República de Leões
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Sebastian estava de pé, enquanto todos ao redor estavam sentados em cadeiras ou no sofá. O ruivo tinha tanto espírito de liderança que ninguém, nem mesmo Sean, se atrevia a atrapalhá-lo. Lydia, também não sendo líder, assim como Octavio, estava sentada ao lado de Caine, que por ser irmão de Sebastian tinha o direito de ficar ali.
— Alguém tem mais algo para falar? — Sebastian indagou, após o discurso.
Sean estendeu a mão ao mesmo tempo em que William. Os irmãos se encararam por segundos, odiando o fato de isso ter acontecido.
— Você primeiro, Sean.
Ele sorriu.
— Eu sei quem estava repassando as drogas. Mas antes que me pergunte quem, terá de me prometer que não fará nada. Perceba que no seu aniversário, não ouvimos boatos de que repassaram drogas. Ou seja, eu acho que consegui resolver um problema sério que com certeza iria prejudicar a imagem da Quadra.
— Mas isso é um absurdo. Como assim não faremos nada? Poderíamos perder nossas repúblicas se isso chegasse aos ouvidos do diretor da universidade. Ou pior, de nossas famílias. Ninguém quer morar em um lugar onde a fama é de que usuários de drogas convivem na maior harmonia. — Lydia se opôs, ironizando a última palavra.
— Eu tenho que concordar com a Lydia, Sean. E acredito que os demais também. —O ruivo falou, observando que os outros afirmavam com a cabeça.
— Cara, não são vocês que vivem pregando a moral e educação? Que cada um tem direito a isso e aquilo? Por que não direito à mudança? — Sean dizia na maior tranquilidade. Ele usava do sarcasmo, atingindo as regras criadas por eles. — Uma pessoa pode facilmente tentar mudar.
— O problema tá em: e se essa pessoa não for a única por trás disso? Se ela estava repassando drogas, com certeza existe alguma fonte onde isso é produzido. — William falou.
— Eu tenho certeza que a produção não é feita aqui dentro da quadra e, se for fora daqui, nada podemos fazer. O problema eu sei que resolvi e essa pessoa não fará mais isso.
— Porém continuará usando. — Um dos líderes falou.
— Se ele usar ou não, aí o problema é dele. Não sejam idiotas, aposto que cada um de vocês tem algum membro que usa drogas.
— Pode ter certeza que na minha república não tem. — William falou, escondendo alguém.
— Claro, até porque Gaspar é bem ausente na sua república, não é?
— Que direito você tem de acusá-lo sem provas?
— Will, é verdade o que ele disse. —Sebastian virou para o loiro. — Gaspar fuma maconha. Você sabe muito bem disso, não tente acobertá-lo.
— Ele não está fazendo mal a ninguém e não repassa. Ultimamente, estamos vendo diversas discussões sobre a maconha. Acho que ele tem o direito de fumar se quiser. — William defendeu o amigo.
— Tá, mas finalmente, quem é que estava repassando as drogas? — O ruivo quebrou a discussão indo direto ao assunto.
— Prometa, aqui, na frente de todos, que não irá fazer nada a essa pessoa.
Era esse um dos motivos da grande maioria sentir raiva de Sean. Ele parecia abusar daquela maldita autoridade que achava ter, mesmo diante do real líder. O moreno era atrevido e desafiava a todos.
Sebastian olhou para Lydia. Quando ele não conseguia pensar, a namorada às vezes era seu cérebro. Ela afirmou com a cabeça.
— Eu prometo.
— Santiago era essa pessoa.
Todos pareceram surpresos, menos William.
O loiro, embora não quisesse acreditar, chegou a suspeitar do ex-leonino. Mas agora que ele era um dos Tigres, evitou brigas e acusações. Assim então silenciando-se.
— Acho que todo leonino tem algum mal, não é? — Sean provocou.
— Como se Tigres fossem totalmente diferentes, é lá que ele está agora.
— Porém, vamos ressaltar a sua origem.
— Como se Adrian, o carinha que tem vergonha dos pais, não fosse um problema. Que Nicholas já ter roubado a casa de David não fosse um problema. E Ethan, que uma vez chegou a agredir uma garota, também não fosse problema. E ah, vale lembrar um caso recente: espancarem Colin, dentro de sua república, também não é problema e nem ato de covardia. Realmente, só os leoninos tem algum mal. — Ironizou.
Sean sentiu vontade de socar o irmão por tais observações. Ele até imaginou Colin ali do lado, aplaudindo o loiro pelas belas palavras ditas.
— Chega!— Octavio disse, indo até Sean e colocando a cadeira ao seu lado.
William não gostou do que viu.
— O que você fez para resolver o problema? — Lydia perguntou, cruzando as pernas.
— Eu simplesmente o mandei trabalhar na lanchonete. O garoto precisava de grana.
— E foi assim tão fácil? — Sebastian indagou.
— Não. Precisei de Octavio para me ajudar. Aquele drogadinho desgraçado não quis aceitar e ainda pensou em continuar revendendo. Segundo ele, as coisas se apertaram e vender foi sua única saída. Ele não quer abrir mão da faculdade e ir embora daqui.
— Acho que só assim ele realmente vai tomar algum jeito. —Concordou o ruivo.
— Eu sei que vai. Ele não é louco. Caso contrário, ele perde o título de Tigre.
— E você William, o que tinha para falar?
— Era justamente sobre isso, mas já tive a dúvida respondida. Porém, há algo pendente. Os jogos da Quadra irão acontecer?
— Boa pergunta! — Seb mordeu o lábio. — Os jogos. Eu ia acabar me esquecendo de falar sobre eles.
— Até eu estava curioso. Apesar de ser algo idiota, isso diverte o pessoal da Quadra. — Octavio disse.
— A melhor parte é a festa no final. —Comentou alguém.
— Vale lembrar que o número de habitantes na Quadra cresceu, principalmente em sua república, Seb. Nas menores, pelo que sei, cada uma ganhou cerca de dois novos membros. — Lydia disse. — Sendo assim, a quantidade de times será maior e os jogos mais longos
— Podemos fazer a primeira seleção, e os cinco primeiros times a passar na fase são os selecionados para participar do torneio da Quadra. — Caine, baixo, sugeriu.
Sebastian caminhou até o irmão e beijou-lhe a testa pela ideia que tivera.
— É isso. É exatamente isso.
— Cara, três dias de jogos é muito chato. Sinceramente. —Harry disse, ele era líder de uma república menor. — Sem contar que nós, repórteres, não podemos ajudar em nada a não ser cobrir os jogos.
— O Jornal da Quadra não vai voltar, Harry. —Sean logo interrompeu.
— Uma edição única. Falando apenas dos jogos, que problema tem?
— E você vai usar de informações falsas de novo? Não.
— Gente, seria interessante, por favor. —Lydia se levantou. — É uma única edição e nós sabemos exatamente qual será o foco dela. Os jogos. E eu tô cansada de ficar na arquibancada, eu quero participar esse ano.
— Quem nos garante que vocês não irão roubar e vencer como todos os anos? — Sean indagou, encarando-a.
— Fazemos de outras pessoas juízes. — Sebastian sugeriu.
— Também tenho uma sugestão. Nós, líderes, temos o direito de participar. O time da minha república sempre perde. Sendo assim, eu quero esquentar as coisas. — Ficou de pé.
O olhar do moreno novamente chamou a atenção. O passar de dedos em seus lábios era algo desafiador, ele encarava a todos, mostrando que esse ano a vitória seria de sua república.
— Ótimo. Não queria ter que concordar. Mas vou adorar provar para seu time que nós, Leões, somos os melhores. — William também ficou de pé.
— Não esqueçam que eu, Sebastian, irei participar. — O ruivo se colocou entre os dois.
A reunião teve seu fim alguns minutos depois de conversarem sobre os jogos. Isso pareceu animar Sebastian, que assemelhou-se a uma criança ansiosa para mais um lançamento de capítulo novo do seu desenho favorito. Ele pegou Caine nos braços e ergueu o irmão do chão, beijou os lábios de Lydia e, após largá-los, foi obrigado a arrumar as cadeiras e salgadinhos espalhados pelo chão da casa.
— Foi um milagre não ter briga. Eu juro que até tinha reservado um balde d’água para jogar em cima de Sean e William. —Lydia comentou, segurando a vassoura. Arrumou os cabelos prendendo-o com uma caneta e voltou a varrer.
— Sean queria brigar. Todos notaram que ele estava louco para tirar William do sério, mas aqui dentro eu não deixo isso acontecer. Já passou da hora de Sean crescer um pouco. — Sebastian segurava duas cadeiras de uma só vez.
— Você estava tão lindo impondo as regras. — Lydia sorriu para o namorado.
— Estava? — O ruivo indagou, mostrando o belo sorriso que só ele tinha.
— Sim, e muito. Eu não sei se te paquerava ou se te dava atenção enquanto falava. Olha que sorte eu tenho, meu namorado manda em todos! — Brincou, parando de varrer e colocando a vassoura encostada à parede.
Lydia caminhou até o namorado e parou à sua frente, ela sorriu para Seb e puxou sua camisa.
— Não me provoca, Lydia. — Disse entre dentes.
— Eu não tô naqueles dias...
— Você não tá brincando comigo, tá? —Sebastian largou as duas cadeiras e envolveu seu braço enorme na cintura fina de Lydia. —De hoje não passa.
— Ei, eu ainda tô aqui, tá bom? —Caine falou, interrompendo a cena dos dois que olharam para o pequeno sem graça.
[...]
Colton quase teve uma parada cardíaca quando alguém abriu a porta e o encontrou parado em frente a ela, por sorte, ele soube usar uma desculpa sacana. O fato de todos saírem falando alto acabou acordando Ian que levantou assustado achando que mais alguma confusão estava acontecendo, enquanto Connor permaneceu sentado e boquiaberto sem tirar os olhos do leonino, que estava de pé ao seu lado.
— Vamos embora, Connor. —Sean falou assim que passou por ele.
— Já vou. — Levantou-se.
O atual líder não deu a menor importância e simplesmente continuou a caminhar. Quando Connor encontrou William, quis correr dali, mas o loiro também passou por ele sem dar a menor importância. Até que restou apenas ele e Ian.
— Por quanto tempo eu dormi? —Ele perguntou, coçando os olhos.
— Eh... — Pareceu ficar sem palavras —Uns dez à quinze minutos. Eu acho, não tenho certeza. — Finalmente disse.
— Me desculpe, é que quando estou cansado acabo dormindo onde estiver. Até em pé eu já dormi. — Comentou.
— Em pé? — Connor indagou como se aquilo fosse uma novidade tremenda. — Isso é possível?
Ian soltou um sorriso mudo e foi até Connor, bateu por duas vezes na cabeça do garoto e disse:
— Em que mundo você vive, Connor?
— Pelo que sei se chama Terra.
Mais um sorriso. Connor coçou a cabeça confuso sem entender o porquê de Ian sorrir tanto.
— É melhor eu ir, antes que Sean comece a gritar. Ele não acha uma boa ideia, você sabe...
— Está falando com um leonino. — Ian balançou a cabeça, afirmando. — Sim, eu sei. Mas se William gritar comigo, ele sabe que irá ouvir um monte. Não vejo o porquê disso. Pode ir lá, sem problemas. — Disse, simpático, apontando para a república.
— D-desculpe.
Connor então, com passos desajeitados, acabou saindo dali e finalmente entrando em sua república.
Connor sentiu seu peito arder. Um sorriso brotou em seu rosto assim que entrou em seu quarto. Ian permaneceu parado, apenas pensando alto em como alguém poderia ser tão bobo como o Connor.
Talvez o início de algo que ninguém poderia esperar.
O leonino finalmente foi até a sua república. Ao entrar, encontrou William e os demais, todos reunidos na sala. O loiro estava contando os detalhes da reunião.
— Jogos da Quadra? —Colin indagou assim que ouviu a expressão.
— Sim, é o único momento de diversão que temos e isso inclui todos os moradores da Quadra. Os jogos costumam ser realizados em um único dia, em algum feriado, para não bater com as aulas na universidade. Se não me falha a memória, os Jogos da Quadra existem há oito anos. No início, todo mundo podia participar. Mas com o tempo passaram a excluir os líderes e fazer deles juízes...
— Já tô começando a ficar com sono. —Danion interrompeu.
— Larga de ser idiota. Eu não sei disso então quero saber. — Colin disse, irritado.
— É apenas um jogo idiota onde pessoas vão torcer por suas repúblicas. Cara, todo ano a república do Sebastian ganha. Não tem graça competir. Nós só vencemos duas vezes, e eu não estava aqui nessa época. Na verdade, só o William e o Rick.
— E onde acontecem os jogos? — Colin perguntou.
— No ginásio. Aquele lugar é usado para tudo, literalmente. Mas há jogos que também são realizados dentro da Quadra. Tipo o meu preferido, o enigma. — Ian falou. — Que consiste em descobrir perguntas para localizar objetos escondidos na madrugada.
— Nunca chegamos a participar do Rouba Humano.
— Que merda de nome é esse?
— É um rouba bandeira, só que renovado e mais divertido... E pesado também. Ideia exclusiva de Colton. No dia você vai saber como funciona.
Ouvir o nome do outro acabou irritando-o.
— Eu estou interessado mais é no prêmio. Porque da última vez, Sebastian nos fez fazer faxina em sua república. — Leo também falou.
— Nem me lembra, eu quase que quebro os dentes daquele menino que me fez enxugar o chão. —O branquelo disse.
— Nesse ano, além do Quadro de Vitória, teremos o direito de escolher uma república para pintar a faixada da nossa casa, além de cortar e limpar o gramado por três vezes. E cara, eu vou adorar ver o Sean sendo obrigado a ter de pintar nossa república. — O loiro disse, divertido.
— Você quer escolher a do Sean por vingança. A república do Sebastian que deveria ser selecionada. Todos os anos ele adora nos fazer de escravos. Vive alternando entre a nossa e a do Sean. Já tá na hora de algum outro time vencer e colocá-los para servir. — Danion revirou os olhos só de lembrar.
— Ainda não somos campeões, pessoal.
— E quando serão os jogos? — Colin indagou.
— Em duas semanas.
[...]
— Seu dinheiro! — Colin jogou o troco em cima da pia seca.
Sean olhou aquilo um tanto assustado naquela manhã. Sequer lembrava-se da grana que dera ao Colin. Apenas o encarou, mas sem hesitar, recolheu o dinheiro. Ficar fazendo charminho não era algo que ele gostava.
— Que desculpa você usou? — O moreno perguntou.
— Uma qualquer. Na verdade, foi Caine quem me livrou do problema. Você deveria agradecê-lo depois.
— Se ele é seu amigo, certamente é dever dele te livrar. Ele não suspeita de nada?
— Eu contei para ele a verdade.
Sean dessa vez franziu o cenho e encarou Colin por segundos, aproximou seu rosto do menor como se estivesse perguntando: “Tá falando sério?”.
— O que foi? Não me olha assim. Caine é meu amigo.
— Você poderia mentir. Isso é óbvio, não acha? Que caralho. Ninguém sabe a respeito da minha sexualidade, e você vai sair contando assim.
— Como eu mentiria para o Caine depois que ele encontrou o estrago que você fez no meu pescoço? — O pequeno levou sua mão à região. — Acha mesmo que eu diria para ele: uma garota me agarrou. Não! Caine sabe sobre mim.
— Não poderia dizer que foi outro garoto? Porra, Colin, não gosto que saibam de mim.
— Você também contou para o Octavio.
— Claro que não! — Tentou parecer firme.
— Então por que ele não tirava os olhos de mim? Com certeza você contou. Não adianta mentir para mim.
Sean silenciou, relaxou seus braços e disse:
— Talvez eu tenha dito mesmo. Ele é meu melhor amigo.
— Sendo assim, estamos no mesmo barco. Octavio é amigo e namorado do William, as chances dele descobrir são maiores. A culpa será toda sua caso isso aconteça.
— Ex-namorado. — Lembrou. — Que seja. Agora eles sabem e não podemos fazer mais nada. Negar é a única saída caso descubram.
Colin engoliu em seco e afirmou o que o moreno dissera. Novamente sentiu dor nas pernas quando tentou se mover. Deixou um baixo gemido escapar e chamar a atenção do moreno.
— Tá com algum problema? —Perguntou.
— Não, é só que... — Colin se sentiu tão estúpido que seu rosto corou. Sean notou isso.
— Por um acaso você já foi a uma academia, Colin?
O pequeno suspirou. Sabia que coisa boa não sairia daquela boca.
— Fazer sexo comigo é como ir ao primeiro treino numa academia. No dia seguinte, seu corpo irá doer. Você começará a xingar e pensará em desistir. Até notar que é bom e vai desejar mais.
— Você só fala merda.
O pequeno saiu do banheiro deixando o outro rindo sozinho. Sean era tão estúpido que, às vezes, se perguntava o porquê de aceitar ter alguns amassos com ele. Acabou encontrando Caine conversando com alguém desconhecido para ele.
Preferiu observar à distância, enquanto Caine sorria de alguma história ou piada que o outro contava. O leonino tinha todo direito de sentir ciúmes do amigo. Não era normal ver Caine com outra pessoa.
Caine parecia estar realmente empolgado com a conversa.
O estranho usava boné de time de futebol, mas pela sobrancelha, Colin deduziu tratar-se de um loiro. Colton acabara de chegar e se juntar a conversa. O pequeno se irritou ao notar que eles três pareciam se conhecer. Ainda tentava engolir a amizade de Caine com o outro.
Se Colton não fosse veterano, Colin com certeza brigaria com Caine não admitindo tal amizade.
— Quem é aquele com ele?
Danion assustou Colin, que estava atento à cena dos outros. O pequeno olhou para o branquelo ameaçando xingá-lo, mas respirou fundo e controlou a raiva.
— Também quero saber. Nunca o vi.
— E você vai ficar parado aí? Vamos lá, babaca. Caine é ingênuo demais para ficar com aqueles dois. —Puxou o pequeno. Colin parou no caminho.
— Há quanto tempo você se preocupa com o Caine?
— Desde que Colton voltou. Agora deixa de ser idiota e vamos, quero saber quem é esse garoto.
Colin soltou um breve sorriso entendendo o que se passava.
Quando chegaram à mesa, os demais continuaram a rir. Caine logo afastou uma cadeira para que o amigo sentasse, mas Danion foi rápido o suficiente e roubou o lugar. Colin o encarou novamente, mas Danion mandou em resposta um sorriso cínico.
— Quem é esse garoto? —O branquelo indagou. Educação, no momento, pareceu não ser bem vinda.
— É amigo do Colton. Edgar é o nome dele. — Caine respondeu.
— E Colton por um acaso tem amigos?
— Tá querendo me ofender, Danion? Claro que tenho amigos. Edgar foi um dos selecionados pela universidade a fazer dois períodos fora daqui. E cá estou eu apresentando-o ao Caine, que pela idade já está na hora de ter um namorado.
O pequeno tomou um breve susto. E Edgar também se sentiu constrangido com o que ouviu.
— Não é bem assim, Colton... —Tentou se explicar. — Estou namorando.
— Por favor, Edgar, namoro a distância não dá certo. Você voltou, deveria ter dado um fim nisso. Caine nunca namorou, nunca transou e aposto que é boca virgem. Um pacote completo pra você que gosta de pessoas certinhas demais. —Colton pôs os cotovelos sobre a mesa.
— Eu ainda amo a pessoa que deixei. Prometi voltar.
— Mas enquanto não volta, tem que aproveitar a vida.
— Só tem gay nessa porra de mesa. —O branquelo tentou descontrair.
— Ele não é? — Edgar perguntou, referindo-se ao Danion. Estava confuso.
Colton quis sorrir, mas fazer isso entregaria o branquelo. Colin sabia que Danion era bem resolvido com ele mesmo, mas a fama que tinha de garoto rico e pegador estava mais relacionada a garotas do que garotos.
— Claro que é. Não se preocupe Danion. Edgar é uma pessoa confiável. E nós, gays, não costumamos compartilhar essas coisas.
Colin ficou boquiaberto com o que Colton fizera. Destratou Danion sem dar a menor importância para o segredo do garoto.
— Cara, você tem problema? — Danion indagou, puxando seu cotovelo. Colton quase que meteu a cara na mesa.
— Não vem com toda essa raiva para cima de mim. Não entendo porque você ainda esconde isso. Todo mundo aqui curte um macho. Larga de frescura, encubado.
Danion se levantou. Por um momento Colin e Caine acharam que ele iria agredir Colton, mas tudo que fez foi pegar o braço do pequeno ao seu lado.
Caine se levantou assustado, sentindo a mão se apertar em seu braço. Olhou para Danion e buscou explicações em seus olhos.
— Vamos embora daqui. Você também, Colin.
— Eu ainda não terminei de comer. — Caine falou.
— Não tem problema. Come na lanchonete.
— Eu tô sem grana alguma, Danion. Prefiro ficar aqui. —Dessa vez quem falou foi Colin.
— Não se preocupem, eu pago.
E arrastou o pequeno. Colin seguiu, mas antes se despediu de Edgar e ignorou Colton.
Danion não sabia exatamente do que sentia raiva no momento. De Colton revelar sua sexualidade a um estranho, ou de Caine por conversar com Edgar como se fossem bons amigos.
[...]
Connor caminhava com uma mochila nas costas. Ali dentro estava o seu vídeo game entre vários jogos que ele com certeza já havia zerado. Usava bermudas xadrez e sandálias brancas, a camisa era azul e brinquedos de lego eram a estampa. Connor era realmente o tipo de pessoa que passava despercebido entre todos aqueles membros da Quadra.
Parou em frente à república de William e se perguntou se era louco o suficiente para realmente estar ali. Aproveitou que o moreno, líder de sua república, estava ausente. Mas outros, como Adrian e Nicholas, poderiam facilmente entregá-lo.
Depois de bater e esperar, o garoto foi atendido por Rick. O mulato o olhou assustado se perguntando o porquê de um Tigre está parado em sua porta.
— É encrenca que você quer? — Perguntou de imediato e com desprezo.
— Eu juro que estou aqui pela paz. Ia até usar uma camisa branca, mas elas estão sujas. —Disse, meio sem jeito.
— Então o que você quer?
— O Ian, ele está? É que... Eu, Ah... Eh... Só queria falar com ele.
— Não acho que esteja. E mesmo se estivesse, o que ele teria para falar com você?
— Rick, calma. —Ian apareceu atrás do mulato. Sorriu para Connor e o outro retribuiu. — Deixa que eu continuo, está bem?
O mulato olhou para Ian como se estivesse perguntando-lhe: “Não me diz que você se tornou amigo disso?” Ian, porém, apenas sorriu e isso significava que ele poderia ficar tranquilo. Rick deu as costas sem se despedir de Connor, que permaneceu parado e em silêncio.
— Tem certeza que Sean não vai te dar uma bronca? Se você olhar da janela, seus amigos estão te observando. — Ian disse, levando os olhos à república em sua frente.
Connor olhou e se sentiu incomodado. Era o momento de dar a volta e achar que aquilo era um erro.
— Eles não querem jogar vídeo game comigo e estou cansado de ficar lá sozinho. Pensei em te convidar pra jogar comigo. É que, depois de ontem, v-você me pareceu legal.
— Mas eu sou legal. — O leonino sorriu. — Eu até deveria me desculpar mais vezes por acabar dormindo em você. Não era algo que planejava, juro.
— Não! —Connor interrompeu — Você pode dormir mais vezes, eu deixo. Isso se você quiser, é claro.
— Gostou de servir de travesseiro? — Brincou. — Eu queria poder aceitar o teu pedido, Connor. Mas eu estou terminando de ler um livro, podemos marcar para outro dia, quem sabe?
— Mas poxa, eu tô querendo começar um novo jogo e não tem graça jogar sozinho. Seja meu segundo controle. Me ajude! Por favor. Vídeo game é bem melhor que livro. O que o livro te ensina? Porque ler você já sabe, então não te ensina mais nada depois disso.
Ian quase gargalhou com o que ouvira. Connor estava realmente disposto a querer jogar.
— Como você conseguiu entrar em Seattle? Tudo bem, vamos, entre! — E deu espaço para o outro passar.
Connor ainda se lembrava de como eram as coisas ali dentro, afinal, era um ex-leonino. Mesmo que isso só tenha durado uma semana. Alguns móveis eram os mesmos, outros não estavam mais ali. O quadro que antes havia na sala fora substituído por outro. Algumas paredes estavam em outra cor. O corrimão da escada já não era mais tão novo assim.
Quando pensou em se sentar no sofá e preparar o vídeo game, Ian tocou em seu ombro.
— Não vai ser aqui.
— Não?
— Essa TV é compartilhada por todos, ou seja, você não irá querer parar na melhor parte do jogo, vai? Venha, eu tenho a minha.
Connor se levantou e pôs as coisas dentro da mochila novamente. Seguiu Ian pelo corredor depois da cozinha, acabou encontrando Rick mais uma vez e o mulato ainda se perguntava o que estava acontecendo.
Juntos entraram no quarto.
Ian dividia o quarto com Gaspar. Duas camas de solteiros em cada canto da parede, uma bem distante da outra. Literalmente o quarto fora dividido ao meio. Gaspar seguia uma linha mais viva, tinha objetos indianos e incensos decorando a parede vermelha ao lado de sua cama.
Já o lado em que Ian ficava era mais apagado. Somente um quadro enorme ocupava 40% da parede, ao lado, uma prateleira no formato de um retângulo na cor preta ficava acima da sua cama, com diversos livros e pequenos objetos, tipo brindes de lanchonete. No centro do quarto, uma pequena janela dava a visão dos fundos da casa, ou seja, mostrava a rua de trás.
A televisão ficava exatamente no centro, abaixo da janela. Um tapete com algumas almofadas ficava à frente, ajudando na decoração.
— E seu companheiro de quarto não vai ficar chateado? —Perguntou, sentando-se na cama de Ian sem antes pedir permissão.
— Gaspar quase nunca tá na república.
— Gaspar foi o carinha que me recrutou. Lembro-me até hoje.
Connor novamente não perguntou se podia montar suas coisas ali. Quando Ian piscou, o outro já estava sentado no tapete com os dois controles em mão e o jogo prestes a ser iniciado.
Ian por sua vez sentou-se ao lado do novo amigo e tomou o controle para si.
— Sabe jogar? — Perguntou.
— Sou o melhor jogador que você já encontrou. —Mentiu.
— Então vamos ver o quão bom você é. — E iniciou.
Nos primeiros minutos de jogo, o leonino até que não foi tão mal. Era apenas necessário atirar em personagens que se mantinham distantes deles. E assistir a uma introdução do jogo. Porém, quando chegou aos dez minutos, Ian já não sabia como prosseguir, quais botões apertar e que direção seguir.
— É por aqui! — Connor disse, literalmente se sentia no jogo.
Ian não sabia onde ficava esse “por aqui” e novamente seguiu uma direção contrária. Era engraçado como seu braço ia para a esquerda acompanhando a direção do personagem, e depois ia para a direita seguindo novamente o movimento. Mal sabia ele que era necessário apenas mover os dedos e não o corpo inteiro.
— Você tem certeza que sabe jogar? —Connor parou o jogo.
— Claro que sei! — Resmungou. — Você quem não sabe.
— Olha onde estou e olha você.
— E se eu estiver seguindo o caminho certo? —Desafiou, não querendo admitir.
— Terei que te ensinar. É feio mentir, sabia?
Connor aproveitou que estava em um lugar seguro e deu novamente play. Largou seu controle e encontrou a mão de Ian. Seus dois polegares encontraram os do outro, que eram menores. Os ombros se encontraram e ficaram assim por alguns segundos.
Indicando o caminho certo, Connor guiou o dedo do outro até que se encontrassem. Ian não precisou mais mover seus braços e agora estava ciente de que apenas os dedos eram suficientes para fazer uma ação dentro do jogo.
Quando Connor largou sua mão, ele sentiu um vazio inexplicável.
— Vamos tentar mais uma vez? —Perguntou.
— Você ainda não me xingou, estou surpreso.
— Se você fosse experiente eu realmente te xingava, mas vejo que não é. Tá vendo? Eu não sou tão burro quanto aparento ser. —Disse, divertido.
Ian quis falar que de jogos o garoto entendia. Mas só disso e nada mais. Apenas deu o seu melhor sorriso e voltou a jogar. Dessa vez, melhor do que antes. Mas ainda assim com muitas falhas.
Em tardes, Ian costumava dormir quando não tinha aula. Bocejou por três vezes e conseguiu chamar a atenção de Connor, que novamente pausou o jogo.
— Você quer? — Aproximou seu ombro do outro.
Ian não conseguiu negar. Sorriu fraco e afirmou. Rapidamente encostou sua cabeça naquele ombro que, de alguma maneira, era confortável.
Foram necessários cinco minutos para que o controle de Ian caísse no tapete, e sua cabeça deslizasse até encontrar as pernas do outro. Connor novamente não sabia como agir e ficou parado, sem notar que estava morrendo em seu jogo.
Olhou Ian realmente dormindo em suas pernas e se sentiu constrangido, embora ninguém estivesse olhando. Afogou seus dedos naqueles cabelos escuros.
— Por que você não é igual os outros? — Murmurou. Sabia que Ian não ouviria.
Apenas aceitou o outro em suas pernas e reiniciou o jogo. Dessa vez teria que voltar às origens e jogar sozinho.
[...]
William e Colin voltavam juntos da universidade. Eles até sorriam quando o loiro tentava fazer piada a respeito do vermelho no pescoço do amigo. Colin, por sua vez, era obrigado a aceitar a piada e esconder toda a verdade.
Para ele, era chato ter de esconder isso do William. Mas ele também pensava no bem de todos e no seu próprio bem. Claro que não tinha nada decidido com Sean e ele não pretendia ter, afinal, ele conhecia o moreno e ambos deixaram claro que não queriam nada um com o outro. Mas ainda assim, William qualquer dia podia saber da verdade e ficar chateado ou até mesmo magoado. Lembrou-se de toda a história que ele passara com Octavio e o quão traído se sentira.
— William, acho que tá na hora de eu te falar...
— William! — Alguém interrompe chamando o nome do loiro.
Logo atrás, Colton e Edgar apressavam os passos para acompanhá-los. Colin foi quem não gostou disso.
William parou e Colin se sentiu obrigado a fazer isso. Colton adorava sorrir e encarar Colin por segundos. Mesmo que não houvesse motivos para isso, eles se detestavam. Talvez, por se parecerem tanto.
— Ainda bem que encontrei vocês. — Falou ofegante. — Esse aqui é Edgar, ele e eu fizemos os dois períodos fora. Agora irá morar na Quadra Nove conosco. Estava contando para ele sobre a Elite da quadra.
Colin revirou os olhos.
— E aí, Edgar. Seja bem vindo a essa loucura. Em qual república ele vai ficar?
— Conversei com Sebastian, não foi fácil, mas consegui levá-lo para os Águias.
— Ótima escolha. Melhor do que se misturar com os idiotas da Tigre.
— Ah, qual é. Eu já fui um Tigre e não é tão chato assim.
— Sim, foi. — William disse, não querendo discutir. Deu as costas e começou a caminhar fazendo com que todos o acompanhassem.
— Esse garoto é um leonino. —Colton disse, referindo-se ao Colin.
— O garoto do refeitório?
— Sim, eu mesmo. Me chamo Colin, e não precisa me chamar de garoto. — Indireta.
— Sempre me perguntei como você conseguiu ser um leonino... Você não tem absolutamente nada de um leão. — Colton falou, tentando ser divertido.
— Você também não tem nada que um Tigre e um Leão tem, muito menos os Águias.
— É lógico que tenho. Sou audacioso e sei usar os punhos, características dessas duas repúblicas. E consigo ser amigo e festeiro como um Águia. — Respondeu de imediato. Resposta que parecia já estar na ponta da língua.
— Consigo ser os três se eu quiser.
— Consegue? Duvido, já que não fez nada para provar que é um real leonino. Até Edgar provou ser um Águia e fez uma tatuagem.
O novato mostrou a tatuagem em seu abdômen.
William deixou que o diálogo prosseguisse. Ele queria ver como duas línguas afiadas brigavam.
— Provar com um desafio? Tem coisa mais idiota que isso? Até porque isso não define nada, é apenas um ato de coragem, não de provação. Só de entrar na Quadra e em qualquer que seja a república, você já prova algo por ter de suportar pessoas do seu tipo, que existem aos montes dentro da Quadra.
— Colin, desde que cheguei à Quadra descobri que você é o protegido do William. Que moral você quer ter aqui dentro sendo que Will sempre vai te proteger?
— E são punhos as únicas defesas? É idiota quem pensa dessa forma. Acho que palavras são mais fortes que punhos. Uma frase pode destruir esse castelo de areia que você construiu.
— Continuo achando que você não é digno de ser um leonino. Muito menos alguém que participa da Elite da Quadra.
— E o que eu ganho fazendo parte da Elite? Eu apenas...
— Ganha respeito. As pessoas sabem que se mexerem com você, mexem também com a sua república. E as três maiores repúblicas tem poder sobre a Quadra. — Interrompeu. — Não tente pagar de alguém bom e generoso e o caralho a quatro, pessoas assim são piores que eu interiormente.
— Eu não sou bom, Colton. Sei dos meus defeitos e não gosto de ser considerado o mocinho ou aquela pessoa dramática. Mas eu jamais serei igual a você. O que sou por dentro é o que sou por fora.
— Você acha que é melhor que eu, não é? —Sorriu. — Gosta de ter a língua afiada, mas ainda assim, veremos quem é o melhor dentro da Quadra. Tô odiando o fato das pessoas estarem me comparando contigo. Eu, Colton Green, jamais serei um calouro igual a você.
— Tá me desafiando? — Colin parou, encarando-o.
— Tem medo de desafios? — Colton também parou.
Foi então que William soube que teria de intervir. Envolveu seu braço nos ombros de Colin e afastou Colton. Os minutos se passaram tão rápidos que não notaram já estarem entre as três maiores repúblicas.
Rick saiu de sua república e imediatamente soltou a voz:
— Acho que Ian tá fazendo amizade com pessoas erradas. — O mulato acabou com toda a tensão criada entre Colin e Colton.
William franziu o cenho.
— Como é o nome daquele garoto babaca dos Tigres? —O mulato indagou.
— Todos são babacas ali dentro. —Colin falou, ainda preso nos braços de William.
— Mas tem um em especial.
— Sean? —Colin falou, mas rapidamente fingiu um engasgo. Todos olharam para ele. — É o mais babaca dali.
— Acho que sei de quem ele fala: Connor, não é mesmo? —Colton não conseguiu esconder o sorriso.
— O que bateu em mim quando estive lá? —Colin pareceu despertar.
Os cinco acabaram entrando às pressas na república. William estava à frente de todos e sem permissão abriu a porta do Quarto de Ian. Acabou encontrando o leonino dormindo nas pernas do outro. Mas este rapidamente despertou quando Connor saltou de supetão.
— Ian? — William indagou, curioso.
Ian estava tão sonolento que demorou a raciocinar porque encontrar Rick, Will, Colin, Colton e mais um novato era tão estranho. Seu quarto sempre fora um dos menos visitados em sua república.
— Eu não quero brigar. — Connor rapidamente falou, temendo que William o espancasse mais uma vez.
— O que ele tá fazendo aqui? —Colin indagou, irritado.
— O que ele tá fazendo aqui? — Ian ainda demorou a pensar. — Bem, ah, eh... Jogando comigo.
— Ele é um dos Tigres, Ian... —Rick também falou.
— E daí? — O leonino agora despertou. — Não posso ser amigo de um deles?
— E desde quando eles são boas pessoas para sermos amigos de gente assim? — Rick continuou.
— Não é porque a república deles tem essa fama que todos são iguais.
— Mas esse cara aí me espancou, Ian. Ele e mais outro bateram em mim.
— Não foi o Sean? — Ian perguntou, achando aquilo estranho.
— William também bateu em mim, vale lembrar isso. — Connor quebrou o seu silêncio.
— Por que você merecia. Vocês agiram covardemente quando agrediram o Colin.
— Tá, cara, desculpa. Mas eu apenas fiz aquilo que entendi. Sean brigou comigo depois.
Isso soou estranho, mas passou despercebido. Todos sabiam que o garoto era idiota demais e parecia estar nervoso, então usar Sean era mais como um pedido de desculpas. Colin foi o mais atingido pela informação.
— Vamos jogar, acho que é o melhor pra nos acalmarmos. — Connor sugeriu. Idiota.
Ian até deixou escapar um sorriso quando ouviu isso do garoto ao seu lado.
— Por que você está rindo? — Colin indagou.
— Porque chega a ser ridículo vocês temerem um garoto como ele. Será que não enxergam que ele é diferente? Connor não é igual ao Sean e aos demais. Lembre-se que Connor também já foi um de nós, o que significa que ele está na república certa nesse momento, porém Sean soube agir e brincar com a mente dele.
— Espera aí, também não é assim...
— Cala boca, Connor! — Colin e William falaram ao mesmo tempo.
Irritado com o que ouviu, Connor apenas se abaixou e começou a recolher suas coisas. Não queria brigar com mais ninguém. Também pensou estar em desvantagem, caso tentasse enfrentar um deles.
Ian segurou sua mão, impedindo-o de prosseguir.
— Ele fica! — Impôs a voz.
— Connor, posso te fazer uma pergunta? — Colton, que estava parado estudando toda a cena que se passava, agora resolveu falar.
Coisa boa certamente não será. Colin Pensou.
— Por que não volta para cá, pra sua verdadeira casa? —Indagou, e então o silêncio reinou por alguns minutos.
A pergunta pegou Connor com tanta surpresa que seus lábios tremeram tentando dar alguma resposta imediata. Ser Tigre era ser totalmente o oposto do que ele realmente é. Não era por ser alto e forte que isso o definia como um. Vivia a se meter em confusões, a apanhar e bater. Seu líder nunca foi gentil e vivia sempre agindo grosseiramente com ele.
Ian, que já segurava sua mão, o olhou. Os dedos do outro se pressionaram contra os seus.
— Eu...
— Não temos vagas. — William impediu o outro de dar uma resposta.
— Por favor, William. Tudo que você mais quer é vencer Sean nessa guerra criada por nós. Eu não sou mais um leonino e, se ainda fosse, queria ver Sean perdendo um dos seus. — Colton sabia usar palavras.
A oferta era realmente tentadora.
— Eu gostaria de ficar... —Connor finalmente conseguiu responder.
— Não tem quarto para ele. E ainda não sei se é uma boa ideia. — Rick olhava, repreendendo-o. O mulato não admitia que ele desse ouvidos ao Colton.— William, Connor não é uma peça para provocar Sean. Por favor...
— E o que você quer, Rick? —Ian também ousou falar. —Que ele fique lá, recebendo ordens e causando problemas a nós? Sean já retirou algumas pessoas de nós, por que não podemos recuperar o que perdemos?
— O que você acha disso, Colin? — William se virou para o pequeno ao seu lado.
Até Colin estava tentado com o que ouvira. Mas, o que mais lhe chamou atenção, foi ver como Ian estava disposto a ter o garoto ali. Ele notou o aperto de mão e sentiu, que dali, algo iria nascer.
— É uma boa ideia.
Connor foi o garoto que lhe bateu, e ele ainda conseguia sentir raiva deste por isso. Mas sua resposta foi por causa de Ian.
Colton sorriu vitorioso. Edgar permanecia em silêncio, era novo demais na Quadra pra entender. Rick resolveu sair do quarto irritado. Ian sentiu o corpo aquecer. E Connor não conseguia sorrir, mas estava feliz por dentro. William permanecia sério.
— Gaspar quase nunca dorme aqui, sabemos disso. Ele pode ficar no meu quarto. — Ian sugeriu.
— Ele tem mesmo certeza de que quer ficar aqui? — Edgar, que estava em silêncio, para parecer alguém entendido, perguntou.
— Tenho. Sem contar que Ian joga comigo, diferente das pessoas de lá.
Alguém pareceu socar a porta da casa, interrompendo o diálogo dos garotos. Rick voltou às pressas, assustado. O mulato viu da janela que Sean estava com Octavio e Adrian. E, considerando o fato de Connor estar ali dentro, coisa boa não significava.
Todos imediatamente foram até a porta de entrada da casa, e William fez questão de abri-la.
— Cadê o idiota do Connor? — O moreno indagou, furioso.
— Tá aqui. —Ian respondeu.
— Então o devolva, porque nossa gente não se mistura com vocês. Só o Octavio, que por ser idiota e apaixonado resolve entrar aqui, porém, outros estão proibidos.
— Você veio atrás do Connor ou de confusão? — Colton perguntou, sorridente.
— Dos dois. —Respondeu com o mesmo sorriso. — Agora manda o garoto sair, ou vou ter que passar por todos vocês? Isso seria realmente fácil para mim.
Colton, atrevido, passou por William e se colocou na frente de Sean, olhou para cima e encontrou o rosto do outro, encarando-o. Colin não gostou da cena.
— Connor agora é leonino. — Disse, alto o suficiente para que todos escutassem. — Voltou às suas origens.
Sean gargalhou, tentando levar aquilo como piada. Mas por Colton falar, ele suspeitou ser verdade.
— Vamos embora, Connor. —Adrian chamou o amigo.
— Eu me juntei a eles. — Afirmou.
Sean, que por muito tempo roubou leoninos para si, agora perdia um dos seus. A fúria lhe subiu a cabeça. Os punhos se fecharam.
Depois de tanto tempo, Sean finalmente perdia algo para o William.
— É Sean, as coisas começaram a mudar com a minha volta. — Colton ficou na ponta dos pés para murmurar em seu ouvido. — Sabemos jogar com as pessoas.
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