Notas iniciais
Notas iniciais :
Paola-chan e Cat-chan : Yoooooo ! De novo !
Paola-chan : Sim, nos voltamos ! Viemos postar o segundo cap de hj !
Cat-chan : Pois é, ficamos tão felizes com as nossas novas recomendações que viemos aqui
postar mais uma cap !Já são dez agora !
Paola-chan : É, e obrigada a todos que recomendaram !
Cat-chan : E a todos os que favoritaram e os que comentáram !
Paola-chan : Sem esquecer os que acompanham, é claro.
Cat-chan ; Valeu a todos e bom capitulooooo !!!
Paola-chan : hehehe ~le pegando pá~
Cat-chan : Pra que a pá ?
Paola-chan : Pra cava a tua cova ~le começa a cavar~
ATÉ LÁ EMBAIXO !!!

POV's da Iore

Nem ao menos sei direito o que aconteceu, apenas vi uma luz vindo em minha direção.

Eu sabia que precisava correr para longe, porém, meu corpo não me obedecia, senti as mãos de Taichi me envolverem num abraço, algo nos empurra para o lado esquerdo, era Rin tentando nos salvar.

Creio que Taichi quisesse me proteger, porém, seu peso veio pra cima de mim.

Minha cabeça bate no asfalto, sinto uma dor intensa antes de apagar.

Logo acordo em meu quarto, porém, eu não estou na cama, é como se flutuasse, feito uma água viva no mar, olho meu quarto.

Paredes rosadas, moveis brancos, carpete lilás, uma cama de casal desarrumada com alguém dormindo debaixo das cobertas.

“Voo” até a cama com intenção de descobrir quem dormia ali, afinal, o quarto era meu.

Ao chegar vejo os compridos cabelos do que eu imaginava que fosse uma menina, pelo menos era o que a sua estrutura óssea me sugeriu, estavam embaraçados, provavelmente de dormir com eles soltos, eram da mesma cor que os meus, se não fosse pelo fato de que o meu é maior, diria até que eram os mesmos cabelos, comecei a ver cada vez mais semelhanças entre mim e a garota, sua pele, sua mandíbula, seu pescoço, até mesmo suas orelhas era iguais as minhas, como era possível ?

A curiosidade de saber quem era a menina com traços tão idênticos aos meus me motivou a dar uma volta completa na cama, assim que vi seu rosto, fiquei pasma.

Meus olhos não acreditavam no que estavam vendo.

Eu estava olhando para mim mesma, como num espelho, só que três anos mais nova.

As lembranças daquele ano me perturbavam, não queria voltar aquela época, não queria sentir aquilo de novo.

Olho para a garota, ou melhor, para mim mesma, estava dormindo com uma serenidade invejável, fazia anos que não sonhava desta maneira, diria até que nem me lembrava como era dormir com tanta calma, sem medo do escuro.

Toquei em meu rosto, pelo menos, tentei, minha mão atravessou direto pela lateral das maças do rosto, não podia tocar em nada, humano, animal ou inanimado, era como se aquilo fosse uma lembrança, algo que se pode ver mas não mudar.

Um calafrio passou pela minha espinha como se alguém estivesse passando um cubo de gelo por toda sua extensão, desde a nuca ate o fim da coluna.

Apenas a menção daquela época fazia-me tremer, passara tanto tempo fugindo de meras lembranças, de sombras do passado, não seria justo que, logo agora, quando estava a ponto de me livrar da última coisa que fazia-me lembrar daquele infame fato eu tivesse que rever tudo aquilo novamente, com mais vivacidade que nunca.

Meus pensamentos são cortados pelo som de meu despertador, ou seria do dela ? Enfim, a garota que julgo ser eu mesma se levanta da cama com calma, espreguiçasse e estreita os olhos até a janela do outro lado do quarto rosa, olho para onde seus olhos se direcionam, vejo o nascer do sol.

Lembro-me vagamente, quando era mais nova, em pelo menos um dia por mês, programava-me para acordar bem cedo, antes do galo cantar como os mais velhos dizem, para ver o nascer do sol. Sempre dizia a mim mesma que os dias que eu visse o sol nascer seriam de pura sorte.

Nunca estive tão errada.

A garota que eu já fui andou em direção ao guarda-roupa, pegou uma saia branca com flores rosadas, a camiseta branca deixava um dos ombros amostra, minha sandália de couro logo fixou-se nos meus, ou seus – ainda não sei como me referir a ela – pés, eu amava aquela roupa, era a minha preferida.

Era.

Comecei a prever os meus próximos movimentos, estava lembrando desse dia. A mais nova desceu as escadas indo em direção a cozinha.

Não, não não ! Não, eu não podia . . . . eu não podia estar realmente revivendo aquele dia infame.

Terminei de descer as escadas, ou flutuar sobre elas, vi minha versão mais jovem ir em direção a minha mãe, ela beijou sua bochecha, recebendo em troca, um beijo na testa.

-Bom dia. — disse a mais nova para minha mãe.

-Bom dia, querida ! — minha progenitora falou alegre, estava com uma calça jeans e uma blusa branca, seu cabelo estava preso num coque, sua beleza era evidente, mesmo com roupas tão simples estava mais bela do que qualquer mulher que já conhecera.- Suas torradas já estão na mesa.

-Obrigada. — disse a garotinha já andando em direção a copa.

Ao adentrar a pequena peça percebi que não tinha nenhuma torrada sobre a mesa, mas sim uma bela torta de limão.

Minha preferida.

Não pude deixar de notar que meu rosto mais jovem ficou sorridente, aquela não era uma torta comum, era feita pela minha mãe com os limões que ela colhera em nosso jardim, ela fazia no máximo três dessas por ano, na época em que nossa limoeira dava frutos, porém, a pobre árvore dava poucos frutos e minha mãe se recusava a fazer aquela mesma receita com qualquer outro limão que não fosse colhido em nosso quintal, dizia que não teria o mesmo gosto, que faltaria o principal tempero, o amor de um lar.

Mera superstição, na minha opinião, mas ela seguia a risca essa regra.

Lembrei-me com um gosto amargo na boca o que pensei nessa hora.

“Hoje realmente será meu dia de sorte !”

Como eu era tola, como pude confundir, aquilo não era um sinal de sorte e sim um pressagio.

Sentei a mesa e servir-me de um pedaço, que tenho que admitir que foi generoso e comecei a comer devagar a torta, para saboreá-la, ela nunca tinha tido um sabor tão bom.

Logo minha mãe adentra a peça e senta em meu lado, faz os mesmos movimentos que eu a uns instantes atrás e se serve também.

-Esta bom, querida ? — ela pergunta e minha versão mais nova responde.

-Bom é pouco ! Esta ótimo ! — falo de boca cheia, fazendo assim varias migalhas saltarem de minha boca e sujarem minha blusa, mamãe pega um guardanapo de cima da mesa e começa a me limpar.

-Não fale de boca cheia, vai se sujar toda ! — disse, fingindo estar braba, logo rimos um pouco e uma conversa animada começou.

Não ! Não confie nela !

Eu queria gritar isso para mim mesma, mas parece que minha voz não saia, ou melhor, minha versão mais nova não escutava.

É como se eu fosse um fantasma, eu estava ali mas ninguém me via ou ouvia.

Minhas privações não se limitavam só ao toque, afinal.

Após algum tempo de conversa meu pai entrou no local, sua camisa polo estava bem posta, porém, minha mãe foi até ele e começou a ajeitar sua gola.

-O que eu seria sem você ? — pergunta com um sorriso bobo na face, ela se aproximou de seu rosto, depositando um pequeno selinho em seus lábios, algo doce e delicado, apenas para demonstrar o afeto que sentia por ele.

-A mesma coisa que eu sem você, nada. — analisei bem aquela cena, para gravá-la o máximo possível na minha mente, essa seria a última vez que eu os via assim, tão doces um com o outro.

Olho para minha versão mais nova, ela faz uma careta, com certeza eu não sabia dar valor ao que tinha até perder.

Ri amargamente.

E quem não faz isso ? Esse é o lado triste da vida, você nunca da valor ao que tem até perder, não faço ideia se somos programados biologicamente para isso ou se apenas somos um bando de mau agradecidos, mas uma coisa eu posso lhe dizer.

Briguinhas com os pais não são problemas, quem me dera que essa fosse a questão mais difícil de minha vida.

Não sei por quanto tempo fiquei presa em pensamentos, meus pais e eu estávamos em um papo animado, minha mãe segurava uma das mãos de meu pai por cima da mesa e acariciava a mesma com o polegar, fazendo movimentos circulares, eu falava e sorria sem nem ao menos me importar com os dentes sujos pela torta.

Tudo parecia tão surreal, tão distante, como se eu estivesse num cinema vendo um belo filme de alguma família americana, onde tudo são rosas, nada da errado e os unicórnios reinam, não parecia minha família, pela menos, não como ela se encontra agora, era como se só tivessem sobrado restos podres e quebradiços do que ela já fora algum dia, nunca perdoaria minha mãe por isso.

Mas, talvez, a culpa não seja só dela, meu pai fez a escolha errada também.

Logo o café terminou, hoje era sábado, e como todos os anteriores, meu pai me levaria para a delegacia, os seus amigos do trabalho se reuniam e faziam um encontro para se divertirem, eu ia junto porque geralmente os guardas levavam seus filhos e as mulheres, porém, minha mãe dizia que era quando estávamos fora que ela fazia uma verdadeira faxina em casa, nunca pensei em desconfiar disso, mas eu deveria.

Passamos a manhã na sala, eu com o notebook e também conversando com meus pais, eles estavam com a TV ligada, foi desta maneira que passamos as próximas horas.

Comecei a observar tudo com muita atenção, guardando cada momento em minha memória, na verdade, eu me lembro desses dias, afinal fazem apenas três anos, mas eu quero que fiquem com essa mesma vivacidade, com as mesmas cores vibrantes que eu estou vendo agora, por mais que eu queira guardar uma lembrança por muitos anos, a cada minuto que se passa ela fica menos nítida em minha mente, ele começa a desbotar.

Meu pai olha seu relógio de pulso, pelo jeito já esta na hora.

-Vamos filhota ? — disse, dirigindo essas palavras a minha versão mais jovem.

Acenei com a cabeça fazendo um sinal positivo, desliguei o computador e segui até a porta, minha mãe já nos esperava lá com um pote em mãos, se me lembro bem, naquele dia levamos galinha assada para a delegacia, cada um levava um prato diferente, era regra.

Meus pais se despediram com um beijo doce e um “até logo” acompanhado de um abraço, logo após, minha versão mais jovem se aproximou de minha mãe recebendo um beijo na testa. Depois das despedidas entrei no carro com meu pai e nós rumamos a delegacia . No trajeto meu pai contou como foi sua semana e eu contei como foi a minha, rimos um pouco das trapalhadas um do outro e até trocamos conselhos, nada fora do normal, até ele falar uma frase que fez a minha pequena versão arregalar os olhos.

-Vou viajar novamente semana que vem. — ele disse, minha versão menor apenas ficou em silêncio, me lembro que fiquei muito triste quando ele disse isso, principalmente porque semana que vem era o aniversario de minha mãe, sua esposa.

Meu pai avia sido promovido a pouco mais de um mês, sua promoção ainda era muito recente, mas ele já tinha viajado três vezes, a primeira ficou fora por dois dias, a segunda uma semana inteira e a terceira, dez dias, se eu estivesse certa, ele ficaria ainda mais tempo fora desta vez.

Estava torcendo para que eu errasse.

-Tem um caso muito complicado no norte do país, um traficante que sabe esconder muito bem seus rastros, eu sei que não sou detetive, mas eles acham que eu poderia ser útil e . . .- ele continuaria com aquele discurso se algo não o interrompesse, minha versão mais nova se pronuncia.

-Será tanto tempo assim ? — digo triste, meu pai nunca fora de dar-me muitos detalhes de seu trabalho, achava melhor que não soubesse muito, dizia que assim era mais seguro para mim e minha mãe, porém, se estava se explicando era porque provavelmente não voltaria tão cedo.

-Um mês. — disse o mais rápido que pode, como se esperasse que eu não escutasse.

-Um mês !?! E o aniversario da mamãe ? — realmente, não importa quanto tempo passe, vou sempre achar que meu pai foi imprudente.

-Já disse a ela que recompensarei. — ele me fala.

“Como se joias, roupas ou qualquer outro bem material pudessem fazê-la esquecer da dor de passar seu aniversario sem o amor de sua vida, realmente frustrante”, lembro-me que esse pensamento passou pela minha cabeça naquela hora.

O resto do caminho foi em um silêncio fatal, nenhuma palavra foi desferida de nenhum de nós, depois de alguns minutos que mais pareceram horas intermináveis, chegamos a bendita delegacia, como sempre, fui cumprimentar a todos, a senhora Sakura estava com um belo vestido vermelho, já o senhor Oga estava com a sua camisa social de sempre, preta com bolinhas brancas, depois de cumprimentar homens e mulheres de todas as idades fui para o meu cantinho com um livro em mãos . Não que eu fosse uma antissocial, mas preferia gastar minhas tardes lendo do que falando com um bando de garotos rudes, eu era a única garota da minha idade e isso não me ajudava em nada.

Porém, eu não reclamava, gostava de ler e faria aquilo do mesmo jeito, só mudei de ambiente.

Olho minha versão mais nova, realmente mudei muito durante esses anos, meus cabelos estão mais compridos agora, sem contar que meus peitos aumentaram e meus quadris ficaram mais largos, eu era bem mais magra e um pouco sem graça, não era feia, mas também não era nem comparada ao que sou hoje.

Fique por horas a fio lendo, mais de 100 paginas já aviam se passado quando alguém veio falar comigo, lembro-me vagamente desse momento, mas também sei, de alguma forma, que esse foi o ponto alto do meu dia, mais que a torta, mais que o nascer do sol.

-Oi . — disse um garoto, seus cabelos castanhos se destacavam com os olhos verdes, sua camiseta preta de alguma banda de rock e jeans azul não combinavam com seu rosto sereno.- vi que você esta lendo o mesmo livro que eu. — olhei para sua mão, não vi nenhum livro. — oh, eu deixei em casa, poderia ler com você ?

-Não sei . . . — eu disse, estava sentada no chão, no fim de um corredor onde dava para as selas, tinha uma grande porta de metal atrás de mim e logo atrás dela, outro corredor assim como o que eu estava, a única diferença, selas cheias de criminosos estavam por todo o lado, não sei porque escolhera aquele lugar, talvez pela luz que vinha por trás,consequentemente, iluminando o livro diretamente, ou talvez porque ninguém se atrevia a ir lá, sendo assim, poderia ficar sozinha.

Até hoje não sei ao certo o porque de justo aquele lugar.

-Em que pagina você esta ? — perguntou sentando-se em meu lado.

-249 . — disse, estava um pouco vermelha, não era só pelo fato de estar falando com um garoto que nunca vi, mas também pela proximidade de nossos corpos, a pele de seu braço encostava no meu, sentia seu calor sendo transmitido para meu corpo, a sensação era tão boa . . .

-Eu estou na 276, façamos o seguinte, eu fico quetinho aqui, relendo essas paginas com você e depois quando você chegar na pagina onde eu parei lemos juntos, que tal ? — disse, logo vi seus lábios ficando maiores devido ao sorriso que se formava.

-Tudo bem, só não me atrapalhe. — disse, ele apenas assentiu e eu voltei a ler.

Lembro-me muito bem que demorei mais que o dobro para ler as paginas por causa da proximidade do garoto, lembro-me também que pensei no quanto esse menino era estranho, que tipo de pessoa chegava em uma completa estranha e pedia para ler consigo ?

Os minutos foram passando e eu finalmente cheguei nas paginas tão esperadas pelo garoto.

-Opa ! Foi bem ai que eu parei. — disse colocando seu dedo em meu livro.

Não respondi, simplesmente voltei a ler, via que o garoto se movia constantemente tentando achar um lugar com melhor vista para as paginas do livro, era até engraçado, porém os movimentos seguintes do garoto não me deixaram aos risos mas sim com as bochechas rubras, ele avia colocado seu braço sobre meu ombro, de maneira que me abraçasse, percebi que ele era bem mais alto que eu, bem, era normal, afinal, o garoto devia ter uns dezenove anos, o que me deixou mais nervosa.

-Posso ficar assim ? É o melhor jeito de ler o livro. — disse, olhei em sua direção, suas bochechas estavam que nem as minhas, rubras.

-Se é só para ler . . . acho que esta bem. — digo esforçando-me para não gaguejar.

Faltavam poucas paginas para o final do livro, talvez umas cem ou menos.

Os minutos foram-se rapidamente, assim como as paginas do livro, depois de alguns instantes eu já avia me acostumado com o corpo estranho que me envolvia, logo percebendo que ele encaixava perfeitamente ao meu, inspirei o ar ao meu redor, por consequência, a fragrância do garoto, seu cheiro me agradou, até hoje me pergunto se era seu cheiro natural ou apenas um perfume bem feito.

Estávamos na última pagina, eu avia terminado, minha versão mais jovem ia fechar o livro, porém, o garoto segurou minha mão.

-Espere que eu estou lendo a última frase. — disse, tirou minha mão do livro, mas não a largou, estava torcendo para que minhas mãos não suassem, ele a segurava de maneira firme, logo, acho que sem perceber, entrelaçou seus dedos aos meus me deixando rubra da cabeça aos pés, não sabia o que fazer, queria ficar daquela maneira, porém sabia que não o conhecia e nem tínhamos intimidade para tanto, também não sabia se deveria retira-la do meio de seus dedos, se fizesse isso, poderia o constranger.

Ri observando minha versão mais infantil, hoje em dia isso não seria nenhum problema para mim, já naquela época . . . ainda bem que não posso ser vista por ninguém

-Não acredito ! — disse o garoto.

-Também não, como ele pode morrer desse jeito ? — falo, realmente, o final deste livro havia me decepcionado naquela época.

-O morrer foi o de menos, e a cidade que pegou fogo ? — pergunta, seus olhos estão verde musgo agora, sera pela raiva deste final ?

Minha versão mais nova começa a rir : — você realmente se alterou, né ? — disse risonha.

-É, pode se dizer que sim. — disse o garoto, rindo um pouco junto. — espera um pouco ! Você esta rindo de mim ! — disse, gargalhei mais.- Ahhhh, se é assim, eu vou fazer você rir de outra coisa ! — tirou seus braços de cima de mim, por alguns instantes fiquei decepcionada, porém, logo suas mãos se voltaram ao meu corpo, mais especificamente, minha barriga. — Ataque de cosquinha !

E la foram seus dedos fazerem seu trabalho sujo, a cada movimento dos mesmos eu ria mais e mais, lembro-me dessa cena, na hora estava muito preocupada em rir, mas agora, que estou vendo de fora, alguns pensamentos vieram a minha mente.

Por que um garoto de dezenove anos ia chegar perto de uma garota de treze ? Ou por que a abraçaria ? A causaria gargalhadas ?

Quem visse a cena de fora pensaria que éramos um casal, no mínimo amigos de longa data, era improvável que alguém agisse assim com quem mau conhecia, muito menos, com alguém que nem sabia o nome, seu nome . . . o que me faz lembrar-me, nunca lhe disse meu nome.

Seus dedos continuavam fazendo seu trabalho quando, sem ao menos eu querer, involuntariamente, levantei-me o tronco em busca de conforto e ar, mas por coincidência, ele levantou sua mão em mesma hora, fazendo-a tocar em um de meus seios.

Sua face enrubesceu, que nem a minha, ficamos uns instantes daquela maneira até que o garoto tirou sua mão por fim.

-De-desculpa . — disse, não pude deixar de achar fofo.

-Vo-você não fez por mau. — disse por fim.

Nos encaramos por algum tempo, estávamos muito envergonhados para falarmos algo, não que eu não quisesse falar mas não tinha coragem, em minha mente aquilo era extremamente impossível, sem contar que o rosto bonito do rapaz não ajudava em nada, seu corpo aparentava ser escultural, nada exagerado, mas alguns músculos nos braços denunciavam seu físico, hum . . . . . , no minimo “saudável” .

-Quantos anos você tem ? — perguntou para minha versão jovem o garoto.

-Treze, e você ? — falo nervosa.

-Dezenove. — eu tinha, e ainda tenho, uma boa intuição.

-Qual seu nome ? — pergunto.

-Kyoichi. — disse.

Kyoichi . . . , lembro-me que este nome me chamou a atenção, afinal, o seu significado era puro, olho para o rosto do garoto, realmente acho que este nome combina com ele.

-Kyoichi . . . muito bonito ! — falo, realmente eu avia, e ainda gosto deste nome.

-Obrigada, mas, e o se. . .

-Posso lhe chamar te chamar de Kyo-chan ? — pergunto, viro um tomate, nem sei de onde tirei tanta coragem para fazer tal pergunta.

-P-pode . . . — disse.

Logo já estávamos falando de livros, filmes, séries, games . . . enfim, uma infinidade de assuntos foram citados ao longo de nossa conversa, descobri muitas coisas sobre ele, como por exemplo, que adorava natação, tinha uma fascinação por biologia, que adorava rock ( o que eu já sabia devido a camiseta ), também que cursava o curso de medicina, seu animal preferido eram coelhos, e que ele tinha uma tatuagem, que não me disse como era, afinal, ele mudou de assunto quando perguntei, passamos a tarde falando sobre muitos assuntos diversos, rimos e gargalhamos muito, estávamos eufóricos com a conversa, tão imersos que nem vimos as horas passarem.

-Kyoichi !!!! — chamou uma mulher, pela voz, era a mulher do general.

-É a minha mãe . . . já esta na hora de ir. — ele disse, logo se inclinou para a frente e me beijou.

.

.

.

A testa.

-Tchau, chibi-chan ! — ele disse, me despedi e o vi ir embora.

Ele me nomeou assim durante nossa conversa, pelo fato de que ele era aproximadamente vinte e cinco centímetros mais alto que eu, ele disse-me que nunca avia vindo antes devido ao fato dos trabalhos de sua faculdade, disse-me também que adorara me conhecer.

Fiquei mais algum tempo fantasiando-me com o estranho perfeito que havia conhecido a pouco quando meu pai me chama.

-Iore ! — vou até ele rapidamente junto de minha versão mais nova.

-Que foi ? — disse-lhe de maneira rude, por algum motivo, não queria ter que parar de pensar em Kyoichi.

-Vou ter que viajar hoje mesmo, lhe largarei em casa e já irei embora. — falou, sem mais de longas, saímos da delegacia, pelo que parece, as coisas estavam piorando no caso em que meu pai ia trabalhar e eles precisavam de toda a ajuda possível, minha versão mais jovial esperava que minha mãe não estivesse com o aspirador ligado, afinal, estaria de volta em casa horas antes do normal, e ainda sem avisar.

Meu pai despediu-se de mim, largou-me em frente de casa e rumou-se ao aeroporto, peguei minha chave e entrei em casa, corri para o meu quarto, pensei na época que era melhor fingir que nem havia chego em casa, para que minha mãe trabalhasse em paz, entrei em meu quarto já pondo meu livro sobre a cama, deitei-me e relaxei, acabei cochilando.

E esse foi meu maior erro.

Vi meu corpo adormecido, por algum tempo nada aconteceu, havia apenas eu em um sono profundo, porém, a porta do quarto abre, um homem desconhecido adentra apenas de cueca.

Acorde ! Levante dai ! Fuja !

Não adiantava, por mais que eu gritasse ela não me escutava, tentei fugir para longe, porém, não consegui, era como se eu fosse obrigada a olhar aquela cena.

O homem chegou perto de minha versão menor, sentou na cama e me olhou dos pés a cabeça, despindo-me com os olhos, mas logo não se conteve somente em olhar, seus dedos correm sobre minhas coxas chegando em minha parte íntima, ele tira minha saia.

Acordo no momento em que seus dedos adentram minha calcinha.

Ia gritar, mas, mais rápido do que meus olhos, o homem tampou minha boca com sua mão livre.

-Você e sua mãe são lindas. — disse, subindo suas mãos por debaixo de minha camiseta chegando ao meu sutiã, como se não respeitasse o limite da peça, coloca sua mão dentro, apertando meu seio esquerdo, tento espernear, mas o homem já esta em cima de mim, me imobilizando as pernas, porém, soltou minha boca para segurar meus pulsos.

As lágrimas tomam meu rosto, centenas de pequenos cristais de água caem sobre minha face, inibindo minha voz.

Suas mãos sujas e nojentas tocavam meu corpo ainda virgem, sem medo nem pudor.

Mas, por algum motivo, depois de me vistoriar por inteiro, tocando me em todas as partes, o homem para e sentasse no meu lado na cama, por mais que meu sutiã já tivesse sido tirado, a camiseta e a calcinha continuavam em meu corpo, e era com isso que eu tentava me proteger do olhar faminto daquele homem.

Ele toca em minha perna, logo sua mão começa a subir, eu a tiro com um tapa.

-Chega ! — falo.

-Por que ? Quero me divertir com você como fiz com sua mãe. — disse, voltando a me prensar na cama, eu não tinha mais forças, já estava ficando roxa de tanto que o homem me apertava, logo sua mão estava em minha peça intima, ele iria a baixar, mas algo o interrompe.

-O que você esta fazendo no quarto da minha filha ? — fala minha mãe . . . A mulher estava apenas com um camisetão, ela olha melhor.- O QUE VOCÊ ESTA FAZENDO COM A MINHA FILHA !?! — grita em nossos ouvidos.

-Só estou me divertindo, foi por isso que vim aqui . — disse, em um momento de distração no homem, chutei suas partes intimas o jogando no chão, abracei minha pernas com ânsia.

-SAIA JÁ DA MINHA CASA !- diz minha mãe, o homem se levanta e anda até ela.

-Ainda não. — disse, ao chegar a sua frente, olha minha mãe bem nos olhos e pega seus cabelos com força, há arrastando até onde eu estou.

-Você nem deu um beijinho na sua filha ainda. — ele disse, segurou meus cabelos também, trouxe minha mãe para mais perto, e fez nosso lábios se encostarem.

Nesse momento minha mãe perdeu a cabeça, apenas levantou a mão e agarrou com força o falo do homem, fazendo-o se contorcer de dor, assim que ele já estava gritando minha mãe disse.

-Sai . . . já . . . daqui . — ela falou como um rosnado.

Ela larga a parte do homem o levando até a escada, mas, quando eu penso que as coisas vão melhorar, algo pior acontece, o homem tenta a pegar novamente, porém, ela se esquiva, ele perde o equilíbrio e cai da escada.

Corro até la, chego a tempo de ver uma possa de sangue em volta do homem.

Ele estava morto.

Vejo-me em uma situação bem dificil, porém, sempre pode piorar.

A porta de nossa casa abre, um dos colegas de trabalho de meu pai entra, o homem olha a cena e se apavora.

-O que esta acontecendo aqui ? — ele pergunta ríspido, corre até o homem checando o pulso, olho para minha mãe.

Algum tempo depois nós descobrimos que meu pai o mandou ir lá para verificar tudo já que eu não avia atendido a ligação dele.

-Ele . . . ele era um colega de classe meu, um amigo, ou eu o considerava como tal . . . ele apareceu aqui do nada, dizendo que veio para conversarmos, mas, ele queria muito mais do que só conversar . . . — as lágrimas começam a sair de seus olhos. — . . . ele . . . ele . . ele fez “coisas” comigo, e logo após tentou fazer o mesmo com a Iore. — suas lagrimas já sujavam sua camiseta.

Minha mãe mentia com maestria, se não a conhecesse a vida inteira, me convenceria facilmente, porém, sei bem que quando ela mente sua voz fica em um tom mais agudo, quase imperceptível a ouvidos alheios, mas a mim era alarmante, corri e tranquei-me em meu quarto. Queria acreditar com todas as minhas forças no que minha mãe dizia, lembro-me que naquele instante falava diversas vezes a mim mesma que ela estava sendo verdadeira, porém, minha mente se prendia ao racionalismo, tudo apontava para apenas uma única coisa.

A traição.

O homem vir justamente no dia em que nós dois, eu e meu pai, não estávamos em casa era muito suspeito, mas poderia ter sido como minha mãe havia mencionado, ele poderia ter aparecido sem avisar, mas ele só teria feito tal ato se nos observasse, meu pai teria percebido alguém rondando a residência, ele sabia até quando um cão passava duas vezes na frente de nossa casa ! O homem poderia ter escolhido um dia aleatório . . . mas, seria muita sorte, até demais. Sem mencionar o fato de minha mãe não ter nenhuma marca de resistência ou combate em seu corpo, nenhum roxo, nem mesmo, um arranhado, ela não parecia ter sido forçada, mas, até agora eu não tinha nenhuma prova concreta.

Porém, quando ela falou, sua voz mentirosa a denunciou.

Vi minha versão mais jovem correr para o banheiro que havia em meu quarto, a segui, ela tirou as poucas roupas que lhe tinham no corpo e começou a esfregar todas as partes do corpo onde o homem avia tocado, lembro-me que fiquei com os pulsos vermelhos de sangue por causa de ter esfregado muito forte, queria tirar a podridão daquele homem de mim.

Algumas horas se passaram, logo eu estava sentada no chão de meu quarto, com as costas na parede, não tinha coragem de ficar em minha cama, a porta do meu quarto abre, revelando minha mãe com um vertido azul.

-Oi. — diz, não a respondo, apenas olho para baixo.- . . . você esta bem ? — de novo, a deixo sem resposta. — que pergunta idiota, é claro que não ! — ela fala, outra grande pausa se forma, ela se aproxima e senta em meu lado no chão. — eu queria lhe explic. . .

-Me explicar oque ? Que você trai o papai ou que você fica com homens tão baixos que tantam estuprar a sua filha ? — digo ainda olhando pro chão, quando era mais jovem não avia visto o rosto dela, mas agora, eu posso, ele estava pasma.

-Filha, eu . . .

-Não precisa me explicar nada, só saiba que eu vou contar pro papai. — minha versão mais nova fala.

-Não, você não vai, eu amo ele e você não vai acabar com o esse amor. — ela disse, até hoje fico pasma com isso.

-Amor ? Como amor ? Você o trai ! — eu disse, me exaltando.

-Eu escolhi amar seu pai, esses com quem durmo são só minhas fontes de prazer, já que seu pai esta viajando muito eu não posso fazer com ele, eu tenho minhas necessidades. — disse me chocando.

-Eu vou contar ! Isso é absurdo ! — grito.

-Conte então ! E fique a sua vida inteira sabendo que estragou três vidas, a minha, a do seu pai e a sua própria ! — ela grita, me fazendo arregalar os olhos. — Você sabe muito bem que seu pai vai ficar arrasado . . . eu ficaria um caco e você . . . você , olha, acho que você sabe como ficaria. — fala se levantando e saindo do meu quarto.

Dai em diante, quando meu pai estava em casa, eu e minha mãe fingíamos que nada avia acontecido, quando estávamos a sós, eu fugia de casa, nunca disse nada a meu pai.

E porque ?

Por que não queria ficar com peso na consciência.

Vejo minha versão mais jovem tentando dormir, sem sucesso.

Naquela época eu mal sabia que, a partir daquele dia, nunca mais dormiria.

Pelo menos, sem remédios.

As coisas ao meu redor começam a se despedaçar, cada pedacinho evapora até me deixar num lugar branco sem fim, nesse instante eu começo a apagar, vejo minha versão mais jovem aparecer na minha frente.

-Você ganhou um presente, um novo começo. — ela me diz antes que eu apague.

Ahhhhhhhhhhhh ! Que sono !

Abro meus olhos, parece que eu dormi e não sonhei com nada.

Olho ao meu redor, onde eu to ?

-Iore !!!! Filha !!!

.

.

.

-Quem é você ? — pergunto.

Não conheço ninguém nesse quarto.

Notas finais
Notas fonais :
Cat-chan : ~desvia de facas ~ desculpaaaa gente ~corre pra debaixo da mesa~
Espera, aonde vcs conseguiram esses fuzis ?
Paola-chan : Sem guerras aqui gente ! Não matem ela !
Cat-chan :Isso, escutem a Paola-chan !
Paola-chan : Deixa que eu mato !
Cat-chan : ~le começa acorrer ~ SOCORRO !!!
Paola-chan : Bom, enquanto ela corre, vamo fala da pag, pois é, como eu disse antes
repentino tem uma pag agora, ela serve para :
1- Pedidos : vocês podem querer que a gente fassa propaganda da fic de vcs ou algo
do genero.
2- Ideias : Muitas vezes tanto eu quanto a Catarina ficamos sem ideias, adorariamos que
vcs nos ajudassem, podem dar ideias quando quiser, nos ficamos felizes e . . .
Cat-chan : é !!! ficamos felizes !!!
Paola-chan : Volte a correr !!!!! ~le catarina volta a correr ~
Bom, para :
3- Comunicados e avisos : Vamos supor, eu ou a Catarina nos atrazamos no capitulo, é la
que a gente vai avisar, se tiver cap extra, é la que vamos avisar, se quizermos ajuda é
la que vamos pedir, e, digamos que alguem escreveu uma curta ou algo do tipo com os
personagens de repentino, nos vamos postar lá se a pessoa quizer.
4- Concursos : Principalmente para saber o futuro dos nossos personagens.
5- Vagas para personagens : Sim, hehehe. no futuro vcs poderam fazer personagens pra fic,
ou até, vcs mesmos vão poder entrar na historia, sera pela pag tbm.
Ai ta o link, se puderem, vão la e curtão, para ficarem por dentro, sem contar que vamos
por imagens legais e desenhos, beijos gente.
Cat-chan : Beijos !!!
Paola-chan : Fujaaaaaa !!!!
ATÉ O PRÓXIMO CAP E ATÉ A PAGINA NO FACEBOOK !!!
https://www.facebook.com/Repentinonosamamos?ref=hl