Repentino

36 A sua loucura parece um pouco com a minha.


Notas iniciais
Bem, estamos caminhando para o fim de Repentino, hoje veremos o final da Yuki. Boa leitura.

POV's Yuki

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As flores começam a cair anunciando o fim da primavera, eu as observo até onde os muros que cercam esse manicômio permitem.

Desde o incidente que aconteceu com o Rin muita coisa aconteceu … Quando John me internou aqui eu pensei que depois de alguns dias ele perceberia a burrada que tinha feio ao me por aqui e me tiraria, mas desisti dessa ideia depois de alguns meses.

Culpava Rin por fazer John me odiar, o culpava por ter roubado o homem que eu amava e que me pertencia, mas após muitas seções de terapia eu finalmente percebi que Rin não tem culpa por John não me amar, a única culpada disso sou eu e o próprio John. Pensando bem, ninguém tem culpa … se quiser culpar algo só posso culpar o universo por fazer com que eu amasse um homem que nunca gostaria de mim da mesma forma.

Vejo uma pequena flor amarela cair no meio do jardim, me levanto aos poucos da cadeira e vou em sua direção.

Já se passou algum tempo desde que cheguei aqui, estou cansada das roupas brancas e de sempre estar com os cabelos presos, mas normas são normas, se é assim que temos que andar então não tem nada que eu possa fazer.

Normas … quando cheguei aqui pensei que logo perceberiam que eu era normal e que me deixariam sair, mas eu estava enganada. Quando percebi que apodreceria aqui dentro comecei a quebrar essas normas, afinal eu pensava o que se quebrasse regras suficientes eu iria para a cadeia e a cadeia é melhor que isto aqui.Afinal, na cadeia você sabe quanto tempo vai ficar e quando vai sair, mas aqui … se quiserem lhe deixar a vida toda trancafiada, eles podem.

Pego a pequena flor em minhas mãos e a seguro com cuidado.

Demorei muito até perceber que só sairia quando não desse mais problemas, mas claro que não poderia ficar quieta de mais se não esqueceriam de mim, então comecei a ajudar a todos e ainda ajudo. Médicos e enfermeiros são meus alvos, converso com eles sempre que posso, faço tudo para os agradar.
No início eles fugiam de mim, porém depois de muito insistir eles começaram a permitir que eu os ajudasse com algumas coisas simples.

Sinto alguém pegando a flor dentre minhas mãos.

Logo alguns simpatizaram comigo, principalmente um enfermeiro …

Hatake é um homem educado e muito tímido, lembro-me que quando o conheci pensei que ele tivesse medo de mim por pensar que eu era uma daquelas loucas agressivas (e de certa forma eu era ahaha) mas depois de algum tempo eu percebi que sempre que me aproximava suas bochechas roborizavam. Aquilo me fez achá-lo interessante e dês daquele momento tive o objetivo de o te-lo como amigo, e assim foi.

As mãos que haviam pegado a flor das minhas pertenciam a Hatake.

Ele não podia fugir de mim para sempre, então um dia o vi sentado no jardim e fui até ele. Nunca o tinha visto daquela maneira … tão sério. Sentei ao seu lado mas pude perceber que ele nem havia notado a minha presença …

… “ – Hatake … ?-disse pondo minha mão sobre seu ombro.

O homem deu um salto e me olhou surpreso, provavelmente percebendo que estava tão preso em pensamentos que não me percebeu chegando.

–Yuki- falou com a voz carregada, tão pesada … de uma maneira que nunca havia escutado.

–O que houve?-perguntei preocupada.

Hatake nunca foi um homem de muitas palavras mas muito menos de ter um semblante pesado, nunca havia visto tão sério. O homem sempre tinha um sorriso no rosto e olhos brilhantes, eu sempre confundi seus risos com o som de pássaros, e seus suspiros com o vento nas árvores durante a primavera. Mas hoje … hoje ele está com o olhar frio e sua voz mais me passa aflição, como o céu antes de um temporal.

–Não foi nada … só estou um pouco pensativo hoje.

O que estava em minha cabeça? Sou apenas sua paciente, ele não se abriria comigo.

Mas … eu esperava que, por um momento, ele esquecesse em este fato e visse em mim uma amiga, uma companheira e não uma conhecida, tão pouco uma louca.

Não sei ao certo por que esperava isso, mas esperava, e com muito esmero.

Olhei para o homem ao meu lado, seu cabelo caia sobre seus olhos … ele não o devia cortar a um bom tempo, o castanho nas pontas já estava meio-claro.

Não suportava o ver assim, quero me tornar um suporte para ele, como ele é para mim aqui dentro desse hospício.

–Olha aqui … — falei tirando a mecha que tapava seus olhos castanhos.- posso até ser uma louca varrida com sérios problemas de relacionamento mas ainda assim não sou cega. -minhas mãos desceram até sua nuca. — Me fale o que está havendo … as vezes os melhores conselhos podem vir de alguém que tem uns parafusos a menos.

Ouvi uma risada sem vida vindo de Hatake, logo seus olhos me fitaram. Olhos tão profundos, era como se estivessem vasculhando cada canto da minha alma, procurando por algo, acredito que algum sinal de falsidade. Mas enquanto seus olhos viam cada canto da minha alma, por algum motivo eu desejava que não vissem um pequeno canto … o canto que guardavam os meus sentimentos, eu tinha medo que ele descobrisse algo. Mas descobrir o que?

–Meu pai … — lágrimas começaram a cair.

Não precisou terminar de falar para que eu entendesse. O abracei com força, o senti corresponder meu carinho aos poucos e suas mãos se prenderam em minhas roupas, suas lágrimas quentes caiam em meu ombro. Me parte o coração ver alguém que é tão querido para mim dessa maneira.

Nunca tive pais, não sei o que dizer nem como o ajudá-lo já que esse sentimento é desconhecido por mim mas ainda posso dar meu apoio e carinho há ele, o mostrar que pode ter perdido alguém que amava muito mas que ainda tem pessoas que podem lhe oferecer amor e confiança.

–Eu que devia ajudar você, não ao contrário … — me disse ainda choroso.

–Você não tem como ser forte o tempo todo. ”

E desde aquele dia nos tornamos cada dia mais íntimos, mais amigos.
Tudo corria bem e eu já estava me acostumando ao ritmo do manicômio, já estáva me acostumando quando recebi a notícia.

Hatake pega a flor e põem em meus cabelos.

Eu iria sair.

Eu vou sair.

Amanhã, no horário do meio dia irei sair e recomeçar, ter uma vida nova e de uma maneira diferente afinal eu estou diferente.

Não havisarei John nem Yamato, eles estão no meu passado. Mas claro que os amo, escrevi cartas e os enviei, mas nunca mais os verei, sei o mal que causei em para eles e também sei que não tenho mais importância em suas vidas.

Todos seguiram em frente e agora é a minha vez.

Com as mãos ainda em meus cabelos, Hatake diz: Eu te amo.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Eu sei que ela foi malvada durante a história mas até ele merece um final feliz ahhas
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.