Notas iniciais
Doce Aroma

Samuel só não sabia o que dizer ao seu namorado quando viu aqueles orbes o olhando fixamente. O loiro se levantou do chão e se afastou de Luke e de todo mundo, não conseguindo por uma palavra sequer para fora da boca, correndo sem rumo. Mas em tudo isso, o moreno o seguiu, não querendo deixá-lo sozinho ao perceber aqueles olhos lacrimejados.

Quando Samuel já estava afastado o suficiente de qualquer barulho, em uma área bastante escura, quase sem nenhuma iluminação, sendo iluminada praticamente apenas pelo visor do seu celular, o loiro pôs as mãos no joelho e se pôs a chorar.

— Samuel, o que está acontecendo? — Luke, aproximando-se lentamente, reconhecendo que não podia ser muito invasivo, perguntou baixinho.

Quando Samuel ouviu a voz do namorado, se virou de supetão e o abraçou. Ele chorava silenciosamente, mas lágrimas o bastante para molhar o peito do outro. Luke acariciou a nuca dele enquanto o envolvia em um abraço.

Luke aguardou em silêncio, deixou com que o loiro despejasse suas lágrimas, colocasse para fora toda a tristeza sentida, mesmo sem saber qual era o motivo dela.

Enquanto Samuel chorava, Luke não parava de confortá-lo com carícias em seu cabelo. Sentia vontade de colocá-lo em seu braço e carregá-lo até uma cama, deitá-lo e ficar ao seu lado até que ele pudesse adormecer. Já vira Samuel frágil algumas vezes, mas como aquela era a primeira vez. Nem quando Samuel abriu seu coração foi tão forte como a maneira que o loiro agora exalava tristeza.

— O pai do Colin morreu. — disse baixinho o loiro enxugando o nariz.

Quando ouviu isso, Luke automaticamente olhou para a fogueira, lugar este em que Colin estava com o seus amigos. Luke só não teve a mesma reação que o namorado pelo simples fato de não ser tão conectado ao Joseph, mas pensar em como Colin iria reagir o deixou completamente sem reação.

— O Colin precisa saber, Luke. Como eu vou contar?

— Eu posso contar para você. — falou ao reconhecer que isso era uma tarefa difícil.

— Joseph era um pai para mim. — quando iniciou, Samuel voltou a chorar mais forte, tendo a voz abundada em lágrimas. — Ele cuidava de mim, ele acreditava em mim. Ele cuidou de mim como um filho. Eu sempre quis te apresentar a ele, e agora... E agora... — não conseguiu completar.

— Shh. Samuel, prefira acreditar que ele está em um lugar melhor do que estamos.

— Ele era um homem bom, Luke. Por que pessoas boas têm que morrer?

É bem verdade que ninguém é 100% bom durante todos os dias da sua vida, mas algumas pessoas nós reconhecemos que tem uma boa índole, que mais parecem uns anjos enviados à terra para cuidar de outras pessoas. E nisso Samuel acreditava fielmente no caso do Joseph, em nenhum dia sequer viu maldade nele, pelo contrário, Joseph era um homem tão positivo que mesmo diante dos erros do loiro, especialmente na cozinha enquanto fazia doce, ele brincava e o ajudava a consertar as coisas, ensinando-o quantas vezes fosse preciso até ele aprender.

— Porque a terra nunca pertenceu a pessoas boas. Elas descem aqui para guiar outras pessoas nos caminhos corretos.

Samuel pôs a soluçar e apertar a camisa do namorado. Luke quis muito ser melhor o suficiente para confortá-lo, mas não sabia que para Samuel aquele abraço estava sendo o seu maior conforto.

— O Colin não vai aguentar.

— Ele vai precisar ser forte, assim como você também precisa ser.

Samuel afastou seu corpo do dele e enxugou as lágrimas, seu rosto facilmente inchava, mas como estava escuro, Luke não via isso.

— Vou ter que voltar para Aroma ainda hoje. Eu não posso ficar aqui sabendo disso.

— Tem certeza que não quer esperar até amanhã? Colin está tão feliz, não temos algum carro que possa nos levar embora daqui. Espere até amanhã de manhã.

— Eu não posso, Luke. Colin me odiaria se eu adiasse a notícia. Eu o conheço. Ainda mais sendo o pai dele.

Luke engoliu em seco.

— Pobre Anita, ela deve está tão arrasada e sozinha. Eu preciso dar apoio a família que tanto cuidou de mim.

— Então eu vou dar um jeito.

— Eu não sei como estaria se não fosse você aqui. — Samuel voltou a abraçá-lo.

— Para todas as fases da sua vida. — sussurrou retribuindo o abraço.

Samuel voltou a chorar mais uma vez. Era impossível se manter firme, pois sempre que lembrava de Joseph, não conseguia vê-lo em momentos de tristeza, na sua mente ele sempre aparecia sorrindo.

Enquanto chorava, gritos em conjunto veio do pessoal da fogueira, mais uma vez Luke e Samuel pensaram em Colin. Ele certamente estava se divertindo.

— Eu vou lá. — disse se afastando definitivamente do namorado.

— Eu posso falar por você.

— Anita me ligou, então ela sabe que eu teria coragem de contar a ele. Eu vou falar, eu consigo.

— Eu estarei do seu lado.

Luke entrelaçou seus dedos aos de Samuel. O loiro respirou fundo, enxugou toda a lágrima, levantou a cabeça e, tentando limpar o nariz úmido, seguiu caminhando para a fogueira.

Encontrar Colin não foi uma tarefa difícil. Ele permanecia ao lado do Caine, dessa vez com o Danion fazendo alguma loucura e incrivelmente não estava bêbado. O pequeno rei leão estava com um sorriso de ponta a ponta após ouvir uma piada do branquelo.

Samuel parou, olhou para Luke e fez movimentos negativos com a cabeça.

— Eu não vou conseguir falar. Eu estou a ponto de surtar.

— Eu posso fazer isso por você, já disse.

— Mas tem que ser eu, Luke. Eu prefiro contar, mas estou com tanta pena. Olha para ele sorrindo.

— Samuel, chega aqui!

E lá estava aquela voz chamando. A voz da última pessoa a quem ele queria dar a trágica notícia.

Samuel se virou lentamente, abaixou sua cabeça e finalmente caminhou até a ele.

— Danion estava aqui contando como você, Luke e Caine-

— Colin. — Samuel o interrompeu. — Eu poderia falar com você em particular?

Preocupado com o tom de voz e aquele olhar triste, Colin franziu o cenho, olhou para o Caine achando que ele também havia reparado em alguma coisa na expressão do Samuel, mas rapidamente voltou a olhar para o loiro.

— Sim?

Colin também olhou para o Luke, mas o moreno até sorriu para ele, embora um sorriso não real, o pequeno pôde perceber isso, já que Luke não era uma pessoa que facilmente ficava pra baixo.

— Se tem alguma coisa com o Colin, eu também posso saber. — Danion interferiu.

— É apenas com ele.

— Deixa de ser curioso, Danion. — Colin se levantou. — Acho que não tem ninguém nos quartos, vamos conversar lá.

— É melhor. — disse o loiro.

Colin foi na frente, mas sempre olhando para trás. Estava muito preocupado com o tipo de conversa que teria, chegou a imaginar tantas coisas e em todas elas envolvia o Sean. Nem sequer cogitou pensar em algo triste envolvendo sua família.

— Se for algo com o Sean, é melhor já ir começando. — disse o pequeno assim que pôs os pés no quarto.

Samuel ficou parado, olhou para o Luke e se sentiu mais confortável, ainda mais quando ele fez um sinal positivo com a cabeça.

— Anda, Samuel, o que aconteceu? Vocês brigaram? Terminaram? Tão precisando de conselhos? — Colin, do seu jeitinho mais impaciente possível, questionou, mas isso apenas refletia seu medo pela conversa.

— Você vai precisa ser forte. — Luke, sabendo que seu namorado não conseguia dizer nada, logo iniciou.

Colin mostrou a palma das duas mãos, fazendo um gesto de “pare aí mesmo”. A partir daí as coisas já ganharam um novo rumo em seus pensamentos, especialmente quando ele passou a olhar bem para o loiro, percebendo muita, mas muita tristeza em seu olhar, brilhando pelas lágrimas que segurava.

Colin já percebia indícios de algo muito ruim vindo a caminho.

— O que vocês estão me escondendo? — perguntou preocupado.

Luke olhou para Samuel e já vira as lágrimas escorrendo.

Colin engoliu em seco, passou a mão no nariz até o queixo, começou a remexer seus dedos da mão impacientemente. Ele andou até a ponta da beliche e retornou ao lugar de partida. Sentia medo de querer perguntar, mas também sentia a necessidade de saber.

— Vocês vão me contar o que aconteceu? Por que o Samuel está chorando?

Samuel levou o polegar e o indicador juntos para limpar o nariz úmido, se aproximou do amigo e, com muita força, fraquejando ao chorar, disse:

— Colin... — soluçou muito alto — Infelizmente seu pai faleceu.

Colin congelou, sua cabeça inclinou um pouco para baixo, mas seus olhos miraram no loiro.

Talvez, qualquer pessoa contando, Colin demorasse mais para acreditar, mas como foi o Samuel, ele sabia que o amigo jamais brincaria com uma coisa dessas, ainda mais pondo o nome de Joseph no meio.

Ele forçou um sorriso.

— Engraçado, não brinca mais, tá?

Mas Samuel só pôde balançar a cabeça negativamente enquanto ainda chorava, mas chorava muito, bem mais que antes.

Foi automático, as pernas do Colin perderam as forças, ele logo se encontrou ajoelhado no chão e Luke correu para ampará-lo. O leonino, a princípio, por mais que tenha sentido um impacto muito forte com apenas uma frase, na sua mente isso não tinha entrado. Não era possível seu pai ter morrido assim, de repente, quando se tem na mente uma imagem dele saudável, sorridente, sabendo que ele ligaria amanhã a qualquer momento do dia.

Colin sentiu falta de ar, sua respiração era de alguém ofegante, que lutava em busca de fôlego. Seu corpo começou a tremer, formigar.

— Samuel... Samuel... — ainda sorrindo, ele falava o nome do amigo. — Minha mãe teria me ligado. Ela teria...

— Foi ela quem me contou, Colin. Ela não soube como te contar.

Colin levou a mão à boca, olhou com os olhos arregalado para o Luke e a lágrima já começou a descer. Agora pensava em como sua mãe estava com essa notícia, logo ela que foi casada com seu pai por anos, vivendo quase meio século juntos.

— Me diz que é mentira, por favor. — o sorriso permanecia no rosto, mas as lágrimas e olhos arregalados continuavam.

— Queria muito que fosse, Colin.

— Colin, olhe para mim. — Luke pediu, segurando-o pelos ombros. — Você precisa ser forte, está bem? Forte pela sua mãe.

— Eu não aceito. — disse bem baixinho.

O leonino abaixou a cabeça e começou a buscar por ar.

— Colin! Colin! — Samuel começou a chamar o nome do amigo. — Colin, respire!

Mas o leonino não estava conseguindo respirar, a notícia foi forte demais para ele. De joelhos ele permanecia, mas os olhos buscavam um buraco no chão. Tudo ao seu redor deixou de existir desde que a frase sobre a morte do seu pai passou por seus ouvidos.

Sabe aquela chuva que caiu mais cedo?

— Colin, se acalme, por favor. — Samuel implorava.

O leonino não conseguia falar nada, ele se esforçava para respirar. Cravou suas unhas nos braços e tentava pronunciar algo, mas palavras inaudíveis escapavam dos seus lábios. Até chegar o ponto em que ele fechou os olhos, despencando mais das suas lágrimas, no entanto sua respiração estava novamente regularizando. E após conseguir tê-la frequente, ele começou a dizer.

— Eu não aceito. Eu não aceito! — cada palavra aumentando gradativamente. — Eu não aceito!

E após isso, o maior grito já dado pelo leonino tomou conta de todo o lugar. O novo rei dos leões rugiu.

Certa vez, Colin quebrou as regras do hospital só para que pudesse ver o William quando estava internado. Nesse mesmo dia William disse: “Lembre-se, qualquer coisa é só rugir e eu estarei rugindo junto a você (RDL cap. 53)”.

O famoso “ouça-me rugir”.

Dentro daquele lugar, todo leonino, sem exceção, ouviu aquele rugido de socorro.

Mas um, em especial, muito distante dali, ouviu aquele rugido.

William Grandinni sentiu um arrepio, fechou o livro que lia com força e seus olhos fixaram na parede. O poder daquele rugido o alcançou.

— O que aconteceu? — Patrick foi o primeiro a entrar no alojamento depois de correr para chegar até lá.

Um por um da república dos leões foi aparecendo e quando viram Colin no chão, todo mundo se agitou.

Colin ergueu a cabeça e foi olhando no rosto de cada um que estava parado, de pé, o assistindo. Ele descobriu o poder que tinha o seu rugido ali, quando todos estavam lá apenas por ele. Mas seus olhos fixaram no Danion.

— Me ajuda. — sussurrou.

Danion, ouvindo aquilo e sabendo que era diretamente para ele, só pôde se aproximar e dar seu ombro.

— O que aconteceu? — Danion perguntou para o Samuel.

Samuel não conseguiu repetir a frase mais uma vez. O loiro ficou de pé e deu as costas para o branquelo. Luke, ainda muito forte, soltou a bomba para todos:

— O líder de vocês, agora, mais do que nunca, precisa do nosso apoio. Infelizmente ele acabou de receber a notícia de que seu pai faleceu.

Patrick levou a mão à boca. Ian sentou-se no beliche com o baque recebido. Julius pegou na mão do Marcus e o outro aceitou sem sequer lembrar da mágoa. Calvin apoiou as duas mãos na cabeça. Connor simplesmente foi até o Colin e se sentou ao lado dele, podendo apenas abraçar sem dizer nada. Hugh segurou no braço do Pietro e ambos trocaram olhares.

— Eu não posso ficar aqui esperando. — disse o pequeno, soltando-se de todos os abraços e ficando de pé.

Colin começou a recolher suas coisa na cama e jogar tudo dentro da bolsa.

— Você precisa se acalmar. — Ian pediu.

— Eu tenho que ir embora! — falou com a voz elevada.

— Colin, calma, você não pode sair assim. — Calvin tentou segurá-lo.

— Me larga! Eu preciso voltar pra minha cidade.

Todos ficaram sem saber o que fazer, trocavam olhares buscando resposta um no outro.

— Estamos sem carro. — Hugh falou.

— Eu vou a pé, eu dou um jeito. Mas eu não posso ficar aqui sabendo que minha mãe está sozinha.

— Colin, primeiro você precisa se acalmar. — Danion falou.

— Meu pai morreu, Danion! Morreu! — gritou ele, afastando-se do amigo.

Colin, em lágrimas, passou pela porta de saída correndo, mas um corpo alto e forte estava logo em frente a ele. Cego, querendo estar bem longe dali, seu rosto foi ao peito do estranho. Ele tentou passar pelo lado direito, mas o corpo barrou sua passagem. Colin tentou o outro lado, mas o desconhecido também não deixou. O leonino usou a mão esquerda para empurrá-lo, mas a teve presa. O mesmo fez com a mão direita e a mesma coisa aconteceu.

A ficha caiu quando ele percebeu que todos os seus amigos estavam quietos, por isso olhou para trás e os viu encarando o garoto que o segurava. Colin retornou seus olhos ao corpo a sua frente, reconhecendo aquele moletom vermelho, por isso seus olhos subiram e ele deu de cara com um par de olhos negros e profundos.

Sean estava ali por ele, trajando o mesmo moletom em que Colin o viu pela primeira na lanchonete.

Colin e Sean ficaram naquela troca de olhares mútua, mas não duradoura. Sean liberou as mãos do pequeno e foi nesse momento que Colin apertou seu moletom e afogou o rosto no peito dele.

— Eu sinto muito. — Sean sussurrou mexendo em suas costas.

Todos os leoninos, atrás do Colin, não ousaram em falar uma só palavra. Todos assistiram aquele momento e sabiam que naquelas circunstâncias, Sean era mais do que bem-vindo. Por isso eles mentalmente agradeceram a presença do moreno.

— Precisamos ir, Colin. — disse o dono dos olhos pretos.

Colin afastou seu rosto do peito dele, concordou e olhou para trás, despedindo-se com o olhar de todos os seus colegas. Sem que esperasse, Sean já estava caminhando para seu carro bem próximo do alojamento.

— Eu também vou. — Samuel se prontificou.

Colin não teve nada contra a decisão do amigo, melhor era tê-lo perto, sabendo que seu pai o considerava filho, do que tê-lo longe.

O leonino caminhou até o carro e Samuel o acompanhava sem se importar com as coisas que ficaram no alojamento. Colin ficou no banco da frente e Samuel abriu a porta do banco traseiro, mas após entrar, quando ia fechar a porta, Luke o impediu ao entrar logo em seguida.

— Não vou deixar você sozinho. — disse o moreno.

Sean olhou pelo espelho retrovisor interno, mas também não teve nada contra. Ele travou o carro, ligou os faróis e partiu dali. Colin nem mesmo tinha colocado o cinto.

Sabe aquela chuva que tinha caído mais cedo?

Ela retornou.

A nuvens tomaram conta do céu assim que o carro saiu daquele lugar.

[...]

Viajar a noite para a Aroma não era uma opção recomendada, ainda mais quando chovia. Sean já não conseguia dormir bem há dias, mesmo assim o esforço valia em nome do grande amor da sua vida. Seus olhos negros alternando entre a estrada e o corpo pequeno, ainda sem cinto, sentado no banco ao lado.

Colin permanecia a chorar, não na mesma intensidade de antes, mas as lágrimas resistentes permaneciam a cair de seus olhos. Existiam pausas, mas elas logo retornavam a tomar conta daqueles olhos castanhos.

Atrás, Samuel estava de olhos fechados com a cabeça repousada no ombro do Luke. O moreno de olhos azuis, cansado com os jogos, resistiu o máximo que pôde, mas acabou pegando no sono, pelo menos o único a conseguir fazer isso dentro do automóvel.

O carro parou no sinal vermelho, sendo o único na via. Sean se lembrava bem da estrada, apenas na primeira e segunda vez que precisou da ajuda do pequeno, mas agora, depois das vezes em que retornara aquele lugar, sabia perfeitamente o caminho.

Enquanto o carro estava parado no sinal, Sean largou o volante. Seu corpo inclinou para o lado, o braço esticou até alcançar o cinto do passageiro. Após por Colin em segurança, o moreno retornou ao volante e deu partida. Foi preciso fazer isso justamente por causa do monitoramento, embora ele tivesse demorado.

— Obrigado. — Colin agradeceu.

Sean não disse nada, mas o olhou. No entanto, Colin não retribuía o olhar, seguia firme com os olhos na estrada, mas admitia o conforto que era estar na presença de quem tanto ama.

— Como você soube? — Colin perguntou.

Sean não respondeu imediatamente, ele fez uma pausa de alguns segundos até finalmente falar:

— Sua mãe me ligou.

Pensar na sua mãe, mais uma vez, mexia profundamente com ele. Mas por que ela não o contou diretamente? Por que preferiu que os outros soubessem primeiro ao próprio filho? Essas perguntas Colin até conseguia ter respostas ao acreditar no quanto estava sendo difícil para ela acreditar que perdeu o marido.

Colin não só estava triste pela morte do pai, mas pelo fato de ter estado tão longe. Pensou que se estivesse perto as coisas poderiam tomar rumos diferentes. Refletir nisso, o fez chorar mais uma vez.

Sean, percebendo o seu choro, apertou o volante. Era horrível se sentir incapaz de ajudar e a única coisa possível a se fazer era apenas “estar ali”.

— Queria estar no seu lugar. Queria sentir tudo isso no seu lugar. — disse o moreno.

— Eu jamais iria permitir que estivesse em meu lugar se isso fosse uma opção.

Ainda existia um sentimento muito forte entre Sean e Colin e isso era uma realidade difícil de ser apagada. Os dois nem se importaram com Luke e Samuel que estavam logo ali atrás.

A viagem seguiu em silêncio mais uma vez até que finalmente chegassem em Aroma. Não era nem preciso passar pela placa de boas vindas, apenas o cheiro do lugar era suficiente para saber onde é que estavam. Por isso Sean sempre abria as janelas do automóvel nas vezes em que chegava à cidade.

Colin se acomodou no banco, ficou mais nervoso. Eles passaram em frente a loja fechada de doces em que Joseph trabalhava e Colin retornou com seu choro, mas no banco de trás Samuel também não escapou das lágrimas.

Luke acabou acordando quando ouviu o namorado enxugar o nariz, mas ao sentir o cheiro da cidade acabou olhando através da janela para saber onde estava. Era real tudo o que o loiro o contava sobre a cidade, que por muitas vezes ele duvidou por achar que toda e qualquer cidade tem o mesmo cheiro.

No entanto, Sean acabou não seguindo diretamente para a casa do Colin. Ele entrou numa rua diferente do trajeto costumeiro que fazia.

— O que houve? — Samuel quem perguntou.

Colin já havia compreendido, por isso não falou nada. Mas Samuel continuava sem entender, mesmo assim não obteve uma resposta concreta do moreno, que ficou calado, preferindo não explicar nada. Algo já costumeiro da sua personalidade.

Mas chegar ao hospital não foi difícil. Ainda mais quando já é madrugada e as ruas estão praticamente liberadas de trânsito.

O hospital não era grande, ele era tão pequeno quanto à própria Aroma. Mas impecavelmente iluminado e de boa estrutura. Era lá que Samuel pensava em trabalhar quando se formasse, já que ele não tem planos de seguir sua vida na cidade grande. Ele gosta do lugar que nasceu, pretende seguir sua carreira ali.

Sean estacionou o carro, mas quando menos esperou Colin já estava abrindo a porta sem dar tempo a ninguém de acompanhá-lo.

O tigre precisou sair do carro às pressas, deixando até Luke e Samuel para trás, nem mesmo travando o carro.

Colin entrou no hospital como um lunático, olhando para todos os lados querendo encontrar sua mãe. Acabou vendo-a na pequena recepção, acompanhada de uma amiga. Quando aqueles olhos pequenos de Anita o avistaram, a mulher já se levantou aos prantos, despertando a atenção de todos os presentes no hospital, e Colin não fez outra coisa senão correr para os braços dela.

Ambos, Anita e Colin, não trocaram uma palavra, apenas inundaram a recepção com muito choro, nada discreto. O pequeno abraçava sua mãe com força, desejando, mais do que tudo, arrancar a dor do peito dela. Samuel, que chegou depois, juntou-se ao abraço e chorou nos ombros da mulher. Parecia que todo o hospital parou apenas para assistir aquela cena emocionante.

Luke e Sean ficaram afastados, nada puderam fazer senão apenas observar.

Foi quando uma mão pesada tocou o ombro do moreno de olhos pretos. Sean olhou para o lado e viu Octavio, seu amigo, dando-lhe forças com o gesto.

— Onde ele está? — Sean perguntou dando as costas para a cena emocionante, não aguentando ver seu ex-namorado chorar tanto a ponto de soluçar.

— Foi ver a que horas vão liberar o corpo. — Octavio respondeu.

Luke, que sempre gostou de provocar Octavio pela cicatriz, não fez isso. Apenas o saudou com um aceno de mão e se afastou dos dois.

— Quer dar uma volta comigo? — Sean perguntou.

Octavio apenas moveu a cabeça concordando. Devagar, Sean caminhou até a saída do hospital, chegou ao estacionamento e começou a caminhar entre os carros, parando bem próximo ao seu.

— Foi bom você ter ligado para o William. — Octavio iniciou sabendo que dificilmente o moreno poderia falar algo.

— Ele é o único quem o Colin pode ouvir.

— Até eu reconheço isso. Sei como é estar no seu lugar. Se o William perdesse o pai, eu também ligaria para o Colin. Temos que admitir a ligação única que eles têm.

Sean sorriu entre lábios e deu as costas, caminhou apenas dois passos para frente e, subitamente, virou mais uma vez, caindo com o rosto no peito do Octavio, apertando a camisa dele e se pondo a chorar como um garotinho sem o colo da mãe.

Octavio permitiu que Sean chorasse em seu peito, tanto é que uma mão sua foi às costas do moreno, dando leves tapas.

Esse era o Sean mais sensível que Octavio já conheceu um dia. Há anos não o via tão frágil daquele jeito. Raramente o moreno chorava e odiava, ainda mais, chorar na frente de alguém. Mas o gesto mais sublime acontecia ali, quando ele demonstrou precisar de um ombro amigo para despejar suas lágrimas. Há muito tempo aquele coração de pedra vem derretendo.

Octavio precisava admitir que seu coração ainda batia muito forte quando se tratava da amizade que tinha com o Sean. Embora muita coisa tivesse acontecido e o tempo os separasse, assim como Colin e William, Sean e Octavio também tinham uma forte ligação. Uma amizade que nasceu ainda quando eram garotos não podia facilmente morrer. Com Sean mostrando toda sua fragilidade, significava que Octavio ainda era seu maior ombro amigo e, genuinamente, pedia perdão pelo que fez no passado.

— Eu o amo demais para vê-lo daquele jeito. — Sean, com lágrimas nos olhos e a voz tomada em choro, apertou ainda mais a camisa do amigo e disse.

— Eu sei como é difícil. — Octavio tentou consolá-lo.

— Eu queria poder fazer mais. Eu queria arrancar a dor dele, mas... M-mas eu não posso. Eu não posso, Octavio. — fazia isso afundando mais seu rosto no peito dele.

— É triste, Sean, mas todos nós passaremos por situações como essas. O fato de você ter trazido ele até aqui já significou bastante. Colin nunca vai esquecer disso.

— Eu o amo tanto, Octavio. Eu o amo mais que a mim. Eu não deveria fazer isso, mas eu o amo.

— É bom te ver sem armaduras...

— Por que minha vida é tão fodida assim? Eu sou tão ruim?

Octavio não soube o que dizer. Queria ter um conselho melhor, mas talvez o silêncio fosse mais proveitoso a ter que falar alguma coisa que não deveria.

Sean permaneceu a chorar em seu peito, as lágrimas repousavam bem na ponta do seu nariz e despencavam. Cada soluço e ele apertava ainda mais a camisa do amigo. Octavio só podia ficar ali, imóvel, olhando para os lados.

Se fosse possível ver, diriam que Sean tinha uma aura negra em sua volta, não por coisas malignas, mas apenas pelo peso da sua tristeza. Tudo para ele estava desmoronando, não só com ele, mas também com o Colin, a pessoa que ele mais amava nesse mundo. Era tanto amor que não lhe cabia no peito.

O moreno afastou seu rosto do peito de Octavio e começou a enxugar a face com as duas mãos. Sean deu as costas, limpou o nariz e disse:

— Me sinto péssimo por não ter contado a ele que seu pai já estava no hospital há dois dias.

— Você sabia? — surpreso, Octavio questionou.

— Sim. A mãe dele me ligou, mas não queria que eu contasse. Ela disse que ele estava com problemas demais na faculdade e não queria preocupá-lo mais.

Octavio coçou a sobrancelha imaginando como Colin reagiria se descobrisse isso. Talvez pudesse entender, talvez não.

— Anita sabe que você e Colin terminaram?

— Provavelmente não. Mas com certeza ela desconfiou de alguma coisa, ela conhece o Colin melhor do que ninguém, é a mãe dele, então acho que ele usou a desculpa de que estava com problemas na faculdade.

— Problemas de faculdade que na verdade são problemas amorosos. — Octavio falou quase como um suspiro.

— Tá tudo uma merda.

O celular do moreno tocou, ele verificou a tela e o nome de sua mãe estava lá destacado. Pensou duas vezes se atenderia ou não, mas acabou por não atender. Ele desligou o aparelho, retornou ao carro, abriu e o jogou em cima do banco. Depois disso, trancou o automóvel e começou a andar de volta ao hospital.

— Qual a causa da morte?

— Você sabia que o pai do Colin era pré-diabético?

Sean respondeu negativamente.

Isso, infelizmente, era muito comum. Basicamente boa parte dos diagnosticados só descobrem problemas de saúde quando estão perto de ter um treco. Sendo Joseph um homem que trabalhava numa loja de doces, basicamente comendo o que fazia com frequência.

— Posso explicar em termos médicos já que você é da área da saúde, embora saúde bucal. Ele teve um IAM, ou seja, infarto agudo do miocárdio. Joseph já reclamava de dor no peito e náuseas. Acontece que como pré-diabético, ele desenvolveu a hipertensão, após o infarto descobrimos que ele também estava com aterosclerose que são os entupimentos das artérias que acabam obstruindo a passagem de sangue, oxigênio e nutrientes ao coração... E isso, infelizmente, resulta no infarto porque esse impedimento de passagem de sangue acabou rompendo a artéria.

— Ele morreu na sala de cirurgia?

— Sim, infelizmente não resistiu. — disse com muita tristeza.

Os dois já estavam na entrada do hospital mais uma vez, dessa vez Colin e Anita estavam sentados, quietos. Ninguém tinha animação para nada dentro daquele lugar.

Quando Colin viu o Octavio, ele arregalou os olhos, o coração acelerou e ele foi obrigado a ficar de pé.

— Como assim? — Colin perguntou quando Octavio se aproximou dele para abraçá-lo.

— Essa pergunta é sobre mim ou sobre ele? — Octavio olhou para o lado.

Colin seguiu o olhar do amigo e viu quando William passava pelos seguranças que guardavam a entrada do elevador.

William tinha tanta postura de médico, que mesmo sem jaleco, olhar para ele já o descrevia como um dos médicos do hospital, mesmo ele não sendo. Colin levou uma mão e cobriu os olhos, se colocou a chorar novamente e abaixou a cabeça até sentir as mãos fortes do seu pilar tocar em seu ombro e o puxar para um abraço. Logo seu cabelo foi tomado por um leve carinho e o topo de sua cabeça foi beijado.

— Vai ficar tudo bem, confie em mim. — disse o loiro.

Ah, aquela voz. Como Colin tinha saudades de ouvi-la pessoalmente, soava tão mais nítida, leve, dando-lhe a esperança de que tudo ia ficar bem. Por isso todo o mundo sabia que William Grandinni era, sem dúvida, a melhor pessoa para conseguir acalmar o pequeno leonino.

Colin não queria desgrudar daquele abraço nunca mais, William até tentou desfazer, mas quando viu que o leonino o puxou ainda mais, ficou quieto e só olhou para o Octavio, que movia a cabeça dizendo que aquilo estava sendo bom para o Colin.

Sean via tudo com o coração apertado, não que estivesse com ciúmes, pois já se foi esse tempo de raiva, mas porque viu o quão quebrado estava seu ex-namorado chorando nos braços do William.

— Vai pegar uma água pra ele. — William pediu ao namorado.

Mesmo ouvindo isso, Colin não desgrudou do amigo.

— William, alguma notícia? — Anita, sentada, perguntou, mesmo com a cena do seu filho abraçado ao amigo. Era muita ansiedade por notícias para ter que esperar que aquele abraço terminasse.

— Só vão liberar o corpo amanhã, mas não souberam me informar o horário. Então é melhor que você e o Colin vão pra casa, tomem um banho e descansem. Eu vou ficar por aqui aguardando notícias.

— Eu não vou sair daqui sem o meu pai. — Colin logo disse, afastando-se devagar.

William nem foi contra.

— Aqui a água. — Octavio apareceu com o copo entregando ao Colin.

O pequeno aceitou, mas bebeu apenas a metade do líquido. William o encaminhou para que ele se sentasse.

O loiro olhou para Sean e Samuel, finalmente cumprimentando-os com olhares, mas com Luke não pôde fazer o mesmo, pois ele estava adormecido em uma das cadeiras. Não porque quisesse, mas Luke estava realmente muito cansado e resistia ao sono desde metade da viagem.

— Samuel, nós vamos passar a madrugada toda aqui, não acha melhor levá-lo para sua casa? — William sugeriu. — Eu sei que a viagem foi longa e cansativa.

— Eu prefiro ficar aqui com todo mundo. — ele disse olhando para a Anita.

— Samuel, vá. Nós iremos ficar bem. — Anita, passando confiança ao loiro, falou.

— Mas... — tentou dizer.

— Eu sei o quanto você se importa com tudo isso, mas não precisa se sacrificar tanto. A viagem até aqui é realmente cansativa, seu amigo precisa de um lugar melhor para descansar. Posso te dar as chaves da minha casa já que é mais próximo.

Samuel olhou para o seu namorado dormindo, pensou bastante nele e em como ele se sentia cansado. Não estava culpando Luke por nada, realmente achava que ele merecia um descanso digno. Já estava tarde e o dia foi bem agitado, ele foi um dos que mais resistiu na prova da caçada, então era lógico que ia ficar muito cansado rapidamente.

— Não se preocupe, amanhã você volta. — Anita, mais uma vez, falou.

— Tudo bem, eu vou para minha casa, mas não deixem de me ligar. Amanhã bem cedo eu estarei aqui.

— Sean, você não quer ir lá para casa descansar? — Anita perguntou.

O moreno, que até então estava avulso na conversa, com o pensamento em outro lugar, respondeu rapidamente:

— Não, está tudo bem. Posso aguentar ficar aqui a noite toda.

— Tem certeza? — William perguntou.

Sean estava urgentemente precisando de uma cama, mas ele não iria largar o Colin sequer por um segundo. Por isso ele apenas moveu a cabeça reafirmando que queria ficar ali. Ele apenas saiu do seu lugar e se sentou em uma das cadeiras da recepção.

Colin não retirou os olhos dele assim que ele se sentou. O conhecia tão bem para saber que ele estava cansado e com sono, afinal, foram meses e meses dormindo juntos. Sean tinha olhos negros e profundos, então quando ele estava cansado os olhos ficavam ainda mais profundos e apertados.

— Luke. — Samuel chamou o namorado assim que se aproximou dele.

Luke acordou meio preguiçoso, mas quando reconheceu o lugar que estava, tossiu e mudou a postura.

— Foi mal. — disse o moreno se desculpando por ter pego no sono.

— Tudo bem. Eu vou te levar para minha casa, lá você dorme melhor.

— O quê? — Luke olhou para todos os presentes. — Não! Não precisa, eu não vou mais dormir. Eu vou ficar do seu lado.

— Vem, se levanta. — sem perder muito tempo, Samuel pegou na mão dele.

Luke nem resistiu, ele ficou facilmente de pé.

— Vai precisar de carona, Samuel? — Octavio perguntou.

— Eu pego um táxi. O que mais tem é táxi próximo de hospital. Não precisam se preocupar.

Luke largou a mão do Samuel e se aproximou do Colin. Anita ainda não o conhecia, mas sendo amigo do seu filho, para ela estava tudo bem.

— Qualquer coisa você sabe qual o meu número.

— Obrigado por estar comigo nesse momento difícil.

— É um prazer conhecê-la, só sinto muito por ter sido em um momento triste como esse. — disse o moreno para Anita.

Anita apenas cobriu a mão dele com suas mãos e em seguida tocou em seu rosto.

Luke se afastou de todos, despedindo-se apenas com gestos de cabeça até que Samuel, sem temor algum, pegou na mão dele. Luke até ficou surpreso, mas sem reagir negativamente, ignorando os olhares dos mais conservadores, saíram juntos do hospital.

— Luke e Samuel, sério? — William perguntou assim que se sentou ao lado do Sean.

— Sim? — respondeu Octavio também surpreso.

— Muita coisa mudou na Quadra pelo visto.

— Muita... — refletindo, Sean respondeu.

[...]

Samuel desceu do carro primeiro e Luke veio logo depois.

Samuel não estava nada constrangido de mostrar o lugar que morou a maior parte de sua vida. Ele, assim como Colin, não tinha as mesmas condições que alguns dos membros de suas repúblicas.

Ele nunca de fato foi à casa do Luke, mas pelas condições da família do Joshua quando conheceu a casa do ruivo no aniversário da mãe dele e tia do namorado, sabia que grana eles tinham e sua casa não era nada equiparada a essa que estava logo a frente.

Era uma casa aparentemente pequena e humilde, ganhava mais espaço para os fundos do que para os lados. Uma escada já ficava na parte de fora que levava ao primeiro andar, onde ficava exatamente a casa do loiro.

Isso mesmo! Existia uma casa na parte de baixo e uma na parte de cima. Isso porque a tia do Samuel morava no térreo enquanto sua mãe no primeiro andar. Para Samuel, mesmo sem muita extravagância, aquele lugar era o seu maior aconchego. Nada se comparava a estar perto da família.

— Você acordou a sua mãe? — Luke questionou assim que viu uma mulher loira, com os cabelos preso e trajando uma camisola simples na cor rosa.

— Como iríamos entrar?

— Poderíamos ficar no hospital mesmo. Vão pensar que eu não me importo com o falecimento do pai do Colin.

— Ninguém vai pensar isso, para de besteira. Vamos subir.

Samuel mais uma vez agarrou na mão dele e o levou às escadas. Os dois subiram juntos até que se aproximassem da mulher. Milena era a cópia feminina do filho, Luke ficou até surpreso por tamanha semelhança, embora ela fosse bem mais velha, até mais velha que a mãe do Colin.

— Oh, meu filho, sinto muito. — disse ela abraçando o loiro.

O próprio Samuel contou a mãe sobre o falecimento do Joseph e ela sabia o quão abalado ele estava por isso.

Luke ficou parado, em pé, assistindo aquele momento entre mãe e filho. Quando desfeito o abraço, Samuel o apresentou:

— Esse é o Luke, o garoto que tenho falado.

— O-o seu namorado? — ela questionou com um sorriso no rosto.

Em Aroma existem pessoas evoluídas.

— Ele mesmo.

Pela primeira vez Samuel viu Luke sem graça. Luke contraía os lábios quando estava tímido e desviava os olhos com facilidade. Milena também o abraçou, mas rapidamente.

— Entrem, eu fiz sopa. — convidando-os, a mulher entrou em casa.

Os cômodos eram todos pequenos, a sala mal cabia um sofá. Ela foi logo se dirigindo para a cozinha, cômodo este que ficava ao lado, abrindo a panela com sopa que estava colocada sobre a mesa e os pratos já posicionados.

Samuel deu um suspiro assim que sentou, ele olhou para o Luke e o namorado sentou próximo a ele.

— Vou ter mesmo que preparar outra coisa para você comer? — perguntou o loiro ao moreno.

— Ele não gosta de sopa? — Milena perguntou.

— O quê?! — Luke respondeu tão rápido que assustou o loiro. — É claro que eu gosto! — mentiu.

Samuel franziu o cenho, sabia que ele estava mentindo descaradamente.

— Eu como tudo. Tudo o que colocar na mesa eu tô comendo. — ele disse sorrindo com os olhos para sua sogra.

Milena retribuiu o sorriso.

— A minha sopa é uma delícia, você vai gostar. — disse ao servi-lo.

Samuel então decidiu não envergonhá-lo. Sabia que ele estava fazendo aquilo apenas para agradar a sogra. Pelo menos assim conseguiu conquistá-la rapidamente, o loiro até gostou dessa postura.

Samuel era o mais quieto à mesa. Luke, sempre muito bom de lábia, conversava com Milena aos montes, às vezes exagerava em suas histórias, de como quando conheceu o Samuel e das brigas que tiveram, sempre se colocando de vítima. Milena dava muitas risadas, mas também olhava para o filho e ficava preocupada com o seu silêncio. A mulher não quis tocar no assunto principalmente porque acha que todos merecem seu momento de luto e aquele era o dele.

Depois de bem alimentados, Luke bocejou.

— Nós vamos dormir na sala. — Samuel, que sequer tinha comido toda sua sopa, se levantou.

— Eu vou pegar alguns travesseiros e lençóis bem quentinhos para vocês. — disse a mulher se retirando do cômodo.

Luke sorriu para o loiro e pegou na mão dele dando-lhe conforto.

— Eu dormia com minha mãe, então não posso abrir mão do conforto dela pelo nosso. Não vai ter problema mesmo em dormir no sofá da sala?

— Com você eu durmo até na rua.

Samuel abaixou a cabeça e sorriu com um suspiro.

— O que eu estaria fazendo se não fosse você aqui comigo?

— Vamos evitar pensar em tristeza? — Luke se levantou ainda segurando em sua mão, beijou a sua bochecha e sorriu mais uma vez.

Sem dizer nada, Samuel o puxou para sala. Sua mãe rapidamente retornou com os lençóis e travesseiros, pondo-os sobre o sofá.

— Vou deixá-los sozinhos conversando. Mas qualquer coisa, meu filho, sabe onde me procurar. Também quero ir ao velório do Joseph.

— Obrigado, mãe. — disse o loiro.

Milena beijou o rosto do filho e apertou a mão do Luke, logo ela se dirigiu para o seu quarto e os deixou sozinhos.

Samuel se sentou no sofá e Luke fez a mesma coisa.

— Ela vai chorar. — Samuel disse.

— Como assim?

— Ela sabe que eu estou triste, ela também gostava do Joseph. Aguentou esse tempo todo só para que eu não soubesse que ela chorou.

— Não seria melhor você ir lá dentro conversar com ela?

Samuel o olhou e conversou com o namorado através do olhar. Depois disso, Samuel repousou sua cabeça no ombro do moreno.

— Ela não iria chorar se eu estivesse presente. — disse o loiro. — Segurar o choro não é uma coisa legal. Todo mundo precisa.

— Então por que está segurando?

Não deu outra e o rosto do Samuel afogou na curva do pescoço do moreno, despejando as lágrimas. Luke o abraçou e, devagar, foi se deitando no sofá, carregando o loiro junto ao seu corpo, de modo com que ficassem acomodados no espaço apertado.

— Obrigado. — agradeceu o loiro.

— Obrigado pelo quê?

— Por estar aqui.

— Me agradecer por algo que deve ser minha obrigação? Cuidar de você é minha prioridade. Essa não vai ser a última vez que situações como essas vão acontecer.

Samuel levantou seu rosto e o moreno entendeu o recado. Delicadamente, diferente de 98% dos beijos já trocados entre os dois, Luke beijou o Samuel com leveza. Um beijo rápido, mas com muito afeto.

Depois do beijo, o loiro ficou quieto. Ele respirou fundo e começou a mexer na orelha do moreno.

Luke, depois de minutos, facilmente pegou no sono enquanto Samuel, sem o menor sono, permaneceu com os olhos abertos, fitando o teto e pensando em Joseph.

[...]

Morte.

Cinco letras, palavra pequena, mas de imensurável significado. Carrega grandes mistérios que nunca foram exatamente descobertos. Há quem diga que quando passou por ela viu uma luz ao fim do túnel. Então há uma passagem? Uma porta? Uma entrada? Mas para o quê exatamente? Se existe uma passagem significa dizer que existe um lugar.

No entanto, também há quem diga que não se lembram de nada. Mas de fato a morte é a passagem para um lugar melhor ou as pessoas preferem acreditar nisso para acalmar o coração?

Joseph não morreu como um péssimo homem, um péssimo marido ou um péssimo pai. Por que pessoas boas morrem? Talvez fosse um descanso merecido. Talvez a pessoa já tenha cumprido seu papel aqui na terra. Tudo é na base do talvez, afinal, a morte é cheia de incertezas. Seria mesmo o fim?

O sol já estava dando o seu adeus ao corpo já sepultado de Joseph. Mãe e filho permaneciam em frente a lápide posicionada naquele gramado perfeitamente verde. Tinha chegado a hora da última despedida.

— Meu pai. Sim, meu pai. Meu pai era mais doce do que os próprios doces que fazia. Ele era o equilíbrio da minha mãe quando nela faltava carga emocional para suportar alguma coisa. Ele era a minha fonte de ajuda, o herói de todo filho. O homem mais simples de todo o mundo, aquele que mesmo diante tanta maldade, buscava a bondade. O braço direito de muita gente. Parte fundamental da minha criação, educando-me até com canção de ninar: “Twinkle, twinkle little star...” — ele fez uma pausa por não resistir ao choro ao se lembrar que seu pai cantou isso no dia do seu último aniversário — Ele tinha todas as respostas possíveis para tudo, até para o amor. Para ele não existia meio termo, ou era ou não era. Se existe alguém paciente, essa pessoa nunca será tão paciente quanto ele que tinha aguentar minha mãe e eu. — e ainda chorando, Colin deu um sorriso. — Meu pai era incrível, meu pai era humano. Se eu pudesse escolher ser alguém por um dia, eu escolheria ser ele. Ele era feliz com tudo o que tinha. Se em um dia ganhasse 1 dólar, com apenas isso ele ia sorrir e dizer que o dia valeu a pena. Não existia dia ruim. O mundo poderia desmoronar, ele ia segurar na minha mão, olhar nos meus olhos e dizer: “está tudo bem filho, eu cuido de você”. — mais uma pausa para chorar, mas Colin agora não conseguia conter mais o choro, principalmente porque disse exatamente o que estava acontecendo em sua vida: tudo desmoronando, no entanto, agora ele não tinha o pai para dizer essa frase.

Sem conseguir concluir o discurso, Colin sentiu uma mão leve tocar em seu ombro, ele se virou rapidamente para abraçar a pessoa que estava atrás dele, acreditando fielmente ser sua mãe, mas acabou dando de cara, mais uma vez, com o corpo do tigre.

Colin o olhou nos olhos e ali, na sua frente, Sean chorava a primeira vez. O pequeno leão apenas balançou a cabeça algumas vezes e repousou levemente sua cabeça no peito do moreno. Anita veio ao lado e o abraçou. William tomou a mesma atitude e o cobriu, sendo Octavio o último a se aproximar e fechar o Colin num abraço.

Samuel repousou a cabeça no ombro do Luke e apertou a mão dele.

Todos, parentes, amigos e conhecidos, sem exceção, se emocionaram com o discurso do Colin, embora ele não conseguisse finalizá-lo. E por isso, uma chuva de aplausos tomou conta do cemitério.

Depois de alguns minutos, William fez sinal para que todos deixassem o pequeno sozinho.

Sean foi o primeiro a se afastar, ele foi para debaixo de uma árvore muito florida. Sendo o mais quieto de todos os presentes, o moreno não desviava os olhos daquele corpo pequeno com a cabeça baixa e de semblante muito triste. Sinceras eram suas palavras quando disse querer tomar todas as dores do ex-namorado para si.

Uma hora se passou e Colin permanecia de pé, com as mãos no bolso da calça olhando para o túmulo do pai. Anita, sua mãe, já estava sentada, sendo confortada por amigas, inclusive o pai e a madrasta do Sean. A mãe do Samuel também estava presente.

Para Colin, se afastar daquele túmulo, seria dar adeus permanente ao seu pai. Ele não queria isso. Não queria voltar para casa e chegar nela sabendo que seu pai nunca mais iria passar pela porta. Pensar no futuro só machucava ainda mais seu coração.

— Já anoiteceu, estão todos indo embora, Colin ainda não saiu de lá. — Octavio falou para o loiro.

— Colin está sem comer há quase 24 horas. — Samuel falou.

— Eu vou lá conversar com ele. — Luke disse.

— Deixa que eu vou. — William acabou saindo na frente.

Samuel segurou na mão do Luke, impedindo-o. Até ele reconhecia que William quem deveria ir.

William se aproximou devagar do amigo, primeiro chegou sem falar nada, mas no passar de dois minutos ele iniciou:

— Nós precisamos voltar, Colin.

— Só mais cinco minutos.

— Eu posso ficar com você nesses cinco minutos?

Colin confirmou com a cabeça.

William olhou para trás e viu que todos estavam observando-os. Colin, mesmo sem olhar, sabia que os colegas estavam apenas o esperando.

— William.

— Sim?

— E se eu abandonar tudo?

— O que quer dizer com isso?

O diálogo seguia com Colin apenas olhando para o túmulo do seu pai.

— Eu não posso mais voltar para Seattle. Eu não posso deixar minha mãe sozinha. Eu não posso deixar que a loja de doces do meu pai seja fechada eternamente. Eu tenho que ficar aqui. Eu tenho que ficar em Aroma.

— Eu não posso ir contra o que você quer, mas acho que seus sonhos não podem ficar para trás.

— E minha mãe? Ela ficaria sozinha?

— Sua mãe é uma mulher forte, Colin. Uma das mulheres mais fortes que eu já conheci. Você acha que ela deixaria você abrir mão dos seus sonhos?

William deu uma resposta tão imprevisível para o Colin, que o pequeno ficou sem reação por não ter parado para pensar nisso.

— Mas eu não vou conseguir estar lá sabendo que ela ficará sozinha aqui.

— Como eu disse, não posso ir contra o que você quer. O que você decidir, terá o meu apoio.

Silêncio.

— Onde o Sean dormiu? — perguntou o pequeno.

— No carro.

— Foi ele quem te contou?

William suspirou antes de responder:

— Sim. Ele me ligou no momento em que soube da notícia.

Colin não disse mais nada. Ele finalmente olhou para trás e deu de cara com aquele par de olhos penetrantes o encarando. O leonino logo retornou seus olhos ao lugar anterior.

— Sean te ama muito, Colin. Mesmo após o término, ele não deixou de se preocupar com você.

— Ele seria e será feliz sem mim.

— Como posso ter que admitir ouvir um negócio desses?

— Porque é a verdade, William. Desde que entrei na vida do Sean, tudo de errado tem acontecido com ele. Você acha que é legal para mim vê-lo sendo perseguido pela própria família?

— Mas a culpa não é sua e nunca foi!

— Tá bom, chega. Eu não posso discutir na frente do túmulo do meu pai.

Respeitando a decisão, William se calou.

Depois de mais alguns minutos, Colin finalmente se despediu eternamente do seu pai. Ele se ajoelhou, fechou os olhos e juntou as mãos. Como cristão, Colin fez uma breve oração.

De pé, o leonino deu as costas com lágrimas nos olhos ao túmulo do seu pai. Ele se dirigiu a sua mãe, recebendo dela um abraço. Já havia se perdido as contas de quantos abraços mãe e filho já haviam trocado, mas a necessidade era tanta que aquele ali não seria o último.

— Por que não me disse que ele estava internado há dois dias?

A frase não era para ter chegado ao ouvido do Colin, mas ele ouviu isso sair da boca do Joe, que parecia conversar com o Sean discretamente.

O coração do leonino disparou, as mãos tremeram e ele se desfez do abraço da mãe.

— Meu pai estava internado? — Colin, engolindo em seco, respirando muito rápido, perguntou, olhando para o ex-namorado.

— Colin... — Anita, percebendo a fúria tomando conta do filho, o chamou devagar.

— Meu pai estava internado e ninguém quis me contar? — Colin questionou mais uma vez. — E você sabia? — seus olhos encaravam o moreno.

Sean não soube o que responder.

— E-eu... — tentou se explicar o moreno.

Colin caminhou na direção do moreno. Samuel tentou intervir, mas o pequeno o afastou, parou em frente ao tigre e olhou bem nos olhos dele.

— Você sabia?

E, juntando toda a coragem que tinha, Sean respondeu:

— Sim, eu sabia.

— Você não tinha o direito de me esconder! — Colin gritou com seus olhos vermelhos.

— Eu pedi! Eu que pedi para que ele não te contasse! — Anita logo se prontificou.

— Mesmo assim, ele não tinha o direito de me esconder! Você! Logo você! — disse apontando o dedo para a cara do moreno.

— Eu não podia, tá bom? — Sean falou.

— Vocês não me deram a chance de me despedir do meu pai!

— Colin, a culpa é minha, o Sean não tem culpa de nada! — Anita falou.

Mas sem conseguir falar mais nada, Colin deu as costas e saiu caminhando para a saída do cemitério.

— Eu vou atrás dele. — William disse.

Mas antes de ir, Octavio puxou o namorado para o canto de falou:

— Hoje eu vou dormir com o Colin e você fica com o Sean, tudo bem? Depois do que acabou de acontecer, é melhor assim.

— Concordo. Tente fazer o Colin se acalmar.

— Eu te amo. — disse o loiro roubando um selinho do namorado e dando as costas.

— Eu vou levar vocês para casa. — Joe disse para Anita, Samuel, Luke e Milena. — Contando com a minha namorada, têm mais pessoas que o limite, mas não corremos o risco. Vamos!

Logo seguiram Joe até o estacionamento onde o carro dele estava. Anita retornou ao seu choro, preocupada com o filho.

Restou apenas Octavio e Sean.

— Eu sou um idiota. — disse o moreno tigre.

— Colin só está de cabeça quente.

— Eu realmente privei ele de se despedir do pai.

— Sean, você apenas obedeceu a mãe dele. Não se sinta culpado.

— Mas ele agora vai me odiar. Você sabe como é ser odiado pela pessoa que mais ama, Octavio?

— Não vai, confie em mim. William vai convencê-lo de que você tinha motivos para não contar.

Sean apenas esfregou o rosto e socou a árvore. Mais um problema para sua vida.

[...]

Charles, de cabeça raspada, camisa e calça, apoiava o braço na janela do automóvel enquanto via tudo passar rapidamente aos seus olhos. No banco do motorista estava o Joshua, quieto como de costume, sem dizer uma palavra durante todo o trajeto.

Ao se aproximar da cafeteria, o ruivo estacionou seu automóvel.

— Eu não vou demorar, prometo.

Charles desceu do carro com certa dificuldade, andar ainda não estava sendo uma tarefa fácil. Seu corpo ainda doía e as marcas em seu corpo ainda estavam destacadas, por isso ele usou uma camisa que pudesse cobrir até os pulsos.

Ele entrou no estabelecimento e parou para procurar Hannah, a esposa do seu irmão Steven. Lá estava ela com uma xícara de café na boca, sozinha numa mesa apenas o aguardando.

O garoto caminhou devagar e, sem cumprimentá-la, sentou-se na cadeira de frente à ela, juntando as mãos e apoiando os cotovelos na mesa.

— Achei que desistiria. — disse o moreno.

— Não sei se é uma boa ideia.

— Não sabe se é uma boa ideia? Se você veio aqui é porque desconfia de algo.

Hannah engoliu em seco, estava nervosa, agitada.

— Se alguém souber que estou com você, acabo colocando meu relacionamento abaixo. Eu sou uma Ferazza agora. Só por isso eu consegui uma das melhores mesas aqui nessa cafeteria.

— E eu entrei sem ser interrogado. — disse ele presunçoso. — Você só adotou esse nome agora, eu simplesmente nasci com ele. Vejamos a diferença.

— Mas você foi expulso dessa família.

— Felizmente, e não pretendo voltar. Mas não vim aqui para conversar com você sobre isso, vim pedir o que você tem.

— Que garantia eu tenho de que você não está me enganando? Como eu posso confiar em você?

— Como pode confiar em mim? Você por acaso parou para pensar que eu posso muito bem revelar ao lixo do meu pai que você filmou tudo?

Hannah visivelmente ficou mais nervosa. Ela até fechou a mão nervosa e esfregou a testa com a outra. Charles, do contrário, permanecia firme encarando-a.

— Eu quero a gravação.

— Como você sabia que eu estava gravando?

— Você jurava que tinha entrado numa família perfeita? É claro que o que você viu acabou a assustando. Hoje em dia é preciso provar as coisas para que acreditem e você fez isso muito bem, certamente porque se algo acontecer você poderia ameaçar o meu pai.

Ela engoliu em seco.

— Achava que ninguém tinha percebido.

— Eu vi quando caí. O vestido de noiva até que serviu bem para esconder o celular.

— Mas então, o que eu ganho em troca?

— A informação mais preciosa que eu tenho sobre meu irmão.

— E como posso saber a verdade?

— Você já sabe a verdade, só não quer acreditar. Então eu posso simplesmente contar tudo a você, posso provar, inclusive, com datas. Você saberá que não estou mentindo.

Hannah ficou muito pensativa, ela olhava para todos os lados temendo estar sendo observada, o coração batia muito forte apenas por medo. Mas ela estava curiosa e muito ansiosa pela verdade.

— Não tenho muito tempo. Vai me passar a gravação ou não?

Ela apenas aceitou.

— Me envie agora. — Charles pôs o celular dele na mesa.

Hannah mexia no aparelho dela e rapidamente enviou o vídeo da agressão que Charles sofreu do pai. A gravação tinha início no momento em que Charles falou sobre Calvin ser um garoto de programa, exato momento em que Lorenzo perdeu a cabeça de uma vez e terminava quando ele foi expulso.

— Obrigado. — ele se levantou.

— Ei, você disse que me contaria a verdade sobre seu irmão.

— E vou contar, mas só não disse quando. Mas uma hora você vai saber. Por hoje, eu preciso só desse vídeo. Se eu te contar o que sei agora, com certeza vou por meu plano abaixo.

— Charles! — ela elevou o tom de voz.

— Uma hora você saberá a verdade.

— Algum problema? — o segurança se aproximou na mesma hora.

— Nenhum. — Charles respondeu. — Essa senhora apenas está um pouco desequilibrada.

Deixando-a sozinha, Charles saiu da cafeteria e retornou ao carro. Joshua ainda estava sentado no banco do motorista, com as duas mãos no volante. O ruivo jurou que ele iria demorar mais, mas acabou sendo rápido como o moreno havia dito.

— Podemos voltar. Obrigado por me trazer até aqui.

Joshua apenas deu partida no carro e saiu.

[...]

Por duas horas Colin fingiu dormir. Ele pelo menos tentou, mas não conseguia. Mesmo que seu corpo estivesse ansiando por uma boa noite de sono, a mente inquieta o impedia de ter esse conforto.

Ele sabia o que exatamente estava faltando.

Mas admitir isso era ir contra tudo o que pensava, porque o que Colin precisava naquele momento não era de remédio para dormir, mas sim do abraço do garoto que mais amou nessa vida: Sean Ferazza.

Não se sentia bem, estava arrependido. Depois de tudo o que ouviu do William, depois de ter conversado com sua mãe, se sentia completamente estúpido por ter gritado com Sean, o culpando de algo que ele realmente não tinha culpa. Entendia.

O pequeno se sentou na cama e ficou olhando para o vazio, sendo mais representado pelo escuro no canto do quarto. Colin apenas ouvia a respiração baixinha do loiro que dormia na cama de baixo. William simplesmente resolveu não sair do seu lado. Embora Colin quisesse sua presença, ela não era exatamente suficiente para dar o real conforto que precisava naquele instante.

O visor do seu celular acendeu sozinho, isso significava que ele acabava de receber uma mensagem. Era 1:36am quando ele olhou a hora da mensagem, sendo do Patrick que mandou a seguinte frase: “Nós estamos com você.”

Colin não respondeu, mas agradeceu mentalmente a mensagem. Ele permaneceu sentado, olhando para o celular com os olhos fixos na tela já apagada. A razão do Colin dizia para não fazer o que queria, mas o coração tinha desejos contrários. Ele lutava internamente para não fazer algo que fosse se arrepender mais tarde.

O término era recente, então esquecê-lo era praticamente impossível. Esquecer que por diversas vezes Sean foi seu conforto nas noites de insônia e tristeza. Era sempre o Sean que estava lá para acalmá-lo e aceitar as suas lágrimas em seu peito.

Colin, devagar, saiu da sua cama sem acordar o William, abriu a porta do seu quarto muito devagar, justamente porque ela era barulhenta, foi até a saída e, mesmo correndo perigo de algum desconhecido passar e fazer maldade, Colin sentia mais segurança fazendo aquilo ali do que na Quadra.

O celular já estava em seu ouvido e, no primeiro toque de chamada, ele ouviu a voz grossa do seu ex-namorado:

— Estou aqui.

Colin parecia estar cometendo um crime, algo indevido, proibido por lei. Suas mãos tremiam e ele olhava para todos os lados como se estivesse sendo observado, flagrado. Mas a rua estava em completo silêncio, sendo possível apenas ouvir alguns miados de gatos que brigavam distante dali.

— Colin? — a outra voz, inquieta com o silêncio, o chamou.

— Vem me buscar. — sussurrou.

Colin só precisou olhar para o visor do seu celular e ver que o próprio moreno finalizou a chamada.

Com um samba canção azul marinho e uma camisa regata branca, descalço, Colin esperava o moreno em frente à sua casa, sentado no concreto que tinha próximo à porta.

Não tão distante dali, Sean, de bermuda, se levantou da cama, apanhou a camisa na cabeceira, calçou os pés, apanhou as chaves e saiu sem se preocupar em fazer barulho, mas ainda assim Octavio dormia como pedra.

O moreno saiu da pousada e foi direto ao seu carro, ligando-o e pisando no acelerador. Se ele se importava em estar sendo imprudente? Não. Sean não se importava com nada.

Enquanto dirigia, finalmente um sorriso no canto do rosto se formou. A pessoa que ele tanto amava finalmente o havia procurado. Isso era o decreto de que Colin não o havia esquecido. E para um moreno que estava, atualmente, com o coração desolado, isso trazia uma espécie de paz que ele não conseguia descrever.

Quando chegou na rua do Colin, ele diminuiu os faróis e a velocidade, aproximando-se devagar da casa do leonino, que se levantou assim que o carro estacionou. Sean não precisou sair do carro, apenas Colin precisou dar a volta no automóvel e entrar.

Ao entrar, Colin não o olhou, apenas usou o cinto e olhou para frente.

— Pensei que...

— Sean. — o leonino o interrompeu. — Só me tire daqui.

O moreno, calado, o olhou, suspirou e apertou o volante. Ele finalmente olhou para frente e deu partida.

Colin não fazia ideia do lugar para onde estava indo ou se exatamente estava indo a algum lugar, talvez Sean ficasse apenas dirigindo sem rumo. O pequeno então tomou coragem para iniciar uma conversa:

— Achei que você não atenderia.

Sean o olhou, desligando-se da estrada, mas rapidamente retornou seus olhos a ela.

— Eu não estava conseguindo dormir. — revelou o moreno.

— Eu também não. — disse baixinho.

Sean fez uma breve pausa, mas soltou:

— Estava pensando em você.

Colin, constrangido, olhou para as próprias mãos.

— O chato do William não estava deixando você dormir? — Sean questionou sabendo que ele provavelmente ficaria em silêncio.

— Na verdade, ele foi o primeiro a dormir.

— Octavio também.

— Inveja é o que estou sentindo nesse momento. — falou o pequeno encostando a cabeça na janela.

— Rotina médica, eles já estão acostumados.

— Sean. — Colin falou.

O moreno o olhou.

— Me desculpa pelo que fiz mais cedo.

Sean suspirou.

— Está tudo bem. Eu me coloquei no seu lugar.

— E obrigado por ter ligado para o William.

— Fiz o que eu achava ser o correto.

Quando se deu conta, Colin observou que estava em uma das saídas de Aroma. No entanto, quando passou pela placa que tinha escrito “Obrigado por visitar Aroma”, Sean fez uma curva brusca que o pneu fez barulho na pista e, arrancando alguns arbusto, ele começou a subir.

Colin estranhou, primeiro, porque Sean tinha o maior cuidado com o carro e fazer aquilo enfiando-se entre arbusto significava que ele poderia arranhar o automóvel. Segundo era o fato dele não estar indo de encontro as árvores espalhadas, sabendo exatamente quais curvas fazer e, por fim, o carro parecia estar subindo uma ladeira.

O leonino não fez questionamentos, apenas queria saber em onde isso daria. Mas não demorou mais que dez minutos e o carro do moreno parou.

A primeira imagem já fascinava.

Colin parecia estar há um passo do céu bastante estrelado. Essa era a vantagem de pertencer uma cidade pequena, o céu sempre era mais belo, muito diferente das grandes cidades cheias de luzes.

Mas quando se inclinou um pouco, Colin pôde perceber que o carro do moreno estava basicamente na ponta do penhasco, mas na verdade eles estavam num dos pontos altos de Aroma, vendo a maravilhosa e pequena cidade e suas poucas luzes de estabelecimentos ainda abertos, placas neon e janelas com lâmpadas acesas.

Colin abriu a porta do carro e saiu. O vento chicoteou seu rosto, mas ele não se deixou intimidar. Caminhou um pouco até a beirada e contemplou a beleza que Aroma era durante a noite.

— O cheiro aqui do alto parece mais agradável. — Sean falou ao chegar ao seu lado.

— É linda. — disse o pequeno com os olhos vidrados. — Estou tentando encontrar minha casa.

— Ela fica do outro lado da cidade.

— Encontrei! — ele apontou.

Sean se esforçou para enxergar, mas estava tão distante, embora realmente fosse ela se observasse as ruas ao redor.

— Como você descobriu isso aqui?

— Quando estávamos na cachoeira no dia em que William, Octavio, Danion e Caine estavam aqui. Eu vi esse lugar e vim aqui uma vez, mas não no meu carro.

— No carro de quem você veio?

— Na moto do Danion.

— Então foi para isso que você roubou as chaves dele àquele dia?

— Sim. — respondeu sem o menor ressentimento.

— Aquele dia vocês quase quebraram minha casa. Mas pensando bem, hoje é engraçado. — Colin sorriu. — Meu pai... — Colin se calou imediatamente.

Ele engoliu em seco, os olhos rapidamente marejaram.

Sean bateu na própria testa e se sentiu estúpido. Sua intenção era fazê-lo esquecer a tristeza por um tempo, mas o assunto acabou entrando no principal personagem que Colin havia perdido.

Lentamente, a mão do moreno repousou sobre o ombro esquerdo dele.

— Tudo bem, eu não vou chorar. — firme, disse o leonino. — Chega de sofrimento.

— Eu posso pelo menos falar algo para você?

O pequeno o olhou, Sean esperava apenas uma resposta. Quando Colin moveu a cabeça em sinal positivo, Sean iniciou:

— No dia em que eu descobri que meu pai, o Nate, não era meu pai de verdade, e que tudo que eu vivi foi basicamente uma história inventada, eu me senti um lixo. Talvez isso não se equipare com a perda de alguém, mas eu senti como se o Nate tivesse morrido, porque eu catava migalhas de atenção que só o William tinha dele. No entanto, o que eu quero te dizer, é que isso passa. Isso realmente passa. E existe pontos importantes para essa superação, no meu caso foi você. Você foi essencial na minha vida para superar todas as dores que eu senti quando a verdade veio a mim, mas diferente de mim, que só tive a você, há muitas pessoas que vão te ajudar nesse processo. Você tem todos os seus amigos leoninos, tem os águias, tem William e tem o Octavio. Então, Colin, se lembre deles quando a tristeza vier tomar conta. Busque forças naqueles que te amam.

Colin não retirou os belos olhos castanhos daquele par de orbes pretas que o encarava, num sussurro ele disse:

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— Obrigado.

Sean só apertou o ombro dele.

Colin refletia em tudo o que ouviu, mas se virou para contemplar a cidade mais uma vez. Rapidamente ele se encolheu quando o frio tomou conta do seu corpo.

Sean, no instinto protetor que tinha, embora separados, o agarrou e o esquentou com seu corpo.

Para Colin, o gesto, embora simplista e aconchegante, causou um certo desconforto ao se lembrar da separação. Mas ele não se afastou, mas se constrangeu.

Colin e Sean ficaram ali, abraçados e de pé por vários minutos, em silêncio, contemplando Aroma.

Cena romântica, mesmo para os ex-namorados.

Colin e Sean naturalmente se amam, isso é registrado e comprovado por quem quer que assista de longe. Tamanho era o amor que do alto daquele lugar, a cidade parecia está sendo abençoada por eles dois.

Passe dias, meses, anos e séculos, seria possível esse amor ser enterrado? Pessoas morrem, sinto muito Joseph, mas o amor desses dois é imortal. E se existisse vida após a morte, as almas de Sean e Colin, seja elas em um novo corpo, do João e da Maria, do Miguel e do Augusto, da Ana e da Laura, independente do sexo, estariam juntas novamente porque a conexão entre eles era e ainda é muito forte.

Pode ser que eles não tenham um final feliz, afinal, as decisões são tomadas pelo ser humano, e eles erram, não existe alguém perfeito. Humanos erram muito. Mas a conexão existe, queira você sim ou não.

— É melhor voltarmos para o carro. — Colin pediu.

Sean acatou ao pedido, mas abriu a porta traseira. Colin entrou no automóvel e se sentou no banco extremamente confortável. Sean deu a volta no carro e também entrou, sentando-se ao lado dele.

Por segundos, como dois desconhecidos, eles não souberam como agir.

Mas a mão do Sean, que estava sobre a própria coxa, foi pega pela mão do Colin, onde os dedos foram entrelaçados.

Colin o encarou, Sean engoliu em seco enquanto o olhava.

Era imã, era forte.

Olhos nos olhos, castanho no negro.

Mas Sean era carne, era fraco, e não resistiu. Sua cabeça, sem seu comando, se moveu devagar, indo de encontro ao rosto do Colin. O leonino permaneceu firme, assistia aquela face se aproximando e aqueles lábios ansiando pelos seus, no entanto, Colin virou o rosto.

— Não significa que voltamos. — sendo sincero, Colin falou.

Sean abaixou a cabeça, suspirou e contraiu os lábios, mas o conforto veio quando a cabeça do pequeno veio ao seu ombro, repousando o corpo também nele, de modo que ficasse confortável.

— Obrigado por atender ao meu chamado. — Colin disse fechando os olhos e soltou um bocejo logo em seguida.

Sean não disse uma palavra, ficou em silêncio, olhando para os seus dedos entrelaçados aos de Colin.

Em paz consigo, o tigre fechou seus olhos e repousou a cabeça no banco.

Quietos, em silêncio, eles finalmente foram abraçados pelo sono. Merecido sono.

Leão e Tigre dormiram juntos e ao mesmo tempo.

[...]

Andrew caminhava devagar em meios as ruas silenciosas de Seattle. Ele saiu do seu bloco sem que alguém tivesse percebido, mas também estava muito nervoso pelo que ia fazer. Marcar um encontro com um desconhecido num aplicativo de pegação era uma alternativa perigosa, mas ainda assim tentadora.

Mas ele é aquele tipo de garoto que vive de adrenalinas.

O local de encontro? Atrás do muro que cerca o Ninho.

Ele chegou ao lugar e a pessoa já o aguardava. Para sua sorte, não era ninguém que ele já havia visto por ali. Então as chances de ser reconhecido eram mínimas.

— O que não fazemos por uns beijos? — brincou o novo interesse do Andrew.

Ele era um garoto de pele escura, olhos verdes e cabelos lisos e curtos.

Andrew, sem muito papo, logo o prensou na parede e levou o rosto ao pescoço do garoto.

— Assim, tão rápido, sem nem mesmo uma conversa ou revelar nossos nomes verdadeiros?

— Eu só quero foder e ir embora. — foi o que disse.

E com pressa, ele beijou o garoto.

Estava tão cego e corrompido pelo tesão, que ele não se deu conta de dois flashes de luz. O garoto percebeu, por isso interrompeu o beijo, embora não soubesse ao certo o que tinha acontecido.

— Você não viu isso? — perguntou.

— O quê? Porra, vamos terminar logo isso. — Andrew voltou a beijá-lo.

E sem direito a resposta, o desconhecido se deixou levar pelo beijo.

Andrew, você foi flagrado e nem percebeu.

[...]

Sean estava novamente tomando conta do volante enquanto Colin estava sentado no banco ao lado. Dessa vez, quietos, sem conversa. Mas agradecidos pelo momento que tiveram, por isso não havia desconforto nenhum, só não queriam tocar no assunto. Como Colin mesmo disse: “não significa que voltamos”.

O carro estacionou em frente a casa do leonino, mas ele acabou tendo uma grande surpresa quando viu Patrick parado, em frente a porta.

— Patrick aqui? — Colin questionou.

— Talvez seus amigos queiram saber como você está.

— Por isso o William estava me enchendo de mensagens dizendo que tinha alguém querendo me ver.

— Bem, agora você sabe quem é.

Colin saiu do carro e pisou em sua calçada. Patrick o aguardava com um sorriso no rosto e abriu os braços.

O leonino se aproximou dele e recebeu o abraço forte.

— Nós temos uma surpresa para você.

— Nós?

Patrick guiou Colin para dentro de casa e, ao som do violão tocado por Connor, uma cantoria se iniciou:

In the jungle, the mighty jungle
Na selva, na poderosa selva
The lion sleeps tonight
O leão dorme esta noite
In the jungle the quiet jungle
Na selva, na quieta selva
The lion sleeps tonight
O leão dorme esta noite

Quem lembra do dia em que William foi coroado rei pelos leoninos? Música essa tocada na cozinha dos águias e também que causou o maior tumultuo no hospital quando William estava internado.

Enquanto cantavam, cada leonino se levantava e abraçava Colin que, sem palavras, com os olhos cheios de lágrimas, recebia o abraço e conforto de cada membro de sua república.

Sendo Patrick o primeiro, Marcus veio depois.

— Não desista, nós estamos com você.

Logo em seguida o Julius, bagunçando o cabelo dele:

— Firme sempre!

Calvin, com um sorriso, quase cobriu todo o corpo dele no abraço.

— Estaremos sempre ao seu lado.

Near the village the peaceful village
Perto da aldeia, a pacífica aldeia
The lion sleeps tonight
O leão dorme esta noite
Near the village the quiet village
Perto da aldeia, a quieta aldeia
The lion sleeps tonight
O leão dorme esta noite

Hugh, muito bobalhão, chorando o abraçou:

— Pra cima, Colin!

Lá estava o Pietro, sendo não muito expressivo, mas com muita sinceridade:

— Obrigado por não desistir de mim.

Ian, que era difícil de chorar, sempre muito racional, se emocionou e o abraçou:

— Força, meu amigo.

Caine, mesmo não sendo leonino, estava presente:

— Eu nunca vou te deixar sozinho.

E sem controle algum das suas lágrimas, Colin abaixou a cabeça, parou de andar, levou as duas mãos ao rosto e começou a chorar. Era uma emoção tão grande que ele estava sentindo que não cabia no seu peito.

Oficialmente agora ele sabia o que era ser líder. Era sentir a dor dos seus parceiros, mas também era servir de apoio. E se os membros estavam ali por ele, certamente Colin estava no caminho certo da liderança.

Só queria agradecer ao William por todos os ensinamentos.

Colin então sentiu algo cobrir sua cabeça e, quando retirou as mãos do rosto e abriu os olhos, lá estava Danion, com um sorrisão no rosto, arrumando uma coroa de joias falsas, antes sendo do William, mas agora colocada em sua cabeça.

— Você é rei, porra! — disse o branquelo.

Colin, com os lábios contraídos, se segurando para não berrar, tinha o rosto lavado pelas lágrimas. Sobre os ombros do branquelo, lá estava o William, o aplaudindo, com um sorriso no rosto ao lado do Octavio.

Quando olhou para trás, viu Sean na porta, confortável com um sorriso no canto da boca.

Anita, sentada, festejava ao lado do Samuel e do Connor que não parava de tocar e cantar. Sendo que dessa vez, todos, sem exceção, cantavam juntos, num só coro:

Hush my darling don't fear my Darling
Venha minha querida, não tenha medo minha querida
The lion sleeps tonight
O leão dorme esta noite
Hush my darling don't fear my Darling
Venha minha querida, não tenha medo minha querida
The lion sleeps tonight
O leão dorme esta noite

— AUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII! — e mais uma vez, Luke rouba a cena desafinando como sempre, do mesmo jeito que foi no dia com o William.

— Auimauê, Auimauê, Auimauê... — e Samuel, como também tinha feito àquele dia, não perdeu a chance.

Como é bom ser amado, não é, Colin?

Você não está sozinho, pequeno. Força!

Agora você foi oficialmente coroado o novo rei dos leões.

Notas finais
Obrigado a todos que comentaram no capítulo passado, respondi todos! ♥ Precisei retirar algumas cenas, porque senão ficaria um capítulo muito grande, mas as cenas ficarão para o próximo capítulo. Não deixem de comentar e até o próximo capítulo. Espero encontrar vocês em breve em FDO, o capítulo da nova história está quase finalizado. Beijos!