Notas iniciais
Entre quatro paredes. (Sugiro que escutem uma música quente que traz referencia ao sexo na parte do lemon).

A cada passo do pequeno, pequenas manchas vermelhas apareciam no amontoado de neve que se formou no trajeto até o bloco.

O Ninho estava agitado devido ao horário onde a maioria dos universitários saía para as suas aulas, enquanto Joshua e Edgar nem sequer pensavam em colocar os pés na universidade. Os dois acabaram sendo motivos de milhares de indagações entre os vários grupinhos que se formavam e olhavam para eles.

Edgar sempre de cabeça baixa, cobrindo-se ao máximo com o lençol ainda pensava dos momentos de terror que passou; o fato de começar a ser despido o levou ao desespero jurando que seria estuprado por vários garotos, logo bateram nele quando se negou a ter mãos e pés presos. Quando colocaram em seu rosto uma folha de papel sem que ele soubesse do que se tratava, ninguém havia percebido que estava impedindo a sua respiração e logo em seguida sentiu suas costas serem machucadas, deduzindo apenas algumas letras como o “L” e “N”. Mesmo sendo a caneta, o agressor não notou que a pressão em sua pele acabou machucando-o, fazendo com que sangue fosse resultado do ato cometido por Noah.

O ruivo foi o primeiro a entrar no bloco pedindo para que todos que ainda estivessem ali saíssem imediatamente. Levando em consideração o estado deturpado em que Joshua se encontrava, os poucos ali presente largaram o que tinham para fazer e saíram. Mas uma, em especial, apenas descruzou as pernas e ficou de pé.

Edgar rapidamente baixou sua cabeça e se escondeu atrás de Joshua, ele já não mais aguentaria uma nova tortura.

— Tudo isso por quê? Por causa desse garotinho? — Megan o encarou.

Joshua nada disse, mas logo tornou-se defensivo e afastou-se da garota. Ele olhou ao redor temendo ter que lutar novamente, embora todo machucado, estava se preparando.

— Eu não vou fazer o que seu irmão fez, não se preocupe. Eu estou aqui para me despedir de você, apesar de tudo.

— O que quer dizer com isso? — O ruivo perguntou.

— Estou indo embora e para um lugar bem melhor do que esse. Embora porque sou fraca e reconheço isso. Desde que sua máscara caiu, revelando que você gosta de garotos, fui motivo de piadas pela universidade. Até meus pais souberam disso, Joshua. Incluindo o fato de você ser soro positivo, o que reforça a hipótese de que vocês, gays, são promíscuos. Seu irmão estava tendo surtos e eu passei a ter medo dele, sabia que ele não tinha bons planos e eu discordei de vários, até os que incluíam retirar a sua vida ou espancar até a morte esse garotinho.

— Megan, eu...

— Não quero ouvir explicação sua, Joshua. Não estou aqui para isso. — Interrompeu — Tudo o que eu precisava ver foi o suficiente para saber que seu irmão fez um ótimo trabalho. Minha vontade é pedir para que te derrubem, Joshua. E você entende ao pé da letra o que quero dizer. Estou com tanto ódio de você a ponto de realmente matá-lo, mas não farei isso. Simplesmente irei seguir minha vida longe daqui, longe de você. Eu estou limpa, fiz o teste.

— Eu tomei todos os cuidados possíveis.

— De qualquer forma me deixou correr o risco, sem me dar opção se eu queria corrê-lo ou não. Mas quem quer saber? Você seria a última pessoa a se importar com isso. Nunca se importava comigo e, em todas as nossas discussões, nunca vi ninguém mais frio que você e foi por isso que te traí uma vez. Você é a pior pessoa do mundo para se relacionar e, sinceramente, não sei como consegui durar tanto tempo.

— Talvez pelo fato de conseguir o que queria: destaque e poder. — Ele olhou para a porta ainda esperando um ataque surpresa.

— Tem razão. — Megan caminhou até a poltrona em que antes sentava e apanhou uma mala. — E por perder o destaque e o poder, da mesma forma que você perderá em breve, estou indo embora. Não vale à pena permanecer em um lugar onde todos irão te confundir com uma traída. Espero que você morra, Joshua.

Dito isso, Megan caminhou até a porta, pediu ajuda e olhou para trás uma última vez antes de desaparecer após a porta ser fechada.

Edgar finalmente saiu de onde estava e se colocou à frente do ruivo, esforçando-se para olhar em seus olhos. Mas Joshua mantinha os olhos fixos na porta por onde Megan saiu. Ele simplesmente não sentia remorso algum, mas sentia-se estranho. Talvez pelo tempo de convivência com a garota e pelos bons momentos que tiveram juntos, mas nada sentia além disso. Nem ao menos sabia se saudades sentiria.

Joshua sentiu seu dedo ser puxado pela mão de Edgar.

— O que sente? — Ele perguntou.

— Livre? — O velho homem sem rancor.

— Não deveria. —Abaixou a cabeça.

— Não consegui amá-la como deveria amar. Talvez tenha só me acostumado, o que acontece com a maioria dos casais de hoje em dia.

— Ela parecia gostar bastante de você. Não é certo o que você fez.

— Você também seria um dos alvos dela, loirinho. —Joshua deu as costas atravessando o corredor.

— Ser alvo dela não está em questão. Só acho injusto você conviver tanto tempo com ela e simplesmente a deixar ir. Mas tudo bem, eu não devo interferir em um problema seu.

Percebendo que não iria obter respostas, Edgar encerrou o assunto e seguiu o ruivo.

Joshua já estava no banheiro e com a porta aberta, sua roupa, amarrotada, suja e com sangue, estava jogada no chão, cada peça em um lugar. Edgar só teve tempo de vê-lo dentro do box de vidro fosco, tendo a oportunidade de observar aquela silhueta.

Joshua sentiu alguns ferimentos arderem, mas aguentava a dor em seu silêncio. Sentia a presença do loirinho ali, mas optou por ficar de costas tomando o seu banho. A água limpa que saía do chuveiro passava por seu corpo e tornava-se vermelha em questão de segundos, levando embora a maior parte do excesso de sangue.

Edgar permanecia de pé apenas cobrindo seu corpo com o lençol que Luke tinha conseguido para ele. O loirinho não retirava os olhos do box do banheiro observando Joshua tomar banho, embora fosse somente possível ver sua silhueta. O viu passar a mãos pelos cabelos e logo em seguida ouviu um gemido que Joshua deixou escapar, certamente de algum ferimento.

Foram exatos sete minutos dentro daquele box e o ruivo saiu de lá enrolado com uma toalha na cintura. Edgar não retirou os olhos de Joshua que parou a um metro dele, também o observando. O corpo castigado pelas marcas da luta deu novas cicatrizes ao ruivo, novas tatuagens iriam ser feitas, provavelmente.

Edgar caminhou até passar por ele e parar na entrada do box, ele deixou o lençol cair do seu corpo. Joshua sentiu-se como na primeira vez que viu o loirinho despido, ainda realizando a atividade na mata onde haviam se aproximado mais. Novamente Edgar estava despido sem constrangimento algum, diferente de quando está bêbado, o que é irônico.

— Não entre aí... — Joshua disse, olhando-o nos olhos. Edgar não conseguiu compreender. — Tem o meu sangue e eu tenho medo...

— Joshua, e-eu...

— Por favor, me ouça. — Olhou para a banheira.

Edgar não mais contestou. Vendo que a banheira estava utilizável ele simplesmente pôs o primeiro pé e sentiu seu corpo aquecer devido à temperatura, estava aconchegante. Tendo seu corpo submergido, repousou sua cabeça.

Joshua apertou sua toalha na cintura, puxou um banco e sentou-se ao lado do garoto, dando todo o suporte para o banho. Edgar o olhou antes de sentir as mãos ásperas do ruivo tocar a sua face. A mesma mão que machucou vários garotos... A mesma mão que inseriu a seringa em Noah.

O ruivo retirou o excesso da cola que usaram para colar a imagem de Kelvin no rosto do loirinho e logo lavou os seus cabelos.

— Eles te machucaram muito? — Joshua perguntou.

Edgar afirmou com a cabeça.

Embora não se comparasse com a surra que Joshua tinha tomado, Edgar nunca passou por um momento daqueles. A forma como foi abordado doeu, principalmente quando queriam retirar suas vestes tendo que submetê-lo a alguns tapas.

— Minhas mãos queimam para voltar lá e acabar com tudo.

— Eu não queria que fizesse isso...

— Se eu não fizer, eles podem querer dar continuidade.

— Por que eu acabei envolvido nisso? — Edgar perguntou ao sentir que era o momento.

— Eu não faço ideia. — Mentiu.

Joshua sempre soube, na verdade.

O ruivo levantou-se assim que respondeu a pergunta, buscou por uma nova toalha e voltou. Edgar já estava de pé, molhando todo o piso.

Com a toalha em mãos o loirinho se enxugou no banheiro. Ele caminhou sozinho para o quarto e, ao abrir a porta, viu Joshua acabar de vestir uma cueca, dando tempo de ver boa parte de sua nádega.

Joshua se virou revelando todo o seu corpo e as tatuagens, mas nada chamava mais atenção que as cicatrizes em seu corpo. Puxou da cama um calção de tecido fino e o usou, quando menos esperou Edgar já estava ao seu lado, tocando o seu abdômen, avaliando a nova cicatriz que ganhou.

— Não se preocupe, é só mais uma. — Joshua disse, vestindo um moletom marrom, tendo dificuldade para encaixar o zíper e fechá-lo.

Edgar então tomou o zíper em mãos e o abriu, fazendo Joshua exibir mais uma vez o abdômen nu e machucado.

— Como eles podem ter feito isso? — Perguntou erguendo sua cabeça e olhando para Joshua.

— Eu fiz um estrago maior.

— Seu corpo está todo machucado. —Dessa vez tocou com os dedos a cintura do ruivo, dando alguns passos até notar também suas costas machucada com alguns arranhões.

— Não se preocupe, eu já ando preparado para ferimentos assim.

Joshua afastou-se do loirinho, e de uma caixa em cima da TV retirou um gel cicatrizante pela metade. Após passar um pouco no indicador, ele passou sobre o ferimento que mais chamava atenção em seu abdômen.

Edgar novamente ousou se aproximar do ruivo e tomou o gel, mas quando pensou em passar em seus dedos Joshua segurou sua mão.

— Loirinho, eu sou soro positivo.

— Eu não me importo com isso.

— Mas eu sim. Por isso prefiro que você evite o meu sangue.

Já sabendo onde estava a caixa de primeiros socorros, Edgar ajoelhou-se com a toalha enrolada em sua cintura e a encontrou debaixo da cama. De lá, retirou uma única luva, voltou para o ruivo e aplicou o gel em dois de seus dedos, posicionado atrás de Joshua, ele aplicou sobre um ferimento, após levantar parte do seu moletom.

Joshua estava impressionado com a força de vontade que o loirinho buscava somente para tratar de seus ferimentos, mesmo que estes não fossem tão graves. Sem poder tomar qualquer atitude diante daquilo, Joshua se desfez do moletom e apenas sentiu a leveza dos toques de Edgar em seu corpo.

Edgar aplicava o gel delicadamente, demonstrando uma espécie de carícia na pele do ruivo. Mesmo que sentisse frio e não tendo roupa alguma, mantinha-se no controle somente para cuidar do Joshua.

Joshua se virou e o olhou, mas Edgar vivia a procurar por ferimentos em seu corpo.

— Por que se importa tanto comigo? — Joshua não deixou de perguntar.

— Eu tenho medo de você.

— Isso não é resposta para minha pergunta.

— Na verdade é. — Edgar então retirou a luva e olhou para ele — Estou superando meu medo.

Sem respostas, Joshua novamente vestiu seu moletom e tomou da mão de Edgar a luva que ele usou para aplicar o gel em seus ferimentos.

— Eu tenho uma dívida com você. — Edgar completou.

— Gritou pelo meu nome enquanto eles te agrediam.

As bochechas ficaram ruborizadas, só não ficou mais constrangido por lembrar-se do desagradável momento tendo suas roupas retiradas de seu corpo.

Parecia uma disputa para ver quem deixava o outro sem palavras. Joshua sentou-se no banco e ligou a TV, ainda se esquecendo de que ela não recebia sinal algum. Segundos depois a desligou.

Vendo que novas roupas estavam sobre a cama, Edgar ousou vesti-las. Como era de se esperar, a camisa parecia um vestido, sendo maior que a outra, essa chegava à altura de seus joelhos, vermelha com um número 2 enorme estampado atrás na cor preta.

Edgar olhou-se no espelho e pelo reflexo ficou por alguns segundos observando Joshua de cabeça repousada nos braços.

Ainda nem chegava próximo do meio dia e ambos sentiam-se exaustos. Edgar não mais queria sair daquele quarto e novamente enfrentar os brutamontes. Tinha certeza de que aquilo não teria seu fim ali.

— Eu sou realmente um monstro pra você? — Joshua levantou a cabeça e o encarou também abusando do reflexo do espelho.

Foi como um ataque surpresa, Edgar sentiu as pernas travarem. Como se estivesse engasgado, ele tentou proferir algo, mas aquilo soou estranho e ele se repreendeu por ser tão idiota.

— É sobre ter feito aquilo ao seu irmão? — Foi só o que conseguiu perguntar.

— Você me chamou de monstro por três vezes.

— Eu não concordo com o que você fez. — Abaixou a cabeça.

— Está com raiva?

Ainda de cabeça baixa, Edgar precisou de tempo para pensar.

— Queria poder estar.

Joshua só não deu continuidade ao diálogo quando alguém bateu à porta do seu quarto. Ele se levantou e foi atender. Pela proximidade do armário, abriu a segunda gaveta e retirou de lá um canivete. Assustado, Edgar foi para o outro lado da cama, o mais longe possível do ruivo.

Ao abrir a porta, Joshua se deparou com um garoto morador do bloco. Edgar somente ouviu alguns sussurros e viu quando o ruivo saiu do quarto sem antes dizer para onde iria.

Com medo de sair dali, Edgar somente se deitou na cama e se cobriu o máximo que podia, temendo o frio. Não era fã de travesseiros e só usava para abraçá-los, por isso o deixou ao lado do outro.

Sentiu, pela primeira vez, falta do seu celular que se perdeu naquela confusão. Um minuto apenas se passou e já sentia falta da presença de Joshua naquele quarto.

Procurando ocupar seus pensamentos, Edgar tentava imaginar como estavam as coisas dentro de sua república agora que sabiam que ele e Joshua eram próximos, apesar de suspeitarem após a notícia no Jornal da Quadra. Lembrou-se perfeitamente de como Danion reagiu, mas não conseguia culpar o branquelo... Na verdade não sabia se conseguiria encará-lo, mesmo achando correto ir conversar com todos e explicar o que vinha acontecendo. Estando no lugar de Danion, talvez nem teria assistido à briga, simplesmente sairia dali e deixaria tudo acontecer. Também deveria ir agradecer ao Caine e Colin pela ajuda que recebeu.

Nesses pensamentos foi abraçado pelo sono que o tomou por completo.

Com quinze minutos passados desde que Edgar dormiu, Joshua finalmente retornou ao quarto. Ele ia dizer para o loirinho que havia feito algo para comerem, mas não tinha noção do tempo perdido enquanto conversava com Hugh sobre o ocorrido, ditando novas regras.

Sem querer acordá-lo, Joshua aproximou-se da cama e se deitou. Repousou a cabeça sobre os dois braços, deixou uma de suas pernas formando um “V” e ficou fitando o teto.

Não era um lunático, mas costumava conversar consigo, com o “eu” do passado, no velho Joshua que foi enterrado. Perguntava-se como seria se ainda sentisse algum remorso pelo irmão, por Megan o por todos aqueles que um dia já machucou. Porque nada disso se tornou um problema e o que fez com o irmão não foi sua culpa e sim parte das consequências tomadas pelo outro.

— Ele não é um monstro, você não pode falar assim dele. — Edgar falava bem baixinho e manso. Sua voz declarava que ele defendia ferrenhamente Joshua.

— O que? — Joshua perguntou e olhou para o loirinho que estava de costas.

— Não, não, ele emana luz. — Disse mais uma vez, dessa vez muxoxo.

— Que merda você tá dizendo? — Joshua achou que aquilo era uma espécie de brincadeira.

O ruivo não obteve resposta alguma depois da pergunta. Foi quando Edgar se remexeu na cama, virando-se. O seu braço foi diretamente ao tórax do ruivo e sua perna repousou sobre a coxa de Joshua. Encolhendo-se no corpo do ruivo, ele afogou o rosto próximo da axila do maior. Edgar ainda estava dormindo.

— Oh, céus, você fala enquanto dorme. — Murmurou o ruivo.

Joshua desceu um braço seu e o repousou nas costas do loirinho, acariciando a região. Seu outro braço foi até os fios dourados do garoto, retirando o excesso de cabelo de sua resta, encontrando um ferimento que até então não tinha notado.

— O que você tá fazendo comigo, loirinho? — Indagou para si mesmo antes de fechar os olhos.

[...]

— Ian, Ian, Ian! — Connor gritava.

Ele tinha acabado de sair o banho, estando apenas de cueca corria pela casa, deixando pegadas molhadas por onde quer que passasse.

Ian estava na biblioteca da casa, como era de se esperar, estudando. Não tinha ouvido Connor gritar por seu nome já que se mantinha fixo na leitura. A mesa em que se encontrava estava tomada por livros de diferentes tamanhos, metade deles já lidos, mas que de alguma forma iriam ajudá-lo.

— Não terminou? — Connor perguntou ao parar na soleira da porta. Nesse momento Ian já tinha então notado que ele estava ali.

Retirou seus óculos e se sentou, finalmente. Suas costas doíam e só agora tinha percebido isso.

— Só estou revisando... Prefiro garantir que irei me sair bem.

— Não vai comer? Estou morto de fome. — Indagou com o melhor sorriso que tinha.

— Você tem as chaves daqui, Connor. Poderia muito bem ir sozinho.

Como um chute, Connor sentiu a grosseria do namorado. Somente coçou a cabeça e deu as costas.

Ian não tinha noção do quão rude foi. Na verdade, ele nem imaginou ter sido rude. Mas a tensão que estava sentindo naquele momento fez com que jogasse aquelas palavras de maneira errada.

— Me desculpe... — Pôs a mão sobre a face. — Odeio estudar, mas dependo disso.

Connor virou-se, mas não sorriu.

— Você briga comigo por ser irresponsável demais, mas não percebe que toda a responsabilidade que tem acaba me afastando de você. Aceitei ficar aqui com você, mas quase não tem tempo para mim. Melhor eu voltar pra república, sabe? Sinto falta de lá e até tiro a poeira do meu videogame.

Dito isso, Connor tentou sorrir para o namorado, mas não conseguia. Ele passou a caminhar sozinho pelo mesmo corredor onde deixou suas pegadas molhadas. Acabou indo para a sala e sentou-se no sofá, olhando para a parede, mas com os pensamentos bem longe dali.

Ian não tinha percebido que estava entristecendo o namorado. Porém, sabia que Connor tinha razão ao falar aquilo. Há dois dias somente estudava, tendo tempo apenas para comer em pequenos intervalos com Connor e dormir. Não recordava de uma única vez que ficou conversando com o namorado.

Amanhã seria sua prova e certamente deveria tomar esse dia para descansar. Mas os níveis de estudos a cada período aumentavam e ele sentia-se louco. Ser estudante de direito não era fácil.

Ian fechou seu livro e saiu da biblioteca. Seguiu as pegadas deixadas por Connor até encontrá-lo sentado na sala. Deu mais alguns passos e sentou-se no chão, encostando seu corpo no sofá.

Connor assustou-se com a presença do namorado ali, mas nada disse. Ficou brincando ao esfregar sua mão. Logo depois buscou pelo casaco jogado no sofá e o vestiu, estava sentindo falta de uma calça já que passou a sentir frio.

— Eu não tinha percebido que você estava triste comigo. — Ian pôs seu braço no joelho do namorado.

Connor não conseguiu falar nada.

— Nunca me senti tão ridículo por ter feito isso. Estive tão focado nos meus estudos que acabei me esquecendo de você. O meu maior pecado. Pedi para que viesse comigo aqui já que a nossa república não me deixa estudar em paz e tudo o que fiz foi te deixar sozinho. Isso é porque ainda nem trabalho e já estou agindo dessa forma.

— Eu sei que você estuda muito e tem um sonho, eu não deveria ficar triste com isso.

— Relacionamentos exigem sacrifícios. Logo eu que tento parecer tão inteligente, fui burro a ponto de não perceber isso.

— Você não é burro, Ian...

— Nós temos um sonho, planejamos ter uma família e antes disso acontecer eu já meio que me tornei uma pessoa ausente por conta dos estudos, como disse, imagina se eu trabalhar? Não posso fazer isso com você.

— Você está terminando comigo? — Era o maior medo da vida de Connor e por quase nunca compreender as palavras do namorado, perguntava isso.

— Não sou capaz, eu já te disse. Ninguém nunca me fez tão bem como você, apesar de ser um pouco desligado e viver no mundo da lua. Só estou dizendo que vou consertar esse meu erro. Preciso reconhecer que agora vivo uma vida a dois. Tenho você.

— Ei, não fala assim que eu choro! — Connor socou levemente o braço do namorado.

— Você é especial, Connor. Qualquer um teria gritado comigo ou então faria um drama daqueles quando percebesse que eu não estava dando a devida atenção. Você respeitou meu momento acima de tudo e só depois contou o que estava acontecendo. Sabe, eu acho que sou o cara mais sortudo do universo. Somos tão diferentes, mas tudo em você me deixa cada vez mais apaixonado.

Ian olhou para Connor que já tremia de frio, felizmente voltando a sorrir.

— Vou me esforçar, tudo bem? Eu prometo que irei manter um equilíbrio sobre minhas vontades e as suas vontades.

— Isso significa que iremos almoçar agora? É sério, eu estou faminto! — Resmungou, fechando um só olho e fazer uma expressão engraçada.

Ian dessa vez sentou-se no sofá e segurou o rosto do namorado, roubando-lhe um quente e demorado beijo. Connor somente se acomodou mais no sofá para então conseguir uma posição confortável e corresponder ao beijo da melhor maneira.

Numa pausa ele sorriu.

— Porque tudo em mim ama tudo em você. — Connor cantarolou uma frase da música que usou para declarar seu amor no baile de máscaras. All of me.

Ian ficou de pé e segurou nas mãos do namorado, fazendo-o se levantar. Connor o seguiu até que os dois novamente voltassem para a biblioteca da casa.

— Vai estudar novamente? — Perguntou, agora mais confuso do que já era.

— Sim, o seu corpo.

— Como? O que meu corpo tem em relação com o seu curso?

Ian balançou a cabeça e sorriu. Ele adorava essas perguntas idiotas feitas pelo namorado, mesmo que em certos momentos fossem capaz de lhe arrancar a paciência. Porém, era marca registrada de Connor e odiaria se um dia ele parasse de ser assim. Com certeza seria o melhor pai do mundo para os seus filhos.

Como era sempre a pessoa que costumava tomar atitudes dentro daquele relacionamento, não seria diferente nesse momento.

Ian jogou Connor na cadeira ao lado da mesa e ajoelhou-se, colocando-se entre as pernas do namorado. Foi só ali que Connor conseguiu compreender toda a situação, chegando a relaxar seu corpo e somente olhar para Ian puxar sua cueca até esta repousar em seus pés.

Ian olhou para ele e sorriu, Connor não conseguia dizer nada mais uma vez. Um único toque em suas coxas foi o suficiente pra despertar o que antes dormia. E, dadas às circunstâncias, Ian teria que ir até o fim. Connor conseguia ser mais inteligente que qualquer pessoa enquanto transando.

Novamente de pé, Ian retirou suas roupas debaixo, permanecendo com a camisa e o casaco. De costas, segurou o falo já ereto de Connor e com a própria lubrificação oferecida pelo namorado, preparou-se.

— É sempre uma tortura ver você dizer que dói. — Connor não escondeu as palavras.

— Lembra-se da nossa primeira vez e o que eu te disse?

— Não...

Ian já imaginava essa resposta.

— Essa é a menor das dores que irei suportar por você.

Finalizou já sendo penetrado pelo namorado, suportando cada centímetro e finalmente encostando sua nádega nas coxas de Connor. Relaxando, Connor enfiou as mãos debaixo das vestes do namorado e o segurou pela cintura, Ian repousou sua cabeça no ombro do namorado e esperou um pouco.

— Por que isso agora? — Connor perguntou.

— Eu preciso relaxar, preciso de um momento assim.

— Me dá um livro desses, preciso urgentemente me estressar estudando e relaxar dessa forma.

Ian deixou escapar uma risada leve, mas audível. Connor retirou sua mão da cintura de Ian e acariciou a testa do namorado, brincando com seu cabelo logo em seguida.

Ian quem se encarregou de se mover tendo o membro dentro de si. Reconhecia que em circunferência, Connor era um monstro, era sempre necessário relaxar tempo suficiente para então receber prazer.

No sinal, Connor rebolou e isso gerou um prazeroso movimento em Ian que até gemeu baixinho. Adorava essa posição e sentia bastante prazer nela, embora transar de pé também fosse um das suas preferidas.

Ian tocou o próprio membro e iniciou uma masturbação sendo agora penetrado com frequência pelo namorado que não parava de dizer palavras bonitas em seu ouvido.

Connor e Ian não somente transaram na biblioteca, dali partiram pro corredor e só tiveram fim no quarto.

[...]

Se o tempo permitisse — e ele permite — Colin e Sean permaneceriam naquela mesma posição por horas. Colin até tirou um breve cochilo quando Sean ficou em silêncio, também tendo cochilado.

Colin estava deitado ao lado do moreno, sendo amparado pelo braço livre do moreno que fazia carícias em sua cintura. Sua cabeça estava abaixo do queixo do moreno e Sean fazia questão de levar o nariz algumas vezes aos cabelos castanhos de Colin e ali depositava alguns beijos.

Nos minutos seguintes eles finalmente conversaram sobre tudo o que aconteceu enquanto separados. Colin foi o primeiro a abrir o livro de decepções contando como foi difícil olhar para o William e todo o momento após a descoberta onde acabou envolvendo todos na república. Contou mais do dia em que seu pai quase morreu e como reagiu ao acidente do Sean.

Sean então contou como foram os dias com Colton tentando de alguma forma ter algo com ele.

— Teve dias em que ele apareceu aqui de madrugada e pensou que eu iria aceitar transar. Até tentar me beijar ele tentou.

— E isso não aconteceu? — Colin ousou perguntar, temendo ouvir a verdade.

— Mesmo com todos os subornos, eu nunca abaixei a calça pra aquele filho da puta. Meu pau jamais levantaria.

— Eu reagi muito mal quando vi vocês dois juntos aquele dia aqui e também no baile. Estava com muita raiva, Sean. Se eu tivesse com uma arma na mão, só eu sei do que seria capaz.

— Você beijou o Luke...

— Por que não me impediu?

Sean não conseguiu ter respostas. Admitiu até sentir falta daquilo, Colin era o único a conseguir roubar suas palavras. Mas também não estava contente, afinal, odiava Luke tanto qualquer outra pessoa da Quadra.

— Então eu tenho um passe livre para beijar alguém?

Colin fez questão de inclinar sua cabeça e olhar nos olhos de Sean — olhos que sorriam. Mas o moreno desceu seus lábios e, com dificuldade, o beijou. Colin mordeu propositalmente o lábio do moreno, que gemeu de dor e afastou-se.

— Lembre-se disso quando pensar em beijar outra pessoa.

O moreno sorriu. Colin levou seus olhos ao aquecedor no quarto de Sean e depois brincou com seus dedos no abdômen do moreno, fazendo pequenas carícias já que ambos estavam tomados pelo silêncio.

— Ouviu isso?

Sean perguntou e Colin o olhou desentendido até então perceber que alguém batia na porta. Colin quem ficou de pé.

— Deve ser o homem que estava aqui antes de chegar. Você ainda não me falou quem é. — Colin deu as costas indo ao corredor.

Sean ficou pensativo, mas nada disse. Ele mesmo forçou-se a ficar de pé.

Colin chegou à sala e novamente sentiu a nostalgia de dias passados quando ajudou Sean a pintar uma das paredes. Logo, parou em frente à porta e a abriu. Quase caiu no chão por tamanho susto tomado: William.

William também tomou um susto ao ser atendido por Colin e ambos logo notaram a indiferença diante daquela situação. Colin levou seus olhos para Octavio, que também estava ali. Os dois tinham acabado de chegar do estágio, notava-se pelo jaleco preso nos braços de ambos.

— O que será que ele vai aprontar dessa vez?

Colin ouviu aquela voz e se deparou com Nate guardando as chaves de carro no bolso.

Para piorar a situação, um carro escuro estacionou ao lado do carro de Nate e de lá Colin viu Suzana, a mãe de Sean, e ele odiou eternamente aquele momento, mas estranhou quando viu também o homem que atendeu Colin antes dele chegar ali.

— O que é isso aqui? Quem os convidou? — Suzana imediatamente perguntou ao pôr os pés dentro da casa, empurrando Colin.

— Suzana? — Nate indagou.

— Oi, Nate. — Ela disse, o olhando da ponta dos pés à cabeça.

— Que bom que chegaram. — Sean disse ao se posicionar atrás do sofá.

Como era de costume, Sean sempre foi o centro das atenções, seja isso por beleza ou pela presença chamativa.

[...]

Perto das 17hrs, Joshua ainda estava dormindo. Ele só acordou porque ouviu murmúrios vindos da sala, já que a porta do seu quarto estava aberta. Ele então notou que Edgar não estava em sua cama e a voz vinda de lá soava parecida com a dele: leve e calma, como se o mesmo estivesse sob efeito de calmante.

O ruivo, quando descobriu que horas eram, perguntou-se como tinha dormido tanto. Mas não estranhou já que pela manhã tinha se envolvido numa briga que acabou deixando-o extremamente exausto. Também só agora sentiu as dores involuntárias espalhadas pelo seu corpo, principalmente na região das costas. A maçã de seu rosto estava roxa, devido ao soco que ele tomou na região.

O ruivo sentou-se na cama, já pondo as pernas pra fora. Já tinha parado de nevar e ele notou isso através da janela posicionada no corredor em frente à porta do seu quarto, já que no cômodo não existiam janelas.

De cabeça baixa e coçando os olhos, Joshua tentou ouvir parte da conversa do loirinho.

— Não diga que me ama, por favor.

Foi só o que conseguiu escutar e dali deduziu tudo. Só não se reconheceu ao sentir uma fisgada em seu coração, voltando a se jogar na cama, levar suas mãos ao rosto e respirar fundo após fitar o teto.

Dez minutos se passaram e finalmente Edgar entrou no quarto em silêncio e cabisbaixo.

Joshua permanecia deitado e viu o loirinho parar entre suas pernas.

— Desculpa, eu tive que pegar emprestado.

Joshua estendeu a mão e tomou o celular do loirinho. Já de pé, Joshua retirou algumas sujeiras de cima do seu armário e não olhou mais para Edgar, que ainda estava de pé observando-o.

— Está tudo bem? — Perguntou o loiro.

— Por que não? — Respondeu.

— É que...

— Estou bem. — Soou grosseiro e saiu do quarto.

Edgar até levantou as suas sobrancelhas e ficou com os lábios entreabertos. Preferiu acreditar que aquele era o típico mau humor de quem acaba de acordar.

Ficou por poucos minutos no quarto até tomar coragem de sair dali e procurar pelo ruivo que estava na cozinha. Ao chegar lá, Joshua segurava nas mãos uma garrafa de vinho, ainda abrindo-a.

— Posso usar o banheiro? — Edgar perguntou.

— Sim. — Disse, ríspido sem olhá-lo.

Edgar recuou e deu as costas. Ele foi ao banheiro com várias interrogações em sua mente, perguntando-se o porquê do ruivo estar tratando-o daquela maneira, já que antes de dormirem, Joshua estava super atencioso e, agora, o tratava rispidamente.

Tomou o seu banho demorado e de banheira, evitando molhar os cabelos.

Ao final do banho, Edgar vestiu as mesmas roupas e caminhou novamente até a cozinha. Lá encontrou Joshua com uma taça e gelo. O ruivo fazia questão de não olhar em seus olhos.

— Tenho fome... — Baixo, pronunciou-se.

— A cozinha é toda sua, caça algo e come.

Edgar concordou com a cabeça e atravessou o balcão com alguns utensílios para cozinha, perdido ele tentou abrir o armário, só que esse era maior do que ele e foi obrigado a ficar na ponta dos pés, mesmo tendo seus 1,70m de altura. Ao abri-lo, não se preparou para o que aconteceu; cerca de dez sacos de molho pronto caíram sobre o corpo do loirinho, por sorte todos estavam fechados e uma bagunça maior não se formou.

— Droga, loirinho! — Joshua disse, irritadiço ao se levantar e apanhar saco por saco, colocando-os sobre o balcão.

— E-eu não sabia...

— Perguntava.

— Você não está me dando esse direito. — Atirou, finalmente.

Joshua até parou de se mover ao notar o peso da voz de Edgar. O ruivo se virou para encará-lo, mas como era de costume, Edgar abaixava a cabeça. Ele não conseguia encará-lo por muito tempo. Era sempre o mesmo medroso de sempre diante daquele corpo dez vezes maior que o seu.

— Desculpe-me. Eu devo pôr tudo no lugar. — Deu o primeiro passo antes de se aproximar do balcão.

— Eu estou perdendo o controle com você aqui. — Admitiu o ruivo.

— Quer que eu vá embora?

— Não é isso.

— Então o que é?

— Eu ouvi sua conversa no telefone e isso de alguma forma me deixou irritado. Eu não devo.

— Por que não deve?

— É melhor esquecermos isso. Vou fumar, não me siga. — E deu as costas.

Mas no segundo passo, Joshua ouviu a voz do loiro fazendo a pergunta mais ousada de sua vida:

— Está com medo?

— Não me provoque, loirinho. — Fechou um punho.

— Então porque está agindo assim? Eu não te fiz nada.

— Eu posso ser doentio como o meu irmão quando se trata de alguém que eu goste.

Joshua estava deixando nas entrelinhas o seu interesse por Edgar, que ainda não havia percebido que ele tinha ciúmes dele com o ex-namorado.

— Quer que eu volte a te chamar de monstro? Por que estamos discutindo, Joshua? Tudo isso porque eu estava usando o seu telefone para pôr um fim definitivo com o garoto que me traiu? Ele estava vindo me visitar, eu não quis. Eu disse que estou gostando de outro.

— Loirinho...

— O que mais posso fazer pra provar que estou pronto?

— Do que está falando? — Ainda de costas, Joshua indagou.

Edgar, pobre Edgar... Estava pondo a mão no fogo e querendo se queimar. Diante de toda a tensão sexual existente entre os dois naquela cozinha, ele mostrava a sua ousadia diante da pessoa que mais temia. Alguém que começou a se apaixonar desde o momento em que Joshua abriu parte do baú de mistérios que era; o monstro que dormia embaixo de sua cama: Joshua.

— E-eu quero transar com você. — Revelou o mais íntimo do seu desejo.

Uma vez que bêbado ele teve essa coragem de revelar e, agora sóbrio, revelava mais uma vez.

— Não sou como o seu namorado.

— Ex-namorado.

— Não brinque com isso...

— Mostre. — Murmurou, tocando as costas de Joshua.

O simples toque foi o suficiente para despertar, mais uma vez, o monstro adormecido no interior de Joshua. Porém, dessa vez, ele não estava ali para machucar — ou iria. Mas seu poder na cama não era comum.

Joshua virou-se de supetão, assustando Edgar que quase saltou ao ter sua cintura tomada pela mão do maior, ser lançado contra o balcão e, após o braço do ruivo derrubar tudo que tinha em cima, ergueu o corpo do loirinho pondo-o sobre, segurou os dois joelhos do menor e, bruto, os afastou, colocando-se entre eles até que pela primeira vez pudesse sentir os lábios de Edgar.

Edgar era tão fraco que imediatamente deixou escapar um gemido.

Com as mãos já envoltas na cintura de Edgar, ele o puxou tão brutamente que Edgar sentiu o impacto do seu corpo contra o do maior. Nisso, o loirinho denunciou a sua excitação formando-se.

Edgar desceu um pouco sua cabeça para a esquerda até ter seu pescoço tomado pelos lábios do ruivo que, sendo o bruto que era, sugou a região. Aquilo em questão de algumas horas se tornaria roxo depois do vermelho que ficou.

— Jo...

Joshua levou sua mão à boca do loirinho, impedindo-o de falar algo. Ele o olhou nos olhos e Edgar entendeu o recado. Teria que ficar em silêncio até que fosse permitido falar.

Joshua voltou novamente a tomar os lábios do loirinho com um beijo carregado de tesão, com uma vontade incontrolável que chegava a causar medo em Edgar.

O ruivo ergueu o loirinho, segurando-o com um único braço. Foi até a mesa e buscou pela taça de vinho com gelo que antes bebia. Caminhou com Edgar preso ao seu corpo até passar pela sala, nesse momento uma garota entrava no bloco, mas Joshua apontou novamente para a saída e a ordenou longe dali. Ela certamente deixaria um recado para todos que tentassem entrar no bloco.

Edgar era leve para um ruivo tão grande como o Joshua. Após chegarem ao quarto, Edgar foi lançado contra a cama ainda bagunçada. Caído, pôde ver Joshua trancar a porta do quarto e se virar para ele, por a taça com vinho e gelo no armário e comer com os olhos o corpo pequeno do loirinho.

De joelhos ele ficou sobre a cama até montar sobre o corpo caído do menor. Com os lábios novamente tomados, Edgar se entregava cada vez mais. Porém, Joshua ergueu os seus dois braços e o prendeu, impossibilitando com que o loirinho se movesse durante o beijo.

Com a mão livre, desceu até as coxas de Edgar até repousar nas nádegas do garoto, pressionando-a com tamanha volúpia que fez o loiro se contorcer, mas como não podia fugir, estando preso pelas mãos do maior enquanto tinha seus lábios tomados, aceitou.

Novamente os dentes do ruivo cravaram no pescoço do loirinho, sugando mais uma vez. Edgar reconhecia que teria que dar a melhor das desculpas caso indagassem sobre a marca.

Ao ter suas mãos livres, Joshua puxou a camisa que Edgar vestia o deixando apenas de cueca. Mas aquela cena não durou dois minutos após um novo beijo. Joshua rasgou sem a menor piedade a cueca que Edgar usava. Em silêncio, Edgar viu Joshua se desfazer do pedaço de pano em sua mão.

— Nós podemos parar se você quiser. — O ruivo disse, ainda pensando nos seus costumes.

— Faça. — Pediu, ruborizado.

Entendendo o recado, Joshua saiu de cima do loiro, abriu uma gaveta do armário e de lá retirou um cinto preto. Com a mão chamou por Edgar que de joelhos, ainda sobre a cama aproximou-se do ruivo.

— Levante os dois braços— Ordenou.

Edgar o olhou sem antes levantar os braços. Joshua tocou o seu queixo.

— Levante os braços, loirinho. — Ordenou mais uma vez.

Edgar então o obedeceu. Após erguer os braços, Joshua juntou suas duas mãos e, com o cinto, as prendeu.

— Vire de costas. — Uma nova ordem.

De braços erguidos, Edgar virou-se ainda de joelhos. Foi nesse momento que ele sentiu o nariz de Joshua encostar o seu pescoço, mas o susto maior foi do tapa que recebeu em uma de suas nádegas. Não foi algo para machucar, mas que ainda assim era um tapa significante.

— Feche os olhos. — Murmurou em seu ouvido.

Edgar obedeceu sem pestanejar. Seus olhos foram vendados com um pedaço de pano vermelho que Joshua encontrou em meio à gaveta.

Após ter os olhos vendados, os outros sentidos de Edgar ficaram mais aguçados. Isso significava que os toques seriam únicos, até mesmo a respiração do ruivo estava instigante.

Edgar sentiu seu corpo novamente ser erguido e repousado na cama logo em seguida, os braços também foram presos na cabeceira impedindo qualquer escapatória do loirinho.

Sem poder enxergar nada, Edgar apenas ouviu passos. O tilintar na taça foi audível e nos segundos seguintes Joshua derramou parte do vinho sobre o corpo de Edgar, passando do tórax até o abdômen.

O liquido gelado trouxe novas sensações para Edgar e, mesmo assustado, não queria recuar.

O arrepio foi imediato quando ele sentiu a língua de Joshua tocar o seu mamilo.

Joshua estava retirando todo o excesso de vinho no corpo do loirinho com a própria língua, brincando em pontos já determinados onde pudesse proporcionar mais prazer para o garoto. Sua língua ia e voltava sempre quando queria. E tudo o que ele ouvia eram os gemidos leves que Edgar deixava escapar. Leves mordidas também foram espalhadas no corpo pequeno de Edgar a ponto de fazê-lo se contorcer naquela cama.

Tudo o que Edgar fazia era sentir. Os dedos dos pés e mãos cada vez mais se contraíam e ele não podia negar o prazer sentido. Era algo novo, mas acima de tudo: prazeroso.

A surpresa veio quando ele sentiu suas pernas serem afastadas e erguidas, nesse momento arrepiou-se por completo.

A língua que tanto brincou com seu corpo agora estava posicionada no mais sensível lugar. Não foi dessa vez que o gemido de Edgar soou leve, porém sim alto o suficiente para quem estivesse passando no corredor escutasse.

Por tamanho prazer, Edgar contorceu-se na cama e as costelas tornaram-se visíveis, mostrando o quão perfeitas eram as curvas de seu corpo. Joshua passou minutos seguidos proporcionando prazer para o loirinho sempre sendo abastecido pelos gemidos do mesmo.

Finalizando o que fazia, Joshua voltou a ficar de joelhos e dessa vez com o corpo do menor entre suas pernas.

Podendo alcançar o armário, Joshua pegou novamente a taça de vinho segurou na mão uma pedra de gelo.

— Abre a boca, loirinho... — Murmurou.

Ao abrir, ele sentiu o gelo o invadir, logo em seguida os lábios de Joshua encostar-se aos seus e tomar para si o gelo. O ruivo desceu a pequena pedra gelada pelo pescoço de Edgar, deslizando-o pelo mamilo e por ali ficar.

Pelos sentidos aprimorados após a perda da visão, o gelo era estranhamente prazeroso por estar completamente entregue à dominação do ruivo. Quando o sentiu deslizar por seu corpo não continha os gemidos. No mesmo momento em que sentia o gelo em si, o dedo de Joshua ousava em prepará-lo.

Joshua descartou a pedra de gelo ao colocá-la novamente na boca de Edgar. Começando a se preparar, Joshua alcançou sua caixa de camisinhas dentro da gaveta e protegeu-se.

Dois de seus dedos tocaram os lábios do menor e em seguida os dentes, com pressão, ele abriu a boca de Edgar o suficiente para acomodar o seu membro ali dentro. Boca gélida.

Edgar só pode deduzir o que era devido ao tamanho e pressão recebida. Mas não imaginou que Joshua pudesse querer sufocá-lo. Pois era exatamente isso que ele tentava fazer a cada movimento.

Com sorte, foram três tentativas e Joshua, ainda com o pênis introduzido na boca de Edgar, soltou o cinto da cabeceira da cama, deitou-se e colocou Edgar sobre o seu corpo.

— Por favor, não desiste depois daqui. — Murmurou no ouvido do loirinho.

De olhos vendados e sem poder falar, Edgar apenas afirmou com a cabeça.

Joshua deu um último beijo em Edgar e o fez com que afogasse a cabeça no seu pescoço. Todo o corpo de Edgar estava repousado sobre o tórax e abdômen do ruivo e os joelhos repousados sobre a cama. A mão grande do ruivo estava repousada na nuca do loirinho, logo ela desceu até as costas, sentindo os ferimentos de Edgar, e acariciou a região por poucos segundos até repousar na nádega do garoto.

Edgar não quis se mover, apenas obedecer ao pedido do ruivo.

Com curtas carícias, Edgar respirava tranquilamente esperando o que estava por vir.

Edgar recebeu um árduo tapa em sua nádega, fazendo-o gemer de dor bem próximo ao ouvido do ruivo. O gemido que ele tanto almejava. Joshua voltou sua mão para a nunca do loirinho tentando acalmá-lo.

— Shhh!

Era percebível que Edgar estava assustado, mas se ele estava disposto a dar prazer para Joshua, teria que passar por aquilo. Um tipo de castigo, mas que era prazeroso para o ruivo. Afinal, ele sentia prazer ao machucar alguém.

Quando sentiu novamente as mãos do maior deslizando sobre suas costas para repousar na nádega, já sabia que um novo tapa receberia. E foi exatamente isso que aconteceu.

Com o novo gemido de dor, ele teve a região acariciada. Mas diferente da última vez, o próximo tapa surgiu mais rápido. Cada tapa era um gemido, cada gemido um prazer para o ruivo. A essa altura do campeonato, vermelhas e marcadas pelos dedos do outro, as nádegas de Edgar se encontravam.

No tapa seguinte seu corpo se contraiu e abraçou mais forte o corpo do maior, mordendo o seu ombro.

Edgar sentia dor, mas uma dor suportável. A sua nádega ardia e a cada novo tapa a dor se intensificava. Ele não conseguiu sentir mais prazer depois do sétimo tapa. Uma sequência de dez tapas em sua nádega que ele suportou pelo prazer de quem estava apaixonado.

— Chega... — Implorou.

Mesmo sabendo que não podia falar, o fez. Joshua teria saído do controle.

Edgar não era como aqueles com quem Joshua já foi pra cama. Joshua poderia ir além, inovar ainda mais e mostrar para Edgar o sexo que ele realmente curte, recheado de sadomasoquismo. Mas seu coração, acalentado e apaixonado, reconhecia que o loirinho estava longe de ser alguém apto a isto. Teria que manter um equilíbrio.

Edgar respirava fundo com o rosto ainda próximo ao ouvido do ruivo e, extasiado, Joshua novamente acariciou a nuca do ruivo que sequer tinha forças para levantar. O pouco que fez foi o suficiente para alimentar a sede que sentia por um momento assim e, saber que Edgar foi capaz de prosseguir, o deixou inteiramente excitado.

— Me perdoa? — Indagou o ruivo, murmurando em seu ouvido.

Edgar afirmou ainda respirando fundo e então sentiu a mão de Joshua tocar o seu queixo fazendo com que ele erguesse a cabeça.

Joshua retirou então a venda dos olhos de Edgar e, sentindo incômodo pela luz do quarto ele novamente fechou seus olhos até abri-los por completo após alguns segundos. Finalmente pôde enxergar a face do seu dominador.

— É isso que te dá prazer? — Perguntou.

Joshua somente balançou a cabeça, tendo os olhos frios firmes nos olhos marejados do loirinho.

— Quer me prender novamente? — A pergunta que pegou Joshua de surpresa.

— Você não sabe o que diz, loirinho.

— Não seria você se não fosse assim no sexo.

A frase que mais fazia sentido diante tudo o que Edgar pôde proporcionar.

— Teremos chances para uma segunda vez. — O ruivo disse.

Beijos roubados sempre foram os melhores e, quando pensou em prosseguir com o diálogo, Joshua tomou os lábios do loirinho.

Era sem sombra de dúvidas o melhor beijo de sua vida e fazia questão de compará-lo com qualquer outro que já teve. Edgar nunca se sentiu tão perdido em pensamentos como estava. Se um dia esteve apaixonado por seu namorado, tudo isso foi desmoronado após o beijo carregado que estava tendo naquela cama.

Durante o beijo, cada mão livre de Joshua repousou sobre ambas as nádegas do loirinho. Mas não era para receber tapas ou algo do tipo. Ele apenas criou leves atritos com o seu membro rígido.

Quem se encarregou de posicionar o membro foi o próprio Edgar que, apôs deixá-lo no exato lugar, sentiu a pressão recebida e os primeiros centímetros serem introduzidos.

Joshua era grande em todos os sentidos e isso incluía o tamanho daquilo que carregava entre as pernas, sendo o dobro do tamanho do ex-namorado de Edgar. Por isso ele esperou que o desconforto fosse enorme.

Ainda que protegido, Joshua relutava com seus pensamentos. E isso era comum cada vez que ele transava com Megan, temendo um dia destruir com a vida dela. O mesmo estava acontecendo com Edgar.

Joshua mantinha os olhos abertos e viu quando Edgar fechou os olhos, reprimindo os olhos e lábios. Como aquilo era resultado da dor que sentia, Joshua só conseguiu sentir prazer ao apreciar aquela expressão.

As mãos pequenas de Edgar seguraram o maxilar do ruivo e logo seus lábios se encontraram. Procurando esquecer o desconforto, Edgar tentava concentrar-se no beijo.

Encaixado por completo, respirou fundo ainda tendo seus lábios tomados pelo ruivo. Que sem controle algum se moveu. Se aquilo contava como parte do sadomasoquismo, Edgar não sabia. Mas que ele sentiu dor e bastante desconforto, sim.

— Não continue! — Implorou num gemido, segurando a cintura do ruivo.

Joshua nada disse, somente esperou o loirinho murmurar palavras ao vento. Alguns segundos se passaram e Edgar ainda tentava relaxar o seu corpo.

— Dos mais inexperientes, você é o que mais me deixa com prazer. Se você soubesse o quanto estou me segurando para não gozar...

Edgar abriu os olhos e olhou o redor.

Como todo romântico, logo quando passou a enxergar Joshua com novos olhares, não imaginou transar em um cômodo como aquele. Era um típico sonhador que acreditava em príncipes que surgiam em cavalos brancos, como o seu ex-namorado.

Mas Joshua era todo ao contrário. Do tamanho à personalidade.

Joshua envolveu os dois braços na cintura de Edgar, fazendo pressão para que ele descesse mais e se encostasse ao seu corpo, e este novamente repousou a face em seu pescoço. Era como se estivesse preparado para tomar novos tapas, mas nessa ocasião ele tinha que receber o membro do outro dentro de si. Um movimento, um gemido de dor. O loirinho teria que suportar.

Joshua, devagar, moveu seu quadril e pôde finalmente sentir seu membro ser massageado pela região. Um novo movimento resultava no gemido de dor que novamente deixava Joshua a ponto de explodir em prazer.

Edgar finalmente já estava entregue e dali por diante, sabendo do que era capaz de suportar, centímetro por centímetro estava dando-lhe prazer.

Ele finalmente ergueu a cabeça e arqueou as costas, cada vez mais sendo invadido pelo ruivo que segurava firme a sua cintura. Suar era incômodo devido ao frio que fazia, mas naquelas circunstâncias isso era inevitável.

Edgar encostou sua testa no queixo do ruivo e logo a afastou. Ambos se olhavam. Um olhar frio sobre um aquecido. Edgar tinha olhos azuis claros como o céu sem nuvens. Vê-lo naquele ato costumava quebrar a pureza que ele costumava exalar. Sexo em plena luz do dia, nem sequer era noite ou madrugada. Embora estivesse com o tempo nublado.

Edgar saiu de cima do corpo do maior por uma ordem dada por ele. De joelhos e de costas para Joshua, ergueu os braços mais uma vez e quando pensou que ia ser preso, Joshua encostou o membro em suas costas, o puxou pela cintura e beijou o seu pescoço.

Joshua segurou em seus ombros e Edgar desceu os braços, apoiando-se sobre a cama. O ruivo então ficou de joelhos e posicionou-se atrás do loirinho. De onde estava viu o estrago deixado nas nádegas do loirinho: vermelhas.

Edgar sentiu Joshua brincar com o membro em si até que finalmente foi invadido mais uma vez. A nova posição trouxe um novo desconforto, mas este passou rápido. Ela não durou três minutos. Com Edgar ainda sendo penetrado, Joshua sentou-se e encostou as costas na cabeceira da cama.

Confortável, Edgar foi obrigado a se movimentar sobre o membro de Joshua, que apenas segurava em sua cintura vendo-o subir e descer mais e mais. Joshua envolveu o corpo de Edgar com seus dois braços e impossibilitou que suas mãos ficassem livres, presos. No reflexo do espelho ele viu os olhos de Joshua, era sádico. Contou até três quando bruscamente Joshua moveu o seu quadril sem sequer dar a possibilidade do pequeno dizer se estava confortável ou não.

Edgar fechou seus olhos e teve que se adaptar sozinho aos desejos incontroláveis do ruivo de sempre mantê-lo preso e penetrá-lo sem a menor piedade. Por sorte, conseguia sim sentir prazer.

Tais gemidos eram bons o suficiente para deixar Joshua com o ego mais inflado nesse quesito. Ainda estava surpreso por saber que o loirinho estava ali, transando com ele.

Joshua sentiu um desconforto em seu ferimento no abdômen e até o verificou. Odiava por completo o sangue que carregava e jamais deixaria o loirinho entrar em contato com ele.

Edgar sentiu ser empurrado e cair na cama, o que não foi surpresa alguma. Faminto pelo corpo do menor, Joshua montou sobre ele, afastou as pernas do garoto e o penetrou.

Mas ele foi tão rude que não teve piedade alguma naquele movimento forte o suficiente para fazer Edgar novamente gemer alto. Sua mão silenciou o loirinho e ele pôde apenas ler o olhar de Edgar. Se ele pedia para que parasse ou continuasse, não sabia. Mas Edgar não fechava os olhos e somente sentia-se ser invadido forte e rapidamente.

Devido ao silêncio em todo o bloco, a cama tremia e fazia barulhos, além do contato de ambos os corpos. Joshua era um monstro na cama.

Edgar já até havia perdidos as forças de tanto ter seus gemidos abafados, sentiu até que desmaiaria de prazer contínuo naqueles movimentos constantes que Joshua fazia dentro de si. Sempre atingindo a próstata, já que não era difícil.

Sem mesmo se masturbar, Edgar chegou ao ápice só sendo penetrado. O resultado disso foi quando ele tentou olhar para baixo e Joshua seguiu o seu olhar, vendo o líquido espalhando-se em seu abdômen.

Com a boca livre, Edgar pôde finalmente gemer, também, continuamente. Joshua era uma metralhadora na cama, movimentos sem interrupções alguma, sempre fortes. Uma máquina de sexo bom.

Naquele vai e vem constante, gemeu e explodiu. Seus gemidos misturados aos do loirinho denunciavam para qualquer um que passasse pelo bloco o quão ardentes estavam as coisas naquele quarto.

A camisinha foi preenchida pelo que despejou e ao finalmente retirar-se do corpo do loirinho, ficou de pé, desfazendo-se do preservativo, dando-lhe um nó e jogando na lixeira no lado da porta.

Edgar somente conseguia mover a cabeça e ver o corpo forte e alto do ruivo de costas para ele. Quando se virou viu Joshua do jeito que veio ao mundo: nu. O membro prestes a adormecer, as cicatrizes e a tatuagem de que um dia Joshua falou.

Não era no pênis, era bem próxima da virilha: Chupe-me se for capaz.

Identificou também uma peça de metal, piercing, posicionado entre suas bolas.

Com Joshua de pé e Edgar deitado, eles ficaram trocando alguns olhares. Joshua reconhecia que o loirinho iria demorar a sair dali. Porém, também sabia que Edgar jamais falaria alguma coisa por tamanha timidez após o ato. Talvez estivesse se recriminando.

Joshua aproximou-se da cama, pôs uma mão abaixo das pernas do loirinho e outra em suas costas, erguendo-o daquela mão. Sentou-se na cama, novamente encostado na cabeceira. O corpo de Edgar foi completamente acolhido por Joshua, que o fez sentar em suas coxas, repousar a cabeça em seu ombro e com a mão acariciou sua testa.

Edgar realmente não tinha forças para se mover. Era a primeira vez que isso acontecia e ficou mais uma vez assustado. Ele fechou seus olhos e apenas ficou sentindo as carícias do ruivo em sua testa, alterando também entre os cabelos e orelha.

— Queria ouvir sua voz. — Murmurou o ruivo.

— Eu quero ficar com você. — Falou, ainda de olhos fechados, num murmúrio.

Mesmo sabendo como Joshua era entre quatro paredes, ele declarou.

Joshua não tinha resposta melhor senão beijá-lo, mesmo este não movimentando seus lábios.

[...]

Por onde quer que passe, sua marca teria que ficar registrada. Como para o dia existia a noite, para o bem existia o mal. E se não existissem vilões? E se o mal fosse bem ou vice e versa? Seria tudo de acordo com o ponto de vista, de quando as histórias fossem expostas e os segredos desencadeassem a maior parte das indagações.

Colton escutava os gritos vindos da república de Noah. Na verdade, a Quadra em peso estava incomodada com aquilo. Mas aquele cujo poder sobre todas as pessoas é inigualável, apenas mantinha a calma.

Um copo com água segurava em mãos e na outra alguns comprimidos.

— Está doente? — Ele assustou-se ao ouvir a voz de Harry.

Culpou-se por deixar a porta do quarto aberta.

— Não. — Disse, ainda sem olhar para o outro.

— Então por que isso?

— Nunca foi do seu interesse, Harry. — E ingeriu.

Pôs o copo sobre a mesa do quarto e deu as costas, Harry estava sentado à cama e com os pés inquietos.

— Quero transar. — Colton falou.

— Por isso estou aqui. — Sorriu.

— Antes preciso fazer algo.

Colton buscou por seu casaco e o vestiu, ele novamente olhou para a janela e até mesmo Harry sentiu desconforto diante daquele olhar maléfico.

— O que pretende fazer dessa vez?

— Mostrar quem é que manda aqui.

Colton saiu do quarto e desceu as escadas. Ao sair da sua república nem sequer fechou a porta. Harry optou por não segui-lo, e mesmo que tentasse Colton o mandaria voltar imediatamente.

Ele seguiu caminhando até a república de Noah. A porta ainda destruída facilitou sua entrada no lugar. Ele encontrou Noah no sofá aos gritos, com o corpo ferido, literalmente tinha se machucado com algum objeto por vontade própria. O seu braço era a região mais ferida.

Noah o encontrou e o seu olhar, carregado de ódio, fuzilou o que carrega o título de rei da Quadra.

Luke estava de pé ao lado, tentando de alguma forma apaziguar a situação.

— Saia daqui! — Ordenou o loiro.

— Quem diria, não é, Noah?

— Saia, saia, saia, saia! — Disse por diversas vezes.

— Nos deixe em paz, Colton. — Luke pediu.

— Sempre soube que você tinha sérios problemas. O que acha que está fazendo? A Quadra em peso está te odiando e os seus gritos passaram a incomodar. Já pensou no suicídio? Acaba de vez com isso.

— Você não tem o direito de se meter na minha vida. — Noah disse aos gritos, levantando-se.

Colton não se sentiu intimidado. Ele carregava o velho semblante de superioridade a ponto de deixar qualquer um aos seus pés.

— Lembra de quando disputamos por Caleb? O grande amor da sua vida, este por quem você agora se mostra doentio porque o mesmo dava pro seu irmão. Já imaginou como eram os dois quando você não estava vendo? As conversas íntimas e os segredos que só eles tinham?

— Eu vou te matar! — Vociferou, apontando.

— Infelizmente você ousou em entrar no meu caminho e interferir nos meus planos contra os leoninos. Quis tomar o meu poder, Noah. Mas você é tão fraco que o Ninho também caiu, vulgo, o grupo dos mais populares de lá. Onde está Megan? Joshua? O próprio Luke só está aqui porque reconhece que você precisa de ajuda. E o seu namorado... O quarto dele fica ao lado do meu. — Sorriu.

Os olhos de Noah estavam vermelhos e logo foram tomados por lágrimas, mas ele não deixava de fuzilar Colton a ponto de querer realmente matá-lo.

— No jogo de xadrez existe o rei, rainha, bispos, cavalos, torres e peões. Não restam mais os bispos, já que você os derrubou. Os cavalos eu me encarreguei de colocá-los fora de campo. E a torre, bem... A destruí com um único segredo.

Colton fazia referencia aos leões, tigres e Suzana.

— Sobrou apenas rei, a rainha e um único peão.

Luke tentava entender o que Colton queria dizer com aquilo. Noah já conseguia compreender aquela linguagem devido ao seu passado de brigas com Colton.

— A rainha pode morrer, mas enquanto o rei estiver no tabuleiro... O jogo ainda continua.

Colton somente deu as costas e a casa foi invadida por homens altos. Noah gritou para alcançar Colton, mas foi pego por aqueles que estavam ali para o seu bem. Noah seria dado como louco e, fazendo o que fazia, melhorava a situação de Colton.

Luke, sem entender nada, apenas observou uma mulher segurando um papel em mãos para que ele assinasse, por ser membro da família e até mais próximo, foi obrigado a fazer aquilo. Ele mesmo reconhecia que seu primo precisava de ajuda. Foi com lágrimas nos olhos que ele assinou.

Colton novamente não olhou para trás, mas sabia que parte do seu trabalho estava feito. Continuou a ouvir gritos de Noah, mas ele era extremamente fraco diante daqueles que o prendiam no chão.

Colton retirou mais alguém do jogo.

— Agora só me resta o peão. — E entrou em sua república.

Notas finais
Eu postei hoje justamente porque amanhã estarei viajando. Como perceberam, não tive tempo para responder os comentários, mas tentarei fazer em breve. De qualquer forma, eu gosto desse capítulo e escrevi com tanto prazer (nos dois sentidos). Espero que gostem. Meu ask: http://ask.fm/thomasnyah