República de Leões
29 Capítulo 29
Notas iniciais
[início do flashback]
Fazia exatamente uma semana que Danion estava ali. Por obra do acaso ou destino, ele fora parar naquele lugar. William o tinha ajudado a se livrar de uma confusão e nesse meio tempo o loiro, vendo que o branquelo provavelmente não iria ser aceito em nenhuma outra república pelo temperamento ousado, acabou convidando-o. Danion não fazia nem ideia de que existiam repúblicas naquele lugar. Resolveu fazer faculdade longe de casa, justamente por não aguentar mais conviver com os pais.
Naquela noite, entediado, o branquelo se preparou todo para sair. Sua jaqueta preta era, de fato, um fardamento. Ele adorava vesti-la. Se sentia melhor e mais bonito, principalmente com a pose de garoto malvado que tinha.
— Você não conhece o lugar, tem certeza que vai sair? — Rickson perguntou.
— É melhor você ficar. Espera se habituar ao lugar, fazer novos amigos. —William sugeriu. Achava o garoto louco demais para sair por aí.
— Cara, eu só quero me divertir um pouco. É final de semana e esse lugar tá muito parado. Quero beber, fumar... Curtir, no geral.
William revirou os olhos, suspirou cansado e saiu da sala.
— Você deveria começar a respeitá-lo. Ele é seu líder.
— Eu não pedi pra ser. — Disse, dando o seu velho sorriso largo.
Saiu da república e montou a sua moto que estava estacionada logo em frente. Antes olhou no espelho se estava realmente apresentável. Sorriu.
Viu quando um táxi estacionou justo à frente de sua moto. Curioso, permaneceu para saber quem iria descer dali. O ruivo ele já conhecia, era Sebastian. A garota chamava-se Lydia. Mas o menor ele nunca tinha visto. O garoto usava um boné azul, bermuda, sapatos esportivos e uma camiseta laranja, carregava também uma mochila nas costas: Caine.
Caine olhou para trás e viu Danion observá-lo. Sebastian percebeu que o irmão encarou bem o branquelo e imediatamente o arrastou para dentro da república. Danion achou aquilo engraçado, colocou seu capacete e finalmente deu partida, saindo da Quadra.
Dirigiu pelas avenidas da cidade procurando um lugar interessante. Mas nada parecia lhe agradar, chegou a entrar em uma boate, mas imediatamente saiu por considerar o lugar desagradável, sem música legal. Até se insultou por ter parado naquela cidade, deveria continuar morando com seus pais, pelo menos lá tinham boates legais.
Olhou para o lado e viu uma torre interessante, que lhe chamou a atenção. Pensou até em parar e ficar por ali, mas logo ficou com preguiça. Voltaria outra hora.
Desistindo de permanecer vagando em busca de uma boate que aparentasse ser legal, tomou o retorno e iria voltar para a Quadra. Perdido, o branquelo tomou um caminho diferente.
Música alta invadia os seus ouvidos, chamando-lhe a atenção. Guiando-se pelo som das batidas, Danion parou em frente ao Ninho. Era de lá que vinha aquela música alta e agradável. Seus pés batiam no chão ao ritmo da batida.
Viu pessoas entrando e saindo do lugar, todas pareciam realmente se divertir. Interessado, estacionou sua moto, retirou o capacete e mais uma vez olhou para o espelho. Arrumou o cabelo e sorriu.
Danion caminhou até a entrada da festa, sorridente, deu alguns passos e de repente quatro mãos o impediram de prosseguir. O branquelo olhou para os lados e viu dois garotos olhando-o. Eles eram altos e fortes, mas não chegaram a intimidá-lo.
— A pulseira. —Um deles disse. Danion não entendeu. — Você não tem a pulseira, então não entra.
Danion foi obrigado a recuar um pouco quando três garotas passaram, todas mostrando a pulseira de identificação. Sorriram para os garotos e entraram.
Sem saída, o branquelo ofereceu:
— E se eu pagar?
— Noah nos mataria caso descobrisse. Não dá, cara. Só quem é do Ninho pode entrar, ou convidados.
— Porra, tu vai rejeitar dinheiro?
— Melhor do que perder um dedo.
Danion deu mais alguns passos e novamente foi impedido. Ele queria entrar, deveria entrar. Precisava entrar.
— Porra, ninguém vai perceber que eu não tenho essa pulseira.
— Acredite, há olheiros na festa. Joshua é bem organizado. Penetras não tem vez.
De repente, um garoto caiu ao lado de Danion. Ele fora lançado por alguém que estava dentro da festa. O garoto resmungou, insultando a todos e Danion percebeu que ele também não tinha a pulseira.
— Está vendo aí? — Um deles sorriu. — Sem chances pra você.
Entrando no ritmo dos insultos do garoto ao lado, proferiu diversos xingamentos aos dois garotos e deu as costas. Realmente ficou irritado. Ele era rico e bonito, poderia dar uma grana razoável para aqueles garotos, mas ninguém se importou com isso.
Voltou para sua monto e ficou parado em frente a ela por alguns minutos. Não deveria estar tão irritado assim. Mas não conseguiu controlar a raiva que sentiu. Danion observou todas as extremidades do local e, não sendo observado, caminhou até uma escada jogada e conseguiu pular o muro que cercava o Ninho. Seu pensamento foi o mais travesso possível e ele tinha noção disso.
A adrenalina de ter invadido o local era estranhamente excitante. A festa ocorria em um único bloco que, por sinal, era o bloco do Joshua. As luzes chamavam a atenção de Danion. O branquelo sorriu, esfregou as mãos e rumou para os fundos do bloco. Imaginou que por ali encontraria a rede elétrica e quase gritou por ter encontrado isso.
Todos aqueles botões chamando-lhe a atenção. Sorriu travesso e mais uma vez esfregou as mãos, imitando os vilões de desenho animado.
Olhou para os lados e ninguém o observava. Danion então pressionou todos os botões possíveis até que alcançou o resultado que queria. Tudo ficou escuro. Imediatamente ouviu alguns gritos de desgosto vindos de lá de dentro.
O branquelo gargalhou alto.
— Ei! — Uma voz acabou assustando-o.
Ali fora era um pouco mais iluminado devido às outras luzes dos outros blocos. Mas ainda era difícil distinguir o desgraçado que causara aquilo. Danion aproveitou o momento e a distância do outro e correu. Porém, passou a ser seguido.
Alcançou o muro que facilitou sua entrada ali dentro e saltou, machucando-se devido à má posição ao cair. O garoto que o seguia pediu ajuda. Mas o branquelo era rápido demais. Saltou, rolou e desviou de alguns objetos que foram lançados contra ele. Esqueceu até de sua moto, mas com certeza não iriam descobrir que a moto era sua, já que muitas outras estavam por ali.
Danion não sabia para onde estava correndo. Corria por cerca de quinze minutos tentando não ser pego pelos outros que com certeza fariam grandes estragos em seu rosto bonito. Embora filho da puta, Danion era um tremendo sortudo. Acabou notando que a alguns metros estava a entrada da Quadra. Acelerou mais ainda a sua corrida e entrou na Quadra, despistando os outros.
Os garotos pararam, cansados. Não era permitida a entrada deles naquele lugar. Mas estavam satisfeitos com o que descobriram. O garoto pertencia à Quadra. E, provavelmente, Joshua iria conseguir resolver isso da melhor maneira possível.
[final do flashback]
Noah estava parado em frente à parede do seu quarto. Usado, agora, como objeto de decoração, estava seu violino. Um instrumento de grande valor sentimental. Tinha boas lembranças daquele instrumento. Lembrava-se das horas de estudos e da sua primeira apresentação. Fora difícil conciliar faculdade de administração com música, mas sempre que podia, resolvia treinar. No entanto, alguém retirou isso dele.
Caleb apareceu por trás, envolvendo os braços na cintura do loiro, beijando-lhe o pescoço.
— Você estava irritado comigo.
— Eu sempre estou. Você faz por merecer.
— Só faço aquilo que acho justo. Não me arrependo do que fiz.
— Noah, eu sei dos seus motivos, está bom? Mas vocês já tinha resolvido o problema, e você insiste em ir adiante.
— Eles retiraram de mim algo de grande valor. Eu também preciso retirar deles algo com o mesmo valor sentimental.
— É assim que você se satisfaz. — Caleb afastou-se do namorado.
Noah se virou.
— Então por que ainda continua comigo?
— Odeio quando você me pergunta essas coisas. Eu só queria te confortar e olha só onde chegamos? Tão rápido. Melhor me retirar a ter que discutir com você.
Caleb saiu do quarto, irritado. Não bateu a porta, embora fosse uma vontade sua.
Noah permaneceu no quarto e voltou a olhar pro violino. Imediatamente, uma lágrima desceu de seus olhos. O loiro olhou para suas mãos e teve a triste lembrança daquela noite.
[início do flashback]
Era aniversário do considerado líder do Ninho. Sendo também considerada a melhor festa do ano. Joshua não gostava desse dia, mas Noah fazia questão de fazer festas. Sentado em um degrau da escada, ele segurava uma garrafa de bebida nas mãos, flertando com Megan à distância.
— Você deveria ir dançar. É seu aniversário, Josh. — Noah sentou-se ao seu lado.
— Não gosto dessa data. Você quem organizou tudo isso.
— E você vai ficar assim? Poxa, finge que tá feliz até pelo menos batermos os parabéns.
O ruivo sorriu. O irmão era realmente persistente. Noah tomou a garrafa de Joshua, bebeu um pouco da bebida e em seguida devolveu.
— Como vai o namoro?
— Você deveria me perguntar: onde está o namorado? Eu não sei! Estou procurando ele. Caleb disse que iria atrás de bebidas e não mais voltou.
Joshua o encarou, suspeitando.
— Não, Josh. Caleb nunca faria o que você está pensando. Até porque ele sabe que você o mataria e eu consigo descobrir tudo o que quero. Ele estava super bêbado, aposto que deve ter caído em algum sofá por aí.
— Vá procurá-lo. Me deixe sozinho. A festa é minha, mas ela literalmente foi feita pra você.
— E claro que eu irei. Eu não vou ficar aqui parado com essa música boa que acabou de começar. Sério, você deveria fazer o mesmo.
Noah se levantou, tentando dançar naquele degrau de escada.
— Sério, você vai mesmo perder isso? Vamos Josh!
Noah deu apenas dois passos quando tudo foi apagado. De repente, não encontrou o próximo degrau. Apesar dos vários gritos das pessoas reclamando pela falta de luz, o grito de Noah se distinguiu.
Joshua imediatamente notou que o pior acontecera.
[final do flashback]
Noah perdera os movimentos finos da mão. A notícia pegou a todos de surpresa. Difícil foi aceitar isso no começo, quando passou a ter dificuldade para pegar alguns objetos e viu-se obrigado a abandonar o instrumento a que tanto se dedicou. Chorou por meses, sofreu pelo mesmo período. Até hoje sofre e sente falta.
Joshua pode ter todos os seus defeitos, mas ama o irmão. E por isso prometeu vingança. Os dois. Juntos.
[...]
Connor mantinha os olhos fixos em Ian, que lia e nem o percebia. A paixão era, de fato, devastadora. Deveria estar estudando, a pedido do namorado, mas não conseguia. Todas aquelas coisas não entravam na sua cabeça e ele facilmente perdia a concentração, se distraindo facilmente.
— Pra onde iremos? — Connor perguntou.
Ian retirou os óculos, passou as mãos nos fios negros e suspirou, cansado.
— Por mim, eu levaria todos os leoninos para a casa que te mostrei. Mas meus pais não deixariam.
— Podemos comprar a república novamente... — Sugeriu.
— E você acha que Noah aceitaria? Ele sonha em nos derrubar.
— Ah... É verdade. Não pensei por esse lado. Ele não iria querer vender. Mas e se... Ah, deixa. Não consigo pensar em nada.
Connor fechou o livro. Foi até o seu teclado que ficava no canto do quarto e olhou para Ian, que o encarava. Antes mesmo dos dedos tocarem a tecla, alguém gritou:
— Eu me recuso!
A voz do Colin alcançou o quarto dos garotos. Ian e Connor trocaram olhares suspeitos.
— É melhor irmos. Não duvido que uma nova confusão vá se iniciar. — Ian disse.
— Mas poxa... Vocês aqui vivem brigando.
— Você já deveria ter se acostumado com isso. Vem, vamos. Sei que você vai conseguir segurar alguém.
Ian foi o primeiro a se levantar, colocar os óculos no colarinho da camisa e esperar Connor se aproximar. Antes, teve um beijo roubado pelo namorado, travesso, que riu ao pegá-lo de surpresa. Ian até pensou em reclamar, mas não resistiu. O beijo era bom.
Ao chegarem na sala, Sebastian estava de pé ao lado de William, com todos os outros leoninos ao redor. Com exceção de Danion, que estava sentado na escada, com o braço sob proteção.
— É nossa única opção, Colin.
— Eu me recuso a morar no mesmo lugar que aquela cobra. Jamais! Nunca!
— E onde você quer morar, bonitão? — Danion perguntou, irônico.
— Na rua! Mas não vou conseguir conviver com aquele garoto, gente.
— Colin, você vai ter que aceitar. Sebastian está querendo nos ajudar. — Rick tentou fazer o menor entender.
— Sebastian não me deixaria dividir o quarto com o Caine.
O ruivo não negou. Mas permaneceu em silêncio.
— Só um minuto, gente.
Octavio se afastou de Sebastian, puxou Colin pelo braço e o arrastou até a cozinha. O moreno puxou uma cadeira para que ele se sentasse, mas o menor rejeitou, cruzou os braços e esperou Octavio falar.
— Sério isso? Sério que você tá fazendo todo esse alarme por não querer ir para a outra república? Chega, Colin!
O pequeno notou um pouco de raiva nas palavras do moreno. Mas não se intimidou.
— Chega?! Octavio eu...
— Colin, não temos saída. — Prosseguiu, interrompendo o menor — Eles compraram nossa república e nós temos um prazo para permanecer aqui. Não sei você, mas eu não quero cumprir esse prazo, quero sair o mais rápido possível. Eles agiram conosco de forma baixa, tomaram de nós a república. E não é por um simples orgulho seu que iremos deixar de aceitar a ajuda do Sebastian.
— Se você quiser ir, você, William e todos os outros podem ir. Mas eu me recuso.
— E para onde você vai? Abrir mão do seu sonho por causa desse charminho?
— Octavio... — Não gostou de ter ouvido aquilo.
— Você acha mesmo que vai ir para a república do Sean? Seria capaz de mostrar a todos que você e ele tem um caso? Ou iria para a casa que ele tem? É isso que você quer? Você sabe que essa escolha te prejudicaria. Por sua causa, estou escondendo do meu namorado o segredo que só nós dois sabemos. Não sei por que não consigo contar a verdade para ele.
Colin olhou para os lados, temendo que alguém estivesse ouvindo.
— Faça isso e você irá se arrepender amargamente. Escolha os tigres, decepcione seus companheiros. Ou melhor, mostre que você se deita com o maior rival daquele que sempre te protege.
— Da mesma forma que você fazia? Afinal, Octavio, nós dois vivemos em cima do muro. E no seu caso, isso durou anos. — Não aceitou as palavras do outro e rebateu.
Colin é o tipo de garoto que mesmo estando sem razão, procura motivos para rebater.
— Você não conhece toda a história.
— Não precisei viver com vocês naquela época pra saber o que aconteceu. Da mesma forma em que eu não conto a verdade pro William, você fez isso com Sean. Namorava-o escondido e não contava ao melhor amigo. Mas quando a verdade veio à tona você foi obrigado a fazer uma escolha, logo se arrependeu e por anos ficou remoendo as mágoas do passado. Tá me poupando do mal que você passou?
— Estou te poupando sim, Colin. Eu conheço Sean há mais tempo que você.
— Não tenho inveja disso, Octavio. Você perdeu a confiança nele e eu também não consigo confiar.
— Então espero que você faça logo a sua escolha e que não se arrependa. Nenhuma mentira dura para sempre, um dia a verdade vem à tona, da mesma forma que veio para mim.
William resolveu aparecer na cozinha, assustando os dois garotos. Colin e Octavio trocam olhares suspeitos que incomodaram o loiro.
— Por que pararam de falar quando cheguei?
— Você nos assustou. — Colin teve uma resposta rápida, mas a força das palavras demonstrava que ele estava irritado.
— Conversavam sobre algo que não posso saber?
— Octavio está tentando me convencer a ir para os águias. Eu decidi. Irei com vocês.
Colin nem sequer esperou alguma ação de William. Afastou-se do moreno e passou pelo loiro sem falar mais nada. Subiu os degraus da escada e bateu a porta do quarto, o que gerou comentários dos demais que estavam lá embaixo.
William olhou para Octavio. Conhecia o namorado e sabia que ele provavelmente tinha dito algo ao Colin que o irritou. Há tempos percebia que Octavio não confiava muito no pequeno, até suspeitou de ciúmes, mas achou que o namorado estava se adaptando a isso.
— Tem algo muito estranho acontecendo aqui.
— Só discutimos. — Octavio se levantou, fui até a pia e lavou as mãos, tentando retirar da mente as palavras duras que ouviu. Mas também sabia que as palavras que proferiu foram pesadas a ponto de fazer o outro refletir.
— Posso saber o motivo?
— Roupa suja. O beijo que ele te deu naquele jogo e os charminhos que ele faz para chamar sua atenção.
— Sério que você foi brigar com ele?
— E você vai brigar comigo? Ah, William...
— Calma... — O loiro levantou as mãos, como se estivesse se rendendo. — Não estou aqui pra discutir. Vamos voltar pra sala?
— Já está tudo decido? — Octavio indagou.
— Não quero mais permanecer sob um teto que não é mais nosso.
— Vai ser complicado no início, mas conseguiremos nos adaptar. Vai ser um saco não dividir mais o quarto com você. Não é legal trocar carícias em uma república que não é nossa.
— Eu ia te contar que Sebastian expulsou alguns membros.
— Como?
— Tinha membros dos águias que também queriam a queda do Sebastian, inclusive ajudaram a trapacear nos jogos da Quadra. Diferente de nós, eles só tiveram um prazo de 24hrs. Amanhã mesmo estaremos nos mudando pra lá.
— Pelo visto as coisas estão mesmo apertando para nós. Até Sebastian não se livra. A Quadra já não é mais a mesma, Sebastian não é mais respeitado e os próprios membros se viraram contra ele. Não temos mais a república... Só o Sean que permanece intacto.
— Quem se importa? — William prendeu os braços na cintura do namorado. —Continuaremos tendo um quarto só nosso e Sebastian me garantiu isso, o que significa que...
— William... — Octavio se afastava, sabendo que aquele não era o momento.
Foi impossível se livrar, aceitou o beijo do namorado e não se conteve ao suspirar quando as mãos de William pressionaram sua cintura.
— Hm... Eh... — Sebastian apareceu logo atrás dos garotos.
Imediatamente William se afastou de Octavio e os dois procuram um buraco para enfiarem a cara por tamanho constrangimento que sentiam.
— Eu converso com você outra hora.
Sebastian imediatamente saiu da cozinha. Até ele estava constrangido com o que acabara de ver.
Mas William não resistiu e sorriu meio aliviado, olhando para o namorado que estava incrédulo e extremamente constrangido por ser pego no flagra. Não que estivesse fazendo sexo ou algo do tipo, mas ainda assim era constrangedor.
Apesar de tudo e do momento, William era bem grato ao amigo que tinha. Sebastian era o irmão que queria. Ele acabou de poupá-lo de uma preocupação tremenda, oferecendo quartos de sua república e do conforto que antes tinha para aceitar leoninos que geralmente estão trocando farpas e insultos.
[...]
Colin jogava todas as suas roupas em cima da cama. A discussão que teve com Octavio o deixou com raiva. Preferia que ninguém entrasse no quarto e o incomodasse. Olhou para o abajur e sua vontade foi mandar o objeto para longe. O relógio também serviu para aumentar sua raiva. Porém, parou e percebeu: Do que estava raiva, afinal? Do Sean ou da verdade dita por Octavio?
Sim, tinha todos os motivos para estar com raiva de Sean ou consigo mesmo. Maldita hora em que foi se perder nos olhos daquele moreno e agora estava em um beco sem saída. Não era questão de escolha, afinal, qualquer escolha traria uma consequência. Mas não podia ficar pensando nisso, acabaria louco.
Como falar para aquele que tanto o protege que se deita com o rival e irmão?
Octavio certamente tinha razão. Afinal, a escolha gerou consequência. Mesmo que para isso tivesse que enfrentar anos de sofrimento e mentiras. Colin não estava disposto a isso.
Connor interrompeu seus pensamentos ao entrar no quarto. Colin até resmungou em sussurros e ignorou totalmente a presença do outro ali.
— Ei, cara, não precisa ficar estressado.
— Não enche, Connor.
— Eu subi porque Ian mandou.
— Você realmente precisava me dizer isso?
— Ah, é que ele diz que eu costumo alegrar as pessoas. Achei que valia à pena aparecer aqui.
Colin ficou em silêncio. Dessa vez, resolveu dobrar as roupas. Connor se ofereceu para ajudar e o menor não recusou.
— Que tal gritar?
— O quê? — Colin o encarou.
— Gritar, oras. Gritar! — Connor então gritou, assustando Colin. — Te assustei. — Sorriu.
— Claro! Você é louco.
— Dizem que isso serve para mandar embora o estresse. — A cada palavra seu tom de voz aumentava. — Você poderia tentar! O que acha, Colin!
— Para de gritar...
— Parar?! Vamos, Colin, grite! — A voz alta de Connor incomodava o menor.
— Para, desgraçado!
— La, La, La! — Repetia diversas vezes, sorrindo e irritando Colin.
— Para, seu desgraçado! Idiota! — Colin, sem perceber, gritou. — Maldito, babaca, estúpido, imbecil! Eu espero que você morra, desgraçado. Babaca! Vai se foder! — Cada vez mais estava gritando. — Morra! Morra! Morra!
Connor não respondeu. Apenas ouvia Colin descarregar toda a raiva em silêncio. Até que o pequeno, ao final de dizer, caiu na cama e chorou.
Colin sabia que não estava insultando Connor, mas sim Sean. Mesmo que não houvesse um real motivo para isso. Mas agora admitia que teria que fazer uma escolha, e preferia odiar Sean e ver William bem. Afinal, aquele que lhe acolheu nunca queria o seu mal.
Lá embaixo todos ouviam os gritos de Colin e até se assustaram. Ian quem os impediu de subir, ele confiava em Connor e sabia que estava conseguindo controlar os ânimos do pequeno.
Até mesmo Octavio foi capaz de compreender as palavras proferidas por Colin. Olhou para William e sentiu um aperto no coração. Poderia ser um filho da puta e entregar o pequeno, mas até ele estava prestes a se prejudicar por isso. E também queria poupar o namorado da dor.
Colin, após respirar fundo e se sentir melhor, enxugou as lágrimas e se colocou de pé mais uma vez. Connor estava seu lado.
Aquele que o dia o espancou estava agora se redimindo. Colin, certamente, estava grato por isso.
— Cara, eu jurei que tinha um leão aí dentro de você. Você rugiu!
Colin sorriu ao perceber o quão idiota Connor era.
[...]
Ninguém dormiu aquela noite. Eles simplesmente não conseguiam.
William, Octavio e Colin estavam sentados na cama, em silêncio, apenas olhando para o quarto quase vazio. Rick, em seu quarto, chorava muito, ele era consolado por Leonard, que deixou de arrumar suas coisas para ajudá-lo. Danion estava na sala, fumando e pensativo. O branquelo tinha acabado de chegar, já que passou algumas horas do dia fora.
Connor era um único que queria dormir, ele até estava deitado na cama. Mas encontrar Ian de pé, parado em frente aos livros na prateleira da parede o mantinha acordado. Ele conhecia o namorado e sabia que ele não estava bem.
Tantos foram os momentos bons dentro daquela república e não seria fácil abandoná-la, mesmo que estivessem se mudando para outra vizinha.
Mandando os pensamentos para longe, os leoninos viraram a madrugada arrumando toda a mudança. Era possível ouvir o eco da voz a cada vez que falavam algo, devido ao vazio que ficava.
Todos, da sala, viram o sol nascer. Connor estava deitado sobre as pernas de Ian e dessa vez ele dormia, recebendo cafuné do outro. Ian ofereceu o ombro para Colin se deitar e o pequeno não rejeitou. Rick, Leo e Danion estavam no segundo sofá, ambos olhando para a janela.
William e Octavio estavam de pé, também olhando para a janela.
O silêncio reinou por cerca de uma hora. Despedidas silenciosas da república que sempre divertiu os leoninos. Flashbacks passaram na mente de cada um.
Mas alguém tinha que animar aquele lugar, mesmo que para isso precisasse vestir uma máscara de felicidade.
— Isso virou velório? Eu não morri. —Danion quebrou o silêncio.
Todos olharam para o branquelo.
— É verdade, gente. Olha esse clima.
— Perdemos a república, Dan. — Leo comentou.
— Mas isso não significa que perdemos a essência. Eles tomaram de nós a república, fomos chamados para outra. Por mais que sejam águias, nós continuamos leoninos. Um leão sempre permanece rei. Rei da selva, rei da Quadra.
A piada fez Octavio sorrir, William olhou para o moreno.
— Ei... — Ian sussurrou no ouvido de Connor.
Connor se remexeu nas pernas do menor.
— Que tal pegar seu teclado? — Indagou.
— Tá guardado... — A voz falhava.
— Não precisa! —Rick correu para a cozinha e voltou com algumas panelas, jogando para os companheiros. Todos ficaram sem entender.
Logo, o mulato começou a bater nas panelas e andar pela casa.
— Vamos, gente! —Ele incentivava.
Danion era o único a não poder fazer aquilo, afinal, seu braço estava impossibilitado de fazer movimentos bruscos.
Colin, logo após Rick, se levantou e também começou a bater com a panela. Leonard veio em seguida, minutos se passaram e todos os leoninos estavam batendo nas panelas. Não tinha ritmo, mas havia dança, gargalhadas e gritos. Tudo serviu para descontrair.
A simplicidade fazia parte daquela república. Sempre procurariam motivos para sorrir.
A vizinhança toda foi acordada. Mas quem se importa? República de leões sempre foi a república mais barulhenta de toda a quadra nove.
[...]
Ninguém se atrevia a olhar em seus olhos. Não que fosse proibido, mas por se sentirem intimidados por seu tamanho e sua fama. Afinal, ter a fama de garoto mais violento de toda a universidade era algo que ele adorava. Não considerava ninguém seu amigo, claro, com exceção daquele que tem laços de sangue, ou seja, seu irmão Noah.
Joshua caminhava ao lado de Megan, a garota segurando em seu braço e sorrindo para todos que os encaravam. O ruivo não esboçava nenhuma expressão. E era por isso que as pessoas tinham medo dele. Nas vezes em que Josh sorria era porque tinha feito algum estrago em alguém. Sádico por natureza.
Poucos não se sentiam intimidados por Josh, um deles o seu sobrenome: Luke já deixou cicatrizes no corpo do ruivo. Também os líderes da Quadra e claro, um anão irritado chamado Colin.
Futuro bioquímico, Joshua escolheu o curso por acaso. Ele mesmo admite isso, já que no colegial as matérias que tinham relação com os assuntos estudados agora eram suas favoritas. Mas não se arrepende em nenhum momento de ter feito essa escolha.
Seus pais eram apresentadores de um programa de TV bastante conhecido e, por ser filho de famosos, já aparecera em manchetes diversas vezes. Infelizmente, todas as vezes que apareceu fora por algum momento de rebeldia. Enquanto Noah era o queridinho, Joshua era considerado o filho rebelde.
Sempre ao dobrar o corredor tinha que se despedir de Megan. A garota era rival de Lydia e ambas faziam o mesmo curso, só que a veterana da Quadra estava prestes a concluir. Recebeu um longo beijo da namorada e a deixou ir.
Joshua continuou caminhando para a sala na qual teria aula. Quase sempre visto sozinho ou com seus primos. Quem ousaria se aproximar senão os seus capangas?
Porém, um jovem universitário, também futuro bioquímico cruzou seu caminho.
O loirinho, pequeno, com seus 1,70m de altura, caminhava distraído pelo corredor que o levava até sua sala de aula. Tropeçara em seus próprios pés, tentou se equilibrar e não conseguiu, acabou caindo no chão e chamando a atenção de todos que riram daquela cena. Seu corpo só parou quando sua cabeça encostou as pernas de alguém que aparentava ter o dobro do seu tamanho.
Os livros voaram para um lado e os óculos que usava para estudo para outro.
Edgar queria enfiar sua cara em um buraco escuro e nunca mais retirá-la de lá. Rapidamente se colocou de pé e apanhou seus livros, nervoso por estar na presença daquele que machucou Danion.
— D-desculpe. E-eu estava distraído.
Joshua ficou em silêncio apenas ouvindo o garoto falar. Tinha vagas lembranças dele, mas não ousou perguntar. Como sempre, permanecia sério.
— Ah, por favor, não bate em mim... — Edgar pediu, já com a voz trêmula.
Joshua franziu o cenho. Seria essa a vantagem de ter a fama que tinha? Mesmo sem dizer uma palavra as pessoas já achavam que ele estava pronto para agredir. Joshua apenas se abaixou, apanhou os óculos de Edgar e o avaliou.
— Não quebra. E-eu não vou conseguir estudar sem eles. — Edgar estava realmente com medo, suplicava.
Mais uma vez Joshua o encarou. Estendeu a mão e Edgar se encolheu. Ele provavelmente esperou um soco, mas o ruivo apenas lhe entregou os óculos. Temendo, o loirinho levou a mão aos óculos e o recuperou.
— N-não vai me bater?
— Eu não sou um monstro. — Tentou parecer calmo.
— Obrigado... — Agradeceu, abaixando a cabeça.
— Você é membro da Quadra, não é?
“Eu vou apanhar.” Pensou. Se admitisse provavelmente isso aconteceria.
— Sou. — Mas teve coragem o suficiente para admitir.
— Só diga aos seus companheiros que amanhã estamos nos mudando pra lá.
Edgar voltou a olhar em seus olhos.
— Tudo bem.
Não querendo mais permanecer próximo do ruivo, Edgar saiu dali, acelerando os passos. Estava realmente morrendo de medo. Com certeza iria ao banheiro.
Joshua permaneceu ainda parado e antes de caminhar olhou para trás, vendo o pequeno afastando-se cada vez mais. O ruivo suspirou em forma de sorriso.
Edgar sempre foi o aluno zoado do colegial. Simplesmente por ser o aluno que mais se esforçava. Amigos? Não. Ele não tinha. Quando chegou em Seattle, Colton foi a primeira pessoa a quem ele chamou de amigo. Colton se aproximou de Edgar por interesse, afinal, o loirinho se destacou logo na primeira semana de aula. Mas ele tinha que admitir que Edgar era um bom ouvinte e um bom colega, apesar de não considerá-lo amigo.
Estava sendo difícil para ele permanecer na Quadra, afinal, Colton desaparecia sempre, sentia que Colin sentia ciúmes de Caine e por isso resolveu se afastar um pouco, temendo criar intrigas com os colegas. Sentia-se sozinho.
Apenas Lydia conversava com ele nas noites em que se encontravam ao chegar da universidade. Mas ele já estava triste por saber que aquele era o último ano da garota ali. Precisava fazer novas amizades.
Assim como Colin, Edgar era bolsista. Viveu com os avós a partir dos dez anos de idade. Seus pais morreram em um acidente de carro. Mas ele superou sozinho a perda deles, mesmo sendo apenas uma criança.
Quando Edgar entrou no banheiro, acabou encontrando Sean. Mais um garoto que ele temia. Certamente não era seu dia. Por sorte, Sean já estava saindo do banheiro e ignorou sua presença.
Seu dia seguiu normal, porém, uma vaga lembrança tomou-lhe a mente: Joshua entregando-lhe os óculos.
[...]
Sean, quando voltou da universidade, viu a mudança dos leões. Mas evitou olhar muito e apenas entrou em sua república. Santiago estava deitado no sofá, assistindo.
O moreno acabara de tomar uma atitude. Tudo isso desde o jantar com seu futuro padrasto.
— Cara, eu preciso conversar com você. —Santiago disse, sentando-se.
O moreno não falou nada, permaneceu de pé ao lado da escada.
— Não vai se sentar?
Sean negou.
— Então, é que... Você não acha que deveria ser mais presente? Tipo, você é o líder da república, mas não parece...
— Tá achando ruim? — Sean não esperou que Santiago concluísse.
— Estou. — Admitiu.
— Você tem duas chances. Ir para as repúblicas menores e acredito que nem vaga teria, ou ir para os águias, que também não teria. A sua antiga república não existe mais e os antigos membros dela estão ocupando a provável vaga que poderia ser sua. E eu sei, Santiago, sei do seu interesse em Caine.
— Em Caine? — Resolveu ignorar todo o resto.
— Caine ou Leonard? Bem, você sabe que Octavio era meu amigo na época não?
Santiago avançou. Sean apenas deu um passo para o lado, segurou o braço do outro e o pressionou contra à parede, levando seus braços até as costas. Santiago sentiu a dor.
— Não ouse, jamais, bater em mim. Quem manda aqui sou eu, Santiago. Não tenho problemas com sua sexualidade. A propósito, desde o dia do jogo, você deixou isso livre para quem é inteligente descobrir.
Ele largou Santiago que passou a esfregar o braço que doía.
— Você me considera um péssimo líder, mas não considera o fato de eu ter te ajudado a se tornar quem é hoje.
— Você me dedurou na reunião! Não devo te agradecer por nada.
— Te dedurei, mas fiz com que não te expulsassem da Quadra.
Santiago ficou calado.
— Eu não estou com a menor vontade de brigar, Santiago. Sei que você tem seus problemas, mas não sou eu quem deve resolvê-los. E não culpe minha liderança. Já disse que você pode sair quando quiser.
Santiago mais uma vez não respondeu. Continuou a esfregar os braços e sentou-se no sofá. O que ele poderia ter dito? Sean não tinha pontos fracos.
— Diga aos demais que não me perguntem sobre a universidade. Eu tranquei meu curso de odontologia.
E subiu as escadas, sem olhar para trás. Santiago pareceu não se importar com o que ouviu.
[...]
Quem disse que Sebastian estava feliz? Ser amigo de William tinha suas consequências, e duas delas se destacavam: Colin e Danion. O branquelo já achou que mandava no lugar quando se sentou no sofá, exausto, e pediu água para Lydia e a morena, simpática, não reclamou e foi buscar.
— Viramos casa de apoio aos sem teto? — Colton indagou assim que passou por Colin.
— Certamente. Você também é um abrigado. — Colin rebateu. O pequeno não largava seu abajur.
William revirou os olhos já prevendo o que iria acontecer.
— Por que não vai em algum programa de televisão pedir ajuda? Sei lá... Eles poderiam te doar roupas, e sabemos perfeitamente que você precisa disso. Essa sua camisa você usou semana passada por duas vezes.
— Foi assim que você conseguiu suas roupas novas? Ou precisou usar do corpo mais uma vez? Afinal, soube que já dormiu com metade da Quadra.
— Inveja porque transo e você não? Quem tem olhos pra anã britânica? — Gargalhou.
— Gente, eu não sou obrigado a ter que morar na mesma república que ele. Eu vou acabar voando no pescoço desse garoto.
William segurou em seu braço. Colin já estava começando a perder a paciência. Retiraram Colin da sala e o levaram até outro cômodo, só para que ele se acalmasse. Sebastian mandou Colton dar uma volta enquanto os leoninos preparavam a mudança e, respeitando o líder, aceitou sem reclamar. Tinha planos melhores.
O resto da mudança seguiu por horas e só à noite eles tinham acabado de retirar tudo o que servia da antiga república. Ainda tinham que montar camas, armários e guarda roupas. Arrumar, limpar e definir onde as camas ficariam, além da divisão dos quartos.
William, Sebastian, Octavio, Rick e Lydia eram os únicos acordados da república. Colton alegou dormir fora e os outros membros nem estavam presentes.
— Você tem que deixar Colin e Caine dormirem juntos. — O loiro comentou.
Todos os cinco estavam na cozinha, comendo algo preparado por Rick. Lydia, inclusive, elogiou bastante o mulato. Eles conversavam no canto da cozinha enquanto os dois líderes e Octavio estavam sentados à mesa.
— Não confio nele, William. Apesar de ser alguém que você vive protegendo.
— Sebastian, é nosso último ano aqui, uma hora você vai ter que deixar Caine sozinho. Lembre de como Caine era antes do Colin chegar na Quadra.
— Me ouvia, me respeitava e não estava envolvido em tantos problemas.
— Não o culpe. Colin tem feito Caine sorrir muito. A amizade deles lembra a nossa, logo quando cheguei na Quadra. Você sabe que laços de amizade dentro da quadra são extremamente importantes.
— Aquele garoto não é confiável. Eu sinto que é por causa dele que Caine tá perdendo a essência.
— Na verdade, Caine continua o mesmo garoto de sempre. Você que o enxerga como uma criança que sempre vai depender de você. — Octavio resolveu comentar. — William sabe que eu também não confio muito no Colin, mas eu tenho noção da amizade dele e do Caine. Eles parecem irmãos, Seb. Apesar das personalidades opostas, Colin defende Caine com unhas e dentes e ele já chegou a jogar verdades na cara do Danion. Mais um motivo pra você aceitar isso.
— Quando pensei em trazer vocês pra cá, iria colocar o Edgar pra dividir quarto com o Caine. Não confio muito nele com o Colton e ele me aparenta ser legal, infelizmente eu não consigo ser tão próximo dele.
— Tenho pena daquele garoto com Colton. — William colocou o cotovelo sobre a mesa.
— Colin, Caine e Edgar. Você pode deixar com que os três dividam quarto.
— Já não quero deixar um, você me põe dois?
— Faça um teste. Se você ver que isso não deu certo, você desfaz. Mas aqueles três garotos podem se tornar grandes amigos. Eu até pensei no Leo, mas Leonard sempre dividiu quarto com Danion e não vai querer se desfazer disso.
— E prefiro assim. Tanto é que o quarto daquele garoto vai ficar bem longe. Não o quero perto do meu irmão. Só eu sei o quanto Caine sofre por ele.
— Eu vou dar uma olhada nos garotos. Tenho certeza de que acabaram dormindo por cima das coisas.
William se levantou e saiu da cozinha, deixando os outros conversando. Octavio poderia convencer o ruivo a aceitar a proposta. Por incrível que pareça, ele conseguia ver uma ligação entre Caine, Colin e Edgar. O último porque aparentava ser parecido com eles e precisava de amigos como eles.
Ao entrar no quarto de Caine, sorriu com o que viu.
Caine dormia por cima de Colin, ambos na mesma cama. Edgar dormia sobre a mesa de estudos do pequeno, e Leo estava abraçado a um travesseiro no chão. Octavio apareceu um minuto depois, beijando a bochecha do namorado e também rindo do que via.
— Consegui convencê-lo.
William não disse nada e beijou Octavio, agradecendo-lhe.
O loiro se desfez do abraço do namorado e foi até Edgar. Forte, conseguiu pegá-lo no braço. Octavio deitou um colchão no chão e pôs o loirinho deitado, retirando os óculos que ele usava e pondo-o sobre a mesa. Edgar acordou, mas não disse nada. Se virou e voltou a dormir.
Aproximou-se de Leo, e tocou o braço do garoto.
— Ei, Leo. — Apontou para outro colchão ao lado de Edgar.
Leonard não disse nada, recebeu a ajuda do loiro e foi até a cama. Novamente abraçando-se ao travesseiro.
William foi até a cama de Caine. Retirou o pequeno de cima do Colin e o colocou no canto da cama, ajeitando seus braços e pernas. Colin dormia como pedra de tão cansado que estava. Mas o toque do loiro o fizera despertar. Ao abrir os olhos viu o sorriso do William.
— Shh... Pode voltar a dormir.
Colin viu Octavio logo atrás, parado na soleira da porta. Mas não disse nada. O moreno apenas mantinha os braços cruzados e o olhava.
O pequeno fechou novamente os olhos e foi agraciado com um beijo na bochecha. William era realmente aquele que vivia protegendo-o de todo o mal. O loiro não percebeu, mas Colin deixou escapar uma lágrima.
— Se eu te decepcionar, William. Você promete nunca me odiar? — Disse, ainda de olhos fechados.
— Mas que coisa, Colin. Por que me diz isso?
— Não sei. Tudo acontece, tudo muda. As pessoas costumam decepcionar as outras.
— Esse não é o caso de nós dois.
— Mas se um dia isso chegar a acontecer, prometa nunca me odiar.
William sorriu, achando que Colin estava delirando por causa do sono.
— Tudo bem, eu prometo.
Deu-lhe mais outro beijo na bochecha e saiu do quarto, apagando as luzes e fechando a porta. Olhou para Octavio que sorria e o abraçou.
A base dos leoninos se chamava William. O que seria daqueles garotos sem ele?
Voltou para a cozinha e se despediu dos outros e de lá foi para o seu quarto com Octavio. Assim como os demais, precisava descansar o corpo, a alma e o coração. Precisava acordar com o melhor sorriso no rosto, mesmo após perder a república.
Todos acordaram na manhã seguinte, principalmente os que dormiam no quarto de Caine. O barulho de um caminhão estacionando serviu de despertador para todos eles. Colin olhou da janela e viu quando o pessoal do Ninho estava em frente à sua antiga república.
Sebastian fez sua higiene matinal e saiu da república, Lydia foi atrás e os outros líderes também, logo todos saíram. Sean foi até sua janela e ficou olhando aquela cena lá de cima.
— Todos vieram nos receber? — Joshua perguntou.
— Não era você quem vivia desprezando a Quadra, Noah? — Colton indagou, coçando os olhos.
— Iremos transformar isso aqui em um lugar melhor e de qualidade. Colton, e se você falar muito, amanhã mesmo eu te expulso desse lugar.
O queixo de Colin foi ao chão. Ele não imaginava que Noah e Colton eram rivais.
— Bem que vocês dois poderiam ir juntos para o inferno. — Colin não perdeu a oportunidade.
— Quem é você mesmo? — Noah perguntou. — Ah, o protegido do William. O louco que invadiu o Ninho achando que iria quebrar a cara do meu irmão. Se Luke não estivesse interessado em você, certamente nem estaria vivo pra contar história.
— Cala a boca, Noah. — Luke estava irritado. — Ignore-o, Colin. Ele não sabe o que diz. Está cego pela raiva e quer derrubar vocês.
— Mentira que você tá de olho nessa coisa, Luke. — Colton parecia estar com inveja.
— Colton como sempre atirando para todos os lados. Luke não vai te comer, desiste. — Noah rebateu.
— Calem a boca. — Joshua encerrou o assunto.
— Josh, você vai se arrepender amargamente de ter tocado em meu irmão. Aparecer na Quadra foi uma péssima escolha.
— Você vai se arrepender de ter vindo para a Quadra e de ter tomado nossa república, Joshua.
— Nossa, quantas ameaças. Bem, é o último ano de vocês aqui e sinto que não irão fazer muita coisa. E se fizerem, façam agora. Bem, temos o que... Três meses? É, em três meses vocês têm que me derrubar, caso contrário, vão embora da Quadra.
— E em três meses eu posso, se quiser, comprar a república de vocês. — Noah gargalhou. — E não vão ter repúblicas para acolherem vocês. E as notícias de que a Quadra está em conflito chegou ao Ninho, sendo assim, quem aceitaria vocês?
— Você não vai fazer isso. — Danion atravessou todos.
— Não vou? Claro que irei. Já estou entrando em negociação com o dono dessa espelunca. A maior república da Quadra será nossa.
Danion sorriu, provocando-o.
— Minha família é duas vezes mais rica que a sua, Noah. E todos nós sabemos perfeitamente disso. Se eu quiser, compro até a emissora de televisão em que seus pais trabalham. — Exagerou, mas adorou provocar.
— Você quem sustentava os leoninos.
— E vou continuar fazendo isso. Sabe por quê? Porque eu comprei a república dos águias. Eu fui esperto e previ que você estava querendo derrubá-la também. Mas desista, dessa vez você não vai conseguir.
Todos os olhares foram para o branquelo.
Danion conseguiu surpreender aos seus companheiros. Conseguiu derrubar a confiança de Noah e seus companheiros do Ninho.
Danion finalmente teve juízo.
Fale com o autor