República de Tigres
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Colin limpava o gramado de sua república naquela manhã de domingo. Passava das dez da manhã e ele já estava acordado. Já adiantava uma de suas funções daquele dia, assim se livrando da louça que se formaria logo mais do almoço, sendo esta função a responsabilidade do Marcus.
Assim que avistou Samuel passando com uma sacola de compras na mão, deixando claro que ele havia voltado de algum mercado da redondeza, o líder dos leões chamou o amigo que imediatamente parou.
— Ganhei dois ingressos pra o cinema amanhã, quer ir comigo? — questionou Colin largando tudo que estava segurando e indo ao encontro dele.
— Eu? — perguntou o loiro franzindo o cenho e em seguida olhando para a república dos tigres.
— Claro, você, meu amigo, oras.
— E o Sean? E o Caine? Sei lá... O Danion?
— Estou chamando você. A última vez que assistimos a um filme foi bem legal e então eu estou novamente te convidando. E assim a gente conversa mais... Tenho muita coisa pra te contar.
— Se é assim, vamos. Preciso te apresentar um lugar ótimo que encontrei, lá tem uns lanches que óh... — ele deu um beijo na ponta dos dedos.
— Ótimo. Fica marcado pra amanhã, às 18h. Tudo bem pra você?
— Saio da aula umas 17h, então tá tudo certo. Eu passo aqui e vamos juntos.
— Amigos até o próximo final de semana. Os times que vão se enfrentar no jogo de basquete ainda não foram divulgados.
Samuel sorriu e balançou a cabeça.
— Samuel.
Aquela voz não era a do Colin, mas uma muito conhecida que ultimamente havia mexido tão negativamente com ele: Luke.
— Samuel, eu preciso falar com você. — Luke disse quando não obteve resposta do loiro.
— Até depois, Colin. Passo aqui mais tarde pra conversarmos. — Samuel acenou e seguiu caminhando.
Luke suspirou, pensou em insultá-lo, mas se conteve. Olhou para o Colin e estralou os dedos, em seguida coçou a sobrancelha e assistiu o loiro entrar na república.
— Esse veadinho tá fazendo muito charminho. — desabafou.
— Ele só precisa de tempo. — Colin aproximando-se, disse.
— Eu tô tentando conversar com ele desde ontem, mas ele só me ignora. Puta que pariu, isso tá me deixando com raiva.
— Espera mais um pouco, se você forçar vai acabar piorando tudo. Só não vou lá agora conversar com ele porque vai parecer meio óbvio que só fui a pedido seu.
— Minha vontade é de dar um soco nele, que merda, ele é muito orgulhoso. — resmungou.
— Você fica fofo assim, sabia? — brincou o pequeno.
Luke sorriu.
— Fico, é? Bom saber...
— Agora voltou a ser o velho garoto estúpido de sempre... — Colin abriu um sorrisão ao encontrar o sorriso de Luke.
Enquanto sorriam e conversavam, do outro lá a porta dos tigres foi aberta, um moreno sem camisa surgiu, caminhou até metade do grama, pôs as mãos no bolso, pendeu um pouco o pescoço pra esquerda e ficou encarando o namorado.
Quando Colin o viu, logo desfez o sorriso e se recompôs. O pequeno nunca deu a mínima pra os ciúmes de manhã, mas o que estava em jogo ali era o fato de Luke e Sean estarem brigados desde a festa de aniversário do Colin, por isso todo cuidado é pouco. Não que isso fosse privar o leonino de conversar com o Luke, jamais, Colin terminaria o namoro, mas nunca se privaria de ter amigos.
— Olha quem tá ali olhando... — Colin disse baixinho para o amigo e logo em seguida soltou um longo suspiro.
— Ele vai tentar me bater de novo? — Luke sorriu e acenou para o moreno.
— Droga, Luke, não provoca! Eu vou lá conversar com ele. Até depois.
Luke continuou acenando para o moreno com um sorriso cínico no rosto, ele realmente era um desgraçado que adorava deixar o líder dos tigres de cabeça quente.
Colin forçou a descer a mão e foi o empurrando, pedindo para que ele fosse logo pra sua república. Logo depois o leonino atravessou a rua e parou de frente pra o namorado.
— Que foi? — perguntou o pequeno.
— Adorei a cena dos pombinhos, o que mais ia sair dali? Um casamento?
— Olha, pra ser sincero, se a aliança fosse daquelas bem caras, eu aceitaria. — retrucou.
— É mesmo?
Como Sean odiava isso no Colin... Odiava mesmo! As pessoas, geralmente, numa discussão de relacionamento, preferem evitar começar uma discussão, quando o outro fala algo, a resposta certamente vem com uma explicação sobre o ocorrido e assim a confusão é apaziguada, mas com Colin era diferente; o leonino simplesmente dava mais e mais motivos para que seu namorado ficasse com raiva.
— Deixa de ser idiota e fala logo o que você quer?
— Nada. Eu não quero nada com você. — falou e deu as costas.
— É de manhã e você já está assim?
— Parece que os papeis se inverteram. — lançou a frase e entrou na república.
Sean teria fechado a porta na cara do namorado se o pequeno não fosse rápido o suficiente e entrasse logo.
— O que você fez pra comer no café da manhã? Sobrou alguma coisa? — perguntou o pequeno olhando fixamente para o namorado.
— Oi, Colin. — Kai, que estava sentado no sofá, disse.
Colin não o tinha visto, por isso se assustou.
— Oi, Kai. Não vi mais você, faz tempo que não aparece mais lá na república e olha que ela nem é tão distante assim.
— Na verdade eu apareci, mas você nunca estava nos dias em que eu ia lá. Hugh já está acordado? — perguntou o mexicano.
— Sim, inclusive está arrumando o quarto.
— Então eu vou lá pra conversar com ele.
Kai se levantou do sofá e saiu, deixando novamente Colin sozinho com Sean. Mas Sean já nem estava mais na sala, ele já estava dobrando a escada em L da sua casa.
— Estou sabendo. — disse o pequeno.
No mesmo instante o coração do moreno congelou, ele até jurou não tê-lo sentido mais ali dentro de seu peito. Sean olhou pra trás e Colin estava parado no meio da escada.
— O que foi? — Colin perguntou suspeitando a expressão séria do namorado.
— O que está sabendo? — Sean, do último degrau da escada, perguntou ao namorado que estava apenas na metade dela, logo onde era feito a dobra.
— Meu pai ligou pra você, não foi? E você acabou contando pra ele da minha burrice ao mostrar pra todo mundo que eu carrego essa maldita pulseira branca. — olhou para o braço. — Até ele riu de mim.
Sean imediatamente sentiu o alívio, mas a preocupação continuou martelando em sua mente. Ele tornou a andar e entrou no quarto, deixando a porta aberta para o namorado entrar.
— Você está bem? — Colin, por conhecer tão bem seu namorado, passou a estranhar o comportamento dele.
— Mais do que o normal. — mentiu tão automaticamente que estranhou.
Colin fechou a porta.
— Hoje é domingo e andei pensando... Poderíamos sair hoje.
Quando ele começava a agir daquele jeito, nunca sendo direto, mas sim discreto em suas ações, expressões e entonações, significava que ele queria transar.
E pensar em transar para Sean era relembrar do dia em que Colin brincou em querer ser ativo, e lembrar também da conversa que teve com Octavio.
“Puta que pariu!” Pensou o moreno.
Já não bastava o problema da suposta gravidez, que não era realmente suposta, Sean preferia acreditar que “aquilo criado dentro dela” não era seu filho, tinha agora que se preocupar, novamente, com essa provável inversão de papéis no ato sexual.
— Não. — disse seco.
Precisava colocar a mente em foco. Não conseguia pensar em nada, absolutamente em mais nada. Por isso se sentou na cama e respirou tão fundo que parecia ter recuperado o fôlego somente naquele instante.
— Então vai se foder. Depois não fique dizendo que eu não quero nada...
— Dá pra você ir embora logo e me deixar sozinho? — Sean estendeu a palma da mão em direção à porta.
Incrédulo, Colin somente o olhou.
— Não me procure hoje. — com raiva, Colin saiu batendo pé de dentro daquele quarto.
Sean se arrependeu de ter agido daquela maneira, mas estava tão perdido e assustado, que não sabia o que fazer para manter um diálogo com o namorado sem que parecesse tão preocupado. Se agisse indiferente seria como todas as outras vezes, mas nem isso ele estava conseguindo fazer.
Deveria ter ido atrás do namorado, mas não tinha sequer um plano para conseguir impedi-lo.
Ficou no impasse de contar ou não contar o que aconteceu horas antes, afinal o que Colin pensaria sobre a gravidez? O moreno tinha medo de perdê-lo, aliás, esse era seu maior medo, pois Colin havia se tornado tão importante para Sean que vê-lo longe lhe doía a alma. Por isso não podia arriscar o relacionamento com a mentira criada por Larah, certo? Nem mesmo ele sabia, infelizmente, Sean não tinha certeza de nada. Mas e se fosse verdade? Embora preferisse acreditar que tudo aquilo era só mais uma mentira criada pela garota. Mas que mais o incomodava desde aquele dia, era o fato de não se lembrar de absolutamente nada, e a maneira como Larah narrava aquela história era tão real, e ela parecia tão convicta daquilo, que só mexia ainda mais com a mente de Sean.
O moreno estava num dilema contar ao Colin era o mesmo que esperar não haver uma tempestade no oceano depois da calmaria, pois era óbvio o que o pequeno faria depois de saber daquilo, mas em contrapartida não contar a ele, só iria tornar a situação ainda mais catastrófica.
O pior de tudo era que Sean conhecia seu namorado, e sabia que Colin era tão neurótico que se descobrisse mais tarde por outra pessoa, ele iria dizer que a cena que acabará de acontecer agora no quarto só se dera porque Sean sabia de tudo e não tivera a coragem de lhe contar. E a partir disso ele faria de tudo para descobrir os mínimos detalhes daquela história e acabaria criando situações que nem mesmo existiram.
Pensou em ligar para Octavio, mas sabia que ele contava tudo para o William, o que provavelmente acabaria chegando aos ouvidos de Colin. Isso o fez refletir se Octavio já não tinha contado para Will a conversa que tiveram sobre ele deixar Colin ser ativo. Infelizmente Sean não tinha mais nenhum amigo senão Octavio ou o próprio namorado para desabafar. Mas Sean se esquecerá do detalhe que Octavio nunca denunciou a Will a relação que Sean e Colin tinham, pondo em risco assim o seu próprio relacionamento.
Por ora, Sean não iria falar nada a ninguém, achava melhor manter a paz em seu relacionamento a ter que viver com as discussões que o assunto geraria. Colin é extremamente desconfiado e se a notícia da gravidez chegar aos seus ouvidos, ele nunca mais tiraria aquilo da cabeça. Era melhor guardar a conversa para si e não comentar com absolutamente ninguém.
Sean ficou de pé e foi até à janela, era bem óbvio que teria que ir atrás do namorado, mesmo tendo dito que queria ficar sozinho e que não queria sair, se ele teria dor de cabeça? Sim é claro que teria mas ele precisava fazer isso.
Se Colin queria sair então iriam sair, mesmo que ele já conseguisse ouvir frases como: “Eu não vou mais sair”, “Vai pro inferno” e “Filho da puta, me deixa em paz”, ecoando em sua mente, ele teria que persistir até convencê-lo. E como sabe que Colin quer sexo, ir sem camisa pode facilitar, roubar-lhe um beijo também, mesmo que isso lhe custe um bom tapa na cara se Colin se irritar mais ainda.
E Sean partiu atrás dele.
[...]
Brandon estava pensativo. Muito pensativo. Já fazia algumas horas que ele não parava de pensar na mesma coisa. E o que seria essa coisa? Isso mesmo! Esse problema tem nome e sobrenome: Kai Castillo.
Ver seu primo Sean na cozinha o fez tomar coragem de sair do seu lugar e ir até o moreno para que, pelo menos, pudesse receber dele alguns conselhos. Já sabia muito bem como era a personalidade do seu líder, já tinha até na mente as respostas grosseiras que Sean provavelmente daria. No entanto, com ele, seria mais fácil de conversar do que com Charles, que possuía a mente muito mais fechada.
— Sean. — disse o loiro como se não quisesse nada ao se aproximar do balcão e se sentar.
Sean estava comendo um pedaço de torta de morango que ele mesmo havia feito, proibindo que qualquer um tocasse com a colher. Isso era até mesmo considerado regra absoluta, e aí do infeliz que quebrasse essa regra, pois seria expulso na mesma hora
— Não dou. — em todo o seu egoísmo o moreno respondeu.
— Não, não é isso que eu quero. — disse sem graça. — Eu só queria tirar uma dúvida com você.
O moreno lambeu a colher pequena que usava para saborear a torta e olhou para o primo. Sabia que ele era idiota demais e provavelmente faria perguntas tão idiotas quanto.
Sean já não estava no seu melhor humor, principalmente depois ter brigado com Colin, numa tentativa frustrada de tentar conversar com o leonino depois de expulsá-lo de seu quarto pela manhã, no entanto iria tentar mais uma vez conversar com ele quando a noite chegasse, fora o fato de Larah aparecer dizendo que estava grávida.
Ao ver que Sean parecia interessado, mesmo sem dizer nada, Brandon continuou:
— Quando você... Quando você e o Colin… Quer dizer, como você sabe que o Colin está querendo... — Só de tentar falar sobre o assunto Brandon começou a ruborizar.
Sean franziu o cenho, estava confuso.
— Quando ele está querendo... — o moreno deu sinal para que ele continuasse.
— Você sabe... É embaraçoso falar assim.
Sean entendeu quando viu as bochechas do seu primo ficarem vermelhas como um pimentão. Sentiu até vontade de sorrir, mas odiava sorrir na frente dos outros, preferia manter a imagem durona que costumava ter.
— Então você e o Kai estão em um impasse pra transar? — foi direto ao ponto.
— É... Não aconteceu nada desde que, bem... Voltamos.
— Mas já aconteceu uma vez. — afirmou.
— Já. — falou com as memórias intactas passando como um filme na sua cabeça. — Só que eu acho que o Kai ficou inseguro desde a última vez por conta do que aconteceu na manhã seguinte.
— Não é de se assustar...
— Mas está tudo bem entre eu e ele, sabe? Eu só não estou aguentando mais... Cara, tá difícil! Você provavelmente deve saber...
E como sabia. Colin amava maltratá-lo dessa forma, se possível Sean transaria todos os dias de sua vida, mas com Colin isso só não acontecia porque o pequeno amava castigá-lo.
— Diz pra ele.
— Assim? Na lata?
— E o que merda você espera? Pra transar com o Colin foi a maior luta da minha vida. — revelou ao primo.
Sean não havia percebido, mas se sentia confortável conversando com ele, da mesma forma que costumava conversar com Octavio antigamente. Por isso Brandon era o único que de alguma forma conseguia se dar bem com o Sean, porque apesar de toda a personalidade difícil do moreno, Brandon sempre esteve lá tentando puxar diálogo, da mesma forma que acontecia na infância, o único a tentar se aproximar de Sean nas reuniões de família era o loiro.
Sean gostava de Brandon, só nunca foi muito apegado a ele, na verdade, nunca foi apegado a ninguém no geral, com exceção do namorado e de Octavio quando eram melhores amigos, mas até com o leonino tem dias em que não suporta olhar pra cara dele.
— Foi? — Brandon perguntou interessado.
Sean deu de ombros, não respondendo.
— E se ele não gostar? — continuou o loiro.
— Você só vai saber tentando. O problema dele você já identificou, agora é tentar fazê-lo voltar a confiar em você.
Pensativo, Brandon mordeu o próprio lábio.
— Você tem razão...
Sean tornou a comer sua torta e achou que já estava livre do primo.
Sean... — mais uma vez Brandon chamou o primo como se não quisesse nada.
— O que é? — respondeu o moreno suspirando.
— Só mais uma pergunta...
— Vai me fazer perder tempo? Para de ficar enrolando e diz logo.
— Você é quem está por cima ou quem está por baixo?
Se Sean estivesse mastigando a torta, provavelmente teria se engasgado. Estava um tanto traumatizado com a ideia de Colin ativo que toda a pergunta a respeito disso o deixava daquela maneira. Era como se o mundo estive conspirando.
— Ativo. Eu sou ativo. — respondeu com rapidez.
— Como não entendo bem isso: Ativo é quem está por cima?
— Sim. Agora dá pra me deixar em paz?
— Alguma vez você já esteve por baixo?
A conversa teve que ser interrompida no instante em que Charles apareceu na cozinha com os cabelos bagunçados e os olhos inchados de quem acabara de acordar, afinal, tinha ido dormir somente de manhã.
— Que merda fez no seu pescoço? — Brandon questionou assustado.
Charles quis dar um tapa na própria cara ao finalmente se lembrar dos chupões que havia em seu pescoço. Se pelo menos tivesse acordado e se olhado no espelho, mas não, ele simplesmente resolveu descer em busca de algo pra beber.
— Não interessa. — disse com rispidez.
Para Charles, Brandon não era o maior problema, mas sim aquele que estava agora o encarando com o olhar negro mais poderoso da Quadra. Charles entendia que Sean, apenas vendo aqueles chupões em seu pescoço, podia desmascará-lo se mostrasse interesse em derrubá-lo.
— Quem foi a garota que fez isso em você? — Brandon brincou sorrindo. — Safadinho...
— Isso não é da sua conta, Brandon. Pode me deixar em paz? — respondeu ainda mais ríspido.
— Você não deveria estar feliz? — sorriu brincalhão.
— Enquanto você estiver sujando o nome da família com aquele garoto eu não te devo satisfação.
Brandon nunca contou ao Charles sobre ele agora estar namorando com Kai, tinha realmente medo do que ele pudesse fazer, mas sua aproximação com o mexicano estava ficando cada vez mais explícita e Charles não era burro pra perceber que aquilo era mais do que amizade.
O loiro engoliu em seco, temeroso, não deu continuidade à conversa por medo do que Charles poderia fazer. E tinha tanto medo que o melhor a se fazer era fugir do assunto, pois se fosse revelado ao Charles, não sabia o que fazer a não ser pedir para que não contasse a família, pelo menos não enquanto ele não estiver preparado.
— Eu vou subir. — disse o loiro imediatamente se retirando.
Charles soltou um longo bocejo e passou por Sean, foi até a geladeira a abriu, mas acabou não gostando de nada do que havia encontrado. Acreditava que já estava na hora de reabastecer a geladeira, por isso apenas encheu um copo com água e matou sua sede.
— Vai tentar fingir que eu não estou vendo esses chupões? — provocou Sean.
— Talvez porque você realmente seja insignificante pra mim.
Charles sentou-se próximo ao balcão, pegou uma banana entre as frutas ali próxima e descascou na frente do seu primo, no entanto continuava a fingir que ele não estava ali. Um movimento descuidado fez Charles soltar um baixo gemido de dor, afinal, ele ainda se sentia destruído.
Sean soltou um sorriso de lado e permaneceu comendo em silêncio.
— Do que está rindo, idiota?
— Da mentira que você está tentando sustentar. — o primeiro tiro.
Era por isso que Charles odiava o seu primo, ele sempre parecia estar um passo à frente de tudo, nunca ficava pra trás.
— Eu não sou a vergonha da família, eu não sou a desonra dos Ferazzas.
— Sempre as mesmas palavras. — disse o moreno se levantando, levando seu prato à pia e começando a lavá-lo.
— Você se acha, não é Sean? — disse o mais novo acertando a casca de banana no lixo. — Pensa que consegue calar todo mundo com essa moral de bosta que acha que tem. Você enfraquece o nome dos Ferazzas nesse lugar e isso é um fato que não se pode contestar e por estar sozinho nesse fracasso você tenta levar o Brandon contigo.
— Pelo menos eu posso beijar um homem e foder com ele sem me martirizar por isso. — o segundo tiro.
Charles estava começando a se encher de raiva, sua sobrancelha franziu enquanto ele fuzilou o primo. Mas agora ele não ia deixar barato, ia mostrar que também estava um passo à frente.
— Qual será a reação do seu filho ao crescer sabendo que o pai é gay? — o terceiro tiro.
Sean desligou a torneira, olhou para pia vazia na sua frente e temeu o que Charles poderia dizer a seguir.
—Pena que seu namorado não vai ficar feliz com essa notícia, é uma pena, iria ser uma família linda, uma pena que o filho é fruto de uma traição. Da mesma forma que seu pai Nate, traiu a sua mãe. Seria essa a família perfeita? Parabéns, papai. — o último tiro.
Charles não sabia ainda da história de Joe, Suzana não foi desmascara pra toda sua família, por isso ainda acreditavam que Sean era filho de Nate, mas ainda assim o que ouviu de Charles foi pesado o suficiente para deixá-lo sem uma resposta.
Desorientado, Sean avançou pra cima de Charles e se preparou para socá-lo. Charles não demonstrou medo.
— Me bate Sean, me bate ou eu vou agora mesmo dizer ao seu namorado o que ouvi hoje pela manhã… A escolha é sua priminho
— Você anda mexendo com a pessoa errada.
— Eu sempre fui superior a você em tudo e mais uma vez estou aqui provando isso. — ele sorriu vitorioso — O que você escolhe? Me bater e ter seu segredo revelado ou me deixar em paz e ter o segredo mantido comigo?
Sean permaneceu alguns segundos o encarando, mas não tinha outra alternativa, saiu da cozinha com bastante raiva, subindo diretamente para seu quarto e batendo a porta tão forte que as paredes da República tremeram.
Charles permaneceu em seu lugar quieto e ainda sorrindo. No meio daquela sauva de tiros, venceu o que tinha a arma mais forte.
[...]
Seis dias se passaram. Seis dias sem paz, sem sossego. Os ataques as pulseiras foram tão pesados que algumas pessoas fizeram reclamações dizendo que saíram machucadas, mas ainda assim o jogo precisava continuar.
Colin continuava com sua pulseira, ainda não sofrera nenhum ataque, isso porque realmente seguiu a risca de andar acompanhado com os colegas e na universidade marcava com alguém pra voltar. Já sua relação com Sean não estava a das melhores, eles ainda estavam brigados. Ou seja, por mais que Sean insistisse, Colin demonstrava não estar interessado. Eles continuavam se falando, mas algo tão superficial que chegava a ser estranho para quem observava de longe.
Cada um dormia em sua república, nenhum beijo, nem segundas intenções. Colin realmente estava um gelo. No máximo eles conversavam o necessário apenas para mostrar que estavam vivos, coisas do cotidiano, informações sobre o que iriam fazer, algumas caronas em silêncio. Apenas, sequer tivera beijo de despedida.
Isso estava acontecendo até o grande dia do jogo de basquete.
As arquibancadas já estavam volumosas, um público que não se limitava a ter apenas moradores da Quadra, mas dos jovens das redondezas que tinha conhecimento daquele grande evento de universitários exclusivamente residentes daquele lugar.
A maior agitação veio logo após o anúncio dos times que se enfrentariam nos jogos que procederia da manhã até o final da noite de sábado. Cada time iria enfrentar dois adversários em horários diferentes. Rolou murmúrios de que o fato dos Tigres enfrentarem os Leões e os Águias foi uma jogada e tanto para apimentar ainda mais a tensão que existia entre essas repúblicas.
O quadro de jogos ficou da seguinte forma:
Manhã:
09:30 Deuses vs Monstros
10:30 Águias vs Tigres
Tarde:
14:30 Leões vs Monstros
15:30 Deuses vs Fantasmas
Noite:
19:30 Águias vs Fantasmas
20:30 Leões vs Tigres
A ansiedade dos torcedores era ainda maior depois que souberam que Leões e Tigres se enfrentariam. Mais uma vez fazendo Colin e Sean entrarem nas rodas de fofocas, afinal, ambos eram líderes das duas repúblicas que carregam uma rivalidade histórica, mesmo com o romance entre eles.
Obviamente ninguém dava chances a Colin quando se tratava de vitória, no máximo diriam que se os Leões ganhassem seria por causa do restante do time, afinal algumas pessoas já viram Colin jogando anos atrás, ainda quando os jogos foram cancelados e Sebastian sugeriu que ainda assim eles realizassem uma partida de basquete, e essas lembranças não eram nada positivas. A lembrança que tinham era de Sean humilhando Colin a cada jogada.
O primeiro jogo já estava próximo do fim, em breve Águias e Tigres iriam se enfrentar, não deixando de ser um jogo esperado, a propósito, era o segundo jogo que mais desejavam que acontecesse.
Luke estava sentado na sala de concentração apenas ouvindo os gritos do público que vinham das arquibancadas. Não sabia como estava o jogo, mas recorda-se de terem avisado que os Monstros estavam perdendo.
— Não sei como são os outros jogadores, mas o Sean é absurdamente forte e habilidoso no basquete. — Caine comentou.
— E você não confia em mim?
Caine somente sorriu. Ele confiava sim, estava também confiante na vitória, mas seria melhor se Luke e Samuel estivessem melhores. Eles treinaram no decorrer da semana, mas o loiro e o moreno estavam em desarmonia. Samuel sequer passava a bola para Luke quando o garoto pedia, fazendo jogadas isoladas e nada participativas.
Talvez isso fosse até bom, se ele fosse capaz de manter essa garra e marcar pontos em sequência, mas ainda assim era muito preocupante ao se tratar de Sean, a dupla imbatível de Octavio.
— Só precisam marcar o Sean e não deixá-lo tocar na bola.
— Eu não estou confiando em mim. Vocês deveriam ter colocado outro em meu lugar. — Edgar, nervoso, comentou.
— Você é rápido, Edgar. E você já jogou basquete com os grandões daquela época. — Luke tentou passar conforto.
— Mas nem naquele dia eu joguei bem, fora que eu estava no time do Sean, ele quem fazia todas as jogadas, praticamente. — explicou. — Vocês me desculpem desde já pelos erros que irei cometer, está bem?
— Égua, primo! Tu e eu seremos os imbatíveis. — Carter comentou. — ‘Cês me ensinaram a jogar tem poucos dias, ‘cê acha que eu não tô nervoso? Treinei com ‘cês e com o pessoal da escola.
Isso também preocupava Caine, pois apesar do Carter ter aprendido rapidinho a jogar basquete, ele não era tão habilidoso assim, e as vezes ficava inseguro em jogadas e regras do jogo.
— A regra do basquete não diz que só deve haver cinco jogadores jogando? Eu seria o reserva, poxa. — Edgar falou.
— Mas essa regra foi mudada para nós desde muito tempo, Ed. Você vai jogar e pronto! — Luke falou. — Você se esquece que o propósito dos jogos é justamente ver o circo pegar fogo, qual a graça de deixar um de reserva apenas assistindo? Ele tem que participar, sentir a emoção. — Luke falou.
— Eu vou dar uma surra nesses marmanjos! Se vocês estão inseguros, tudo bem, mas eu estou desejando mostrar pra eles quem é que manda no basquete. — Clara, prendendo o cabelo, entrou na conversa.
— Nós iremos vencer! — Caine disse.
— Nós iremos vencer com certeza! — repetiu o Luke.
Samuel olhou o moreno por alguns segundos até que Luke correspondeu ao olhar e sorriu, mas logo o loiro desviou seu olhar em sinal de menosprezo mais uma vez. Luke estava começando a odiar aquele tratamento.
Não demorou muito para que primeiro jogo tivesse seu fim com a previsível vitória dos Deuses contra os Monstros. A propósito, Deuses era o time que Dimitri, rival de Charles, fazia parte.
O intervalo entre os jogos passou tão rápido para Edgar, que queria mais tempo para pensar em desistir. Ele estava mais nervoso porque no meio daquela arquibancada estava Joshua, observando-o. Não queria passar vergonha, obviamente, queria de alguma forma ser bom em esportes, por mais que dissessem que ele não era ruim no basquete, mas ele não se sentia tão bom quanto os demais.
Colin e Danion estavam na arquibancada, já que seu jogo só ocorreria a tarde e eles tinham esse momento para avaliar o primeiro jogo dos Tigres e assim pensar em alguma estratégia de combate.
— Se aqueles otários machucarem o Caine eu vou invadir aquele jogo. — Danion, nervoso pelo namorado, falou roendo todas as unhas da mão esqyerda
— Eu irei com você. — Colin, da mesma forma, concordou com o branquelo. — Mas vem cá, você acha que os Águias tem chance de vencer?
— Não. — admitiu o branquelo.
— Seu namorado está lá e você não acredita nele?
— Vamos lá, Colin... É a realidade. Os águias nos jogos não são nada sem o Sebastian.
— Vou contar isso ao Caine. — falou com raiva. — Meu amigo não merece um namorado como você. Além disso, você nunca ia admitir o que disse na frente do Sebastian.
Mas Danion no fundo estava com esperança, no entanto ele estava mais preocupado com a saúde física do seu namorado, que ia jogar contra brutamontes como o Sean. Torcia sim pela vitória dos águias, mas odiava ter que aceitar que os Tigres era um time muito forte.
— Infelizmente os Leões tem você, mas ainda bem que temos o Calvin, Julius, Marcus e eu.
— Você é mais fraco que eu, cala a boca! E você odeia o Calvin, só porque sabe que ele é bom de basquete e muito forte fisicamente, está começando a confiar nele? Interesseiro!
— Só vou amá-lo de verdade quando ele começar a marcar cestas sem parar. — disse o branquelo sem desviar os olhos, vendo que Colin parecia tão nervoso quanto ele.
Quando foi anunciado o jogo, os jogadores já precisavam ir à quadra de basquete. Tanto os Tigres, quanto os Águias foram ovacionados pelo público. As arquibancadas tremiam de tanto que o pessoal pulava e gritava ao mesmo tempo.
Colin não conseguiu retirar os olhos de seu namorado. Era uma tentação vê-lo sem camisa, a tatuagem de tigre destacando-se em suas costas, com todos aqueles músculos amostras arrancando suspiros de quem vivia a paquerá-lo, pois foi escolha do time jogar apenas usando shorts pretos, a cor oficial do time.
— Quem é aquele?
Colin ouviu uma garota perguntar e consequentemente olhou pra trás pra saber quem era. Ele não a conhecia, com certeza sabia que ela não era moradora da Quadra Nove, provavelmente fora convidada para assistir aos jogos jogo.
— Sean Ferazza, simplesmente um dos garotos mais gostosos de toda a Quadra. — respondeu a colega.
— Eu acho que estou apaixonada. — respondeu ela sorridente. — Aqui tem muito garoto bonito, estou pensando seriamente em morar aqui depois do que acabei de ver.
— Com licença. — Colin se virou com um sorriso artificial no rosto. — De quem vocês estão falando?
Ao reconhecer o rosto do Colin, a garota que sabia quem era o Sean, ficou branca como papel.
— Sean Ferazza, aquele que tem a tatuagem de um tigre nas costas. — respondeu a desconhecida toda alegre até receber um beliscão e sem entender nada olhou pra colega.
— É meu namorado. — Colin disse com ar de superioridade. — E se não quiserem que eu derrube vocês dessa arquibancada, é melhor parar com essa palhaçada. Muito obrigado pela atenção.
Colin tornou a olhar pra frente e ouviu uma gargalhada abafada do Danion.
Enquanto isso, os águias, trajavam camisetas brancas, embora quando Luke viu os Tigres sem camisa, até pensou em sugerir a mesma coisa, mas sabia que ninguém ia aceitar, diriam que ele só queria exibir o corpo, o que não deixava de ser uma mentira.
— E aí, Sean, pronto pra perder? — debochado, Luke sorriu para o moreno, que quieto, se posicionava no seu lugar.
Sean e Kai fariam a linha de frente, ou seja, o ataque, enquanto Charles e Brandon ficariam no meio alternando com os jogadores do final que estavam na defesa.
Luke e Samuel eram os dois jogadores da linha de frente dos águias, Edgar e Clara ficavam no meio, enquanto Caine e Carter ficavam atrás.
Clara estar jogando gerou alguns murmúrios quando disseram que ela estava em desvantagem, mas a garota fez o maior escândalo dizendo que iria jogar e não iria abaixar a cabeça pra homem nenhum, iria jogar como uma forte competidora, independente do sexo.
— Bem, vocês conhecem as regras. — disse o árbitro segurando a bola. — Querem dizer alguma coisa antes do jogo começar?
— Quem ganhar come o Colin. — Luke sorriu e piscou para o Sean.
Sean se segurou, fechou o punho e respirou de maneira regular para não estourar a paciência.
Samuel revirou os olhos. Luke muitas vezes extrapolava o limite da provocação.
— Se eu socá-lo ainda tenho o direito de participar? — questionou o líder dos Tigres ao árbitro.
— Calma, calma, garotos... É melhor começarmos!
O árbitro se posicionou, olhou para ambos os garotos que disputariam o salto, jogou a bola pra cima e correu se afastando o máximo para não se machucar.
Aos olhos de quem estava na arquibancada, Luke e Sean saltaram ao mesmo tempo, no entanto o primeiro a alcançar a bola foi o tigre, que a apanhou e imediatamente passou para Kai, que vendo a passagem aberta, ultrapassou Samuel, mas acabou tendo a bola tomada por Clara, mandou um “chupa essa” para o mexicano e seguiu atravessando a Quadra.
Quando a loira sentiu que ia ter sua bola roubada, ela logo passou para Luke que estava aguardando para recebê-la, saltando logo em seguida, mas sendo impedido por Brandon, que tomou aquela bola com tanto orgulho, especialmente quando viu a cara de frustração do moreno ao perceber que a bola havia sido tomada.
Brandon correu quicando a bola no chão pela lateral da Quadra, em seguida sentiu dificuldades de passar pela barreira formada por Samuel, por isso passou a bola para Sean, que somente saltou do lugar que estava e acertou direto na cesta, marcando assim, de primeira, uma certa de três pontos, arrancando gritos das arquibancadas.
Sean olhou para aquele amontoado de pessoa buscando encontrar o seu namorado, mas não sabia onde ele estava, queria pelo menos provocá-lo com aquela cesta marcada.
Não deu tempo pra descanso e a bola já estava novamente rolando em campo, Luke, com a bola na mão, passou para Samuel e correu para próximo da cesta, na tentativa de receber a bola novamente e assim marcar ponto.
— Passa pra mim! — gritou Luke quando viu o loiro encurralado por Brandon e Charles.
Samuel não dava ouvidos, olhava pra trás e pra cesta, tentando tomar coragem pra arremessar dali, mas por tanto que pensou, acabou tendo a bola tomada por Charles, que driblou Clara logo em seguida, passou por Edgar, mas ouviu um grito estridente logo atrás dele:
— Seu desgraçado, volta aqui!
Era clara, já com raiva, após ser driblada com tanta facilidade.
Assustado, Charles deu permissão para que Carter roubasse sua bola, mas o caipira acabou se atrapalhando todo e esqueceu de quicar a bola, assim cometendo uma falta.
O árbitro apitou e mandou Carter passar a bola para o time adversário.
— Égua! — resmungou ele.
Há quem tinha rido daquela falta, mas outros riram sem a intenção de magoar, como foi o caso de Patrick, que escondido entre as pessoas da arquibancada, torcia pelos águias apenas por conta de Carter, mesmo nunca em sua vida admitindo isso pra ele.
Com Charles novamente na posse da bola, o jogo retomou. O tigre passou a bola para Sean e o moreno a devolveu para Kai, que correu atravessando os adversários e conseguindo, com muita violência, acertar a cesta, marcando um ponto.
Preocupado, Caine sorria passando força para os amigos.
A bola voltou a quicar. Clara, com a bola em mãos, driblou Kai e Brandon logo em seguida, na oportunidade em que viu espaço para passar a bola pro Luke, ela assim fez. Luke piscou no momento em que recebeu a bola, correu, driblou as defesas do time adversário e conseguiu acertar a cesta.
Sorridente, Luke olhou pra Clara e mandou-lhe um beijo. Samuel revirou os olhos e correu para retornar ao seu lugar. O jogo permaneceu rolando, dessa vez sendo o ataque dos tigres.
Brandon passou a bola pra Charles, que logo em seguida passou a bola para o Kai que correu para tentar marcar a cesta, mas acabou sendo barrado por Carter, que o encarava e ao mesmo tempo mirava a bola, tentando prever os passos dele.
Kai somente deixou escapar um sorrisinho, fingiu fazer uma ação pra esquerda, mas acabou seguindo para direita, assim atrapalhando o caipira, que foi driblado, mas tamanha empolgação do mexicano o deixou cego, assim ele sentiu a bola escapar de sua mão após ser estapeada por Edgar, que tomou a bola e correu com tanta velocidade, porém após alguns passos ele quase caiu com o susto que tomou quando Sean se colocou em sua frente, impedindo de prosseguir.
O loiro olhou para todos os lados, buscando alguma abertura, mas a cada passo que parecia dar, Sean o seguia lendo seus passos antecipadamente.
“Droga!” pensou o loirinho.
Sean não tinha uma expressão nada simpática, estava só preocupado em roubar a bola. Edgar até tentou prosseguir, mas Sean o deixou desconcentrado e por isso acabou perdendo a bola, assim que o moreno passou como um relâmpago por ele, acabou derrubando-o no chão.
Um “uhhhh” aflito ecoou pela arquibancada, todos com pena de Edgar ao cair no chão.
“Eu já imaginava que não ia conseguir passar por ele.” Frustrado, ele pensou enquanto se levantava e a frustração aumentou ainda mais quando ele apenas olhou pra trás e viu Sean marcando uma cesta de dois pontos.
— São os jogos, Ed. — Caine sorriu encorajando-o.
— Eu sou um lixo nesse jogo, não deveria ter aceitado participar.
— Nós iremos vencer, acredite. A culpa não é sua, agora vamos continuar que o jogo ainda rola.
Caine tocou o ombro do amigo e juntos retornaram aos seus lugares.
A bola já estava sob a posse de Samuel, que mais uma vez não dava ouvidos aos pedidos de Luke, e seguia jogando individualmente, no máximo passando a bola para os outros colegas, mas não para o moreno.
Samuel, impaciente com os gritos de Luke chamando por seu nome, parou fora da linha dos 6,25 metros e saltou, acertando a cesta e marcando mais três pontos ao seu placar, dessa forma, logo nos primeiros minutos de jogo, o placar se aproximou.
O jogo foi seguindo, levantando grito das arquibancadas a cada cesta marcada. E o primeiro tempo finalmente chegou ao fim com um placar de 18 a 11 para os Trigres
Sean mais uma vez procurou o namorado nas arquibancadas enquanto saia da quadra. Ele se sentou no banco que ficava na lateral e bebeu água, em seguida fechou seus olhos para se concentrar na partida seguinte, pois ainda faltavam mais três tempos de dez minutos e a vitória ainda não estava garantida.
— Venceremos. — disse Charles, convicto.
— Você acha que está fácil? — Brandon perguntou.
— Claro! Veja só o nosso placar, é só ficar nos distanciando mais e mais até eles desanimarem. — respondeu o caçula do trio Ferazza.
— Eu vejo que estamos em vantagem por causa do Luke e do Samuel, eles não estão se dando bem em campo.
— E isso não é bom? Garoto burro para de dar palpite, você só está aqui pra vencer. — Charles, revirando os olhos, disse.
— Estou jogando mais que você. Você só serve pra passar a bola.
— Parou, gente! Não podemos brigar aqui, só precisamos vencer. — Brandon interveio.
— Só passem a bola pra mim e venceremos. — Sean disse, enxugando o rosto com uma toalha, fazendo dessa forma, o cabelo formar picos. — Me deixem no 1x1 com o Luke.
— Eu quero muito driblá-lo. — Brandon, com ar de vingança, falou.
— Você não consegue nem se defender dele, quanto mais driblá-lo. — Sean falou enquanto estralava os dedos. — Ele só está com a cabeça fora do lugar, espera só até ele se concentrar 100% no jogo.
Sean falou e ficou de pé logo em seguida.
Eles tiveram que retornar pra quadra, ambos os times se posicionando nos lugares que lhe foram encarregados. Não tardou e a bola já estava rolando com Luke em tua sua desenvoltura marcando uma cesta de um ponto antes mesmo do jogo chegar em um minuto, isso porque ele conseguiu tomar a bola das mãos do Brandon.
— Amou minha jogada? — disse Luke para Brandon assim que passou por ele. — Se não tomar cuidado vai ser disso a pior.
Brandon não ousou falar coisa alguma.
Seguiu-se o jogo com a bola sob a posse dos águias. Carter, após defender uma cesta e agora habituado ao jogo, correu e parou em frente ao Kai, assim teve que passar a bola para o primo Edgar, que logo que tocou na bola, saiu em disparada e um pouco mais a frente passou a bola pro Luke, que não vendo abertura contra as duas defesas dos Tigres, necessitou passar a bola para o Samuel, que já estava esperando.
O loiro tomou a bola em mãos e saltou do lugar que estava e novamente marcou uma cesta de três pontos. Uma coisa precisava admitir: Samuel é bom em pontaria.
“Filho da puta, agora quando peço pra passar a bola ele não dá a mínima” pensou o moreno chateado.
O jogo prosseguiu e o placar estava ainda estava em vantagem para os Tigres com 26 pontos a 19 .
Edgar estava nervoso, porém atento, por isso não queria olhar pra trás ou se preocupar com os gritos da arquibancada, seus olhos mantinham-se na bola que estava na posse dos Tigres, agora, nesse exato momento, com Sean, que corria e driblava os que tentavam parar o moreno.
Confiante, Edgar colocou-se no caminho de Sean, que parou no mesmo instante.
— Vai querer cair de novo? — em toda sua competitividade, mesmo Edgar sendo uma das pessoas que Sean respeitava na Quadra, o moreno não perdia a chance de provocar, afinal, era o jogo.
Isso foi o suficiente para tirar a concentração de Edgar, o que mais tarde, se Sean percebesse, poderia ser uma grande abertura que encontraria nos águias para marcar mais cestas.
Edgar só balançou a cabeça negativamente e ficou atento ao passo que Sean daria. Confiou no tempo passando, pois logo Sean seria penalizado se permanecesse mais alguns segundos com a bola parada.
Sean olhou pra cesta, olhou para Edgar, olhou pra cesta novamente, deu um passo pra frente, girou assim que o loiro tentou tomar a bola estendendo os braços e passou por ele com passos tão fortes que acabou batendo no ombro do garoto e o derrubando no chão.
Logo o árbitro apitou, marcando uma falta naquele momento.
— Está começando a sentir à dificuldade, não é, Sean? — Luke provocou assim que se aproximou dele. — Derrubando até o Edgar.
Mas Sean não tinha feito aquilo de propósito, ele só não imaginava que Edgar iria com tudo de braços abertos, sendo culpa do loiro que tomou uma atitude tão inesperada. Mas o tombo não foi feio e o garoto não havia se machucaco, Edgar também estava ciente de que o erro ali era seum
Pareceu que Sean havia o derrubado de propósito, tanto é que os gritos na arquibancada se intensificaram como se fossem vaias e, por ser uma competição, a arquibancada sabia que os times podiam jogar sujo caso quisessem, dessa forma, os Tigres tinha Sean com toda a sua antiga fama, o que só piorava a imagem que ele criara e gostava de mostrar para o público.
A bola retornou ao jogo quando Edgar, com a bola na mão, passou para o Luke, que já estava realmente explodindo impaciente com tudo que estava acontecendo ali. O moreno foi tão habilidoso que não deu um minuto e ele marcou uma cesta que valia dois pontos.
— Chupa, otário. — caçoou o moreno. — Essa foi por você, Edgar.
Edgar somente sorriu agradecido.
O jogo prosseguiu, finalmente, sem muitos acidentes, apenas algumas faltas com direito a lance livre. O placar dos águias se aproximou naquele instante, ficando então os tigres com 36 e os águias 33.
No terceiro tempo nada foi tão diferente, a rivalidade estava a flor da pele. Sean já estava começando a se sentir mais ameaçado por Luke, claramente ele estava conseguindo segurar o time nas costas, se Samuel estivesse cooperando, provavelmente, os Tigres estariam com grandes dificuldades.
— Porra, passa a bola, caralho! — disse o Luke após ver que o Brandon marcou uma cesta de um ponto.
— Me ignora, seu merda. — disse Samuel, enxugando o rosto de suor.
Luke o fuzilou.
A bola agora estava na posse de Samuel, que driblou com maestria Charles, que mentalmente o insultou após ver que a arquibancada gritou junto ao drible, mas então, logo a frente do loiro, posicionou-se outro loiro.
Brandon, muito atencioso, não retirava sequer um segundo do adversário. Samuel bufou, saltou acreditando que iria acertar a cesta, mas a bola bateu e retornou ao chão, no rebote Charles a pegou, passou para o companheiro de equipe, que logo devolveu para o próprio Charles, que a desgosto passou para o Kai, assim dando liberdade do mexicano mostrar suas habilidades.
O objetivo de Kai naquele momento era driblar Samuel de modo com que a arquibancada gritasse eufórica, já que ele viu quando o loiro havia bufado na cara do Brandon como se fosse fácil demais acertar a cesta dali. O amor tem dessas, faz os outros vingarem o seu parceiro, ainda que por uma coisa boba.
Quando finalmente chegou na barreira que era o Samuel, Kai analisou todos os espaços possíveis para ultrapassá-lo, mas reconhecia que o loiro não era um adversário fácil. Kai então fingiu seguir o caminho da esquerda, assim que viu Samuel fazendo a mesma ação para tomar a bola, o mexicano imediatamente deu um passo para a direita, porém, Samuel, já furioso com o jogo, tomou a bola.
— Previsível demais. — disse o loiro passando por ele.
Samuel avançou e finalmente marcou a cesta de três pontos que havia perdido anteriormente.
— Eu já comi essa bunda! — Luke gritou.
Samuel revirou os olhos e voltou correndo ao seu lugar já que a bola em segundos já estava rolando.
Com a bola na mão de Charles, o tigre deu alguns passos até se ver numa barreira de dois jogadores dos águias: Luke e Samuel.
Na impossibilidade de conseguir avançar, Kai estava sendo marcado pelo Carter e o Brandon estava num local menos favorecido. Nesse momento, só restou passar a bola para o Sean, que não se comunicava com o time, apenas vivia a encarar todos como se estivesse pedindo a bola.
Não tendo alternativa, Charles passou a bola para o primo mais velho. Sean, puto porque os águias dessa vez estavam a um ponto de ultrapassá-lo, especialmente ao ver Samuel marcando várias cestas de três pontos, o que o fez odiar o seu próprio time por dar essa liberdade ao loiro, assim que recebeu a bola, virou-se com tudo, com tanta força bruta, que não tinha visto que logo atrás dele, sendo o único, infelizmente, marcando-o, embora esse não fosse o seu papel, estava o Edgar recebendo todo o impacto daquele corpo enorme.
Na mesma hora Edgar caiu de costas no chão e bateu a cabeça, a dor foi tão forte que ele viu tudo ficar escuro e aos poucos em desfoco, sua cabeça começou a girar. Ele não conseguia raciocinar, apenas se concentrava em alguma forma de amenizar a dor.
Algo quente tocou os seus lábios e quando ele passou a língua sentiu que era sangue. Seu nariz estava sangrando e não era em pequena quantidade.
Toda a arquibancada vaiava Sean por aquilo.
Os águias estavam todos ao redor de Edgar caído, que não conseguia distinguir todas as vozes atropeladas numa provável discussão. Quando finalmente conseguiu recuperar 100% da visão, Edgar viu os vários rostos dos companheiros.
— Não foi por querer. — disse o líder dos tigres, ajoelhado logo a frente dele. — Eu não sabia que você estava atrás de mim.
Edgar não responder, não tinha forças pra isso. Sua cabeça doía e seu nariz sangrava.
— Primo, primo, ‘cê tá bem? — Carter perguntou, afastando Sean e colocando-se à frente de Edgar. — Pega minha camisa.
Edgar aceitou a camisa, mesmo suada, de Carter e pôs no nariz para estancar o sangue.
— Qual o seu problema? — após ver que Edgar estava reagindo, Luke, furioso, perguntou. — Qual o seu problema, Sean?
— Isso tudo é medo porque estamos começando a virar? — Samuel, ainda ajoelhado, dando apoio ao Edgar, falou.
Sean revirou os olhos, não tinha sequer espaço para entrar naquela roda e se desculpar com o Edgar.
— Eu não quero mais jogar. — com a voz fraca e transpassando dor, Edgar falou.
— E nem deve! — Caine falou. — A organização com certeza contratou pessoas da saúde para cuidar de você. Consegue ficar de pé?
— Acho que sim. — disse ele se esforçando.
Mas Edgar parou de se mover, quando um rosto, muito familiar, surgiu entre os demais. Aqueles cabelos vermelhos e um olhar de puro desespero que somente o loiro conseguia entender foi o suficiente, para que de alguma forma, Edgar pudesse ficar mais seguro, precisando do amparo dele.
Todos deram espaço para Joshua.
O ruivo se ajoelhou e ficou ao lado do namorado, em seguida ele procurou o rosto de Sean no meio de todos aqueles ali presentes e quando finalmente o encontrou, por alguns segundos o encarou. O líder dos tigres sabia que aquele olhar significava ameaça, mas novamente não se intimidou, ele, da mesma forma, encarou o ruivo com seus olhos negros e poderosos.
Joshua tomou Edgar nos braços, o que com certeza iria gerar mais conversas a respeito do ruivo. Sem dizer nada, ele afastou-se de todos com o namorado nos braços, Caine até iria seguir, mas foi impedido por Samuel, confiando o cuidado ao ruivo.
— Isso foi golpe sujo, você não sabe jogar sem machucá-lo? Por acaso estava o marcando? — Clara, revoltada, amarrando os cabelos, colocou-se à frente do Sean. — Que porra você tem na cabeça, garoto? Só porque tem toda essa popularidade de merda e essa fama de que da medo em todo mundo? Então vem, bate em mim! — dizia ela estapeando o próprio peito.
Sean nada dizia, permanecia quieto e em silêncio.
— Vai porra, bate em mim! Você não é macho, o fodão da Quadra Nove? — continuava ela, muito, mas muito furiosa. — Colin só pode ser muito estúpido pra namorar um cara feito você. — ela não estava nem aí pra o que dizia. — Eu quero ver o machão agora bater em mim. — ela o empurrou.
Toda a arquibancada gritou eufórica ao ouvir Clara.
A garota, a única garota daquele time, peitava Sean de tamanha forma que chegou a surpreender a todo o seu time.
— Clara, deixa... — Caine, sem conseguir olhar para o Sean, decepcionado, afastou a amiga. — O jogo precisa seguir, Edgar vai receber os devidos cuidados.
— Acha que eu tenho cabeça pra continuar esse jogo sabendo que o Edgar tá lá sangrando? Olha, seu filho da puta — Clara apontou o dedo na cara do Sean. —, você tem muita sorte de que eu não quero eliminar meu time dos jogos, mas caso contrário eu já tinha pulado no seu pescoço, seu arrombado do caralho.
O olhar do Sean dizia tanta coisa... Mesmo com todos os insultos e ameaças, ele não abaixava a cabeça, permaneceu encarando-a.
— Clara, se acalma! — Gale finalmente apareceu, tentando sossegar a irmã.
— Eu não quero ficar calma! — gritou ela. — Eu quero bater nesse filho da puta! Tá mais do que correto toda a Quadra o detestar. Ele é um lixo!
— Não foi proposital. — Brandon tentou defender o primo. — Ele com certeza não sabia que aquele garotinho estava atrás dele.
Brandon encarou o primo e fez com o dedo um sinal negativo, aquilo significava que Brandon não precisava defendê-lo.
— O jogo precisa continuar. — disse o árbitro. — O membro precisa ser substituído.
Caine, não conseguindo organizar os pensamentos, tentava manter a amiga quieta e pensar em alguém reserva.
— Eu também não quero mais jogar, prefiro ficar com o meu primo. — Carter, preocupado e a cada minuto olhando para trás na mesma direção que Joshua desaparecera, disse.
— Fica quieto. — Samuel, estressado, falou. — Você vai jogar e é questão de honra vencer agora.
— O Gale vai substituir o Edgar. — Caine falou.
— O quê?! — assustado, indagou o garoto.
— É o que nós temos pra agora.
— Mas... E-eu não sei jogar basquete tão bem quanto vocês.
— Não importa, você vai jogar e pronto. — Clara, ainda encarando o Sean, disse.
Gale não conseguiu contestar o loiro, teria que jogar pelo bem do seu time.
— Você é um idiota. — disse Clara novamente olhando para o Sean e se afastando.
— É melhor tomar cuidado com o Joshua. — Luke, sério, disse para o moreno.
Todos os águias se afastaram, pediram tempo para conversarem e assim planejar algo já que Gale agora iria substituir o Edgar.
Sean permaneceu quieto. Todo o seu time olhava para ele, perguntando-se como ele havia aguentado tudo aquilo calado e mesmo assim permaneceu sério.
O ódio alimentava o líder dos tigres, ele sempre preferiu assim.
Sean olhou pras arquibancadas, mais uma vez, na tentativa de encontrar seu namorado, e como ironia do destino, por toda a situação já causada, lá estava o pequeno, quieto, sentado, o encarando, sem esboçar reação alguma, da mesma forma que Sean estava diante todos os insultos.
[...]
— Eu sabia que eu jogando não iria dar certo. — Edgar, após ser colocado no banco da sala de concentração, falou ao namorado.
A equipe de saúde já estava toda no lugar, Joshua odiava contato com o sangue do loiro, por isso preferiu afastar-se e deixar com que cuidassem do seu namorado.
Joshua saiu do ginásio, pegou seu carro e dirigiu até à lanchonete. Lá pediu um lanche, o mais saudável possível, embora não tivesse nenhum exatamente saudável, ele preferiu aquele com a maior quantidade de salada.
Ele retornou ao ginásio após dez minutos, Edgar estava respondendo uma série de perguntas em relação a como ele estava se sentindo. Joshua aliviou-se ao perceber que o sangramento havia parado, ficava observando seu namorado e sabia que Edgar estava louco pra conversar com ele, já que o loiro também não parava de olhá-lo, no entanto ele permaneceu quieto enquanto o outro recebia os cuidados médicos.
Após finalmente ser liberado, a equipe retirou-se da sala deixando-os finalmente sozinhos. Joshua aproximou-se, entregou-lhe a embalagem do lanche que havia pedido e não disse nada, apenas pôs os braços nos joelhos, relaxou o corpo, abaixou a cabeça e respirou fundo. Tinha sido um pesadelo ver seu namorado jogando no meio daqueles brutamontes.
— Eu sei no que está pensando. — disse o loiro do seu lado.
Joshua não respondeu. Seu punho se fechou com força e mais uma vez ele respirou fundo.
— Sean não me machucaria propositalmente. — explicou Edgar.
— Não o defenda na minha frente. — pediu friamente.
Edgar sentia a raiva do namorado. Joshua antes mesmo do início da seleção havia pedido para o namorado não participar dos Jogos da Quadra, pois sabia de toda a sujeira que acontecia quando os times queriam vencer, não é anormal ouvir relatos de pessoas saindo com pernas ou braços quebrados, mas ainda assim Edgar disse que participaria pra ajudar seu time. Agora, diante do que aconteceu, seria mais difícil ainda convencê-lo de que os próximos jogos seriam tranquilos.
— Eu te avisei, loirinho, porque você não me escutou? — ele finalmente o olhou nos olhos.
Edgar engoliu em seco, ia ser difícil conversar com ele na atual situação em que o ruivo se encontrava. Como já o conhecia tão bem, deduzia até os pensamentos violento dele.
— Eu só sou um péssimo jogador de basquete, tive muito azar, apenas isso.
— Ele não deveria ter te machucado...
— Ele não fez aquilo de propósito. Eu só estava atrás dele.
— Eu o conheço, loirinho... — ele começou a esfregar as mãos, parecia nervoso.
— Joshua, por favor, não... — suas palavras saíram quase como uma súplica.
Edgar aproximou-se mais dele, sentando bem coladinho à ele, em seguida passou seu braço por debaixo do dele e sua mão deslizou até que seus dedos se entrelaçassaram, ele tentou de alguma forma acalmá-lo.
Gritos preencheram o lugar, Edgar até se assustou, mas compreendeu que aquilo significou que o jogo finalmente havia encerrado. Esperançoso, ele esperou ouvir alguém tomar a voz no microfone e anunciar o time vencedor, mas tudo que ouvia era apenas gritos e mais gritos.
— Tigres! Tigres! Tigres! —logo os mesmos gritos tornaram-se num só coro.
E realmente era aquilo que Edgar estava ouvindo. Os Tigres venceram o jogo com 64 pontos contra 59. Uma frustração total para Clara, que revoltou-se e proferiu todo o tipo de insulto a Sean, tendo que ser segurada por Gale e Carter, pois caso contrário ela ia iniciar uma agressão. Luke também estava puto, especialmente com Samuel, culpando-o mentalmente pela derrota, mas segurando-se ao máximo para não discutir, embora as palavras estivessem já na metade de sua garganta, prontas para serem proferidas. Caine era o único a forçar um sorriso, agradecendo ao time adversário pelo jogo.
— Que pena. — Edgar, também frustrado. — Mas ainda tem outro jogo a noite, quem sabe vencemos, não é mesmo?
Não adiantou dizer nada. A mão que segurava soltou-se da sua com brutalidade e não deu tempo de piscar, Joshua já estava passando pela porta em passos apressados e punhos fechados.
Edgar sabia exatamente o que ele ia fazer.
Sean estava molhando seu rosto com a água da própria garrafa até que sentiu alguém cutucar seu ombro, no segundo em que olhou foi imediatamente atingido com um soco que o fez ver estrelas.
Ninguém, até o instante, havia percebido aquilo.
O moreno logo recebeu uma chave de braço e passou a ser sufocado enquanto sentia o sangue descer de seu nariz, da mesma forma em que Edgar estava antes de sair do jogo. Buscando sair daqueles braços que o sufocava, Sean sentia cada vez mais que ia sucumbir.
Foi naquele momento em que as pessoas então perceberam o que acontecia, surpresos, afastaram-se e formaram um círculo ao redor daquele show.
— Joshua! — Edgar gritou. — Larga ele!
O líder dos tigres conseguiu escapar usando o cotovelo, atingindo a costela de Joshua, mas o ruivo estava fora de si, querendo apenas machucar, o que na vida era seu único objetivo. Por isso ele tentou novamente dar outra chave de braço no moreno, mas Sean não deixou, dando-lhe um soco e fazendo-o recuar.
Joshua estralou o dedo, parecia ranger os dentes e avançou novamente. Ele agarrou Sean pela cintura e o derrubou no chão, mas Sean acabou não ficando por baixo e contornou a situação montando em cima do ruivo, dando-lhe dois socos, um em cada lado do rosto, abrindo naquele instante um corte no supercílio de Joshua.
Estimulado pela próprio dor, Joshua impediu o terceiro soco que iria receber e mordeu o braço do moreno, que gritou de dor e foi derrubado do corpo do ruivo. Com a perna, Joshua chutou Sean e o líder dos tigres foi afastado, rapidamente o mais temido morador do Ninho ficou de pé, segurou o moreno pelos fios negros e com o joelho o acertou a face.
Sean sentiu o sangue espirrar de seu nariz em mais volume do que já sangrava, mas isso não o fez parar a luta. O moreno não iria perder, não pra ele e não mais uma vez na frente de todo mundo como aconteceu na luta contra William.
Com muita fúria, Sean envolveu os braços na perna do ruivo e conseguiu derrubá-lo novamente, assim que Joshua caiu, Sean ficou de pé, olhou ao redor em busca de algo, mas nada encontrou, por isso quando tornou a olhar pro ruivo ele já estava levantando, no entanto o líder dos tigres chutou a face do outro, fazendo o corpo grande do rival pender, em seguida ele usou o mesmo golpe dado com o joelho por Joshua.
O chão, ao redor deles, passou a ficar vermelho pelas gotas de sangue caiam e iam sendo pisadas e espalhadas.
O moreno ficou em posição de defesa, esperando que Joshua não fosse capaz de levantar, mas para sua surpresa o ruivo, mesmo em dores e dificuldade de se manter de pé, acabara de encará-lo enquanto se levantava.
Sean nem conseguia respirar direito por conta do sangramento, fora o fato de estar muito cansado por briga logo após um jogo exaustivo.
Joshua cuspiu no chão sangue misturado a sua saliva.
Brandon e Kai, atrasados, aproximaram-se de Sean, mas o moreno, como sempre, bastou um olhar para se afastar.
Brandon sairia muito mais machucado do que na luta contra o Luke se tentasse alguma coisa contra o ruivo, mas isso realmente só aconteceria se fosse uma luta de um contra um, naquele caso eram três contra um, mas Sean insistia em não ter ninguém participando.
— Saiam! — com os dentes vermelhos pelo sangue, Sean vociferou aos dois.
Brandon, mesmo contra sua vontade, obedeceu. Kai segurou a mão do loiro e o retirou dali.
Edgar não tinha mais voz de tanto que havia gritado, mas não podia se envolver numa luta daquela estando com o corpo todo dolorido.
Ambos ficaram se encarando, Sean sempre passando a mão no nariz e sujando cada vez mais sua mão de sangue enquanto Joshua tinha a face tomada pelo sangue que descia do supercílio.
Quando Joshua tornou a atacar, ele parou de supetão quando uma terceira pessoa entrou no meio deles, tão tomado de raiva em toda sua estatura baixa, com os olhos pegando fogo enquanto encarava-o.
— Eu juro por Deus que vou te matar se você encostar mais um dedo nele. — ameaçou Colin bravamente, com os punhos fechados, rangendo os dentes e os olhos semicerrados.
Ele infelizmente estava a caminho da república quando ouviu falar da briga, mesmo com raiva do namorado, não podia admitir que outra pessoa batesse nele, quem quer que seja, por isso correu o mais rápido que podia para chegar aquela altura, onde seu namorado já estava machucado o suficiente.
Mas quem era Colin perto do Joshua? Mesmo tendo salvado sua vida e a de Caine, não importava o passado naquela ocasião. Queria vingar quem acabará machucando o seu namorado, por isso ignoraria Colin e queria apenas a cabeça do Sean.
Joshua simplesmente deu um passo à frente, Sean puxou o Colin com rapidez e força e se colocou à sua frente.
— Joshua! — o grito de desespero.
O único grito capaz de duas coisas: acalmar ou despertar o monstro que habita em Joshua.
Joshua parou imediatamente e olhou em direção de onde vinha a voz. Edgar estava chorando, com os olhos suplicando que ele acabasse com aquilo tendo mais uma vez um sangramento nasal, afinal, não deu descanso algum e já estava se esforçando.
Era um prato cheio para quem gostava de confusão e filmava tudo aquilo, algo que certamente ia circular por todos os celulares da universidade e até pelo mundo.
O ruivo tornou a encarar Sean, mas a necessidade de cuidar do seu namorado era sempre maior, por isso ele esqueceu a briga e caminhou até o namorado, fazendo as pessoas se afastarem de medo.
Joshua aproximou-se do loiro e quando ia tocar-lhe, parou contra sua própria vontade, odiando-se por estar sangrando.
— Por favor, vamos embora. — murmurou o loiro e deu as costas, implorando para que ele estivesse o seguindo.
Joshua olhou mais uma vez pra se manter seguro e ver se Sean estava no mesmo lugar, eles se encararam por alguns segundos até que o dono dos fios vermelhos passou a seguir seu namorado, desaparecendo entre a multidão e marcando, oficialmente, sua história nos Jogos da Quadra nove, mesmo sem nem participar.
O Jornal da Quadra, se existisse, publicaria muitas matérias sensacionalista a respeito do que aconteceu, era fonte para não acabar mais. Afinal, histórias ali poderiam se confirmar diante daquele show de vilões protegendo os mocinhos.
[...]
Colin abriu a porta de sua república. Não tinha dito nada desde que chegara até ali, guardava a voz e poupava a paciência evitando discutir com o seu namorado. Sean, por sua vez, sem contestar, estava somente o seguiu, passou por ele e o esperou no centro da sala enquanto o pequeno terminava de trancar a porta.
O leonino trancou a porta apenas por precaução, já que por enquanto estava sozinho na república e os outros ainda não chegaram.
Sean assistiu Colin passar em sua frente e continuar em silêncio. O pequeno apenas subiu as escadas e parou em frente a porta do quarto para aguardar o namorado. Sean subiu degrau por degrau sem pressa até finalmente alcançá-lo. O leonino deu passagem e Sean foi o primeiro a entrar no quarto, sentando-se na primeira cadeira que havia visto.
Colin entrou logo em seguida, fechou a porta, retirou sua camisa e começou a mexer no seu armário procurando o seu kit de primeiro socorros.
— Custa falar alguma coisa? — Sean disse.
— O que quer que eu fale? — falou secamente.
— Qualquer coisa. — pediu.
— Qualquer coisa. — Colin então falou o que ele havia pedido. Sean revirou os olhos e balançou a cabeça com desdém.
O moreno ficou de pé e rumou ao banheiro, Colin continuou remexendo em suas coisas, começando a se estressar por não encontrar o seu kit, culpando Danion por provavelmente ter mexido no armário, embora isso realmente não tenha acontecido, Colin apenas havia esquecido onde havia guardado a caixa.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Estressado, Colin acabou derrubando a cadeira que estava ao seu lado e se levantou, foi olhar embaixo da cama e lá a encontrou, recordando-se naquele momento que a tinha usado para cuidar de um machucado no pé.
Ele sabia que Sean estava tomando banho pelo som do chuveiro, por isso saiu do quarto, rumo à cozinha, colheu frutas, bolo e suco e retornou rapidamente ao quarto.
Sean saiu do banheiro dois minutos depois de Colin ter retornado ao quarto. O moreno estava enxugando os cabelos, mas não conseguia muito bem fazer isso, já que seu braço doía pelos socos recebidos na região quando usou o braço para se proteger e também pela marca dos dentes de Joshua.
— Trouxe pra você comer. — disse o pequeno ao apontar para mesa de estudo. — Senta que eu vou cuidar dos seus ferimentos.
— Por que se preocupa comigo se está com raiva? Eu prefiro voltar pra minha república e cuidar de mim mesmo. — disse o moreno ainda de pé, desanimado.
— Então vá embora. — falou o pequeno sem remorso.
Surpreso, Sean conseguiu perceber naquele instante a dimensão da raiva que Colin estava sentindo. Por isso passou a sentir medo, Colin parecia ter acumulado essa raiva por todo o tempo em que estavam brigados.
— Será que podíamos conversar? — perguntou o moreno, apreensivo.
Colin não disse nada, apenas recolheu a caixa e a guardou no armário, em seguida começou a abrir as cortinas do quarto para dar passagem a luz do sol.
— Colin, poderia prestar atenção em mim? — pediu o moreno.
Virando-se e parando onde estava, mas encarando-o, Colin se prontificou a dar a preciosa atenção que seu namorado havia pedido cruzando os braços.
— Você sabe que eu não machuquei o Edgar por vontade própria, não sabe?
De onde Colin estava, na arquibancada, ele apenas conseguiu ver um jogo pesado de brutamontes e tudo ali dentro era válido para a vitória, mas seria capaz mesmo de acreditar no que o namorado estava dizendo? O coração sentia que era errado duvidar dele, por isso acreditava mais em suas palavras do que em seus próprios olhos.
— Por favor, diga que acredita em mim. — Sean precisava ouvir isso pelo menos dele.
O moreno não queria que a única e última pessoa no mundo não acreditasse nele. Sean não dava a mínima para os demais, poderiam falar o que quisessem, colocar toda a culpa nele, mas seu namorado não. Colin não podia duvidar dele, não podia acreditar que ele havia levado o jogo tão a sério, na verdade, de fato, levou, mas não ao ponto de machucar Edgar propositalmente.
— Eu posso acreditar Sean, mas apenas eu. — lastimou-se.
— É só de você que eu preciso.
Colin sabia que Sean estava escondendo algo há dias, por um momento considerou ser coisa da sua cabeça, mas depois que discutiram e ficaram nessa relação distanciada, era perceptível que seu namorado parecia carregar um fardo, algo pesado e sozinho nas costas, no entanto preferindo não compartilhar. E por mais que isso irritasse Colin profundamente, pois ele odiava ficar sem saber o que estava acontecendo, o leonino optou por deixá-lo livre, na escolha de contar ou não, mas a depender do que era, se Colin descobrisse, sua reação poderia ser das mais leves às mais drásticas.
— Você sabe como foi horrível eu ter ouvir a Clara te humilhando na frente de todo mundo? Ouvir os insultos e vaias das pessoas que estavam próximas e eu simplesmente não podendo fazer nada?
— Você acha que eu estava me importando?
— Você pode não se importar, mas eu... — Colin pausou, respirou fundo e tentou se manter na linha, calmo. — Mas eu me importo com a forma que as pessoas te tratam.
— Eu prefiro que elas me odeiem. O ódio os afasta de mim, o ódio me torna temido. Eles me respeitam.
— E se eu te odiasse?
— Eu não sobreviveria.
Colin foi abraçado só por aquelas palavras, mas ainda assim não foi o suficiente para acalmá-lo. O pequeno apenas ficou sem ter alguma resposta, por isso se virou e começou a olhar a movimentação das ruas tomadas pelo tanto de gente que voltava do ginásio.
— Isso é tão errado. Eu era um em um milhão se comparado ao número de pessoas que tinha naquele lugar, ou seja, eu seria incapaz de silenciar todas aquelas vozes por você. E sabe o que é o pior? Você pediu por isso, você sequer usou a voz para se defender.
— Do que iria adiantar se toda a Quadra tem uma opinião formada sobre mim?
— Não importa, Sean, você apenas deveria mostrar compaixão, se mostrar arrependido, se sentir culpado, sei lá, qualquer coisa, mas simplesmente deixou que acreditassem que você havia machucado o Edgar simplesmente porque não conseguiu abrir a merda da boca para se defender.
Sean não conseguiu argumentar com seu namorado, algo que ele já estava acostumado quando se tratava de Colin, sendo um pequeno duro no que dizia, geralmente o silenciando desde que se conheceram, causando uma rivalidade que mais tarde virou romance.
— Você vai conversar com o Edgar, vai se explicar. — falou ainda de costas pra ele.
Sean não deu resposta ao que ele disse, prosseguiu com o assunto:
— Posso dormir com você hoje? — perguntou.
Dessa vez quem não respondeu foi o Colin, ele apenas se virou e encarou o namorado por alguns segundos. Não conseguia vê-lo daquele jeito por muito tempo, o nariz um pouco inchado, a marca da mordida com pouco sinal de sangue e uma expressão bem diferente da seriedade que era acostumada a ser vista.
— Senta na cama, eu vou cuidar desses ferimentos.
Sean obedeceu imediatamente, não queria nunca mais sair dali. Sentia falta da presença de seu namorado, Colin estava começando a se tornar cada vez mais difícil, o seu orgulho estava começando a superar o do próprio tigre.
Após pegar novamente o seu kit de primeiros socorros que anteriormente pertencia ao William, por isso havia bastante coisa, Colin puxou a cadeira e sentou-se de frente para o namorado.
O pequeno cuidou de cada ferimento, de arranhões até cortes, enxugando-os com gaze e em seguida passando creme antibiótico que prevenisse inflamações e que pudesse facilitar a cicatrização. Cuidar da mordida foi um pouco mais difícil, Sean sentia mais dores naquela região, por isso Colin tinha que ser mais delicado, limpando devagar e quase sem depositar pressão alguma no braço dele.
— Posso dormir com você hoje? — perguntou o moreno novamente enquanto assistia o namorado de cabeça baixa concentrado no ferimento em seu braço.
Colin nem o olhou, permaneceu em silêncio.
— Não quero dormir sozinho hoje, sinto sua falta.
E realmente estava sentindo. Sentia falta dos carinhos, dos toques íntimos, da mão dele em sua cabeça mexendo em seus fios negros até que ele conseguisse pegar no sono, de acordar de manhã com a cabeça dele em seu peito e o corpo aconchegado ao seu.
Sean, mais do que nunca, realmente precisava de alguém ao seu lado. Estava realmente sendo difícil a semana brigada com o namorado, mesmo eles tendo um relacionamento tomado por tapas e beijos, discutindo a cada uma hora, mas só o fato de tê-lo perto de si valia por todas as brigas. Uma semana sem beijá-lo... Não era fácil ver aqueles lábios rejeitando os seus, a face de Colin virando toda vez em que ele tentava algo.
Uma semana carregando nas costas a história da Larah estar grávida, sem saber se era verdade ou mentira tudo o que aconteceu entre eles, sem nenhum resquício de lembranças do que aconteceu naquele dia, com medo de contar ao seu namorado, com medo de contar a qualquer pessoa, sem saber pra onde correr.
Hoje ouviu todo e qualquer tipo de insulto sem rebater, apenas calado, sem energias para discussão. E a única pessoa com quem ele se importava não estava dando-lhe a atenção necessária.
É, Sean, você não teve uma boa semana.
— Pronto. — Colin falou ao finalizar.
Pondo as gazes usadas no plástico para depois jogá-las no lixo, Colin arrumou seu kit de primeiros socorros e se levantou, ele guardou tudo e dirigiu-se para o banheiro, jogou o que tinha pra jogar no lixo, lavou suas mãos e retornou ao quarto indo em direção à porta.
— Pra onde você vai.
— Deixar você descansar. — respondeu.
— Eu não quero ficar sozinho. Não há porque me tratar assim, são sete dias que estou tentando voltar ao normal contigo.
— Em nenhum deles você me pediu desculpa. — revelou.
— Vale mais a palavra do que minhas ações? — perguntou incrédulo.
— E quais foram suas ações? Só agora você se mostra realmente frustrado. Quer que eu faça uma lista dos momentos em que você se mostrou arrependido durante essa semana? — Colin olhou pra mão, fingindo que ia contar os dedos. — Nenhuma. — ele fechou a mão. — É isso mesmo, nenhuma vez você se mostrou arrependido. Em todas as vezes você se irritava e saia de perto de mim, frustrado, chateado, tudo, menos arrependido.
Colin finalmente não conseguiu mais se manter calado e jogou pra fora tudo aquilo que estava incomodando-o. E era verdade o que o leonino estava dizendo, Sean acabava ficando aborrecido e desistia de conversar com o namorado.
— Eu tô cansado, Sean. Geralmente sou eu me desculpando ou tenta resolver nossas discussões, raramente você faz isso.
— Então me desculpe... Mas do que adianta eu dizer isso agora se pra você ainda vai soar como se fosse da boca pra fora?
Colin parou pra refletir. Ele olhou Sean por alguns segundos, abaixou sua cabeça e passou a mexer na orelha. A infantilidade pedia pra ele sair do quarto, mas o coração dizia pra ficar ali e esquecer a raiva. Sean realmente estava se sentindo culpado?
— Você pode pelo menos tentar fingir que tudo já passou? — questionou o moreno.
— É melhor você dormir, mais tarde conversamos.— admitiu.
— Não vou conseguir descansar sabendo que você está triste comigo. Você tem razão, Colin, eu sou um tremendo filho da puta, mas mesmo com todas as merdas que eu cometo, eu continuo sendo eternamente apaixonado por você, ainda que não pareça, ainda que eu seja frio, egoísta e grosso. E não há ninguém no mundo que conseguiria me suportar sendo assim, e é por isso que eu te amo, por ser o único a me aguentar do jeito que sou. Eu não quero ficar novamente sozinho, então, por favor, volte pra mim, me xingue, me bata, faça o que quiser, mas não me trate como está me tratando agora.
Colin jamais esperou ouvir aquilo, no mínimo um sincero “me perdoe”, mas nada mais que isso. E Sean disse tudo aquilo enquanto o olhava, por isso foi difícil encará-lo por muito tempo. Acostumado a grosseria, era difícil de acreditar que Sean havia feito aquilo, tanto é que chegava a assustar.
Esperando ouvir alguma resposta, Sean não conseguiu permanecer mais o encarando. Deitou-se na cama e se cobriu até o pescoço, disse tudo o que tinha pra dizer sem que planejasse por aquilo, as palavras simplesmente fluíram.
Ele sentiu o lado da cama afundar, isso denunciou que Colin havia se sentado ali. Virando-se e descendo o cobertor até a cintura, Sean o encarou ainda deitado. Os belos olhos negros não perdiam o poder de hipnotizá-lo.
— Eu certamente namoro a pessoa mais corajosa do mundo. — murmurou o moreno.
Sean lembrava-se de Colin desafiando Joshua sem demonstrar medo algum, no entanto se esquecia de que Colin já fizera isso uma vez, há alguns anos, quando o relacionamento dos dois estava apenas começando.
— E eu o mais babaca. — Colin falou ao suspirar.
Foi então que Colin montou levemente sobre o corpo do namorado, envolvendo a cintura dele entre seus joelhos, sua face desceu e seu lábio repousou ao do namorado.
Sean que nem estava esperando por aquilo, se reabasteceu, finalmente. Sentir o toque daqueles lábios o fez lembrar porque o amava tanto. O beijo de Colin alimentava a sua alma, lábios que se conectavam, bocas que se encaixavam, línguas que guerreava ironicamente em nome da paz.
Sean se sentia tão leve com aquele beijo que ele nem percebia que quem estava no controle da situação era o próprio Colin, geralmente sendo o pequeno a receber os toques e ser guiado, no entanto, era o leonino quem dominava no beijo.
E então, veio na memória toda a conversa tida com Octavio, com essa conversa veio o diálogo com Brandon e a situação que passou com seu namorado entrando no quarto querendo ser ativo. O nervosismo logo tomou-lhe conta e isso influenciou até no beijo. Como Colin conhecia muito bem o beijo do namorado, logo percebia que algo não estava certo.
— Aconteceu alguma coisa? Você não quer? — perguntou o pequeno olhando-o nos olhos. — Te machuquei?
Sean engoliu em seco, mas continuou encarando o namorado.
— Achei que você estivesse desejando por isso. — disse o leonino.
— É que...
— Sim? É que... — insistiu o Colin.
— Não sei se tô pronto pra ser passivo. Eu nem mesmo fiz aquela coisa que você faz no banho. — revelou.
— O quê?!
Incrédulo, Colin questionou, mas rapidamente um sorriso de ponta a ponta se formou em seu rosto.
— É sério isso?
E o rosto de Colin caiu no peito do namorado tomado pelo riso. A sua risada era abafada, mas ainda assim conseguia contagiar a qualquer um que estivesse a ouvindo. Colin estava começando a ficar vermelho como um pimentão de tanto que estava rindo.
Sentindo-se idiota, Sean quis dar uns tapas no namorado só por aquilo..
— Me diz que você não levou a sério aquilo naquele dia. — falou o leonino ainda com o rosto colado ao peito do namorado.
— Vai saber...
— Mas era óbvio que eu estava brincando, Sean. — Colin levantou o rosto e revelando os olhos úmidos.
Sean optou por não dizer nada, mas estava começando a se chatear com o riso do seu namorado, o fazendo se sentir cada vez mais idiota.
— Tá, vamos lá: Você quer? — perguntou Colin ainda com um sorriso no rosto.
— Não. — balançou a cabeça negativamente.
Sean respondeu tão rápido que Colin sorriu ainda mais.
— Eu também não quero, oras. Estou confortável sendo o que sou. Mas sabe o que é engraçado e talvez revelador? É que você se mostrou disposto a inverter os papeis por minha causa.
— Eu só não vou te chamar de tudo o que não presta porque acabamos de voltar ao normal.
— Suas bochechas estão vermelhas. É a primeira vez que eu te vejo com vergonha? — Colin não conseguia desfazer o sorriso, ele simplesmente estava lá pregado em seu rosto.
— Para, Colin. — irritado, mas realmente constrangido, Sean falou.
— Nunca mais quero tirar da minha memória seu rosto corado. — Colin estava apaixonado pelo rosto vermelho do seu namorado. Vê-lo com vergonha era simplesmente encantador.
Sean suspirou, coçou a cabeça e revirou os olhos.
— Quem sabe num futuro muito distante possa acontecer de invertermos os papéis, mas por enquanto, permanecemos como estamos, Sean.
— Então quer dizer que eu vou continuar transando contigo de boa sem esse fantasma me perseguindo?
— É claro! — continuou ele sorrindo.
— Então se é assim, acabou pra você.
— Como assim? — perguntou o namorado, confuso.
Foi quando Sean, numa única investida, acabou se colocando acima do corpo de Colin, encarando-o com os olhos, por que não dizer “comendo-o com os olhos”, enquanto cravou os dedos na cintura dele. Colin suspirou imediatamente com aquela pegada.
— É a minha vez de tomar o controle para descontar os sete dias que você me esnobou.
Sean sorriu. Um sorriso sexy, provocativo.
Colin retribuiu o sorriso e logo foi atacado por um beijo voraz.
É... Aproveitem um dos últimos dias de paz.
Sean continuou guardando o segredo a respeito de Larah.
[...]
— S'il vous plaît, ou est le restaurant plus près?
— O quê?! — Connor virou a cabeça como a menina do filme O Exorcista para olhar o namorado que estava de frente ao computador.
Hugh riu do que tinha visto, mas continuou dobrando suas roupas para guardá-las no armário.
— Estou estudando francês online. O que eu disse significa: Por favor, onde fica o restaurante mais próximo? — Ian respondeu ainda fixando os olhos nas frases do computador.
— Você não cansa de estudar? Acabou de ler um livro e já tá aí? Pra que você quer aprender francês? — questionou o youtuber.
— Aprender novas línguas, conhecer novas culturas. Ultimamente tenho pensado em conhecer Paris nas férias. Paris é a capital da França, Connor.
— Eu sei que Paris é a capital da França, credo, não sou tão burro assim.
— Eu sei, eu sei... Mas o que achou do meu francês? — questionou ao namorado assim que desligou o computador.
— Não entendi nada.
Ian riu.
— E você, Hugh? — perguntou retirando os óculos e se deitando na cama ao lado de Connor que estava sentado com o notebook nas pernas.
— Assim como o meu primo, eu não entendi nada. — Hugh respondeu.
— Vocês são chatos. — resmungou. — O que você está fazendo? — perguntou para o namorado.
— Acabei de fazer as edições no vídeo que estou correndo do bode, mas ainda não vou postar. Penso que ficará interessante se eu acrescentar a entrevista que vou fazer com aquele cara do sotaque estranho.
— Não vá zombar dele.
— Claro que não vou! — defendeu-se. — Mas sei que esse vídeo vai bombar, eu sinto isso. Pedi pra meus inscritos me mandarem perguntas direcionadas pra alguém que cresceu longe da cidade, vai ter tudo a ver com o tema de quem cresceu na cidade e não sabe lidar com bodes.
— E então, quantas perguntas recebeu até agora?
— Mais de oitocentos.
— Uau. — Hugh deixou escapar.
— Já selecionei algumas, no entanto vou deixar pra selecionar outras amanhã, cansei de ficar lendo.
Connor fechou seu notebook e o guardou.
— Ian, advinha o que eu encontrei hoje? — perguntou ele empolgado fixando o olhar no namorado.
— O que?
— Inscritos! – respondeu eufórico recebendo um olhar descrente do namorado.
— Aqui?!
— Claro! Eu tenho inscrito em vários lugares do mundo. E olha que era um bom número, estavam em um grupinho na lanchonete, assim que me viram não acreditaram. Tiramos algumas fotos.
— Você é popular por aqui também, Connor. — Hugh, terminando de dobrar a última peça de roupa, falou. — Um dia desses ouvi gente comentando a respeito de alguns vídeos seu e sabiam que você já morou na Quadra.
— Do YouTube para o mundo. — Connor fez com que isso parecesse um slogan.
— Seu amigo não vem dormir hoje aqui? — Ian mudou drasticamente o assunto, ele ainda não se conformava com aquela ideia de Connor ser famoso e ter fãs, ainda mais depois de encontrar alguns atrevidos tentando roubar uma casquinha dele.
— Não sei. — Hugh respondeu sentando-se na cama. — Preciso fazer algo pra ele comer. Achei injusto todos comerem e não guardarem pra ele.
Ian teve um rápido flashback de quando Rickson não serviu Connor.
— Sei que cheguei agora, mas ainda não entendi bem o porquê de todos serem contra esse garoto.
— Ele não fez boas coisas... Pode-se dizer assim. Há razão para todos o criticarem, mas ele não mexe com mais ninguém aqui da república, sabe? Mas ainda assim ninguém gosta dele.
— Não é nada diferente do que aconteceu ao Connor.
— Verdade, mas eu nunca liguei muito. — sorriu o garoto ao se deitar ao lado do namorado. — Eu provei que eu sou uma boa pessoa.
— Acho que se o Pietro tivesse batido no Colin ninguém o perdoaria, aí sim seria impossível que ele entrasse aqui. A antiga geração dos leões perece ter sido mais generosa.
— Que nada. Éramos piores, só fomos mudando ao pouco. Eu lutei pra que conseguissem aceitar o Connor, não foi fácil. A chave para a aceitação dele foi o perdão do próprio Colin. — Ian respondeu.
— Mas o Pietro é uma pessoa difícil.
— Percebi. — Ian disse. — No entanto, veremos até onde isso vai.
— Bem, vou lá na cozinha fazer algo pra quando ele chegar. Acho justo, aproveito e faço pra mim também, já que o que o preparam não foi o suficiente pra matar minha fome.
— Olha, dependendo do que você vai fazer, eu também quero... — Connor falou.
— Macarrão com queijo é a única coisa que sei fazer e me orgulho disso.
— Eu quero. — disse animado.
— Então eu grito assim que estiver pronto.
— Dos meus primos, você é meu favorito, Hugh. — obviamente era uma mentira descarada só porque iria ganhar comida.
Hugh não acreditou, percebeu o interesse do primo, mas aceitou aquilo como uma brincadeira, o que era de fato.
— Ei, Hugh. — Ian chamou o garoto e Hugh parou imediatamente. — É verdade mesmo que adiaram o jogo?
— Sim, é verdade. Os Tigres não concordaram jogar com o Sean machucado, eles não têm jogador reserva, e a pedido do Colin tivemos que aceitar isso. Eles pediram um prazo de uma semana, mas a organização não pôde permitir alegando que no próximo final de semana tem outro tipo de jogo e deu um prazo de três dias, mas o Sean disse que iria jogar do jeito que estava, mas ninguém concordou, querem um jogo limpo, com exceção do Danion, é claro, que não dava a mínima. Os demais jogos de basquete continuarão continuarão acontecendo, menos o segundo jogo dos Tigres que no caso seria contra nós.
— Acho justo, não foi uma briga leve.
— Mas ele pediu por aquilo.
— Sei lá, não acho que seja o jogo dele machucar o Edgar sabendo que o Ed é o melhor amigo do Colin.
— Bem, aí eu já não sei... — Ele seguiu para a cozinha enquanto os outros dois ficaram no quarto.
Ian ficou assistindo o garoto sair do quarto.
— Ele é uma boa pessoa, tanto ele quanto o outro. Você tem uma família incrível, Connor.
— Sabe o que é engraçado? É que ele nem sempre foi assim. — Comentou sem dar muita importância, focado nos comentários que lia através do seu celular.
— Como assim? — Ian questionou curioso.
— Não sei te dizer... Ele passou por uma fase complicada. — Não querendo parecer invasivo, Ian deixou a conversa morrer ali.
Após alguns minutos sozinhos e quietos, Ian olhou para a porta por alguns segundos até ter segurança e privacidade.
— Sabe do que eu sinto falta? — murmurou.
— Do quê?
Ian, em toda sua ousadia, tocou entre as pernas do namorado, sentindo a região quente.
— E-ei... Ele pode aparecer a qualquer momento.
— Eu sei que pode. A parte ruim de dormir aqui é a falta de privacidade. Saudades de quando tínhamos um quarto para nós dois.
— Vamos tentar mais tarde enquanto todo mundo tiver dormindo. — sussurrou.
— Não sei se vou me sentir confortável, mas veremos...
Connor não continuou mais o diálogo, enquanto ainda com privacidade, ele deixou a mão do namorado tocando o seu membro que já havia despertado. Ian adorava tocar aquela região.
[...]
O corpo todo suado, os cabelos colados em sua testa, os lábios tomados enquanto ainda tentava recuperar o fôlego perdido após o sexo minutos atrás. Internamente estava muito feliz, a ponto de deixar o sorriso transparecer.
Andrew, por sua vez, acabara de acender um cigarro após encerrar um beijo. O moreno se sentou, preparou a cocaína na mesa e começou a usufruir.
Cobrindo-se até a cintura, Pietro o olhava apaixonado. Finalmente aconteceu depois de tanto tempo, tinham se tornado raros os dias em que Andrew o tratava tão bem e o enxergava com outros olhos.
— Não vai querer? — Andrew perguntou enquanto limpava o nariz.
— Prepara aí pra mim. — disse ainda deitado.
Ambos já havia se drogado o suficiente, mas não pararam.
— Hoje você estava com o gás todo. — comentou o moreno ficando de pé.
Andrew estava pelado, a bunda suada brilhou na luz. Ele tragou o cigarro e se encostou à parede.
Pietro se sentou na cama, fez o uso da cocaína e fechou os olhos aceitando as sensações. Ele limpou o nariz que imediatamente ficou vermelho.
— Você sabe que amanhã a Isis volta, não sabe? — comentou tragando o cigarro logo em seguida.
Pietro preferia não se lembrar disso, amanhã tudo voltaria ao normal. Deveria estar acostumado com esse tratamento do Andrew, mas bastava um momento de prazer e tudo facilmente era esquecido, como se ele fosse capaz de conquistá-lo apenas com sexo, capaz de finalmente tê-lo se declarando.
Que espécie de namoro era esse? Pena que Pietro não enxergava que só aos seus olhos ele via aquilo como namoro.
Mudando o semblante drasticamente, Pietro assuou o nariz e ficou de pé. Assim que passou Andrew deu um tapa em sua bunda, o segurou pelo braço e o puxou para mais junto. Os lábios bem próximos ao do garoto, centímetros que apenas os separavam.
— Não vou esquecer do que aconteceu hoje aqui. — murmurou e beijou Pietro.
Desconcertado, Pietro desfez o beijo, enrolou-se em uma toalha e saiu do quarto. Retornou alguns minutos depois já vestido e de cabelos úmidos enquanto Andrew continuava a se drogar no quarto.
— Estou querendo marcar alguns muros por aí. — comentou Andrew.
— Chama os garotos e vai. — respondeu enquanto se olhava no espelho.
— Mas eu quero ir com você. Apenas você e eu. Nós dois...
Pietro o olhou não acreditando no que estava ouvindo. Isso só tinha acontecido uma única vez e foi uma das melhores noites na rua que ele já havia passado.
Andrew se levantou.
— Vou tomar um banho pra irmos.
— Deixei as coisas na república.
— Então vai buscá-las eu vou te esperar em frente a Quadra.
— Sei onde tem um muro branco lisinho nos esperando.
Pietro sorriu.
— Isso também é uma oportunidade pra conversar do plano pra acabar com a república dos leões.
Pietro dessa vez mostrou-se assustado, ele engoliu em seco e olhou para Andrew como se não estivesse compreendendo aquilo.
— Aproveitar que você está lá dentro pra nos passar informações. Faz tempo que não mexemos com ninguém.
— O que você pretende fazer? — perguntou preocupado.
— Depois você vai saber. — respondeu sorrindo. — Agora anda, não demora.
Andrew saiu do quarto e deixou Pietro sozinho. O leonino — ironicamente leonino — não conseguiu ficar sem pensar no que acabara de ouvir. Algo contra os leões? Isso de certa forma o incomodou.
“Tanto faz, são um bando de idiotas mesmo”. Pensou, mas logo mandou pra longe os pensamentos ao recordar todo o tipo de tratamento que vem recebendo dos leoninos, ninguém dava a mínima pra sua existência.
Pietro saiu do Ninho com passos apressados, até chegar na Quadra seria o tempo em que Andrew já estaria se arrumando para esperá-lo. Por isso ele chegou a correr um pouco até alcançar, finalmente, a sua república.
Já era tarde, quase 23 horas, e as ruas já estavam meio desertas. Quando abriu a porta, encontrou Hugh adormecido no sofá. Teria passado por ele sem acordá-lo, mas parece que o garota sentia seu cheiro ou sabe-se lá o quê, ele simplesmente acordara no instante em que Pietro passou em sua frente.
— Ei, você voltou. — disse Hugh coçando os olhos.
— Sim e não tenho tempo pra ficar. — disse apressando-se e se dirigindo para o quarto.
— Espera! — Hugh correu para alcançá-lo.
Pietro parou no corredor.
— Pra onde vai? Já está tarde e você acabou de chegar, parece que está...
Hugh conseguiu identificar que Pietro estava drogado, bastava apenas olhar pra o nariz dele e os olhos. Ele sempre conseguia identificar. Bastava olhar em seus olhos para ver as pupilas dilatas e o desgaste nasal.
— Vou sair. — respondeu e tornou a andar.
Pietro entrou no quarto, Connor e Ian já estavam dormindo, mas acordaram porque o garoto não tinha sido nada delicado, acendendo as luzes e bagunçando tudo a sua frente até finalmente encontrar a mochila com o material necessário para pichar muros.
— Pietro, é melhor você não ir... — Hugh tentou interferir.
O garoto passou por ele. Hugh olhou para Ian e Connor e se desculpou apenas com um olhar, apagou as luzes e fechou a porta, correu e encontrou Pietro terminando de beber água.
— Fiz macarrão com queijo pra você, come pelo menos antes de ir. — ofereceu sorridente, tentando de alguma forma contê-lo ali.
Hugh até se aproximou do macarrão guardado na mesa, fez sinal de que ia por no prato, mas Pietro já estava no corredor. Tendo que novamente correr para alcançá-lo, Hugh se colocou na frente da porta, impedindo a passagem do garoto.
— Que merda você está fazendo?
— Tentando fazer você ficar na república. Cara, você aparenta não estar bem. Já comeu? Coma, eu fiz o macarrão com tanto carinho.
— Eu não quero essa merda.
Hugh se fosse mais frágil, teria se ofendido profundamente, mas sentiu o quão ruim era ouvir isso... Ele olhou para as mãos com algumas queimaduras e as escondeu nas costas, não querendo que ele percebesse que havia se machucado apenas para o seu bem.
— Vai sair com o Andrew, não é? — perguntou cabisbaixo.
— Não é da sua conta, agora sai da frente. — Pietro o puxou.
Quando pensou que ia estar livre pra ir embora, a mão de Hugh cravou em seu braço o segurando. Eles se encararam por alguns segundos até que Pietro parecesse desconfortável, tomou sua mão de volta e saiu da república insultando-o.
Hugh não pôde fazer mais nada, estava em seu limite.
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