República de Leões
54 Capítulo 54
Notas iniciais
Sean Ferazza estava parado em frente à janela de sua república. Ato comum.
Acordou mais tarde do que imaginava, mas isso se dava ao dia anterior exaustivo. Foi assistir a um jogo de beisebol com Joe, onde de lá saíram pra almoçarem juntos. Depois levou Colin ao shopping em busca de um kit novo para usar na faculdade, já que após as férias ele ingressaria em uma nova turma. Jantou com Colin e Joe em um restaurante e ainda sobrou tempo para que assistissem a um filme no cinema. Chegou em casa perto da meia noite e só dormiu uma hora depois porque Colin estava com insônia e resolveu encher seu saco, pra piorar o namorado preferiu dormir com os amigos.
Satisfeito apenas vestindo uma calça jeans clara e sandálias, desceu as escadas exibindo os músculos de seu abdômen ao se encontrar sem camisa.
— Você não vai querer entrar nessa cozinha! — Brandon parou em frente a escada, impedindo Sean de prosseguir.
Brandon tinha fios loiros, pele clara e olhos azuis.
— Cara, a situação tá séria! — Kai posicionou-se ao lado do companheiro de quarto, este por sua vez, também tinha na face um olhar preocupado.
Kai tinha cabelos pretos, pele levemente escurecida e bronzeada, e olhos verdes.
Brandon e Kai são dois dos novos membros dos Tigres. Sendo o Brandon primo do Sean, um Ferazza, ou seja, morador por direito, enquanto Kai e outros foram escolhidos a dedos e, claro, com a avaliação de Colin. Tantos foram os membros rejeitados que Sean poderia fazer uma lista enorme, principalmente porque estes refletiam a sua personalidade e não era isso que ele queria para sua república, ainda que antes fosse assim. Dessa vez, mesmo que sob as rígidas regras de um líder silencioso, astuto e grosseiro, o que Sean queria era um lar tranquilo e unido, bem diferente da geração anterior.
— Que tipo de merda vocês dois tem na cabeça? — Sean indagou. — Saia da minha frente! — ordenou e o garoto o obedeceu.
Mas como teria um lar tranquilo se sua personalidade era contrária a isso? Mas ele era o típico garoto que pode tudo, mas nunca vai admitir que os outros façam a mesma coisa. Sean e sua cabeça dura.
— O Colin, ele... ele... — Kai tentava explicar, mas Sean não dava ouvidos enquanto tentava buscar por passagem.
O moreno então entrou na cozinha, talvez preferisse voltar para o quarto depois do que viu. O sangue esquentou e ele por pouco não derrubou a casa com seu grito. Sua cozinha tinha entrado em estado de calamidade.
— Mas que porra é essa, Colin? — perguntou e assustou o namorado.
Colin trajava um avental branco enquanto segurava uma colher de madeira em sua mão. Toda a cozinha estava suja, imunda. Na mesa parcialmente suja por farinha, frutas separadas, leite derramado. No fogão ouvia-se o som de fritura em alguma frigideira. Na pia alguns pratos estavam sujos e até o chão, na região próxima de Colin, não escapou da bagunça.
— Tá reclamando? — não perdendo a postura, Colin o respondeu. — Teria você levantado e feito a comida.
— Que porcaria você tá tentando fazer aqui? E desliga esse fogo senão vai causar um incêndio na república! — aproximou-se do fogão e logo o empurrou dali, fazendo sozinho o que pediu.
— Olha, não tenho culpa se não sou como você, certo? Tentei fazer panquecas e não deu muito certo. Acabei jogando tudo no lixo! Agora estou aqui tentando fazer ovos mexidos com bacon, a nossa única saída. — justificava algo que não tinha razão, pois só agora tinha notado a bagunça na cozinha, porém jamais se deixaria abalar por Sean e seus insultos.
— E pra isso você precisava entrar em guerra com a cozinha?
— Vai tomar no cu! — o xingou alto, de modo com que os outros membros o escutasse. — Eu só tô tentando ajudar. Queria agradar os membros dessa república, já que ninguém cozinha e você é egoísta demais pra cozinhar pra eles.
— Então faz isso na sua república, porra! — o moreno também gritou ao pisar sobre um pedaço de casca de ovo.
Colin largou a colher de madeira na mesa e puxou um banco para se sentar. Com raiva, acabou cruzando os braços e olhou para as próprias pernas, sem coragem de encarar Sean e sua grosseria.
Sean olhou para a frigideira com os ovos e bacon, curioso decidiu provar da obra prima de Colin. Caçou por um garfo e colheu um pouco do alimento, ao por na boca, cuspiu no lixo imediatamente.
— Tem um quilo de sal aqui! — correu para a geladeira a procura de água.
— Mas na receita diz que põe sal! — tentou se defender.
— Onde diabos você encontrou essa receita? — indagou após beber metade da água no copo.
— Eu vi na internet, ok? — desviou os olhos, constrangido.
— O bacon já tem sal, seu burro. No máximo teria colocado uma pitada de sal, e não uma mão. Ou então os separava.
— Olha aqui, se tá achando ruim, faz você seu próprio café da manhã.
Colin levantou-se do banco e bateu pé para fora da cozinha, subindo as escadas em passos acelerados até que que todos ouviram o som alto da porta do quarto batendo.
— Seu filho da puta, não quebre a porta do meu quarto! — o moreno gritou da cozinha.
— Vai se foder! — Colin rebateu. Os novos membros riram.
Sean olhou ao redor mais uma vez e estava incrédulo. Como Colin poderia ser tão péssimo na cozinha? Logo ele que gosta das coisas arrumadas e em seu lugar. Mas ninguém consegue ser bom em tudo, não é mesmo? Colin talvez precisasse melhorar na cozinha. Ainda que não quisesse sujar tudo, ele tentou dar o seu melhor.
— Kai, Brandon! — Sean chamou aos gritos. Os dois membros apareceram rapidamente. — Limpem tudo isso aqui! — olhou enojado para a mesa.
— Mas, mas, mas... — Kai, olhando sem acreditar, tentava falar.
— Colin deveria ter feito isso, ele quem bagunçou. — Brandon reclamou.
— Não quero saber, só limpem. Colin fez isso por vocês, agora agradeçam dessa forma. — ordenou sem permanecer ali.
Era esse o líder dos Tigres, tais atitudes nunca mudariam. Ser membro da mais desejada república da Quadra tinha suas consequências, uma dela era obedecer as ordens de seu líder. E se aquele não fizer isso, pode ter certeza de que iria pra rua no mesmo dia. Sean não tinha meias palavras quando se tratava do comando.
O moreno passou pelos outros membros reunidos na sala e subiu as escadas. Todos ali sabiam daquele relacionamento. Cientes de toda a história envolvida entre o líder dos Tigres e o membro leonino, principalmente após a tentativa de assassinato. Os Tigres agora deveriam ter a mente aberta.
Ao abrir a porta do quarto, Sean encontrou Colin deitado de bruços na cama com o rosto atolado entre dois travesseiros.
— Saia daqui! — Colin gritou, mesmo com sua voz estando abafada.
— Que diabos você tem pra estar tão sentimental esses dias? — Sean indagou ao fechar a porta do quarto. Preferindo manter distância de Colin, o moreno permaneceu ao lado dela. Qualquer coisa era só abrir a porta e se proteger caso Colin resolvesse lançar algum dos objetos próximo dele. E seria bom manter todo o cuidado. — Está chorando?
Colin então se sentou na cama, cruzando as duas pernas. Ele pôs o travesseiro sobre elas e encarou Sean:
— Eu? Chorando? — gargalhou ao olhar para ele. — Estou querendo é enfiar minha mão na sua cara.
Sean sentiu alívio. Seria melhor Colin com raiva do que chorando. Ainda mais por sua causa. Das vezes em que isso aconteceu o seu coração apertava em sofrimento.
— Agora você fica aí olhando pra mim com essa cara de idiota. O que foi? Vai mesmo esfregar na minha cara que eu não sei cozinhar? — o encarava esperando alguma piada.
— Você não sabe cozinhar. — disse sem preocupação fechando e abrindo os olhos devagar, deixando nítido o seu ar de deboche.
Colin lançou o travesseiro. Disso Sean não desviou, foi fácil segurar. Acabou lançando o objeto em Colin, acertando-o o rosto, fazendo o pequeno cair deitado na cama.
— Filho da puta! — reclamou. — Você quer me cegar?
— Não. Eu quero que você só aprenda a cozinhar. Se pretender um dia viver junto comigo, isso terá que acontecer. Então use a cozinha da sua república como cobaia e depois me mostre o que sabe. Vou avaliar e te dar uma nota pra cada refeição que me mostrar.
Era lógico que Sean apenas dizia isso para provocar Colin. Obtendo resultado, ele se segurava para não rir do namorado que já perdia a paciência com sua provocação. No fundo, sentia medo, se passasse dos limites Colin seria capaz de lançá-lo da janela do quarto.
— Vou provar pra você que sei. Que tal pênis Ferazza? É um ótimo prato de entrada, ainda mais quando assado em um fio de azeite. Há, vale acrescentar os dois ovos em conjunto. Sabe, é ótimo. Receita italiana que eu acabei de inventar.
— Credo, Colin. — franziu o cenho. O moreno então tomou coragem de se aproximar.
— Então para de me irritar.
Preferindo fazer isso, Sean sentou-se na cama e ficou olhando. Colin não falava nada, também preferia não olhar para ele.
— Não sabia que apareceria aqui pela manhã, já que decidiu dormir lá com eles. — assumiu os ciúmes.
— Desde que eu saí da porcaria daquele hospital eu dormi com você. Mas eu ainda sou leonino, Sean. Aquela é a minha república. Não há nada que me tire de lá.
— E não há nada que me faça entrar lá. Exceto o meu fetiche de transar com você sob o teto dos leoninos.
— Que seja, já falamos sobre isso mesmo. Nem eu e você mudaremos de república, então vamos encerrar por aqui. Leão e Tigre e pronto. — deu ênfase na última palavra. — Pelo menos será bom esse romance que certamente entrará para a história da Quadra Nove.
— Somos oficialmente o casal de repúblicas rivais.
— Não mais rivais. — corrigiu o pequeno.
— Ah, não quero perder esse título. Leões e Tigres são rivais e fim. Octavio deixou de ser Tigre e tornou-se um Leão, ou seja, só restou nós dois. Acho que vou mandar nossa história pra uma editora, como se chamaria a história?
— O romance proibido entre o leão e o tigre. — sugeriu sem muita animação.
— Você já foi mais criativo, Colin. — falou e revirou os olhos, acomodando-se mais na cama. — Que tal “A sedução do Tigre”? Ou “As garras de um Tigre”? Talvez “República de Tigres”. É, são bons nomes.
— Você é um babaca, isso sim. Só um idiota pra ler esse tipo de história escrita por você. — sorriu, ainda que irritado. Sean conseguiu roubar essa bela expressão sua.
— Qual foi? Imagina só o mundo lendo sobre quando eu tirei sua virgindade? Vai ser magnífico. Melhor ainda vai ser sua mãe lendo. — provocou.
— Ai, Sean, você não para. Parece até que pede pra morrer. — Colin se deitou na cama.
Sean voltou a ficar de pé e foi até sua janela, encarando a república à frente mais uma vez, algo que já havia feito minutos antes. Não conseguia acreditar no que aconteceu há dois dias. A união entre leões e águias teve o seu fim.
— Vou achar que você está espionando alguém. Era assim que fazia pra me espionar? — Colin perguntou enquanto o via de costas.
— Ainda não me disse como conseguiram a república novamente.
— Eu preciso mesmo contar? — Colin se deitou de lado. — Você ouviu toda a gritaria quando isso aconteceu.
— Foi burrice de vocês largarem uma república como a dos águias pra voltar para a antiga. É questão de lógica. O número de quartos é bem reduzido se comparado a outra. São o quê... quatro quartos? — perguntou com sarcasmo.
— Responda você as perguntas quando decide ficar aqui do que na sua casa.
Colin e suas respostas certeiras. Sean respirou fundo.
— Odeio essa sua mania de me deixar sem respostas. — se virou para olhá-lo.
— Quando Danion falou para todos que vendeu a república dos águias, ninguém acreditou. Por isso de toda aquela gritaria, porque logo ele conseguiu provar o que havia feito. Por um minuto eu achei que iria ficar na rua, porque ele mentiu dizendo que trancou a faculdade e que iria embora.
— E porque você não jogou algo nele? — perguntou estando realmente chateado. — Se fosse eu aposto que seria capaz de atirar em mim.
— Seria mesmo. — confirmou e encarou o namorado, porém logo deu continuidade. — Só depois revelou o que aconteceu. Joshua já tinha planos de deixar a república abandonada, mas Edgar sugeriu que ele a devolvesse aos leoninos. Como havia dinheiro envolvido, existiu uma negociação entre Danion e ele.
— Quer dizer que Joshua realmente voltou para o Ninho?
— Ele nunca saiu de lá. Somente soube burlar as regras. William me explicou como as coisas funcionam lá.
— Uma vez que se sai de lá, nunca mais volta. Afinal, tem as filas de reserva. Joshua nunca gostou da Quadra, somente esteve aqui pra ficar de olho naquele garoto. — ressaltou a provável explicação de William.
— Você tem razão. — concordou, finalmente. — A parte mais chata disso tudo é ouvir o Danion falando que foi esperto. Mas até que ele realmente foi. Conseguiu vender a república por um valor mais alto e tomou a nossa antiga para si, lucrou uma boa grana, mas devolveu aos pais.
— Danion é um babaca. — falou ao passar a mão na barba já por fazer, embora nada grande, mas o suficiente para arranhar a quem beijasse.
— Não fala dele assim! Só eu posso chamá-lo dessa forma. — defendeu o branquelo.
— Tá ok. — Sean disse com desdém, logo em seguida respirou profundamente. — E como os águias ficaram?
— Não sei. — balançou a cabeça, preocupado. — Danion, William, Octavio, Ian e Connor são os que restaram dos leoninos. Leo e Santiago chegaram ontem a noite, sendo assim tudo volta a ser como era, apesar de Rick e Gaspar não estarem mais lá.
— Santiago se rendendo? — Indagou surpreso e olhou para a república. — Por essa eu não esperava.
— Uma vez leonino, sempre leonino. Não é atoa que Connor voltou pra lá. — sentou-se na cama mais uma vez e provocou o namorado.
— Com quem vai dividir o quarto? — ele fez a pergunta com seriedade, realmente interessado e enciumado. Virou-se novamente para encará-lo.
— Advinha quem ficou com o quarto do primeiro andar? Sim, eu! — respondeu automaticamente. — William e Octavio não querem isso. Will falou que na correria do dia a dia, vai detestar subir aquelas escadas quando chegar do plantão. E realmente tenho que concordar que é um saco quando estou cansado e lembro-me de que esqueci o celular na sala... ou qualquer coisa.
— Ainda não me respondeu com quem vai dividir o quarto. — insistiu.
— O Danion quer me tirar de lá, acho isso ridículo! — explicou irritado, causando até medo em Sean pela voz elevada. — Leo vai voltar pro seu antigo quarto, consequentemente vai dividir com o Santiago. Ian e Connor também ficarão no mesmo quarto. William e Octavio ficarão no antigo quarto do Rick. Só sobrou eu e o Danion, ninguém merece. E ainda quer que eu durma na sala quando decidir levar o Caine pra lá.
— Por isso que eu falei da burrice que cometeram em voltar pra lá.
— Eu não me importo em dividir quarto com ele, só não quero ter que dormir na sala. — voltou ao normal, mantendo-se calmo. — A sorte é que o William não deixa que isso aconteça, caso contrário o Dan realmente trancaria o quarto e me deixaria na sala.
— A proposta de morar aqui ainda está de pé.
— Só na morte. Eu não vou sair da minha república e sequer me transformar em tigre.
Colin saltou da cama e foi até o namorado. Logo recebeu as mãos de Sean em sua cintura. Inclinando a cabeça, ele encarou os olhos negros do moreno. Sean gostava daquilo, do modo em que Colin não esperava que ele fosse ao seu encontro sempre, mas tomava a atitude de vir até ele receber beijos.
O leonino olhou para a sua república e viu Caine entrar nela, provavelmente indo falar com Danion. Aliás, isso era óbvio.
— Preciso ir parabenizar William. Não o vi hoje mais cedo. — Colin levou seus olhos aos do namorado, que retribuiu o olhar. — E acho que você deveria fazer o mesmo, Sean.
— Acha mesmo que eu faria isso? — perguntou com ironia.
— Você doou sangue para ele. Sei que nunca iria me contar isso. — revelou. — Na verdade, não estou chateado por não ter me contato, é uma escolha sua e aprendi a respeitar isso em você, não sempre... é claro.
— Quem te contou? — perguntou já tendo a resposta na ponta da língua.
— Octavio... Você deveria aproveitar o aniversário de William e tentar retomar a sua amizade com ele. As coisas passaram, ele era seu melhor amigo... Ainda que nada seja como antes, nos esforçamos. Veja bem, basta olhar para nós dois e das vezes em que disse te odiar após o que fez comigo àquele dia com Colton. Há cicatrizes em minha relação com o Will, mas isso aos poucos tá sendo esquecido, inclusive, ontem quando eu saí daqui perto da madrugada, o encontrei na cozinha e nós dois conversamos, relembramos os velhos tempos. Tem também quando fugi da sala daquele hospital na madrugada só pra vê-lo.
— Como diabos você não está com sono? — perguntou e não deu valor a tudo o que ouviu de seu namorado. Não queria entrar no assunto. — Me encheu o saco pra depois decidir não dormir comigo. Eu deveria te jogar dessa janela, isso sim. Seu filho da puta.
— Irei tirar um cochilo a tarde, mas a verdade é que estou ansioso para a festa de hoje à noite.
— Assistirei tudo da janela. — estava com a resposta na ponta da língua.
— Ótimo, então assista o momento em que irei dançar com Luke. — Colin sorriu e se afastou dele.
— Faça isso e terá que assassinar metade da quadra nove, porque se eu descer vai ser pra sair pegando todo aquele que me olhar. Quem vencerá? — sorriu vitorioso.
— Eu te odeio, babaca! — admitiu a derrota naquela provocação.
O pequeno deu as costas para ele, mas foi pego. Colin sabia que isso aconteceria, até tinha se acostumado a virar as costas para ser pego daquela maneira, sempre forte e excitante. Virando-se de supetão e tendo o corpo tomado pelos braços do namorado, Colin sentiu o bom cheiro que seu namorado exalava.
Mas então Sean, enquanto abraçava-o, sentiu algo em sua coxa.
— Se isso encostando na minha perna não é o seu pênis, o que é?
Colin gelou, olhou para Sean assustado e se entregou ao não conseguir pronunciar algo para sua defesa. Até gaguejou, mas saiu sons repetidos com a vogal “a”.
Sean rapidamente segurou em suas mãos com facilidade e retirou do bolso do namorado um frasco de vidro com tampa amarela, em uma fita branca colada ao objeto, estava escrito: Laxante.
— Por que diabos você tá com um laxante? Está com problemas?
— Estou... — mentiu. — Me devolva isso. — tentou tomar o fraco do namorado.
A ficha de Sean imediatamente caiu.
— Desgraçado! — bradou.
Colin conseguiu escapar dos braços do namorado e até tropeçou. Com maestria no que fez, ele conseguiu saltar a cama e correr até a porta abrindo-a imediatamente, gritava por socorro descendo as escadas o mais rápido que podia. Sean teria alcançado se Kai, distraidamente, não tivesse se colocado em sua frente. Colin escapou e correu para a sua república.
Sean somente gritou:
— Vai ter troco, leonino!
Ele então olhou para Kai e ameaçou:
— Se da próxima vez você ficar na minha frente, eu juro que te atropelo.
[...]
Leonard já havia acordado, mas estava cansado demais para abrir os olhos. Naquela manhã Danion já gritava, e Leonard havia esquecido como aquilo era terrível, embora estivesse nostálgico, começaria a se irritar em breve com os gritos do seu melhor amigo.
Quando finalmente abriu os olhos, encontrou Santiago sentado na beirada da cama, com o cobertor sobre suas pernas. O namorado mantinha os braços cruzados e os olhos fixos na parede.
— No que está pensando? — perguntou. Sua voz falhou devido ao sono.
Santiago então olhou para trás.
O quarto ainda continha caixas da mudança deles dois, pouca coisa foi arrumada e teriam que aproveitar a tarde para que organizassem tudo.
— Pensei que ainda estivesse dormindo. — falou o modelo e futuro engenheiro.
— Eu também pensei a mesma coisa...
Santiago então voltou a olhar para a parede, ficando em silêncio. Leonard por alguns segundos ficou olhando para suas costas, depois resolveu se aproximar dele. Primeiro bateu sobre o travesseiro, dando comando para que seu namorado se deitasse ali. Com Santiago já deitado, Leo posicionou sua cabeça no tórax do namorado e com a mão livre ficou brincando com seu abdômen.
— É por que estamos aqui, não é? — Leo indagou.
— Não é como se eu fosse abrir aquela porta e sorrisse para todos. A última vez que estive aqui foi há um ano e alguns meses. Não é tão simples assim. É estranho. Vou me sentir deslocado, mas só faço isso por sua causa, sei que gostaria de ter seus amigos por perto. — respondeu devagar de modo com que Leonard conseguisse compreender tudo.
— Eu lembro bem do Santiago que saiu daqui. — parou de brincar com o abdômen do namorado. — Um Santiago homofóbico, que traiu a república, que teve que vender drogas para sobreviver dentro da Quadra, trabalhou na lanchonete e que me deixava com uma interrogação na cabeça pelo seu jeito calado de ser.
Ouvindo aquilo, Santiago teve lembrança de tudo o que Leonard citou ao seu respeito. Virou seu rosto constrangido.
— Mas isso passou. — Leo prosseguiu. — Em um ano muita coisa aconteceu. Daqui a um ano muita coisa também vai acontecer, isso tudo virará lembrança, afinal, é o nosso último ano aqui, temos só mais uns meses pela frente. O que eu quero dizer, Santiago, é que não importa o que você fez, ninguém aqui mais se importa com isso. Talvez por respeito a mim, devo admitir, mas quem são eles para que julguem você com tantos erros que eles cometeram? E não foram erros pequenos, comparados ao que você já fez, foram erros que geraram todo um desconforto entre nós. Mas no final de tudo estamos todos unidos, cada um com sua cicatriz.
Parando para refletir, Santiago não conseguiu dizer nada. Ele tocou os dedos do namorado repousado em seu abdômen.
— Eu vou me esforçar, de qualquer forma. Só não brigue comigo se eu falhar. Ainda não suporto o Danion, você sabe.
Leo sorriu e ficou em silêncio, apenas sentindo os dedos do namorado sobre os seus.
— Tenho algo pra te contar. — Santiago falou depois de alguns segundos de carícia.
Leonard imediatamente sentou-se na cama. Não era normal o namorado começar um diálogo com aquela frase, visto que ele geralmente não tinha tantas novidades.
— Ontem a tarde eu fui à agência. Eles haviam me ligado alegando querer conversar comigo, claro que eu fui. Sabe o James? — perguntou e esperou Leo responder. Com a resposta positiva, seguiu. — Ele passou quase trinta minutos falando, o que acabou me enchendo o saco, por sinal, mas tive que fingir estar interessado.
Santiago parou de falar ao ouvir uma nova gritaria provocada por Danion do lado de fora do quarto.
— Então? O que o James queria com você? — indagou fazendo o namorado esquecer o barulho lá fora.
— Vai haver um desfile em Tóquio...
Leonard deduzia, mas não conseguia ter certeza de nada. Santiago tinha o costume de falar as coisas pela metade, contando detalhes aos pedaços.
— Eles querem que eu vá pra lá. James indicou minhas fotos aos seus amigos e um deles acabou espalhando a foto para alguém de lá. Mostraram-se interessados por mim. Dessa vez, além de pousar pra fotos e estampar um catálogo de moda de Tóquio, eu terei que desfilar...
— Santiago! — Leo ficou de pé na cama, se equilibrando. Ele estendeu as mãos como se estivesse segurando algo. — Isso não é uma pegadinha, certo?
— Claro que não. — respondeu ofendido. — Pra que tanta animação? Eu só vou pra Tóquio fazer o que já faço aqui.
Leonard foi obrigado a se ajoelhar e dar um leve tapa na testa do namorado.
— Será que você não percebe? — Santiago balançou a cabeça negativamente. — É uma grande oportunidade pra você deslanchar de vez na carreira.
— Eu já te disse que não quero viver disso. Só faço pela grana que recebo.
— Por que está me dizendo isso hoje? É amanhã que você vai? — fazia perguntas sem cessar.
— Não Leo, tenha calma. Deixa eu pelo menos falar. — disse tentando não ser interrompido. — Isso não é pra hoje, pra amanhã ou depois. James disse que preciso de treinamento e que vou ter que me submeter a alguns sacrifícios, minha alimentação vai mudar. Além disse ele me deixou ciente de que tudo pode acontecer com o meu cabelo, posso até ficar careca se decidirem. Lá eles são muito exóticos, mas eu não vou raspar minha cabeça, foda-se a moda. Gosto do meu cabelo assim, no máximo até deixo diminuírem o volume.
— Bobão... — deixou escapar. Os olhos apaixonados eram magníficos.
— Enfim, eu só tô te contando hoje porque estava esperando uma resposta dele. Acabei recebendo a noite, mas ficamos arrumando isso aqui e eu me esqueci de comentar. Ah, James veio com uns papos de que lá iriam extrair o melhor de mim, que as coisas podem ser mais intensas que aqui... — disse ao roubar o travesseiro do namorado — Toda uma balela, um saco.
— Nunca vou entender como você pode não ficar feliz com isso. Você recebeu um convite pra desfilar fora do país. Tem noção do que é isso? Tudo bem que eu vá ficar longe de você por alguns dias, pelo tempo que ficará lá, mas eu estou bem feliz por isso. Eu descobri esse talento! — revelou, orgulhoso, colocando-se em cima do namorado e repousando os dois braços no ombro dele.
— Quem disse que você não vai comigo? — indagou tocando a cintura de Leo.
Leonard quase caiu da cama. Ele realmente não conseguiu acreditar no que tinha ouvido.
— Eu só disse que iria se você fosse comigo. — pareceu rude ao falar.
— Você tá louco?
— Você não tá feliz? — rebateu no mesmo segundo.
— Claro que tô... quer dizer... — começou a ficar confuso e olhou para todos os lados do cômodo. — Você não pode rejeitar um convite dele só porque eu poderia não ir.
— Ué, mas você sempre resolveu essas coisas pra mim. Se não fosse por você, eu sequer estaria metido nisso. Além disso, você é meu namorado. Nada mais justo do que tê-lo perto de mim. Acha mesmo que eu saberia lidar sozinho com toda aquela gente estranha lá? Você me conhece, qualquer loucura e eu pegaria o primeiro voo de volta pra Seattle. Também só aceitei porque provavelmente acontecerá nas férias, não prejudicando nossas aulas.
— Eu não sei se te amo ou se te odeio, de verdade. — não teve como sorrir. — Enquanto uns se matam com o sonho de seguir nessa carreira, você simplesmente foi descoberto e tá sendo bem cotado pelas agencias daqui, mas pouco se importa.
— Odeio a exposição. — disse, soltando-o.
— Não foi bem assim que as coisas aconteceram quando decidiu se tornar um Tigre. — provocou ao bater na bunda de Santiago e apertar a região.
Santiago o fitou, gostando do que sentiu.
— Vai mesmo provocar? Depois diz não vem com esse papinho de “eu não aguento mais, já gozei duas vezes”. — falou ao encarar os olhos do namorado. — E eu me tornei Tigre por motivos bem maiores. — fez questão de lembrá-lo.
— Que seja, que tal inaugurarmos esse quarto antes que alguém bata a porta nos enchendo o saco. — os olhos famintos e o sorriso libidinoso chamaram a atenção de Santiago.
— Por isso eu amo você. — falou aproximando-se e levando sua mão a cintura do namorado. — Não tem frescura pra porra nenhuma.
Leo caiu sobre o tórax do namorado, já beijando a região, descendo ao seu pênis que já era massageado por suas mãos.
— Uma rapidinha nunca fez mal a ninguém. — Leo comentou enquanto beijava a pele do namorado.
Santiago e Leonard já garantiam, aos poucos, o futuro. Ele, mesmo não admitindo, estava seguindo uma carreira de modelo onde provavelmente o levaria ao estrelato. Leonard, ainda que por trás das cortinas, estava sempre ali o ajudando. Um romance que certamente não teria fim.
[...]
Colin abriu às pressas a porta de sua república.
— William! William! — gritou o pequeno desesperado.
O loiro sequer teve tempo de por a colher de cereais na boca. Tanto ele quanto Octavio saíram correndo da cozinha para saber do que se tratava.
— O que foi? — perguntou o loiro, assustado.
Colin então olhou para trás, descobrindo que Sean não havia o seguido, vendo-o ainda dentro da república. O pequeno quase despencou no chão de alívio, era como se tivesse escapado da morte.
— Ele descobriu! — exclamou Colin, fechando a porta e caindo no chão encostado a ela. — Nunca corri tanto como agora.
— O que ele descobriu? — Octavio perguntou, desconfiado.
William e Colin trocaram olhares suspeitos e nenhum dos dois se atreveu a falar algo. Eles não eram bons em manter segredos tratando-se de um motivo banal. Principalmente quando pegos de surpresa por Octavio que já fez a pergunta sabendo que tinha algo errado ali.
— Quer comer? — William perguntou mudando radicalmente de assunto e aproximando-se de Colin.
— Quero, vamos. — levantou-se descaradamente sem olhar para Octavio.
Prostrando-se em frente a passagem para a cozinha, Octavio cruzou os braços e os encarou.
— Só saio daqui quando me falarem o que aconteceu?
— Que porra de gritaria é essa? — Danion perguntou ao parar no meio da escada e assistir o que acontecia.
— William queria pregar uma peça nos tigres. — começou o pequeno.
— Então Colin sugeriu de mexermos na comida deles... — continuou o loiro.
— Quer dizer que vocês querem mesmo iniciar uma nova guerra entre tigres e leões? Agora? Depois de tudo o que já passamos?
— Ah, Octavio, era só uma brincadeirinha boba. Além disso eu não consegui fazer nada, sou terrível cozinhando. — Colin falou despreocupado, sentando-se no degrau.
— Tinha que ser burro mesmo. Planeja zoar com os tigres, mas acaba não fazendo porcaria nenhuma. Esse menino é a vergonha da república, eu voto pra o expulsarem. Quem mais tá comigo? — Danion levantou a mão. Vendo que ninguém havia levantando, ele gritou: — Caine!
O pequeno saiu do quarto sem entender o que se passava.
— Morra, Danion. — Colin falou ao revirar os olhos.
— A ideia de colocar laxante no alimento deles foi minha. Consegui lá no hospital, mas esquece, já que não deu certo. Agora é pensar em um novo plano. — revelou o loiro também despreocupado e sentando-se ao lado do amigo.
— Espero estar bem longe quando as confusões recomeçarem. Tigres e Leões nunca darão fim a essa rivalidade. — Octavio disse ao liberar a passagem.
Colin foi o primeiro a ir para cozinha, estava realmente faminto, já que não teve a oportunidade de se alimentar nos Tigres. Todos os demais o seguiram e se aglomeraram no lugar, alguns de pé, outros sentados ao redor da mesa. Foi quando Connor e Ian resolveram sair do quarto.
— Nosso primeiro café da manhã juntos? — Ian perguntou arrumando os óculos em sua face.
— Logo mais é horário de almoço. — Danion falou. — Mas acho que você e Connor estavam transando e nem notaram as horas se passando.
— Adoro seu humor, Dan. — ele rebateu sarcasticamente tomando para si uma xícara.
— Ninguém tá preocupado com a festa de hoje a noite? Porra, eu não paro de ligar pra fulano, ciclano e o caralho que existir só pra ver se tá tudo certo.
— Estão mais preocupados com a festa do que me dar parabéns... — William soltou, descontraído.
— Tá achando que aqui filme? Onde todos acordam sorridentes e vão te dar parabéns pelo seu dia e depois nos abraçaremos? — o branquelo falou. — Isso não é comercial de margarina, Will. E eu já dei meus parabéns, seu vagabundo!
— Nossa, parece que alguém acordou atacado hoje. — Colin disse.
— Vai tomar no cu! — ele se virou para Colin. — Você passou a noite toda dando a bunda pro Sean e sequer nos ajudou na mudança. E eu tô até agora ligando pra resolver o problema da bebida, comida, DJ, decoração... Eu tô resolvendo tudo, porra.
Danion não teve tempo de reagir. Colin já estava saltando em cima dele. Por sorte, Connor colocou-se a frente do branquelo e segurou Colin no ar, que já bradava insultos contra o companheiro.
— Voltando aos velhos tempos... — William falou, tranquilamente, bebendo uma xícara de chá. — Até no meu aniversários vocês não param de brigar.
— Will? —Caine o chamou diante de toda a gritaria causada por Danion e Colin. O loiro o olhou curioso. O pequeno então entregou-lhe uma pequena caixa com um laço vermelho. William então a colocou sobre a mesa e a abriu, retirando e dentro um cupcake vermelho com bolinhas prateadas. — Parabéns... — ele falou, mesmo constrangido por não ter o melhor presente do mundo.
Caine realmente não estava com grana pra comprar algo de valor para o líder dos Leões. O dinheiro que recebeu havia gasto com a alimentação de sua república, principalmente agora que ele novamente teria que voltar a pagar aluguel junto aos seus amigos. E não queria depender ou abusar de Danion, por isso sequer mencionou precisar de dinheiro ou citou não saber o que dar ao William. Mas o que fez foi com carinho e amor e a sinceridade de sua atitude foi um dos mais significativos presentes que o loiro recebeu em seu dia.
William o puxou para que sentasse em sua perna e o abraçou diante o caos na cozinha, protagonizado por Colin e Danion
— Obrigado, líder dos águias. — agradeceu o loiro.
Caine deixou passar despercebida a citação do amigo, considerando apenas uma brincadeira o que ele havia dito.
— Que gritaria é essa? — Leo milagrosamente apareceu, abrindo mão dos prazeres dentro do quarto.
— O seu amigo que é um babaca que só fala porcaria. — Colin falou, controlado e sentando-se.
— Esse anão do caralho acha que tem moral pra falar alguma coisa. Passa o dia fazendo o Sean cheirar a bunda dele e quando chega aqui acha que tem direito de abrir a boca pra falar. — rebateu o branquelo.
— Vai tomar no cu! O aniversariante é o William e não você.
— Calem a boca! — o líder finalmente elevou a voz.
Quem se atreveria a falar algo depois do seu rugido? Ninguém.
— Bom, isso é bom... — William falou mansamente. — Agora vamos todos comer em paz. E ah, seja bem vindo novamente, Santiago. — comentou o loiro ao tentar quebrar a discussão e incluir o ex-colega na conversa.
Santiago pareceu ter tomado um tiro quando William dirigiu a palavra a ele. Leo segurou em sua mão e Santiago apenas fez um movimento de cabeça, agradecido.
— Ótimo, já que a gritaria acabou, será que podemos terminar de arrumar a república? Têm móveis encaixotados e a casa tá uma bagunça, convenhamos. — Octavio tomou voz.
Foi quando todos ouviram alguém bater a porta.
— Deixa que eu abro. — Ian falou já se afastando de todos.
O considerado mais inteligente dos leoninos acabou arrumando as mangas de sua camisa enquanto se aproximava da porta. Ao abrir quase caiu pra trás. Depois do susto de quando soube que William tomou um tiro, esse certamente também foi de deixá-lo assustado.
— Saiam da minha cozinha! — Rickson alegremente falou.
O ex-leonino e cozinheiro da república abraçou Ian que ainda estava sem reação alguma.
Porém, somente Leo viu quem mais estava com ele ali. Ela estava olhando para a república dos águias, parecia falar com alguém. Destaque para a trança em sua cabeça, presa a um coque, semelhante a uma coroa. Porém, a barriga grande já denunciava quem era. Lydia, ex-águia.
Caine passou por todos correndo até que ficasse ao lado da garota que distraída não o percebeu. Foi quando William saiu da república para cumprimentar Rickson e então notou voltando da república dos águias o ex-líder dela: Sebastian.
Sebastian não tinha mais o mesmo corte de cabelo de antes, ele apenas deixou de diminuir o volume nas laterais, porém, nada que não o deixasse belo como sempre foi.
— Ué, mas vocês antes não estavam aqui? — disse o ruivo, referindo-se a outra república.
William ignorou a indagação do colega e após Rickson, foi abraçá-lo. Diante tantos os abraços dos companheiros, matando a saudade em frente a república e sobre o gramado da mesma, Lydia foi a quem mais recebeu carinho diante dos homens, principalmente os mimos e várias mãos em sua barriga.
— Ei, ei, o filho é meu também!
— É menino? — Connor perguntou, curioso.
— Porra, era surpresa pra vocês! — demonstrou a sua frustração. — É menino sim.
— Qual o nome? — insistiu perguntando.
— Ainda não sabemos. — Lydia respondeu e olhou para Caine.
Leo foi o primeiro a se ajoelhar e fazer cara de idiota, ainda tocando a barriga de Lydia.
— Olá, cunhado... — Danion sorriu maliciosamente ao estender a mão para Sebastian.
O teria recebido o aperto de mão se o branquelo não se lembrasse da situação sofrida que passou pelo mesmo gesto. Rapidamente a afastou de Sebastian que retribuiu o sorriso, em seguida o ignorando.
— Teu presente tá no carro. — Sebastian falou para William.
— O meu também tá lá, aliás, você deveria escutar umas músicas novas... Que porcaria de CD é aquele? — Rickson falou estando ao lado de Connor.
— Problema é seu se não gosta de música clássica. — retrucou o ruivo. — Então, eu tô aqui pra comemorar seu aniversário. — olhou para William.
— Bem, e-eu...
— Não temos nada preparado ainda, a festa tá marcada pra hoje a noite. Agora vem cá e me diz como isso aconteceu? Eu liguei pra vocês três e nenhum de vocês disse que poderia aparecer aqui. — Octavio, ao interromper o namorado, indagou. — É uma surpresa e tanto.
— Bem, é por isso que se chama surpresa, não? — Lydia, aproximou-se junto ao Caine.
Caine foi pego pelos ombros por seu irmão, que bagunçou os seus cabelos castanhos e entregou-lhe um belo sorriso. Mataram as saudades ali.
— Ainda bem que o Rickson voltou. Meu Deus, que saudade do seu tempero! — Connor, bobo, falou.
— Tenho que concordar... — Leo afirmou ao se aproximar de Santiago, este por sua vez estando deslocado e silencioso.
— É bom que sintam saudade mesmo. Quem devo desafiar na cozinha? — olhou para todos.
— Eu não aguento mais a comida do William. — Danion falou.
— O que? — o loiro o olhou assustado. — Mas eu não cozinho.
— Que seja, temos que colocar a culpa em alguém, não é mesmo? O aniversário é seu. — brincou, apesar de parecer falar sério.
— O único que cozinha melhor aqui é o Octavio, mas ele quase nunca faz algo pra todos. Só pro William. — Colin falou no meio de todos, aproximando-se de Caine.
— Claro, ele é meu namorado e quando chegamos do plantão não tem quase ninguém aqui.
— Mas bem que poderia fazer porção em dobro, não acha? — cruzou os braços.
— Agora depois de tanto tempo você vem me dizer isso? — indagou.
— E você? — Sebastian perguntou. — Tá realmente com o Sean?
Colin sentiu as pernas tremerem. Principalmente com a pergunta surpresa de Sebastian.
— Tanta coisa aconteceu... — Ian, querendo descontrair, falou. — Acho que isso é assunto pra o almoço. Que tal entrarmos? — sugeriu.
— Realmente, eu preciso sentar... — Lydia falou. — E preciso conversar com Caine.
— Eu também preciso ter uma conversa com ele. — Sebastian então olhou para Danion.
O branquelo se recolheu.
Leo e Santiago foram os primeiros a entrarem na república, depois um por um foi entrando e se aglomerando na sala, espalhando-se pelos sofás e poltronas. Rickson não quis perder tempo e partiu pra cozinha, mas antes mandou Connor ir no carro buscar as sacolas de compras que ele havia feito no caminho.
Enquanto uns papeavam na sala. Na cozinha Santiago, Leo, Rickson e Connor ajudavam na preparação do almoço.
— Santiago e Danion no mesmo teto? Interessante... — Sebastian falou. Da cozinha Santiago ouviu, mas preferiu ignorar e focar no que fazia.
— Eu ainda sou contra isso. — externou o branquelo.
— Cala a boca, Danion! — Leo rebateu de onde estava.
— Realmente, muita coisa mudou... — Lydia havia dito. — Sinto saudades daqui, mas acredite, a vida lá fora é melhor.
— Em breve estaremos longe daqui também. — Octavio disse. — Sentiremos saudades, mas a nossa geração vai ter finalmente seu fim.
— Vamos mudar de assunto não? — Colin falou. — Não é tão divertido lembrar do dia em que vocês vão embora.
— Já que estão aqui, deveriam parar para aproveitar e decidir o destino dos águias. — Ian mudou o assunto.
— Como? — Sebastian perguntou.
— Estão sem líder. — Colin disse.
— E-espera aí! — Sebastian elevou a voz. — Primeiro, me contem tudo o que já aconteceu aqui pra que eu possa digerir as coisas. Saber tudo por telefone não é tão legal assim e não ter tempo pra aparecer aqui por conta do trabalho é um saco.
— Caine e eu estamos juntos. — Danion, olhando para o seu celular, disse enquanto cruzava as pernas.
— Isso eu já sei, babaca. — o ruivo falou ao olhá-lo e derrubar o celular de sua mão.
— Ué, você mandou contar tudo, não foi? — ele disse, recolhendo o aparelho.
Foi quando William deu todo o resumo de tudo o que já aconteceu, incluindo Colton e Sean. Até que finalmente chegasse na explicação da mudança de repúblicas e de como Danion conseguiu resgatá-la.
— Esse desgraçado quem conseguiu tomar a república? — Sebastian disse, embasbacado.
— Sou inteligente, ok? — retrucou.
— É melhor não provocar... — Lydia advertiu.
— Enfim... — Ian, tentando evitar confusão, prosseguiu o assunto. — Resultou que todos os leoninos saíram de lá.
— E quem restou? — Lydia perguntou.
— Caine, Edgar, Clara, Gale, Luke e Samuel. Ah, o Caleb também. — Colin respondeu.
— Caine vai ser o líder. — o ruivo disse, firme.
— Como? — até então Caine estava em silêncio e indagou assustado.
— Eu iria sugerir isso depois de hoje. — William disse.
— Não acho que seja uma má ideia. Ele é o único veterano dos águias e certamente conhece as regras que você já colocou. Ele também acompanhou seu processo de liderança e vai saber lidar com as situações. — Octavio, sentado no degrau da escada, falou enquanto olhava confiante para Caine.
— E se alguém lá for contra, eu dou conta do recado. — Danion falou, ainda que longe do seu namorado que estava entre Sebastian e Lydia.
— Mas eu não sei liderar nada. Ninguém vai me ouvir. Não quero isso.
— E quem iria liderar? — William perguntou. — Luke?
— Por favor... aquilo viraria um prostíbulo. — Ian falou ao revirar os olhos.
— Posso saber do que conversam? — Rickson apareceu no corredor, segurando uma colher de madeira na mão, imagem nostálgica para todos os leoninos.
— Estamos resolvendo a situação dos águias. — respondeu o líder dos leões. — Caine deve ser o próximo líder. Eu não vou conseguir liderar duas repúblicas, ainda mais não estando presente lá.
— Toda república precisa de um líder. Caine precisa liderar. — disse o cozinheiro.
— Eu não posso opinar? — perguntou o pequeno águia. — Vocês estão falando por mim.
— Vem, vamos lá que eu vou mostrar para todos quem é seu irmão e a quem deve obedecer. — disse o ruivo, levantando-se do sofá e tomando o irmão pelas mãos.
— Mas... Mas...
Caine não teve a oportunidade de contestar. Sebastian saiu arrastando-o república a fora. Danion, não perdendo a chance, correu para acompanhá-los.
— Se esse não fosse o Sebastian... — Lydia disse, sorridente. — Vai ser bom pro Caine, ainda que ele não pareça ser um bom líder. Seguir os passos do irmão.
Foi quando William olhou para Colin e tentou enxergá-lo como líder. Era tão difícil, mas estaria nele a sua confiança para tal. Queria que Colin fosse um bom líder, alguém a ensinar da forma que ensinou aos seus companheiros. Ainda que pequeno, atrevido e encrenqueiro, Colin poderia liderar. Afinal, é ele quem namora o líder dos tigres e tem seu maior pilar o líder dos leões.
— O que houve, Will? — Colin perguntou ao perceber o olhar.
Balançando a cabeça negativamente, o loiro sorriu.
— Não é nada. — respondeu.
Lydia então resolveu se levantar e ir até a cozinha. Lá encontrou Santiago sentado com a mão no queixo enquanto observada Leo cortar alguns legumes. Connor estava lavando parte da louça suja.
— Quer dizer que você também é modelo? — Lydia, simpática, perguntou ao se sentar do seu lado.
Santiago estava distraído e quando a ouviu, ficou surpreendido.
— Leo diz que sou. — foi o que respondeu.
— Ele realmente é. — retrucou o namorado, largando a faca de lado e juntando-se a eles.
Rickson voltou a aparecer, estapeando a mão de Connor que tentava provar do molho que ele fazia.
— Fico feliz de vê-los juntos. — a garota comentou. — Apesar de que eu nunca imaginei que isso fosse acontecer, confesso.
— Achou que eu estaria com o irmão do seu namorado, tenho certeza. — Santiago falou, seco. Leo pressionou sua mão.
— Não gosto de mentir. E sim, achei. Talvez porque Danion nunca se mostrou ser uma boa pessoa e você sim. — ela disse não se sentindo ofendida.
— Nem mesmo eu sabia que estaria com ele... — Leo tentou não fazer o momento desconfortável.
— É maravilhoso quando as coisas acontecem dessa forma. Sem que nós esperássemos. Bem, quer dizer... — ela olhou para a barriga e sorriu.
— Sempre que posso eu peço ao Sebastian fotos suas. Parece que você decolou como modelo, não é mesmo?
— Parece que sim... Tentei atuar na área em que me especializei na faculdade, mas acho que vou dar preferência a vida de modelo, acredita? O diploma de fisioterapeuta eu já tenho, qualquer coisa eu posso recorrer ao emprego, mas enquanto me querem como alguém pra sair em revistas de moda, estarei disponível.
— Mas o Sebastian tá trabalhando, não está?
— Nós dois estamos, mas eu tive que pausar a carreira por causa da gravidez, mas me garantiram que meu contrato não seria cancelado. Aliás, farei fotos quando estiver com oito meses de gravidez. Isso se daqui pra lá ele não resolva sair.
— Santiago foi chamado para desfilar em Tóquio. — Leo, feliz, revelou a surpresa de hoje cedo.
Lydia pareceu surpresa e foi logo indagando:
— Pra qual agencia você desfila?
— Hill’s. — ele respondeu, suspeitando.
— Meu Deus, Santiago, eu também! Fui convocada assim como você.
— Gente... Isso é sério? — novamente surpreso, Leo indagou.
— Claro! O evento vai ocorrer no próximo ano.
— Espera, eles te informaram a data? — Santiago, curioso, perguntou.
— Não exatamente uma data, mas a previsão.
— Quem diria... — Santiago finalmente começou a se interessar pelo assunto. — Daqui pra lá o bebê já estava até andando, eu acredito. — brincou.
E o assunto prosseguiu, principalmente com Leonard empolgado com o assunto.
[...]
Caine ficou esperando no sofá enquanto seu irmão recolhia os membros restantes dos águias. Apenas Edgar não estava naquele momento. Todos ficaram de frente para o sofá que Caine estava sentado. Samuel, logicamente, não gostou do tratamento que recebeu do ruivo. Apesar de saber quem ele era pelas história e tê-lo visto no dia em que resolveu passar uma semana na república, odiou sua autoridade.
— Vocês, escutem. — iniciou o ruivo.
— É, escutem! — Danion reforçou.
Sebastian o olhou demonstrando seu desafeto e desaprovando a atitude. O branquelo sorriu sem preocupação.
— Toda república tem uma lista de membros em fila de espera. Com quartos disponíveis, lógico que novos membros virão, certo? Acontece todos os anos. — explicou. — Mas para isso, é necessário um líder que organize tudo e coloque ordem nesse lugar.
— Caine vai ser o líder. — soltou o loiro, futuro médico. — É isso? Ótimo, estamos livres.
Samuel pensou em dar as costas.
— Samuel, volte... — Caine pediu, não com grosseria, apenas um pedido.
— Ele pode te expulsar, caso queira. — Danion agora falou.
— Mas eu...
— Sim, ele pode te expulsar. Garoto atrevido. — Sebastian falou.
— Ele vai ser o líder? — Clara perguntou, sorridente. — Então quer dizer que posso ser a futura namorar do líder dos águias. Tipo a Lydia, não é mesmo? Já quero. Já aprovo! — se empolgou.
— Mas não tem de ter votação? — Gale perguntou, confuso.
— Nos Tigres a liderança é passada pra família. Nos Leões é passada pelo antigo líder. Aqui costuma ter votação, mas nenhum de vocês tem a capacidade de liderar. Caine é o único veterano dessa república e por isso vai ser líder.
— Eu não queria... — ele abaixou a cabeça.
— Então eu quero. — Samuel tomou a voz.
— Eu prefiro que Caine seja líder. — Caleb disse, contrariando Samuel. — Veja só, além dele, ninguém mais aqui quer ser líder. Quer dizer... Samuel também quer. Mas eu certamente voto no Caine por questão de lógica. Ele sabe como as coisas funcionam e é irmão do ex-líder dos águias e da Quadra.
— Eu também voto no Caine. — Luke falou ao concordar com Caleb. Recebeu um olhar duro de Samuel.
— Desculpa, Sam... Mas eu também voto no Caine. — Gale disse.
— Clara? — Danion perguntou.
— O que? Se ele me der um beijo eu voto nele. — subornou.
— Vamos embora daqui. — Sebastian novamente puxou o irmão.
— Ei, eu estou brincando! — ela disse, envergonhada. — É claro que eu volto nele.
— Então está decidido. Caine é o líder dos águias, amanhã eu volto aqui pra repassar as regras e ajudar a escolher os novos membros. E é bom que nenhum de vocês o desobedeça. Caso contrário eu saio da minha casa e venho até aqui acertar as contas com vocês... Ou você. — olhou para Samuel. — Essa gente de Aroma... — provocou.
Danion levou dois dedos aos olhos e em seguida apontou os mesmo dedos para Samuel, murmurando: “Tô de olho em você.”
Sebastian não precisou ficar mais um segundo ali dentro.
— Acreditem, Sebastian é legal... — Caine falou. — Só me desculpem por agora... — abaixou a cabeça e saiu.
Danion, diferente do namorado, estufou o peito e caminhou lentamente até a saída. Satisfeito com o resultado.
Lá fora, Sebastian apenas sorria aliviado. Não queria passar a imagem de autoritário para os membros que ele não conhecia muito bem, porém deveria intimidá-los em respeito ao irmão. Assim, Caine seria notável como líder, ainda que faltando muito pelo jeito retraído. Afinal, ele quase não expõe uma opinião no meio de vários.
[...]
Edgar estava passando em frente a república de leões quando ouviu a gritaria. Curioso e encontrando a porta aberta, ele resolveu entrar. Deu de cara com os colegas reunidos na sala. Todos eles com um prato na mão, alguns sentados no chão, outros no sofá, degraus e cadeiras. Estava apertado, mas ninguém se importava com isso.
Sebastian olhou para Edgar e engoliu as palavras que queria usá-las naquele momento, principalmente após saber com quem o loirinho vinha se relacionando. Felizmente Luke e os demais membros da república vizinha apareceram atrás dele, quase derrubando-o para dentro da casa.
— Sentimos cheiro de comida boa! — Luke, descaradamente, falou. — Eu tô faminto.
— Podem ir lá na cozinha pegar. — William falou. — Só não sei onde vocês vão sentar.
— Não tem nada lá na república, ainda que eu sente na privada do banheiro, eu preciso comer. — Gale disse, tentando saltar as pernas daqueles que se encontravam no chão da república.
— É melhor aproveitarem antes que tudo acabe, Danion come como um boi. — Rickson falou tentando brincar com o amigo.
— Por que eu sempre sou o motivo da piada?
— Sua cara já diz que você é uma piada. — Colin falou de boca cheia. Ele estava sentado no meio da escada, encostado a parede.
— Já vão começar? — Octavio perguntou e Danion engoliu a resposta que daria a ele.
Gale, Clara, Edgar, Caleb, Luke e Samuel também se serviram da comida de Rickson e se aglomeraram na cozinha, percebendo que lá ainda havia espaço.
— Não é correto vocês apoiarem a relação daquele garoto com o Joshua. — Sebastian sussurrou para os presentes na sala.
Rickson quase cuspiu toda a sua comida.
— Como é? Que garoto?!
— Eu lembro da conversa que tivemos quando deixei com que ficassem na república. Os três dormindo no mesmo quarto e pra que? Pra um deles se relacionar com quem bateu no meu irmão?
— E em mim... — Danion pôs lenha na fogueira.
— Não precisam sussurrar. Eu ainda estou aqui. — Edgar surpreendeu a todos ao parar no corredor.
Embasbacados, William e Sebastian não souberam o que falar até que Edgar prosseguisse falando:
— Vocês tem toda a razão em ficarem desconfiados. No lugar de vocês eu também não estaria nada confortável com minha presença. — falou o loirinho.
— Você não tem ideia do perigo que corre. — Rickson falou. — Joshua não é o tipo de pessoa carinhosa.
Edgar tinha algo na ponta da língua pra falar, mas sabia que soaria grosseiro e por isso se absteve.
— Eu não sei como defendê-lo parente todos vocês... Não é algo que eu vá conseguir assim tão facilmente. Se vocês quiserem, eu posso me retirar. — sugeriu entristecido.
— O deixem em paz. — Caine pediu. — Edgar não tem culpa de nada.
— Se vocês nos dão licença... — Caleb apareceu com Luke. — Nós acabamos ouvindo a conversa de vocês e sei de que falam do Joshua, certo?
— Não há o que esconder. Todos nós sabemos o que enfrentamos e quantos “sacrifícios” aconteceram até Danion ir ao abate. De fato foi uma surpresa pra todos nós quando nos ligaram informando o que havia acontecido. — Lydia falou.
— Ele não é mais o mesmo... — Edgar ainda tentava mudar a mente dos companheiros. — O problema é que vocês só lembram as coisas ruins que ele já fez.
— Se me dão o direito de falar, eu também quero defender o Joshua. — Caleb, presente, tomou a voz. Com todos olhando para ele, prosseguiu. — Creio que Edgar esteja conhecendo o Joshua que vocês não conhecem. Joshua é sádico e tem aquele jeito fechado dele, isso não mudará, é um fato. Mas contra os leoninos, ele só honrou sua palavra, vingando os sonhos que tiraram de Noah.
Danion sentiu-se incomodado ao ouvir aquilo e por isso desistiu de olhar para Caleb, cruzando seus braços e abaixando a cabeça.
Luke então prosseguiu com a defesa do seu primo:
— Noah, na verdade, sempre esteve por trás de toda essa rivalidade entre o Ninho e a Quadra. Era ele quem vivia a nos encher de assuntos tolos e até a criar mentiras, por isso nunca nos demos bem com vocês. Eu nunca fui a favor do que aconteceu ao Danion, sempre tentei convencê-los de que deveriam esquecer isso. Inclusive, a nossa briga — olhou para Octavio, fazendo-o recordar da cicatriz. — foi gerada por Noah, que levantou um falso comentário. Por isso Sebastian e Joshua se odeiam.
Sebastian fechou seus olhos devagar e passou a mão no supercílio até finalmente respirar fundo e se acomodar no sofá ao lado de sua namorada.
— Aliás, só pra reforçar o que o Luke disse, a rivalidade entre Quadra e Ninho só realmente surgiu por causa da rivalidade entre Sebastian e Joshua. — pausou. — Sean e você — Caleb olhou para William. — juntaram-se na rivalidade pelos laços de amizade com o líder dos águias. Foi Noah quem levantou um falso boato sobre as garotas, Megan e Lydia. Também foi ele quem planejou tudo de como fariam para pegar Danion e como ele queria que Caine estivesse presente. Eu tentei impedir, acredite. Tentei convencê-lo, assim como Luke, que deveriam parar com isso. Quis avisá-los... Mas falhei e não tive coragem, afinal, eu pertencia ao Ninho.
— E foi o Noah quem tomou a república de vocês. Acredite, nenhum de nós, nem mesmo o próprio Joshua, sabia que ele havia feito aquilo. Toda a rivalidade do Joshua era com os águias, mais especificamente com Sebastian. Por isso é de se compreender de que você não goste do meu primo. — Luke olhou para o ruivo.
— Numa guerra entre reinos, o rei convoca os melhores soldados. — Caine, que até então estava calado somente ouvindo, falou.
— O que está querendo dizer com isso? — Danion perguntou e olhou para o namorado.
— Noah literalmente usava o irmão para ameaçar as pessoas, por isso costumavam temê-lo. Nesse caso, Joshua era apenas um soldado seu. — Edgar respondeu. — Assim como Sean e William eram soldados de Sebastian. — não temeu ao falar isso.
Sebastian, assim como Danion, sentiu-se inquieto com a verdade merecida. William olhou para o amigo, sabendo que havia razão no que ouviram do loirinho.
— Não posso esquecer de como ele ajudou a defender a república dos Tigres, ainda que eu saiba que ele fez isso por você. — Octavio falou enquanto olhava para Edgar, este então concordando com ele.
— Ele também me salvou do Harry que começou a me assediar na lanchonete... Eu nunca falei isso pra vocês. — pausou ao se lembrar do péssimo momento. — E também quando enfrentou todos aqueles garotos no dia em que me pegaram. Ele consegue ser bom... Ele se esforça pra ser bom, eu percebo isso. — defendia o namorado, embora cabisbaixo. — Ainda que não justifique, Joshua bateu em Danion em vingança ao seu irmão, um dos seus... E quando você bateu nele, por qual motivo foi, Will? — perguntou e realmente esperou resposta. William a tinha, mas nada disse. — Como já falei, vocês só lembram do que ele fez ao Dan.
— Isso não quer dizer que Joshua e eu somos amigos ou que ele será amigo de alguém aqui. — William falou. — Tem razão ao dizer que fui até o Ninho bater nele por vingança. — nem todos presentes sabiam daquilo, por isso foi um choque a maioria. — Só me resta seguir minha vida, eu te deixei avisado e vi que você teve a coragem de aparecer ao Danion e explicar o que se passava. Não tenho nada contra você, Edgar, pelo contrário, ainda confio em você.
— Mas e eu? Será que eu também não posso opinar? — Danion quebrou o silencio que estava se instalando ao pouco quando ninguém mais sabia o que falar do assunto.
— Não! — Sebastian, Octavio e Ian disseram ao mesmo tempo.
Isso gerou gargalhadas de Colin, fazendo outros também rirem. Caine foi até o seu namorado na tentativa de controlá-lo. Danion realmente não tinha tanta voz assim, era sempre o motivo de piada dos colegas, mas todos presentes o amavam, exceto Sebastian, logicamente, que o tinha como cunhado e relutava para tê-lo na família, apesar de ter que engolir.
Esquecido o assunto Joshua, Edgar voltou para a cozinha e se juntou com Gale e Clara que comiam sem parar. Luke, Danion e Samuel também resolveram se juntar a eles.
Sebastian, Lydia, Caine e Octavio, satisfeitos também conversavam sobre o futuro enquanto William, Colin, Ian e Connor, próximos da escada, falavam sobre momentos engraçados.
Rick, Leo e Santiago estavam no antigo quarto conversando sobre tudo, principalmente atualizando o antigo membro dos leões. Santiago começou a falar mais, visto que Rickson era bom em fazer as pessoas se sentirem confortável, principalmente ao revelar sobre seu novo relacionamento.
Já estavam no início e logo mais a noite a festa, organizada por Danion, iria acontecer. William que esperava algo simples e entre amigos, não imaginava que metade da universidade havia sito convidada, assim como todos os moradores da Quadra.
— Acho que devemos recordar desse momento. — Lydia falou para Octavio.
— Tem razão! Faz tanto tempo que não tiramos fotos juntos, ainda tenho algumas guardadas em minha pasta.
— Eu estou cansado e com preguiça de me levantar. — Sebastian falou.
— Poxa, Seb, é só uma foto, aproveita que estamos aqui. Quero pelo menos ter uma foto grávida dentro da Quadra.
— Caine? — o ruivo tocou nos fios castanhos do irmão. — Não ache que nós esquecemos. É você quem decidirá o nome dele.
O pequeno olhou para Lydia, a garota sorria para ele.
— Isso é agora? — ele perguntou.
— Não sei, nós descobrimos ontem o sexo do bebê... Queríamos fazer uma surpresa, mas... Acho que não foi tão surpresa assim. — Lydia respondeu. — Eu estou feliz por isso, confesso que acreditei ser uma garota, mas não, vem um lindo garoto.
— Eu estou curioso pra saber como ele vai se chamar. — Octavio disse. — Então é o Caine quem vai escolher?
— Lydia e eu tínhamos quatro nomes. Dois para garoto e dois para garota. — o ruivo falou, explicando como haviam tomado a decisão.
— Amelia ou Anne. — a garota continuou. — Arthur ou Austin.
— Arthur. — Caine foi ligeiro na resposta, ainda que sem pensar muito.
Confortável com a resposta, Lydia acariciou a barriga. Foi ela quem havia sugerido este nome, enquanto Sebastian sugeriu Austin. Mas nada que o fizessem brigar por tantos dias após a descoberta do sexo do bebê. Qualquer que fosse a decisão de Caine, eles iriam acatar. Foi uma promessa que havia feito e Caine era alguém importante na vida de ambos, afinal, foi com Caine que eles entenderam bem como é viver em família.
— Por que Arthur? — Octavio perguntou, também feliz com a resposta.
— É forte. — foi só o que disse.
O ruivo tocou no ombro do irmão e em seguida beijou sua cabeça, abraçando-o e puxando-o para mais perto, assim podendo também reunir Lydia em seu abraço. A garota por sua vez acariciava a barriga sussurrando: “Arthur, é este o seu nome”.
— Arthur! — Octavio então gritou, conseguindo a atenção de todos. — O bebê vai se chamar Arthur!
Isso resultou em uma mistura de palavras sem fim, todos colocando-se ao redor de Lydia, que ainda sentada e sorridente, tocava sua barriga. Caine ficou feliz com a aprovação de sua escolha, ainda que não fosse uma atitude comum, já que os pais quem decidem o nome, mas serviu para desempatar a indecisão de Lydia e Sebastian o deixou feliz, usaria isso como história para o sobrinho quando este mais velho estivesse.
[...]
Sean assistiu por alguns minutos toda agitação na república de William. Ainda irritado pelo que Colin teria feito, ele desceu as escadas e evitou imaginar toda a felicidade de todos presentes naquela casa. Mas não era tão fácil, já que se ouvia gritos e festejos a todo instante.
— Cara, tá uma gritaria lá fora. — Kai, tentando assistir ao seu programa de TV favorito, que tratava-se de culinária, mostrou-se incomodado.
— Não vai fazer nada, Sean. — Brandon perguntou.
— O que quer que eu faça? — o moreno perguntou estando com os olhos semicerrados. — Que eu vá lá e acabe com toda aquela palhaçada?
Nenhum outro se atreveu a falar algo. Mas Sean, cansado de estar em sua república esperando, apenas levantou-se e abriu a porta. Foi quando viu todos se aglomerando em frente a república de leões.
— Não saiam daqui. — ordenou.
Ninguém o havia notado, exceto Colin que estando atrás de Octavio e Sebastian, não retirava os olhos dele. Foi quando o líder dos tigres tomou a coragem de se aproximar de todos eles e assim surpreender não só ao William, mas principalmente ao seu namorado, incapaz de sair de onde estava.
— Então é assim, vai mesmo se esconder? — Sean perguntou já tendo visto Colin.
— Tirem-no daqui! — Colin pediu, segurando na cintura do Octavio.
Se antes eles gritavam animados, agora estavam em silêncio tentando compreender toda a situação embaraçosa em que Colin se encontrava. Ainda que fosse uma surpresa grande encontrarem Sean ali.
— Fui eu quem pediu para que ele fizesse aquilo. — William colocou-se em sua frente.
— De quem mais seria a ideia? — Sean olhou para o loiro, encarando-o.
— Como nos velhos tempos... — Sebastian, metendo-se no meio dele e tocando em ambos os ombros do loiro e moreno, sorriu. — Que saudades que eu estava disso, confesso.
— Espera aí, mas Colin e Sean não estavam... — Rickson teria prosseguido se alguém não o interrompesse.
— Sim, Colin tá dando pro Sean. — Danion sempre buscando irritar o Colin. — Pra você ver como são as coisas. Dormindo com o irmão, que não é mais irmão, do seu melhor amigo. Gente, isso rende um filme. Vamos, briguem! — mostrava a sua especialidade: por álcool onde já havia fogo.
— É bom te ver, Sean. — Sebastian falou, ignorando o que o branquelo falou. — Melhor ainda é bom saber o que aconteceu entre você e William. — sorriu sem mostrar os dentes.
— Vamos, Colin, apareça. — o moreno, como era de se esperar, preferiu não falar em sua relação com William.
Colin em seu lugar ficou, dessa vez segurando na mão de Connor.
— Ótimo! Já que Sean está aqui, é um bom momento para tirarmos a foto. — Lydia, quebrando a tensão, falou agitadamente.
— Me retiro. — falou o moreno já dando as costas.
William tocou em seu ombro e ele imediatamente parou.
— Merecemos. — murmurou o loiro. — Nunca tiramos uma foto juntos.
Sean pensou, repensou e não teve como negar. Sean voltou a se virar para o loiro e ficou encarando-o. William mantinha no rosto um sorriso sincero, jamais visto em situações onde os dois estavam juntos.
— Não vá achando que somos amigos. — falou o líder dos tigres.
— Você disse que tem uma dívida comigo, não é mesmo?
— Não queria pagá-la com coisas idiotas. — ele revirou os olhos.
— Bem, esse ainda não é o pagamento. — e finalizou, afastando-se.
Foi então que todos começaram a se preparar para a fotografia.
Sebastian e Lydia se posicionaram para a fotografia, ficando ao centro. Ele segurando em sua cintura, enquanto ela posicionava as duas mãos na barriga. William ficou ao lado direito do ruivo, pondo as mãos no ombro do amigo. Connor ficou ao lado do líder dos leões, enquanto Ian resolveu se sentar em sua frente, fazendo o namorado inclinar o corpo e apoiar a mão em seus ombros. Rickson arrumou sua camisa havaiana e se posicionou ao lado de Connor. Samuel decidiu se afastar de Luke e por isso ficou ao lado de Octavio, enquanto o ex-morador do Ninho sentou-se no chão ao lado de Ian. Santiago foi puxado por Leonard e juntos ficaram próximos de Samuel, de mãos dadas. Danion, também optou por se sentar em frente ao ruivo, fazendo com que Caine sentasse entre suas pernas e fosse envolvido por seus braços, recebendo uma reclamação de Sebastian, mas que de nada adiantou. Edgar ficou de pé em frente ao Octavio, enquanto Clara, próxima dele, ajoelhou-se e fez com que Gale ficasse de pé tocando o seu ombro e Caleb ao lado dele.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Sean, para de palhaçada e se aproxima. — disse o ruivo já irritado.
O moreno estava distraído tentando saber onde Colin ficaria, apesar de imaginá-lo na frente pelo seu tamanho. Sean decidiu se aproximar, mas não colou em ninguém. Ele ficou próximo a Santiago que estava na ponta esquerda, tendo-o como melhor opção no momento por este já ter sido tigre um dia.
— Eu tiro a fotografia. — Colin que até então não sabia onde ficar, percebendo que ninguém havia percebido isso, se prontificou.
— Mas não vai ter sentido você não sair nessa fotografia. — William falou.
— Quem mais tiraria a foto? — perguntou olhando para trás. — Aliás, de quem vai ser o celular pra tirar a foto?
— O meu. — Lydia já falou estendendo a mão para ele.
O pequeno recolheu o aparelho já estando com a câmera aberta para uso. Ninguém, exceto William, foi contra a sua solidariedade em tirar a fotografia. Principalmente porque todos queriam sair na foto que serviria de recordação no futuro.
Posicionando-se em frente a todos eles, Colin ajustou a câmera de modo com que todos coubessem no enquadramento dela. Antes disso, o pequeno olhou para Sean. O moreno não sorria, apenas estava com as pernas um pouco afastada e as duas mãos nos bolsos de sua bermuda.
— Ei, garoto! — Lydia gritou para alguém parado na soleira da porta dos tigres.
Colin olhou para trás. Ele constatou ser Kai, o novo morador dos tigres. Sem que entendesse do que se tratava, Kai se aproximou.
— Faça-nos um favor e tire uma foto nossa, por gentileza! — ela pediu gentilmente já sorrindo para ele.
Kai aceitou sem pestanejar, tomando o celular de Colin sem permissão. O pequeno foi obrigado a se afastar e se juntar aos colegas. Por duas vezes pensou em ficar ao lado de Rick, mas sabia que não queria recordar dessa imagem estando longe de Sean, provavelmente se arrependeria.
Colin então caminhou até Sean, ninguém dando valor a isso, mas o líder dos tigres agradecia mentalmente a atitude do pequeno.
— Desculpe. — Colin falou baixinho para Sean.
Sean nada disse, apenas permaneceu olhando para a câmera. Ficando ao lado do namorado, Colin somente envolveu seu braço ao dele e olhou para a câmera do celular, sorrindo. Como era de se esperar, Sean não sorriu para a foto.
Mas ele não foi o único a não sorrir, simplesmente porque detestava sorrir em fotos, apesar do belo sorriso, o que era irônico para um futuro dentista. Santiago também não sorria em fotos, sempre ficando sério. Octavio e Ian não mostravam os dentes, apenas juntava os lábios e sorriam com os olhos.
— Prontos? — Kai perguntou sorrindo mais do que todos posicionados para a fotografia.
E a foto finalmente foi tirada, para ter certeza, Kai registrou mais de uma.
Foi épico, sem ódio e apenas com cicatrizes de um passado de rivalidades que fez de todos eles vítimas e vilões. Tigres, Leões e Águias reunidos em uma só foto da qual certamente seriam inspiração e indagação para as futuras gerações da Quadra Nove enquanto ela ainda existisse.
[...]
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