Notas iniciais
Laços e deslaços.

Kai deveria continuar subindo os degraus. Na verdade, ele até relutou sobre subir ou permanecer ali. Mas ouvir o questionamento daquela garota acabou deixando-o o estático, como se fosse um desafio a mais para o Brandon, se ele mentiria na resposta ou contaria a verdade.

Brandon, por outro lado, sentiu seu corpo tremer. Viu-se perdido, sem reação. Nada lhe vinha à mente para responder sua namorada. Foi pego despreparado. Sentiu medo ao olhar nos olhos de Kai. Machucá-lo novamente não era sua vontade, mas ainda assim contar toda a verdade seria por tudo o que construiu com a garota por água abaixo.

— Kai. — A voz do Sean invadiu a sala.

O moreno apareceu na passagem da sala para a cozinha. Sean olhou para o garoto por alguns segundos, mas depois olhou para Melissa. A garota sorriu para ele, Sean não retribuiu o sorriso, mas fez um gesto com a cabeça que serviu como um cumprimento.

Sean prosseguiu:

— Venha até a cozinha. — e deu as costas.

Brandon engoliu em seco e olhou para Kai. O mexicano desceu as escadas sem olhar para nenhum dos dois e seguiu direto par a cozinha.

O loiro não soube o que sentiu naquele momento, mas parte da tensão que sentiafoi embora junto com Kai. Ele largou Melissa e sentou-se no sofá, não conseguiu disfarçar o quão abalado tinha ficado com aquilo.

— Algo o preocupa? — Melissa, sentando-se ao seu lado e pondo a mão no ombro dele, perguntou.

— Kai é o nome dele. — respondeu o loiro. — Nós éramos melhores amigos.

Melissa ficou em silêncio e o aguardou. Brandon fechou suas duas mãos e olhou pra frente. Contar a verdade? Era isso que queria, de fato, mas também não queria perdê-la. Seus pensamentos confusos em breve o deixariam louco, o faria surtar.

— Eu suspeito o que tenha acontecido. — percebendo o desconforto do namorado, Melissa falou.

— Suspeita? — Ele virou o rosto de supetão, assustado.

Melissa também se assustou com aquele semblante do namorado.

— Sim... — ela se levantou e caminhou pela sala. — Sua família, não é mesmo? Olha, Brandon, tem algo que eu queria falar há muito tempo.

— Pode falar. — ainda sentado, o loiro ficou olhando-a.

— A sua família é racista. — ela foi tão direta que Brandon pareceu ter tomado outro tiro. A loira se virou, encontrou a poltrona novamente e se sentou. Ela prosseguiu falando. — Foram vários encontros que tive com seus familiares, e em alguns deles eu pude perceber isso. Nunca soube como de fato eu poderia te falar isso, mas eu consigo perceber que você não é igual a eles.

— Não consigo ir contra eles... — admitiu. — E o Kai... O Kai... Ele é latino, mas... — Melissa o interrompeu.

— Mas a pele escura dele é o suficiente para eles saírem julgando sem fundamento algum. É por isso que são ignorantes. Você foi bombardeado com informações erradas, Brandon, e imagino o quanto você deve estar sofrendo por isso. O fato de você não conseguir ir contra eles é considerável, respeito e entendo sua posição. Eu no seu lugar, talvez, não conseguiria expor meinhas ideias a todos eles. Naquele dia em que seus pais estavam aqui, você mentiu por isso, não foi? Me sinto idiota, eu que acabei pedindo a eles para isso.

Ele somente pensou em como perdeu sua virgindade com o Kai e como isso o deixou apavorado diante aquela situação. Em parte, Melissa estava certa. Da mesma forma que foi com Sean, acontecia com o loiro, ele era um robô, tendo em seu comando uma ação de desprezo quando se tratava de pessoas vistas como inferiores por sua família. Mas, ainda que seja essa uma das justificativas, ele também admitia que mentiu daquela forma porque ficou apavorado com a presença do mexicano, achando que todos iriam saber o que aconteceu entre eles.

O loiro balançou a cabeça positivamente para a namorada. Pelo menos, parte da culpa tinha sido admitida, mas ainda sentia-se idiota por não contar toda a verdade. Ele a traiu.

— Minha família é o problema. — Ele disse. — Não. Isso não importa pra eles. Basta apenas ter a pele escurecida que eles já o tornam inferior. É por isso que racistas, ignorantes... a falta de informação

— Antes de namorarmos, nós éramos melhores amigos, Brandon. — Melissa saiu do seu lugar, ficou em frente ao loiro e se ajoelhou, apoiando as duas mãos nos joelhos dele. Ela olhou em seus olhos. — Eu estou do seu lado.

— Eu não mereço... — murmurou o loiro, choroso. Os olhos brilhavam pelas lágrimas que brincavam.

— Claro que merece. Quem não merece ser tratado da forma que você o tratou é aquele garoto. Eu ficaria muito feliz se você fosse se desculpar. Talvez ele tenha uma péssima impressão sobre mim. — Melissa beijou-lhe a testa.

— Como você pode ser tão boa assim?

— Foi por isso que nos tornamos grandes amigos, lembra? Você também é uma pessoa boa. Isso me faz lembrar dos nossos primeiros anos na escola. — Melissa sorriu. — Você sentava no meio da turma e eu na frente, quando nos tornamos amigos após um trabalho em dupla, conheci mais da pessoa maravilhosa que você é.

— Eu até troquei de lugar e passei a sentar do seu lado. — ele retribuiu o sorriso, fraco e desanimado, mas ainda assim um sorriso, recebendo as lembranças.

— Exatamente. — Melissa ficou de pé e em seguida sentou-se ao lado do namorado, repousando a cabeça em seu ombro. — É tão divertido lembrar-se disso.

— E então nos tornamos namorados.

— Se bem que apenas nos tornamos namorados por conta dos nossos pais. Foi engraçado lembrar daquele jantar em que seu pai disse que eu era perfeita pra você. — ela brincou.

— Seu pai ofereceu sua mão em namoro para mim. Eu achei aquilo tão estranho, geralmente os pais oferecem em casamento, não?

— Aposto que meu pai e o seu combinaram aquele jantar justamente pra que nos aproximassem mais. — ela falou, retirando a cabeça do ombro dele.

— Bons tempos de amizade. — ele disse, pensativo, as lágrimas ainda pairando em seus olhos.

— E hoje em dia nos separamos por conta das universidades, mas futuramente estaremos juntos novamente. Enquanto isso teremos que nos manter nesses encontros de finais de semana, feriados e férias. Mas como te disse, eu estou do seu lado. Não importa a distância.

Brandon foi quem tomou Melissa para um abraço, ali, sentados. O loiro afogou seu rosto no pescoço da garota e, para a surpresa dela, ele deixou as lágrimas escaparem. Um soluço, fraco, escapou. Melissa rapidamente o abraçou mais forte. Ela reconhecia que seu namorado precisava de conforto.

Brandon não chorava por Kai, não chorava pela família... Brandon chorava pela Melissa. Às vezes ele se perguntava como conseguiu traí-la, tendo em vista que ela nunca mudou, sempre sendo uma boa amiga, além de namorada. A confusão na sua mente em relação aos sentimentos o fazia chorar ainda mais.

— Você sempre foi um chorão. — ela disse, acariciando seu pescoço.

Brandon chorou por alguns minutos, recebendo o silêncio e conforto da namorada. Depois disso, ele sozinho enxugou seus olhos, afastou-se dela e sorriu. Aquele sorriso grande e bobo que só ele conseguia expor.

O loiro ficou de pé e, sem dar sinal algum, subiu as escadas. A namorada o seguiu.

[...]

Na cozinha, Sean estava fazendo o seu jantar; algo que consistia em salada e carne. Egoísta por natureza, nem mesmo cogitava em dividir com alguém, mas na necessidade de conversar com Kai, resolveu dobrar a porção. Poucas foram às vezes em que Sean cozinhou para outros, isso inclui seu namorado e Octavio. Os demais membros da república estavam acostumados a comerem pratos congelados ou então se virarem sozinhos em suas próprias refeições.

Kai estava sentado num banco em frente à bancada, e atrás dela, mexendo no fogão, estava Sean, totalmente despreocupado com o fato de deixar o garoto esperando. O mexicano aguardou alguns minutos, mas seu líder nada falava. Perdendo a paciência, Kai começou a falar:

— E então? Sobre o que precisamos conversar?

Sean desligou o fogão e o olhou. Depois de preparar o prato, o moreno o lançou em cima do balcão onde Kai estava. O italiano demorou mais alguns segundos para preparar o seu prato, feito isso ele puxou um garfo da gaveta, tomou a refeição em mãos e encostou-se na pia.

— O que você queria ouvir do meu primo? A verdade ou mentira? — iniciou o moreno.

— Não importa. — respondeu, provando da comida.

Não tinha do que reclamar. Sean era realmente bom no que fazia.

— Vou te perguntar mais uma vez: O que você queria ouvir do meu primo? A verdade ou mentira?

Kai, ainda mastigando, o observou. Sean não retirava os olhos dele. O olhar penetrante e frio o encarava.

— A verdade, obviamente.

— E se fosse a mentira? — permaneceu encarando-o.

Kai tremeu com a firmeza na voz do moreno.

— Quem quer ouvir mentiras? Ninguém. — disse com incerteza.

— Se ela servisse pra te fazer tomar, finalmente, uma decisão, talvez fosse a mentira que você preferisse ter ouvido. — Sean foi tão direto que Kai pareceu ter tomado um choque de realidade.

Era incrível como o moreno parecia ler seus pensamentos. Ele não poupava nas palavras e sua rigidez como líder tornava suas respostas tão duras.

Kai realmente preferia ter ouvido a mentira e acabar de vez com tudo aquilo, sendo capaz até de virar e falar tudo pra Melissa, ou simplesmente largar mão da república e ir embora.

— Por que me tirou de lá?

— Porque eu não quis ver meu primo se afundando novamente na própria mentira ou falando verdade que o mataria.

— Do que está falando? — Kai não conseguiu entender. Parecia que Sean sabia de alguma coisa.

— Nós viemos de uma família de monstros, Kai. Todo aquele que resolver nos tocar, praticamente será maltratado pelo pecado de gerações.

Sean pensou em como Colin foi atingido por sua mãe. Os olhos do mexicano logo foram tomados por lágrimas.

— Sean, por que você não me expulsa logo de vez? — questionou ao notar o tratamento que recebia.

— Eu tenho o poder de te tirar daqui, Kai. Mas prefiro deixar o Brandon acreditar que você permanece por causa dele, talvez você devesse reconhecer o esforço que ele faz. Agora eu te faço uma pergunta: por que você não saiu até agora? Nunca esteve nas regras que membros eram proibidos para pedir saída da república.

Sean afastou-se da pia, deu a volta no balcão e, ainda caminhando, concluiu:

— A decisão de desmascarar o Brandon está em suas mãos. E você pode me usar como prova pra isso, mas sabia que ele não está preparado. Você o destrói e se destrói ou apenas aceita que nada acontece como a gente quer e vive aceitando a realidade.

Kai se virou para olhar Sean, mas o moreno já estava saindo da cozinha. Talvez fosse melhor ficar em silêncio, guardando tudo o que ouviu do seu líder. O mexicano refletiu em silêncio.

[...]

Após uma semana de aulas, os universitários voltaram a se adaptar com a rotina de estudos. Logicamente nem todos eram tão focados em seu objetivo, alguns ainda tinham o hábito de apenas marcarem presença numa sala de aula, sem sequer entender do conteúdo passado.

A sala era branca, toda branca.

Edgar estava sentado com as mãos unidas e os pés separados. Ao seu lado o ruivo tentava esconder seu nervosismo, mas Edgar o conhecia tão bem que identificava seu nervosismo quando ele encostava a ponta do polegar nos dedos da mesma mão, como se fizesse uma contagem infinita.

Sentado na frente deles estava um homem de estatura baixa, calvo e de cabelos pintados, mas pelo que aparentava em idade, ele já deveria ter seus cabelos brancos. Seus olhos liam a folha do resultado do exame do Edgar.

— Vocês são namorados? — perguntou o homem dobrando a folha, pondo as duas mãos na sua mesa e encarando-os. Ele era o médico.

Edgar olhou para o ruivo, para sua surpresa o viu balançando a cabeça positivamente. Edgar sempre teve suas duvidas sobre quando falar sobre sua relação com o Joshua, tendo em vista que o relacionamento era segredo para muitos, senão todos do Ninho.

— Somos. — Edgar confirmou o que o namorado tinha dito.

— Transam sem camisinha?

— Não. — o ruivo tomou força e respondeu.

Edgar tocou-lhe a coxa, as mãos do ruivo que antes estavam inquietas se acalmaram imediatamente.

— O resultado deu negativo. Mas isso não significa que vocês devem tomar menos cuidado a partir disso. — o médico entregou a folha para o loiro.

Joshua soltou todo o ar existente em seus pulmões. Pareceu que ele havia prendido a respiração desde que entrou naquela sala e só agora, após o resultado negativo para o HIV, pôde respirar tranquilamente.

— Nós tomamos todo o cuidado. Eu tinha dito a ele que não deveria ficar tão preocupado. — o loiro disse. Estava calmo, embora antes estivesse apreensivo.

— Ele está correto. É bom que vocês façam dos exames uma rotina, isso previne maiores problemas e detecta outras doenças além do HIV.

— Eu sou soro positivo. — o ruivo confessou.

O médico o olhou curioso, surpreso. Edgar também se surpreendeu com o que o seu namorado tinha dito.

Joshua confiava no profissional ali dentro. Revelar o eu medo era justo para o médico ali na sala.

— Te honro pela sinceridade aqui dentro. — disse o médico. — Te honro ainda mais pelo cuidado que vem tomando. Vamos conversar um pouco? — O médico questionou, dessa vez com um sorriso no rosto.

Joshua olhou para Edgar. O loirinho sorriu entre lábios e em seguida voltou sua atenção para seu médico.

O médico conversou mais alguns minutos com os dois ali dentro, explicando o resultado do exame e reforçando os cuidados que deveriam tomar. Algo que Joshua já estava adaptado e Edgar começando a se adaptar.

Não era o primeiro exame do loirinho, nem mesmo o último. Mas ele fez o exame antes do tempo proposto justamente para deixar seu namorado tranquilo, tendo em vista que ele sempre viveu preocupado quanto ao fato de contaminá-lo.

Os dois saíram da sala em silêncio.

Enquanto caminhavam pelo corredor da clínica particular que realizava o teste rápido, ouviram um grito de desespero de uma mulher. Joshua, mesmo com suas incertezas do que poderia ser, só conseguiu imaginá-la recebendo o resultado positivo.

Foi como aconteceu com sua mãe, ao descobrir, junto a ele, que Joshua era portador do vírus.

Edgar parou pra olhar pra trás e descobrir de onde vinha esse grito, mas não descobriu. Joshua tocou em seu ombro e o loirinho voltou a caminhar. Juntos foram até o estacionamento e imediatamente entraram no carro.

Joshua respirava aliviado ali dentro. Suas duas mãos estavam firmes no volante, mesmo com o automóvel desligado. Edgar ficou observando, observando os olhos do namorado fixos em algum ponto em sua frente.

— Joshua, algum problema?

O ruivo despertou, olhou para o namorado, retirou uma mão do volante e ligou o carro.

— Nada.

Não era confortável estar naquele lugar. Nunca foi.

— Estou bem, você mesmo ouviu o médico falando isso.

— Eu sei, loirinho...

— Talvez hoje... — Edgar parou de falar e o olhou.

Joshua ficou esperando-o concluir a frase, mas Edgar não a completou. Edgar também queria que ele descobrisse o sentido daquilo que estava dizendo, percebendo que o ruivo ainda aguardava pela conclusão, o loiro aproximou-se dele e o beijou.

Beijo fervoroso, quente, cheio de pressão e com direito a mão deslizando sobre a coxa do ruivo deixava óbvio o que ele queria. Edgar não parou com o beijo, aliás, se contassem os segundos, poderiam ter o resultado de quase dois minutos apenas com aquele encontro de lábios.

Joshua interrompeu o beijo falando:

— Eu já entendi... — e o olhou.

Edgar se afastou tocando os lábios e depois se encostou ao banco, pondo o cinto e olhando para frente.

— Prefere sair pra algum lugar ou voltar pra república?

— Sabe o que me deu vontade de tomar agora? — Edgar o olhou, seus olhos brilhavam.

— Chocolate quente? — foi diretamente na resposta.

— Sim, mas não é qualquer chocolate quente. É o que você faz. Aquele chocolate quente com marshmallow. Nossa... Que saudades!

— Sobrou algum marshmallow daquele dia?

— Eu fiz questão de verificar antes de sairmos. — o brilho nos olhos permanecia. — Já estava planejando te pedir pra fazer eles mais tarde.

Joshua deu a ré e começou a se afastar da clínica.

— Ok, loirinho. Chegando lá vou fazer o que você quer.

— É por isso que eu te amo. — falou sorridente, olhando para a estrada a sua frente.

Joshua apenas o observou.

A clínica não era muito distante do Ninho. Edgar sempre puxava assunto durante o trajeto. Na verdade, ele quase sempre era quem tomava os inícios dos diálogos, tendo em vista que seu namorado era um homem de poucas palavras. Característica da qual o loiro já estava acostumado e aquilo não era o menor problema.

Em menos de trinta minutos eles chegaram no Ninho, mas Joshua parou seu carro antes de entrar. O ruivo pressionou o volante com força, enquanto Edgar estava surpreso com o que estava vendo.

“Foda-se Joshua”

Era o que estava escrito no muro de entrada do Ninho.

A pichação estava ali desde a manhã, mas quando saiu com o carro o ruivo não tinha visto, já que estava fora do seu campo de visão. Joshua não tinha muitos contatos, mas já rolava fotos da pichação em alguns grupos online do Ninho.

O ruivo desceu do seu carro segundos depois, deu alguns passos e parou em frente ao muro. Edgar se desfez do cinto e desceu as pressas, temendo que seu namorado fizesse alguma loucura.

— Qual o problema das pessoas nesse lugar? — Edgar questionou baixinho para o namorado ao se posicionar do lado dele.

— É bom que eu não saiba quem fez isso. — respondeu o ruivo ainda lendo seu nome no muro.

— O pessoal da portaria deve saber, mas não acho que você deva partir pra agressão, Josh. Certamente foi algum idiota querendo chamar a atenção. Megan, talvez?

— Megan não sairia daquele inferno pra aparecer aqui e só fazer isso.

— É melhor entrarmos... — sugeriu o pequeno. — Você precisa estacionar o carro. Deixa que eu vou no reitor relatar isso.

— Você não precisa fazer isso. Eu mesmo vou resolver isso. E da minha maneira.

— Claro que eu preciso. Providências devem ser tomadas. Estacione o carro enquanto eu vou à reitoria. — falou se afastando. — E você não deve tomar medidas precipitadas sem antes saber quem fez isso; certamente o reitor vai punir o delinquente.

Joshua não disse mais nada. Apenas o assistiu se afastar, em seguida olhou por alguns segundos a pichação e deu as costas, voltando pensativo para seu carro. Ele só queria matar quem tinha feito aquilo.

[...]

Hugh recém tinha chegado a sua república. Ele cumprimentou os colegas que estavam na sala e foi diretamente para o seu quarto. Estava cansado e com fome, sendo a primeira opção a que mais destacava em suas vontades; por isso ele queria muito a sua cama.

Ao abrir a porta do quarto, o leonino ficou surpreso quando encontrou Pietro dormindo em sua cama. Hugh parou na porta e ficou observando aquela cena, tentando descobrir o motivo que levou o garoto a fazer aquilo.

O quarto tinha apenas duas camas, uma delas era a cama do Calvin. Pietro, último morador a ingressar na república, dormia sobre um colchão no chão.

Hugh preferiu acreditar que ele estava cansado demais pra puxar seu colchão e dormir. Buscando fazer o menor barulho possível, Hugh fechou a porta do quarto, depois colocou suas coisas sobre a cama do Calvin e em seguida olhou ao redor. Seu quarto não estava tão bagunçado, mas certamente precisava ser arrumado. Na verdade, a bagunça se resumia em objetos do Pietro, malas abertas no canto do quarto, alguns objetos no chão e roupas sobre cadeiras.

Após retirar seus óculos, Hugh pôs sobre a mesinha, ajoelhou-se e puxou o colchão guardado embaixo da sua cama. Em seguida deitou-se e ficou observando Pietro quase caindo.

Hugh poderia facilmente retirá-lo dali, aliás, ele tomava conta da sua cama. Porém, permitiu que ele permanecesse ali. Não estava fazendo mal algum e tinha o colchão disponível. O cabeludo sentiu a falta de um travesseiro, mas admitiu estar com preguiça o suficiente para ficar de pé mais uma vez e o buscar. Por conta disso, deitou-se sobre o braço e fechou seus olhos, mas então sentiu a súbita vontade de espirrar.

O espirro não foi estrondoso, mas o suficiente para fazer despertar aquele que dormia.

Pietro, com os olhos semicerrados pelo sono, bagunçou os próprios cabelos e ficou olhando para Hugh em seu colchão.

— Desculpe. — Hugh disse, olhando-o.

— Vai pra uma porra. — resmungou, bocejando.

Pietro buscou por seu celular e observou as horas. Não deveria estar dentro daquele quarto, mas sim no Ninho, com Andrew, seu namorado. O garoto sentou-se na cama e, sonolento, pôs as duas mãos entre as pernas, escondendo sua excitação após o sonho prazeroso que tinha, sem sequer recordar-se do rosto da pessoa com quem sonhava.

— Estudou muito hoje? — Hugh, simpático, questionou.

— Cara, tanta coisa pra me perguntar, e você me pergunta sobre faculdade?

— Ok, desculpe, desculpe... — e novamente se desculpou. Ato comum.

— Puta que pariu, por que diabos você vive me pedindo desculpas? Isso é estupido.

— E-eu não sei, só sinto que devo. — respondeu. — Talvez devesse voltar a dormir, não?

Pietro revirou os olhos.

— Tenho compromisso. Algo melhor do que ficar aqui olhando pra sua cara. — Pietro ficou de pé, foi até suas malas abertas, buscou por algumas tintas em spray e depois colocou dentro de sua mochila que estava próxima.

Deixando a mochila no lugar que estava, Pietro se olhou no espelho. Sentiu a necessidade de um banho, mas também não queria sair dali. Aliás, mesmo dizendo que infernizaria a todos naquela república, odiava o fato de sair do quarto. Talvez considerasse a desvantagem de estar sozinho naquele lugar, sem seus amigos, onde os moradores o detestavam. Por isso disse para Andrew que odiava estar ali e queria poder sair da república o mais rápido possível, mas enquanto não tivesse outro lugar, era sua única oportunidade de abrigo.

— Pietro... — ele ouviu Hugh o chamando.

Quando resolveu olhar pra o garoto, o viu segurando um papel enrolado, como um cilindro, fino e com duas aberturas. Em seguida, Hugh ficou de pé, olhou sobre a mesinha que tinha deixado seus óculos e só naquele momento pode notar os resquícios do pó branco ali.

— Você não pode fazer isso aqui dentro. — Hugh, olhando e segurando o papel enrolado encontrado debaixo da cama, o alertou.

— Como não posso? O quarto se tornou meu no momento em que me tornei membro.

— Você não pode... — preferiu não argumentar.

— Quem vai me proibir?

— Eu. — as palavras saltaram da sua boca. Ele ficou sem graça ao perceber isso.

Pietro deixou escapar um sorriso.

— Você? Você não sabe nem limpar a própria bunda, quem diria me impedir disso.

— Quer ser expulso? Dessa vez nem mesmo o Danion te salvaria de uma expulsão. Isso não é legal. — Hugh amassou o papel e o jogou no lixo.

— Vai me impor regras, cabeludinho? — o apelidou.

— Não é que eu esteja te impondo regras. Apenas me preocupo com sua saúde e segurança dentro desse lugar. — Hugh não estava sendo agressivo, sua tonalidade de voz era a mais serena possível, acompanhada do olhar dócil.

— Não é porque me ajudou aquele dia que deverá continuar agindo como se fosse meu protetor. Eu sei muito bem cuidar de mim.

— Isso é cocaína, não é? Já buscou saber das consequências que isso te trará? Há quanto tempo você usa?

— Porra, pra quê tantas perguntas?! Me deixa em paz. Tinha uns dias que eu não usava. — se explicou, sequer percebendo isso.

Entre quatro paredes, Pietro parecia ser outro alguém na presença do garoto, bem diferente de quando estava na presença dos seus colegas. Quem diria que ele daria continuidade a esse diálogo? Deveria estar batendo no garoto, isso era mais a sua forma de responder a questionamentos considerados imbecis.

— Só evite usar isso aqui dentro... Por favor. Calvin também não irá gostar da ideia se descobrir. Não irei contar nada pra ele, mas é bom evitar, sabe?

— Aquele cara se acha só por causa daquela altura e marra. — saiu do seu lugar, voltando pra cama.

— Não tinha outro compromisso? — Hugh perguntou após vê-lo se sentar.

Pietro lembrou-se de Andrew. A tentação de estar lá com ele voltou a tomar conta de si. Rapidamente ficou de pé e olhou para Hugh.

— Cara, eu ainda vou quebrar essa sua cara.

— Pra quê tanta violência, o que foi que eu fiz agora? — o olhou assustado.

— Essa bondade toda me irrita. Vai tomar no cu.

Pietro cruzou os braços e, novamente, sentou-se na cama. Pietro quando irritado costumava fazer bico. Hugh, percebendo aquilo, segurou-se para não sorrir. Também estava confuso pelo comportamento do garoto, que ficou de pé e sentou duas vezes, segundo os seus cálculos.

— Eu poderia voltar pra minha cama? — perguntou, mesmo que a cama fosse sua.

— É só deitar. A cama é sua, não é? — respondeu, ainda sentado.

— Você costuma acordar com um péssimo humor assim? — Hugh caminhou e sentou-se ao lado dele. Era incrível o fato de não temê-lo, mesmo com tantas ameaças recebidas.

— É bom esconder todas as armas da casa. — respondeu sem olhá-lo.

Dessa vez Hugh sorriu e se deitou atrás dele, não se importando de usar o mesmo travesseiro que minutos antes o garoto usava.

— Você vai pichar por aí hoje a noite, não vai?

— Isso não importa. — respondeu.

Algumas pichações surgiram próximo da Quadra, até agora nenhuma república tinha sido atingida. Mas estava nos planos do Pietro pichar sua antiga república, da qual foi expulso. Ele tinha seus talentos para desenhos e uma bela califagria, sua marca era vista como PB, iniciais do seu nome e sobrenome.

Aliás, Andrew e os demais colegas também pichavam, por isso costumavam sair nas madrugadas para pichar viadutos, muros altos — diversas das vezes causando prejuízos aos proprietários de alguma residência ou estabelecimento.

— Por que você gosta de se meter em tantos problemas?

— Porque a vida é minha e eu faço o que quiser com ela.

Eles ouviram murmúrios que vinham da sala. Dentre as vozes, a do seu líder se destacava. Hugh saltou da cama e saiu do quarto, curioso para saber o que estava acontecendo. Pietro fez o mesmo e o seguiu.

Na sala Colin estava de pé de frente para Billy. Patrick estava ao lado de Marcus, enquanto Julius segurava no ombro do Colin. Calvin saiu para mais um trabalho, minutos antes da discussão acontecer.

— Você por um acaso acha que eu estou nessa república pra bancar o idiota? Eu sou o seu líder! — disse o Colin.

— Uma porra que você é o líder desse lugar! — Billy falou. — Eu percebi que é o Danion quem manda aqui. Olha ali a prova disso tudo. — Billy olhou para Pietro.

— Ah, vai tomar no seu cu. — Pietro logo rebateu.

— Viu só? Como podem aceitar um garoto desses na república? Você nem mesmo tem moral pra decidir isso.

Colin não soube se defender. De fato, Danion fez com que questionassem sua autoridade dentro da república.

— Cadê? Cadê sua resposta?

— Billy, você tá passando dos limites... — Patrick alertou. Nem mesmo ele estava gostando de como o garoto estava tratando seu líder. — Está esquecendo-se de que Colin o acolheu na república.

— Claro! Mas quem estava com ele nesse dia? O Danion! Porra! Será que vocês não percebem que o Danion quem manda nisso aqui?

— Eles dois são amigos há mais tempo que nós, certamente sabem o que estão fazendo. Se Colin permitiu, é porque confia no Danion. Nós não temos o direito de nos meter nas decisões deles. — Hugh, que tinha chegado naquele instante, conseguiu elaborar uma boa resposta.

— Danion comprou a república, então é ele quem decide as coisas.

— Eu sou o líder dessa república, Billy. Danion pode até tê-la comprado, mas eu ainda permaneço sendo o líder. Eu sou responsável pela república. Da mesma forma que na época apenas Danion e Ian pagavam o aluguel desse espaço, mas quem liderava era o William. Então se eu sou o líder, eu mereço respeito! — relembrou momentos passados.

— Tudo o que você faz é gritar. Ah, cala a boca. — Billy deu as costas.

— Grito porque ultimamente você não vem arcando com as responsabilidades. Todos nós temos deveres aqui, Billy. E quando eu o mando, você ri de mim. Eu tolerei até hoje!

Naquele mesmo instante, Danion aparece ao lado de Caine. O branquelo ainda segurava o capacete em sua mão e Caine segurava outro. Eles dois não entendiam nada do que estava acontecendo, apenas ouviram as vozes do lado de fora da república e por isso decidiram entrar.

— Quando nesse lugar há paz? — questionou o branquelo. — Qual foi a bronca dessa vez?

Colin olhou para Danion. De seus olhos saía fogo. De fato, tudo aquilo era culpa do branquelo, que resolveu ir contra uma decisão do pequeno.

Billy bateu o pé e foi para seu quarto. Não estava mais disposto a discutir com Colin. Patrick sentou-se no sofá e Marcus na poltrona. Hugh ficou de pé próximo ao corredor com Pietro ao seu lado. Julius não se afastou do Colin, tocando agora o ombro do seu líder.

— Só por que eu cheguei a festa acabou? — disse o branquelo frustrado.

— Billy está desrespeitando a autoridade do Colin. — Marcus disse.

Danion olhou para Colin. O pequeno estava quieto e em silêncio, mas interiormente estava explodindo em raiva.

Colin sentia na pele a dificuldade de ser um líder. Ter que lidar com várias pessoas de personalidade diferentes era complicado, principalmente lidar com Danion, que, sem perceber, pôs por água abaixo a liderança do garoto.

Danion entregou seu capacete ao Caine e olhou para todos, em seguida aproximou-se de Colin.

A mão de Colin abriu e foi de encontro ao rosto do branquelo. Danion apenas viu tudo preto e quando abriu os olhos, estava fitando o chão, de pé, com o rosto virado e parte dele queimando.

— A culpa de tudo isso é sua. Eu renuncio a liderança. Pode ficar com ela pra você.

Danion não se atreveu a revidar ou erguer seu rosto. Simplesmente deixou aquilo acontecer e ninguém ao redor falou nada. Talvez Danion considerou que a raiva de Colin fosse por um motivo justo.

Colin nem mesmo subiu as escadas, ele simplesmente saiu da república e buscou o braço daquele que certamente o acolheria: Sean.

Um misto de ódio e tristeza lhe tomou conta.

O pequeno bateu à porta e esperou ser atendido. Quem abriu foi um dos poucos moradores da república. Já conhecendo o atual líder dos leões — que renunciou a liderança — e da sua relação com o líder dos tigres, permitiu a entrada sem questionamentos.

— Ele tá no quarto. — disse o garoto.

Colin subiu as escadas e buscou pelo quarto do namorado, quando girou a maçaneta, encontrou a porta fechada. Bateu duas vezes e não foi atendido. Numa segunda tentativa, o namorado abriu a porta.

Sean estava dormindo. Ele se espreguiçava e coçava os olhos ao mesmo tempo. O cabelo bagunçado realmente provava que ele tinha acabado de acordar. O moreno apenas vestia uma cueca cinza, destacando o membro levemente enrijecido.

— Vou dormir aqui. — Colin entrou no quarto e passou pelo namorado, retirando seus calçados enquanto ainda caminhava.

Sean fechou a porta e, já conhecendo seu namorado, quando ele agia daquela forma, impulsivamente, sabia que algo estava errado.

— Certo. — disse o moreno, passando a chave na porta.

Colin depois retirou sua camisa e calça, também ficando de cueca. Jogou-se na cama e cobriu-se com o cobertor, fechou seus olhos e desejou dormir imediatamente.

Sean, percebendo naquele instante que tinha esquecido as cortinas abertas, as fechou e depois foi para a cama, deitando-se do lado direito. Colin preferia o lado esquerdo, sempre.

O líder dos tigres penetrou o cobertor e tomou o namorado num abraço. Colin não reclamou, resmungou ou rejeitou. Aceitou e acabou envolvendo seu braço no tórax dele.

— Não sou mais líder. — revelou ao namorado. — Eu sei que você diz que não se importa com os problemas da minha república e que não deve se meter nele, mas... Mas... Ai, Sean, é difícil.

— Conte-me.

— Desde que o Danion se posicionou contra uma decisão minha, tem outro membro que não me vê mais como líder.

— Tinha que ter o dedo do Danion nisso...

— Eu dei na cara dele. — falou tranquilamente, relembrando do ocorrido.

— Em breve eu quebraria o nariz dele. — falou o Sean.

— Sabe, eu gosto muito do Danion, gosto bastante, mas assim não tá dando. No fundo eu compreendo o porquê dele querer o Pietro lá. Tem razão quando disse que William faria a mesma coisa, afinal, William aceitou o Danion. Mas sabe... Ele poderia pelo menos ter conversado comigo depois e não desafiado a minha ordem na frente de todos. Só por que ele é dono da república?

— É o Danion, Colin. Você já deveria esperar isso ou coisa pior. Nas 24 horas do dia ele é babaca, faz babaquice e vive falando asneiras.

— Ele era pior, mas... Eu não sei, eu realmente não sei mais o que fazer. Deixei a liderança pra ele. Ele que se cuide da república a partir de hoje.

— Isso significa que você vai morar comigo? Vai finalmente sair daquele lugar?

— Não! — a resposta saltou da sua boca instantaneamente.

— Seria melhor... — tentou persuadi-lo.

— Eu não vou sair da república. Assim seria muito fácil. Eu comecei lá, Sean, e vou terminar lá. Sou leonino de coração, e ainda que eu não seja mais líder, permanecerei morador daquele lugar. Não era assim antes?

— William confiou em você. Vai mesmo abrir mão assim tão facilmente?

— Eu não posso mais fazer nada. Eu tentei...

— Você é melhor do que isso, Colin. Nem Danion ou outra pessoa é capaz o suficiente para liderar aquela república.

— O que eu poderia fazer? Minha vontade foi expulsar o Billy.

— Eu teria o expulsado.

— Assim? Simplesmente? Se tivesse um motivo mais pesado, eu teria feito.

Sean apertou Colin em seu abraço, o pequeno acomodou-se melhor, de forma com que sua cabeça agora repousasse no peito do namorado.

— Nossa maneira de liderar é diferente. Seu coração é fraco demais pra conseguir expulsar alguém.

— Agora já é tarde demais. Deixei a liderança na mão dele.

Era incrível como eles conseguiam conversar sem trocar ofensas. Momentos raros que marcavam aquela relação de amor e ódio.

Colin deslizou sua coxa sobre a coxa do Sean, e subiu uma pouco mais até que pôde sentir, com seus joelhos, o membro do namorado. O fato de estar próximo demais do namorado, fez o moreno ficar ereto.

— Eu não tenho culpa, ok? Você me deixa assim.

— Estamos aqui conversando e mesmo assim você fica ereto. Será que estava mesmo prestando atenção no que eu falei?

— A cabeça de baixo não pensa, Colin. Então eu estava sim prestando atenção na sua conversa. E antes que me culpe por isso, eu estava tendo um sonho erótico com você. Então, o que posso fazer?

— Ai, Sean...

— Não poderia quebrar meu galho? — Sean perguntou, exibindo um sorriso safado no rosto, que Colin não tinha visto.

O namorado levantou seus olhos e Sean retribuiu o olhar, dessa vez sem o sorriso. Colin ergueu um pouco mais sua cabeça, sinal de que queria um beijo. Sean, abaixando a cabeça, encostou seu lábio ao dele.

Colin amava aquilo. O beijo de Sean era remédio pra seu estresse — certo que nem em todas às vezes.

A mão de Sean deslizou pelas costas de Colin até repousar em sua bunda. Invadindo a cueca do pequeno, Sean conseguiu encostar em uma das nádegas, apertando-a. Colin suspirou em meio a beijos, mas não perdeu o controle.

Atrevido, Colin desceu sua mão, devagar, passando pela barriga e deslizando, aos poucos, por debaixo da cueca do moreno, logo sentindo a própria lubrificação na glande do namorado.

A respiração de Sean saiu entrecortada quando ele sentiu o toque leve do namorado, tanto é que o beijo finalmente foi interrompido, mas logo os lábios se uniram.

Sean se encarregou de abaixar sua cueca com a outra mão, deixando seu pênis livre, lançando, também, o cobertor para o lado.

A mão de Colin, delicadamente, foi descendo pelo falo até que seus dedos repousassem por lá, cobrindo parte do falo com a mão. Colin começou então fazendo leves movimentos de vai e vem, enquanto ainda o beijava, sentindo a respiração dele pesar sobre a sua.

Colin desfez o beijo e foi beijando o tórax do namorado, a língua deslizou pela barriga, depositando cargas elétricas do moreno, até que sua glande fosse tomada pelos lábios do pequeno, que já experiente, soube usar da língua para arrancar um suspiro do namorado.

Sean jogou a cabeça para trás e acumulou todo o ar que podia no pulmão, soltando tudo de uma vez. Colin afastou seu lábio da glande, mas ainda com o rosto próximo do pênis do namorado, voltou a masturbá-lo. Em determinadas pausas, ele voltava a chupá-lo.

Sean fez questão de puxar as pernas de Colin, fazendo com que seu corpo ficasse entre as duas coxas do pequeno. Com força e vontade absurda, ele abaixou a cueca do namorado, tendo a visão de um dos pontos de prazer do garoto. Colin deliciava-se com a boca no pênis do namorado quando sentiu as duas mãos fortes do moreno afastar as suas nádegas e um toque úmido, a língua do namorado, tocar entre elas.

Colin afastou seus lábios da glande do namorado para gemer. Sean fazia aquilo com tamanha volúpia, devorando o ponto de prazer do Colin. Sua língua, travessa, faziam movimentos constantes e certeiros, a ponto de fazer o pequeno realmente deixar escapar os leves gemidos, as vezes perdendo o controle do que fazia com o pênis do namorado.

Ambos praticavam a famosa posição conhecia como meia nove. Sean deliciando-se com a parte traseira enquanto Colin com a parte dianteira.

Colin pausava para masturbar Sean, geralmente gemia enquanto sentia ser invadido pela língua do seu namorado. Colin estava, de fato, totalmente lubrificado pela saliva do seu namorado. Por isso Sean usava o dedo indicador para penetrá-lo em determinados momentos.

Minutos iam se passando naquela troca mútua de prazer até que Colin, não resistindo e sem sequer se masturbar, ejaculou sobre o tórax do namorado. Sean sentiu aquilo sem reclamar, inclusive, permaneceu mais alguns segundos brincando entre as nádegas de Colin.

O pequeno, respirando com dificuldade, desceu seus lábios até tomar mais do que a glande do namorado, masturbando-o enquanto sugava-o. Ele lançou seu corpo para o lado quando percebeu que Sean tinha parado.

Sean tinha seu gemido crescendo gradativamente, sinal de que também estava chegando lá. Colin pôde ter a certeza de que ele ejaculou, quando Sean, despreocupado com os quartos vizinhos, explodiu em um gemido alto — que ele poderia usar uma desculpa caso indagassem — e despejou o que produziu dentro da boca de Colin, que parou seu movimento e recebeu quieto.

Engolindo tudo, Colin passou a lamber o falo do seu namorado. Depois, sem qualquer demora, ficou de pé e foi diretamente para o banheiro. Olhou-se no espelho e assistiu o namorado, suado, posicionar-se atrás dele e o tomar pela cintura, beijando-lhe o pescoço.

— Ainda podemos terminar isso...

Colin desceu seu pescoço para o lado e fechou seus olhos. No segundo seguinte, Sean o virou para ficar de frente a ele, e o ergueu para se sentar sobre a pia.

— Sean... Não existe outro igual a você. — Colin sorriu para ele e foi agraciado com o mesmo sorriso. — Mas tem uma condição pra você conseguir o que quer agora.

— Qual seria? — questionou duvidoso.

— Me ensinar a lutar nessa nova semana.

— Fácil demais! — sedento do jeito que estava, Sean foi incapaz de dar continuidade a conversa. Aquilo era um sim.

E seguiu-se a noite tomada por sexo, dessa vez, dentro do banheiro.

[...]

Faltava pouco para as duas da manhã.

Sobre as rodas do seu skate, Kai andava pelas ruas da Quadra, acompanhado de Franklin. Kai descobriu que o garoto também costumava andar de skate. Na verdade, isso quando estava em sua cidade.

Franklin caminhava a pé, enquanto Kai estava sobre o skate. Ambos conversavam sem parar. No segundo dia que se conheceram, imediatamente deu-se início uma nova amizade, isso inclui o Hugh. Mas agora, na ausência do terceiro, que resolveu ficar na república a sair com os colegas, os dois puderam se conhecer ainda melhor.

Kai conheceu mais do passado de Franklin, sobre ele ter uma irmã gêmea e da sua infância divertida. O mexicano também acabou revelando parte de sua vida, inclusive de como foi parar em Seattle. Contou sobre o restaurante de seus pais e como era sua relação com eles.

Mas tinha algo que Kai ainda não contou e nem sabia se pretendia contar. Aliás, nem mesmo considerava ser necessário, tendo em vista que ainda estava no início da amizade e preferia evitar o nome daquele que o machucou profundamente: Brandon.

— Vai ficar tarde pra você voltar, quer dizer, que horas que são? — Kai verificou o relógio. — Nossa, duas horas! Não precisava me trazer até aqui.

— Você me fez conhecer vários pontos legais dessa cidade e acha justo que eu te deixe voltar sozinho?

— Mas é perigoso andar por aí sozinho. Não é tão seguro quanto aparenta ser. Você vai precisar dar a volta na universidade pra poder chegar ao Ninho.

— Não se preocupe. Qualquer coisa eu pego um táxi. O que seria mais estranho ainda. De táxi não gastaria nem dez minutos para chegar lá.

— Frank...

— O que foi? Você tá mais preocupado que eu. Acredite, voltarei seguro.

Kai não tinha nem o porquê de realmente estar preocupado. Ele também costumava andar sozinho pelas ruas na madrugada.

— O que está fazendo? — Franklin perguntou ao perceber que Kai estava mandando mensagem para alguém.

— Você vai ver.

— Isso não me cheira a uma boa ideia.

— Claro que é. Não quero que você volte sozinho por aí. Hugh concordaria comigo. Ele fica todo preocupado quando o Calvin sai na madrugada, ou até mesmo eu.

— Esse Calvin... Ele é bem caladão, não é? — questionou curioso, fazendo até careta.

— Às vezes, mas quando se conhece, descobrimos o amor de pessoa que ele é. Calvin e Hugh são meus melhores amigos aqui.

— Meus melhores amigos ficaram na minha antiga cidade, sinto falta deles.

— Em breve você vai visitá-los. A saudade é chata, mas ela também acaba fortalecendo momentos.

Os dois teriam continuado o diálogo se não vissem alguém sair da república dos águias. Era Roy, um dos moradores daquele lugar, também colega de Kai. Ele voltou dois dias após o início das aulas.

— Aconteceu alguma coisa? — Roy perguntou.

Roy era um garoto negro. Seus olhos castanhos eram grandes e seus lábios carnudos destacavam-se em seu rosto. Roy era o membro mais rico dos moradores dos águias, seu pai era empresário.

— Eu preciso da sua ajuda. Te acordei?

— Não. Estava sem sono. Fiquei assistindo algum programa aleatório com o Samuel, ele também está acordado na república. Olá! — Roy sorriu para Franklin.

— Olá! — Franklin estendeu a mão.

— Esse é meu amigo Franklin. — Kai o apresentou.

— Sou o Roy.

Franklin apenas sorriu.

— Roy, eu preciso que você deixe o Franklin passar uma noite nos águias. Só por hoje!

— O quê?! — Franklin, que não sabia disso, questionou.

— Está tarde demais pra ele voltar pro Ninho.

— Claro que está tarde. É perigoso andar por aí a essa hora da madrugada. — Roy reforçou o que Kai tinha dito antes.

O mexicano sorriu ao ouvir aquilo.

— Sean iria me matar se descobrisse que o deixei dormir aqui nos Tigres, você sabe... E desde a entrada do Pietro nos leões, eu não sei se seria correto acordar o Hugh e pedir a ele. Só consegui pensar nos águias e ainda bem que te conheço.

— Caine não tem problema com isso. Ele pode sim passar a noite lá nos águias.

— Sério?! — Kai perguntou animado.

— Relaxa, Kai. Os Águias é a melhor república desse lugar. Tigres e Leões só se metem em confusão. Vamos, Franklin, aproveito e arrumo um lugarzinho no quarto pra você.

— Eu não tenho meu direito de defesa? — Franklin perguntou brincando.

Kai e Roy sorriram.

— Não. Não quando tem dois garotos dizendo que é perigoso voltar sozinho pro Ninho.

— É bom saber que você se preocupa. — Franklin sorriu especialmente para Kai, esquecendo-se de que Roy também mostrou preocupação.

Roy, percebendo aquilo, imediatamente deduziu o que acontecia.

— Bem, eu vou voltar pra república, quando vocês terminarem de se despedir, é só ir na república e bater à porta. Eu estou na sala.

Roy nem mesmo esperou resposta, imediatamente deu as costas.

— Eu preciso entrar. Tenho aula cedo amanhã. — Kai olhou para trás.

— Nós temos aula amanhã. — ressaltou. — É uma pena o Hugh está um semestre atrás de nós.

— O bom é que pagamos algumas matérias juntos. — recolheu o skate do chão. — Foi bom sair com você, Frank.

— Claro que foi bom! — brincou. — Eu sou uma ótima companhia.

Kai tocou a testa do garoto, dando um leve tapa. Eles ficaram em silêncio apenas com algumas trocas de olhares, até que finalmente o mexicano quebrou o silêncio.

— Boa noite. — Kai falou e ia se preparando para ir até a porta de sua república.

— Kai. — Franklin tocou em sua mão.

Kai parou instantaneamente e se virou. O toque o fez olhar para sua mão e em seguida para Franklin.

Franklin aproximou-se de Kai, sua mão que tocava a dele subiu até a cintura. Seu rosto aproximou-se ainda mais ao rosto do mexicano, enquanto os olhos miravam ambos os lábios de cada.

— Eu posso? — perguntou antes de prosseguir com a ação. Carinhosamente, ele acariciou a cintura do mexicano.

Kai apenas balançou a cabeça positivamente.

Franklin, como uma pena leve que repousa ao cair no chão, encostou seus lábios aos de Kai. Um beijo manso, leve, que gerou formigamento em ambos os corpos. Sem pressão alguma e, o melhor, havia reciprocidade em relação às vontades.

Kai já tinha percebido o interesse de Franklin nele e, no mais, Franklin era alguém interessante que chamou sua atenção quando se conheceram.

Eles esqueceram-se de tudo ao redor, despreocupados se alguém flagraria aquilo ou não. Mas não havia ninguém fora das repúblicas, com exceção deles.

O beijo não teve pausas e durou pouco menos que dois minutos. Com os lábios separados, Kai ficou olhando para Franklin, que sorria.

— Eu não sei se é correto... Beijar um cara que eu conheço a uma semana. — falou o mexicano.

— Você me chama de Frank, já não acha que é intimidade o suficiente? — não perdia a oportunidade de brincar com ele.

Kai sorriu junto.

— Vou indo. Nos vemos amanhã, ok? — Franklin, ainda próximo, disse.

— Sim.

— Aproveita e me observa entrar na república, já que você não me deixa voltar sozinho. — falou ainda com um sorriso no rosto.

— Idiota. — Kai revirou os olhos.

Franklin, antes de se afastar, deu mais um beijo em Kai, que demorou cerca de trinta segundos e finalmente deu as costas. Kai, atendendo ao pedido do garoto, ficou parado observando-o atravessar a rua e chegar à república dos águias.

Ele só deu as costas quando Franklin foi recebido por Roy.

O mexicano, sorridente, deu as costas e entrou na república. Talvez Sean tivesse razão: Kai precisava voltar a viver a sua realidade.

Franklin não era uma péssima pessoa e, ultimamente, estava passando tanto tempo com ele que o interesse foi mútuo. Hugh já fazia piadas antes e se soubesse desse beijo, não pararia com as piadinhas.

O mexicano subiu as escadas e foi direto para o seu quarto.

Da cozinha, alguém surgiu no instante em que Kai subiu. Alguém que viu tudo através da janela da porta. Alguém que sentiu sede e tinha apenas descido pra beber água, mas foi presenteado com essa cena de Kai e Franklin aos beijos: Brandon Ferazza.

Quando Brandon percebeu que Kai ia entrando, refugiou-se no cômodo, tremendo. Seu coração bateu forte e apertou.

Notas finais
Capítulo postado! ♥ Espero que tenham gostado ♥♥