Notas iniciais
Dois dedos de vodca, por favor!

Sim, existe o bem e o mal. A sorte e o azar. O benefício e a consequência. O sorriso e o choro. Também existe Colin e Colton, distintos em vários aspectos, mas pequenos e afiados.

Colin não retirava os olhos furiosos do olhar de Colton, que parecia não temê-lo. Aquele que diz carregar uma coroa e ser dono do grande reinado chamado Quadra Nove, apenas deu um passo à frente. Ele e Colin ficaram frente a frente, exalando uma tensão extremamente visível.

— Perdeu a noção do perigo? — Colton perguntou.

— É hora do acerto de contas, Colton.

— Vai mesmo tentar me agredir mesmo sabendo que suas chances de vencer uma luta são mínimas?

— Tente encostar em mim mais uma vez e eu juro que quebrarei todos os seus ossos.

Colton com o indicador encostou no ombro de Colin.

A reação do pequeno leonino foi imediata, ele fechou sua mão e se preparou para socar o inimigo. Colton, com sua mão, segurou o punho e deu um único passo, levando o braço de Colin para as costas, em seguida passou a sufocar Colin pelo pescoço.

— Vou te mostrar como é que se briga, moleque.

Por sorte, Caine, Danion e Leonard ainda estavam por ali, vendo toda aquela cena, e correram para socorrer o amigo. Até eles reconheciam que Colton, mesmo com o pouco tamanho, sabia se defender e não era à toa o fato de ele conseguir viver tanto tempo na Quadra. Vale salientar que ele também sabe de segredos alheios, o que faz durar sua permanência no local.

— Solte-o, Colton. —Danion pediu.

Colin estava imobilizado.

Colton se virou, ainda imobilizando o outro, e sorriu. Danion somente tocou em seu braço, e Colton cedeu a ordem com uma facilidade que até Caine estranhou.

Colin finalmente conseguiu respirar tranquilamente e demonstrava isso com inspirações longas e fortes. Ele se virou e novamente tentou agredir Colton, mas falhou ao ser pego por Danion.

— Você precisa se acalmar, Colin.

— Me larga! — Tentava a todo custo se soltar. Danion não sabia de onde ele estava buscando tanta força. — Eu vou quebrar dente por dente desse garoto! — Cuspia as palavras de forma que todos sentiam a sua raiva.

— Colton, por favor, entre. — Leo pediu.

— Dan, leve-o para a república. —Caine parou em frente a Colin, desaprovando a atitude dele.

— Da próxima vez diga para ele que não sou qualquer um e que ele nunca mais ouse tentar bater em mim. — Colton falou tranquilamente para Leonard, que balançou a cabeça concordando.

Vendo que Colton tinha entrado aceitando o pedido de Leonard, Danion carregou Colin para sua república e lá jogou o pequeno no sofá assim que Leo trancou a porta. Ele ainda mandava insultos para o rival, querendo a todo custo sair e continuar de onde parou.

— Vocês não podem fazer isso! — Bradava.

— Você acabou de voltar do hospital, Colin. Chorou como uma criança e agora quer brigar? Dê tempo ao tempo, tome um banho e descanse, é disso que você precisa. —Leo sugeriu.

— Vamos para o quarto, Colin. Eu até tomo banho com você, também preciso disso.

— Como? — Danion não gostou de ter ouvido aquilo.

— Eu quero ficar sozinho. — Colin pediu e se levantou, rumando para o quarto.

Assim que entrou no cômodo, percebeu que Edgar já estava dormindo e por isso desistiu de gritar. Deitou-se em sua cama e por lá ficou. Parte dele estava eufórica e a outra triste pelo que aconteceu. Uma mistura de sentimentos que a qualquer momento o destruiria de uma vez por todas.

Na sala, Caine se sentou no sofá e respirou fundo. Desfez-se de parte de suas roupas, já que ainda fazia frio, e esperou que o namorado se sentasse. Danion sentou e o abraçou, envolvendo o braço ao corpo do menor.

— Bem, eu acho que está tudo voltando ao normal agora. — Leo começou falando. — E quero dizer que estou muito orgulhoso de você, Danion.

— Eu também. — Caine disse, abraçando-o mais.

— O que foi agora? Estou com medo do que vão falar.

— Nada, só é orgulho mesmo. Colin perdeu o pilar dele que era o William e pareceu ter ganhado um novo: você.

— Eu também percebi isso. Da mesma forma que William tinha Colin como um protegido, você fez de Colin também o seu.

— Para gente... — O branquelo começou a ficar sem graça e por isso ficou mexendo nos cabelos de Caine.

Caine e Leonard riram.

— Só continue agindo assim e Colin será eternamente grato a você. — Caine disse, beijando-lhe a bochecha.

Leonard sentiu seu celular vibrar no bolso, olhou pela janela e imediatamente voltou para os companheiros.

— Eu vou me ausentar da república por uns dias gente. Uma semana, provavelmente.

— Como?! — Danion e Caine perguntaram ao mesmo tempo.

— Bem, as coisas começaram a melhorar comigo. Eu não quis contar de imediato, porque estava procurando um modo de não fazer disso um momento de desconforto. Mas eu estou indo passar uns dias no apartamento de Santiago.

— Espera, como é que é? — Danion até se desfez do abraço de Caine e ficou de pé.

— É isso mesmo que você ouviu, Danion. Santiago me pediu em namoro. E não querendo deixá-lo sozinho, me ofereci pra passar alguns dias com ele. Na verdade, eu sempre aparecerei por aqui, mas escolherei dormir por lá mesmo. Por isso estou levando parte das minhas coisas, a outra parte vai ficar por aqui.

— Está me dizendo que só porque começou a namorar já vai morar com o namoradinho?

— Santiago não é aceito aqui, não é aceito nos Tigres. Ele está sozinho. Eu conheço a história dele e certamente sei que essa é a melhor atitude que estou tomando. Dan, eu já disse, aparecerei aqui sempre, mas irei preferir passar algum tempo com ele.

— E quando decidiu isso? Não pode ir semana que vem?

— Santiago está me esperando lá fora e a neve em breve vai começar a castigar. Preciso pegar as minhas coisas.

— O chame para cá.

— Outro dia, talvez. Ele no momento não se sente confortável para encarar você e Caine. Prefiro respeitá-lo.

Danion até tentou sair da república, mas Caine segurou forte a sua mão, negando a atitude.

— Eu estou feliz por você, Leo. — Caine estava sendo sincero, tanto é que ele sorriu e o abraçou.

— Obrigado, Caine. Também estou feliz pelo que aconteceu. Santiago se declarou para mim e eu nunca irei me esquecer das palavras.

— Cara... Eu não consigo acreditar que você vai me deixar. — Danion estava chorando, sim. O branquelo era muito apegado a Leonard e por anos dividiram o quarto, confidentes e melhores amigos.

Leo também não conseguiu segurar-se e vê-lo chorando fez seu coração apertar. E por isso o abraçou muito forte. Caine admirava aquela amizade, mesmo esta já tendo gerado conflitos entre os três.

— Não faça disso uma despedida. Só irei agora dormir em um apartamento no centro da cidade. Seu bobão. — Leo também chorava e tentava enxugar rapidamente as lágrimas.

Ele sozinho foi até o seu quarto e voltou com uma mochila nas costas.

— Amanhã eu volto pra pegar mais algumas coisas. Eu mesmo irei avisar ao William sobre isso, mas expliquem aos demais, tudo bem?

— Pode deixar.

— Seu filho da puta! Nunca mais me faça chorar, tá bom? — Danion o xingou, os olhos estavam vermelhos.

Ele puxou Leo para mais um abraço e beijou sua testa, bagunçando o cabelo de Leonard logo em seguida.

Leo somente sorriu e saiu da república com a mochila nas costas.

Santiago estava completamente agasalhado. Parte do seu corpo estava branca pela neve que caía lá fora. Leonard entrelaçou seus dedos aos do outro e juntos caminharam até a estação onde pegariam um metrô.

— O que eles disseram? — Santiago perguntou e em seguida retirou a mochila das costas de Leo, carregando-a na outra mão.

— Estão felizes por mim.

— Eu também estou.

— Você está andando de mãos dadas comigo, Santiago. Se soubesse o quanto isso é importante para mim, congelaria esse momento.

Santiago, como sempre foi de poucas palavras, nada disse. Ele começou a caminhar com Leonard até então parar de repente. Leo também parou, procurando entender o que se passava.

Do bolso que carregava, Santiago retirou um anel. Lembrança de sua mãe e que ele tinha como amuleto da sorte. Puxou a mão de Leonard e o colocou no dedo que mais favorecia ao metal.

— Não é um pedido de casamento, mas quero firmar nosso relacionamento mais e mais. Sei que ainda tenho muito chão pela frente em relação a minha sexualidade, mas quero dar o primeiro passo junto a você.

Ele então largou a mochila no chão, juntou suas duas mãos nas bochechas de Leonard e o beijou a céu aberto.

— Nunca esqueça disso, eu te amo, tá ok? — E logo voltou a beijá-lo mais uma vez.

Leo não teve reação alguma. Quem um dia tanto sofreu achando que ficaria sozinho, estava vivendo a melhor fase da sua vida.

[...]

Joshua não costumava ter medo de nada, exceto do irmão. Afinal, era a genética em questão que os tornava pessoas perigosas. Noah poderia não ser bom de briga como o ruivo, mas certamente poderia derrubar qualquer pessoa pelos contatos e a forma que procura para destruir alguém psicologicamente.

Para o ruivo, Edgar seria facilmente um alvo do irmão, agora rival. Edgar tinha todos os conceitos para Noah aproveitar e deixá-lo psicologicamente abalado. E pela fragilidade do loiro, diante todos os brutamontes da Quadra, Edgar não suportaria.

Após a ameaça feita por Noah, os olhos do ruivo estavam mais atentos. Ele temia deixar Edgar sozinho. Sabia que seu irmão atingiria alguém que vinha mexendo com ele e deixando essa informação preciosa escapar, certamente era isso que faria.

Também se sentia culpado por não sentir tanto remorso por Megan. Afinal, ele foi um tremendo filho da puta, mas deixou os problemas entre os dois passarem em branco. Esta também poderia derrubar Edgar caso quisesse, e com toda a história que o Jornal da Quadra vinha criando sobre Edgar e Joshua, as coisas tendiam a piorar.

Com a tarde tendo o seu início e prevendo que Noah e Megan não estariam na república, o ruivo estava novamente colocando os pés na Quadra. Dessa vez para procurar o único recurso que tinha nessa situação.

Parado em frente à república dos Tigres, Joshua olhou para trás esperando encontrar Edgar seguro dentro da república de Leões. Por sorte, através da janela aberta do quarto, ele viu Edgar ao telefone e este não o tinha notado.

Joshua bateu na porta da república à frente e esperou ser atendido. De lá, Harry apareceu. Por Colton liderar, Harry já era membro. Alguns saíram de lá, como foi o caso de Santiago. Já Sean já não mais aparecia por lá, mesmo seu quarto permanecendo intacto.

— Caleb, ele está? — Perguntou como se nunca tivesse feito algum mal ao Harry.

Harry temia o ruivo, mesmo mostrando sua ousadia em forma de palavras no Jornal da Quadra.

— Caleb! — O moreno gritou, saindo da porta logo em seguida.

Joshua e Colton não eram amigos ou inimigos, mas um não confiava no outro. Joshua já teve a ajuda de Colton e Gaspar para derrubar os leoninos e, por ser ruivo, Colton se acabava tendo ereções instantâneas na presença dele. Por sorte, o líder da república não estava ali.

Sem autorização, o ruivo caminhou até a sala e Caleb apareceu nas escadas.

Caleb nunca esperou tal visita do ruivo, principalmente à luz do dia. A última visita de Joshua que teve foi há anos atrás, quando eles se relacionavam e isso era frequente no Ninho.

— Você aqui? —Perguntou.

— Preciso da sua ajuda.

Caleb olhou para Harry, tentando escutar a conversa escondido atrás da porta que levava à cozinha. O moreno sorriu e fingiu sair dali após ser pego no flagra.

— Melhor que seja fora daqui. — Pediu, voltando a subir as escadas, em alguns segundos voltou calçado.

— Harry, poderia sair da república? — O ruivo pediu, sem saber se este o ouvia. Mas ele sabia que o futuro jornalista estava em algum lugar.

— Como? —Ele finalmente apareceu, saindo do lugar em que se escondia.

— Estou pedindo para que você me deixe conversar com ele. Nós não confiamos em você e eu estou pedindo para que saia, a conversa vai ser rápida. — O olhou.

— Mas a república não pertence a você. O líder é o Colton!

— Quer mesmo que eu peça a ele para que te expulse? — O ruivo agora olhou para Caleb, sarcástico. — Você sabe que posso, não sabe?

— Se eu fosse você eu sairia, Harry.

— Saia, agora! —Ordenou, novamente olhando para ele.

Harry resmungou baixinho e saiu da república ainda resmungando. Caleb olhou através da janela para ver se ele tentaria de alguma forma escutar a conversa, porém, ele realmente obedeceu à voz do ruivo.

— Não sei o que você iria falar para o Colton, mas só confirmei pra que ele acreditasse. — Caleb disse, sentando-se no degrau da escada.

— Se eu oferecesse sexo ao Colton, Harry certamente estaria fora não só da república...

— Ainda não me conformo com ele na liderança. Mas então, o que faz aqui?

— Tem mais alguém aqui?

— Meu companheiro de quarto, mas ele só dorme. E acredite, ele só vai acordar à noite.

— Certo. — Joshua sentou-se no sofá. — Preciso que você vá conversar com o Noah.

Caleb o olhou interessado.

— Ainda sobre aquilo entre nós dois?

— Isso já não é mais problema com toda a Quadra sabendo. Até o Ninho sabe disso, mas nenhum babaca se atreve a fazer piada enquanto estou presente.

— Então por que quer que eu fale com ele? Noah também me odeia. Não responde minhas mensagens e Megan tem nojo de mim. Também me surpreende você estar aqui, já que um dia me ameaçou para sair de perto de seu irmão.

— E ainda acho errado o que estou fazendo, principalmente por ele te amar. Mas sinto que Noah vai perder a cabeça. Você o conhece...

— Aquilo novamente?

— Sim. Da mesma forma que ele foi capaz de derrubar os leoninos, todos de uma só vez ao retirar a república das mãos deles. Ele não vai parar até atacar o Edgar.

Caleb passou a mão na testa e fechou seus olhos, pronto para falar o que lhe veio na mente:

— Não me diga que... — Começou a sorrir.

— Não. E é bom que desfaça esse sorriso. Só estou preocupado com a segurança dele. Você concorda comigo que Noah pode cometer alguma loucura e o garoto é um alvo fácil, além de frágil.

— Ele quase se mijava nas calças quando você chegava perto dele. Como pôde se interessar por alguém assim?

— Como me interessei por você? — A pergunta foi de supetão. — Que seja, como já disse, estou somente preocupado com ele.

Caleb sentiu a ofensa e ficou calado.

— Eu não posso fazer nada, Joshua. — Caleb se levantou, apoiando-se no corrimão.

— Como não pode?

— Se Noah está interessado em te derrubar. Tanto você, quanto a mim. Nós cairemos. Não sei que forma ou quando isso vai acontecer, mas sei que irá. — Caleb proferiu as palavras como se não estivesse preocupado com isso.

— Você só precisa conversar com ele. Noah costuma te escutar.

— Se ele pelo menos aceitasse me ouvir. Acredite, eu tento todos os dias quando o vejo na universidade. Continuarei tentando, mas se isso não acontecer, é bom que esteja atento a tudo. Se você deixou transparecer que seu ponto fraco é aquele garoto, cuidado em dobro em cima dele.

— Entendo o que está falando.

— Claro que entende. Foi assim que fizeram com Caine e Danion. O plano foi inteiramente dele em envolver Caine no espancamento do Danion. Suas mãos estão manchadas de sangue pelo fardo que carrega daquele dia.

— Não me arrependo. — Também se levantou. —Fiz justiça em relação ao meu irmão.

— E agora ele te ameaça.

Joshua olhou através da janela para ver se alguém se aproximava.

— Já que não temos solução para isso, vou ter que bater em Noah e me tornar o alvo do seu plano.

— Você vai piorar ainda mais a situação. Deixe com que Noah esqueça. Talvez ele só tenha feito a ameaça da boca para fora, só para te provocar.

Joshua caminhou até a porta enquanto Caleb permanecia no lugar.

— Pode pelo menos me ajudar de alguma forma? — O ruivo perguntou, encostando sua testa na madeira da porta. — Seja os meus olhos na Quadra. Diga-me se Noah parar Edgar para conversar, ou qualquer outra coisa suspeita.

— Não costumo passar muito tempo nessa república, Joshua. Mas farei o possível para isso.

— Preciso te passar meu novo número.

Caleb puxou seu celular do bolso e esperou o ruivo falar. Feito isso, salvou e depositou mais uma vez o celular no bolso.

— Não se esqueça de me avisar caso suspeite de algo.

Joshua abriu a porta e caminhou até o gramado, parando por ali e ficando por alguns segundos. Caleb ficou parado próximo à porta.

— Você vai ao jogo hoje? Seattle Mariners contra Texas Rangers.

— Você acha que eu perderia? Seattle Mariners vai vencer.

— Foi por sua causa que eu virei fã desse time. Saudades do tempo em que você me convidava para assistir aos jogos.

— Eu convidei o garoto.

Caleb ficou surpreso, mas isso não durou muito. Ele depois sorriu.

— Não apresse as coisas como fez comigo. — Deu uma dica.

Joshua deu as costas e ousou não responder. Ele estava certo de que precisava proteger Edgar, custe o que custar.

[...]

Edgar ainda decidia uma camisa para vestir. Se com estampa ou sem, até mesmo pequenos detalhes, como botões, o deixava indeciso. Com vontade de causar uma boa impressão e parecer um tanto mais velho, desfazendo-se do rosto infantil, optou pelo branco, sem estampa, com botões e com as mangas enroladas até os cotovelos.

— Você vai a um jogo de beisebol onde só irá ter héteros. O que pensa que está fazendo com essa roupa? — Leo estava deitado na cama.

— Eu não faço ideia! — Edgar olhou-se no espelho e se desfez da camisa.

— Não vai nevar hoje, apesar de fazer um pouco de frio. Você fica ótimo de xadrez. Ed. Acredite, não tem melhor visual pra você.

— Mas assim eu vou parecer uma criança.

— É só uma dica, você quem decide. — Leo levantou-se e saiu do quarto, deixando o loirinho sozinho.

Já estava próximo do horário combinado e ainda permanecia de frente para o espelho. Desistindo daquele visual comportado, Edgar sentou-se na cama e retirou a calça. Procurou por seus sapatos vermelhos de camurça com cadarços brancos, em seguida vestiu uma calça em tom próximo ao marrom, porém bem claro, e optou por uma camisa xadrez em tons avermelhados com vários traços mais escuros.

Antes de sair do quarto, pegou o seu casaco, caso fizesse frio. Pôs seus óculos assim que passou pela porta de saída.

Edgar foi brutalmente interrompido ao se assustar com o aparecimento repentino de Noah na sua frente. O pequeno até deu um passo para trás.

— Está com medo? — Noah sorriu.

— Você me assustou... — Disse cabisbaixo.

— Se você não estivesse olhando para o chão, provavelmente teria me visto.

— Desculpe, de qualquer forma.

Noah balançou a cabeça.

— Para onde está indo?

— E-eu... Bem, irei sair com um amigo.

— Que ótimo! — Noah sorriu. O sorriso mais falso que Edgar já tinha visto — Da próxima vez olhe para cima, ninguém sabe quando facas cairão do céu.

— O que quer dizer?

— Vai saber, não? É só lembrar-se de Danion e Caine...

— Eu vou indo. — Edgar não procurou entrar no assunto, simplesmente passou por Noah, mas a mão do outro segurou por seu punho. — Por que a pressa?

— Estou atrasado.

Para a surpresa de Edgar, Noah o soltou sem pestanejar, embora estivesse com um sorriso um tanto sádico no rosto. O loirinho se despediu e deu as costas, caminhando desajeitadamente, já que suas pernas tremiam. Ele literalmente sentiu algo ruim brotar daqueles olhos.

Edgar novamente olhou para seu relógio e percebeu que estava atrasado por cinco minutos. Não que isso fosse grande coisa, mas detestava fazer alguém esperar. Como combinado, encontrou Joshua parado de braços cruzados no local de encontro.

Usava uma calça jeans simples e sapatos pretos, sua camisa continha o nome do time. Além disso, usava um chapéu de Seattle Mariners enquanto segurava outro em sua mão.

— Está atrasado. —Disse o ruivo, colocando o chapéu na cabeça do loirinho.

— Ei! — Edgar tentou impedir, mas foi tarde demais.

Todo o cabelo foi bagunçado pelas mãos rudes de Joshua. Ele até tentou arrumá-los depois, mas Joshua aproximou-se mais dele, ajustou o chapéu para que coubesse perfeitamente em sua cabeça e em seguida tocou em seus dois ombros.

— Esse é o seu time de hoje em diante. —O ruivo disse.

Edgar nada disse, somente o xingou mentalmente por acabar com todo o seu visual por conta de uma simples peça de cor azul.

Edgar não tinha notado que Joshua já estava caminhando e por isso foi obrigado a acelerar seus passos. Achou estranha a atitude do ruivo, entrar em um carro desconhecido estacionado em lugar inapropriado em frente à universidade.

— Desde quando... Quer dizer... Você dirige? — O loirinho perguntou.

— Não. —Mentiu e entrou no carro logo em seguida.

Edgar viu a janela do banco do passageiro ser aberta e a cabeça do ruivo surgir.

— Não vai entrar? — Perguntou o ruivo.

— Você não dirige e não está habilitado a isso.

Nesse mesmo momento, Joshua retirou sua carteira do bolso e mostrou-lhe a habilitação, no segundo seguinte ele a guardou e ligou o carro, passando a olhar para frente.

Edgar, sem mais perguntas, entrou no automóvel e pôs seu cinto. Joshua finalmente saiu daquele lugar partindo em direção ao local onde seria realizado o jogo.

Seria um bairro vizinho e provavelmente a esta hora já estava lotado. O jogo começaria em vinte minutos e eles ainda estavam na estrada.

— Nunca te vi com um carro. — Edgar disse.

— Meus pais me tomaram o que eu tinha como castigo. Na época foi Noah o culpado por isso, que acabou falando que eu participava de competições proibidas porque eu quase perdi a vida em um acidente do qual saí completamente ileso.

— Seu irmão... — Edgar disse com a voz fraca, olhando agora através do espelho retrovisor.

Nesse momento Joshua freou o carro bruscamente, assustando o loirinho que se machucou com o impacto que seu corpo teve ao banco e pelo cinto.

— O que tem ele? — O ruivo perguntou.

Edgar o olhou ainda espantado, principalmente pela expressão do ruivo mais assustada do que o momento em que se encontravam.

— Ele agiu estranho quando eu saí da república. Me deu um baita susto...

— Ele te machucou? — Joshua retirou o cinto.

— Não, não, não... —Disse, rapidamente. — Foi uma conversa muita rápida, mas me causou arrepios. Os olhos dele... Nossa, que medo.

Joshua pressionou forte o volante e pareceu ranger os dentes.

— Por quê? — Edgar perguntou.

— Você tem horas pra voltar, loirinho? — Era a primeira vez que ele chamava Edgar de loirinho, o pequeno gostou de ter ouvido, apesar de achar estranho.

— Eu estudo pela manhã, não posso voltar tão tarde.

— Então não podemos ir ao jogo. — Joshua disse.

— É impressão minha ou você está nervoso?

— Ignora a parte de eu estar nervoso. Vamos voltar, passamos em algum lugar, compramos comida e vamos para o Ninho, lá você faz o que quiser.

Como parceira da sua desculpa os primeiros flocos de neve começaram a cair diante dos olhos do loirinho.

— Nunca mais acreditarei no que a mulher do tempo diz. O jogo provavelmente vai ser cancelado.

Sem mais tempo para questionamento, Edgar retirou seu cinto e se jogou no banco traseiro, deitando-se por ali enquanto retirava seu celular do bolso.

— Tem momentos que sinto que estão me escondendo algo. Sempre sou o último a saber. Sempre... — Murmurou o pequeno, Joshua o ouviu nitidamente.

Edgar soube que seu namorado o traiu enquanto todos os outros amigos deixados na sua antiga cidade por onde passou certo período com Colton, sabiam. Edgar só descobriu a traição após uma desconhecida contatá-lo por mensagem e ter certeza se eles ainda namoravam, até então ela contar a bomba.

Joshua negou-se a olhar para ele e saiu com o carro dali, procurando o retorno mais próximo. Não estavam tão longe e, por isso, chegaram rápido ao supermercado mais próximo. Joshua e Edgar permaneceram dentro do carro por mais alguns minutos.

— Vai descer comigo ou ficar aqui me esperando voltar? — O ruivo quebrou o silêncio, finalmente.

— Pode trazer alguns doces pra mim? — Edgar perguntou, retirando algumas notas de dinheiro do bolso.

— Trarei. — Disse o ruivo, rejeitando o dinheiro de Edgar e saindo do carro.

Edgar também nada disse, guardou suas notas e permaneceu deitado olhando o seu celular e as mensagens acumuladas.

Joshua entrou no supermercado e foi direto para a sessão onde continham os doces. Como se fizesse uma feira, Joshua encheu uma cesta com todo o tipo de doce que encontrava. Só de chocolate comprou três caixas e alguns separadamente. Sacos de balas e tudo o que parecia ser doce.

Em outra sessão buscou pro alguns salgados, poucos em comparação à cesta de doces. Em outra sessão comprou uma garrafa de bebida alcoólica que seria para ele, suco e refrigerante. Alguns quilos os dois ganhariam naquela noite.

Ao passar no caixa reclamou da atendente lerda que parecia querer dormir e quase causou um alarde no supermercado, por sorte a gerente estava por ali e acalmou a situação.

Joshua saiu do supermercado com um total de três sacolas. Voltou para o carro e não encontrou Edgar dentro dele.

Foi então que ele largou todas as sacolas no chão e olhou ao seu redor. Já estava claro o seu desespero.

Puxando o celular do bolso, já estava pronto para ligar e xingar o irmão.

— Estou aqui... — Edgar disse, voltando para o carro.

Joshua por pouco não quebrou seu celular no chão, apesar do alívio ser imediato.

— O que você pensa que tem na cabeça, loirinho?

— Cabelos? — Perguntou, retirando o boné e mostrando-lhe os fios loiros.

— Entra nesse carro. —Disse o ruivo após apanhar as sacolas e jogá-las dentro do automóvel.

Sem entender nada, Edgar aceitou o comando e foi até o banco de passageiro, apertando bem os cintos.

— Eu só fui ao banheiro. — Precisou falar.

— Custava esperar até chegarmos ao Ninho?

— Qual o problema? — O loirinho perguntou, ousando encará-lo.

Joshua se surpreendeu.

— Só não desaparece, tá bom? — Perguntou e ligou o carro.

— Estou correndo perigo, não estou? — Edgar perguntou enquanto via o supermercado afastando-se mais e mais.

— Por que me pergunta isso?

— É só olhar para você e depois para mim. De repente você aparece na lanchonete, depois me convida para sair e fica preocupado quando eu fui ao banheiro. É estranho. Por que se preocupa comigo?

Joshua precisou de tempo para digerir aquela pergunta. Ele não olhou para Edgar enquanto dirigia, simplesmente fingiu não ouvir a pergunta.

— Talvez seja só coisa da minha cabeça, não acha? É que eu sempre fui acostumado a crescer sem amigos e o único que eu tinha era o Colton, mesmo ele sendo cheio de defeitos. Agora que comecei a me aproximar mais dos meus companheiros de república e estou bem feliz por isso. Mas a ideia de ter alguém se preocupando e me protegendo é nova. Posso estar exagerando, mas gosto da sua proteção e da forma como retirou o Harry da lanchonete.

Edgar disse tudo sem retirar os olhos da estrada. Joshua ainda não conseguia olhar para o loirinho, era impossível. Seu corpo queimava diante daquelas palavras.

— Você acha que eu devo começar a malhar? Ficar forte como você? Estou cansado de parecer frágil e, bem, preciso aprender a me defender. Tem dias que sinto vontade de bater em certos babacas da universidade.

Dessa vez Joshua quis sorrir, mas segurou-se e somente balançou a cabeça negativamente.

— Deixaria de ser você caso fizesse isso.

— Não sei, acho que não. Sabe, eu morro de inveja do Colin. Ele é o tipo de garoto que não costuma abaixar a cabeça pra ninguém e mesmo com o pouco tamanho não os teme. Já comigo é diferente, quando gritam comigo eu sinto vontade de correr. V-você, por exemplo...

— Você tem medo de mim?

— Sim. — Afirmou e balançou a cabeça.

Joshua não fez uma nova pergunta continuou dirigindo até que chegaram ao Ninho. Ele mesmo carregou as sacolas até seu quarto. Diferente da última vez, Edgar não foi impedido de entrar por ninguém.

A sala que antes estava tomada por várias garotas e garotos bebendo e fumando rapidamente se silenciou. O som antes alto agora estava em uma altura ambiente, assim não incomodando quem queria dormir.

Eles respeitavam demais a autoridade de Joshua, até mesmo os calouros. Principalmente o metido a babaca que não o conhecia e, por isso, estava com um dedo quebrado.

Todos olhavam para Edgar que caminhava sem olhá-los nos olhos. Muitos se perguntaram quem era o loirinho, outros já sabiam pelos boatos que estavam rolando no bloco devido à última vez que Edgar dormiu ali.

— Boa noite. — Edgar disse para todos.

Ninguém o respondeu, mas ele não se importou.

De repente:

— Boa noite! — Disseram todas as vozes juntas.

Edgar achou aquilo muito estranho, mas permaneceu com sua cabeça baixa, parado em frente à porta do quarto de Joshua.

Ele não viu que o ruivo deu ordens, mesmo que não fosse necessário usar a voz, bastou um simples olhar para que todos respondessem ao “boa noite” do garoto. Este era o poder que Joshua tinha. Ele não era o super homem, nem sequer tinha super poderes. Porém os históricos de confusões resultando em várias vitórias e rivais machucados com braços, pernas e cortes profundos o tornavam aquilo pelo que era conhecido: um monstro.

Joshua foi o primeiro a entrar no quarto, Edgar foi logo em seguida.

O ruivo jogou as sacolas sobre a cama e retirou apenas sua garrafa de bebida. Saiu do quarto novamente e voltou com dois copos para ele e Edgar.

— Você comprou bastante coisa. — Disse o loirinho abrindo as sacolas. — Quanto doce!

— São todos seus. Prefiro salgado.

— Mas são muitos! Se eu comer tudo isso terei sérios problemas mais tarde.

— Então guarda pra uma próxima visita. — Disse despejando a bebida em seu copo.

Edgar nada disse, abriu um saco de balas com sabor menta e pôs duas inteiras em sua boca. Joshua ficou sentado próximo ao armário onde podia colocar a bebida e o copo.

Surpreendeu-se ao ver Edgar aproximando-se com o copo e estendendo sua mão. O ruivo pôs a bebida sem dizer nada, mesmo achando aquilo muito estranho. Edgar parecia ser o típico garoto que não bebia ou fumava.

Quando o loirinho tomou da bebida, acabou cuspindo tudo de uma vez.

— Eca! Que nojo! — Disse, enxugando a boca com a mão.

— Droga, loirinho! — Resmungou, olhando para a sua camisa molhada.

— Por que você não me disse que continha álcool?

— Eu ia saber que você não bebia?

Joshua se levantou, retirou seu boné e em seguida a camisa, colocando-a em sua perna. Em seguida voltou a se sentar.

— Como você consegue beber uma coisa dessas?

— Em algum momento você se acostuma.

Edgar olhou pro seu copo cheio e cheirou. Achou forte e novamente olhou para Joshua que mantinha um olhar de desentendimento sobre ele. Mais uma vez Edgar tomou da bebida, sua expressão não foi das melhores, parecia sentir dor, mas ele não cuspiu tudo como da última vez.

— Tem certeza disso? Não precisa beber pra me surpreender.

— Eu tenho a curiosidade de saber como é ficar bêbado.

— Vai se arrepender. Só tem eu e você aqui.

Edgar o olhou assustado, mas imediatamente sentiu suas bochechas arderem. Voltou para a cama e tinha prometido para si que aquele seria o único copo de bebida alcoólica daquela noite.

Na primeira hora que se passou, onde Joshua buscou por uma caixa de som e a ligou para que assim Edgar pudesse se distrair, o loirinho já estava no quarto copo, mostrando sua vulnerabilidade diante da bebida.

Ele dançava sozinho, geralmente em círculos. Até tentava elaborar coreografias, mas não conseguia. Parecia uma criança tendo sua primeira aula de dança, onde não conseguia sincronizar seus passos com a batida da música.

— Cuidado, loirinho. — Disse ao perceber que ele estava caído. Joshua se aproximou e estendeu a mão para ele. — É a primeira vez que você bebe?

— Dança comigo. —Pediu assim que ficou de pé, já alterado pela bebida.

— Sou um péssimo dançarino. — Falou, voltando a se sentar.

Por já estar um pouco bêbado, Edgar não estava temendo tanto as vontades do ruivo.

Simplesmente se aproximou e segurou em sua mão. Porém, tendo noções de realidade — ainda bem —, a soltou imediatamente e voltou para a cama, sentando-se nela logo em seguida.

Edgar ficou olhando para seus dedos e o copo já vazio. O chão era como uma paisagem bonita, pelo menos era essa a imagem que seu cérebro bêbado lhe passava.

— Ei, Joshua...

— Diga. — O ruivo se virou para encará-lo, cabisbaixo.

— Você quer transar comigo? Quer dizer, bem, só tem eu e você e acho que... Droga, o que eu tô falando! — Levou sua mão à testa. — A culpa é sua por me deixar beber isso.

Joshua não se sentiu constrangido pelo que tinha ouvido, pelo contrário, não resistiu e finalmente sorriu.

— Eu não te daria o sexo perfeito ou o sexo que almeja ter.

— Como assim? — Edgar perguntou.

— Loirinho, você precisa tomar um banho gelado. A bebida logo vai te fazer esquecer da realidade, agradeça por ainda conseguir ter noção do que fala.

— Você tem razão. Acho que só quero descontar a raiva que estou sentindo pela traição.

Joshua rapidamente fitou o copo com a bebida pela metade. No momento sentiu uma rápida felicidade tomar conta de si, mas logo se arrependeu ao notar que o loirinho estava triste. Depois se lembrou de que na lanchonete Edgar tinha dito que o namorado tinha terminado com ele ao telefone. Os efeitos da bebida eram como o soro da verdade para o loirinho.

— Estou com vergonha de dizer para todos que fui traído. Logo eu que deixava claro que tinha namorado e acreditava em relacionamentos à distância.

— Posso cuidar disso pra você.

— Contar a verdade para todos?

— Não. Falo em bater no garoto que te traiu.

— Não! — Edgar por pouco não gritou. — Não quero ninguém o machucando. Não desejo mal para ele. Afinal, eu gosto dele, sabe? Ele sempre me proporcionou bons momentos.

Joshua apertou o copo.

— E te traiu.

— Sim... —Deitou-se na cama.

Joshua só percebeu que pressionava o copo quando se lembrou de beber.

— Te acho um baú de mistérios. Estou aqui falando dos meus problemas estando bêbado e ah... Acho que vou vomitar!

Geralmente quando chove, as nuvens nos dão o sinal. Assim que Edgar terminou de falar ele sô teve tempo de sentar. Toda a bebida ingerida foi colocada pra fora.

Joshua não quis olhar, ele somente olhou para o teto do quarto e respirou fundo. “Como não pensei nisso antes?” Se perguntou. E era um tanto óbvio que isso aconteceria cedo ou tarde.

Mais uma vez Edgar vomitou e Joshua permaneceu quieto.

— Droga, sujei seu tapete! — Disse, limpando a boca e sentindo mais nojo do que tinha feito.

Quando se virou, viu Edgar tão vulnerável que não conseguiu insultá-lo. Ele parecia tão exausto.

— Já chega. — Disse o ruivo.

Ele levantou-se e pegou Edgar, erguendo-o do chão. Carregou o loirinho pelos braços até que saíram do quarto, rumando em direção ao banheiro. Lá, colocou Edgar deitado na banheira e a ligou. Por sorte, lembrou-se do celular dele e retirou de seus bolsos, colocando-o em cima da pia.

Edgar sentiu a água gélida lhe invadindo e gritou, ele tinha a sensação de afogamento, mas não era nada disso.

— Tome um banho, logo volto com a toalha. Vou limpar toda a sujeira que você deixou em meu quarto.

Joshua voltou para o quarto resmungando, mas querendo sorrir. Porém preferiu deixar a seriedade prevalecer. Limpar vômito de bêbado não era agradável, principalmente daquele garoto que parecia estar bebendo pela primeira vez.

Após terminar de limpar todo o vômito do chão e jogar o tapete fora, trocou os lençóis de cama, procurou por algumas roupas para o garoto e buscou por uma toalha.

Voltou para o banheiro após quinze minutos. Deparou-se com um Edgar de pé e nu e, com o susto, parecia tentar proteger as partes intimas.

— Não olha! — Disse o loirinho.

Joshua olhou e dessa vez não conseguiu manter a seriedade. Ele sorriu, mostrando os dentes grandes e sorriso largo que tinha.

— Para de rir! — Edgar puxou a toalha e se cobriu o máximo que podia.

— O que tem de mal nisso?

— Estou pelado! Isso é constrangedor, tá bom? E-e, bem, ah... Droga! — Virou-se de costas e não percebeu que sua bunda estava à mostra.

— Agora eu posso ver sua bunda. —O ruivo disse.

— Sai daqui! —Pediu.

Joshua deu as costas ainda sorrindo, voltando para o seu quarto logo em seguida. Minutos depois apareceu Edgar enrolado a uma toalha. Ainda que bêbado, ele estava desperto por mais alguns minutos.

— Não tenho roupas e a culpa é sua por me enfiar naquela banheira!

— Já cuidei disso. — O ruivo disse mostrando-lhe as roupas de cama. — São as menores roupas que eu tenho. Se te serve uma cueca, eu ganhei essa de presente e nunca usei.

Edgar somente olhou para as roupas oferecidas pelo ruivo e nada disse. Se não tinha nada para vestir, era sua única opção. Edgar, infelizmente, só conseguiu usar a cueca. A bermuda não estava cabendo nele. A cueca tinha ficado grande, mas ajustada a sua cintura. Depois vestiu a camisa do time de beisebol do ruivo, uma velha e bastante usada, também tinha ficado grande, já que chegava a metade de suas coxas e seu corpo parecia ter sido engolido por ela.

— Se vestiu na minha frente sem reclamar. — Joshua disse — Agora é melhor dormimos. Eu escondi a bebida. Não quero transformar você em um viciado.

— Eu não quero dormir. — E deitou.

— Seu corpo pede por isso. — O ruivo sentou-se ao seu lado.

Edgar nada disse. Ele realmente estava cansado e querendo dormir. A bebida e o banho de certa forma haviam anestesiado seu corpo e tudo o que ele sentia era sono. Joshua guardou a bermuda que não deu em Edgar e sentou-se na cadeira que antes ocupava enquanto bebia.

— Me faça lembrar de tudo caso eu esqueça de algo. — O loirinho disse, fechando os olhos.

— Farei questão.

— Ei, Joshua... — Mesmo que de olhos fechados, Edgar ainda tentava manter algum diálogo. O ruivo revirou os olhos. — Por que eu nunca sei nada sobre você? Exceto o fato de você ser soro positivo e ser bissexual?

— Não costumo falar da minha vida. Ela é uma história de terror.

— Eu gosto de histórias assim.

Joshua nunca gostou de abrir o livro que todos gostariam de ler: a sua vida.

— Tem momentos na vida que você simplesmente precisa ser forte, loirinho. O oceano costuma ser bonito, não acha? — Perguntou, viu Edgar balançar a cabeça afirmando. — Porém ele consegue derrubar e acabar com cidades caso queira.

— Como você... — Murmurou. — Você é bonito como um oceano, mas...

— Antes eu era como uma nascente de qualquer rio.

— Prefiro acreditar que você é um oceano. — A voz cada vez mais fraca.

— Tudo bem. Espero que um dia você se torne um também. Não... Eu não quero! —Negou imediatamente. — Não quero que se torne o que sou. Nas primeiras noites você não irá conseguir dormir. Vai perder horas de sono buscando alguma forma de pôr tudo o que sente pra fora. As marcas que carrego no corpo são das várias batalhas que eu travei buscando provar que sou forte. Principalmente ao ser estuprado durante toda minha infância.

A última frase saiu sem o seu comando. Joshua então notou o seu maior segredo revelado. Ele olhou para Edgar e chamou pelo loirinho, mas não obteve respostas. Arrependido de ter dito aquilo aproximou-se mais da cama e o balançou levemente. Edgar dormiu.

“Que bom que não me ouviu, loirinho.” Pensou.

Joshua afastou-se da cama e encostou-se na porta, encarando aquele corpo angelical repousado. Não sabia qual era a sua versão preferida, se a de um Edgar bêbado ou sóbrio.

Após sorrir, saiu do quarto. Era sua vez de tomar banho.

[...]

Samuel havia saído com um grupinho da faculdade. Por ainda estar no primeiro período e conhecendo os seus companheiros de turma que ficariam com ele por mais alguns anos, os encontros começaram a se tornar frequentes, mesmo com um deles dizendo que logo mais isso iria acabar, porque a rotina de estudos tendia a piorar.

Era uma balada qualquer que muitos universitários costumavam frequentar. Como no dia seguinte não teria aula, a decisão foi unânime entre o seu novo grupo de amizade.

Samuel não mais se reconhecia em Seattle, os modos como as pessoas ao seu redor se comportavam, começaram a influenciar no seu comportamento. Por vir de uma cidade pequena e pacata, não frequentava lugares assim e, por isso, sempre ficava a um passo atrás dos outros.

Já havia bebido o bastante para começar a acreditar que estava bêbado, porém, ainda assim não estava como seu amigo, o Lucas, que cairia a qualquer momento no colo de alguém ou vomitaria no peito de alguma garota.

Samuel quase cuspiu toda a bebida que tinha acabado de ingerir quando viu Natalie aproximando-se, abraçada ao Luke. Quando os olhos dos dois se encontraram, o loiro logo mostrou seu desprezo diante do sorriso bobo que o moreno estava lhe mandando.

— O que esse garoto faz aqui? — Samuel perguntou, batendo o copo no balcão de bebida.

— O que? O Luke? Eu o conheci no meu primeiro dia em Seattle. É que tenho um amigo que cursa medicina veterinária com ele. — Ela respondeu, sorridente.

— Ele deve tá assustado porque a qualquer momento o garoto misterioso do alto-falante pode aparecer aqui. — O moreno brincou, o que piorou a situação.

Samuel bateu o pé e deu as costas.

— Para onde você vai? — Lucas, podre de bêbado, perguntou.

— Já está tarde, preciso voltar.

— Nada disso! — Cotter, o outro amigo, o segurou.

— Larga de ser trouxa, Samuel. — Dakota, outra amiga tinha dito.

No total, eram um grupo de oito amigos que Samuel fizera no primeiro período.

— Depois se pergunta por que te chamam de antipático. — Natalie resmungou — Eu só quero dizer pra vocês que nós vamos lá pra casa. Como meus pais viajaram e essa balada já não está mais tão atrativa, seria melhor algo mais particular. Luke concordou com a ideia.

— Ótimo mesmo! — Dakota foi a primeira a ficar de pé, já que estava sentada no banco vermelho e de plástico, deixando-a na altura do balcão. — Esse DJ é horrível.

— Ei, Luke, tem muita garota bonita com você? — Cotter perguntou interessado.

— Posso te apresentar quantas quiser. — Piscou. Cotter logo se animou esfregando as mãos.

Todos pareceram concordar com a ideia, exceto Samuel que ficou em silêncio com uma expressão nada animada. Os amigos esperavam por sua resposta e, finalmente, ele cedeu ao se levantar. Natalie o abraçou e com a cabeça repousada no ombro da garota ele encarou Luke logo atrás dela.

Sair da balada não foi difícil. A dificuldade estava em fazer Samuel decidir escolher em que carro iria, já que Luke estava dirigindo o único que sobrou. Como sempre, todos pararam para esperar o irritadinho decidir o que queria, até finalmente ceder.

Inconsequentes, saíram da balada rumo à casa de Natalie. Deveriam torcer para que nada de ruim acontecesse.

No caminho pararam em um supermercado para comprar mais bebidas e logo em seguida continuaram pela estrada até chegarem à casa de Natalie.

A casa era enorme, todos perceberam isso ao passarem pelo portão principal e se depararem com um belo jardim, infelizmente a iluminação não estava legal o que impossibilitou de verem além daquilo.

Ao descerem do carro, Natalie os guiou até uma sala de jogos subterrânea. Era ampla e espaçosa, com duas mesas de sinuca no centro, alguns sofás espalhados, mesa de xadrez entre outros.

Os jovens já tinham se apoderado do cômodo assim que puseram os pés, até mesmo os mais fogosos já estavam transando em algum outro cômodo da casa.

Samuel estava sentado entre Dakota e Cotter, que paquerava uma garota que nem sequer estava dando-lhe valor algum.

Luke estava há dois metros e meio de distância de Samuel, jogando sinuca com mais dois amigos da universidade. Uma garota não parava de beijá-lo a cada vez que ele marcava pontos.

— Eu o acho um gato. — Dakota disse repousando sua cabeça no ombro do loiro.

— Quem, eu? — Cotter perguntou.

— Não, o Luke. O novo amigo da Natalie, não vai demorar muito pra ela o convidar pro quarto.

— Mas ele não é gay? — Cotter coçou a cabeça e olhou para Dakota.

— Você acha? Não acredito em tudo que dizem sobre a Quadra Nove. Em pensar que essa delícia poderia morar no Ninho, eu facilmente daria um jeito de entrar lá. Mas na Quadra...

— Ei! — Samuel a interrompeu. — Eu moro lá, tá? E sobre ele ser gay, isso é verídico. No máximo, bissexual. Ele vivia paquerando o Colin, meu companheiro de república.

— Tô nem aí, pegaria da mesma forma. — Dakota disse, ousada.

— O que tem nessa Quadra Nove, Samuel? — Cotter perguntou. — Vejo tanta gente criticar o lugar.

— Quando eu cheguei na universidade me mandaram nunca entrar ali, porque era o covil. Eu já ouvi falar de algumas pessoas de lá, como o Sebastian. Só o vi por fotos, gente, que homem gostoso! — Dakota estava realmente inspirada e preparada pra transar com alguém — Porém, meu sonho de consumo sempre foi o Sean. Já o vi uma, duas ou três vezes vagando pela universidade. Soube que ele trancou, é verdade? Morenos me matam de tesão!

— Credo, Dakota. A Quadra é um lugar bom. Apesar das várias confusões diárias e de alguma polêmica que surge a cada semana, eu gosto de lá. É agitada e divertida. E gosto dos meus companheiros de república, infelizmente o Luke é da república vizinha, um pé no saco. Por isso o detesto tanto.

— Mas você é gay, porque não aproveita a oportunidade? — Dakota sugeriu.

— Se eu fosse gay eu te comia, Samuel. Você parece ser o tipo de garota difícil que todo garoto quer. — Cotter, bêbado, brincou. Samuel odiou aquele tipo de brincadeira. — Desculpa! — Cotter levantou as duas mãos.

— Sabe de uma coisa? Eu vou propor uma brincadeira. Ei, Luke...

— Dakota, o que você tá fazendo? — Samuel sentiu a insegurança lhe invadir, ele apertou a mão da menina.

Luke ouviu o seu chamado e afastou-se da mesa de sinuca, aproximando-se dos três. A garota que estava com ele também se aproximou. Dakota também chamou por Natalie e ela imediatamente surgiu.

— Três homens e três mulheres! Ótimo! —Disse a garota de cabelos platinados. — Eu estava pensando, que tal fazermos uma brincadeira?

— Eu já estava cansado da sinuca mesmo... —O moreno sentou-se, ficando de frente para o Samuel.

— Quando ela fala desse jeito, tem putaria no meio. — Natalie também se sentou.

— Já ouviram falar no jogo da verdade? — Dakota cruzou as pernas e afastou-se mais de Samuel.

— Me recuso! — O loiro disse sem antes ouvir o que ela tinha pra falar.

— Vai começar, Samuel? — Natalie indagou. O loiro ficou quieto querendo retrucar.

— Vai ser algo parecido com isso. Cotter, pega aquela garrafa! — Pediu e o garoto a obedeceu, ela estava caída há alguns centímetros do garoto — Porém numa versão para maiores e mais quente. Vai ser da seguinte maneira: a garrafa será girada e certamente vai cair em duas pessoas. Um desses terá que fazer uma pergunta e dar três respostas, uma verdadeira e duas falsas.

— Você quer me ver nu, safada! — Disse Cotter já deduzindo o final de tudo.

— É esse o objetivo da brincadeira. Se por acaso quem fizer a pergunta e o outro acertar, quem fez é obrigado a retirar uma peça de roupa. Relógios, sapatos e meias estão inclusos. E se quem fizer a pergunta e o outro errar, bem... Vocês já sabem.

— Vale perguntar qualquer tipo de coisa? Qualquer tipo mesmo?! —Luke se interessou.

— Eu não quero brincar. — Samuel tentou sair do círculo formado por eles, mas Dakota e Cotter o puxaram.

— Sim, Luke. Tudo é permitido e somos todos adultos. Vamos começar. — Dakota respondeu.

A garrafa foi girada por Natalie no tapete entre eles sem a necessidade de uma mesa. Cotter foi o privilegiado da vez, caindo entre ele e a garota que não largava de Luke. Ele fazia a pergunta.

— Como é seu nome, moça bonita?

— Lana. — Respondeu.

— Certo, Lana, qual a cor da cueca que estou usando? Verde, azul ou vermelha?

— Verde. — Ela sorriu.

— Como sabia?! — Ele perguntou. E então notou o seu olhar. Parte dela estava à mostra.

— Droga, assim não vale! — Todos riram enquanto o viu retirar os sapatos.

Novamente a garrafa foi girada e dessa vez entre Luke e Samuel. O moreno faria a pergunta.

Luke somente sorriu enquanto assistia Samuel revirar os olhos e encará-lo.

— Quantos centímetros eu tenho, Samuel? 17, 18 ou 19?

— Isso vale?! — Olhou para todos.

— 17, 18 ou 19?

— Eu não sou obrigado a responder esse tipo de pergunta. — Ele disse.

— Larga de ser chato e me responde. — A cara de pau de Luke era sem tamanho.

— 17. — Chutou.

— Errou! — Luke sorriu vitorioso. — Exatos 19 centímetros.

As garotas pareceram adorar aquela informação.

Samuel não resistiu e o xingou antes de retirar seus sapatos e colocá-los longe da garrafa. A garrafa novamente girou e caiu entre os dois e Luke faria a pergunta novamente. Samuel já passou a odiar a brincadeira a partir daquele momento.

Luke novamente sorriu e apoiou seu cotovelo em sua coxa.

— Qual parte do corpo me atrai mais? Olhos, sorriso ou bunda?

— Você é babaca demais para se apaixonar por alguém pelo simples olhar ou sorriso. Você é um pervertido sexual e por isso digo que a bunda.

— Droga! — Luke resmungou ficando de pé, como ele já estava descalço, foi obrigado a retirar sua camisa o que facilitou ainda mais a possibilidade dele ser o primeiro a ficar pelado.

Ver cada detalhe daquele corpo era um tanto tentador para Samuel que há dias estava sem sexo e sem beijar alguém. Mesmo Luke sendo um babaca, ele tinha lá suas belezas.

Luke voltou a se sentar e ele mesmo se responsabilizou em girar a garrafa que caiu entre Cotter e Natalie. Ela errou a pergunta e retirou o colar. Dakota caiu na rodada seguinte com Lana. Lana acertou a pergunta e Dakota retirou o salto.

Novamente Luke e Samuel, dessa vez com o loiro perguntando.

— Qual dessas fantasias sexuais eu quero realizar? Ganhar a virgindade de alguém, receber oral na estrada ou em algum lugar proibido ou Ménage à Tróis?

— Uau! — Luke realmente ficou impressionado com o tipo de pergunta feita por Samuel.

— Gente?! Samuel, é você amigo? — Dakota perguntou.

— O que foi? Vocês me fizeram participar dessa brincadeira babaca.

— Gosto assim... — Luke sorriu — Porém, você não é apto ao Ménage, até porque você faz bastante cu doce pra deixar dois caras te comerem.

— Vai se foder! Eu sou ativo, imbecil. — Luke somente sorriu mais uma vez.

— Me sinto um alienígena entre vocês. A sorte é que sou um hétero mente aberta. — Cotter interrompeu, porém ainda assim sentia-se desconfortável diante daquele assunto.

— Eu chuto que você deseja ganhar a virgindade de alguém. Como foi o caso de Colin, é, até eu caí naquela história... — Disse, referindo-se ao Sean.

— Quem é Colin? — Natalie perguntou.

Lana olhou pra Luke, incrédula. Sim, ela achava que ele era hétero. Luke nunca disse abertamente que era gay ou bissexual, ele nem precisava. Vivia a vida da sua maneira.

— Um garotinho aí, longa história. — Respondeu o moreno. — Enfim, acertei ou não? — O moreno perguntou.

— Errou. Já tirei a virgindade de alguém, Luke.

— Não creio! — O moreno abriu a boca sem acreditar. — Isso não vale, tá bom? Tenho certeza que está mentindo. Qualquer um já recebeu um oral na estrada.

— Qualquer um pode estar mentindo aqui. Quem vai acreditar que você tem 19 centímetros? — Perguntou o loiro.

— Quer que eu mostre?

Samuel nada disse e retirou os olhos de Luke quando ele se desfez do cinto, sobrando apenas a calça e a cueca. Se errasse duas perguntas ou alguém acertasse... Certamente seria o primeiro a ficar pelado.

Perguntas e mais perguntas com erros e acerto. Cotter já estava de cueca, Luke também. Lana cobria os seios com o braço, sendo a primeira a ficar sem sutiã. Em seguida foi Dakota. Natalie apenas vestia as roupas íntimas e Samuel vestia apenas a calça e cueca.

Quando a garrafa caiu entre Luke e ele mais uma vez, com o moreno prestes a perguntar, Samuel se levantou.

— Eu não quero mais brincar. — Ele disse, temendo a pergunta que Luke faria.

— Ahhh, Samuel, já vai acabar, fica. — Natalie falou, tentando impedi-lo.

— Estou cansado e nessa brincadeira acabei bebendo mais do que o normal, olhe ao nosso redor a quantidade de garrafa de bebidas vazias.

Cotter também se levantou.

— Eu vou acabar dormindo nesse sofá. Que horas são?

— Já são mais de três e meia da madrugada. Caralho! — Dakota olhava para o relógio de alguém no chão.

Cotter não conseguiu dar um passo, ele logo se apoiou em Samuel. De todos ali, ele era o que estava mais bêbado.

— Eu vou levá-lo para o quarto. — Disse o loiro, caminhando com ele. — Não voltarei.

— Suba as escadas e dobre a esquerda. Lá tem dois quartos pra visitas.

— Obrigado. — Agradeceu.

Samuel teve dificuldades ao subir as escadas que davam acesso aos quartos para visitas. Principalmente por Cotter não cooperar. Ele cantava músicas aleatórias e tinha dificuldades para se movimentar.

Um longo processo até finalmente jogar Cotter no sofá que encontrou. Não teve paciência de levá-lo até o quarto.

Samuel procurou pelo quarto sozinho até encontrá-lo. Pequeno e apertado, ele se perguntou como os pais de Natalie eram tão mesquinhos a ponto de ter uma casa enorme e um quarto para visitas horrível.

O loiro somente se jogou na cama e fechou seus olhos. De tão exausto que estava, sabia que o sono em breve chegaria.

Não demorou vinte segundos e outro corpo deitou-se ao seu lado. Samuel apenas abriu seus olhos e viu Luke já de olhos fechados, prestes a dormir por ali.

— Sai! — O loiro gritou empurrando-o da cama. Luke caiu no chão.

Pela expressão que o moreno tinha feito, ele pareceu se machucar. Tanto é que levou sua mão a cabeça e gemeu de dor.

Samuel imediatamente se ajoelhou e o segurou pela cabeça, tocando-lhe a face.

— Droga, droga, droga, desculpa! — Ele realmente estava preocupado — Luke?

— Eu vou morrer! Minha cabeça, ela dói!

Porém Samuel não acreditou naquela encenação, principalmente quando a mão de Luke tocou-lhe a bunda. Samuel levantou-se irritado cruzando seus braços.

Luke apoiou-se nos cotovelos e em seguida se sentou sorridente.

— Tem outro quarto ao lado, Luke.

— Mas eu quero dormir com você, algum problema?

— Todo! Se você não vai, eu irei.

— Tente a sorte. — Luke mostrou-lhe as chaves.

Samuel olhou para trás e viu a porta fechada, para ter certeza tentou abri-la, Luke realmente os havia trancado ali.

— O que você quer, Luke?

— Eu nunca vou esquecer aquele beijo na festa, cara. Não tenho chance nenhuma de ganhar outro?

— Para de ser insistente. Eu posso te denunciar por isso, garoto.

— Qual é? Tenho culpa se eu quero te comer?

— Que cara de pau você tem. — Samuel deitou-se na cama, de costas para o moreno. — Durma no chão.

Por ser quem era, Luke voltou a se deitar na cama. Samuel, irritado, virou-se imediatamente e dali em diante os dois passaram a trocar chutes e socos seguidos de alguns insultos. Luke não deixava em nenhum momento ser atingido por Samuel e o loiro não desistia de dar-lhe uma boa surra.

Cansado, Samuel desistiu da agressão. Estava bêbado demais e reconhecia isso, sendo assim perdia toda sua força rapidamente. Luke estava em cima dele, segurando os seus dois braços e encarando-o.

Samuel queria desviar os olhos, mas não resistia. Porém, quando Luke sorriu, ele pensou em cuspir em sua cara. Luke era terrível e inconveniente.

— Se não quer transar comigo, me explique porque estou sentindo o seu pau duro tocar a minha bunda?

Foi então que nesse momento a máscara de Samuel caiu. Sem poder dar qualquer tipo de desculpas, ele aceitou calado. Realmente estava excitado e querendo transar com Luke.

— Por que você quer tanto isso, Luke? — Samuel virou seu rosto, evitando olhá-lo.

Luke desceu seus lábios até o ouvido do loiro e sorriu, o toque de seus lábios na orelha de Samuel proporcionou sensações diferentes e mais excitantes.

— Ninguém me deixa tão excitado quanto você. — Respondeu e em seguida afastou seus lábios.

Samuel gargalhou, sarcasticamente.

— Era isso que você dizia pra Colin. — Proferiu o loiro.

— Agora estou aqui com você. Colin é do Sean.

— E depois de mim, quem seria a próxima vítima?

— Depois do que acontecer aqui, quem sabe você seja o último da fila?

— Odeio sexo casual, Luke.

— Esqueça disso por enquanto e vamos somente aproveitar.

— Você sabe que posso considerar isso um estupro? Está tentando transar comigo contra a minha vontade, está me prendendo na cama e me induzindo a transar com você.

— Eu não faria isso caso você não me mostrasse indícios. — Luke soltou uma de suas mãos e tocou o pênis ereto de Samuel, mesmo que dentro da calça. — É disso que eu falo. — Sorriu.

— Não posso transar com um cara que tenta me comer, já disse, sou ativo.

— Pra tudo tem uma primeira vez.

— Não quero ter uma primeira vez, está difícil de entender?

— Certo. Podemos revezar, o que acha? — Ele novamente sorriu como um bobo.

— É sério isso? Estamos criando um diálogo pra ver quem vai comer primeiro? Caralho, já fui mais seletivo. É melhor dormirmos, me solta. — Pediu.

— Tem certeza? — Perguntou o moreno. Samuel somente balançou a cabeça, afirmando. — Certo.

Luke então soltou o outro braço de Samuel e se preparou para sair de cima do loiro. Mas nesse momento foi pego de surpresa. Samuel ergueu-se e ainda com Luke sentado em suas pernas, tomou os lábios do moreno.

O moreno até tentou falar algo, mas sendo inteligente pela primeira vez, sabia que dizer algo ou interromper o beijo estragaria todo o momento. E por estar completamente louco pelo loiro, cedeu.

— Se tentar me comer, eu juro que te castro. — Samuel o deixou avisado ao interromper o beijo.

Luke pensou em sorrir, mas novamente teve seus lábios tomados por Samuel. Ele tinha que admitir que o loiro beijava como ninguém. Não sabia se era a jogada de língua ou os lábios finos e macios.

— Droga, droga, droga! — Luke interrompeu o beijo afastando Samuel pelo ombro.

— O quê?! — Perguntou com os lábios vermelhos.

— As camisinhas. Elas ficaram na minha calça e está lá na sala de jogos.

— Vai buscar, simples.

— Assim?! — Luke mostrou o que tinha entre suas pernas. — Estou de cueca e excitado, tá maluco?

— Você fez questão de falar que tinha 19 centímetros, agora vai lá e pega. Só não diz que vai dormir comigo.

Samuel somente olhou pro lado e revirou os olhos. Até tinha perdido todo o encanto por Luke. Ele era realmente um babaca.

Alguém bateu a porta do quarto. Tanto Luke e Samuel se assustaram. Luke se levantou de mansinho, destrancou a porta e pôs a cabeça para fora, impedindo qualquer visão de quem estava lá fora: Dakota.

— Você esqueceu sua calça. O pessoal já tá indo embora e uns vão dormir por aqui.

Luke pegou a calça com o maior sorriso que já tinha dado na vida. Dakota estranhou e até se assustou com aquele sorriso.

— Te devo uma, garota.

— Como assim? Era só uma calça... Ah, não me diga que o Samu... —Luke fechou a porta imediatamente e a interrompeu de prosseguir a fala.

Ele se virou ainda sorridente para Samuel, que estava deitado. O loiro, que antes estava animado, somente revirou os olhos. Se era sorte ou azar, ele não sabia. Apenas quis socar e quebrar os dentes de Luke.

Por sorte, Dakota não voltou a bater a porta. Samuel sofreria na manhã seguinte.

Luke saltou na cama e voltou a sentar nas pernas de Samuel.

— Agora podemos prosseguir em paz.

— Eu deveria te negar sexo.

— Bem, vem cá que...

E Samuel novamente calou sua boca com um beijo. “Que loiro fogoso!” Pensou o moreno.

Luke e Samuel trocaram beijos por quase dez minutos enquanto rolavam na cama. Nesse período, Luke se encarregou de retirar a calça de Samuel. Por ter a pele clara e sensível ao sol, seus lábios estavam tão vermelhos que ele parecia ter tomado um soco.

Luke ficou de pé na cama e retirou sua cueca. Samuel pode comprovar o tamanho do seu pênis e confessou ficar admirado com o belo dote que o moreno carregava entre as pernas. Sim, o loiro julgava existir pênis bonito e Luke estava incluso nessa categoria.

— O que quer que eu faça? — O loiro perguntou.

— Não é óbvio? —O olhou com cara de desentendido.

Samuel nada disse, em seu próprio lugar puxou Luke pra mais próximo e sua mão foi até o pênis do moreno. Antes de abrir a boca, Samuel lhe olhou uma última vez e abocanhou o membro de uma só vez.

Luke gemeu com aquele contato úmido. Rapidamente sua mão foi até os cabelos do loiro, agressivamente. Samuel não gostava daquele tipo de controle, mas aceitou. Teve um momento que ele achou que iria engasgar com a pressão que Luke havia feito e novamente se manteve no controle para não insultá-lo.

O moreno deitou na cama e nesse intervalo de tempo o loiro acomodou, ainda sugando-o. Luke costumava gemer quase sempre, mesmo que de leve. Ele também não parava de falar coisas do tipo: “Isso, assim, vai”.

Sentindo vir a ejaculação, Luke afastou a cabeça de Samuel e se controlou. Não poderia ejacular tão cedo, mas o seu tesão era tão grande que ele sentia perder o controle. Afinal, ele finalmente tinha conseguido levar Samuel para a cama.

Samuel também se desfez da cueca, montou sobre Luke e deixou o corpo do moreno entre suas pernas, bem próximo de sua cabeça. Luke não perdeu a oportunidade de sorrir diante daquilo. Samuel parecia estar impondo uma ordem.

Luke tocou a sua cintura e acariciou a região, Samuel passou a mão nos fios dourados até que finalmente o moreno foi capaz de chupá-lo, e o melhor, com volúpia.

Samuel também gemeu. Não conseguiu prender o gemido por tanto tempo assim. E não estava conseguindo entender porque passou a se apaixonar por cada sorriso que Luke soltava enquanto estava chupando-o.

As mãos de Luke desceram da cintura do loiro até as suas nádegas. O toque, a princípio, foi estranho para Samuel, principalmente ao perceber aquele dedo intruso querendo buscar novas direções.

Samuel o impediu e o fez com que permanecesse apenas nas suas nádegas. Luke não interrompeu o oral em nenhum momento, mesmo com diversos motivos para tal. Como vingança, Samuel até tentou sufocá-lo. Mas Luke parecia ser experiente no negócio e não sentiu dificuldade nenhuma.

Quando finalmente se desfez do pênis do loiro, Luke o derrubou na cama e ambos novamente trocaram novos beijos. Outra vez o dedo intruso de Luke procurou o ponto mais sensível de Samuel e novamente foi interrompido. Sempre que isso acontecia, ele deixava escapar um sorriso seguido de um gemido.

— Ei, Samuel, fica de costas... — Pediu em sussurros.

— Não, Luke, eu já disse que sou ativo. — O loiro ainda estava beijando-o.

— Por favor, eu imploro! — Ele mordeu o seu queixo.

— Não. — Foi direto na resposta. — Acho bom você me passar essa camisinha.

Luke descontente continuou beijando e lhe entregou a camisinha. Nesse momento Samuel parecia ter sido renovado em força, tanto é que ele se levantou da cama e puxou Luke para si, jogando-o contra a parede, o fez ficar de costas para ele.

Samuel pôs a camisinha e segurou Luke pela cintura, fazendo o moreno afastar as pernas. Luke apenas olhava para trás.

Era admirável o corpo que o moreno tinha. Cada curva no lugar, músculos definidos, embora nada exagerado. E sua bunda era perfeita, talvez a melhor que Samuel já tinha visto na sua vida.

Luke afastou as suas pernas.

— Não me machuque. Sei que quer fazer isso... — O moreno pediu.

— Pode deixar que eu sou carinhoso. —Sorriu, mas Luke sabia que aquilo era uma mentira.

Samuel não conseguia entender como Luke não estava se opondo a isso. Afinal, ele estava cedendo facilmente à posição de passivo.

O loiro aproximou-se mais de Luke cuspiu em sua mão, preparando Luke logo em seguida. Da própria saliva fez de lubrificante.

Quando Samuel aproximou mais o seu pênis das nádegas de Luke, foi aí que o jogo inverteu. Luke se virou imediatamente e pegou Samuel pela cintura, o girou e então o lançou contra a parede.

Imediatamente o encoxou, roçando seu pênis ao do outro. Tomou Samuel pelo pescoço e foi de admirar ouvir o melhor gemido que Samuel já havia dado naquela noite. Foi incrível a pegada que Luke teve para com o Samuel. E todos teriam que admitir: Samuel pareceu adorar aquela atitude.

Samuel, mesmo incrédulo, pareceu ansiar por mais. Ele não acreditava como alguém tão idiota como o Luke era dono de uma pegada tão forte e excitante.

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Os olhos penetrantes do moreno, acompanhado de um sorriso malicioso, também eram tentadores.

— Pobre Samuel...

— O que pensa que está fazendo?

— Mostrando quem manda.

Ele então virou Samuel, que parecia ter perdido as forças imediatamente. Luke dessa vez o encoxou, roçando seu membro nas nádegas de Samuel. Pressionou sua cintura e mordeu o seu pescoço. Samuel novamente não resistiu e gemeu.

“Droga, não posso perder o controle.” Pensou o loiro.

— Luke, não... — Disse.

— Eu prometo ser o próximo.

— Promessa é dívida. — Disse através de um gemido.

Quando Samuel disse isso, ele já deixou claro que estava disposto a ceder primeiro. Ele não resistiu a tão perfeita pegada que Luke teve sobre ele. A imagem de ativo acabou de ser desfeita pelo mais babaca dos garotos que já conheceu.

Luke puxou novamente sua calça, encontrou sua carteira e puxou de lá uma nova camisinha. Já protegido, com o próprio lubrificante que a camisinha oferecia, ele preparou Samuel.

O loiro sabia que aquela região era sensível, mas não naquele nível. Luke o preparou com um único dedo até introduzir o segundo. Samuel gemeu, embora sentisse o incômodo, não tão forte assim.

Luke puxou mais a cintura de Samuel, afastando-o um pouco da parede. O loiro, na posição, sentiu-se forçado a inclinar um pouco seu corpo, principalmente quando Luke pressionava as suas costas pedindo para que ele abaixasse mais.

— Me desculpe, Samuelzinho. — Fez uma brincadeira antes de introduzir parte do seu membro no outro.

Samuel então estava tenso demais e por isso se afastou, a dor era extremamente inconveniente. Luke o segurou pela cintura, enquanto Samuel parecia realmente desconfortável.

O loiro apoiou a cabeça em seu próprio braço encostado à parede. Porém, não conseguiu compreender o desejo de tentar prosseguir. O que Luke havia feito com ele?

Samuel novamente inclinou o seu corpo em silêncio. Ele se negava a olhar para Luke, que também não estava falando nada.

A verdade era que Samuel tinha sim vontade de ser passivo algum dia. Só não sabia com quem. Sempre acreditou que faria isso com o cara certo, pois considerava sua virgindade algo precioso e não seria pro primeiro cara que transasse que iria entregá-la tão fácil. Mesmo com a personalidade, ele tinha sentimentos. Só não imaginava porque com Luke isso estava acontecendo. Se pela boa pegada que o moreno tinha ou por considerá-lo a pessoa certa para realizar tal desejo.

Luke novamente encostou seu membro entre as nádegas de Samuel e com bastante delicadeza passou a introduzir os primeiros centímetros no loiro, e a cada dois segundos que se passava ele interrompia.

Nos últimos centímetros a serem introduzidos, Samuel finalmente conseguiu respirar fundo. Ele estava tenso e admitia isso. Não precisava de todas aquelas dicas, afinal, sempre foi ativo e sabia perfeitamente o cuidado que um ativo e passivo deveriam ter.

— Doeu? — Luke perguntou.

— Vai se foder, babaca! — O insultou.

— Posso me mover? — Querendo ou não, Luke estava temendo machucá-lo.

— Espera mais um pouco.

Luke o obedeceu e enquanto isso ficou fazendo carinho nas costas do loiro. Samuel tomou atitude de erguer mais um pouco suas costas por estar gostando do carinho. Voltando a ficar de pé, Luke envolveu completamente o seu tórax com os dois braços e, juntinhos, caminharam até a cama sem se desfazer da penetração.

Deitado Samuel achou a posição mais confortável, embora estivesse de bruços com o corpo do moreno sobre si.

— Pode ir.

Luke então obedeceu à ordem e fez o seu primeiro movimento dentro do loiro. O corpo de Samuel parecia ainda rejeitar o membro de Luke, porém aos poucos começava a acostumar-se com a dor.

O moreno continuou com seus movimentos delicados até que em um momento Samuel pareceu já estar cedendo mais e mais. Quando Luke achou que poderia acelerar, Samuel gritou de dor.

— Me come direito, seu filho da puta! — O xingou pela dor sentida.

— Uou! — Luke ficou boquiaberto. — Isso foi excitante.

— Vai se foder, Luke McGraien.

— Me chamou pelo nome completo. Samuel, eu vou gozar sem antes te comer direito. Para com isso!

— Desgraçado, imbecil, babaca!

— Porra, Samuel, não, não, não... — Tentava manter o controle.

Mas Samuel não o insultava para excitá-lo mais e mais, ele realmente estava sentindo a dor da agitação de Luke sobre si.

Com um minuto passado e a dor antes provocada do Luke amenizada, o moreno voltou a ser delicado.

Dali em diante foi só prazer. Samuel não era sadomasoquista, mas ele admitia ainda sentir dor. Mas era uma dor misturada ao prazer e estava sendo proveitosa demais para o momento. Mesmo jamais abrindo a boca para admitir, ser passivo também era prazeroso.

Luke, agora tendo mais liberdade de se movimentar e sabendo que Samuel aguentava todos os seus 19 centímetros, não parou de sorrir um instante. Sua vontade foi pegar o celular e gravar aquele momento.

Ele caiu sobre o corpo de Samuel e repousou seu queixo entre o pescoço e ombro do loiro. Samuel gemia baixinho, com a cabeça repousada no travesseiro.

Luke alcançou seu celular e pediu para que Samuel o olhasse.

— Deixa eu recordar esse momento.

Samuel não sabia do que se tratava e quando virou seu rosto, percebeu que estava sendo fotografado. Mesmo que não exibisse nada além de seus rostos, Samuel tomou o celular de sua mão, mesmo que gemendo, pois ainda estava sendo penetrado, e apagou a foto. Luke era até inconveniente nessas horas.

Luke era um menino mau quando queria e, por isso, fez movimentos bem brutos dentro do loiro, mas mesmo sabendo que poderia machucá-lo, a posição que Samuel estava impedia um novo incômodo.

Cansado da posição, Luke saiu de dentro de Samuel e trocou sua camisinha por uma nova, descartando a velha.

Fez Samuel ficar de frente, afastando novamente suas pernas, puxou o loiro para mais perto dele e passou a introduzir novamente o seu membro no loiro.

Samuel estava com seu rosto vermelho e suado, com os olhos fechados ele gemia, adorando tal prazer recebido.

Luke não conseguia parar de sorrir a cada vez que ouvia um gemido seu e a expressão que Samuel fazia era extremamente prazerosa.

— Não consigo acreditar que eu acabei de tirar sua virgindade.

— Vai. Se. — Um gemido alto. — Foder. — Outro gemido.

Luke somente sorriu.

— Sou eu quem estou te fodendo agora.

Samuel nada disse, permaneceu sendo penetrado e gemendo baixinho. Luke desceu seus lábios até tomar os do loiro e beijá-lo com vontade. Samuel rejeitava a maioria dos beijos, pois não sabia se gemia ou se o beijava.

— Ei, L-luke... — Samuel tentava pronunciar seu nome.

— Pode falar.

— Acelera esse caralho!

Não precisou pedir mais nada. Quando Luke realmente acelerou, Samuel certamente foi aos céus e de lá não queria mais sair.

— Caralho! — Gemeu, segurando forte a cabeça de Luke.

Os movimentos de Luke eram tão precisos, que ele parecia reconhecer quando estava indo perfeitamente bem. Samuel parecia querer se contorcer de prazer na cama, ainda que o prazer estivesse misturado com a dor.

Samuel levou o seu braço para tapar seus olhos, ele novamente se negou a olhar para Luke.

Não precisou de mais nada, Samuel ejaculou sem ser necessária masturbação. Luke, também desesperado pelo prazer e o ápice, saiu de dentro do loiro, arrancou sua camisinha e iniciou uma rápida masturbação. Ali, em cima do abdômen do loiro, despejou sua ejaculação.

Samuel respirou fundo, ainda que acompanhado de gemidos, e estava tão exausto que não teve forças para erguer sua perna com Luke entre elas.

O castigo da manhã seguinte certamente seria a dor em suas pernas, afinal, ele nunca havia sido penetrado e nem ficado tanto tempo com as pernas abertas.

— Gostou? —Luke indagou assim que caiu ao seu lado.

— Não. —Mentiu.

— Seus gemidos negam o que está dizendo.

— Já mandei você se foder?

Luke gargalhou, mesmo que sem forças.

— Agora é minha vez. — Ainda tentava se reerguer. Não poderia sair daquele quarto sem antes comer Luke.

— É uma pena que isso não vai acontecer.

— Não tente brincar comigo, Luke.

— Não estou brincando. Eu só tinha três camisinhas, uma você usou e as outras duas quem usou foi eu.

— Eu ainda tenho... — Samuel olhou para o seu pênis adormecido. Ele em seguida olhou para a parede que antes estava e viu que o preservativo encontrava-se no chão . — Porra!

— Agora eu posso dizer que essa bunda é só minha.

— Vai pra merda. — Samuel se virou, evitando olhá-lo.

Luke permaneceu do seu lugar, com a barriga para cima e o braço repousado sobre ela. Ele sorria como uma criança que parecia ter ganhado sua primeira moeda.

— Isso não vai ficar assim.

— Eu sei que não. —Luke disse sem o menor problema.

— Está me dizendo que quer transar comigo novamente e comigo sendo ativo?

—Só prometa não me machucar na próxima vez. E também me prometa não ficar me evitando.

Samuel nada disse, porém, durante aquela noite estava sorrindo pela primeira vez. Luke era um tremendo idiota. Vendo que não tinha a menor possibilidade de sair do quarto e temendo ser flagrado, ele apenas arrancou o lençol e se limpou com ele mesmo. O lançou no canto da parede e na manhã seguinte daria uma desculpar qualquer.

— Só me abrace. —Ele pediu antes de fechar os seus olhos.

Luke não contestou a vontade do loiro. Acomodou-se na cama e encostou seu corpo ao de Samuel, logo o envolveu com seu braço e aproximou seu queixo o mais próximo que podia do seu ombro.

— Que pintinho bonitinho você tem. — Disse assim que tocou o membro adormecido de Samuel.

Novamente Samuel sorriu e se acomodou no abraço oferecido por Luke.

Eles dormiram com facilidade, bêbados e exaustos. Entre tapas e beijos seria essa relação que provavelmente não teria o seu fim naquela noite.

Notas finais
HAHAHA! Espero que tenham curtido. Ah, atualizei o tumblr de República de Leões, onde tem todos os personagens e suas fichas atualizadas, incluindo as que faltavam (Joshua, Luke, Samuel, Clara, Gale e Megan): http://republicadeleoes.tumblr.com/ e tem também o link do meu ask: http://ask.fm/thomasnyah e o do trailer de RDL: https://www.youtube.com/watch?v=xM19H4G-tes