Por Taylor.

Por muitas vezes me perguntei como vim parar aqui.

Veja só, se está pensando que sou idiota em pensar isso, você pode até está certo, mas a resposta não é assim tão simples.

Sou Taylor, moro no brasil mas não tenho nome de brasileira. Eu até poderia sentar e contar a história dos meus pais, mas resumindo, meu pai -que é brasileiro- fez um intercambio para Londres -cidade natal da minha mãe- e lá eles se conheceram e durante um ano -duração do intercambio do meu pai- eles se conheceram e se apaixonaram, mas meu pai não conseguiu o visto permanente e teve que voltar pro Brasil, só que, detalhe, minha mãe veio junto e vivem juntos e apaixonados até hoje. Minha vida sempre foi feliz e segura, meus pais me davam sempre o apoio necessário para seguir em frente nos meus sonhos e planos.

Desde que terminei o ensino médio decidi que queria me formar em biomedicina, meus pais me deram total apoio, mesmo sabendo que eu queria entrar na universidade de Bath, uma das melhores faculdade das áreas biológicas de Londres. Bom, não é todo dia que seus pais te apoiam a sair do país.

Me dediquei e estudei, e graças a Deus consegui entrar.

Estava tudo certo e eu iria para Londres hoje!

Minha mãe entrou no quarto com toda sua delicadeza.

—Acorda, garota, que se você perder o voo não vou comprar outra passagem não em?-Disse abrindo a cortina e acedendo a luz.

Se ela está abrindo a cortina pra que acender a luz, gente?

—Bom dia pra senhora também.-Disse meio dormindo ainda.

—Bom dia? Taylor, tem noção de que horas são? vamos, levanta dessa cama, garota!

—Também te amo, mãe!

—Não vou falar de novo.-Disse minha mãe saindo do quarto.

Me espreguicei e peguei meu celular. Eram exatamente seis horas da manhã e meu voo estava marcado para as oito.

—TAYLOOOOOOOOOOR.-Minha mãe gritou de algum canto da sala e me levantei e fui pro banheiro correndo.

—Já to no banho!-Gritei pra ela ouvir.

...

Estávamos no carro rumo ao aeroporto internacional de São Paulo e minha mãe não parava de falar:

—Pegou o RG, Taylor?-Perguntou minha mãe séria.

—Pelo amor de Deus, mãe eu já disse umas três vezes, mãe, peguei.

—Carteira?

—Sim.

—Aquela blusa segunda pele que compramos segunda? porque minha filha, estamos em julho mas vai chegar o final do ano e o frio lá é muito forte. Falando nisso, coloca blusa de frio viu Taylor? não coloca aquelas blusas fininhas que você chama de casaco. Eu não vou estar lá pra fazer você voltar e colocar mais blusas. Ai, Jesus, já tô até vendo, essa garota vai é morrer de frio.

—Tá, mãe.

—Tá, mãe! é sempre assim, fala tá mãe só pra eu parar de falar e quando chega a hora nunca faz o que eu mando.

—Dá um tempo pra garota, Cindy.-Disse meu pai e sorri pra ele que sorriu de volta olhando pelo retrovisor do carro e deu uma piscadinha também.

Mas minha mãe fingiu que nem ouviu e continuou, dizendo:

—Taylor, pelo amor de Deus, olha duas vezes antes de atravessar,minha filha, quando for comprar alguma coisa verifique os preços porque dinheiro não dá em arvore ainda.

Eu poderia muito bem fazer a piadinha sobre o dinheiro ser de papel e papel vir da arvore, mas do jeito que ela está nervosa é capaz dela jogar o sapato em mim se fizer isso.

—Outra coisa, minha filha, você já tem 18 anos, tem que ter responsabilidade, é um país diferente, eu e seu pai não estaremos lá e não vamos conseguir ir pra lá de carro sempre que precisar. Tenha cuidado.

—Mas eu não sou irresponsável, mãe!!!

—Sério que de tudo que eu disse você ouviu só isso?!-Ela fez careta.-Eu não disse que você era irresponsável, só disse pra ser mais responsável.

A olhei séria.

—Sério? nossa, grande diferença!

—Taylor eu sou sua mãe, você me respeite!

—Chegamos!-Disse meu pai.

ALELUIA.

Descemos do carro e pegamos minhas malas. A partir daí minha mãe não falou muita coisa, mas eu sei que tudo isso é porque ela se importa comigo. Poderia demonstrar de um jeito mais calmo? Poderia! Mas já que não é vamos aceitar que dói menos, não é verdade?

Fizemos meu check-in e fomos sentar em um daqueles banquinhos.

—Quando desembarcar lá manda uma mensagem. Não liga não que custa uma fortuna!

Tinha que ser minha mãe. Eu só pude rir.

—Tá bom, pode deixar.

—A casa agora vai ficar vazia.-Disse meu pai e sorri.

—Com a dona Cindy? Claro que não! Como eu não estarei mais lá vai é sobrar pra você os gritos, pai, se prepara!-Disse e minha mãe me olhou feio e me deu um tapa no braço.

—Olha aqui garota, você me respeita que eu sou sua mãe.

—Ai mãe, era só uma brincadeira, não precisava bater tão forte!

—Eu não bato de brincadeira.Rum.

Chamaram meu voo e foi uma despedida difícil, eles vão me fazer muita falta. E mesmo sem eles assumirem eu vou fazer falta também.

Dei o último tchau e entrei no avião, rumo ao meu sonho! Com o coração partido por meus pais não irem juntos mas feliz por estar aqui.

Eu vou conseguir!

...

Desembarquei já enviando uma mensagem pra eles dizendo que estava bem e segura até agora. Peguei minhas malas e dei uma olhada em volta. Abri meus braços e comecei a girar feliz, podia até ouvir uma música de fundo na minha cabeça para dramatizar minha cena. Mas um homem passou esbarrando em mim estragando toda a mágica do momento.

—Presta atenção por onde anda, garota!-Disse e sorri por entender perfeitamente o que ele disse e agradeci aos céus por minha também ter insistido tanto pra eu aprender o inglês também.

Thank you,mom❤

—Que saco, a gente nem pode curtir o próprio sonho de princesa!-Disse pegando minhas malas e indo em direção ao ponto e táxi para ir para Bath.

Chegando lá marquei presença e eles me deram o endereço da República onde moraria durante esses 4 anos que irei estudar aqui. Voltei pro táxi e fomos para o endereço.

Paguei a corrida e desci me sentindo feliz e realizada por estar tudo dando certo.

Quem é irresponsável agora, mãe?. Fiz uma dancinha da alegria mentalmente.

Estou bem aqui em frente a minha república ouvindo o som da vitoria bem na minha mente. Está tudo certo, tudo perfeito, agora só é tocar a campainha e entrar!

E assim fiz, toquei a campainha e ouvi passos vindo em direção a porta que parecia se abrir em câmera lenta, meu sorriso aumentava imaginando como seriam as minhas colegas e o quanto me empenharia para nos darmos bem. Mas quando a porta finalmente se abriu meu sorriso se desmanchou ao ver três garotos bem a minha frente.

Ou minhas colegas de república são rápidas ou tem algo de muito errado.

—Olha só que incrível, tem até faxineira!-Disse o moreno do meio.

Tem como não revirar os olhos com um comentário desse?

—Para com isso!-Disse o meio loiro dando uma cotovelada no moreno do meio.-Olha o tamanho dela, cara, ela deve ser a nova mascote do time.

E eu achando que ele ia falar algo descente.

—Quem é você? E o que você quer?-Perguntou o outro moreno que até então estava calado.

Nossa que ótimo primeira impressão estou tendo de vocês, colegas.

—Vocês moram aqui?-Foi a primeira coisa que consegui perguntar.

—Sim.-Eles assentiram e disseram em uníssono.

—Tem mais um, só que por enquanto só nós três chegamos.-Disse o meio loiro.-Como é mesmo o nome do outro cara que vai morar aqui?-Perguntou olhando para os amigos.

—Taylor, se não me engano.-Disse o moreno que havia falado por último.

Não, não é possível que acharam que eu sou Taylor homem e não Taylor mulher!!! estava tudo perfeito demais, eu sabia que algo daria errado, só falta minha mãe aparecer aqui e dizer um belo de "eu te avisei"

Massageei minhas têmporas tentando conter minha tenção.

—Taylor, brasileiro? biomedicina?-Perguntei meio que entre os dentes.

Eles assentiram.

—Você conhece ele?-Perguntou o meio loiro.

—Eu sou ele.-Disse e eles me olharam e fizeram careta.

—O que?-O moreno do meio perguntou surpreso.

—Ah, já entendi. É aquele negocio de transsexual, não é?-Perguntou o meio loiro.

—Nossa! me enganou direitinho, nunca imaginaria.-Disse o moreno que sempre fala por último me olhando de cima a baixo rindo.

Revirei os olhos de novo.

—Não é nada disso!-Disse meio que sem paciência.-Eu sou menina de verdade. Eu sou A Taylor, MENINA, não sei porque me colocaram numa república para garotos. Só pode ser brincadeira, mas uma brincadeira de muito mal gosto, porque não é possível! -Disse tampando meus olhos com as minhas mãos.-O que foi que eu fiz meu Deus?.-Disse essa ultima parte em português.

—O que ela disse?-Perguntou o moreno que sempre fala por último, mas que agora falou primeiro.

—Só espero que não tenha nos xingado.-Disse o moreno do meio com uma careta.

—Não tenho tanta certeza, olha só a cara dela.-Disse o meio loiro.

Não, não é possível. E pra piorar o táxi já havia ido embora! ótimo, vou ter que voltar lá na faculdade andando. Peguei minhas malas, dei meia volta e fui em direção a faculdade que graças a Deus não era uma distância absurda.

—Ei, volta aqui, você vai a onde?-Pude ouvi um deles perguntar mas não destingüi qual deles eram, então só ignorei e sem olhar pra trás segui meu caminho.

Quando cheguei na secretaria respirei fundo algumas vezes para não dar um mini surto bem aqui e agora.

—Boa tarde.-Disse pra moça que me atendeu a pouco tempo atrás, só que agora estava mexendo no celular mal olhando pra mim.

—O que deseja?-Ela disse sem nem olhar pra mim.

—É que teve um erro na república que vocês me colocaram, eu sou Taylor feminina, mas estou em uma república masculina, poderia me ajudar, por favor?

—Oi, desculpa,o que foi que disse?-Perguntou sem tirar os olhos da tela do celular.

—Me colocaram em uma república para meninos, eu sou menina!!!

—Te colocar em uma república junto com os meninos? ficou doida?-Disse ainda sem olhar pra mim.

—Não, moça.

—Sem mais.

—Por favor me escuta!

Ela finalmente olhou pra mim.

—Acho que houve um erro no sistema de vocês, sei lá, mas me colocaram em uma república masculina e como você pode ver: sou menina.

Ela fez uma careta engraçada e disse:

—Identidade e número de matricula, por favor.

A entreguei tudo que ela me pediu.

—É, realmente houve um erro, senhorita Lavigne. Em nome da universidade Bath peço desculpa pelo transtorno.

Uffa, então acho que agora vai tudo se resolver e ficar finalmente tudo perfeito!

—Mas infelizmente não temos mais vagas nas repúblicas femininas.

Ótimo! perfeito! incrível!

—Por enquanto a senhorita terá que ficar na república masculina e assim que surgir uma vaga lhe transferimos imediatamente.

Respirei fundo.

—Não tem outra alternativa?-Perguntei tentando sustentar uma faísca de esperança que ainda tinha em mim.

—Infelizmente não.-Disse com um sorriso triste.

—Tudo bem, obrigada.-Peguei meus documentos e voltei a andar em direção a minha mais nova "casa".

Toquei a campainha de novo e os três atenderam novamente.

—Você de novo?-Perguntou o moreno do meio.

Os empurrei do modo mais "delicado" possível e entrei.

—Ei, garota, era só pedir licença.

—Que seja, olha, houve um problema no sistema da faculdade e eu vou ter que morar aqui com vocês até alguém de alguma república feminina desistir para surgir uma vaga e isso se resolver.-Disse sem emoção.

—Nossa.-Disseram em uníssono.

Sério que eles vão ficar falando, irem atender a campainha todos juntos? vai ser assim mesmo?

—E quando isso vai se resolver?-Perguntou o moreno do meio.

—Não faço a menor ideia.-Disse cansada.

—Ótimo!-Disse irônico.- Vamos ter que te aguentar por tempo indefinido.-Disse o moreno que sempre fala por último.

—Olha, fiquem na de vocês que eu fico na minha, porque aliás não importa o que vocês façam, eu já odeio vocês!-Disse cruzando os braços.

—Miranda Bailey, é você?-Perguntou o meio loirinho me fazendo finalmente rir de alguma coisa.

—Ganhou um ponto comigo por assistir Grey's Anatomy.

—Sou Harry.-Disse estendendo a mão.

—Posso te chamar de Potter?-Disse e ele riu.

—Me sentirei lisonjeado.

—Dá pra parar com essa ceninha? estou com vontade de vomitar.-Disse o que sempre fala por último.

—Não liga pro Hunter, ele é um pé no saco quando quer. -Disse o Harry rindo.

—Só não toque na minha comida que teremos um relacionamento suportável.-Disse Hunter indo para algum lugar da casa.

-E esse aqui é o Thomas.-Disse apontando pro garoto que achou que eu era a faxineira.

—A gente se vê por ai, ruivinha.-Disse Thomas também indo pra algum canto da casa.

—Não ligue pra nenhum deles, são todos uns mal educados, menos eu, eu que sou o legal daqui.-Disse Harry me fazendo rir.

—Só preciso saber de mais uma coisa.-Disse fazendo ele prestar atenção em mim.

—Qual é seu estado civil com a Netflix?-Perguntei o fazendo rir.

—CASADO SEM DUVIDA.-Ele disse alto e empolgado.

—Então vamos nos dar bem.-Disse e ele sorriu.

Fizemos hi-five e ele disse:

—Vamos, vou te mostrar a casa.

Potter me mostrou cada comodo da casa e sabe quando a gente parece que conhece a pessoa a muitos anos mas na verdade acabou de conhecer? pois é aconteceu isso comigo e com Potter, alguma coisa me diz que seremos ótimos amigos.

É Londres, cheguei!