República de Tigres
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Sean estava sem camisa, usando apenas um short azul curto que exibia suas coxas torneadas, preparava seu café da manhã. Com todo seu egoísmo, neste dia, ele não fazia questão de preparar nada para Colin comer, tendo em vista que o leonino estava dormindo lá em cima no quarto do líder.
O moreno não era muito fã de bacon, mas comia em raras exceções, como a de hoje em que ele estava com preguiça de preparar algo mais sofisticado.
A música alta em seus fones de ouvido o fez remexer o quadril. Bom humor? Talvez fosse ou talvez não, já que Sean é um poço de mistério. No entanto, durante a noite, conseguiu transar com o namorado sem muito esforço e ainda teve uma ótima noite de sono desde que havia chegado na Quadra, fora o fato de que acordou no mais perfeito silêncio em sua república, sem encontrar a cara mal humorada de Charles — o que era irônico, já que Sean também tinha essa mesma cara — ou ouvir as idiotices de Brandon. Isso era sinal de que ele estava maravilhosamente bem.
Distraído em frente ao fogão e ouvindo a música, Sean não sabia que logo atrás dele estava Colin, mordendo o lábio enquanto via todo aquele corpo maravilhoso a sua frente, especialmente vendo-o rebolar, ainda que não tão perfeitamente, mas de alguma forma tão sexy que fez Colin sentir desejos.
Não perdendo tempo, o pequeno deu alguns passos até se posicionar atrás do moreno e o abraçou com força, porém, suas mãos deslizaram pelo abdômen do namorado que, pego de surpresa, mas reconhecendo aquele toque, assustou-se.
Colin mordiscou suas costas e as mãos permaneceram descendo até encontrar o cós do short do namorado.
— Colin... — Sean disse retirando os fones de ouvido.
Mas Colin sequer dava atenção, sua mão invadiu a cueca do namorado, sentindo então o membro dele adormecido. O leonino beijou as costas do namorado e logo o fez virar. Sean teria queimado as costas no fogão pela falta de carinho do pequeno ao virá-lo.
— Colin...
Sean não teve tempo de falar mais nada, Colin, na ponta dos pés, o agarrou pelo pescoço e roubou-lhe um beijo com tanta vontade que Sean somente retribuiu. Colin saltou e assim Sean foi obrigado a agarrá-lo.
Cravando as pernas na cintura do moreno, Colin beijou-lhe o pescoço. Sean observava a cozinha em sua volta temendo que alguém estivesse observando-os.
— Aproveita que estão todos dormindo. — murmurou o pequeno, sedento.
Sean conseguiu desligar o fogão a tempo, antes de deitar Colin sobre o balcão e derrubar, sem querer, tudo o que havia preparado para o café da manhã no chão.
O líder daquela república até tentava manter os pensamentos em ordem e interromper o momento quente, mas facilmente pego pelos desejos do namorado, a excitação tomou-lhe conta. Sean odiava negar fogo e resistir a Colin naquela situação, era extremamente difícil e isso porque o leonino dificilmente demonstraria esse desejo nos dias seguintes. Era como se fosse um homem lutando contra seus desejos carnais, ora querendo, ora não querendo.
— Estamos na cozinha, é melhor subirmos... — tentou dizer o moreno.
Mas Colin não estava nem aí. Enquanto deitado sobre o balcão, Colin abriu mais as pernas, fazendo seu namorado roçar ainda mais o pênis em sua bunda, ainda que vestidos. Mas Colin, esperto, conseguiu descer o short dele despindo-o de vez.
Sean estava em adrenalina pura. Medo de ser pego no flagra misturado ao desejo de foder o namorado em cima daquele balcão.
Pego pelos beijos do namorado, Sean tocou o próprio membro masturbando-se enquanto o beijava e tinha suas costas arranhadas pelas unhas curtas de Colin. O moreno parou de se masturbar e com a mão, ainda por fora da bermuda do pequeno, começou a apertar a bunda do pequeno, especialmente por entre as nádegas.
— Pode rasgar se quiser... — murmurou o leonino.
Sean descontrolava-se aos poucos. Colin estava com tanto fogo que uma simples frase o deixou louco a ponto de o beijo ganhar mais voracidade.
No entanto, o que estava previsto para acontecer, acabou indo por água abaixo.
Tanto Sean, quanto Colin, ouviram a porta da república abrir. Imediatamente Sean ficou de pé, Colin rolou para tentar se levantar, mas infelizmente acabou caindo de vez atrás do balcão, assim acabou soltando um grito.
Ofegante, Sean levantou a cueca e o short e se sentou para esconder a ereção. Colin saltou, arrumou o cabelo e olhou em direção a porta.
Era Brandon que havia acabado de chegar com um sorriso no rosto de ponta a ponta enquanto Kai, logo atrás dele, aparecia segurando algumas coisas. O mexicano estava oficialmente se tornando um tigre mais uma vez.
— Eu ouvi um grito, aconteceu alguma coisa? — Brandon perguntou ainda na porta.
— Nada! — Colin, ainda passando a mão nos cabelos e com falta de ar, respondeu sorrindo.
Sean coçou o queixo e lambeu os lábios, nada disse, somente ficou olhando a bagunça no chão. Ovos quebrados e suco derramado, além do prato dividido em várias partes no chão.
Brandon adentrou mais na cozinha, curioso e suspeitando de algo.
— Que bagunça é essa?
Sean dessa vez coçou a sobrancelha e fez uma cara de quem estava com pouca paciência. Era sexo interrompido, uma das coisas que ele mais odiava no mundo. Não era atoa que ele detestava quando Colin o provocava apenas por provocar sem a intenção de transar.
— O Colin... — Sean começou dizendo.
Assustado, Colin tomou a voz.
— Eu sou péssimo cozinhando! — mentiu. — Sean está puto só porque tentei fazer o café da manhã.
— Você não sabe fritar um ovo?
— Não.
— Brandon, vamos subir. — Kai, não sendo tão burro, imediatamente percebeu o que havia acontecido ali.
Colin e Sean, ambos com os cabelos bagunçados, ofegantes e o leonino com cara de assustado, certamente foram pegos no flagra... Ou quase.
— Vamos. — falou o loiro se virando.
— Eu vou trocar a porra dessa fechadura. — falou o líder.
— Por quê?
— Cala a boca e sobe logo com o Kai antes que eu me levante e quebre a sua cara.
— Pra que todo esse mau humor? Você e Charles são péssimos ao acordar. — falou o loiro. — Vamos, Kai.
Brandon voltou para porta da república, apanhou uma das malas do mexicano e subiu. Kai não optou por encarar Sean ou Colin, ele acompanhou o loiro até que desaparecessem do plano de visão dos outros dois ali embaixo.
— Agora vamos continuar. — disse o moreno.
— Não. Precisamos arrumar essa bagunça.
— Como não? Você viu como eu tô? — falou apontando entre as pernas, a ereção ainda permanecia lá.
— E daí?
— Porra, Colin! Vai se foder e sai da minha república! — bradou ao se levantar.
Assustado, Colin correu para o pequeno corredor que separava a sala da cozinha.
— Tá, então arrume você sozinho. Eu vou pra minha república!
— Anão desgraçado do caralho!
Colin deu um sorriso, mostrou-lhe o dedo no meio e, quando Sean ameaçou alcança-lo, ele correu até a saída, abriu a porta e, em gargalhadas, atravessou a rua até chegar em sua república.
[...]
— Ian, chegamos. — Connor tocou a bochecha do namorado.
Ian dormia sobre o ombro do namorado enquanto sentados no banco traseiro. Ele estava tão cansado que acabou cochilando no meio da viagem. Já Connor, ao contrário dele, não pregou o olho sequer um segundo, ansioso para voltar ao lugar que tanto amava.
Ian acordou esfregando os olhos e observando tudo ao seu redor. Tinha acabado de entrar na quadra e todas as casas que via traziam uma lembrança diferente até o carro estacionar em frente à república dos leões.
Os dois tinham descido na rodoviária da cidade e de lá pegaram um táxi até a Quadra.
— Eu estou tão nervoso! — Connor falou. — Estou mais bonito também.
— Já disse que vamos apenas deixar nossas coisas aí e procurar um apartamento nas proximidades. — relembrou o Ian.
Mas Connor estava tão animado que não dava à mínima. Ele saiu do táxi assim que o taxista abriu o porta-malas para retirar suas bagagens. Ian desceu logo em seguida, pagou ao taxista e recolheu suas coisas.
Era uma tarde com clima agradável, o sol estava escondido entre as nuvens enquanto ventava bastante, fazendo as folhas da árvore em frente à república dos águias chacoalharem e fazer barulho.
Connor carregou o que era mais pesado, isso incluía duas malas, enquanto Ian ficou com duas mochilas. Os dois pararam em frente à república dos leões, onde viram uma placa com a seguinte frase escrita: Não há vagas. Todas foram preenchidas.
Connor preferia não saber ler naquela hora, pois seu semblante foi de partir o coração. Ian bateu na porta e aguardou ser atendido. Rapidamente Marcus abriu.
— Olha, me desculpa, de verdade, mas não há vagas aqui. Eu sei como é difícil conseguir um lugar aqui. Eu sugeria tentar nas demais, talvez nos águias ainda tenha vaga. Você quer que eu vá com você?
Sem esperar aquilo, Ian somente sorriu para Marcus, enquanto Connor coçou a cabeça e alternava seu olhar entre o namorado e o estranho.
— Boa tarde! Eu poderia falar com o Colin? — Ian, educadamente, perguntou.
— Ele vai dizer a mesma coisa que eu disse. Você por acaso o conhece?
— Somos ex-moradores daqui. — Connor logo tomou a voz. — Sou primo do Hugh.
— Connor? — Marcus questionou.
Ele não havia reconhecido o Connor, pelo menos não com barba. Sim, Connor estava com uma barba bem desenhada em seu rosto, trazendo um pouco de seriedade a sua expressão, embora essa imagem se perdesse quando o conheciam de verdade. Marcus também não reconheceu Ian por conta dos cabelos um pouco maiores que cobriam sua testa.
— O maior youtuber que esse mundo um dia irá conhecer.
— Colin! — Marcus gritou da porta. — O Connor tá aqui!
Não foi somente Colin que desceu as escadas correndo, como Hugh e Julius que pararam de fazer o que estavam fazendo para verificarem se aquilo que Marcus tinha dito era verdade.
Quando Colin viu o Ian, não disse uma palavra, correu e o abraçou quase o derrubando no chão. Foi um abraço demorado.
— Ei, primão! — Connor falou para Hugh, mas logo Julius apareceu atrás dele. — Ei, primões. Primões existe? — questionou-se.
Mas a indagação não foi respondida por nenhum deles. Hugh abraçou o primo rapidamente e Julius trocou alguns apertos de mão com Connor e deixou de lado o saco com pipoca que ele estava comendo.
— Meu Deus! Como assim?! O que você faz aqui? — Colin perguntou ao Ian.
— Bem...
Connor tossiu e assoviou.
— Seria tão bom que eu fosse lembrado, sabe? — disse como se não estivesse interessado.
Colin sorriu e o abraçou.
— Oi pra você também, Connor. — falou em tom de brincadeira.
— Você tá mais calmo? Você lembra daquele dia lá em que eu te fiz gritar porque você estava com raiva, daí você chorou?
— Ok, Connor, conversaremos sobre isso depois. Deixa eu pelo menos falar com o Colin. — Ian interrompeu.
— Tá, eu posso entrar? — Connor pediu. — Queria ver como tá meu quarto.
— Vem, eu te mostro. — Hugh o puxou, mas antes disso o rapaz pôs as malas para dentro.
Julius acompanhou os primos. Marcus, que se sentia um estranho entre eles, deu as costas e somente se sentou no sofá. O pessoal simplesmente esqueceu que ele estava ali.
— Você tá voltando pra república? — Colin falou ao dar passagem para Ian entrar.
— Bem, na verdade, não exatamente. — ele entrou e, pela intimidade que já tinha, sentou-se no sofá.
Muita coisa ali dentro era nova, mas ainda havia objetos de quando ele ainda pertencia aquele lugar, como os quadros, a TV e poltronas.
— Eu vou voltar a estudar aqui. Connor vai fazer um novo curso... Pela terceira vez. — falou e sorriu. — Tô fazendo transferência porque considerei o ensino do lugar que eu estava bem péssimo. Até tentei levar pra frente durante esse tempo, mas foi piorando conforme os dias passavam.
— Ian! — Connor voltou para sala rapidamente. — Você precisa ver como está o nosso quarto. Parece que nada mudou!
— Connor, nós já conversamos... — Ian voltou sua atenção para Colin. — Como eu ia dizendo, bem, eu voltei pra cá, mas vi que a república já está cheia e pra ser sincero, eu já imaginava que estivesse. Só queria pedir pra passar uma noite aqui, tudo isso enquanto eu me organizo. Agora mesmo preciso dar uma volta na cidade em busca de algum apartamento pra ficar.
— Mas adoraríamos voltar pra cá, Colin. O que você acha, hein? Hein? Hein? — animado, com um sorriso no rosto, Connor falava. Ele não dava tantos rodeios e era muito direto. Tinha tantas esperanças em estar ali dentro novamente.
— Por que vocês não me ligaram?
— Connor queria fazer uma surpresa. — Ian falou. — Não caia nesse jogo dele, Colin. Connor precisa entender que a república está lotada.
— Mas eu não vou deixar vocês irem pra outro lugar se não a república de vocês! — falou o líder. — É claro que há vagas pra vocês aqui, nem que eu tenha que dormir no chão. Vocês são leoninos e sempre serão. Se William voltar hoje com o Octavio, eu também arrumarei lugar pra eles. O Leo! O Rick! Meu Deus! Eu tô fora de mim! — tão animado quanto Connor, Colin não continha a emoção.
— Eu disse, Ian! Eu disse que Colin nos deixaria morar aqui! — aos gritos, Connor foi até o namorado e o abraçou, tendo força o suficiente para erguê-lo do chão.
Ian estava feliz com a notícia, pois também era o que queria. Mas sendo racional, Colin estava agindo pela amizade, assim também considerando a emoção.
Hugh se lembrou do caso do Pietro e como foi complicado colocá-lo ali dentro, bem diferente de como estava sendo com seu primo e Ian. Não que ele estivesse triste, pelo contrário, estava bem feliz, mas sentia sim um pouco de injustiça.
— Como que vai fazer pra caber os dois aqui? — Marcus questionou. — Um pra cada quarto?
— Ah, não... — Connor falou. — Eu não durmo sem ele.
— Lá em cima tá dormindo só eu. Seria um quarto meu e o do Danion, mas graças a Deus ele nem pisa mais lá. — Colin falou.
— Você tem certeza? — Ian perguntou.
— William não cedeu o quarto de líder dele pra dividir comigo? E antes de mim tinha o Santiago, você lembra?
— Olha, pra ser sincero, acho que se por uma cama de casal lá no quarto, há espaço. — Hugh falou. — Aquele sempre foi o quarto de vocês, não foi?
— Garoto, eu vou ligar pra sua mãe e dizer que você tá indo bem nas notas. — Connor falou para o primo. — Vou te deixar jogar qualquer jogo comigo.
— Ou o Hugh pode ir lá pra cima com o Pietro. — Colin sugeriu.
— Eu não vou retirá-los do quarto que agora pertence a eles. — Ian falou. — Não precisa de tanto, gente. Uma cama e um lugar pra guardar minhas coisas são mais do que o suficiente.
Connor sussurrou no ouvido do namorado:
— Pense bem em quantas recordações temos naquele quarto. O primeiro jogo, o primeiro beijo... A história do porquinho! Vamos, Ian, por favor...
Ian apenas sorria enquanto ouvia seu namorado sussurrar. Todos na sala tentavam descobrir o que Connor falava ao seu ouvido.
— Tem certeza de que uma cama de casal cabe naquele quarto? — Ian perguntou.
— Absoluta. É só mudar alguns móveis de posição. — respondeu o Hugh. — Vai ficar um pouco apertado, mas vai dar sim.
— Sério que vocês vão abrir mão de um quarto no primeiro andar pra dormir nos fundos da casa? — Julius perguntou.
— É a um passo da cozinha, além disso, é cansativo subir e descer escadas. — Connor falou.
— Acho ótimo vocês conseguirem suportar o garoto que divide quarto com o Hugh. Já que Ian e Connor voltaram, deveríamos expulsá-lo. — sugeriu Julius.
— Talvez você também pudesse ir junto, já que se dois entram, dois também saem. — Hugh falou.
— Viu o mau exemplo que o Pietro tá dando pra ele? Quem diria que ele teria uma resposta assim pra mim?
— Parem vocês dois. — Colin disse. — E também não há motivos para expulsar o Pietro.
— Colin? — Marcus franziu o cenho. — Não era você que não o queria aqui? Então toda aquela confusão àquele dia não foi nada?
Colin deu de ombros.
— Um semestre se passou e mesmo assim vocês perseguem o Pietro. Sejam sinceros: ele por a acaso anda mexendo com vocês aqui na república? O garoto apenas entra, come e dorme. Vocês adoram pegar no pé dele. — Hugh falou.
— Talvez ele não tenha feito nada ultimamente, mas os colegas dele sim. Você ouviu falar de uma confusão que aconteceu com o Joshua? — Julius falou. — Isso inclui os amiguinhos do Pietro.
— Eles estão vivos? — Connor perguntou.
— Apanharam bastante, mas estão vivos sim. — respondeu.
— Chega desse assunto! Ian, vamos guardar suas coisas e providenciar uma cama. — falou o líder da república, tomando uma mochila do amigo.
— Eu já consigo imaginar o cenário pra gravar meus vídeos. — animado Connor falava.
[...]
Sean não teve um bom sonho. O moreno acordou com o rosto molhado de suor e sussurrou o nome do namorado logo em seguida, olhou par o lado e verificou que o sol ainda estava mostrando toda sua beleza.
Ele havia apenas deitado sem pretensões de dormir, querendo apenas descansar, mas acabou afogando-se na escuridão ouvindo gritos do seu namorado chamando pelo seu nome. Reflexos do que ocorreu com o pequeno no dia em que Colton o pegou. Não eram lembranças agradáveis. Ele conseguiu ouvir perfeitamente o som da arma disparada que feriu William.
Pensativo e um pouco assustado, Sean ainda ficou na cama, diminuiu o grau do ar-condicionado, deixando o ambiente mais frio. Rolou sobre os lençóis e apanhou seu celular na mesa de cabeceira para ver se havia mensagens do seu namorado, mas nada constava.
Sean odiava dar seu contato para qualquer pessoa, também detestava participar de grupos online, por isso ele quase nunca era visto conversando com alguém no aparelho. Por esse motivo era difícil se comunicar com ele, com exceção de Colin e colegas mais próximos, em casos extremos para urgências da faculdade. Ele já até chegou a trocar o número do seu celular quando uma garota, ainda quando ele estava no colegial, descobriu e assim espalhou para uma turma. Sean passou a receber mensagens de quase todas as garotas da escola paquerando-o. Algumas em anônimo, outras sem ter nada para esconder.
A porta do seu quarto foi aberta pelo namorado.
— Ei, eu quero te comer. Fica de quatro. — Colin disse imediatamente antes mesmo de fechar a porta.
Sean largou o celular e, apoiado nos cotovelos, o olhou franzindo o cenho.
— Que foi? Anda, tira a essa cueca! — pediu o leonino.
O moreno ainda continuou calado e o encarando.
Despindo-se, Colin foi até a janela e fechou as cortinas.
— Anda, Sean! Tira essa roupa, eu quero te comer.
— Se você me disser que bebeu, eu juro que vou te derrubar da escada dessa república. — disse o moreno.
— Eu só quero te comer. Uma comidinha rápida.
Colin já estava de cueca e aproximando-se da cama.
O moreno o olhava ainda sem expressão de surpresa, mais fazia um teste com a insistência dele, querendo saber até onde Colin chegaria com aquela brincadeira. Porque para Sean aquilo só podia ser uma brincadeira.
Colin acabou arrancando a cueca do namorado do corpo dele, o deixando despido. Sean sequer excitado estava, seu pênis estava caído para a direita.
— Vai querer que eu te coma assim mesmo? Você vai precisar relaxar, Sean.
— Que porra é essa, Colin? — questionou o moreno, ainda deitado e apoiado sobre os cotovelos.
— Só estou com vontade de te comer.
— Está tentando me provocar?
— O quê?! É claro que não! — Colin era o pior ator do mundo, ele precisou fingir que algo mexeu atrás dele pra poder sorrir, mas quando voltou a olhar para Sean, sorriu de lado, segurando-se ao máximo para não gargalhar. — Assim você me deixa constrangido, para de me encarar!
O pequeno ajoelhou-se sobre a cama.
— Fica de costas. — ordenou.
Sean nem moveu um dedo. Colin acabou empurrando, assim fez o namorado rolar e ficar de costas. Mas o moreno novamente olhou pra ele.
— Essa bunda tá gritando pelo meu nome. “Me come, Colin. Me come Colin.” — falou com a voz aguda semelhante a de dubladores de desenho animado. — Eu já disse que sua bunda é linda?
— Eu só tô observando você. — disse o moreno, sério.
— Esqueci de trancar a porta.
Colin saltou da cama, foi até à porta e passou a chave. Voltou ainda contendo o sorriso. Ao lado do namorado, ele ajoelhou-se.
O leonino disse:
— Você precisa relaxar, ok? Nos primeiros minutos vai doer bastante, até demais, mas com respiração controlada e calma, até que passa rapidinho.
— Você tá tirando sarro com a minha cara?
— Não. Estou falando serí-rí-rí-ríssimo.
— Tá. — disse o moreno. — Corta essa, Colin.
Finalmente ele se movimentou. O moreno ficou de pé, pôs as mãos na cintura e encarou o namorado.
— Você bebeu, caralho? — seu tom de voz se alterou.
— Não. Eu só quero te comer.
— Vai se foder, Colin. O que deu em você pra vim com essa história?
— Uma comidinha, Sean. Rápida, tipo coelho.
Sean respirou fundo a ponto de fechar os olhos e esfregar a testa. Não conseguia nem mesmo rir daquilo, sendo que qualquer outro riria de Colin falando aquelas coisas.
— Está nervoso? Foi assim que eu me senti na primeira vez, lembra?
— Não estou nervoso, porra! — falou. — Vem cá! — ele aproximou do namorado e começou a cheirar próximo aos lábios dele pra verificar se ele realmente não havia bebido. — Me diz logo se você bebeu ou não.
— Eu já disse que não!
— E que porra é essa de querer ser ativo? Desde quando?
— Cansei de ser passivo.
— É sério isso ou você tá tirando sarro da minha cara? — por um momento pareceu confuso.
Foi aí que Colin não resistiu e abriu um sorrisão, ele se deitou na cama e começou a gargalhar.
Furioso, Sean o insultava em pensamentos. Colin continuava a gargalhar, obviamente deixando claro que tudo aquilo não passava de uma brincadeira.
— Você é um anão filho da puta. Isso que você é. Primeiro aquilo de manhã e agora isso?— proferiu o moreno, revoltado.
— Ah, cala a boca. Tá com a masculinidade ferida?— falou ainda sorrindo.
— Vai se foder, Colin. Sai desse quarto!
— Entra na brincadeira, vai. Foi divertido.
— Divertido é você chupando meu pau e eu sorrindo, seu anão do caralho, filho da puta. Eu não acho graça dessas brincadeiras. Porra!
— Foi divertido e pronto. Você precisava ver sua cara.
— Eu só estava esperando ver até onde você ia com essa brincadeira estúpida. Seu idiota de merda. Aposto que sua mãe sente vergonha de você, anão filho da puta.
Sean, apanhando sua cueca, a vestiu e se sentou na cama, respirando fundo, pois parecia ter corrido uma maratona, mas isso era apenas fruto da sua raiva.
Percebendo que Sean estava realmente com raiva, Colin não disse nada. Também achou bem idiota a atitude dele de ficar com tanta raiva assim.
— Tudo isso por que você achou que ia dar a bunda? Se é assim, eu vou embora. — disse o pequeno apanhando suas vestes. — Seu desgraçado.
Colin também não dava uma dentro. Como os próprios colegas diziam e até mesmo o namorado, ele era o capeta em forma de gente.
Sean não falou nada.
Colin não esperava que, de repente, seu namorado o segurasse pelo braço e o jogasse contra a cama, caindo sobre ele, fazendo-o deitar e prender seus braços e pernas.
— Me solta! — disse o pequeno.
— Não é você que quer brincar?
— Não quero mais. Cansei.
Sean sorriu. O sorriso mais malicioso que Colin tinha visto até agora.
— Eu vou gritar! — ameaçou o pequeno.
— E quem daria a mínima? Se eu abafar seus gritos eles vão pensar que são gemidos.
Colin sentiu sua pele arrepiar.
— Para! Você tá me assustando.
— Não vai se mijar, não é?
— Seu filho da puta. Sai de cima de mim. — usava toda a força que tinha.
Sean reconhecia que Colin estava até mais forte, fruto dos treinos na academia, mas ainda assim não tinha força o suficiente para derrubá-lo daquela cama.
— Sai! — bradou.
Foi aí que Colin atingiu o ponto fraco do moreno. Sean retorceu na cama protegendo o membro entre as pernas, tentando aguentar a dor latejante que Colin havia causado. Mordendo o lençol enquanto gemia de dor, Sean deixou escorrer uma lágrima.
Colin sabia que não tinha muito tempo até Sean se recompor. Permanecer no quarto significaria sua morte.
— Eu disse pra você sair de cima de mim. Isso é pra você aprender a não mexer comigo.
— Seu filho da puta! Eu vou te matar! — falava aos gemidos e gritos.
— Fala isso quando conseguir me pegar. Tchau.
Tranquilo, Colin calçou seus sapatos e caminhou até a porta, acenou pra o moreno, sorriu e novamente deu tchau, mas antes de fechar a porta ele piscou.
De fato, a melhor palavra que resume Colin é: demônio.
Pobre Sean.
[...]
Edgar tocava as cicatrizes no abdômen do seu namorado. Joshua, deitado com a cabeça sobre o travesseiro e estando de olhos fechados, embora acordado, sentia todos os toques relembrando de como as havia ganhado.
— O Carter está realmente apaixonado. — disse o loiro.
Joshua não respondeu, continuou com os olhos fechados.
— Não parou de falar no Patrick durante toda a viagem, mas acho que ele anda se precipitando.
— Você quer que eu seja sincero?
— Não. Já sei que você vai chamar ele de idiota. Tadinho, ele não teve a chance de se apaixonar lá na fazenda. Ontem ele veio me perguntar se deveria contar pra pessoa que estava gostando dela, obviamente ele não citou o nome do Patrick, mas ele é tão previsível e tão indiscreto que desde o princípio sabia que ele tinha começado a paquerar o Patrick. — sorriu relembrando.
— E qual foi sua resposta?
— Eu disse que sim, que ele deveria admitir o sentimento.
Joshua mais uma vez não respondeu.
— É por isso que estamos juntos... — relembrou.
— Enlouquecerei se eu perder você.
— Existem pessoas melhores que eu. — sorriu. — Eu sou apenas o garoto loiro e desastrado do bloco de bioquímica.
Joshua então abriu os olhos.
— Alguém andou mexendo com você?
— Nunca mais desde o que ocorreu na mata, nenhuma piada sequer.
Ele voltou a fechar os olhos.
— Você assusta as pessoas. Sabe o que é engraçado, porém trágico? Algumas pessoas têm medo de mim. Ao me associarem a você, elas simplesmente evitam contato. Uma vez fui tirar uma dúvida com um grupo de pessoas numa sala, como elas não sabiam me responder, imediatamente pediram desculpas. Não deu cinco minutos e todas elas foram embora do lugar assim que eu peguei o celular pra responder o Colin.
— Elas acharam que você estava ligando pra mim.
— É claro! — ele sorriu novamente. — Não deveria ser assim e eu não deveria estar rindo dessa situação. É divertido porque estou relembrando, mas no dia fiquei chateado.
— Por que nunca me contou sobre isso?
— Porque você é o próprio Joshua. Você enche sua cabeça com detalhes mínimos e torna disso um problemão. — Edgar e sua sinceridade.
Nesse momento o celular do loiro tocou alertando que havia recebido uma mensagem. Quando verificou, era seu primo dizendo que o esperava na lanchonete.
— Carter quer me ver.
— Não vai agora.
— Ele parece nervoso, escreveu as palavras repetindo as últimas letras e mandou várias letras “A” em maiúsculo. Quer que eu vá encontrá-lo na lanchonete.
— Ele vive me enchendo de mensagens prontas. “Espalhe isso para pessoas que você gosta”. “Envie para dez pessoas se não você morre”.
— Correntes... — sorriu. — Não o ignore, tadinho. Ele está aprendendo a viver virtualmente. — guardando o celular no bolso, Edgar montou sobre o namorado e aproximou seu rosto ao dele até que Joshua abrisse os olhos. — Vou indo.
Envolvendo os braços na cintura do menor, Joshua pressionou o corpo dele ao seu. O ruivo deu-lhe um beijo extremamente caloroso a ponto de fazer Edgar se excitar com facilidade e ser correspondido ao sentir a excitação do outro.
Não perdendo o jeitinho bruto que adorava ter na cama, a mão do ruivo deslizou até a bunda do loiro e a pressionou tão forte que fez Edgar encolher no corpo do namorado e suspirar baixinho:
— Não agora, não aqui.
Soltando-o, Edgar rolou na cama e ficou de pé, verificou suas vestes amassadas e tentou arrumá-las. Joshua, deitado na cama, tinha um ponto de exclamação embaixo da bermudinha que usava. Estava excitado, fazendo a veste ficar pontuda.
— Te vejo mais tarde. Aliás, hoje eu vou dormir nos águias, já estou no limite de dormidas aqui.
— Darei um jeito de dormirmos em outro lugar.
Entendendo as intenções do namorado, sem ter nada a dizer, Edgar saiu do quarto e se dirigiu até a saída do prédio. Ele caminhou alguns minutos a pé até chegar à lanchonete onde seu primo estava aguardando-o.
Carter era muito fácil de ser reconhecido. Destrambelhado, ele mexia os pés inquietamente enquanto sentado aguardando o primo. Edgar surgiu em sua frente e logo se sentou, alguém apareceu logo em seguida.
— Algum pedido?
— Um refrigerante de laranja. — Edgar falou.
— Eu quero dois hambúrgueres, batata, sorvete e refrigerante. — Carter disse.
Fazendo as anotações, a garçonete entregou-lhe um bilhete.
— É só efetuar o pagamento.
— Ok, obrigado. — agradeceu Edgar. Quando a garçonete se afastou, ele finalmente pôde falar. — Então, qual o problema?
— Ele está aqui. — Carter falou.
— Ele quem?
— O Patrick!
Edgar olhou pra trás e viu, apoiado no balcão, o leonino saboreando seu lanche.
— E por que você está nervoso?
— Você me disse que eu devo contar pra pessoa que gosto dela, não é?
— Sim, no entanto é preciso ter cuidado e esperar o pior, pois nem sempre a outra pessoa pode gostar de você. Faça o seguinte, efetue o pagamento — disse ao dar algumas notas de dinheiro — e converse com ele, se quiser o chame para se sentar conosco.
— Certo, vou fazer isso! — disse se levantando.
Carter afastou-se do primo e, objetivo, pagou o que havia pedido e aproximou-se de Patrick que até então não o tinha visto. Sorridente, Carter tocou-lhe o ombro.
— Oi, ‘cê quer namorar comigo?
Cuspindo parte da bebida no balcão, Patrick o olhou desacreditado. Depois sorriu e enxugou a boca, constrangido com a sujeira feita, ele olhou pra o balconista que logo se prontificou de enxugar o que ele havia sujado.
— O que você disse?
— Namorar comigo, uai. ‘Cê e eu, cabrita.
— Você tá bem, Carter?
—‘Tô e você?
— Surpreso. Essa brincadeira me assustou. — ele sorriu.
— Eu não estou brincando, uai. ‘Cê quer namorar comigo?
— Carter, acho que você tá confundido as coisas aqui.
— Eu gosto de você.
— Eu também gosto de você, mas como amigo. Amigo... Entendeu?
— Mas ‘cê me deu um beijinho, égua.
— Sim, de agradecimento, mas isso não significa que eu estava dando abertura pra namorarmos. Olha, você é um cara legal, muito legal, mas você não faz o meu tipo, entende? Além disso, eu estou interessado em outra pessoa...
Patrick não precisou ser mais específico, Carter havia entendido tudo. Ele sorria, mas a alma quebrou-se em mil pedaços dentro dele. Os olhos marejaram em lágrimas sem o seu comando, mas ele achou que disfarçou muito bem, no entanto Patrick percebeu aquilo e se sentiu muito mal por ele.
— Nós seremos amigos, Carter. Ótimos amigos...
— Sim... — falou baixinho. — E-eu vou voltar pra mesa com meu primo. ‘Cê quer se juntar a nós?
— Acho melhor não... — Patrick não tinha cara de ficar ali de frente com ele, não depois da situação embaraçosa que aconteceu. — Estou de saída, preciso resolver alguns problemas, tem gente nova na república e eu preciso conhecê-los.
— Ah, se é assim, sim.
Carter não falava com a animação que Patrick costumava ver nele.
— ‘Té mais, cabrita. — falou muxoxo e deu as costas.
Patrick o acompanhou com os olhos até que ele se sentasse, em seguida saiu da lanchonete refletindo sobre o que havia acontecido.
Carter sentou-se na mesa, de frente para o primo, cruzou os braços e não conseguiu esconder a cara de decepção.
— Éguaaaa!
— O que houve?
— Ele não me quer.
— O que você disse pra ele?
— Eu pedi pra namorar comigo.
— Você o que, Carter?
— Pedi pra namorar comigo, primo. Eu achava que ele gostava de mim, uai. Égua! Eu sou um jumento!
Desacreditado, Edgar precisou manter a postura para não piorar a situação, mas estava realmente surpreso.
— Você provavelmente o assustou com esse pedido de namoro repentino. Carter, certas coisas só funcionam depois de um tempo.
— Eu sei, uai. Mas é que, é que... Eu quero chorar, primo.
— Não chora, ok? Vai ficar tudo bem. Primeiro eu preciso te contar algumas coisas a respeito da vida amorosa, certamente você não vivenciou muitos romances, já que cresceu isolado disso.
— Eu sou feio pra ele.
— Você é lindo, Carter. Lindo e tem um coração gigante. Patrick não é o único garoto ou garota no mundo que vai conquistar seu coração.
Muxoxo, Carter se encolheu na cadeira. Os olhos voltaram a marejar. O pedido havia chegado à mesa, em silêncio a garçonete foi pondo a comida, mas até ela conseguiu notar a tristeza em Carter.
— Perdi a fome. — murmurou ele.
A garçonete se retirou.
— Eu achava que ele gostava de mim. Égua, égua, égua!
Edgar queria rir, ver as expressões engraçadas que o primo soltava o deixava sem saber o que fazer, mesmo se considerando ótimo para lidar com diferentes situações da vida.
— Quer saber? Eu vou encher a cara! Primo, me leva num bar daqueles que tem umas pingas fortes!
— Não é uma boa ideia. Logo vai passar, esse sentimento vai embora na mesma velocidade que chegou em você.
— Então eu vou caçar um bar sozinho. — ele se levantou. — E vou levar esse lanche como aperitivo, gastei caro neles. — falou resmungando. — Se aquela cabrita acha que eu vou sofrer, ele tá enganado, eu não vou sofrer! Mentira, eu vou sofrer!
Carter logo voltou a se sentar e fez uma expressão de desespero no rosto, com força bateu a testa na mesa, deixando a cabeça repousada nela.
— Eu quero morrer!
Era muito drama. Edgar não resistiu e sabendo que seu primo não o olhava, finalmente pôde sorrir. Difícil seria se manter ali com toda aquela cena que Carter estava fazendo.
[...]
Já fazia algumas horas em que ele estava arrumando seu quarto. Charles simplesmente decidiu que o cômodo merecia uma mudança. Perfeccionista do jeito que era, só não parou ainda porque pequenos detalhes estavam incomodando-o; como a posição de quadros, cores do seu conjunto de cama e até mesmo a posição de algumas cadeiras.
Estava usando apenas um calção que grudava em suas coxas pelo suor em seu corpo. Seu novo jogo de cama era na cor vermelha com branco, o que segundo ele, a deixou com mais destaque e combinou perfeitamente com as cores dos outros móveis.
Charles estava terminando e o que faltava era somente organizar pequenos objetos bagunçados em algumas gavetas do armário. Foi enquanto arrumava-as que ele reencontrou um cartão que havia esquecido ali dentro.
O nome Reece novamente chamou-lhe a atenção, em especial a foto de fundo que era apenas um abdômen que de alguma forma ele sentia conhecer, mas não fazia ideia de como e até considerou loucura associar aquele corpo ao de alguém sendo que nem sequer fazia ideia de quem era Reece.
Charles lançou o cartão sobre os ombros, não se importando onde ele iria cair, breve o jogaria no lixo.
Depois de arrumar todas as gavetas ele finalmente terminou. Respirou aliviado enquanto estava sentado no chão. Vendo todo o seu corpo suado, decidiu que era hora de tomar banho.
Saltou do chão, buscou por uma toalha e entrou no banheiro. O seu calção saiu com facilidade junto da cueca.
Charles tinha um belo corpo, poucos músculos, ótimas coxas e uma bunda mediana e agradável. O que o incomodava eram os pelos, o que era genético dos Ferazzas que os fazia ter pelos por todo o corpo, em especial os homens, mas ele preferia ser liso, por isso estava sempre com uma máquina retirando os pelos do peito, ou melhor, do corpo todo.
A pele branca facilmente costumava ficar vermelha quando furioso ou em situações de extremo cansaço, como a que ele se encontrava agora após arrumar todo o seu quarto. Ansioso para se molhar, Charles abriu o box, posicionou-se debaixo do chuveiro e deixou a água cair.
A sensação era de puro prazer, ele até fechou seus olhos, relaxou os ombros e por alguns minutos ficou com a mão encostada à parede. Precisava daquilo.
Enquanto de olhos fechados e pensando, a sua mente veio a lembrança do que tinha visto hoje de manhã: dois leoninos treinando em frente a república. Um deles era Calvin, segurando uma bola de basquete, sem camisa, exibindo o abdômen detalhado em músculos, usando uma bermuda de algodão e com um boné inverso na cabeça.
Ele era bom, tinha acertado todas as cestas contra Marcus.
“Em que merda eu estou pensando?”
Charles abriu os olhos, passou as mãos em seus cabelos e finalmente começou a usar o sabonete e lavar seu cabelo. Ele saiu alguns minutos depois e ainda hidratou a pele enquanto se olhava no espelho, mas estava sendo difícil manter os pensamentos puros quando tinha lembranças de Calvin sem camisa.
Saiu do banheiro enrolado a uma toalha, satisfeito com o banho demorado e com a sensação maravilhosa de ver seu quarto arrumado, com a cama numa nova posição, assim como as mesas e armários.
Charles se sentou na cama, apoiou as mãos no joelho e respirou fundo, olhou pra o lado e mais uma vez encontrou o cartão que antes estava no meio de suas coisas.
Ele sabia do que aquilo se tratava, não era inocente. E por não ser inocente, sua imaginação o maltratava de uma forma absurda. Ver aquele abdômen só mexia com seu íntimo. Por algum tempo ele encarou o cartão.
Charles fechou seus olhos, deitou-se na cama com seus cabelos úmidos mesmo e abriu os braços, se recriminou pelos pensamentos impuros que lhe consumiam. Foi somente pensar em Calvin no banheiro que ele já estava novamente perdido em tentação.
Lutar contra a carne era difícil. Ele havia prometido para si mesmo nunca mais fazer isso. Por que sentia desejo por homens? Por quê? Era errado, era sujo, era impuro. O que isso lhe trouxe quando se rendeu as suas vontades? Apenas ódio e muita tristeza, além de mentiras e traições.
— Não! — disse para si mesmo ao novamente se sentar na cama.
Charles ficou de pé, ainda segurando o cartão na mão, caminhou até a lixeira e o lançou dentro.
Mas por que não se sentia livre? O desejo o consumia aos poucos.
Ele esfregou o rosto, engoliu em seco e foi até a lixeira, recolheu novamente o cartão e se sentou na cama.
Fazia tanto tempo...
Essa luta interna não era a primeira desde em que ele decidiu nunca mais pensar em garotos. Já havia perdido as contas das madrugadas em choro enquanto se recriminava por simplesmente se masturbar pensando em um homem.
Mas agora o desejo ia além... Tinha um cartão de um garoto de programa em suas mãos. Os desejos triplicaram.
Se ele se rendesse, seria a mesma coisa outra vez: ódio de si, choro, arrependimento. Mas apesar de saber que isso aconteceria, ainda assim não era fácil vencer essa luta.
Charles lutou, lutou, lutou, mas não conseguiu. Maldito seja aquele que colocou o cartão em suas coisas.
Afinal, seria sigiloso, não seria? Ninguém saberia e seria apenas uma vez. Uma única vez em que ele mataria sua vontade de sentir o toque masculino, de se sentir ser consumido.
Ainda que relutante, ele buscou por seu celular, discou o número e ficou alguns minutos observando seu visor, sem saber se apertaria em ligar ou simplesmente deixaria o aparelho de lado, desistia de vez dessa ideia e sairia da república pra espairecer a cabeça.
Ligar.
Ele fechou os olhos, com esperanças de que ninguém fosse atender.
— Alô?
Um susto. Charles desligou a chamada imediatamente.
Ele sentiu conhecer aquela voz, uma lembrança bem distante. Mas de quem?
O coração batia tão acelerado.
Charles nem mesmo sabia mais o que estava fazendo, até perceber que seu medo estava influenciando até no que ele escutava. Quantas pessoas tem a voz alterada em uma chamada? Diversas vezes ligou pra alguém e duvidou ser realmente a pessoa por causa disso. Talvez fosse apenas coisas de sua cabeça e ele não conhecia o dono daquela voz.
Respirando um pouco acelerado, ele novamente resolveu discar o número e não pestanejou dessa vez, apertou imediatamente em ligar.
Dessa vez a ligação foi para a caixa postal.
Charles agradeceu. Iria desistir, não iria mais fazer isso. Ele largou o celular, mas no mesmo instante o aparelho tocou, quando viu no visor, era o número do cartão.
— Burro! Burro! Burro! — esbravejou.
Como ele não se lembrou de pôr seu número no confidencial? Agora o garoto de programa tinha seu número.
Mas Charles estava tentado a atender, ele observou seu celular tocar sabendo o tempo da melodia em que ela costumava ser finalizada após a ligação ir pra sua caixa postal, atendeu segundos antes disso acontecer.
— Alô? — falou a voz do outro lado.
Charles respirou e não respondeu.
— Ouço sua respiração. Está nervoso. — com segurança, disse o homem.
Reece estava acostumado com situações como aquela. Todo aquela que contratava um garoto de programa pela primeira vez passava por situações parecidas.
— Reece? — Charles finalmente falou.
Segundos de silêncio por parte do Reece.
— Sim, o que deseja?
— Quanto? — trêmulo, Charles perguntou.
Ele não queria estender a conversa, queria ser objetivo.
— Trezentos e cinquenta dólares por hora.
Charles não falou nada. Não estava incomodado pelo valor, inclusive, imaginou que fosse mais caro.
— É sua primeira vez, não é? — Reece questionou.
— Não importa. — continuava o mesmo menino grosseiro, mesmo que nervoso.
— Tudo bem. Está bom pra você esse valor?
— Sim.
— Prefere o meu local ou você tem pra onde me levar?
— Seu local.
— Nesse caso o valor muda. Quatrocentos dólares a hora.
— Não me importo com o valor.
Reece pareceu deixar uma risada escapar.
— Rua dos vigilantes, próximo à torre. Um prédio branco, quarto andar, apartamento de número 10.
Charles não respondeu.
— Posso saber seu nome?
— Não.
— Você realmente está bem com tudo isso? Se não quiser, não tem problema.
— Já disse que não importa, só faça seu trabalho.
— Ativo ou passivo?
— Passivo.
— Algum fetiche? Bebida? Massagem?
— Massagem, vinho.
— O valor novamente vai ser alterado.
— Já disse que não importa.
— Quatrocentos e oitenta dólares por hora.
— Ok.
— Em que dia você quer?
— Sábado.
— Desse final de semana?
— Sim.
— Qual o seu horário de preferência? Estou livre a partir das vinte horas.
— Depois da meia noite.
— Preciso de um horário exato.
— Meia noite e meia.
— Não transo sem camisinha.
— Eu também não.
Silêncio de ambos os lados. Reece entendia que seu cliente não era de falar muito, especialmente porque provavelmente era a primeira vez dele com um prostituto.
— Mais alguma coisa?
— Não.
— Até mais, boa noite.
Charles não se despediu, Reece até aguardou por alguns segundos, mas finalizou a chamada quando não obteve resposta.
Foi só após o fim da chamada que Charles caiu na realidade, lançou-se sobre a cama e gritou com o rosto no travesseiro.
O que ele havia feito? Ele fazia ideia. Todo o seu corpo tremia de nervosismo, ansioso e ao mesmo tempo com medo.
Cogitou em refazer a ligação e desmarcar tudo, mas os desejos incontrolados ainda estavam em si e Reece pareceu alguém bacana, mesmo com Charles agindo grosseiramente ao celular.
No final, Charles ficou de pé, buscou uma roupa, deixou seu celular no quarto, evitando qualquer memória da ligação, apesar de ser inevitável, desceu as escadas e foi diretamente para a cozinha.
Fazer alguma coisa iria conseguir distraí-lo. Ele apanhou um saco de salgados e se dirigiu para fora de sua república, sentando exatamente onde costumava sentar para observar a movimentação da Quadra.
Foi aí que encontrou Calvin do lado de fora de sua república, em pé enquanto mexia em seu celular.
Por alguns segundos Charles o olhou já que Calvin não estava o olhando, mas logo os olhares se encontraram, mas rapidamente foram desviados pelo tigre que deixou claro seu desprezo.
Ao telefone dois desconhecidos. Cara a cara dois rivais. E em quatro paredes?
[...]
Hugh dormia no sofá da sala.
Enquanto todos da casa já estavam acomodados, até mesmo Ian e Connor que dormiam em um colchão de casal no chão, já que a cama ainda não havia chegado, Hugh decidiu esperar por Pietro na sala.
Conhecendo-o de alguma forma, seria melhor deixá-lo ciente das mudanças, fora o fato de que preferia evitar confusão, caso ele demonstrasse irritação com mais duas pessoas no quarto em que ele dormia.
Hugh acordou quando ouviu a porta da sala ser aberta e, para sua felicidade, era o próprio Pietro quem acabara de chegar.
Com a mesma mochila nas costas, as mãos sujas de tinta denunciavam que ele estava pichando alguns muros por aí.
— Quebrou a cama? — Pietro perguntou enquanto trancava a porta.
— Estava esperando por você.
Pietro passou por ele, Hugh o acompanhou. Ambos pararam na cozinha quando Pietro resolveu procurar alguma coisa para comer, mas percebendo que na parte da sua alimentação não havia muita coisa, pegou metade de um pacote de biscoitos e encheu um copo de leite.
— Meu primo Connor voltou pra república. Ele e o namorado dele. Alguma vez você ouviu falar neles?
— Não. — mentiu e se sentou.
— Eles dormiam em nosso quarto antes de sermos membros daqui. São da geração do antigo líder, o William.
— E o que tem? — falou de boca cheia.
— Bem... — receoso, Hugh enfiou a mão nos próprios cachos. — Eles voltaram pro quarto que antes era deles.
Pietro fechou os olhos e o punho sobre a mesa, no entanto, a única coisa que ele pensava era em ser expulso. Se antes os moradores daquela república não aceitavam o fato dele se tornar um membro, agora que os antigos moradores regressaram, tinham uma justificativa plausível para expulsá-lo.
Mesmo que sempre tenha dito odiar ser leonino, Pietro já tinha se acostumado com o lugar. Não era amigo de ninguém, apesar de ser próximo do Hugh, mesmo dando seus coices diários no garoto.
— Ótimo, eu vou buscar minhas coisas. — disse se levantando.
— Não! Espere! — falou apressadamente. — Você não vai ser expulso.
— Isso é mais do que o suficiente para os idiotas dessa república me mandarem embora.
— Colin não deixaria que isso acontecesse.
— O líder dessa espelunca? Ele brigou com o Danion por minha causa. Acha mesmo que vou acreditar nesse jogo? Vocês querem me humilhar novamente.
— Não, é sério. Não sei o que o levou a isso, mas ele realmente disse que não o expulsaria.
Pietro duvidou, mas não fez novas reclamações. Ele olhou para Hugh e sentiu algo estranho em seu corpo, especialmente na região do estômago, como se estivesse gelado. Os cabelos de Hugh estavam um pouco mais volumosos, fora o fato de que ele se encontrava sem camisa.
— E qual o problema? Por que você tá com essa cara de bunda de quem acabou de cagar e não se limpou?
— Seremos eu, você, meu primo e o namorado dele em um único quarto.
— Puta que pariu! — falou estapeando a própria testa. — Era só o que me faltava. Não basta estar rodeado de idiotas nesse lugar, agora o único lugar que era o quarto em que eu achava que tinha paz será tomado por dois inúteis?
— Você não tem o direito de reclamar... — quase deixou escapar um assovio.
— Que se foda. — se levantou.
— Nós moramos em uma república, ainda demos sorte dos líderes não encher o quarto ainda com mais pessoas. Porque pelas minhas contas, se eu provavelmente fosse líder, iria permitir um único armário nos quartos e o resto seriam camas, beliches. Daria mais oportunidade de novos estudantes conseguirem vagas aqui. Imagine quatro beliches em um quarto?
— Um inferno! — lembrava-se de como odiava morar nas repúblicas menores por isso, a pouca privacidade o incomodava.
— Não, é questão de organização. Aliás, observei que tenho uma grana aí que da pra comprar um beliche. Conversei com o Colin e ele permitiu. Não é legal você ficar dormindo em um colchão no chão.
— Você deveria parar de se preocupar comigo. — falou desviando o olhar.
Hugh sorriu.
Quando tornou a olhar para Hugh e viu aquele sorriso, Pietro quis socá-lo. Odiava aquele sorriso, odiava o fato de como ele ficava bonito com ele.
Irritado, Pietro se levantou, foi até a pia, lavou seu copo, o colocou no lugar que antes estava, foi ao banheiro, escovou seus dentes e finalmente dirigiu-se para o quarto.
Hugh, que o aguardou fazer tudo, finalmente saiu do seu lugar e se posicionou em frente a porta.
— Eles estão dormindo, a viagem foi cansativa. Não arrume encrenca, por favor.
— Me deixa passar! — falou o empurrando para o lado.
Quando Pietro abriu a porta, mesmo com a pouca iluminação que vinha do corredor, pôde realmente constatar que tinha duas pessoas dormindo abraçadas num colchão no chão. Ele sentiu vontade de vomitar com nojo, odiava casais românticos demais — mesmo sendo a pessoa mais carente do mundo.
Pietro ligou o abajur ao lado da porta para melhor iluminar o quarto e poder caminhar sem derrubar alguma coisa e em silêncio caminhou até a cama de Hugh, ajoelhou-se, retirou seu colchão debaixo dela e buscou por um lençol.
— Quer que eu o ajude? — sussurrou Hugh ao seu lado.
— Não precisa, eu sei cuidar de mim. — grosseiro, respondeu.
— Tem certeza? Você mal sabe forrar uma cama.
— Se você me encher o saco eu vou gritar e acordar eles.
— Tá bom, desculpe.
Pietro apenas lançou um lençol sobre o colchão, ele realmente não deu a mínima se estava bem posicionado ou não. Apenas se deitou, pôs o travesseiro abaixo da cabeça e não se cobriu.
— Apaga as luzes, faz alguma coisa útil.
— Acho que tem algum curso na universidade que ensina a forrar a cama. — provocou.
Hugh não tinha exatamente medo do Pietro, um pouco da intimidade alcançada, já o deixou fazer aquele tipo de piada. Mesmo recebendo um olhar de morte do garoto, ele não pôde deixar de rir.
Com passos leves, Hugh dirigiu-se ao abajur e quando o desligou, o breu tomou conta do lugar. Estava tudo escuro. Ele tinha o caminho decorado em sua mente, mas ainda assim era muito difícil de enxergar alguma coisa no quarto.
Poderia usar a luz do seu celular, mas o deixou sobre a cama. Então caminhou devagar, quase que arrastando os pés e com as mãos estiradas para caso encontrasse alguma coisa no caminho.
Hugh só não contava que pudesse tropeçar no colchão de Pietro.
O seu corpo caiu sobre o do garoto, que não estava preparado para recebê-lo e sentiu todo o impacto, sendo incapaz de gritar, mas querendo muito insultá-lo com todos os palavrões do universo.
— Desculpe, desculpe... — sussurrou Hugh ainda em cima dele. — E-eu juro que não foi minha intenção, eu não estava vendo nada. A-ainda nem consigo te ver, só te tocar.
— Amanhã eu vou encher essa sua cara de porrada. — ameaçou.
— Pra quê tanta violência?
— Você é realmente um idiota, Hugh. Um tremendo de um filho da puta!
— É o que dizem por aí...
Silêncio.
— Você é macio. — Hugh sussurrou.
— Cala a boca. — sussurrou, dessa vez estava mais calmo, parecia apreensivo.
Apesar da discussão, nem Hugh saia de cima dele e nem Pietro reclamava para ele sair.
Eles tinham noção de que ambos os rostos estavam próximos demais porque ambas as respirações batiam na face um do outro.
— Enfim, eu vou pra minha...
Um beijo.
Hugh não conseguiu concluir a sua frase, Pietro mais uma vez não resistiu a tamanha aproximação. O dono de cabelos encaracolados, mesmo surpreso com a ação do colega, retribuiu o beijo no mesmo instante.
As mãos de Pietro vagaram pelas costas de Hugh.
Pietro ansiava, desejava, necessitava. Hugh, apesar de todo aquele jeito que Pietro odiava, foi capaz de proporcionar a ele um prazer imensurável no dia em que transaram. Fora que o garoto nunca fizera uma piada sequer em relação ao fato de Pietro ser passivo, bem diferente de Andrew que vivia a minimizá-lo por isso.
Sua sede era compreendida, tanto é que Hugh, através dos toques calorosos de Pietro, sabia exatamente o que ele queria.
Pietro abriu as pernas, deixando com que Hugh se encaixasse melhor em seu corpo e assim sentisse melhor o volume dele tocar o seu.
— Eles vão ouvir. — Hugh sussurrou.
Pietro nada falava. Ele sozinho se encarregou de retirar a própria camisa, sentindo o calor do corpo de Hugh sobre o seu.
— Pietro...
— Cala boca e me fode, Hugh. — disse com raiva, mas já arrependido da forma como proferiu.
— Mas... mas eu não consigo fazer isso com pessoas estando no quarto.
— Você é fraco! — elevou o tom de voz sem que percebesse. — Eles não vão ouvir...
— É arriscado.
— Por que você é tão medroso?
— Eu não quero ser flagrado transando pelo meu primo.
— Acha que eles não vão fazer isso quando estivermos dormindo?
— Prefiro não imaginar essas coisas.
— Hugh?
Não foi a voz do Pietro que o chamou.
Com pressa, Hugh saltou pra sua cama. Pietro imediatamente pôs os dois braços na cabeça e fingiu estar dormindo.
— Hugh? — Connor mais uma vez o chamou.
— O que foi, Connor? — Ian perguntou baixinho.
— Não sei, achei que tinha ouvido a voz do Hugh.
— Você ouviu... — respondeu o primo. — Desculpe.
— Aconteceu alguma coisa? — Connor perguntou.
— Tive um pesadelo daqueles que me faz acordar falando.
— Cala a boca, porra! — Pietro entrou no diálogo.
— Quem é esse? — Connor questionou. — De quem é essa voz?
No escuro, ninguém estava enxergando o Pietro.
— Bem, vamos dormir... — Hugh evitou tocar no nome do garoto. — Desculpe por acordá-los.
— Mas eu ouvi uma voz diferente. Quem acabou de falar?
— Connor, os garotos querem dormir. — Ian o repreendeu. — Eu estava dormindo tão bem pra você me acordar com conversas bobas.
— Ok, tem mais alguém aqui e não faço ideia de quem seja.
— Shh! — Ian falou, tateando o rosto dele para encontrar sua boca. — Durma, amanhã é um longo dia e ainda temos que arrumar o quarto.
Connor não disse mais nada com o silêncio do seu primo, achou que ele já tinha dormido, mas ainda assim estava curioso para saber quem era o dono da nova voz que ele tinha ouvido. Se não estivesse com tanto sono, Connor teria insistindo em descobrir a respeito da voz, mas bastou fechar os olhos e abraçar o namorado que apagou.
Pietro estava aos nervos de tamanha raiva que sentia, mas ao mesmo tempo tinha um sentimento de arrependimento... Mais uma vez. Odiava essa vulnerabilidade e carência a toques. Hugh não podia descobrir isso, nunca!
O que Hugh estaria pensando? Isso era tudo que Pietro queria saber naquele momento, mas não fez perguntas.
[...]
O carro em que Larah estava tinha acabado de estacionar próximo uma parte movimentada da cidade. Ela estava novamente prestes a voltar pra Quadra, já que passou suas férias viajando sozinha, como proposta do que foi encubada a fazer.
— Daqui você pega um táxi e segue sozinha. — disse a mulher acabando de desligar o carro.
— Você tem certeza de que quer continuar com isso?
— Você não pode desistir agora.
— Não estou querendo desistir, mas estou achando tudo isso bem pesado. Não sei, talvez ele não mereça.
— Você não sabe de nada, garota. Agora não poderá mais voltar atrás depois de tudo o que já fiz por você.
Larah ficou quieta, observando a movimentação de pessoas a sua frente. Ela tocou a barriga.
— Não está tão grande, você certamente vai ter a barriga pequena.
— Por que quer tanto fazer isso com ele? Tem certeza de que você o ama?
— É por amar tanto que eu preciso fazer isso por ele, por meu filho.
Suzana então olhou pra Larah e em seguida apertou o volante. Era ela a mulher por trás de tudo isso.
— O caminho que Sean escolheu é errado e eu não vou desistir até retirá-lo dos braços daquele garoto insolente, de uma família completamente desestruturada. A mãe dele é louca!
— Farei o que for preciso. — disse a garota.
— Agora vá, faça tudo o que foi combinado. Estou ansiosa para ter o meu netinho ou netinha em meus braços.
— No que estiver precisando, basta me ligar. Depositei o dinheiro em sua conta, paguei sua mensalidade.
— Obrigada.
Larah desceu do carro, caminhou até a pista e acenou para apanhar um táxi. Quando um parou, ela entrou no automóvel e o mandou dirigir até à Quadra Nove.
Era hora de começar a agir como parte daquilo que Suzana, a mãe do Sean, havia planejado.
Há um bebê no caminho, Sean.
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