípio ficou preocupado, quando o viu se levantar, começou a gargalhar.

— ‘Cê ainda ri? Égua, cabrita, doeu. — resmungou.

— Senta aqui. — pediu.

Carter obedeceu, ainda gemendo de dor ele sentiu as mãos macias do namorado massagear seus ombros. Rapidinho ele esqueceu a dor, inclinou seu pescoço para o lado e relaxou. Relaxou tanto que quando abriu os olhos, viu algo pontudo subir em sua calça. Estava mais uma vez excitado.

Ele se virou, como a própria águia que vê sua presa do alto e desce numa velocidade absurda para tomá-la para si, e acabou deitando Patrick sobre a cama, montando sobre ele e o beijando.

Se tinha uma coisa que Patrick adorou experimentar, certamente foi esse ataque recebido.

Com os olhos famintos, Carter o encarou e sorriu. Patrick não disse uma palavra, apenas ruborizou.

Perdendo o pudor, Patrick pôs as mãos nas costas do loiro, as deslizou até infiltra-las sobre a calça de moletom e apertar vagarosamente as nádegas do caipira.

— Ei, ei...

— O que foi? — Patrick perguntou.

— É uma sensação estranha.

— Eu tô só apertando sua bunda. Achei que isso apimentaria mais o momento. — constrangido, achando que tinha feito algo errado, Patrick retirou as mãos da bunda dele.

— Por que tirou?

— Você gostou ou não gostou?

— É estranho, mas bom... Aperta vai.

Confuso, Patrick retornou sua mão ao lugar, mas a sua ousadia foi tanta que ele não resistiu a vontade que tinha há tanto tempo. Numa ação rápida, sua mão direita, que estava dentro da calça moletom, moveu alguns centímetros, passando pela cintura do loiro e, sem vergonha alguma, envolveu o falo do pênis do caipira.

Carter tremeu imediatamente a ponto de assustar o leonino. Foi um toque tão íntimo e tão bom, sendo a primeira vez que ele sentia, que ele quase gozou ali mesmo.

Alguns animais no cio ficam descontrolados. Alguns ou todos? Carter, como ele mesmo se chamava, era um bicho do mato.

Ficou de pé, arrancou a calça e a cueca tudo de uma vez, impressionando o leonino que ainda estava com as vestes. Patrick sorriu de lado, mas o loiro não perdeu tempo e já caiu sobre o corpo dele, beijando-o com vontade e arrancando a camisa dele.

— Égua, que fogo é esse? — Patrick perguntou.

— A cabrita provocou, a cabrita vai ter.

Patrick basicamente só fez piscar, quando deu por si, estava nu.

Carter o avaliava com os olhos famintos, girando-o na cama só pra ver aquela bunda que ele tanto amava. Ele até ousou apertá-las com as duas mãos.

— Que macio.

— Vai ficar só apertando ou vai fazer mais alguma coisa?

— Mas é agora? Eita que cabrita gulosa.

— Carter! Não é disso que tô falando.

— É o que então, uai?

— Você deveria saber, merda.

— Mas eu não sei, tá? Égua! Nós vídeos parece que é mais fácil.

— Está dizendo que isso aqui que estamos fazendo é um filme pornô?

— Não! Égua! Eu não disse nada, ‘cê que tá dizendo. Não vamos brigar, cabrita.

Patrick, nu na cama, cruzou os braços. Carter deitou ao lado dele.

— ‘Cê tá com raiva? — questionou o loiro fazendo carinho na bochecha dele.

— Não. É só que quando eu imaginei minha primeira vez, pensei em algo completamente diferente. Mas somos dois atrapalhados.

— Eu li bastante, cabrita. Nem toda primeira vez é perfeita.

— Eu sei, Carter. Mas é que sei lá... Eu acreditava em coisas tão lindas.

— Vamos com calma, agora? Tudo bem?

Patrick, com os lábios contraídos, moveu a cabeça em um gesto positivo. Devagar, Carter se aproximou dele e o beijou. O beijo era leve, mas ardente. Logo ambos estavam mais uma vez excitados, trocando beijos e carícias.

O leonino mais uma vez voltou a tocar no pênis do loiro, enquanto isso o Carter desceu uma mão há nádega do namorado. Até ali estava tudo no controle.

O contato labial foi eficiente para trazer calor aos corpos. Patrick refletia muito sobre sua vontade de ficar apenas no beijo. Por isso ele se acomodou na cama, beijou o pescoço do loiro, desceu com a língua deslizando sobre aquela pele bronzeada e chegou ao objetivo.

Carter ficou apoiado sobre os cotovelos, com a boca aberta e o coração batendo muito forte. Patrick não teve coragem de olhar para ele. Prendeu os fios atrás da orelha, passou a língua nos lábios, segurou o pênis do loiro e, devagar, o pôs na boca.

Carter fechou os olhos, arqueou as costas e gemeu. Foi muito mais do que ele esperava. Perdeu todas as forças, sendo assim os cotovelos cederam.

O loiro abriu os braços e cravou as mãos na cama, fechou os olhos e se deixou tomar pelo prazer sentido.

Patrick queria olhar nos olhos dele, mas vendo as ações que o loiro fazia, cogitava não estar fazendo um péssimo sexo oral. Por isso enquanto o sugava, as duas mãos deslizavam sobre a coxa do caipira.

Carter estava a ponto de perder o controle. Ele só sabia gemer alternadamente, ora baixo, ora alto. A língua do seu namorado era tão boa que ele chegou a duvidar se Patrick era realmente virgem ou não. Fazia sentido amar o beijo dele só pela língua poderosa que o leonino tinha.

— Ei, cabrita...— tentou falar, mas gemeu logo em seguida.

Patrick começou a masturbá-lo enquanto chupava a glande, fazia loucuras com a língua e os lábios.

— Ei, ei, ei! — pediu o loiro ao cravar a mão no cabelo do namorado.

Ao parar, Patrick levantou a cabeça e passou a língua nos lábios. Ele franziu o cenho e questionou:

— O que houve?

— Desse jeito eu vou...

Patrick parecia ter recebido um troféu. Ouvir aquilo era semelhante a um elogio. O leonino ficou de pé, caminhou pelado até sua mala, a abriu, abaixou e fez o Carter quase ter um sangramento nasal quando viu aquela bunda tão livre daquele jeito.

Em dez segundos Patrick retornou com o lubrificante e o preservativo, pôs sobre a mesa de cabeceira e deitou sobre o loiro.

— Sou eu ou ‘cê que vai usar isso? — questionou o loiro pegando o preservativo.

— Isso é uma camisinha, você sabe, não é?

— Claro que eu sei, cabrita. Égua, tá me chamando de burro?

— É pra você usar. Ou prefere que eu use? — perguntou realmente confuso.

— Eu que sou o boi, uai.

— Tá me chamando de vaca, Carter? — Patrick se ajoelhou na cama e cruzou os braços.

— Não! Égua, eu só quis dizer que... Égua, cabrita, desculpa.

— Tudo bem, tudo bem. Vamos antes que eu desista.

— Desistir agora que chegamos até aqui?

Carter até rasgou a embalagem do preservativo com o dente e pôs as pressas só para seu namorado não desistir.

Patrick se deitou de barriga para cima e começou a respirar devagar, tentando se acalmar. Sobre a experiência de ser passivo, ele já sabia de algumas coisas, como o fato da dor inicial.

— O que eu faço com isso? — Carter, analisando o lubrificante, questionou.

— Você vai usar em mim.

— ‘Cê quer que eu massageie suas costas com isso?

— Não, Carter, em outro lugar. — respondeu constrangido.

— Isso é gel pra cabelo?

Não teve outra, Patrick pegou o travesseiro e levou à face. Ele começou a gargalhar sem conseguir manter controle.

— Que foi, cabrita, por que ‘cê tá rindo?

— Você nunca ouviu falar de lubrificante? — questionou retirando o travesseiro do rosto já vermelho.

— Não, uai. ‘Cê não me diz, fica aí rindo da minha cara. Eu sou virgem, poxa.

— Como eu posso falar para você... — tentou buscar palavras para explicar, mas sempre que cogitava em dizer algo, acabava engolindo a frase por tamanha vergonha.

— Lubrificante anestésico para sexo anal. — leu em voz alta o loiro.

— Carter!

— O que foi? É o que tem escrito aqui, uai.

Patrick levou as duas mãos ao rosto, estava quase explodindo de tanta vergonha.

— Eu acho que entendi, cabrita.

— Eu não consigo nem olhar para você de tanta vergonha que tô sentindo.

— Égua, para!

Carter montou sobre o leonino, mas Patrick ainda não retirou as mãos do rosto. Ele só sentia o membro ereto do loiro tocar a sua barriga, bem abaixo do umbigo. Mas um novo toque o fez tremer por completo.

Parecia algo gelado, mas rapidamente esquentava. Dois dedos espalhava o líquido pastoso entre suas nádegas. Carter simplesmente havia começado a lubrificá-lo.

O leonino retirou a mão do rosto e encontrou as duas orbes azuis encarando-o. Carter sorria enquanto o admirava.

Patrick fez uma expressão leve de prazer, apenas porque Carter estava com os dedos lá no seu ponto sensível. O loiro respirou fundo quando viu aqueles lábios e sobrancelhas se contraírem, alimentando sua sede de tê-lo ainda mais.

Pondo o frasco de lubrificante na mesinha ao lado, Carter se posicionou entre as nádegas dele. Patrick não fechou os olhos. Envolveu as duas mãos no pescoço do namorado, respirou fundo e fez um sinal positivo.

Carter forçou a entrada, Patrick fechou os olhos e fez careta. O loiro parou.

— O que foi? — Patrick abriu os olhos e perguntou.

— Sua cara, uai.

— Não se preocupa com isso. Tenta de novo.

Carter acabou aceitando o pedido. Ele tentou mais uma vez, viu a expressão do namorado, e mesmo assim, sentindo pena, persistiu até que a glande passou.

— Ok, agora espera. — pediu o leonino.

Carter, muito educado, não moveu um centímetro do seu corpo. Parecia um cão adestrado esperando a ordem do dono. Passados alguns minutos, Patrick o beijou de leve.

— Agora vamos.

Carter não disse nada, mas obedeceu novamente. A medida que os centímetros iam entrando, Patrick gemia baixinho e fazia expressões de desconforto. Foi vendo aquilo, que Carter retirou seu pênis dele.

Mesmo aliviado, Patrick abriu os olhos confuso:

— Por que fez isso?

— Eu vi você sentindo dor, uai. Se tá te machucando, eu não quero mais fazer isso.

— Carter, você vai já enfiar esse negócio em mim e não vai tirar! — ordenou sem sequer perceber a maneira que disse.

Carter arregalou os olhos, fez bico e concordou.

— Então vamos logo com isso.

O loiro, sentindo o poder daquela ameaça, não recuou. Quando Patrick deu um novo sinal de que ele poderia ir, Carter estava novamente dentro dele. Aos poucos ele ia se movendo, querendo se encaixar por completo, mas seu namorado gemeu de dor novamente e fazia as mesmas expressões.

— Eu vou tirar, eu vou tirar!

— NÃO TIRA! — gritou o leonino.

— Mas ‘cê tá com dor.

— EU VOU TE MATAR SE VOCÊ TIRAR!

— Égua, égua... ÉGUAAAA!

Nessa discussão Carter já estava completamente dentro dele e nem perceberam. Quando percebeu que não tinha mais para onde ir, Carter caiu com o rosto na curva do pescoço do namorado.

— Desculpa, cabrita.

Os dedos delicados de Patrick tocaram a nuca do loiro e começaram a fazer cafuné nos fios brilhantes do seu namorado. Ele respirava ofegante, relaxando o máximo que podia após passar por aquilo.

— Eu sou o passivo, mas parece que quem sente a dor é você. — disse ele enquanto acariciava o cabelo do namorado.

Carter sorriu e fez cocegas quando seu queixo roçou no pescoço do leonino.

— Devagar, está bem?

Carter, afastando a face do pescoço dele, concordou.

Os dois começaram com beijos só para que o leonino pudesse esquecer um pouco daquelas dores iniciais. Ele beijava e gemia baixinho sempre que a dor persistia.

Carter, um completo cavalheiro, não só o beijava, como fazia carinho na orelha dele, às vezes mexia nos fios de cabelo que caiam sobre a testa do leonino, acariciava a bochecha, tudo o que pudesse ser feito para trazer conforto ao parceiro.

Nesses beijos e carícias, Carter tinha aumentado a velocidade sem perceber e Patrick já estava com sensações prazerosas tomando conta de si.

Carter pôde notar isso quando seu namorado começou a beijá-lo mais intensamente e arranhar suas costas. O loiro, por sua parte, enquanto sentia prazer, também distribuía. Suas mãos percorriam pela cintura do namorado enquanto o beijava e o penetrava. Ia sendo fortalecido a cada gemido que Patrick deixava escapar, não mais parecendo o mesmo garoto que minutos atrás estava gritando e fazendo cara de dor.

Nada melhor do que transar com alguém que você gosta, mas gosta de verdade. Carter tanto lutou para conseguir ter o leonino e agora estava tendo sua recompensa mais do que merecedora.

Chegou o momento em que Patrick montou sobre ele, sendo penetrado enquanto o beijava. Subindo e descendo no membro dele, até ousando rebolar só para ver mais da expressão prazerosa que seu namorado fazia. Carter, que tinha cara de idiota, fazendo aquelas expressões tão sedutoras, mordendo os lábios, fechando os olhos, era como gasolina para o fogo do leonino.

Patrick beijou o pescoço dele enquanto ainda ia sendo penetrado. Ousou em gemer baixinho no ouvido do loiro e obteve resultado quando ele se moveu mais forte e inesperadamente. O leonino não conseguia parar de gemer, principalmente porque Carter, embora principiante, tinha um jogo de cintura que o deixava louco.

O leonino adorava ver os movimentos que o abdômen dele fazia, assistir aqueles gominhos se destacando a cada movimento que fazia. Ele se virou por um momento e arqueou as costas. Carter o segurou pelo quadril e o viu subir e descer mais uma vez e gotas de suor escorrerem pelas costas do namorado.

Pelo menos, até aquele momento, tudo fluía bem, sem interrupções constrangedoras.

Cansado da posição, Patrick quis descansar o corpo e as pernas. Por isso ficou de joelhos na cama e apoiou as mãos nela. Seu namorado veio por trás, cravou os dedos em sua cintura e, ainda muito educado, o penetrou de leve. A posição, para o leonino, foi a mais prazerosa possível, muito mais que a inicial.

Patrick desceu a cabeça ao travesseiro e o mordeu.

O suor já grudava os cabelos do leonino na nuca. Carter se perdia vendo seu pênis desaparecer e reaparecer no meio daquelas nádegas. Sensação nenhuma como aquela ele havia experimentado.

Carter não gostava de fazer movimentos brutos, percebendo que quando fazia isso, Patrick dava uma leve recuada. Por isso ele persistia num só ritmo, sabendo que seu namorado estava gostando só pelo gemido suave que escapava de seus lábios.

O loiro sentou-se na beirada da cama e Patrick veio por cima, sentando-se no membro dele e estando de frente para ele, os dois retornaram aos beijos. O leonino bagunçava todo o cabelo do loiro, enquanto as mãos do Carter deslizavam pela cintura e costas do Patrick.

No início, havia tudo sido bem atrapalhado, mas pelo final, valeu a pena. E como valeu.

Patrick tinha que concordar com o que Ian disse sobre ir se descobrindo na cama com o seu namorado. Aos poucos ele percebia isso, sabia como dar mais prazer ao seu namorado e sabia como receber na mesma intensidade.

O sexo resultou em dois corpos suados e ofegantes, um ao lado do outro, olhos nos olhos, sorriso nos lábios.

— Égua! — disse os dois juntos.

Carter, carinhosamente, levou sua mão à testa do namorado e retirou os fios que ali estavam grudados.

— ‘Cê gostou, cabrita?

Sem palavras, Patrick apenas moveu a cabeça positivamente. Ele fechou os olhos, como se tivesse sendo induzido ao sono.

— Eu gostei também. ‘Cê topa ir outra?

Patrick abriu os olhos.

— Mas acabamos de terminar.

— Descansamos um pouco, uai. Depois voltamos.

Patrick soltou um bocejo. Algo comum após o sexo, ainda mais depois de um dia tão cansativo.

Ele se levantou e se sentou na cama.

— Eu vou tomar um banho pra tirar todo esse suor do corpo. Troque os lençóis da cama pelos que eu trouxe e depois venha ao banheiro.

— Quer tomar banho comigo?

— Você não quer um segundo round? — Patrick sorriu.

— Claro, uai.

— Então faça o que eu pedi. — disse já se dirigindo ao banheiro.

Carter, sem nem pensar duas vezes, saltou da cama e arrancou os lençóis.

Uma vez que experimentou o sexo, provaria todas as vezes que possível.

Agora você pode sair por aí dizendo que não é mais virgem, no entanto, torça para que o Patrick não ouça isso, porque senão você vai ficar com cinco dedos marcados na cara. Ainda mais se espalhar que transou com ele.

[...]

A grande fogueira estava acesa no centro daquele círculo de pessoas. Todas conversando, comendo e bebendo. Diga-se de passagem, não fazia muito a praia do Luke aquele tipo de cena, mas era muito o que Samuel gostava.

O mesmo acontecia com Hugh e Pietro. Enquanto Pietro preferia estar numa festa com música alta e agitada, Hugh já gostava de coisas como aquela. Tanto é que roubou o violão de um colega só para ficar tocando enquanto seus companheiros tagarelavam sem parar, apenas seu namorado estava quieto, sentado em um banco e bebendo cerveja.

— Samuel, seu celular estava tocando. Tem onze chamadas perdidas. — Luke, depois de voltar do banheiro, segurava o celular do namorado na mão.

— Eu esqueci ele na bolsa. Por que não atendeu?

— Quando eu ia atender parou de tocar. Fui pegar um cobertor e escutei.

Samuel pegou seu celular e verificou de quem eram as ligações. Ficou preocupado quando viu as onze chamadas da mãe do Colin. Quando pensou em retornar, mais uma vez o celular tocou e ele rapidamente atendeu:

— Oi? Pode falar, estou com o celular agora, desculpa a demora.

— Samuel?

A voz foi a mais chorosa possível. Samuel logo engoliu em seco e ficou assustado. Anita estava chorando.

Samuel se levantou rapidamente e se afastou do pessoal, especialmente porque o som do violão estava atrapalhando a ligação.

— Samuel, o pai do Colin... — ela engasgou, soluçou.

— Anita, está tudo bem?

— O pai do Colin morreu, Samuel. O Joseph morreu! E-eu não sei como contar ao meu filho.

Samuel, no mesmo instante, mirou naquele corpo pequeno, que recentemente acabara de passar por uma fase difícil após o termino com Sean, que nesse momento estava todo sorridente conversando com seu amigo Caine.

— Joseph morreu. — repetiu ela. — Como contar ao meu filho que o pai dele morreu?

Samuel caiu de bunda no chão, Luke percebendo aquilo correu para o lado dele.

Samuel tinha Joseph como um pai, o mesmo homem que tinha comprado uma bicama para que ele pudesse dormir em sua casa com o seu filho, trabalhou para ele por um bom tempo e adquiriu grandes experiências, homem esse que acreditava em seu sonho de um dia ser médico enquanto se esforçava ajudando-o para fazer os melhores doces de Aroma. O loiro se espelhava em Joseph para que futuramente pudesse passar os ensinamentos a sua família.

— Samuel, o que aconteceu? — questionou o moreno ao se aproximar.

Samuel não retirou os olhos do Colin, este sorrindo ao lado dos amigos. Deixou Anita falando sozinha ao telefone e na sua mente veio a imagem de Joseph sorrindo enquanto bagunçava o seu cabelo.

Como contar ao amigo que o pai dele acabara de morrer?

Notas finais
Oi, postei uma nova história chamada Filhos do Ouro, vai lá conferir: https://fanfiction.com.br/historia/752844/Filhos_do_Ouro/ Obrigado! ♥